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Graf_spee_aguia

vinheta-clipping-naval Um navio de guerra alemão afundado em 1939 na costa do Uruguai pode virar um museu. O encouraçado Graf Spee era uma das principais embarcações de guerra de Adolf Hitler, e afundou após um intenso confronto com cruzadores britânicos e neozelandeses, numa das primeiras batalhas navais da Segunda Guerra Mundial.

Guido Westerwelle, ministro das relações exteriores da Alemanha, declarou apoio ao projeto uruguaio de resgatar os restos do navio para constituirem o acervo de um museu dedicado à Batalha do Rio da Prata. No entanto, o ministro salientou o desejo dos alemães de evitar que as peças possam ser vendidas e usadas como ícones de adoração por neonazistas: “O que queremos realmente é que se faça algo construtivo. A Alemanha está disposta a colaborar para que (os restos) sejam exibidos dentro de um contexto histórico, como num museu”, reforçou Westerwelle, que esteve em Montevidéu esta semana.

Desde que foi descoberto em 2000, mergulhadores uruguaios vêm resgatando diversas peças do Graf Spee do fundo do mar, entre elas uma águia de bronze de 2,8 metros por 2 metros, e 350 quilos (ver foto acima) , símbolo do regime nacional-socialista: “Queremos uma solução construtiva para este problema”, disse Westerwelle, cujo governo já protestou formalmente contra a venda de objetos do navio.

A Batalha do Rio da Prata

O Graf Spee era um “encouraçado de bolso”, construido em 1934 ainda sob os limites que o Tratado de Versalhes impunham à Alemanha após a derrota na Primeira Guerra Mundial. Pesava apenas 16 mil toneladas (5 mil toneladas acima do limite imposto), mas era ágil e bem equipado. Com a eclosão da Segunda Guerra Mundial, o Graf Spee atacou e afundou nove navios mercantes no Oceano Atlântico antes de ser localizado pela Marinha Real Britânica. Após enfrentar em batalha os navios ingleses HMS Ajax, HMS Achilles e o neozelandês HMS Exter no Atlântico Sul, o Graf Spee foi seriamente avariado e buscou abrigo no porto de Montevidéu. Em 17 de dezembro de 1939, depois de dias de uma briga diplomática, o governo uruguaio intimou o comandante Hans Langsdorff a deixar o porto e se lançar ao mar aberto, onde os navios ingleses o esperavam. Após passar pela costa brasileira, Langsdorff explodiu o navio e provocou o seu naufrágio. Dias depois, o comandante se suicidou em Buenos Aires.

FONTE: O reporter

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Women’s Glee Club no Rio

vinheta-destaqueO Coral feminino da Academia Naval dos Estados Unidos, WOMEN’S GLEE CLUB, irá realizar apresentações na cidade do Rio de Janeiro no mês de março. O Coral foi fundado em 1976, quando as mulheres entraram para a Academia Naval americana. Elas já se apresentaram em diversos locais, como Flórida, Califórnia, Londres, Texas e Roma. O repertório inclui músicas clássicas, folclóricas, sacras, populares e musicais da Broadway.
Em 2009, o coral apresentou o concerto “We are One”, nas escadarias do Lincoln Memorial, nos Estados Unidos, para um público de meio milhão de pessoas e televisionado em rede nacional . Também se apresentou na cerimônia Oficial dedicada às vítimas do 11 de setembro, no Memorial do Pentágono.
A programação de apresentações segue abaixo:

  • Dia 13 de março sábado, às 17:00
    Local: Clube Naval Piraquê
    Entrada franca para sócios e convidados
  • Dia 14 de março, domingo, às 16h
    Local: Igreja da Candelária
  • Dia 14 de março, domingo, às 18:10
    Local: Forte de Copacabana
    Entrada franca para militares
  • Dia 15 de março, segunda-feira, às 20h
    Local: Teatro Municipal de Niterói
    Entrada franca. As senhas serão distribuídas 30 minutos antes.
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Desafio ‘Poder Naval’ 1

Identifique qual o navio da foto e sua classe.

