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SIMON RABINOVITCH
DO “FINANCIAL TIMES”, EM PEQUIM

O programa chinês de satélites, que está em rápida expansão, poderia alterar a dinâmica do poder no leste da Ásia e reduzir a capacidade norte-americana de operar na região, de acordo com novas pesquisas.

Os satélites chineses de reconhecimento agora têm a capacidade de monitorar um alvo por até seis horas ao dia, de acordo com um novo relatório do World Security Institute, organização de pesquisa sediada em Washington.

As forças armadas chinesas, que até 18 meses atrás só eram capazes de manter cobertura por satélite durante três horas diárias, agora atingiram capacidade quase equivalente à norte-americana em termos de monitoração de alvos fixos, de acordo com o estudo.

“Partindo de uma capacidade de vigilância contínua próxima do zero 10 anos atrás, hoje os chineses provavelmente se equipararam à capacidade dos Estados Unidos para observar alvos do espaço, em algumas operações em tempo real”, afirmaram dois dos pesquisadores especializados em assuntos chineses do instituto, Eric Hagt e Matthew Durnin, em artigo para o “Journal of Strategic Studies”.

O poderio militar chinês rapidamente crescente enervou os vizinhos, muitos dos quais aliados dos Estados Unidos, enquanto disputas surgidas este ano com o Vietnã e as Filipinas agravaram as preocupações.

O reforço das forças armadas chinesas ganhou ímpeto nos últimos anos, e o país desenvolveu um míssil antinavios, testou um caça de baixo reconhecimento por radar e está a ponto de lançar seu primeiro porta-aviões. A rede rapidamente crescente de satélites de reconhecimento oferece à China a capacidade requerida para o emprego mais eficiente desse equipamento.

O almirante Mike Mullen, chefe do Estado-Maior Conjunto das forças armadas norte-americanas, disse neste final de semana em Pequim que era evidente que os chineses tinham por foco a “negação de acesso” -termo que descreve uma estratégia de forçar os Estados Unidos a abandonar operações no oeste do Pacífico.

“Os Estados Unidos não abandonarão a região”, disse o almirante Mullen. “Nossa presença duradoura na região vem sendo importante para os nossos aliados há décadas, e continuará a sê-lo”. A China advertiu os Estados Unidos no mês passado para que não se envolvessem em sua disputa com o Vietnã quanto ao Mar do Sul da China.

“A prioridade estratégica chinesa é manter os Estados Unidos fora de seu quintal”, disse Durnin ao “Financial Times”, acrescentando que a tecnologia de satélites necessária para esse fim já está em operação.

Quando a China testou mísseis perto de Taiwan, em 1996, os Estados Unidos enviaram dois porta-aviões às águas vizinhas. A incapacidade das forças armadas chinesas de localizar os navios se tornou fonte de grande embaraço e ajudou a estimular o programa de satélites chinês.

“Os Estados Unidos sempre sentiram que, se surgisse uma crise em Taiwan, poderíamos enviar forças navais àquelas águas antes que a China fosse capaz de reagir e antes mesmo que soubesse de nossa presença. Os desdobramentos recentes puseram fim a essa situação”, disse Joan Johnson-Freese, professora do Colégio de Guerra Naval dos Estados Unidos, em Rhode Island.

FONTE: Folha.com / TRADUÇÃO DE PAULO MIGLIACCI

RELEMBRE:

 
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Programa de construção custa R$ 120 milhões por mês; Marinha domina o ciclo completo do combustível nuclear

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Roberto Godoy

O programa de construção de uma nova frota de submarinos de ataque – incluído um grande navio de propulsão atômica – custa R$ 120 milhões por mês; gera, neste momento, cerca de 9 mil empregos, dos quais ao menos 3,2 mil diretos, e está adiantado no tempo. O corte da primeira seção de metal do primeiro submarino da classe Scorpéne/Br produzido no País será feito no próximo sábado no canteiro de obras de Itaguaí, no litoral sul fluminense. Até agora não faltou dinheiro. Os recursos previstos para 2011 somavam R$ 1,8 bilhão. Aplicada a redução determinada em janeiro pela presidente Dilma Rousseff a todo o Orçamento, o total baixou para R$ 1,5 bilhão.

O ministro da Defesa, Nelson Jobim, anunciou, no dia 28 de junho, que os R$ 300 milhões contingenciados têm grande chance de ser liberados até o fim do ano.O ProSub, nome oficial do projeto, foi definido como “fator estratégico” para a defesa nacional, segundo documento reservado a que o Estado teve acesso. O relatório destaca: 95% das mercadorias do comércio internacional brasileiro, avaliadas em US$ 300 bilhões anuais, circula por vias marítimas “e exige proteção adequada”.

A área de interesse econômico no mar equivale à da Europa Ocidental – aproximadamente 4,5 milhões de km². Nela, estão sendo mapeadas amplas reservas de metais pesados, de alto valor para as indústrias eletrônica, aeronáutica, de sistemas de precisão e materiais para superligas.

Mais que isso, o petróleo de grande profundidade ocorreria não apenas na província do pré-sal, na bacia de Santos, mas sim em toda a linha da plataforma oceânica, desde o sul, no litoral de Santa Catarina, até o eixo da ilha de Maracá, no Amapá.

