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Tipo XIV: as vacas leiteiras que foram pro brejo

Type XIV foto

De boas intenções, o fundo do mar está cheio – Parte 3

vinheta-exclusivoA ideia era genial, e bem a calhar com a estratégia alemã para seus U-Boat na Segunda Guerra Mundial: desenvolver um submarino capaz de abastecer outros, aumentando a permanência dos caçadores no teatro de operações. E a ideia foi bem-sucedida no início, mas logo os caçadores estavam virando caça, e seus abastecedores, literalmente “carne de vaca” para aviões aliados.

Type XIV desenho

O Tipo XIV foi o primeiro design dos alemães concebido já em tempo de guerra (os demais tipos em operação haviam sido desenvolvidos no pré-guerra). Tinham praticamente o mesmo comprimento dos onipresentes VIIC (67,1 metros, comparado a 66 metros), mas o casco era muito mais profundo, deslocando 2.300 toneladas submerso (mais do que o dobro de um VIIC), dando uma capacidade de 432 toneladas de óleo para transferência (além das 203 toneladas para consumo próprio). As vacas leiteiras não eram equipadas com tubos de torpedo, mas externamente levavam quatro “peixes” para transferir aos seus clientes. Armamento, só canhões para defesa antiaérea. Mas que foram poucos, comparados ao que estava por vir.

Type XIV desenho 2

Uma das grandes desvantagens do conceito residia em seu próprio sucesso, que os aliados rapidamente descobriram: tornaram-se prioridade número 1 das patrulhas aéreas de longo alcance dos aliados, que intensificavam-se em 1943. E, por serem “vacas” curtas e gordas (mas que ainda assim manobravam bem), tinham o defeito do relativamente elevado tempo para submergir, levando-se em conta que, para conseguir fugir aos ataques aéreos, os Tipo VII realizavam seus mergulhos em parcos 30 segundos.

U-Boat sob ataque aéreo

Surpreendidas na superfície, as vacas leiteiras não conseguiam mergulhar em tão pouco tempo. Com seu armamento antiaéreo insuficiente (mas que ao menos numa ocasião chegou a abater um atacante, apesar do afundamento do submarino), não respondiam à altura as ameaças não previstas para surgirem tão longe de bases terrestres aliadas. É certo que não levaria muito tempo para reequipar as vacas com mais eficazes “jardins de inverno” (extensões da superestrutura / vela dotadas de mais armas antiaéreas), mas esse tempo não estava a favor dos Tipo XIV. O desastre foi rápido: três unidades foram perdidas em um período de apenas seis dias em julho de 1943. Dos 10 Tipo XIV construídos (comissionados entre o final de 1941 e o início de 1942), apenas dois estavam flutuando na virada do ano para 1944. E antes desse ano chegar à metade, nenhum mais restava.

Com a quebra dos códigos alemães revelando segredos dos encontros de abastecimento dos submarinos, tornou-se mais fácil fazer com que a desgraça caísse, ao mesmo tempo, sobre os que mamavam em suas tetas: A vaca leiteira U-460 foi pega por aviões aliados enquanto estava cercada por três sedentos Tipo VII, em outubro de 1943. Type XIV foto 2A vaca foi pro brejo junto com um de seus bezerros. Outro foi danificado, e um fugiu. Como resultado do repentino fracasso de uma estratégia cheia de boas intenções, mas com riscos que se tornaram inaceitáveis e levaram as vacas para o fundo do mar, a construção de outros dez Tipo XIV foi interrompida, e sucessores ainda maiores, os Tipo XV e XVI de 5.000 toneladas, foram sabiamente cancelados.

Esta série do Blog do Poder Naval é dedicada a projetos de submarinos que tiveram a intenção de inovar, quebrar tradições, testar novos limites, ou simplesmente resolver desafios táticos e estratégicos com a melhor das intenções. Mas que no fim deram com os burros n´água, literalmente.