Desafio Poder Naval 1

SAIBA MAIS:

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A alma de um navio, que vive em sua tripulação

bow-maasslot-ml

Sim, navios têm alma. E mesmo quem não acredita em alma, pode estar certo de que esta se expressa nas memórias de anos e anos de convivência, de tripulações e profissionais ligados a portos e navios, com essas “ladies”. Memórias que perduram nessas pessoas durante suas vidas e em seus relatos. Estes últimos podem durar ainda mais.

Mas tudo é cada vez mais efêmero no nosso dia-a-dia. Por exemplo, uma matéria em um Blog de internet pode ter um, às vezes dois dias de destaque. Muitas vezes nem isso. Mas seu conteúdo sempre pode durar na memória das pessoas, aquela que vasculhamos com aquele nem sempre confiável site de busca “orgânico”, que varre nossos neurônios. Memória que pode continuar preservada num canto do quase inesgotável servidor do cérebro, quando os googles da vida não conseguirem mais encontrar o que vale a pena no meio de tanta coisa inútil.

O conteúdo das memórias de um capitão, despedindo-se de “seu” navio, é uma dessas coisas que vão ficar no grande servidor cerebral dos editores deste Blog. É parte da alma de um navio que vamos carregar, assim como as partes que cabem às suas tripulações, às pessoas que conviveram com ele. Não é todo dia que um capitão se lembra, na hora de entregar sua “lady” para o desmanche na Índia, de compartilhar essa emoção muito particular com outras pessoas que também gostavam dela. Esse capitão compartilhou conosco, e agora nós compartilhamos com os leitores do Blog do Poder Naval.

bow-maasslot-ml-2-231205

(preservamos a conversa original, em inglês, mas uma tradução para português está disponível no primeiro comentário desta matéria)

Hi there Marcelo,

I´m here in Alang in India to deliver my old lady for her needed rest.

She is now ready for delivery for the scrap yard.

See you in another ship.

Best Regards,

CAPT.DELFIN CONEJERO FERMIN JR.

MASTER – BOW MAASSLOT

__________________________________________________

Hello Capt. Fermin Jr.

Unfortunately Alang is not a happy place for ships. I fell so much each time I know that a “friend” (as I kindly call “my ships”) bound there.

But so far I am sure that our lady will long last for her crew, and they will say about her missions proudly, and now she will go happy for her beaching, her last task, reached by her self propulsion and her flag be raised down for the last time and will say “Thanks boys, but the showtime is over”.

Capt. FerminJr, God bless You, your crew and our Maasslot, be sure that her soul (as ships had souls) will RIP in Ship´s heaven …

Whishing you a next GOOD Command and good sailings

Best Regards

Marcelo Lopes

Former Bow Maasslot Port Agent

__________________________________________________

Good day Marcelo,

Yes, my good old lady will be gone soon. I am beaching her on the 6th afternoon during the peak high tide, going ahead full blast of her engines to reach the shore where she will rest after all the years she had served us all well. Her sister the MAASSTROM  will follow her also. I cared here a lot, dressed her, fixed her, but it is their decision to put the end of her life. It is time for her to go and rest her soul.

Soon those old ladys will follow her too.

Thanks and see you back in Santos in another ship.

Best Regards,

CAPT.DELFIN CONEJERO FERMIN JR.

LAST MASTER OF MAASSLOT

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Grandes Veleiros Rio 2010

Veleiros

O Rio de Janeiro será palco de um grande encontro internacional de veleiros a partir do próximo dia 31 de janeiro, intitulado “GRANDES VELEIROS RIO 2010 – VELAS SUDAMERICA”. Realizado pela Marinha do Brasil, com patrocínio da LLX e apoio da Prefeitura Municipal do Rio de Janeiro, o evento será inteiramente gratuito e acontece no Píer da Praça Mauá no período de 31 de janeiro a 07 de fevereiro. No dia 29 de janeiro, o Comandante da Marinha, Almirante-de-Esquadra Julio Soares de Moura Neto, inaugura as instalações.