Domínio atômico. A 600 quilômetros de distância, no Centro Aramar, em Iperó, interior de São Paulo, a Marinha concluiu a construção da Usina de Gás de Urânio, a Usexa. Com ela o País passa a dominar o ciclo completo do combustível nuclear, a última etapa do processo, que ainda era comprado de prestadores de serviço estrangeiros – no caso, a Cameco, no leste do Canadá. A obra deveria estar concluída no fim de 2010 para entrar em produção três meses depois. Houve problemas com fornecedores. Há novos prazos. A primeira carga de yellow cake, o resultado primário do beneficiamento do urânio, está prevista para as próximas semanas. Depois disso, a Comissão Nacional de Energia Nuclear fará uma inspeção geral. Em setembro, a Usexa começa a receber elementos sensíveis, como nitrato de urânio e ácido fluorídrico.

Os testes devem durar 150 dias. De acordo com o almirante Júlio Moura Neto, comandante da Marinha, a produção plena “só começa em 2012″. A usina vai fabricar, por ano, 40 toneladas. O volume atende, com sobras, às necessidades da Defesa. O Centro Tecnológico criou e produz ultracentrífugas que separam o U-235, rico em energia, do U-238, mais pobre. O enriquecimento é limitado a 5% e em outra linha a 20%, para aplicações científicas e médicas. Armas nucleares exigem níveis acima de 90%. Desde que foi revitalizada pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2007, a pesquisa recebe R$ 130 milhões por ano. As agendas em Iperó e Itaguaí precisam coincidir: em 2016, os técnicos iniciam a longa integração do reator com o casco da embarcação movida a energia atômica.

O navio, de 4.1 mil toneladas de deslocamento, vai entrar em operação cinco anos depois. É um gigante de 100 metros de comprimento, com autonomia limitada apenas pela capacidade da tripulação de 100 militares. Em Iperó, especialistas trabalham com maquetes de acrílico para dar o que consideram “a dimensão humana” ao espaço exíguo do submarino.

O reator custou US$ 130 milhões. Está parcialmente pronto e estocado no Centro Aramar.

O consórcio contratado pela Marinha para cuidar do empreendimento é formado pela brasileira Odebrecht Defesa e Tecnologia e pela francesa DCNS. O comando da Força detém a golden share, participação minoritária, porém, com direito de veto.

O grupo da França é o transferidor da tecnologia envolvendo, na fase inicial, que se estende até cerca de 2021, quatro modelos convencionais, dotados de motores diesel-elétricos e um nuclear. O valor total do pacote é de 6,7 bilhões. A etapa inicial, em execução, vale 1,8 bilhão cobrindo as obras de um novo estaleiro e uma nova base naval, ambos de alta sofisticação. A entrega do navio inaugural da classe, um Scorpéne de 1.870 toneladas, está prevista para o segundo semestre de 2016. Os outros três submarinos do tipo S-Br sairão, até 2021, do novo estaleiro. No futuro, projetado até 2047, a Marinha contempla outros cinco submarinos nucleares e 15 diesel-elétricos, além de mais cinco, modernizados.

Construção acelerada. As obras civis estão sendo executadas em três turnos e terminam em 2015, na Ilha da Madeira, em Itaguaí, baía de Sepetiba. Ao lado das instalações da Nuclep, o braço industrial do complexo nuclear do Brasil, a Odebrecht Defesa e Tecnologia está tocando a Unidade de Fabricação de Estruturas Metálicas, UFEM.

A gleba do estaleiro e da base soma 980 mil metros quadrados, dos quais 750 mil m² na água. O acesso ao conjunto se dará por um túnel escavado em rocha de 850 metros de comprimento e uma estrada exclusiva de 1,5 quilômetro. Haverá 2 píeres de 150 metros cada um e três docas secas (duas cobertas) de 170 metros. No total, serão 27 edifícios. A dragagem passa de 6 milhões de metros cúbicos. O plano da obra prevê a geração de 700 empregos diretos. Pronta, a instalação poderá dar apoio técnico a uma frota de dez submarinos e terá capacidade para construir duas unidades novas simultaneamente.

Um dos prédios, destinado ao procedimento de troca do reator do navio nuclear ou do combustível, será alto, equivalente a 16 andares. Os submarinos vão circular, entrar e sair das instalações por meios próprios, movimentando-se por uma zona molhada com 340 mil m².

No momento, seis dragas especializadas trazidas da Bélgica atuam no local. O 1,5 milhão de metros cúbicos de areia extraídos poderiam encher um estádio do tamanho do Maracanã.

FONTE: Estadão 

 

CINGAPURA — O secretário americano de Defesa, Robert Gates, disse neste sábado que os Estados Unidos manterão uma presença “robusta” na Ásia, fortalecida por um novo arsenal de alta tecnologia, com o objetivo de proteger seus aliados e as rotas do comércio marítimo.

As forças armadas americanas serão posicionadas de maneira a “manter nossa presença no nordeste da Ásia e reforçar nossa presença no sudeste asiático e no Oceano Índico”, revelou Gates em Cingapura durante uma conferência sobre a segurança na região.

A declaração ocorre no momento em que os Estados Unidos enfrentam um importante déficit no Orçamento, e que a austeridade deve afetar todos os setores, inclusive as forças armadas.

Os aliados asiáticos temem um menor compromisso militar de Washington, que os deixaria indefesos diante da crescente capacidade militar da China.
Na mesma entrevista, Gates admitiu que podem ocorrer confrontos no Mar da China meridional em razão de disputas territoriais.

“Acredito que sem regras sobre a mesa (…) há a possibilidade de confrontos” no Mar da China.

Segundo Gates, é urgente para os países da região a adoção de um “mecanismo multilateral” para resolver pacificamente os litígios territoriais.

“Cada vez há mais preocupação. Acredito que não podemos perder mais tempo na tentativa de fortalecer os mecanismos para tratar as divergências no Mar da China meridional”.

