Home Marinha do Brasil Fragatas Type 23: sondagem de oficiais brasileiros não detecta antecipação de ofertas

Fragatas Type 23: sondagem de oficiais brasileiros não detecta antecipação de ofertas

15564
61
Fragata Type 23 HMS Northumberland
Fragata Type 23 HMS Northumberland

Por Roberto Lopes
Especial para o Poder Naval

Uma discreta investigação feita por oficiais brasileiros que trabalham na Base Naval de Devonport, em Plymouth – 340 km (por terra) a sudoeste de Londres –, nos serviços de preparação para que o porta-helicópteros PHM Atlântico (ex-HMS Ocean) possa ser transferido à Marinha do Brasil, ainda não conseguiu identificar a época em que a Marinha Real começará a disponibilizar suas fragatas classe Duke – Type 23 – às marinhas de “nações amigas”.

Royal Navy possui 13 desses navios, que deslocam 4.900 toneladas e foram entregues à frota britânica no período de 1991 a 2002. Além da MB, também a Armada Chilena têm interesse nos escoltas.

Durante a mesma sondagem os militares brasileiros obtiveram apenas a confirmação de que os navios-doca de guerra anfíbia da classe Albion – Albion e Bulwark, construídos, respectivamente, em 2003 e 2004 – serão desativados nos anos de 2034 e 2035.

Mas, ao menos no momento, essas unidades não chamam a atenção da MB que, mesmo submetida a fortes restrições orçamentárias, conseguiu comprar, além do HMS Ocean, o navio-doca Bahia (antigo Siroco, da Marine Nationale).

Por outro lado, apesar de, na semana passada, o Ministério da Defesa do Reino Unido ter negado que estivesse oferecendo um dos seus dois navio-tanque classe Wave à Força Naval brasileira, os oficiais do Brasil vêm recolhendo indícios de que o plano dos ingleses nesse sentido é real.

Royalties – Ouvido pelo Poder Naval, um almirante da reserva que acompanha de perto os esforços (malabarismos…) financeiros da gestão Leal Ferreira com o objetivo de manter o programa de reaparelhamento naval, revelou que o Comandante da Marinha está concentrado em encontrar uma alternativa para repor os 500 milhões de Reais que a Força irá perder por conta de novos cortes orçamentários.

Esse dinheiro integra, ou integrava, a verba reservada à construção de quatro escoltas classe Tamandaré, e, de acordo com a fonte, a esperança da Marinha agora é repor os recursos por meio de um estratagema de elevação da receita dos royalties do petróleo a que a Marinha tem direito.

O assunto dominou parte das conversas nas duas solenidades alusivas ao 11 de Junho (Batalha de Riachuelo) que foram presididas por Leal Ferreira no Rio de Janeiro: a cerimônia militar no complexo do Corpo de Fuzileiros Navais, na Ilha do Governador, e a recepção, à noite, no Clube Piraquê, às margens da Lagoa Rodrigo de Freitas.

PHM Atlântico A140
PHM Atlântico A140

Mostra – Na manhã da última sexta-feira de junho, dia 29, o chefe do Estado-Maior da Armada, almirante de esquadra Ilques Barbosa Júnior, presidirá, em Devonport, a cerimônia de batismo, mostra de armamento e transferência para o setor operativo do PHM Atlântico.

A solenidade contará com a presença do Embaixador do Brasil em Londres, Eduardo dos Santos.

O navio deverá chegar ao Rio de Janeiro no início de agosto.

61 COMMENTS

  1. As tipo 23 só serão descomissionadas quando as tipo 31e começarem a entrar em serviço, se tudo der certo em 2023, e ainda serão depenadas para que a RN consiga atingir o valor pretendido por cada unidade da tipo 31e.

    Não acho que valha a pena o esforço por elas.

    • Roberto,

      Valer não vale, mas veja como estão indo as coisas :

      – Acabaram de reter R$ 500 Milhões do dinheiro ou de parte dele , que estava destinado ao Projeto das Tamandaré (de acordo com a matéria acima) ;

      – Não há atualmente , nem em um horizonte próximo, navios escolta disponíveis para aquisição por oportunidade. As marinhas estão usando o que possuem até o osso.

      Então, penso que mesmo que as T23 venham depenadas e bastante usadas, está longe de ser o ideal, mas ainda seria um bom negócio.