O encontro conta com a participação de nove navios: “Cisne Branco” (Brasil), “Libertad” (Argentina), “Esmeralda” (Chile), “Gloria” (Colômbia), “Guayas” (Equador), “Elcano” (Espanha), “Cuauhtemoc” (México), “Capitan Miranda” (Uruguai) e “Simon Bolívar” (Venezuela).

A chegada dos veleiros ao Rio de Janeiro, na manhã de domingo (31), será marcada por um grande desfile naval pela orla carioca, conforme a seguinte programação: Barra da Tijuca (altura da Av. Ayrton Senna) às 10h, Ponta da Joatinga às12h, Leblon (altura da Av. Bartolomeu Mitre) às 13h, Forte de Copacabana às 13h30, Pontal do Leme às 14h30, Escola Naval às 15h e por fim no Píer Mauá às 15h30.

Os Navios ficam atracados no Píer Mauá e abertos para visitação pública gratuita de 01 a 06 de fevereiro. O Píer recebe também, diversas atividades culturais e de lazer, com apresentações das Bandas Marcial e Sinfônica do Corpo de Fuzileiros Navais, blocos carnavalescos e também a participação da bateria da Escola de Samba Unidos da Tijuca. O público confere ainda, exposições em quiosques montados no cais, shows de músicas, parque infantil e danças típicas.

Na manhã dos dias 02 e 03 de fevereiro estão previstas visitas de jornalistas e de veículos de comunicação aos veleiros, e será disponibilizada uma sala no Píer Mauá para atender toda a imprensa presente. No dia 05, às 10h, no Comando do 1° Distrito Naval, será realizada uma coletiva de imprensa com os organizadores da Regata Internacional Velas Sudamerica 2010.

Seguem abaixo as fotos dos veleiros participantes. Mais informações
sobre o evento, fotos e descrições dos navios, acesse o site
www.grandesveleiros.com.br.

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Poder Naval incentiva nova geração de ‘shiplovers’

Guilherme recebe incentivo - foto Poder Naval

Quem estava no deck dos pescadores de Santos, SP, na tarde de 26 de dezembro, não pôde deixar de notar a presença de uma vistosa maquete de navio e de um menino, bastante sorridente, que só desgrudou da mesma na hora de tirar fotos.

A maquete com partes móveis é do “Saga Cutty”, livremente inspirada em um navio mercante da Saga, e o menino sorridente é Guilherme, de 6 anos – que apesar da pouca idade já tem bons anos dedicados à atividade de “shiplover”.

Em meio à passagem pelo canal do Porto de Santos dos navios mercantes e de cruzeiro programados para aquela tarde de sábado, Guilherme, que tem paixão por navios em geral e por mercantes em especial, saudava as chegadas e saídas enquanto operava seu novo “Saga Cutty” – um presente do Poder Naval para incentivá-lo a continuar nesse caminho, representando a nova geração de “shiplovers” de Santos e do Brasil.

FOTO: Poder Naval

NOTA: ao fundo, representantes de outras gerações de “shiplovers”, dentre os citados na matéria fotográfica “Natal a ver navios”.

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‘Long Bin’: um ‘Whiskey’ com um pouco a mais de vodka

Whiskey Long Bin - foto 4

De boas intenções, o fundo do mar está cheio – Parte 5

A Classe W de submarinos de ataque diesel-elétricos da União Soviética (codinome Whiskey no alfabeto da OTAN) foi um dos notáveis designs dos anos 50. Aplicando os ensinamentos colhidos com os revolucionários Tipo XXI alemães do final da Segunda Grande Guerra, foi construída em massa. Simples, eficientes, elegantes e de desempenho adequado, os Whiskeys contribuíram decisivamente para a expansão da força submarina soviética.

Bem, ao ler este início de artigo, você pode se perguntar: o que esse texto inicial, que fala de elegância e eficiência, tem a ver com a foto grotesca acima? Nem tudo é bonito e faz muito sentido na história do desenvolvimento de submarinos, e essa variante lançadora de mísseis de cruzeiro da classe W, chamada pela OTAN de “Long Bin” (literalmente, lata comprida) é uma prova disso.