Veja os artigos anteriores da série:

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De boas intenções, o fundo do mar está cheio – Parte 3

Type XIV foto

Tipo XIV: as vacas leiteiras que foram pro brejo

vinheta-exclusivoA ideia era genial, e bem a calhar com a estratégia alemã para seus U-Boat na Segunda Guerra Mundial: desenvolver um submarino capaz de abastecer outros, aumentando a permanência dos caçadores no teatro de operações. E a ideia foi bem-sucedida no início, mas logo os caçadores estavam virando caça, e seus abastecedores, literalmente “carne de vaca” para aviões aliados.

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Esta série do Blog do Poder Naval é dedicada a projetos de submarinos que tiveram a intenção de inovar, quebrar tradições, testar novos limites, ou simplesmente resolver desafios táticos e estratégicos com a melhor das intenções. Mas que no fim deram com os burros n´água, literalmente.
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XXI SimpSegAvMB

O XXI Simpósio de Segurança de Aviação da Marinha e Operações Aéreas “Offshore” tem como objetivo promover, por meio de palestras, o intercâmbio de informações e técnicas de prevenção de acidentes aeronáuticos entre os diversos representantes da indústria da aviação.

Dentre os temas abordados destacam-se: treinamento em simuladores de voo, sistema de gestão de segurança operacional nas operações aéreas “offshore”, estratégias do “International Helicopter Safety Team” para a redução de acidentes, confiabilidade na manutenção aeronáutica, medicina e psicologia de aviação, controle do perigo aviário e fauna, criminalização do acidente, cultura organizacional e estudos de casos.

Cabe ressaltar ainda a palestra a ser proferida pelos renomados velejadores da família Schurmann, que abordarão a importância da comunicação, liderança e motivação no trabalho em equipe.

Desta forma, a realização do simpósio irá contribuir para que a Marinha do Brasil, Petrobras, operadores de helicópteros e aviões, fabricantes e agência reguladora presentes consigam contribuir para a redução da taxa de acidentes com aeronaves no Brasil.

Confira AQUI a programação completa.

Fonte: DAerM/SIPAAerM.

 

Surcouf: o faz-tudo que não fez praticamente nada

Submarino Surcouf

De boas intenções, o fundo do mar está cheio – Parte 2

vinheta-exclusivoFoi talvez o mais impressionante submarino de seu tempo. Poderosos canhões de cruzador para luta de superfície, canhões antiaéreos para derrubar agressores alados, hidroplano para reconhecimento, alojado em um hangar cilíndrico, 12 tubos de torpedo no total para afundar navios de vários portes, tudo num deslocamento de mais de 4.000 toneladas submerso.

Ele foi o maior de todos os submarinos até a chegada dos gigantes japoneses de 1944. Mas, por essa época, isso pouco importava: o Surcouf já estava no fundo, após escrever uma história repleta de problemas, algumas aventuras e, quanto a sucessos bélicos, nada.

Tratava-se do conceito de “submarino cruzador”, apto a operar como um incursor a longas distâncias – vale lembrar que, nesse conceito, o emprego de canhões de superfície de calibres mais respeitáveis faziam sentido, dado que os submarinos eram mais navios submersíveis do que autênticas armas submersas.

Submarino Surcouf - foto 3

Até aí, os submarinos da marinha norte-americana, que operaram nas vastidões do Pacífico durante a Segunda Guerra Mundial, provaram a validade do conceito de submarinos “cruzadores” de longo alcance, e chegaram a empregar canhões de 5 polegadas, embora o principal armamento fosse o torpedo. Mas daí a instalar armas de cruzadores pesados em um submarino, vai uma distância igualmente grande.

O aspecto duvidoso desse conceito não estava restrito à mentalidade naval francesa, tanto que o tratado de Washington procurou limitar o calibre máximo de canhões, para submarinos, em 8 polegadas. Mas os franceses foram os únicos a instalar armas desse porte em um submarino, o Surcouf. Ele deveria ser o primeiro de uma série. Mas provavelmente a única decisão realmente sábia em relação ao seu desenvolvimento, é que nenhum outro exemplar do tipo foi construído.

