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Diferentemente da Grã-Bretanha, cujo papel imperial no mundo moderno se deu por força de um vácuo de poder e legitimidade e que, portanto, pode ser didaticamente descrito como um “império acidental” surgido na Europa pós-napoleônica, os Estados Unidos da América tiveram seu blueprint imperial cuidadosamente planejado por quatro homens: Theodore Roosevelt, Brooks Adams, Henry Cabot Lodge e Alfred Thayer Mahan. Neste artigo, iremos abordar as linhas gerais que deram forma ao império americano e tratar, de forma mais detida e específica, do papel preponderante exercido pelo conceito de poder naval (sea power) na história deste que é o mais bem sucedido exemplo de engenharia estratégica do mundo moderno. Ainda que não se possa falar em planejamento formal das atividades desempenhadas
por cada um dos “Quatro Cavaleiros”,1 é possível afirmar que a obra The Influence Of Sea Power Upon History: 1660–1783 (A Influência do Poder Naval Sobre a História: 1660–1783), de Mahan, forneceu o substrato intelectual de que as elites políticas, militares e econômicas dos Estados Unidos se valeram, para transformar uma República cuja expansão ocidental se caracterizava como uma potência eminentemente terrestre (land power) em um Império cujo poder e projeção passaram a se basear no poder naval(…)

Os Estados Unidos detêm hoje a única Marinha oceânica (blue water navy, ou Marinha de águas azuis) capaz de projetar poder em qualquer parte do planeta. Potências médias como Índia, Rússia, China e França dispõem de armadas capazes de realizar projeção de poder em âmbito regional, ao passo que países como Brasil, África do Sul ou Irã dispõem de esquadras cujas funções pouco extrapolam a guarnição e o patrulhamento de suas faixas litorâneas (green water navies). O Atlântico Norte segue, aos poucos, passando o título de “corredor planetário” ao Pacífico, e não cumpre descartar a possibilidade de que os EUA venham a ter sua supremacia naval contestada, em longo prazo, pelos chineses e/ou mesmo pelos indianos. Ambos os países têm investido somas de relevo na reequipagem de suas esquadras, bem como têm procurado fortalecer elementos e práticas imateriais de desenvolvimento e consolidação de uma tradição naval. Logo, é de se concluir que, para além da influência do poder naval na construção dos EUA como superpotência, e, considerando que mais de 80% do comércio mundial são realizados por rotas marítimas, dificilmente o presente século desmentirá o vaticínio mahaniano, segundo o qual o padrão constante na construção da grandeza das nações – bem como o exercício seguro, moderado e destemido de tal grandeza – está menos em seus soldados do que em seus navios, sejam eles mercantes ou militares.

Clique aqui para ler a íntegra deste interessante artigo de Lindolpho Cademartori, na revista JUCA, dos alunos do Instituto Rio Branco, nas páginas 74 a 81.

 

A Transpetro anunciou ontem a adoção de um programa de apoio aos fabricantes de navipeças em parceria com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Em uma reunião na sede da Transpetro, que reuniu mais de 60 empresas do setor, foram criadas estratégias para superação de gargalos que impedem a construção de uma cadeia competitiva no Brasil. O objetivo da iniciativa é possibilitar que as empresas brasileiras possam atender à demanda que está sendo criada pelo Programa de Modernização e Expansão da Frota (Promef).

Entre as medidas tomadas, está a criação de um “grupo de competitividade industrial”. Este grupo terá que cadastrar fornecedores e estimular o diagnóstico e a superação de gargalos pelos potenciais ofertantes.

Durante a reunião, foram mapeadas questões tributárias, que agora serão encaminhadas ao Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz). As sugestões visam ampliar a isenção fiscal às fornecedoras de navipeças.

O presidente da Transpetro, Sergio Machado, reafirmou a disposição para concretizar negócios com empresas locais. “Faremos tudo o que for necessário para viabilizar a venda. Só que faremos isso sem abrir mão de prazo, preço ou padrão”, resumiu.

O diretor de Infra-Estrutura do BNDES, Wagner Bittencourt, por sua vez, destacou a variedade de linhas de financiamento disponíveis no banco. Ele ressaltou o aumento dos recursos que a instituição terá para desembolsar este ano, cerca de R$ 118 bilhões. Segundo Bittencourt, o orçamento do banco será suficiente para atender às demandas para os projetos estruturantes. “O objetivo desta parceria é remover obstáculos e fazer com que os fornecedores atendam seus clientes com preço e qualidade”, concluiu.

De acordo com dados divulgados pelo Sindicato Nacional da Indústria de Construção e Reparação Naval e Offshore (Sinaval), a demanda de 214 navios, que serão construídos no Brasil até 2015, representará um gasto de US$ 5 bilhões em navipeças.

FONTE: Portos e Navios

 

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O texto é de 2002, mas contém ainda muitas informações válidas para o futuro

“O controle dos recursos naturais voltou ao palco principal da geografia”. A afirmação de Michael Klare, titular da cadeira de Paz e Segurança Mundial no Hampshire College e na Amhrest University, nos Estados Unidos, foi feita em seu livro “Resource Wars: the new landscape of global conflict“. Klare argumenta que guerras como a do Golfo, a operação no Afeganistão e a anunciada intervenção no Iraque, pelo Estados Unidos, situam-se entre as disputas pelo controle de um recurso natural estratégico e fundamental: o petróleo.
Na opinião de Klare, uma boa parte das guerras de conquista e posicionamento estarão marcadas pelo controle geo-estratégico de recursos como os energéticos, os sistemas aqüíferos, minerais e florestais.