Whiskey  - desenho

A Classe W, cujo design aprimorado pelo estudo do Tipo XXI alemão (como pode ser percebido nos desenhos acima) foi terminado por volta de 1950, foi planejada pelo regime de Stalin para ser produzida em massa, em partes pré-fabricadas. Os planos previam a construção de nada menos que 800 unidades em 9 anos. Com a morte de Stalin, esse projeto gigantesco sofreu um corte, mas, ainda assim, não menos de 260 unidades foram construídas. Uma frota imensa, perdendo apenas para os mais de 600 Tipo VII alemães construídos (embora o ritmo de lançamentos e afundamentos dos Tipo VII ao longo do conflito significasse que o número operacional, a um dado momento da guerra, se equiparasse à frota dos Classe W no fim dos anos 50).

Confiáveis, baratos, equipados com 4 tubos de torpedo na proa e 2 na popa, com razoável capacidade oceânica dada pelo seu porte médio (76 metros de comprimento, 6,5 metros de boca e deslocamento de 1.350 toneladas submerso) capazes de 18 nós na superfície e 14 nós submersos, a maior deficiência dos Classe W era o nível de ruído que, embora aceitável nos anos 50, já era demasiado nos anos 60, pelo que as primeiras desativações das unidades da classe foram iniciadas já naquela década, e intensificadas nos anos 70, com a entrada em serviço de sucessores muito mais silenciosos. Mas a contribuição da Classe W, na formação de uma enorme quantidade de submarinistas, não pode ser negada.

Whiskey  - foto perfil

Agora compare a foto do elegante submarino acima com a do topo deste artigo. Como algo tão feio e grotesco pode ser um desenvolvimento da bela Classe W?

A própria quantidade de Whiskeys disponíveis era um encorajamento a utilizar unidades da classe em experiências com novos armamentos. Um desses era o míssil de cruzeiro SS-N-3 (codinome “Shaddock” na OTAN), capaz de velocidades próximas de Mach 1.5 e capaz de entregar uma respeitável ogiva nuclear de 350 KT a distâncias que algumas fontes atuais indicam que podiam chegar a 500 km (Comumente, se falava na época em 200 – 300km). A primeira experiência foi a instalação simples e rústica de um lançador míssil no convés de um Classe W, em meados dos anos 50, o que foi seguido por uma instalação melhor planejada, embora ainda tosca, de um lançador duplo atrás da vela e voltado para a popa, capaz de elevar dois mísseis ao ângulo de lançamento ideal (entre 15 e 18 graus). Cinco Whiskeys receberam essa adaptação. Os lançamentos eram feitos com o submarino emerso, e a guiagem dependia de outros meios que não os do submarino (inercial instalada no próprio míssil ou aeronaves).

Whiskey twin cylinder - foto

Se a Classe W já era um tanto ruidosa, os chamados “Whiskey Twin Cylinder” (cilindro duplo – a designação soviética do projeto era 644) foram talvez os mais barulhentos submarinos do pós-guerra. Mas foram importantes para testes do conceito de submarinos SSG (submarino convencional lançador de mísseis de cruzeiro) soviéticos, e novos desenvolvimentos se seguiram, levando à eficiente Classe J (Juliett), derivada dos submarinos de ataque Classe F (Foxtrot). No meio do caminho desse desenvolvimento, estava o pavoroso “Whiskey Long Bin” (codinome da OTAN para o que, na União Soviética, era o projeto 665), projetados pelo TsKB-112 sob a liderança de B. A. Lyeontyev.

Whiskey Long Bin - foto 1

Apesar do aspecto improvisado, não era uma adaptação fácil ou apressada do projeto, por assim dizer. Uma seção extra de 7,8 metros tinha que ser incorporada ao casco, e uma nova superestrutura, gigantesca em comparação com o porte do submarino, foi planejada para abrigar quatro lançadores à prova d’água do SS-N-3, voltados para a proa e no ângulo correto de lançamento. A adaptação mostrou-se menos ruidosa no deslocamento do que os “Twin Cylinder”, mas mesmo assim era muito barulhenta.