O Surcouf exigia uma tripulação de quase 120 homens: bem mais do que o dobro da maioria dos submarinos menores e mais abundantes nas marinhas do mundo, incluindo a francesa. E não só isso, ele também exigia muito dessa tripulação, dada a sua complexidade. Exigia também estômagos fortes, dado que suas qualidades marinheiras na superfície deixavam bastante a desejar (especula-se que devido ao peso excessivo do armamento). O tempo de mergulho era lento, e o equilíbrio era difícil de ajustar. Seus 110 metros de comprimento, 8 de boca, 3.304 toneladas de deslocamento na superfície e 4.218 toneladas submerso eram abrigo certo para inesgotáveis problemas.

Submarino Surcouf - foto 2

Mas nem tudo era ruim: como arma de propaganda, impressionava. O alcance de 10.000 milhas náuticas e a autonomia de 90 dias eram adequados. A proa abrigava apenas quatro tubos de torpedos pesados (21 polegadas), mas outros quatro tubos do mesmo calibre estavam em um reparo conteirável à ré da superestrutura, num conceito inovador para submarinos, além de outro reparo também conteirável com quatro tubos para torpedos leves, de 15,7 polegadas, para emprego contra navios mercantes menores. Eram artefatos rápidos, porém de curto alcance.

Impressionante mesmo era a torre dupla à prova d’água, com dois canhões de 8 polegadas (203mm e 50 calibres), M1929. Eram basicamente as mesmas armas que equipavam os cruzadores pesados franceses classe Dupleix, recém desenvolvidas (1924), que disparavam projéteis de 134 quilos (dos quais o Surcouf, segundo algumas fontes, podia carregar até 300). Como diferença em relação a suas contrapartes que equipavam as unidades de superfície, dispositivos especiais fechavam as saídas dos tubos para os mergulhos, evitando a entrada de água nos canhões. Podiam entrar em ação em menos de três minutos após o Surcouf emergir. A cadência de tiro era um pouco menor em relação à dos cruzadores(provavelmente para não afetar a estrutura da embarcação): de até 5 tiros por minuto, caiu para 3. Mas havia limitações um pouco mais sérias.

Submarino Surcouf - torre de canhões 8 pol

Um submarino tem perfil baixo, comparado a um cruzador pesado. Uma arma de longo alcance como um canhão de 8 polegadas necessita de um pesado equipamento de direção de tiro instalado o mais alto possível, para poder enquadrar alvos mais distantes. No Surcouf, a diretora ficava logo atrás da torre, em posição mais baixa do que a vela. Instalá-la mais alto traria problemas técnicos ainda maiores que os já vivenciados pela embarcação.

Além disso, a elevação máxima dos canhões estava limitada a 30 graus (ao invés de 45 graus nas torretas dos cruzadores). Se essa diferença no ângulo já fazia o alcance máximo cair de 31.400 metros para 28.000 metros, a pouca altura da diretora de tiro limitava seu alcance para enquadrar os alvos. Assim, o alcance efetivo da arma caía pela metade, equiparando-a nesse sentido a armas de menor calibre (apesar da notável diferença em peso de fogo). O submarino também tinha que manobrar para apontar efetivamente os canhões, pois estes conteiravam parcos 11 graus.

Submarino Surcouf - torre de canhões 8 pol e diretora

O Surcouf teve sua construção iniciada em 1927 e só foi comissionado 7 anos depois, em 1934. Outros 5 anos foram gastos realizando modificações para resolver problemas técnicos, e ele só entrou em operação em 1939, ao custo de importantes recursos orçamentários, industriais e humanos. No imediato pré-guerra, mostrou a bandeira por vários portos. Quando chegou a vez da ação de fato, estava nas Antilhas, e aproveitou a viagem de volta à França para escoltar um comboio, antes de ser docado para reparos urgentes. Quando escapou de Brest para a Grã-Bretanha em junho de 1940, foi arrastando-se com apenas um motor.