    • Roberto e MK, mesmo “depenadas” como vocês dizem, estão infinitamente melhor do que temos e ainda digo, se a MB além de compra-las instalar Sea Ceptor é um Artisan serão navios tremendamente “poderosos”.

  2. “…… o Comandante da Marinha está concentrado em encontrar uma alternativa para repor os 500 milhões de Reais que a Força irá perder por conta de novos cortes orçamentários.

    Esse dinheiro integra, ou integrava, a verba reservada à construção de quatro escoltas classe Tamandaré, e, de acordo com a fonte, a esperança da Marinha agora é repor os recursos por meio de um estratagema de elevação da receita dos royalties do petróleo a que a Marinha tem direito.”

    É i m p r e s s i o n a n te.

    Não vou escrever mais nada.

    Se for escrever o que estou pensando, o comentário vai ser editado e vou ser bloqueado.

  3. Mk48: algo não bate, pois se o valor integrava, a verba reservada à construção de quatro escoltas, CERTAMENTE é valor afetado (só pode ser usado para o fim a que se destina) e do interesse da segurança nacional.
    Estou certo?

  4. Isso mostra que a MB está se mexendo mesmo com todas as dificuldades, eu diria para dar uma olhadinha na Austrália, salvo engano tem duas OHPs em boas condições prestes a dar baixa na terra dos cangurus.

  5. Início de agosto? Excelente! Todos à Guanabara Bay para saudamos a nova Capitanea da Frota!!! Possível divulgação da data hora da chegada quando mais próximo?

  6. Pergunta: Os grispen tem financiamento, compras de oportunidade não podem ser financiados. Aproveitando apanhariamos Wave, fragatas, ou, corvetas, ou caça Minas.
    Só estou perguntando????

    • Olá Vovozão. Não há nenhuma lei que proíba o governo federal contrair um empréstimo para financiar a aquisição de um bem usado. No caso dos Scorpenes e dos Gripens, por serem importações, o crédito foi oferecido pelo país exportador (o Brasil faz o mesmo financiando as exportações via BNDES). Contudo, todo empréstimo deve ser aprovado pelo Senado e também estar dentro das condições da lei fiscal (tanto o federal quanto o estadual e municipal têm limites para endividamento). No caso do Scorpene e do Gripen, está ocorrendo um enorme esforço industrial que irá compensar os empréstimos gerando receita (similar à um motorista de taxi que financia um carro novo para colocar na praça. O próprio uso do carro irá pagar o financiamento). Por outro lado, a aquisição de um navio usado (por mais importante que isso seja para a esquadra) não impactará o setor industrial, portanto não irá ampliar a receita futura. Isso é apenas a antecipação de gastos pagando juros. Pode ser permitido, mas não é inteligente. No caso do A140, a MB irá pagar a compra com recursos do tesouro diretamente ao governo inglês.

  7. Enquanto a Petrobras for estatal ela é caixa do governo. As Armas reclamam dos cortes. Mas concordam em expropriar receitas da estatal que sabidamente os políticos chamam de royalties.

    O novo presidente da Petrobras Ivan Monteiro, foi levado para a estatal por Bendine. Quando chegou, declarou que a empresa nao tinha provisão para devedores duvidosos. E que a contabilidade da estatal era uma bagunça.

    Uma estatal dos anos 1950 que não tem em seus quadros de pessoal, contadores, diretores, presidentes. Quando tem, vide Lava Jato.

    Apertou, corre nos royalties da Petrobras. Ela deve mais de 3 X as suas receitas. Imagino como seria receber 10 de salário e dever 35 no banco.

    Reformar esse país ninguém se atreve. Querem reclamar. Os preços dos combustíveis são um absurdo comparados com as rendas e com os salários. O governo tabela o frete. No importa se o destino fica no Acre ou Manaus.

    A contabilidade da Lava Jato mostrou que os políticos levaram quase 4 Prosubs embora. Embora pra onde ninguém diz. Só dizem que roubaram 57 bilhões.

    A bagunça do frete/diesel/transportadoras/sindicatos/caminhoneiros/frangos, levou 500 milhões da Emgepron. Aquela capitalização que diziam estar segura. A MB quer os 500 de volta e apela aos royalties da Petrobras que, sendo receitas da estatal tem amparo legal da legislação que instituiu o garrote (royalties) em 1997.