Whiskey Long Bin - foto 7

A manobrabilidade do submarino era extremamente afetada pela “vela”, assim como seu desempenho. O comprimento subiu para 86,7 metros e o deslocamento, para 1.524 toneladas submerso. Algumas fontes dizem que a velocidade máxima submersa ainda chegava a 12 nós, mas outras são taxativas em baixar esse valor para menos de 9 nós.

Whiskey Long Bin - foto 3

Como passo para o desenvolvimento do conceito, os “Long Bin” eram válidos, mas a quantidade construída mostra, isso sim, que valia tudo na corrida tecnológica / armamentista da Guerra Fria, principalmente na virada dos anos 50 para os 60: seis unidades foram lançadas entre 1960 e 1963. Embora essa quantidade pareça pequena, se comparada aos números grandiosos da maioria dos projetos da época, há fontes que consideram esses seis um exagero para um projeto que, já no papel e nos cálculos de desempenho, deveria mostrar limitações muito claras. Isso mesmo pesando-se as necessidades prementes da corrida armamentista.

Whiskey Long Bin - foto 6

E mais, havia a questão do “timing”: os lançamentos foram muito próximos, temporalmente, do desenvolvimento de uma classe muito melhor, a citada “Juliett”, da qual 16 unidades foram lançadas entre 1961 e 1966. E mesmo os Juliett eram contemporâneos da Classe E (Echo) de submarinos nucleares capazes de lançar primeiramente seis, depois oito mísseis de cruzeiro.

Juliett - foto cor

Echo - foto cor

Hoje, numa análise fria de uma “guerra” bem mais quente do que o nome que recebeu, pode-se perceber os gigantescos gastos, em recursos financeiros, humanos, técnicos e materiais, de projetos fora do “timing” adequado, quando praticamente tudo parecia prioridade. Mesmo ideias que, já no papel, deveriam parecer muito inferiores a outras mais promissoras, desenvolvidas quase ao mesmo tempo e que acumularam longas folhas de serviço na Marinha Soviética.

Surpreende que os “Whiskey Long Bin”ainda assombraram seus observadores (e provavelmente seus tripulantes) por pelo menos uma década de operação limitada, ao lado de seus primos nascidos quase ao mesmo tempo, porém muito superiores. De boas e más intenções, o fundo do mar da Guerra Fria estava cheio.

Whiskey Long Bin - foto 5

Esta série do Blog do Poder Naval é dedicada a projetos de submarinos que tiveram a intenção de inovar, quebrar tradições, testar novos limites, ou simplesmente resolver desafios táticos e estratégicos com a melhor das intenções. Mas que no fim deram com os burros n´água, literalmente.

IMPORTANTE: os comentários desta matéria especial serão feitos na versão aberta para não assinantes, logo abaixo desta.

Veja os artigos anteriores da série:

De boas intenções, o fundo do mar está cheio – Parte 5

Whiskey Long Bin - foto 4

“Long Bin”: um Whiskey com um pouco a mais de vodka

vinheta-exclusivoA Classe W de submarinos de ataque diesel-elétricos da União Soviética (codinome Whiskey no alfabeto da OTAN) foi um dos notáveis designs dos anos 50. Aplicando os ensinamentos colhidos com os revolucionários Tipo XXI alemães do final da Segunda Grande Guerra, foi construída em massa. Simples, eficientes, elegantes e de desempenho adequado, os Whiskeys contribuíram decisivamente para a expansão da força submarina soviética.

Bem, ao ler este início de artigo, você pode se perguntar: o que esse texto inicial, que fala de elegância e eficiência, tem a ver com a foto grotesca acima? Nem tudo é bonito e faz muito sentido na história do desenvolvimento de submarinos, e essa variante lançadora de mísseis de cruzeiro da classe W, chamada pela OTAN de “Long Bin” (literalmente, lata comprida) é uma prova disso.