Guerras como a do Yom Kippur (1973), Irã x Iraque (1980-1988) ou a do Golfo (1991) são diretamente relacionadas às disputas pelo petróleo por vários intelectuais. Mas nem todos concordam que a causa fundamental seja o petróleo. Para o geógrafo Nelson Bacic Olic, o petróleo foi um dos elementos da Guerra do Golfo, mas não o único. “Saddam Hussein invadiu o Kwait também porque não reconhece que haja ali uma fronteira. A questão é que as fronteiras que conhecemos hoje no Oriente Médio, assim como as dos países africanos, são fronteiras artificiais, que vêm sendo feitas, por exemplo, pelos europeus desde o período colonial”, diz Olic. Para ele, outra razão importante para essa guerra, e também para a anterior contra o Irã, é a necessidade do Iraque de uma saída mais ampla para o mar. “A única saída do Iraque é pelo estuário comum entre os rios Tigre e Eufrates, chamado Chatt-El-Arab. Uma das razões dessas guerras foi a tentativa do Iraque de ampliar seu espaço para a exportação”, diz o geógrafo, que acredita também que os futuros conflitos no Oriente terão muito menos a ver com petróleo e muito mais com água.

A opinião é de certa forma compartilhada por Saul Suslick, diretor do Cepetro (Centro de Estudos do Petróleo) da Unicamp. Para ele, cada vez mais existe um esforço mundial para uma menor dependência do petróleo. Nos Estados Unidos, ao mesmo tempo que existe a preocupação de diversificar as fontes de energia, há um estoque de petróleo e seus derivados e uma campanha para explorar petróleo em territórios norte americanos não explorados. Suslick argumenta que por esse motivo e pela menor importância que o petróleo assume hoje, se comparado a década de 70, dificilmente poderá ocorrer um novo choque nos preços do petróleo. “O petróleo ainda ocupa uma agenda de preocupações, mas cada vez mais os conflitos estarão vinculados a outras questões, como a água, por exemplo”, afirma Suslick.

Para Nelson Bacic, o mundo hoje é menos dependente do Oriente Médio também porque existe uma outra área muito promissora para exploração do petróleo: a região que bordeja o Mar Cáspio. “O Azerbaijão é conhecido atualmente como o novo Kwait. Junto com o Cazaquistão e o Turcomenistão possui mais petróleo que o Golfo Pérsico. A fronteira das regiões produtoras de petróleo está se deslocando para a Ásia Central”, diz Bacic.

Ambições das potências do mar Cáspio
(Projeções e metas estratégicas para 2010)
Países Petróleo (1) Exp. Petróleo (1)
Azerbaijão 1,2 1
Cazaquistão 2 1,7
Turcomenistão 0,2 0,15
Fonte: Energy Information Administration, www.eia.doe.gov
Notas: (1) Milhões de barris diários

O Programa Traceca (Transport Corridor Europe, Caucasus, Asia) confirma essa idéia. Lançado numa conferência em Bruxelas em 1993, o programa pretende desenvolver um corredor de transporte, num eixo leste oeste, cruzando o Mar Negro através do Cáucaso e do Mar Cáspio até a Ásia Central. Com assistência técnica e financeira da União Européia e do Banco de Desenvolvimento da Ásia, o sistema de transporte deverá incluir rodovias, ferrovias, portos e oleodutos num trajeto ainda não definido, pela Ucrânia, Bulgária, Moldova, Romênia, Turquia, Georgia, Azerbaijão, Turcomenistão, Uzbequistão, Tadjiquistão e Kirquistão.

Segundo texto do jornalista e historiador José Arbex, para a revista Caros Amigos, o Traceca será um componente fundamental de estruturação da Eurásia no século XXI, como eixo de transporte de petróleo ou corredor de mercadorias. Para Arbex, o traçado da futura rota ajuda a compreender o interesse americano pelo Afeganistão, uma região de acesso entre o extremo asiático, o Oriente Médio e a Europa, e os conflitos entre a Índia e o Paquistão pela região da Caxemira, que pode se tornar um dos pontos de passagem da rota.

Mesmo que esteja ocorrendo esse deslocamento de interesses para a Ásia Central, atualmente o foco de tensão relacionado ao petróleo ainda é o Oriente Médio. De acordo com o Relatório Nacional de Política Energética do Estados Unidos de 2001 (Report of the National Energy Policy), o abastecimento norte-americano depende das reservas do Golfo Pérsico e coloca como prioridade o acesso dos Estados Unidos a essas reservas.

Segundo Michael Klare, o Conselho de Segurança Nacional dos Estados Unidos declarou em 1999, que os norte americanos continuariam tendo um interesse vital em assegurar seu acesso aos suprimentos de petróleo no exterior e, neste sentido, deveriam conscientizar-se da necessidade de estabilidade e segurança regionais em áreas chave de produção, a fim de assegurar esse acesso aos recursos e sua livre circulação. Ainda segundo Klare, o presidente Jimmy Carter em 1980 afirmou que qualquer intenção de potências hostis para a interrupção da circulação de petróleo do Golfo Pérsico seria considerado como um ataque aos interesses vitais dos Estados Unidos, que poderia ser reprimido por qualquer meio necessário, incluindo a força militar.

Após o ataque de 11 de setembro ao World Trade Center foi aberto um precedente contra o terror que relaciona-se também com a necessidade “vital” norte-americana pelo petróleo. Não apenas o Afeganistão é um ponto de passagem estratégico, mas o Iraque, atualmente ameaçado pelos norte americanos, detém uma reserva potencial de petróleo que, em tese supera, as atuais reservas da Arábia Saudita principal fornecedora dos Estados Unidos.

De acordo com o estudo “Panorama do Petróleo e Gás 2002″, realizado pela empresa italiana ENI (Ente Nazionale Idrocarburi), o Iraque é o país com maior disponibilidade de reservas, para um total de 130 anos, seguido pelo Kuwait, com reservas para 123 anos, os Emirados Árabes Unidos, para 105 anos, a Arábia Saudita, para 81 anos, e Venezuela, para 67 anos.