Os dois anos seguintes foram gastos em eventuais escoltas de comboios, treinamentos, reparos e alguns quase-desastres, a partir da Inglaterra, Bermudas e Estados Unidos. Por fim, foi decidido enviá-lo ao Taiti, apesar de suas más condições. Mas antes de atravessar o canal do Panamá, o Surcouf (que não era equipado com radar) foi provavelmente abalroado numa noite escura por um cargueiro. Seu casco nunca foi achado, e muitas teorias “conspiratórias” surgiram a respeito de sua perda. O certo é que está no fundo do mar, em companhia de muitas boas intenções e uma quantidade ainda maior de esforços desperdiçados.

submarino surcouf - foto 4

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Veja o primeiro artigo da série:

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De boas intenções, o fundo do mar está cheio – Parte 2

Submarino Surcouf

Surcouf: o faz-tudo que não fez praticamente nada

vinheta-exclusivoFoi talvez o mais impressionante submarino de seu tempo. Poderosos canhões de cruzador para luta de superfície, canhões antiaéreos para derrubar agressores alados, hidroplano para reconhecimento, alojado em um hangar cilíndrico, 12 tubos de torpedo no total para afundar navios de vários portes, tudo num deslocamento de mais de 4.000 toneladas submerso.

Ele foi o maior de todos os submarinos até a chegada dos gigantes japoneses de 1944. Mas, por essa época, isso pouco importava: o Surcouf já estava no fundo, após escrever uma história repleta de problemas, algumas aventuras e, quanto a sucessos bélicos, nada.

Conheça essa história acessando o restante do conteúdo desta matéria exclusiva para assinantes.

Esta série do Blog do Poder Naval é dedicada a projetos de submarinos que tiveram a intenção de inovar, quebrar tradições, testar novos limites, ou simplesmente resolver desafios táticos e estratégicos com a melhor das intenções. Mas que no fim deram com os burros n´água, literalmente.
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Classe K: direto para o fundo, a todo vapor!

Submarino classe K - foto 2

De boas intenções, o fundo do mar está cheio – Parte 1

vinheta-exclusivoEsta nova série do Blog do Poder Naval é dedicada a projetos de submarinos que tiveram a intenção de inovar, quebrar tradições, testar novos limites, ou simplesmente resolver desafios táticos e estratégicos com a melhor das intenções. Mas que no fim deram com os burros n´água, literalmente.

A primeira matéria da série é sobre a Classe K inglesa de “submarinos de frota” da Primeira Guerra Mundial, com propulsão a vapor (superficie) e elétrica (submersos), planejada para operar em velocidades de superfície compatíveis com as da frota de batalha inglesa, de 21 nós. Uma história em que misturam-se as urgências, experiências e disputas da guerra, desafios tecnológicos, concepções táticas discutíveis, alguma dose de comédia e, como não podia faltar, muita tragédia.

As discussões sobre como melhor empregar submarinos, nos primórdios da Primeira Guerra Mundial, estavam quentes no Almirantado Britânico. Quentes como a fornalha e o interior dos submarinos Classe K seriam, com sua propulsão a vapor. O poder naval, nas primeiras duas décadas do século XX, era fundamentado na esquadra de batalha, já com seus recém-incorporados encouraçados tipo Dreadnought, capazes de fazer 21 nós, apoiada por navios menores capazes de acompanhá-los. Para parte do Almirantado, parecia natural que ao menos uma parcela da frota de submarinos fosse capaz de se juntar a essa esquadra. Atingir essa velocidade com os motores diesel ainda na infância, seria impossível tecnicamente. A solução era a propulsão a vapor, por meio de caldeiras e turbinas.

Submarino classe K e encouraçado

À parte os problemas técnicos, havia um problema tático já razoavelmente percebido à época: a identificação amigo-inimigo. Submarinos são baixos e de difícil identificação visual por parte dos navios de superfície. A possibilidade de submarinos operando próximos à frota sofrerem “fogo amigo”, devido ao princípio de “na dúvida, atire primeiro e pergunte depois”, era alta, como já haviam provado os primeiros exercícios conjuntos realizados entre esquadras de batalha e submarinos. A solução para esse problema era afastar os submarinos da frota – e se era para afastar, porque então insistir em que acompanhassem sua velocidade?