Conheça essa história acessando o restante do conteúdo desta matéria exclusiva para assinantes.

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De boas intenções, o fundo do mar está cheio – Parte 4

Submarino classe O - Oxley

Classe O: óleo nos olhos do inimigo

vinheta-exclusivoA Classe O foi a primeira nova série de submarinos britânicos construída após a Primeira Guerra Mundial, como resultado de um novo programa iniciado em 1923. Mas dessa vez, ao invés de buscar a inovação sem se importar com os custos (como a Classe K da matéria inaugural desta nossa série) o Almirantado buscou um projeto mais conservador, o que foi bom, e econômico, o que não foi tão bom.

Conheça essa história acessando o restante do conteúdo desta matéria exclusiva para assinantes.

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Classe O: óleo nos olhos do inimigo

Submarino classe O - Oxley

De boas intenções, o fundo do mar está cheio – Parte 4

vinheta-exclusivoA Classe O foi a primeira nova série de submarinos britânicos construída após a Primeira Guerra Mundial, como resultado de um novo programa iniciado em 1923. Mas dessa vez, ao invés de buscar a inovação sem se importar com os custos (como a Classe K da matéria inaugural desta nossa série) o Almirantado buscou um projeto mais conservador, o que foi bom, e econômico, o que não foi tão bom.

Conservador porque baseou o projeto num modelo já consagrado do conflito anterior, a classe L52, porém ampliada com vistas a uma maior autonomia. Decisão inteligente. Econômico porque buscou dar a essa classe um alcance ainda maior que a ampliação do casco (ainda relativamente modesto) permitia, com a instalação de tanques de combustível externos ao casco de pressão. Decisão econômica menos inteligente, dadas as limitações dos métodos de construção da época.

Submarino classe O - Osiris

A maioria dos submarinos ainda era construída com casco rebitado. Os ingleses prosseguiram nesse método de construção por bastante tempo, até o início da Segunda Guerra, enquanto outros países, como os EUA, já os construíam com chapas soldadas desde o início dos anos 30. E qual o maior problema de um casco rebitado? Ele pode vazar óleo.

Até aí, outros modelos contemporâneos de casco rebitado também vazavam. Há registros de que o Narwal norte-americano, contemporâneo dos Classe O, chegou a vazar 20.000 galões de óleo em uma saída de treinamento de 30 dias, em 1941 (era uma embarcação já um tanto gasta e problemática, em todo caso). Mas nos “O” ingleses, o problema era que o porte da classe, com 86,2 metros de comprimento, 8,4 metros de boca e 1.349 toneladas de deslocamento na superfície, ainda era relativamente modesto para o uso “word-wide” pretendido.

Submarino classe O - OdinComo já citado, a solução econômica foi instalar grandes tanques de combustível externos no costado. Uma inovação que não era um problema em si: os famosos Tipo VII alemães, desenvolvidos nos anos 30, tinham tanques externos cada vez maiores instalados a cada novo subtipo, para compensar o curto alcance original. Mas eram tanques soldados. Os tanques externos rebitados dos Classe O ganharam certa fama por deixarem um nada discreto rastro de óleo na superfície, denunciando facilmente sua presença. E como uma das maiores vantagens de um submarino é a discrição, pode-se dizer que a Classe O já começava a batalha com uma desvantagem nada discreta. Talvez tivesse sido melhor, dadas as limitações da época, construir unidades maiores porém mais caras, sem os tanques externos.

Não obstante, lutaram bravamente, aproveitando suas características de bom poder de fogo, com seis tubos de torpedo na proa e dois na popa (todos de 21 polegadas). Levavam também um canhão de 4 polegadas em uma plataforma elevada à vante da extensa vela. Eram um tanto submotorizados para os deslocamentos em superfície, atingindo apenas 15 nós, o que era compensado pelo bom alcance – mas este não fez exatamente grande diferença no teatro onde acabaram operando, preferencialmente, as 9 unidades da classe: o Mediterrâneo, área em que submarinos menores eram mais indicados (tanto que, nos programas de rearmamento da segunda metade dos anos 30, os britânicos encomendaram grandes quantidades de vasos de pequeno porte).