Países Reservas Comprovadas Produção Exportação
Iraque 112.500 milhões de barris 2,593 milhõesde barris diários 1,710 milhõesde barris por dia
Arábia Saudita 262.697 milhões de barris 7,888 milhõesde barris diários 6,035 milhõesde barris por dia
Fonte: Organization of the Petroleum Exporting Countries www.opec.org

De acordo com a Energy Information Administration, o Iraque, antecipando uma eventual suspensão das sanções econômicas impostas pela ONU e pelos EUA desde o final da Guerra do Golfo, assinou acordos com companhias da Rússia, França e China sobre as reservas potenciais de petróleo e gás, que serão efetivados quando as sanções forem suspensas. Segundo Michael Klare, os dissidentes americanos escolhidos por Washington para liderar o novo regime de Bagdá, após eventual queda do ditador iraquino, ameaçaram cancelar todos os contratos com os países que não auxiliarem na derrubada de Saddam Hussein.. O professor de Paz e Segurança Mundial Michael Klare afirma que o controle sobre as reservas potenciais iraquianas será estratégico no século XXI e prevê, que independente dos resultados das atuais inspeções da ONU no Iraque, uma invasão norte americana nesse país ocorrerá no máximo na terceira semana de fevereiro de 2003. Mesmo que existam outros elementos importantes entre os motivos para alguns conflitos, o petróleo, fonte não renovável de energia, continuará sendo na sua história, uma fonte constante de guerras.

FONTE: SBPC/Labjor

 

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Valor é pelo menos 50% superior ao estimado por governo e Petrobras. Preço do barril caiu cerca de US$ 100 desde julho de 2008, e empresas do setor cortam investimentos para novas descobertas

presal-mvg_eco_evolucao_petroleoA BP (British Petroleum), a segunda maior companhia petroleira europeia, afirmou que a exploração de petróleo em águas profundas no Brasil, como é o caso do pré-sal, é viável comercialmente apenas com o barril valendo ao menos US$ 60. A afirmação contrasta com as mais recentes declarações do governo brasileiro, que estima que o barril deva valer entre US$ 30 e US$ 40.
Nos últimos meses, com a queda na cotação do barril nos mercados internacionais, o presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, e o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, vêm afirmando que a exploração do petróleo do pré-sal é viável mesmo com o preço atual -que gira em torno de US$ 40. Em seu plano de investimentos para os próximos anos, a Petrobras usa como referência a cotação do petróleo a US$ 37 o barril.
A visão do grupo britânico, no entanto, é diferente da brasileira. Para a BP, o preço do barril precisa subir logo para que ela não precise se endividar para conseguir manter seu nível de investimento.
De acordo com ela, se a recuperação na cotação demorar a chegar, as empresas petrolíferas ficarão em uma situação cada vez mais desconfortável.
Para chegar ao nível desejado pela companhia britânica, o preço do barril precisaria subir cerca de 50% em relação à cotação atual. Não faz muito tempo que a commodity valia ao menos US$ 60: a última vez ocorreu no início de novembro do ano passado. O problema é que a cotação do produto, que chegou ao recorde de US$ 145,29 em julho do ano passado, vem despencando, após ficarem mais claros os sinais de que a economia mundial está em crise e que o consumo de combustível deverá cair. O FMI estima para este ano o menor avanço do PIB global desde 1945.
Uma das consequências na queda do preço do barril foi sentida no balanço das grandes empresas petrolíferas mundiais. A ExxonMobil, a maior petroleira com ações negociadas em Bolsa do mundo, teve uma queda de 33% no lucro do quarto trimestre. A sua principal rival, a Shell, teve um prejuízo de US$ 2,8 bilhões no período, e a BP perdeu US$ 3,3 bilhões, o primeiro resultado negativo em sete anos.
O recuo na cotação também é observado nos investimentos globais para a descoberta de novos poços e, consequentemente, a manutenção do fornecimento do produto. No final do ano passado, a AIE (Agência Internacional de Energia) alertou sobre que os gastos para a descoberta de petróleo estão abaixo do necessário, com vários projetos sendo adiados.

Fonte: Folha de S.Paulo/Com o “Financial Times”

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O apoio político do Governo ajuda a indústria de Defesa francesa a alcançar seus melhores resultados na exportação, nos últimos oito anos

A França exportou € 6,2 bilhões (US$ 8,1 bilhões) em armamentos em 2008, passando os € 5,5 bilhões ($ 7,3 bilhões) de 2007, segundo o ministro da Defesa Hervé Morin disse na semana passada no Air and Space Museum, em Le Bourget, durante encontro de Ano Novo com as indústrias de defesa.
Morin também afirmou que França ultrapassou a sua meta planejada de € 6 bilhões e pretende continuar a aumentar as exportações em 2009. Embora 2008 tenha sido o melhor ano desde 2000, ele vê ainda potencial na Indústria de Defesa francesa nos planos para superar Grã-Bretanha como o maior exportador de armas da Europa deste ano. Morin acrescentou que a França poderia chegar a US $ 9 bilhões em exportações de armas até 2010.

Rafale

Um dos principais pilares das exportações francesas militares neste ano poderá ser o avião de combate Dassault Rafale. A aeronave não foi exportada ainda, no entanto, têm potencial em vários países. O Rafale é um competidor para a Força Aérea Indiana como aeronave de combate de médio porte (MMRCA), com possibilidade de vendas de 126 aeronaves. O Rafale também poderia ser a opção preferida para a Suíça no Programa de substituição parcial dos Tiger (ETT) e no Programa F-X2  do Brasil. Os suíços terão mais de 25 novas aeronaves em sua primeira aquisição, enquanto o Brasil tem a intenção de comprar 36 aviões, para substituir seus caças Mirage 2000. Um potencial contrato pode ser de cerca de € 1,5 bilhões (US$ 1,9 bilhões) na Suíça e mais de € 1,9 bilhões (US$ 2,5 bilhões) no Brasil. No entanto, a oportunidade mais atraente é a Índia, valendo mais de € 7,6 bilhões (US$ 10 bilhões).
Além disso, a Líbia e os Emirados Árabes Unidos têm sinalizado forte interesse no caça francês.

Helicópteros

A Eurocopter baseada na França (uma empresa 100% EADS), tem sido muito bem sucedida em exportação. Cougar, Dauphin, Puma, Pantera, NH90 e Tiger são todos populares e as exportações estão em andamento, para forças armadas de todo o globo.