Submarino Swordfish - a vapor - 1916

Ainda assim, perseverou-se na ideia de “submarinos de frota”, com propulsão a vapor na superfície, e em 1916 foi lançado o experimental e temperamental HMS Swordfish (foto acima). Com os respeitáveis 3.750 hp de suas turbinas, mal chegou a 18 nós, demorava muito para mergulhar, sofria severos problemas técnicos, explosões, e acabou sendo convertido em embarcação de superfície.

Submarino classe K - foto 4

Mas os almirantes defensores da ideia dos “submarinos de frota” não desistiram. O Swordfish apenas aumentou o apetite dessa facção pois, apesar do  fracasso, ele apontou para soluções que foram empregadas na Classe K, da qual nada menos que dezessete embarcações foram entregues. Eram os maiores e mais velozes submarinos já construídos.

Aprimorou-se tecnicamente o conceito, acrescentando-se pequenos motores diesel para facilitar manobras no porto e próximas à costa. Suas turbinas, alimentadas por caldeiras que queimavam quantidades nada desprezíveis de óleo, forneciam respeitabilíssimos 10.500 hp, fazendo com que a Classe K atingisse nada menos que 24 nós na superfície. O tempo de mergulho melhorou muito, para um submarino a vapor. Em relação a suas contrapartes “convencionais”, ainda deixava a desejar – dizia-se que dava tempo mais do que suficiente para o comandante percorrer a superestrutura e verificar se as chaminés estavam seladas, antes de fechar a escotilha de entrada.

Submarino classe K

O deslocamento dos submarinos Classe K era de 2.565 toneladas submersos (1.883 na superfície). Mediam 103 metros de comprimento, com 8,1m de boca. Eram equipados com 4 tubos de torpedo de 18 polegadas à proa com outros 4 à popa, além de dois canhões de 4 polegadas e um de 3 polegadas.

Os maiores problemas relacionavam-se ao seu grande comprimento, ditado pelo espaço da maquinaria e pelo formato do casco para altas velocidades de superfície, que tornava as unidades da classe difíceis de manobrar quando submersas. Para completar, as qualidades marinheiras quando emersas também se mostraram ruins, com a proa tendendo a afundar em velocidades elevadas – a solução foi reconstruir as proas, bem mais altas. Por fim, quando em mar grosso, a água podia entrar pelas chaminés, apagando as caldeiras.

Submarino classe K - foto 3

Dez exemplares da classe juntaram-se em bloco à frota, em janeiro de 1918. Sua operação foi nula em realizações, mas pródiga em acidentes, com exemplares afundando em provas de mar, colisões, ou por exceder a cota máxima de profundidade. Um deles chegou a afundar quando atracado.

No acidente mais grave, numa operação noturna em que se combinaram baixa visibilidade e alta velocidade, o leme do K22 travou para boreste, fazendo com que o submarino colidisse com o K14. Seguiu-se uma série de outras colisões por toda a formação, que culminaram na perda do K4 e do K17, com todos os seus tripulantes, e danos de monta aos demais.

Algumas fontes indicam que o primeiro culpado pela série de abalroamentos foi o cruzador HMS Fearless, e não o K22. Porém, o incidente mostrou claramente os riscos envolvidos na operação de frágeis submarinos em conjunto com a frota, em velocidades elevadas. Ainda assim o último da série, o K26, aprimorado e com maior porte (impressionantes 2.770 toneladas), foi completado em 1923, sendo descomissionado em 1931. Seus predecessores foram descomissionados ao longo da década de 20.

Submarino classe K - foto 5

Mas os ingleses ainda insistiriam um pouco mais no conceito de “submarinos de frota”, como veremos mais adiante nesta série – na qual submarinos ingleses baterão ponto com razoável frequência.

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Classe K: direto para o fundo, a todo vapor!

vinheta-exclusivoEsta nova série do Blog do Poder Naval é dedicada a projetos de submarinos que tiveram a intenção de inovar, quebrar tradições, testar novos limites, ou simplesmente resolver desafios táticos e estratégicos com a melhor das intenções. Mas que no fim deram com os burros n´água, literalmente.