    Que bagunça. Mas se apertar olha lá os royalties da Petrobras.

    • Royalties não são receita da estatal. Como as reservas são de propriedade federal cedidas a exploração por conceção, os royalties são parte do que é direito da União, no caso cedido a MB.

      • Artigo 47 Lei 9478/1997

        Os royalties serão pagos mensalmente, em moeda nacional, a partir da data do início da produção comercial…

        Artigo 176 da Constituição de 1988

        Royalties são contraprestações financeiras mensais que as empresas exploradoras de recursos naturais tem o dever de pagar aos estados, municípios, MB…

        O legislador definiu que os estados e os municípios produtores têm direito a proporcionalidade que a lei determina. Mensalmente. Das receitas. Sem nenhuma dedução fiscal ou tributária. Como a MB também.

        A Petrobras é uma estatal. Quando o estado come o próprio estado, o nome é outro. E não é royalties.

  8. A miopia estratégica de certos governantes é quase inaceitável. Meios que consomem anos para serem obtidos e que não podem faltar nas docas da MB não podem ser contigenciadoos. Que contigenciem as viajens suntuárias dos nababos do poder e seus alcólitos, que andam por ai com cartões corporativos sem limites de gastos. Compras de oportunidade como as da Austrália ou da Royal Navy são episódios que podem não ocorrer por muitos anos. Ou será que alguem pensa que vamos embarcar em jangadas para defender nossa zona econômica exclusiva? Pelo andar da carruagem, em breve estaremos copiando os piratas Somalis, atacando barcos estrangeiros com fuzis e lança granadas portáteis. Ou nem isso…..

  9. A pergunta que eu fiz foi: os gripe tiveram financiamento,.os sub são financiados, os navios de oportunidades não poderiam ser financiados? Outra coisa. Falam em fragatas Australianas, por que não fazer um passeio em direção ao norte da Europa (Dinamarca, Finlândia, Noruega (algum tempo atrás de não me engano o Egito fez uma compra de oportunidades levando 5 Ou 6
    Navios) Suécia ou quem sabe Japão ou Coreia do Sul, vamos passar o pires, estamos necessitando, não podemos deixar nosso mar territorial desguarnecido. Concordam?????

  10. Mas MK 48, se for pra vir desdentada, pra ficar numa eterna atualização, é preferível que se use o dinheiro que seria gasto numa possível compra delas, na atualização das Niterói, da Barroso.

    Por mais barato que venham, qualquer quantia seria melhor aproveitada numa revisão dos atuais meios.

    • Eu gosto do Chile por causa disso, compra de tudo, seja novo ou usado, mas sempre compra pronto, os chilenos não tem essa coisa de tentar adquirir tecnologia ou fabricar algo por conta própria, acho que eles julgam que seja perda de tempo, dou valor num povo assim. Não fabricam nada mesmo.
      Chile não tem e nem pretende ter indústria de defesa ou auto suficiência tecnológica, vão lá e compram tudo prontinho para usar e beleza.

      • Caro Silvano. O orçamento militar do Chile é cerca de 10% do orçamento brasileiro. As aquisições do Chile são mais uma questão de aperto orçamentário do que opção estratégica.

  11. Li aqui que as Types com chance seriam as que foram comissionadas no início dos anos 1990. Duas ou três. Navios com mais de 30 anos de uso já que a data de baixa seria 2020 ou 2021.

    Desanimador.

    Fora do Tópico: a JV entre a ThyssenKrupp e a indiana Tata Steel parece não ter sido suficiente para melhorar os resultados da gigante alemã. A divisão naval será fechada?

  12. Oque acho interessante é que finalmente chegamos ao ponto onde os orçamentos devem ser discutidos. Não existe mais almoço grátis.
    .
    Se vai subsidiar o diesel, a verba tem de sair de outros programas.

    • 90% dos gastos públicos são obrigatórios. A Defesa tem o melhor % de investimento. Em torno de 5%.

      O país depende das receitas com arrecadação de impostos para viver. Em crise desde o início dos anos 2010, só estamos piorando.

      O presidente não pode obrigar os estados a reformarem suas cargas fiscais. 10 estados não reduziram o ICMs do diesel
      O presidente não pode reduzir a carga fiscal do biodiesel que representa 10% do custo final do óleo na bomba
      O presidente mandou tabelar o frete. Saíram duas tabelas que não agradaram. Espera-se uma terceira. Existem 13 macro componentes que formam o preço do frete. Quem vai fazer 13 tabelas?