Navios de guerra

Um produto muito bem sucedido é a exportação de submarinos diesel-elétricos de ataque classe “Scorpène”,  construído conjuntamente pela DCNS francesa e espanhola Navantia. O Scorpène foi encomendado pela Marinha Chilena (2), Marinha Real da Malásia (2), Marinha da Índia (6), Marinha do Brasil (4).
A DCNS também está desenvolvendo conjuntamente a Fragata FREMM multimissão, com a empresa italiana Orizzonte Sistemi Navali (uma joint venture entre as empresas aeroespacial e naval Fincantieri e Finmeccanica). A Marinha do Marrocos é o primeiro cliente de exportação desta fragata, que também pode ser uma possibilidade para a Marinha da Grécia, que tem necessidade de seis (4 +2) fragatas. Mas analistas de Defesa, no entanto, não veem qualquer possibilidade da Grécia comprar navios caros agora, uma vez que estão tendo dificuldade para pagar compras feitas anteriormente, como o submarino alemão U214.

Apoio político

Na sua declaração, Morin também salientou que as aquisições de defesa são uma questão política que tem de ser apoiada por uma política do país. “As decisões de compra de um país dependem da qualidade do produto e do preço, mas também é um ato político. Tem de haver, simultaneamente os dois aspectos: industrial e político. Se estiver faltando um, a nossa posição é enfraquecida”, disse ele.
Neste contexto, o governo francês realizou uma reforma dos procedimentos de exportação, com as licenças de exportação agora podendo ser processadas em menos de 40 dias, que antes eram de 80 dias. Foi criado também uma task force de vendas de alto nível, com o objetivo de ajudar a indústria de defesa a melhorar seus produtos.
Estes são apenas alguns sinais da administração do Presidente Nicolas Sarkozy no forte apoio à indústria de defesa nacional. Muito mais importante é a participação pessoal do presidente Sarkozy, que fala diretamente com os Chefes de Estado de todo o mundo, para fornecer os produtos de defesa franceses, englobando nestes contratos militares outros contratos tecnológicos civis. Isto leva a França a uma situação bastante vantajosa, uma vez que países como o Brasil e a Índia estão interessados na tecnologia no “estado-da-arte” de ferrovias a centrais nucleares, e infra-estruturas civis.

FONTE: DefPro

NOTA DO BLOG: Seria muito bom se o Governo brasileiro aprendesse a apoiar a Indústria de Defesa nacional, como faz a França. O Brasil sempre quis bancar o bom moço nas Relações Internacionais e deixou suas indústrias de Defesa lutarem sozinhas no agressivo mercado internacional, sem nenhum apoio político. Vejam o que aconteceu com a Engesa, Bernardini, Avibrás etc.
Parece que agora as coisas começam a mudar, mas falar em exportação de armas num “país pacífico”, ainda é um tabu. Um exemplo recente ocorreu na feira aeroespacial FIDAE 2008, quando, segundo algumas fontes, houve silêncio da Embraer por pressão do Governo brasileiro, sobre a atuação dos Super Tucano da Colômbia no ataque aos guerrilheiros das FARC. Milagrosamente a Embraer ainda continua vendendo o Super Tucano, porque o produto é muito bom, apesar do anti-marketing do nosso Governo.

 

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O CDI – The World Security Institute’s Center for Defense Information, é um grupo independente que provê análises de especialistas sobre os diversos componentes da segurança nacional dos EUA, segurança internacional e sobre a política de Defesa americana. O CDI promove uma ampla discussão e debate sobre questões de segurança, tais como armas nucleares, segurança no espaço, defesa contra mísseis, armas de pequeno calibre e transformação militar.
O instituto é um monitor independente do Pentágono e das Forças Armadas americanas, e tem como objetivo a  investigação e análise das despesas militares, das políticas e sistemas de armas. Ele é composto de altos funcionários aposentados do governo e ex-militares, bem como experientes analistas de defesa. O CDI é financiado exclusivamente por doações públicas e de fundações, não aceitando dinheiro do Pentágono ou da indústria militar. O instituto disponibiliza suas análises militares ao Congresso, à mídia e ao público, através de uma variedade de serviços e publicações, e também presta assistência ao governo federal e às Forças Armadas, se solicitado.
A publicação acima é uma proposta do CDI para a reforma das Forças Armadas dos EUA no Governo Obama. Para baixar o arquivo PDF, é só clicar na imagem acima ou aqui.
Eis um resumo das recomendações do CDI para a reforma da US Navy:
  • A principal deficiência da Marinha dos EUA é o seu corpo de oficiais dominado por técnicos, quadro que reforça a cultura de segunda geração da Marinha. A reforma requer a adoção da cultura de terceira geração, mandando os engenheiros de volta às praças de máquinas. A razão pela qual isto é problemático na Marinha é que a maneira de pensar do engenheiro é diferente da maneira de pensar militar-tática-estratégica – são modos opostos de pensamento. A guerra não é um problema de engenharia. O adversário são homens, não máquinas, e eles usam suas mentes para criar táticas assimétricas e surpresa, coisas que os oficiais atuais têm dificuldade em lidar. Para ganhar as guerras do futuro, as pessoas são mais importantes, as idéias vêm em segundo lugar e por último, o equipamento.
  • As guerras de quarta geração exigirão que a Marinha mude o foco Mahaniano de batalhas pelo controle do mar, para o controle de áreas costeiras. Ao contrário do que se pensa, a US Navy nunca esteve preparada para enfrentar a Marinha Soviética, pois o paradigma naval americano continua(va) sendo o porta-aviões, criado para enfrentar a Marinha Imperial Japonesa. Em caso de guerra com a Marinha Soviética durante a Guerra Fria, os porta-aviões americanos não durariam dois dias, segundo o almirante Hyman Rickover, pois seriam alvos prioritários dos submarinos lançadores de mísseis.
  • Os submarinos são os navios capitais de hoje e a US Navy deve manter-se dominante nessa área, inclusive explorando outros designs, como a volta dos submarinos convencionais para operações costeiras.
  • Os navios-aeródromos são “caixas grandes” úteis, mas eles precisam dissociar-se das clássicas alas aéreas embarcadas para transformarem-se em navios de emprego múltiplo, transportando tudo o que for necessário para crises específicas ou conflitos.
  • A Marinha deveria adquirir uma aeronave similar ao A-10 Thunderbolt II para ser realmente efetiva no apoio aéreo aproximado, já que o F/A-18 deixa muito a desejar nesse quesito.
  • Cruzadores, destróieres e fragatas são navios de guerra obsoletos e precisam ser desativados. Suas funções podem ser cumpridas por pequenos navios-aeródromos ou navios mercantes convertidos. “A melhor escolta para um navio-aeródromo é outro navio-aeródromo”.
  • A Marinha deveria formar uma flotilha de pequenos navios de guerra adequados para águas verdes e marrons, capazes de operar de forma autônoma em conflitos de quarta geração. O atual “Littoral Combat Ship” é aparentemente uma tentativa falha de design nesta direção.
 