O primeiro artigo da série é sobre a Classe K inglesa de “submarinos de frota” da Primeira Guerra Mundial, com propulsão a vapor (superficie) e elétrica (submersos), planejada para operar em velocidades de superfície compatíveis com as da frota de batalha inglesa, de 21 nós. Uma história em que misturam-se as urgências, experiências e disputas da guerra, desafios tecnológicos, concepções táticas discutíveis, alguma dose de comédia e, como não podia faltar, muita tragédia.

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NGB de volta ao ar!

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O site Navios de Guerra Brasileiros está de volta ao ar, já funcionando a partir do novo servidor do Poder Naval. Para acessar o NGB clique na foto.

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Tributo ao filme ‘Top Gun’

“Ases Indomáveis” marcou uma geração e influenciou muitos a abraçar a carreira militar.

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Marinha realiza Salão de Fotografia do Mar

A Marinha do Brasil realizará, no período de 13 a 30 de outubro, as inscrições para a terceira edição do Salão de Fotografia do Mar, que tem como tema “Amazônia Azul”, em três categorias: Superfície, Subaquática e Categoria Almirante Tamandaré (abrangendo qualquer operação naval ou que retrate navios, aeronaves e faróis da Marinha do Brasil).

As inscrições são gratuitas e realizadas no Comando do 2º Distrito Naval, de segunda-feira à sexta-feira, mediante entrega ou envio de um envelope lacrado, contendo a ficha de inscrição, devidamente preenchida e assinada, em única via ou cópia, e os trabalhos para avaliação, constando como remetente o proponente, e endereçado da seguinte maneira:

Comando do 2º Distrito Naval – Assessoria de Comunicação
III Salão de Fotografia do Mar
Av. das Naus, s/n, Comércio, 40015-270, Salvador/BA

Cada participante poderá inscrever até dois trabalhos, em qualquer categoria, em cor ou preto e branco, em obras bidimensionais. As obras, quando selecionadas, deverão ser entregues com as dimensões mínimas de 24X30cm e máximas de 50X75cm.

As obras selecionadas comporão a exposição na Associação Comercial da Bahia, de 03 e 10 de dezembro. No período de 16 de dezembro de 2009 a 4 de janeiro de 2010, a exposição ficará montada no Museu Náutico da Bahia (Farol da Barra). Será premiado o melhor trabalho em cada categoria. O regulamento e a ficha de inscrição do Salão estarão disponíveis no endereço eletrônico, bem como no local de inscrição.

FONTE: iBahia.com

 

vinheta-clipping-navalQuase 200 anos depois do primeiro contato de Charles Darwin com o Brasil a bordo do HMS Beagle, sua tataraneta, a bióloga Sarah Darwin, refaz o trajeto. Mas enquanto a histórica viagem do naturalista levou à identificação de novas espécies e à publicação de um clássico que alterou a maneira como se interpreta a vida no planeta, a missão da herdeira agora é investigar o futuro das espécies estudadas por Darwin e alertar para a importância da preservação ambiental.

– Espero poder ver através dos olhos do Darwin do século 19 os lugares que visitou, ver o que ele viu, os fatores que o levaram à conclusão da evolução através da seleção natural – explicou Sarah.

A tataraneta do naturalista aportou terça-feira no Rio de Janeiro como integrante da equipe da expedição científica Beagle Project, que repete a viagem em um veleiro holandês três vezes maior do que o usado por Darwin durante sua jornada ao Hemisfério Sul, entre 1831 e 1836.

Imponente em seus 60 metros de comprimento, três mastros e mais de 30 velas, o veleiro Stad Amsterdam, tripulado por mais de 25 marinheiros, impressiona. O barco, da categoria conhecida como Clipper, pertence à empresa de recursos humanos holandesa Randstad e também à cidade de Amsterdã. Foi construído há apenas nove anos, embora sua aparência externa remeta ao século 19.

– Só existem dois Clippers em todo o mundo e, por acaso, o outro é o Cisne Branco, barco-escola da Marinha brasileira – contou Richard Slootweg, capitão do Stad Amsterdam.

O veleiro saiu da Inglaterra no dia 1º de setembro e já percorreu Cabo Verde, Tenerife, Fernando de Noronha e Salvador, antes de chegar ao Rio de Janeiro, onde ficará atracado até sexta-feira, partindo em seguida para Montevidéu, no Uruguai.