Ao comentar a missão no Afeganistão, o secretário de Defesa estimou que a pressão militar sobre os talibãs pode levar a “reais oportunidades” para as negociações de paz com os líderes rebeldes afegãos.

A crescente pressão sobre os talibãs “nos faz prever reais oportunidades durante o próximo ano” para possíveis negociações de paz”.
“A possibilidade de negociações políticas e de uma reconciliação (…) oferecem uma esperança de progresso” visando um acordo pacífico.

FONTE: AFP

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Em 1997, o SRPM (Serviço de Relações Públicas da Marinha, atual CCSM – Centro de Comunicação Social da Marinha), na pessoa do então capitão de mar e guerra Wellington Liberatti, concedeu entrevista — que acabou não sendo publicada — ao Jornal O GLOBO, do Rio de Janeiro, enfocando o tema Aviação Naval. As perguntas foram formuladas pelo jornalista Alexandre Galante, quando trabalhava no jornal. A entrevista, que depois foi publicada pela Marinha no nº 668 do Nomar (Notícias da Marinha), não só tem um valor informativo inestimável para os estudiosos do assunto, como também para toda a sociedade brasileira.

“Os gigantescos porta-aviões de ataque americanos, projetados durante a Guerra Fria para garantir a superioridade aérea americana contra a antiga União Soviética em qualquer teatro, prestam-se perfeitamente para o novo papel que lhes cabe no contexto político-estratégico visualizado pelos EUA”

O GLOBO: Qual é a visão da marinha do Brasil sobre o emprego do porta-aviões como instrumento político-estratégico?
Marinha do Brasil: O Poder Naval destina-se à garantia da soberania dos interesses do país no mar e ao apoio de sua ação diplomática no cenário internacional. Evidentemente, a política externa adotada pela Nação definirá o perfil geral — defensivo ou ofensivo — de seu Poder Naval.

É importante notar, contudo, que os meios navais, per se, não são intrinsecamente ofensivos ou defensivos; o critério de aferição é o modo como são empregados. A minagem de nossos próprios portos, para negar o acesso ao inimigo, caracteriza a mina como arma defensiva; se empregada para minar portos inimigos, numa guerra de atrição, torna-se arma ofensiva.

Da mesma forma, também o emprego do porta-aviões como instrumento político-estratégico, conforme apresentado na pergunta, depende, exclusivamente, da política exterior adotada pelo país. Como primeira consideração, impõe-se a distinção entre os gigantescos “porta-aviões de ataque” americanos e os antigamente denominados “porta-aviões de escolta”.

Aqueles, projetados durante a Guerra Fria para garantir a superioridade aérea americana contra a antiga União Soviética em qualquer teatro, prestam-se perfeitamente para o novo papel que lhes cabe no contexto político-estratégico visualizado pelos EUA e claramente expresso no documento intitulado “From de Sea”, que, em face da inexistência de oponente à altura em “águas-azuis”, orienta o preparo da Marinha Americana para a atuação “a partir do mar”, isto é, projetando poder sobre terra. Em tradução mais livre, empregando o Poder Naval, conforme necessário, para intervir em qualquer região, para garantir os interesses dos Estados Unidos e impor a “Pax Americana”.

Diferentemente, os porta-aviões de escolta, que já nem têm mais tal denominação, são empregados, fundamentalmente, na defesa aérea das forças navais em alto-mar e no controle de áreas marítimas, que, conceitualmente, significa um certo grau de garantia de utilização, ainda que temporária, de áreas marítimas limitadas, estacionárias ou móveis, com vistas à execução de determinadas atividades, como prover segurança às comunicações marítimas e permitir a exploração e a explotação dos recursos do mar, por exemplo.

Em síntese, e buscando responder objetivamente à pergunta, a visão da Marinha do Brasil sobre o emprego do porta-aviões como instrumento político-estratégico é a de que, para tal emprego, é necessário, antes de mais nada, possuir um porta-aviões com características compatíveis com tal destinação e, acima de tudo, uma política nacional que a comporte. Para a estratégia naval brasileira, o emprego do porta-aviões segue o modelo apresentado para os porta-aviões de porte e propósito mais limitados, isto é, o porta-aviões é, tão somente, um componente da força naval à qual, então, estará atribuído um papel político-estratégico.

O GLOBO: Como a Marinha explica o fato de potências navais como a China e Japão, que não têm porta-aviões, agora fazerem planos para construí-los?

Marinha do Brasil: Não haveria muito o que a Marinha explicar o fato, particularmente por desconhecer as características pretendidas para os porta-aviões mencionados. Pode-se, entretanto, conjeturar. No caso da China, a atitude parece consentânea com o aumento global de seu poderio militar e, particularmente, com o crescimento de sua capacidade de projeção de poder, conforme demonstrado, em 1996, em sua ação de “pressão” sobre Taiwan. Também, a julgar procedentes as considerações de Samuel Huntington, no livro “O Choque de Civilizações e a Recomposição da Ordem Mundial”, este parece ser o caminho natural da China.

No caso do Japão, contrariamente ao que muitos pensam, um dos maiores orçamentos militares do mundo (é o segundo, em valores absolutos), é possível que a crescente redução da participação americana na sua defesa esteja motivando os japoneses a preencher lacunas futuras, vislumbradas a partir deste fato. Mas, conforme dito inicialmente, são apenas conjecturas.

O GLOBO: Poderia comentar brevemente algumas concepções de guerra aeronaval, a partir do fato de os EUA terem 12 porta-aviões e a Rússia apenas um?