O Bell Boeing Quad TiltRotor (QTR) é um derivativo do V-22 Osprey tiltrotor, desenvolvido conjuntamente pela Bell Helicopter Textron e Boeing Integrated Defense Systems. O conceito disputa o Programa Joint Heavy Lift, do US Army. Uma versão naval também está sendo proposta.
A aeronave terá a capacidade similar a um C-130 Hercules e voará a 250 nós.

 

IV Frota: uma outra visão

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IV Frota provocará uma mudança radical nas relações da América Latina com os EUA

“Pode-se perguntar por que um estado mais forte desejaria atacar um mais fraco, mas certamente esse não é o ponto. O fato decisivo é que, no nível interestatal, a unidade maior pode atacar os grupos mais fracos. Como não há quem possa impedir esses ataques, os grupos humanos mais fracos vivem em contínuo e inevitável estado de insegurança”
Norbert Elias, Envolvimento e Alienação, Editora Bertrand, Rio de Janeiro, 1990, p: 214

A reativação da IV Frota Naval dos Estados Unidos, na zona do Atlântico Sul, provocará uma mudança radical e permanente nas relações militares dos EUA com a América Latina.

Foi por isso que surpreenderam tanto as primeiras explicações estadunidenses com respeito à reativação de sua Frota ─ criada em 1943 e desmantelada em 1950 ─ que havia sido uma simples decisão “administrativa”, tomada com objetivos “pacíficos, humanitários e ecológicos”.

A mentira não é um pecado grave no campo das relações internacionais. Pelo contrário, mentir ou dizer meias-verdades, com competência, foi sempre uma arte e uma virtude essencial da diplomacia entre as nações. Portanto, não foi isso o que chamou a atenção, na declaração das autoridades estadunidenses, foi sua falta de respeito pela inteligência dos interlocutores e seu menosprezo com respeito à impotência dos governos afetados por sua decisão.

Inclusive se fala também da necessidade de “combater a pirataria, o tráfico de drogas, de pessoas e de armas”, sem explicar, por sua vez, porque que a IV Frota não foi reativada durante a Guerra Fria, ou inclusive, depois da Revolução Cubana e da Crise dos Foguetes, de 1962, quando o “fluxo ilegal de armas e pessoas”, e o “tráfico de drogas” era igual ou maior do que agora.

Por isso, tiveram grande repercussão as declarações “corretivas”, das autoridades navais dos EUA efetuadas na Base Naval Mayport, na Flórida, em 11 de julho de 2008.

Em particular, o discurso inaugural do almirante Gary Roughead, chefe de Operações Navais da Marinha Americana, que redefiniu o objetivo principal da nova Frota, destinada a “proteger os mares da região daqueles que ameaçam o livre fluxo do comércio internacional”, ao mesmo tempo que advertia os incrédulos, de que “ninguém deve enganar-se: porque esta frota estará pronta para qualquer operação, a qualquer hora e lugar, num máximo de 24 a 48 horas”.

Com respeito à proteção do comércio marítimo, todos os especialistas sabem que só tem capacidade de proteger o “livre fluxo do comércio mundial”, aquele que também tem a capacidade de interrompê-lo. Quer dizer, quem tem poder para proteger, também tem o poder de excluir competidores, se for o caso, quando se provoca a competição entre os estados e os capitais privados, como está acontecendo, ao iniciar-se o século XXI.

Depois de quase uma década de crescimento contínuo e acelerado, a economia mundial enfrenta neste momento, uma disparada dos preços, da especulação e da escassez de alguns produtos fundamentais, como é o caso do petróleo, dos alimentos e dos minerais estratégicos.

E, neste momento, já está em curso uma nova “corrida imperialista”, entre as grandes potências, que lutam por sua segurança energética e alimentar, exatamente como aconteceu no final do século XIX e inícios do século XX.

Uma concorrência que já chegou na África e deverá alcançar a América Latina de forma ainda mais intensa, graças a seus recursos energéticos, a suas grandes reservas minerais e hídricas, e a sua imensa capacidade de produção de alimentos, muito superior a da África.

Em particular, no caso do Brasil, que deverá ser – logo – o maior exportador mundial de alimentos e um dos grandes exportadores de petróleo, ademais de ser o principal “proprietário” das águas e da biodiversidade da Amazônia.

Existindo um agravante no caso brasileiro, do ponto de vista das autoridades norte-americanas: o fato de ser o país que está liderando os processos de criação da União de Nações do Sul (Unasul) e o Conselho Sul-americano de Defesa, organizações que excluem os EUA e esvaziam o Tratado Interamericano de Assistência Recíproca e a Junta Interamericana de Defesa, que são controlados pelos norte-americanos.

Esta história, entretanto, traz uma lição importante para o futuro da América Latina e do Brasil em particular. Faz um século, mais ou menos, o almirante e geopolítico Alfred Mahan se destacou por sua defesa militante da idéia de que os EUA jamais seriam uma “grande potência”, apoiando-se unicamente em seu desenvolvimento econômico.