Submarino classe O - Orpheus

No Mediterrâneo foram perdidas 5 unidades da classe (Odin, Olympus, Orpheus, Oswald e Oxley, este último torpedeado por outro submarino britânico, o Triton), destino compartilhado pela maioria dos seus sucessores das classes P e R, bastante semelhantes em seus pontos positivos e negativos.

Submarino classe O - Oberon

Os Classe O que sobreviviam em 1942 (Osiris, Otus, Otway e Oberon, o líder da classe, que apresentava um desenho de proa diferente e sofria de constantes problemas mecânicos, que foram solucionados no resto da classe) passaram para funções de treinamento e de transporte de suprimentos para Malta – finalmente uma missão onde seu alcance maior fazia diferença. Apesar de não se poder afirmar, categoricamente, que parte das perdas deveu-se a detecções dos rastros de óleo pelo inimigo, fica a ironia da escolha do nome da classe: “O”, de óleo…

Esta série do Blog do Poder Naval é dedicada a projetos de submarinos que tiveram a intenção de inovar, quebrar tradições, testar novos limites, ou simplesmente resolver desafios táticos e estratégicos com a melhor das intenções. Mas que no fim deram com os burros n´água, literalmente.

Veja os artigos anteriores da série:

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Fighter Fling 2004

A série “Fighter Fling” é composta de vídeos comemorativos anuais da US Navy, produzidos pelas próprias tripulações dos esquadrões do F-14. Começaram em 1989, e 2004 foi a última edição.

Neste vídeo, em particular por ser o último, há muitas referências bem-humoradas sobre o que os pilotos de Tomcat acham dos Hornets.

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a-floriano

Após 49 anos de serviços prestados à Marinha Mercante nacional, com muitas histórias de oficiais e subalternos formados em seu convés, foi vendido para demolição o N/T Presidente Floriano, da classe 15 – “Presidente Wenceslau”, mas conhecidos no meio marítimo nacional como “super tanques”.

Segundo navio de uma série de três construídos pelo estaleiro Nippon Kokan, em Yokohama, Japão, fez parte de um grupo de 9 navios com características semelhantes, divididos em 3 classes distintas, construídos na Holanda (4), Japão (30 e Iuguslávia (2). Foram os maiores navios de bandeira brasileira na época de sua construção, status que durou até 1970, com a chegada dos mineraleiros (Ore Oil) gigantes da Docenave, Docemar e Docevale.

Reproduzimos abaixo cópia do boletim informativo da Fronape, de março de 1960, relativa à chegada do Floriano ao Brasil.

“FRONAPE – Boletim Informativo Nº 101 – Março de 1960

Chegada do PRESIDENTE FLORIANO a Santos – sob o comando do CLC Oswin Adolpho Gropp, deixou Yokohama 30/01/60 para Ras at Tanura (Golfo Pérsico) onde carregou 32.500 toneladas de óleo cru para a refinaria de Cubatão. Chegou a Santos em 10/03/60, após ter aliviado em São Sebastião para o MATO GROSSO. Na barra embarcou o Superintendente da FNP, CMG Leopoldo Paiva. A 13/03/60 chegou ao Rio de Janeiro e atracou no píer Mauá para a visitação dos funcionários da Fronape e Petrobras.”

O Floriano, na metade dos anos 80 foi desativado, permanecendo fundeado na Baia de Guanabara e em 1992 foi reativado e transferido para Manaus, aonde foi utilizado com cisterna. Depois foi vendido para demolição em setembro de 2009, suspedendo para Itacoatiara, AM e seguindo a reboque para Alang, Índia, seu derradeiro destino.