Marinha do Brasil: O fato de um país ter 12 porta-aviões e outro apenas um não parece servir de base para comentários sobre concepções de guerra aeronaval, porquanto tal estado de coisas não deve decorrer de divergências no conceito de emprego daqueles meios. O que leva os Estados Unidos a terem um Poder Naval daquela magnitude e a antiga URSS uma Marinha como a que tinha constitui questão de outra ordem.

(Digo a URSS, porque a situação atual da Rússia deve resultar de imperativo econômico e não de orientação estratégica). A situação, que tem origem, na verdade, em um conjunto de fatores, incluindo raízes históricas e determinantes geopolíticos, é um tanto complexa e sua compreensão demanda alguma digressão, ainda que com simplificações acentuadas.

Ocorre que na história da humanidade, imperativos geográficos, entre outros, foram determinantes na caracterização marítima ou continental das nações. Povos que viviam em estreitas faixas de terra, entre mar e montanha, como fenícios e portugueses, ou habitavam ilhas, como os ingleses, eram, por assim dizer, forçados para o mar, enquanto franceses, alemães e russos, dispondo de vastos territórios, com planícies férteis, tornaram-se países continentais.

Aqueles desenvolveram poderosas marinhas; estes, grandes exércitos. No confronto de uns e outros, ao longo da história, as nações marítimas sempre acabaram por predominar.

Curiosamente, os Estados Unidos tinham tudo para ser um país continental, mas, influenciados pelas teorias do Almirante Alfred Mahan (The Influence of Sea Power upon History, 1890), que, em síntese (e de maneira bastante simplificada), estabeleciam que aquele que controlasse as rotas marítimas mundiais controlaria o comércio mundial, e quem controlasse o comércio mundial, regeria os destinos do mundo, entenderam ser o destino manifesto da América suceder aos britânicos na hegemonia mundial e resolveram adotar, desde o final do século XIX, o modelo – aparentemente inadequado para ume nação continental – de nação marítima.

O resultado foi o século americano, o século XX. Contrapondo-se às teorias do Almirante Mahan, havia a teoria de Sir Halford Mackinder, de 1904, segundo a qual a época Colombiana – o período de quatro séculos de exploração e conquista ultramarina pelas potências européias – chegava ao fim e cederia lugar à outra, de natureza bastante distinta.

Simplificadamente, ele dizia que o futuro dependeria dos acontecimentos na estratégica “área pivô” do mundo – a Rússia central. Quem dominasse o que chamava de “heartland”, as vastas regiões da Rússia e da Mongólia, disporia de tantos recursos, humanos e materiais, que concentraria um poder capaz de manter-se em expansão, conquistando toda a Ásia, Europa e assim por diante.

O entusiasmo demonstrado pelos nazistas por tal teoria parece tê-la desacreditado um pouco, mas os geopolíticos da antiga União Soviética, com sua política expansionista, talvez tenham-na considerado seriamente.

O mesmo pode-se dizer dos americanos, que, ao longo de toda a Guerra Fria, fixaram-se em estratégias de contenção, tentando impedir que o adversário comprovasse e tese. Destarte, os russos, para garantir suas extensas fronteiras – e empreender a expansão territorial –, desenvolveram grandes exércitos, enquanto a inexistência de saídas para as “águas quentes” – seus portos congelam no inverno – sempre contribuiu para desestimular o desenvolvimento naval.

Os americanos, por outro lado, fazendo fronteira com países amigos ou militarmente fracos, desde o final do século passado só tiveram enfrentamentos longe de seu território, daí a necessidade de manter uma Marinha compatível com a dimensão de seus interesses.

Aliás, desde a Segunda Guerra Mundial, quando conduziram duas guerras simultâneas, uma no Pacífico, outra no Atlântico, orientam o preparo de suas Forças para a realização de tarefa semelhante. Os soviéticos, por sua vez, desde que se entenderam superpotência, bem que tentaram desafiar o domínio do mar mantido pelos Estados Unidos e, classicamente, lançaram-se, de início, à produção de submarinos em larga escala, à semelhança do que sempre fizera a Alemanha para desafiar a supremacia naval britânica.

Posteriormente, passaram a desenvolver consideráveis forças de superfície, iniciando-se, inclusive, na guerra aeronaval, a despeito das dificuldades de acesso às “águas quentes”, que eram agravadas por tratado que proibia o trânsito de porta-aviões pelo Estreito de Bósforo, obrigando-os a produzir eufemismos como o Kiev, cruzador de batalha com capacidade para operar aeronaves V/STOL.

Antes, já havia produzido os porta-helicópteros da classe Moskva e, finalmente o Almirante Kuznetsov. Tudo indica que teriam prosseguido. Não fora o desmoronamento da URSS, quantos porta-aviões teriam hoje? Apenas um?

O GLOBO: Nosso país pleiteia uma cadeira permanente no Conselho de Segurança da ONU. Caso o Brasil consiga, o que muda nos planos de reequipamento da Marinha?

Marinha do Brasil: De imediato, nada muda nos planos da Marinha, porquanto não são vislumbradas, para o Poder Naval brasileiro, tarefas adicionais que requeiram capacidade superior à conferida pelo Programa de Reaparelhamento (PRM) em curso.

O GLOBO: Para a Marinha é melhor investir em submarinos ou em porta-aviões?

Marinha do Brasil: Em ambos. É preciso considerar que cada qual tem seu papel e, para o Brasil, ambos são indispensáveis. O submarino é, por excelência, o grande dissuasor, uma vez que sua capacidade de ocultação resulta em elevado grau de incerteza para o adversário, que, para compensá-la – com discutíveis chances —, tem que dispor de elevado número de meios para contrapor-se a um único submarino, tornando a razão custo/beneficio extremamente favorável ao último.