O percurso do Beagle Project visa a realização de um documentário para o canal de TV independente holandês VPRO, um dos principais patrocinadores da viagem que custou mais de 13 milhões de euros (aproximadamente R$ 33,3 milhões). Sarah é a apresentadora da série, que integra as comemorações do bicentenário do nascimento de Darwin e os 150 anos da publicação do livro A Origem das Espécies. O documentário terá 35 episódios.

– Essa viagem nos proporciona o privilégio de viver nas condições que a natureza nos oferece. Essa é a verdadeira razão de a estarmos reproduzindo – afirmou Sarah. – A floresta tropical é tão diversa que num simples hectare há mais espécies do que em toda a Grã-Bretanha.

Percurso


Darwin visitou vários lugares importantes durante sua expedição, como as formações rochosas de Cabo Verde, observou remanescentes de fósseis de animais gigantescos extintos na Argentina e as aves em Galápagos.

– Mas pode se dizer que os passeios solitários de Darwin pela Mata Atlântica durante sua visita ao Brasil foram um dos aspectos mais importantes e duradouros da viagem. Darwin ficou sem palavras para conseguir descrever a emoção que sentiu ao andar por essas paisagens – disse Sarah.

O Brasil não só é uma das áreas mais importantes visitadas por Darwin, pelo conhecimento que adquiriu aqui. Esse momento é de particular preocupação ambiental para o país, que hoje preserva apenas 7% de sua Mata Atlântica original.

Durante esta estadia no Brasil, a tripulação, integrada por cientistas de diversas áreas, tentará desvendar através da coleta e pesquisa de espécies nativas qual o verdadeiro status do meio ambiente no continente, quase dois séculos após a visita de Darwin.

– Esse projeto tem o objetivo de chamar atenção da população mundial para os riscos que as espécies estão correndo. Se o lançamento do livro do Darwin foi algo que marcou a evolução da ciência e demonstrou um conhecimento fundamental para o que veio a seguir, hoje nós estamos nessa condição de sermos obrigados a chamar a atenção da sociedade para a preservação das espécies – frisa Johan Vand Gronden, executivo-chefe da WWF Holanda, organização não-governamental dedicada à preservação da natureza e uma dos patrocinadoras da viagem.

Durante a passagem da expedição pelo Rio, a WWF no Brasil homenageou Carlos Nobre, pesquisador-titular e coordenador do Centro de Ciência do Sistema Terrestre do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), com o Prêmio Personalidade Ambiental por sua contribuição para a compreensão do aquecimento global e os impactos das alterações climáticas na Amazônia.

FONTE: Jornal do Brasil

Veja o site do Stad Amsterdam

 

Publicação foi traduzida para o português

A Revista Marítima Brasileira editou o livro LOGÍSTICA PURA – A ciência do preparo da guerra, traduzido pelo Vice-Almirante (Ref.) RUY BARCELLOS CAPETTI.

Esta obra foi escrita em 1917, pelo Tenente-Coronel GEORGE C. THORPE, do Corpo de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos. Foi
republicada, em 1986, pela Universidade de Defesa Nacional, por ter sido reconhecida como publicação de excelência  pela Associação Nacional de Comunicadores Governamentais, ambas instituições norte-americanas. O Institute for National Strategic Studies autorizou a tradução e o uso na Marinha do Brasil, sem qualquer destinação comercial.

O livro, de 76 páginas, trata, como diz o título, de logística, um dos ramos da Arte da Guerra. Oferece ao leitor, entre outros exemplos históricos: a Campanha de Napoleão na Rússia, a Campanha de Atlanta na Guerra Civil Americana, o Exército alemão na Guerra Franco-Prussiana, a organização naval e a do Exército. Em capítulo final, mostra a importância da educação do homem e do militar na preparação da guerra.

O Departamento de Publicações da DPHDM oferece cópia do livro aos interessados, mediante encomenda individual e indenização de despesa no valor de R$ 30,00 (trinta reais).

FONTE: BONO

SAIBA MAIS:

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