      O lucro (50%) recente da Petrobras foi obtido com a venda de ativos. Outros 25% foram consequências de ações operacionais como melhora nas margens. O lucro da empresa não é consequência da sua atividade de extração, refino e distribuição. Se o presidente apertar as contas da estatal, o resultado provável negativo irá derrubar os preços dos papéis na Bolsa. Os juros que a estatal paga para bancos referente a seu endividamento reduziu as receitas para 286 bilhões. A empresa aderiu ao pagamento de 10 bilhões de encargos federais atrasados em 2017. Irá pagar a partir de 2018.

      A Petrobras não paga dividendos há 4 anos.

      O problema dos transportes vem dos combustíveis reajustados quase que semanalmente no país. Mas também vem dos pedágios, dos impostos, das taxas de juros, das despesas rodoviárias, da conservação das estradas, do roubo, do risco.

      Agora há outro problema. A folha de pagamento foi reonerada. As empresas voltaram a pagar mensalmente para a Previdência/Receita. E quem não pagou esses 5 meses porque ia pagar sobre o faturamento anual?

      O presidente não poderia ter cedido o que cedeu. Nem poderia ter comprometido a Petrobras. Nem ter mandado tabelar o frete. Nem ter mandado precificar o diesel na bomba. Nem ter divulgado que o buraco do acordo que começou com 6 bi, chegou a 15 bi e já passa dos 20 bi, será compensado com contigenciamentos.

      Contigenciamento se dá na ausência de receitas. Só. Contigenciamento não acontece na falta de inteligência.

      Mas afinal, o que derrubou a arrecadação de impostos? A queda da atividade econômica. O que derrubou a economia? A falta e a interrupção dos investimentos + o aumento dos custos com rocambole (custeio/salários/benefícios/despesas impositivas de 1988) + corrupção + rolagem da dívida pública + tíquete de almoço dos parlamentares em Brasília em torno de R$300. Pode chegar a R$2.500 se tiver camarão e vinho francês.

      A MB quer os 500 milhões de volta.

  13. Esse governo n quer forças armadas forte,essa eh a realidade.
    Se tirassem os auxilios parlamentares recebem ja sobraria dinheiro pra investir nessa area.

  14. Fechem metade das 146 estatais inúteis que o governo federal possui e teremos dinheiro de sobra para comprar qualquer coisa. O governo tem estatal para viabilizar trem-bala, sem termos nenhum trem-bala. Tem empresa de comunicação, quando gasta centenas de milhões em publicidade privada. Tem tantas porcarias inúteis que só servem de cabide de emprego de políticos, mas custam bilhões todos os anos.

  15. E lá vamos nós de compra de oportunidade de novo. Vamos continuar trocando navios de 40 anos de uso por outros de 35 até quando? Será que essa administração da MB não consegue se planejar para fazer uma mísera corveta sem precisar ficar mendigando para o governo federal?

    • Daniel…….

      Todos nós gostaríamos que a nossa MB estivesse melhor equipada e atualizada em termos de navios e equipamentos.

      Ocorre que existe um todo um histórico de acontecimentos que explica muito bem porque se chegou ao ponto que chegou, e se você der uma lida nas diversas matérias que explicam isso aqui no PN, verá que ao longo do tempo a MB foi prejudicada, e muito, em seus planos de reequipamento. A MB errou em algumas decisões ? Sim, errou, como por exemplo, em minha opinião, a compra do A12 e o investimento nos A4, mas também houveram fatores externos a MB que a prejudicaram muito , até hoje, como contingenciamento de verbas pelo Governo Federal, estaleiros que faliram durante a construção de navios, etc….

      Portanto, existe todo um contexto que precisa ser conhecido e analisado, que explica a situação crítica pela qual a MB passa hoje, com o seu lado mais visível na quantidade e na qualidade dos escoltas, mas há também outras áreas da MB, menos visíveis, que também precisam de reaparelhamento urgente.