No entanto, o submarino, insuperável na tarefa de negar o uso do mar ao inimigo, isto é, impedir que ele controle determinada área marítima, explorando-a contra nossos interesses, torna-se mero coadjuvante na tarefa de controlar área marítima de nosso interesse.

Para tanto, é fundamental dispor-se de forças navais de superfície, particularmente, dotadas de porta-aviões. No caso do Brasil, e preciso considerar que o controle de área marítima, conforme conceituado na primeira resposta, é vital para evitar nosso colapso, porquanto mais de 95% do nosso comércio exterior é realizado por via marítima; estamos falando, entre importações e exportações, de mais de cento e vinte bilhões de dólares ao ano!

Neste século, fomos duas vezes à guerra em decorrência de ataques ao nosso tráfego marítimo, que é apenas parte dos nossos interesses no mar, de onde saem mais de 70% de nosso petróleo (cerca de cinco bilhões de dólares ao ano); sem mencionar a pesca e outras atividades. O significado vital desses interesses transforma-se em vulnerabilidade a ser defendida. Somente um Poder Naval consentâneo com a magnitude dos interesses pode garantí-los.

É claro que se impõem aqui considerações de outra ordem: qual a ameaça? Em situação de ameaça reduzida e até indefinida, como no presente, basta dispor de um poder capaz, não de derrotar qualquer inimigo, mas de garantir a dissuasão contra pressões militares, tornando mais atraente a via diplomática.

Para alcançar tal efeito desejado, entretanto, é fundamental que os meios disponíveis e o preparo do pessoal que os opera infundem credibilidade. Deve haver qualidade e incorporar tecnologia atualizada. Esta é a estratégia que norteou a elaboração do atual Plano de Reaparelhamento da Marinha e que contempla a existência de porta-aviões e aviação embarcada, que garanta a defesa aérea da força naval operando em alto-mar e o controle de área marítima de interesse.

O GLOBO: Na defesa do Brasil, o que seria mais eficiente? Porta-aviões ou aviões baseados em terra? Qual é a opinião da Marinha?

Marinha do Brasil: Ao estabelecer “Na defesa do Brasil…”, a pergunta fica um tanto vaga: refere-se ao território nacional ou aos interesses do país? Se ao território, de onde proviria a ameaça aérea? Se de um país vizinho – o que hoje parece ser mera abstração —, sem dúvida, teria que ser enfrentada por aeronaves baseadas em terra.

Entretanto, se a ameça for proveniente de aeronaves voando sobre o mar, a aviação embarcada poderá interceptá-las muito antes de entrarem no raio de ação da aviação baseada em terra. No mínimo, terá garantido o primeiro embate, reduzindo o ímpeto do ataque e aumentado as chances de êxito do esforço conjugado de ambas as aviações.

Além disso, somente a aviação embarcada pode garantir a defesa de uma força naval contra ataques aéreos em alto-mar. Considerar que a aviação baseada em terra possa fazê-lo, significa limitar a operação dos navios às cercanias das bases aéreas capazes de operar interceptadores e, levando-se em conta o tempo de reação entre detecção, acionamento, decolagem e interceptação, o conceito de “cercanias” pode ser de tal forma limitado que, na quase totalidade dos casos, terá eliminado a razão de ser da força naval, suprimindo-lhe a mais fundamental de suas características, a mobilidade.

O GLOBO: Quantos porta-aviões seriam necessários para um país do tamanho do Brasil?

Marinha do Brasil: Na verdade, não seria apenas o tamanho do país o fator a ser considerado. O mais importante é a tarefa a desempenhar. A Grã-Bretanha, com uma área menor do que a maioria dos nossos estados, possui três porta-aviões. Para a atual conjuntura brasileira, considerando-se, entre outros fatores, a estratégia de garantir um mínimo de dissuasão e as realidades econômicas e sociais do país, a Marinha considera essencial um porta-aviões. O desejável, pelo menos dois.

O GLOBO: Quais os aviões que a Marinha gostaria de comprar para o “Minas Gerais”?

Marinha do Brasil: Ao equipar o “Minas Gerais” com aviões de asa fixa, a Marinha pretende vencer uma etapa de um processo, qual seja, a consolidação da aviação embarcada. É imperioso, portanto, que a aeronave seja compatível com o propósito.

Não pode ser obsoleta e deve estar em uso em outros países, por um lado, para não violar os pressupostos da credibilidade e, por outro, para garantir a disponibilidade de peças de reposição; não pode apresentar elevado custo de obtenção, porque terão de ser adquiridas dentro do orçamento da própria Força, sem aporte de recursos extraordinários do Tesouro Nacional; não pode apresentar elevados custos de manutenção e tem que ser compatível com o porta-aviões disponível. Evidentemente, as opções não são muitas, mas existem.

O A-4 Skyhawk, que vem sendo citado em diversas reportagens, é, sem dúvida, uma delas.

O GLOBO: O “Minas Gerais” tem mais de 50 anos de idade. Quais são os planos da Marinha para substituí-lo?

Marinha do Brasil: Uma vez consolidada a aviação naval, com a operação, pela Marinha, de aeronaves de interceptação, a idéia da Marinha é substituí-lo por outro porta-aviões. Merece registro, contudo, o fato de que o “Minas Gerais” estar em serviço ativo há mais de 50 anos não constitui anomalia: os porta-aviões “USS Independence”, “USS Kitty Hawk” e “USS Constelation”, todos no serviço ativo na Marinha dos Estados Unidos, foram construídos na década de 1950, enquanto que o porta-aviões da Índia, o “Viraat”, é coevo do “Minas Gerais”.

O GLOBO: O Brasil tem capacidade para construir seu próprio porta-aviões ou terá de comprar um pronto?