Abaixo o ‘Avisos aos Navegantes’ publicado pela Marinha do Brasil, referente ao reboque do Floriano, rumo ao seu destino:

Aviso Aos Navegantes

N 2174/09 – REBOQUE ENTRE MACAPA(AP) E BHAVNAGAR(INDIA) – REBOCADOR SUHAILI – REBOCANDO NAVIO PRESIDENTE FLORIANO – COMPRIMENTO DO REBOQUE 395 METROS – VELOCIDADE MEDIA 8 NOS – INICIO: 180700Z/OUT.  SOLICITA-SE ESPACO PARA MANOBRAS. CANCELAR ESTE AVISO 130359Z/DEZ/09.

Segue os dados do Floriano (dados pós sua “jumborização” no final dos anos 60, no Japão):

• N/T Presidente Floriano – PUWN – IMO nr. 5284194

• Cnstrutor: NKK Shipbuilding (Nippon Kokan K.K), yokohama, Japão

• Classe 15 – ‘Presidente Wenceslau’

• Batimento de quilha: 1958

• Lançamento: 1959

• Incorporação: 25 de janeiro de 1960

• Comprimento total: 241,35 m

• Boca: 27,56 m

• Calado: 12,38 m

• Deslocamento: 65.329 t.

• Dwt: 53.079 t.

• Propulsão: turbina, 13.700 shp x 15 nós

• Tanques de  carga: 13

a-floriano-2

Em verdade, o Floriano era o penúltimo da série ainda existente, pois ainda resta o ex N/T Presidente Prudente de Moraes, atual Petrobras XXXIV, descaracterizado pela sua conversão em FPSO, ou seja, desperdiçamos uma ótima oportunidade em preservar uma jóia da Marinha Mercante Nacional, não só pelo navio em si ou os que nele embarcaram, mas todos os navios mercantes brasileiros que orgulhosamente desfilaram com nossa bandeira pelo mundo inteiro. Sua preservação incentivaria as novas gerações que um dia serão MERCANTES, pois no mínimo, seria preservada a história do OSM (Chemaq) José MARCOLINO, que no Floriano, embarcou por vários anos , do 3ºv Maquinista-Motorista Adilson Ribeiro DE FRANÇA, que teve seu primeiro embarque na Fronape a bordo do Floriano, sob o crivo do Chefe Marcolino, dos “Turbineiros” que nele navegaram e muitos outros.

Abaixo transcrevo e-mail recebido do então POM Délio Almeida, sobre seu encontro com o Floriano, marcado pela emoção, citando outros tripulantes que também o conduziram orgulhosamente:

“Estou recebendo esta mensagem com muita emoção. O Presidente Floriano foi meu primeiro navio na marinha mercante. Embarquei, como praticante de máquinas, em Fevereiro de 1963. Sou da turma de 1962 da EMMRJ. Na época o Presidente Floriano era o maior navio da América do Sul. Embarquei nele em Santos e fiquei muito impressionado ao chegar ao cais do Saboó. Ele era imenso. Os veículos ao passaram na rua paravam para ver aquele naviarra de 34mil tpb. Os praticantes, além de mim, eram o nosso pranteado Hélio Capucci e o João de Deus (Maranhão). Não havia praticante de náutica. O CFM um senhor, muito boa gente mas que não lembro o nome, parecia um gringo. O segundo maquinista era o Miltom Pernilongo, que depois foi inspetor de máquinas da Fronape.Os terceiros eram o querido e saudoso Valdir Oliveira, ser maravilhoso, recentemente falecido, Os outros eram o Boanerges, maranhense de boa cepa e o Fininho, que agora não lembro o nome.Se quiseres, envio para você algumas passagens minhas daquela época. Muito obrigado por poder relembrar aqueles bons tempos de minha juventude.

Forte abraço do Délio Almeida (Fritz linha) “.

Esperamos que um dia neste País a Cultura Naval e Marítima será levada a sério.

NOTA: este artigo é dedicado ao Areias, Vinicius, Leal, Fontes, Leopardi, Roque, Dufriche, Calenzo, Cals, Luz, Menezes, Zeitoune, Mariano, Ubirajara, Villar, Tjader e a todos os membros do grupo de amigos da EMMRJ e àqueles que ajudam a divulgar a História e Cultura Marítima do Brasil.

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