      • Mk48,
        Eu entendo perfeitamente todos os problemas pelas quais as 3 forças e o histórico de contingenciamento que passam. O que eu não entendo, é a inépcia da Marinha em se programar para construir navios em tempo hábil. As fragatas Niterói e Greenhalgh tem mais de 40 anos! Será que ninguém pensou em construir uma nova classe há quinze anos? Tipo um navio a cada 2 ou 3 anos? Fazer parcerias com outros países? Comprar em conjunto com outros países (como a Bélgica ou Holanda estão planejando)? Toda vez, a MB precisa ficar correndo atrás de compras de oportunidades de navios já usados e descartados de outras marinhas. Olha o exemplo da marinha peruana: construiu um navio mais ou menos igual ao “Bahia” pelo mesmo preço. Acho sim, que devemos ficar de olho em compras de oportunidade como o “Atlântico” que ainda é meia vida, mas acima de tudo, tem que se construir aqui ou comprar com antecedência.

        • “Será que ninguém pensou em construir uma nova classe há quinze anos?”

          Sim, Daniel, pensou. Planos de renovação, de construção de navios etc nunca faltaram. Mas o que também nunca faltou foi o governo não disponibilizar os recursos ou cortá-los depois dos planos iniciados – independentemente do governo, e isso ao longo de décadas e mais décadas.

          “Toda vez, a MB precisa ficar correndo atrás de compras de oportunidades de navios já usados e descartados de outras marinhas.”

          De forma alguma, a Marinha já adquiriu navios novos (seja no exterior, seja construindo aqui) diversas vezes ao longo da história. Dos onze navios de escolta atualmente em serviço na Marinha, 9 foram adquiridos novos, sendo cinco construídos aqui. Seriam mais, se não tivessem cortado as verbas para a construção, no que se inclui o longo tempo para terminar a corveta Barroso. Na maior parte do século XX, o que a Marinha teve foi uma composição entre navios adquiridos novos e usados.

          ” Olha o exemplo da marinha peruana: construiu um navio mais ou menos igual ao “Bahia” pelo mesmo preço.”

          O Pisco não é mais ou menos igual ao Bahia e não custou o mesmo preço.

          Daniel, a crítica é sempre válida, mas precisa de um mínimo de embasamento, seja na realidade ou na história. A Marinha sempre perseguiu a continuidade da construção de navios, mas diversos fatores ligados à própria dinâmica econômica e industrial brasileira fizeram com que essa renovação fosse em surtos ao longo de quase toda a sua existência.

          • Surtos, Fernando? Em 40 anos a marinha não conseguiu construir uma nova fragata. Do que adiantou produzir aqui as Niterói, se todo o maquinário, conhecimento e mão de obra especializada foram perdidas? Em 40 anos, não foi criado um fundo para esse fim. Isso não é surto, é estado vegetativo. Será mesmo que o problema é sempre o contingenciamento de verbas? Mas me falta um dado aqui: quantos navios foram comprados/construídos novos e quantos foram comprados já com algum uso?
            O Pisco, apesar de ser um navio com objetivo diferente, pode operar com fuzileiros, veículos, helicópteros e LCUs de desembarque. Então, ao meu ver, é mais ou menos o que o Bahia faz. Apesar de ser de forma mais limitada. Com a diferença de ser um navio novo e construído no Peru. E pelo o que li, a MB pagou 80 milhões de dólares pelo “Sirocco” (já com 17 anos de uso), enquanto um Makassar fica por volta de 50 milhões de dólares se comprado novo ou por 70 milhões pagos pelos peruanos com a transferência de tecnologia.

          • “Surtos, Fernando?”

            Sim, surtos.

            As 6 fragatas classe Niterói, as 4 corvetas classe Inhaúma, os 4 submarinos classe Tupi, fora duas dúzias de navios-patrulha de vários portes e empregos foram resultados do surto de aquisição e construção que durou do início dos anos 70 ao final dos 90, com a corveta Barroso e o submarino Tikuna representando a raspa do tacho desse surto, com entregas já neste século. Cerca de 40 navios de vários portes comprados novos, (fora alguns outros que não mencionei) a partir de encomendas da Marinha, e mais ou menos 2/3 deles construídos aqui.

            Antes desse, no século XX teve um surto de construção e obtenção de navios novos entre meados dos anos 30 e o final dos 40, e outro anterior mais ou menos entre 1906 e 1914.

            “quantos navios foram comprados/construídos novos e quantos foram comprados já com algum uso?”