Marinha do Brasil: O Brasil tem capacidade de projetar e construir seu próprio porta-aviões e, no momento, esta é a única alternativa contemplada pela Marinha. Nosso país já projeta e constrói navios de guerra, produzindo, inclusive, submarinos, meios que demandam a mais sofisticada tecnologia de construção naval.

O GLOBO: A maioria dos brasileiros acha que a possibilidade de o Brasil se envolver em uma guerra é muito remota, senão impossível. Como a Marinha fará para convencer a sociedade de que ela precisa se equipar?

Marinha do Brasil: A Marinha concorda que a possibilidade de o Brasil se envolver em uma guerra, na atual conjuntura internacional, é bastante remota; assim como era impensável, até poucos dias antes da ocorrência, a invasão das Malvinas, a invasão do Panamá, a invasão de Granada, a invasão do Kuwait, a Guerra da Bósnia e outros conflitos e surpresas do cotidiano internacional, como a inesperada queda do Muro de Berlim, por exemplo.

Há apenas quinze anos, nada disso havia acontecido. O que, na verdade, não muda o fato de que, no presente, o Brasil não consegue identificar nenhuma ameaça iminente. Entretanto, se por um lado não há ameaças, por outro, há interesses nacionais e, sendo a potência emergente do porte que é, dificilmente poderá o país continuar disputando espaços e mercados sem despertar antagonismos, dos quais, as pressões da Alca sobre o Mercosul são mero exemplo.

E, desde que o mundo é mundo, quer entre pessoas, quer entre nações, a origem dos conflitos está no choque de interesses. É claro que, como manda o bom figurino, os povos devem apelar sempre para a solução pacífica das controvérsias. Por outro lado, o recurso a tal expediente será tão mais atraente quanto menos convidativa a via militar.

Exemplo interessante ocorreu recentemente entre Canadá e Espanha, dois países do chamado Primeiro Mundo, ambos membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN): segundo o Canadá, a Espanha realizava pesca predatória em águas adjacentes aos bancos da Terranova. Esta alegava estar em águas internacionais, fora de qualquer jurisdição canadense.

O Canadá, certo ou errado, enviou navios de guerra para impedir a ação dos pesqueiros espanhóis e, assim, impor sua vontade. Como a Espanha também possui Marinha e enviou seus navios para a área do litígio, ambos concordaram que a mesa de negociação poderia levar a melhores resultados. A lição que fica é a de que, se a Espanha não dispusesse de Marinha, teria de submeter-se à pressão militar do Canadá.

Em 1963, o próprio Brasil viveu episódio semelhante com a França, que realizava pesca predatória da lagosta no litoral do nordeste brasileiro e, em resposta aos nossos protestos, enviou um navio de guerra para garantir a atividade dos pesqueiros.

A chegada da Esquadra brasileira à cena de ação, a despeito da impossibilidade de vencermos qualquer guerra contra a França, mudou o curso dos acontecimentos, levando a disputa para o foro diplomático adequado. Como observado nos exemplos, os conflitos surgem inesperadamente, como que do nada. Já as Forças Armadas, existem ou não.

Não há como improvisá-las. Um navio de guerra, por exemplo, uma vez tomada a decisão de obtê-lo, leva cerca de cinco anos, entre projeto, construção e aprestamento, para tê-lo pronto. A formação de pessoal, em todos os níveis, leva bem mais, enquanto que o desenvolvimento de uma adequada cultura de emprego é assunto para mais de século. Não é, absolutamente, um problema só nosso. É assim no mundo inteiro.

Quanto ao que foi apresentado na pergunta, isto é, como a Marinha fará para convencer a sociedade do que ela precisa, é realmente tarefa árdua, mas será que é problema só da Marinha, ou mesmo, das Forças Armadas convencer a sociedade?

Diferentemente do que é praticado no Brasil, a Defesa não é problema dos militares. É problema da nação, dos políticos, dos segmentos esclarecidos e de todas as camadas sociais.

A discussão desses assuntos deve, necessariamente envolver a todos, o que inclui, sobremodo, a Imprensa. Na visão da Marinha, a solicitação da presente entrevista, por parte deste jornal, reveste-se de especial significado, em razão do que, coloca-se, desde logo, à disposição para prestar, a qualquer tempo, todas as informações que venham a ser solicitadas.

NOTA DO EDITOR: pouco tempo depois desta entrevista, ainda em 1997, a Marinha do Brasil comprou do Kuwait 23 jatos de ataque A-4KU Skyhawk. Em 2001, foi comprado da França o porta-aviões PA Foch, que foi rebatizado como NAe São Paulo e permitiu a desativação do NAeL Minas Gerais.

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Modelo é destinado a intervenção maciça e rápida com soldados, helicópteros e tanques

Roberto Godoy

A Marinha do Brasil vai ter ao menos dois Navios de Múltiplos Propósitos, um conceito novo de navio autossuficiente. Cada um desses gigantes, grandes como dois campos de futebol e feitos para projetar poder naval, leva uma força completa de intervenção: soldados, tanques, helicópteros, lanchas, mísseis e hospital, mais um sofisticado centro de inteligência.

Cada unidade, de alta tecnologia, custa hoje entre US$ 600 milhões e US$ 750 milhões, no mercado internacional. É um programa ambicioso, contemplado no Plano de Articulação e Equipamento da Marinha (Paemb), ainda sem prazo definido. Em nota, o comandante da Força, almirante Júlio Moura Neto, disse que “o processo de aquisição depende da disponibilidade de recursos orçamentários, não tendo sido ainda selecionado um projeto específico”.