Para ter estatuto internacional, requereria uma esquadra naval capaz de projetar o poder americano ao redor do mundo, como havia feito Inglaterra, no século XIX.

O almirante Mahan exerceu grande influência pessoal sobre o presidente Theodore Roosevelt, no começo do século XX, e depois se transformou no maior símbolo do poder naval americano de todos os tempos.

Com razão, porque menos de meio século depois de sua morte, os EUA já eram o maior poder naval da história da humanidade, controlando todos os mares e oceanos do mundo, com suas sete Frotas Navais.

Neste momento, os Estados Unidos acabam de reativar sua IV Frota, mas poderão criar muitas outras, se quiserem, sem atentar contra o Direito Internacional, sem necessidade de utilizar as águas soberanas de outros estados e sem necessidade de dar explicações a ninguém.

Obedecendo só a seus cálculos estratégicos e a seu poder de construir e distribuir barcos militares ao redor do mundo, como havia proposto Alfred Mahan.

Segundo o sociólogo alemão Norbert Elias, a dura verdade é que,

“se algum Estado fosse mais forte ou se cresse mais forte que seus vizinhos, sempre haverá a possibilidade de que intente obter vantagens, o que pode ocorrer de diversas formas, hostilizando-os, fazendo exigências ou invadindo-os e anexando-os [...].
“Só existe uma possibilidade de que um Estado com maior poder de exercer a violência seja impedido de explorar ao máximo sua porção de poder relativo: ele só pode ser reprimido por outro Estado equivalentemente forte ou por um grupo de estados que consigam controlar as rivalidades entre si em grau suficiente para favorecer seu potencial combinado de poder”.

José Luis Fiori é Professor Titular de Economia Política Internacional do Instituto de Economia da UFRJ.

 

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Clicando no gráfico acima, pode-se verificar o número de submarinos nucleares de ataque, estratégicos portadores de mísseis de cruzeiro e balísticos, e submarinos convencionais diesel-elétricos, em operação no mundo.
São cerca de 260 submarinos convencionais em operação e por isso, eles são alvo de treinamento específico por parte das grandes potências navais, como afirmou um oficial da US Navy durante uma operação SIFOREX:
“Este tipo de treinamento com submarinos diesel é crucial para as nossas forças militares, pois essa arma pode ser comprada por quase todas as nações, e algumas são nossos potenciais adversários.”

FONTE: Agence Idé

 

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Foi noticiado que a China enviará navios mais poderosos do que planejava inicialmente, para combater os piratas da costa da Somália. A PLAN enviará um destróier classe 168, um classe 170 e um navio de apoio 887, que partirão da base naval de Sanya.
O 168 é um navio classe 052B de múltiplo emprego, de 6.500t; a 170 é a classe de destróier de defesa aérea 052C (conhecido como o “Aegis chinês”), também de 6.500t; o 887 é um dos novos navios de apoio logístico.
Clicando na segunda foto, notar o CIWS Type 730, semelhante ao Goalkeeper, na proa e sobre o hangar do 170. As grandes placas retangulares na superestrutura encobrem as antenas do radar phased array Type 348, semelhante ao APAR holandês.

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RIO DE JANEIRO – O Brasil e a França assinaram nesta terça-feira acordos na área de defesa no valor de 8,6 bilhões de euros (12 bilhões de dólares), que incluem a transferência de tecnologia para que o Brasil possa desenvolver sua própria indústria bélica.

O acordo foi assinado pelos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Nicolas Sarkozy, que encerra um visita de dos dias ao Rio de Janeiro na terça-feira.

Sob o acordo, o Brasil comprará 50 helicópteros EC725 construídos localmente pela Helibras, subsidiária da Eurocopter no Brasil. A Eurocopter, por sua vez, é subsidiária do grupo europeu EADS. Os helicópteros, cujo valor é estimado em 1,9 bilhão de euros, devem ser entregues a partir de 2010.

A França também vai fornecer ao Brasil a tecnologia para construir quatro submarinos convencionais, no valor de 4,1 bilhões de euros, além do primeiro submarino nuclear do país.

Do total de 8,6 bilhões de euros, 6 bilhões irão para empresas francesas e 2,6 bilhões para empresas brasileiras, segundo uma fonte da delegação francesa.

“É uma decisão histórica, porque a França acredita que um Brasil poderoso é um elemento importante para a estabilidade do mundo”, disse Sarkozy em entrevista coletiva.

Lula afirmou que o acordo representa uma ruptura, que reflete o status do Brasil como potência emergente.

“A França está disposta a…construir uma aliança no Brasil, a transferir tecnologia para que o Brasil possa ter uma indústria de defesa que corresponda à sua importância no hemisfério, no mundo”, disse Lula durante a coletiva.

No ano passado, o Brasil destinou 880 milhões de dólares para completar um reator nuclear para o submarino.

O governo Lula apresentou um novo plano de defesa estratégica na semana passada, que muda o foco de seu Exército para a proteção da Amazônia e suas recém-descobertas reservas de petróleo marítimas.

Como parte da modernização do equipamento militar, o governo espera renovar sua frota de aviões de combate nos próximos 15 anos. A francesa Dessault é um das três empresas finalistas para fornecer os 36 primeiros jatos.