            Os que mencionei acima, do surto entre os anos 70 e 90 foram todos comprados novos. Contemporâneos a eles, se pensarmos em navios de maior importância comprados de segunda-mão, mais ou menos nos anos 70-90, e que chegaram ao século XXI em serviço posso citar: 4 contratorpedeiros classe Garcia com cerca de 20 anos de uso na USN, 4 fragatas Tipo 22 com 15 anos de uso da RN, além de 4 navios-patrulha de mesma origem, 2 NDD, 1 NDCC (ex-USN) e 1 NAe (ex-MN), nesse caso todos já bem usados. Compras de navios de guerra de segunda mão neste século XXI foram, principalmente, 2 NDCC ex-RN, 1 NDM ex-MN e agora 1 PHM ex-RN.

            “E pelo o que li, a MB pagou 80 milhões de dólares pelo “Sirocco” (já com 17 anos de uso), enquanto um Makassar fica por volta de 50 milhões de dólares se comprado novo ou por 70 milhões pagos pelos peruanos com a transferência de tecnologia.”

            Em matéria recente, os próprios peruanos falam em cerca de 107 milhões de dólares de impacto econômico no Peru com a construção do navio, fora o que foi gasto no exterior:

            http://www.infodefensa.com/latam/2018/06/08/noticia-repercusiones-positivas-construccion-pisco-industria-nacional.html

            E acho que os peruanos fizeram um bom negócio. Mas o Bahia é de outra categoria, e custaria muito mais do que custou para adquirir um novo igual a ele, fora que as prioridades para compra de navios novos pela MB são outras: submarinos, corvetas e navios-patrulha. Assim, é natural que para necessidades para cobrir baixas de outros tipos de navios se aproveite compras de oportunidade (e, no caso do Bahia e do Atlântico, foram navios com boa perspectiva de vida útil pela frente).

            Deixo claro aqui que não estou querendo dourar a pílula, mas procurando debater com os fatos corretos. Há uma tendência nos debates de enxergar tudo preto ou branco, 8 ou 80, tudo ou nada, que não dá conta dos fatos reais e problemas reais.

    • Ora, mas o orçamento é montado em cima de um planejamento e os recursos a ele alocados depende do Governo Federal… como não articular para que os recursos sejam efetivamente direcionados à Força ? Vai pedir para quem ?

      • Você entendeu errado, XO. Eu quis dizer que a Marinha vive reclamando de contingenciamentos em vez de se programar a longo prazo. Sinceramente, eu acho impossível que a MB não consiga construir/comprar uma corveta ou fragata a cada 3 anos. TODOS os navios já estão velhos e no final de sua vida útil. Em vez de juntar recursos para comprar novos, ela usa o pouco dinheiro que tem em compras duvidosas.

  16. A obsessão da MB é o PROSUB, querem porque querem o raio de um subnuc. Num país precário como o nosso um aparelho desse é um risco à nós e aos países vizinhos, aí quando falamos das escoltas o pessoal aqui fica injuriado. O RU com certeza usará as Type 23 até o osso, aí sim eles nos cederão, como o caso das Type 22 que na minha opinião foi um desperdício tê las adquirido. Enfim, aguardemos os próximos capítulos.

    • Montana………

      Se você vem acompanhando a série de reportagens que o PN está nos trazendo sobre o Prosub, vai ver todo o cuidado que está sendo tomado para que a operação com o submarino nuclear seja segura.

      por acaso você já leu a matéria abaixo ?

      http://www.naval.com.br/blog/2018/06/14/prosub-as-instalacoes-para-receber-o-submarino-nuclear/

      Recomendo a leitura.

      E também, para você entender que não se trata de uma “obsessão”, sugiro que você leia as outras matérias relacionadas ao Prosub. Trata-se de um projeto gigantesco, que beneficia o país com transferência de tecnologia de ponta e que irá gerar um arrasto tecnológico sem precedentes na indústria nacional.

      Temos ainda todo o desenvolvimento do reator nuclear do submarino e outros componentes de tecnologia sigilosa, feitos no Brasil.

      Adicionalmente temos também o desenvolvimento do RMB em parceria coma a Argentina, que irá suprir o país com radiofármarcos, que assim deixará de ser importado, beneficiando toa a indústria nacional de medicina nuclear.

      Portanto, veja que não é “simplesmente” o fato de se produzir um submarino nuclear, há todo um conjunto de ganhos e benefícios para o país.