Os dois fornecedores mais importantes são os Estados Unidos, que mantêm uma frota variada de oito navios, e a França, que desenvolveu uma versão avançada, a classe Mistral. O governo da Rússia quer comprar quatro exemplares.

Embora apresentado como um lançador de ataques anfíbios, o conceito de múltiplo emprego aumenta a eficiência das operações de mobilização e deslocamento rápidos. Os meios devem permitir o lançamento acelerado de 900 a 1.400 combatentes, 280 veículos e 30 helicópteros, em cenários distantes até 5 mil quilômetros. O contingente e seus recursos precisam ter capacidade de atuar sem novo apoio por dez dias, em posições avançadas, a 100 quilômetros do local de desembarque. A principal alteração em relação ao esquema tradicional das ações anfíbias é a integração em um único centro embarcado.

Em missão, o supernavio exige cobertura aérea permanente por meio de aviões de caça, sob coordenação de uma aeronave de vigilância e alerta antecipado. No mar, uma flotilha de escolta cuida da proteção (veja infográfico).

O Navio de Múltiplos Propósitos é virtualmente autônomo. Além dos helicópteros, de dúzias de tanques, blindados sobre rodas, lanchas de desembarque de tropas e centenas de soldados, abriga um hospital com capacidade para executar cirurgias de grande complexidade. Na ponte principal, alta como um prédio de 15 andares, funciona uma sofisticada sala de situação com enlace eletrônico por satélite, de onde são tomadas as decisões de comando e processadas as informações de inteligência.

Frota de superfície. A prioridade de médio prazo da Marinha é, todavia, a renovação da frota de superfície. O ProSuper, nome do programa, compreende 11 navios, com investimentos estimados entre US$ 4 bilhões e US$ 6 bilhões. A fase atual é de consultas a empresas candidatas à parceria pretendida. Estão sobre a mesa de negociações ofertas da Itália, Reino Unido, Alemanha, Coreia e França. Esse primeiro estágio, com a escolha da parceria, pode sair até o fim do ano.

A primeira fragata ficará pronta entre 2018 e 2019 – a entrega do navio-patrulha ocorre 12 meses antes. Depois da seleção, a complexidade do processo exigirá um ano de discussões para ajuste da transferência de tecnologia, estabelecimento da rede de fornecedores e das compensações comerciais.

Plano completo. Há um ano, a Marinha apresentou aos empresários do setor um plano completo, abrangendo 61 navios de superfície, mais cinco submarinos, quatro de propulsão diesel-elétrica e um movido a energia nuclear. O horizonte dessas encomendas vai até 2030.

O pacote prioritário, definido como ProSuper, abrange cinco fragatas de 6 mil toneladas com capacidade stealth, de escapar à detecção eletrônica, quatro navios-patrulha oceânicos, de 1,8 mil toneladas, e um navio de apoio, de 22 mil toneladas, para transporte e transferência em alto mar de todo tipo de suprimentos.

A intenção da Marinha é que apenas a primeira fragata e o primeiro patrulheiro sejam construídos fora do País, embora com acompanhamento de técnicos e engenheiros brasileiros. Há grupos diretamente interessados em participar desse empreendimento. A Odebrecht Defesa e Tecnologia prepara os estaleiros da Enseada do Paraguaçu, na região metropolitana de Salvador, para disputar o ProSuper. A empresa, associada à francesa DCNS, está construindo em Itaguaí, no Rio, uma nova base naval e mais as instalações industriais de onde sairão os cinco submarinos do Prosub, encomendados por 6,7 bilhões. Os quatro primeiros, da classe Scorpéne, terão propulsão diesel-elétrica. O quinto será o primeiro, de um lote de seis unidades movidas a energia nuclear, que a Marinha quer produzir até 2047.

 

Para entender

O programa de reequipamento e reorganização da Defesa contempla Forças Armadas ágeis, especializadas e preparadas para cumprir missões expedicionárias. Nesse sentido, o advento dos Navios de Múltiplos Propósitos dá substância à teoria por meio de uma estrutura operacional que permite a mobilização rápida de um considerável contingente de combatentes, cerca de 900 militares, com acesso a helicópteros, tanques, lanchas e, sobretudo, a informações de inteligência, processadas a bordo.

FONTE: O Estado de São Paulo

Na próxima semana chega ao Brasil uma delegação dos EUA para preparar a visita do presidente Obama ao Brasil. Junto, virá uma comissão para negociar a venda dos caças Super Hornet.

A Marinha do Brasil também se reunirá com membros dessa comissão para ouvir a proposta. Comenta-se, extraoficialmente, que vários navios de guerra serão oferecidos para venda ao Brasil, por ótimo preço, como contrapartida pela venda dos caças. Os navios que estariam sendo oferecidos ao Brasil são:

  • Harpers Ferry (LSD-49)
  • Carter Hall (LSD-50)

  • Oscar Austin (DDG-79)
  • Roosevelt (DDG-80)
  • Howard (DDG-83)
  • Bulkeley (DDG-84)

As questões que logo surgem são: qual será o preço desses meios? Como seria o financiamento para obtenção? E a logística? Esses são navios caros para operar e manter, o Governo Federal garantiria os recursos?

Estas são perguntas que precisam ser respondidas tanto pelos americanos como pelo Governo Federal.

Por enquanto, nada está confirmado. Será necessário ouvir a proposta primeiro. O que se comenta é a reaproximação do atual Governo Federal com os EUA.

Com o adiamento da escolha dos futuros NaPaOc e Escoltas, devido ao corte no orçamento de 2011, esses meios navais poderiam beneficiar a MB, trazendo um poder de combate sem precedentes na América Latina.