(Reportagem de Yann Le Guernigou e Stuart Grudgings)

FONTE: Reuters Brasil

 

ACORDO ENTRE O GOVERNO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL E O GOVERNO DA REPÚBLICA FRANCESA NA ÁREA DE SUBMARINOS

O Governo da República Federativa do Brasil
(doravante denominado “Parte brasileira”)
e
O Governo da República Francesa,
(doravante denominado “Parte francesa”)

Considerando o Acordo de Segurança Relativo a Troca de Informação de Caráter Sigiloso, assinado em Brasília, em 2 de outubro de 1974, entre a República Federativa do Brasil e a República Francesa;

Considerando o Protocolo de Intenções entre o Governo da República Federativa do Brasil e o Governo da República Francesa Referente à Cooperação na Área das Tecnologias Avançadas e de suas Aplicações, em particular as relativas à defesa, assinado em Paris, em 15 de julho de 2005;

Tendo presente o Acordo entre o Governo da República Federativa do Brasil e o Governo da República Francesa Relativo à Cooperação no Domínio da Defesa e ao Estatuto de suas Forças, assinado em Paris, em 29 de janeiro de 2008;

Considerando o engajamento de seus países em uma parceria estratégica, incluindo o desenvolvimento da cooperação bilateral no domínio das tecnologias de defesa;

Considerando a decisão brasileira de se dotar de submarinos com propulsão nuclear e convencional;

Considerando a intenção de implementar essa cooperação bilateral com ênfase na área de submarinos;

Considerando as capacidades industriais desenvolvidas em cada um dos países e o interesse de fomentar parcerias entre as empresas públicas, mistas ou privadas dos dois países, principalmente por meio da criação de consórcios de direito privado ou de sociedades com fins específicos comuns, criadas para atingir os objetivos estratégicos acima; e

Considerando o Plano de Ação da Parceria Estratégica entre o Brasil e a França, assinado no Rio de Janeiro, em 23 de dezembro de 2008,

Acordam o seguinte:

Artigo 1
Objeto

O presente Acordo tem por objeto definir a forma de apoio e da cooperação estabelecida pelas Partes para facilitar a realização do programa brasileiro de desenvolvimento de suas forças submarinas.

De acordo com os princípios definidos no Artigo 2 a seguir, esta cooperação abrange:

1.1 os métodos, as tecnologias, as ferramentas, os equipamentos e a assistência técnica em todas as fases (concepções inicial e detalhada, desenvolvimento, construção e comissionamento) do projeto de submarinos convencionais do tipo SCORPENE (SBR), bem como de um submarino com armamento convencional (SNBR) destinado a receber um reator nuclear e seus sistemas associados, desenvolvidos pela Parte brasileira;

1.2 a assistência para a concepção (inicial e detalhada) e para a construção de um estaleiro de construção e manutenção desses submarinos e de uma base naval capaz de abrigá-los. A concepção (expressão dos requisitos e projeto básico), a construção e a manutenção das infraestruturas e dos equipamentos necessários às operações de construção e de manutenção da parte nuclear do submarino nuclear estão excluídas do âmbito do presente Acordo;

1.3 a transferência de conhecimento acadêmico relativa a submarinos, nas áreas da ciência e da tecnologia, por meio da formação dos estudantes, professores e instrutores, em instituições pertencentes ao Ministério da Defesa, em complemento às cooperações existentes em matéria de formação nos domínios conexos, pertinentes para a execução do presente Acordo. A formação das primeiras tripulações poderá ser objeto de um Ajuste específico.

Artigo 2
Princípios Básicos

2.1 Na execução do presente Acordo, as Partes respeitarão suas obrigações e compromissos internacionais, assim como suas leis e regulamentos em vigor.

2.2 A cooperação prevista realizar-se-á no contexto da aquisição de quatro submarinos SBR, com a transferência de tecnologia ampliada para todas as fases (concepção inicial e detalhada, desenvolvimento, construção e comissionamento) deste projeto de submarinos, e ao apoio francês, no longo prazo, para a concepção e construção da parte não-nuclear do submarino SNBR.

2.3 A Parte brasileira faz a escolha da tecnologia francesa para as plataformas, os sistemas de combate e as armas desses novos submarinos.

2.4 A Parte brasileira será a autoridade de concepção do submarino SNBR. A Parte brasileira receberá assistência da Parte francesa de acordo com as disposições do Artigo 1. Entretanto, a Parte brasileira não receberá assistência da Parte francesa para a concepção, a construção e a colocação em operação do reator nuclear embarcado, das instalações do compartimento do reator nuclear e dos equipamentos e instalações cuja função seja destinada principalmente ao funcionamento do reator ou à segurança nuclear.

Para os equipamentos e instalações que contribuam de forma acessória ao funcionamento do reator ou à segurança nuclear, o presente Acordo abrange as funcionalidades que não tenham ligação com o funcionamento do reator ou com a segurança nuclear.

A interpretação e as modalidades de aplicação prática destas disposições serão examinadas, conforme necessário, pelo Comitê de Cooperação instituído pelo Artigo 8, que remete às Partes, se necessário, para fins de ressarcimento, conforme disposto no Artigo 9.

2.5 A Parte brasileira se compromete a projetar e construir o reator nuclear conforme procedimentos de segurança nuclear reconhecidos internacionalmente.

Assim sendo, a Parte brasileira é a única responsável em relação a terceiros no tocante a todos os danos nucleares causados pelo submarino ou instalações nucleares associadas ao apoio terrestre, da concepção ao descomissionamento.

2.6 Com relação às disposições da alínea 5 deste Artigo, as Partes promoverão a formação de empresas comuns ou de consórcios de direito privado, compostos por empresas públicas, privadas ou mistas, brasileiras e francesas:

a) para a construção de submarinos SBR;

b) para permitir à Parte brasileira desenvolver e construir um submarino capaz de receber um reator nuclear e os sistemas associados, por ela desenvolvidos;

c) para permitir a realização de obras, inclusive os aspectos relacionados à concepção e à engenharia civil, para a construção do estaleiro naval, da base naval e das outras instalações necessárias ao projeto no Brasil.

Artigo 3
Condições Gerais de Transferência de Tecnologia

3.1 De conformidade com suas disposições legais e regulamentares, a Parte francesa se compromete a empregar todos os meios para:

a) prover a colaboração dos órgãos competentes do Ministério da Defesa;

b) autorizar a venda, pelas empresas francesas, dos equipamentos, materiais e prestações de serviços à Marinha Brasileira ou às empresas relacionadas na alínea 6 do Artigo 2.