    • A MB tá focada no PROSUB, em meios anfíbios e em meios distritais.
      Nessa fase (eterna, diga-se de passagem) de falta de verbas até que não está errada. Com os submarinos se consegue a negação da área marítima de forma mais efetiva que com meios de superfície.
      Com os navios anfíbios se consegue a projeção de poder, mas focada na ajuda humanitária e nas nossas obrigações como força de paz.
      O controle de área marítima fica por conta dos navios de patrulha e aeronaves.
      Se a gente levar em conta o PND/END até que a MB tá se virando. Deram-lhe limões e ela tá fazendo uma limonada.
      E temos que levantar as mãos pro Céu pela MB ter desistido do São Paulo.
      O equívoco pra mim foi adquirir esse anfíbio agora, mas já foi feito e não há o que se discutir. É torcer para que o projeto Tamandaré siga em frente que tá muito bom.
      Não precisamos por enquanto ter navios maiores e nem navios dedicados à defesa aérea.
      Já fui crítico mas hoje entendo mais as decisões da MB.

    • As T- 22 não foram um desperdício, elas supriram uma necessidade da esquadra quando se chegou à conclusão que não seriam construídas as 16 Inhaúmas pretendidas. O erro em relação a essas fragatas foi o descuido com sua manutenção (a F-47 foi desativada precocemente para oferecer peças para as restantes) e não terem sido submetidas a um a modernização de meia vida.

  17. O interessante é que Devonport (onde o A140 está) é uma das 2 principais bases da RN — e é justamente a base das fragatas e dos meios anfíbios (Portsmouth, a outra base, é onde ficam os QE, destróieres e OPVs). Por esse motivo, o pessoal da MB que está por lá deve estar tendo ampla chance de acompanhar os procedimentos nas Type 23 (já q 3 estão sendo modernizadas neste momento com o Sea Ceptor, e outras 3 estão completando os testes após já terem recebido a modernização). Outro fato interessante é que lá tb está o HMS Portland, um dos mais novos Type 23, mas que está parado na “reserva” por falta de pessoal para operá-lo.
    Esse “encostamento” precoce do Portland me parece o maior indicativo que talvez 2 types 23 possam ser negociadas — veja bem, essa fragata assim como um Type 45 e um Albion estão permanentemente parados não por falta de dinheiro, mas por falta de pessoal, e esse não é um problema que se resolve rapidamente. Logicamente, com o aumento da crise financeira na RN, a tendência é que se otimizem recursos, e cortes — mesmo que não desejados — se tornam muito mais possíveis.

    Dentro desse pensamento eu não estranharia se até o final de 2019 a RN colocasse a venda pelo menos 2 das Type 23 não modernizadas para o Sea Ceptor…

    • Quem adquirir os meios logicamente pode atualiza-los. O eventual “desarmamento” não

      Os britânicos adquiriram, por exemplo, 3 “conjuntos” de equipamentos para as primeiras 3 type 26. Portanto, são as Type 31 que deverão reutilizar mísseis e radar das Type 23.

    • Li que a HMS Portland está passando por manutenção agora…é relativamente comum um navio ficar “encostado” um tempo enquanto aguarda manutenção…não apenas por falta de tripulantes que também é o caso.
      .
      Ter navios “excedentes” ou seja nem todos com tripulações completas é importante pois
      sempre se poderá transferir tripulantes de navios que não estejam disponíveis sem mencionar incidentes que possam ocorrer como colisões ou qualquer outro tipo de dano que poderá reduzir ainda mais a disponibilidade de uma força já tão pequena.

    • ?????
      Marcelo, você tem alguma novidade pra compartilhar sobre o programa da classe Tamandaré?
      O que divulgamos foi uma redução no valor alocado no orçamento deste ano para o programa, de 2,5 bilhões de reais para 2 bilhões. Mas não estou sabendo de naufrágio algum.

  18. A solução para a MB não está nas T-23, que e se chegarem aqui estarão com mais de trinta anos e provavelmente desdentadas. O que resolve é uma plataforma mais pesadinha na Classe Tamandaré (porte próximo das Niteróis) e um maior número de unidades na Batch 1. Vamos que depois das quatro unidades iniciais se suspenda o programa, como ocorreu com as Inhaúmas.

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here