3.2 Os objetivos gerais em matéria de nível tecnológico para o submarino SNBR são os mesmos dos submarinos SBR.

3.3 A Parte brasileira se compromete a não autorizar a reexportação, a revenda, o empréstimo, a doação ou a transmissão do conhecimento, da tecnologia e dos equipamentos fornecidos pela Parte francesa, no âmbito do presente projeto de cooperação, sob qualquer forma que seja, sem o acordo prévio do Governo francês e a utilizá-los somente para os fins definidos pelo presente Acordo.

Artigo 4
Modalidades de Cooperação

4.1 As modalidades de cooperação serão definidas e detalhadas em Ajustes específicos.

4.2 As diferentes ações, intercâmbios entre os serviços oficiais das Partes, acessos aos meios públicos e prestações de serviços ou de fornecimentos industriais serão igualmente objeto de Ajustes específicos ou de contratos comerciais, quando necessário.

4.3 O acesso aos centros de testes e de conhecimentos especializados do Ministério da Defesa da França, para as necessidades relacionadas aos projetos que são objeto do presente Acordo, será feito com base nas condições gerais técnicas, financeiras e de segurança em vigor para as Forças Armadas francesas.

Artigo 5
Comunicação e Proteção das Informações

5.1 As Partes manterão entendimentos a respeito da comunicação e da proteção das informações relativas à execução da presente cooperação.

5.2 Todas as informações sigilosas produzidas ou trocadas no âmbito da aplicação do presente Acordo serão utilizadas, arquivadas, processadas e protegidas em conformidade com as disposições do Acordo de Segurança Relativo à Troca de Informações de Caráter Sigiloso entre o Governo da República Federativa do Brasil e o Governo da República Francesa, assinado em 2 de outubro de 1974.

Artigo 6
Financiamento e Tributos

6.1 A Parte francesa colaborará na pesquisa e na elaboração de soluções de financiamento adaptadas às diferentes operações (principalmente as transferências de tecnologia, os serviços de engenharia, as infraestruturas e os equipamentos) previstas no escopo do presente Acordo.

6.2 As Partes considerarão favoravelmente a possibilidade de isenção total ou parcial de tributos diretos ou indiretos sobre bens e serviços importados ou produzidos no âmbito da execução de contratos decorrentes do presente Acordo.

Artigo 7
Ressarcimento dos Danos

7.1 Os danos ocorridos no contexto da aplicação do presente Acordo serão ressarcidos em conformidade com as disposições fixadas pelo Artigo 13 do Acordo Relativo à Cooperação no Domínio da Defesa e ao Estatuto de sua Forças, assinado em 29 de janeiro de 2008, a partir da sua data de entrada em vigor.

7.2 Até aquela data, ou em caso de término do Acordo de 29 de janeiro de 2008, as modalidades de ressarcimento dos danos serão as seguintes:

a) cada Parte renuncia a quaisquer pedidos de indenização pelos danos causados ao seu pessoal, aos seus materiais, ou a seus bens, no contexto da aplicação do presente Acordo, salvo em casos de falta grave ou intencional. Por falta grave, deve-se entender o erro grosseiro ou a negligência grave. Por falta intencional compreende-se a falta cometida com a intenção deliberada de seu autor de causar um dano. A determinação da existência de uma falta grave ou intencional é de competência das autoridades da Parte da qual depende o autor da falta;

b) cada Parte será responsável pelo pagamento dos pedidos de indenizações originárias de terceiros, resultantes de todos os atos ou de negligência da referida Parte ou de seu pessoal na realização das funções oficiais ligadas à implementação do presente Acordo. Em caso de responsabilidade conjunta das Partes, ou quando não for possível determinar a responsabilidade própria a cada uma das Partes, o montante das indenizações será repartido entre as mesmas, em partes idênticas. As Partes se auxiliarão mutualmente na pesquisa, no estabelecimento e na produção de provas referentes aos pedidos de indenização.

Artigo 8
Comitê de Cooperação

Fica criado um Comitê de Cooperação Conjunto para a supervisão da execução do presente Acordo, desde a sua entrada em vigor, co-presidido pelos representantes designados pelas Partes. A composição, as atribuições, as regras de funcionamento e as modalidades de acesso aos trabalhos e documentos serão definidas com precisão em um Ajuste específico. O Comitê se reunirá sempre que necessário, ao menos uma vez por ano, de forma alternada no Brasil e na França.

Artigo 9
Solução de Controvérsias

Qualquer controvérsia relativa à aplicação ou à interpretação do presente Acordo será resolvida por meio de negociação entre as Partes, pela via diplomática.

Artigo 10
Emendas

O presente Acordo pode ser emendado, a qualquer momento, por mútuo consentimento por escrito entre as Partes, pela via diplomática.

Artigo 11
Entrada em Vigor, Duração e Denúncia

11.1. Cada Parte deverá notificar a outra da conclusão dos procedimentos requeridos, de seu lado, com relação à entrada em vigor do presente Acordo, que passará a valer trinta dias após a data da segunda notificação.

11.2. A vigência do presente Acordo será de 3 (três) anos após o primeiro mergulho estático do primeiro submarino SNBR; essa vigência não poderá exceder o limite de 25 (vinte e cinco) anos. A eventual prorrogação deste Acordo poderá ser objeto de acordo entre as Partes, pela via diplomática. Qualquer das Partes poderá denunciar o presente Acordo, por escrito, a qualquer momento. A denúncia deverá ser notificada por escrito com um aviso prévio de um ano, pela via diplomática.

11.3. Ao término do presente Acordo, ou em caso de sua denúncia, conforme o procedimento estabelecido no parágrafo 2 do presente Artigo, as disposições dos Artigos 2 alínea 5, 3, 5 e 7 continuarão a ser aplicadas aos bens e tecnologias transferidos em cumprimento ao presente Acordo.

Feito no Rio de Janeiro, em 23 de dezembro de 2008, em dois exemplares originais nas línguas portuguesa e francesa, sendo ambos os textos igualmente autênticos.

FONTE: http://www.mre.gov.br/portugues/imprensa/nota_detalhe3.asp?ID_RELEASE=6160

 
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