Teremos outra grande oportunidade perdida?

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Este era o cronograma original de pagamentos para o Prosub. Com os cortes impostos pelo Governo, as parcelas provavelmente terão de ser renegociadas.

Barra de Cinco Pixels

  • 2009- Desembolso: R$ 2,108 bilhões (€ 753 milhões) Contrapartida da União
  • 2010- Início da construção do estaleiro e da Base Naval (até 2014)
  • Elaboração do Projeto dos submarinos convencionais
    Desembolso: R$ 2,314 bilhões (€ 826 milhões)
  • 2011- Início da construção do 1º submarino convencional (entrega em 2014)
    Início do projeto do submarino de propulsão nuclear (em projeto até 2014)
    Desembolso: R$ 2,165 bilhões (€ 773 milhões)
  • 2012- Desembolso: R$ 2,333 bilhões (€ 833 milhões)
  • 2013- Início da construção do 2º submarino convencional (entrega em 2017)
    Desembolso: R$ 2,315 bilhões (€ 827 milhões)
  • 2014- Entrega do estaleiro e da Base Naval
    Desembolso: R$ 1,769 bilhão (€ 632 milhões)
  • 2015- Entrega do 1º submarino convencional
    Conclusão do projeto do submarino de propulsão nuclear
    Início da construção da propulsão nuclear (até 2020)
    Início da construção do 3º submarino convencional (entrega em 2019)
    Desembolso: R$ 982 milhões (€ 351 milhões)
  • 2016- Início da construção do submarino de propulsão nuclear (até 2018)
    Desembolso: R$ 905 milhões (€ 323 milhões)
  • 2017- Entrega do 2º submarino convencional
    Início da construção do 4º submarino convencional (entrega em 2021)
    Desembolso: R$ 832 milhões (€ 297 milhões)
  • 2018- Desembolso: R$ 783 milhões (€ 280 milhões)
  • 2019- Entrega do 3º submarino convencional
    Desembolso: R$ 665 milhões (€ 238 milhões)
  • 2020- Conclusão da construção da propulsão nuclear
    Desembolso: R$ 555 milhões (€ 198 milhões)
  • 2021- Entrega do 4º e último submarino convencional
    Entrega do submarino de propulsão nuclear
    Desembolso: R$ 440 milhões (€ 157 milhões)
  • 2022- Desembolso: R$ 189 milhões (€ 67 milhões)
  • 2023- Desembolso: R$ 125 milhões (€ 45 milhões)
  • 2024- Desembolso Final: R$ 254 milhões (€ 91 milhões)

TOTALR$ 18,733 bilhões (€ 6,691 bilhões), que deveriam pagos pelo Tesouro até 2029.

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Em 2012, a Guerra das Malvinas fará 30 anos. Neste conflito em que forças aeronavais britânicas e argentinas disputaram o domínio daquele arquipélago, muitas lições foram aprendidas, paradigmas foram quebrados e doutrinas foram revistas.

A conflito ocorreu bem perto do Brasil, e nosso país chegou a se envolver indiretamente em alguns acontecimentos.

A Guerra das Malvinas mostrou que o nosso continente, embora “pacífico”, não está livre de conflitos convencionais e que poderemos voltar a tê-los no futuro.

Por ter sido travada eminentemente em ambiente marítimo, aquela guerra ensina muito ao Brasil e deveria ser objeto de estudo obrigatório tanto para militares quanto civis.

O Poder Naval trouxe desde o início matérias sobre as Malvinas, justamente para colaborar na disseminação de informações em língua portuguesa sobre o conflito.

Seguem os links das matérias mais importantes já publicadas pelo Poder Naval e Poder Aéreo sobre o tema. Recomendamos a todos os novos leitores que querem compreender mais o papel das forças navais e aeronavais na realização de objetivos político-estratégicos:

NOTA DO EDITOR: Temos notado que a maioria dos leitores que frequenta os bate-papos da Trilogia de Defesa sabe muito pouco sobre a Guerra das Malvinas e fica repetindo velhos mitos sobre o conflito. Precisamos fazer a “lição de casa” para não sermos injustos e repertimos, no futuro, os mesmos erros dos nossos irmãos argentinos.

BATE-PAPO ONLINE: Converse com outros leitores sobre a Guerra das Malvinas no ‘Xat’ do Poder Naval, clicando aqui.

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Renata Giraldi – Repórter da Agência Brasil

Brasília – O Brasil e a Argentina firmarão amanhã (14) um acordo na área de defesa estratégica. Os ministros da Defesa da Argentina, Arturo Puricelli, e do Brasil, Nelson Jobim, assinarão, em Buenos Aires, uma declaração conjunta na qual vão reafirmar a importância da relação estratégica entre os dois países. As informações são do Ministério da Defesa da Argentina (Nota do Poder Naval – para ler a nota original em espanhol, clique aqui)

Na passagem amanhã por Buenos Aires, Jobim visitará o Complexo Industrial Naval Argentino, onde vai conhecer de perto o Tandanor, considerado um dos maiores estaleiros de reparação naval da América do Sul, e a oficina de construção da Marinha.

A visita de Jobim ao país vizinho estava marcada para o mês passado. Mas, segundo a Embaixada da Argentina no Brasil, foi adiada a pedido do ministro em decorrência das enchentes e deslizamentos na região serrana do Rio de Janeiro. Na ocasião, o Ministério da Defesa foi um dos órgãos federais que deu apoio ao estado.

A declaração que será assinada por Jobim e Puricelli foi negociada pelas presidentas brasileira, Dilma Rousseff, e argentina, Cristina Kirchner, no último dia 31. Na primeira viagem de Dilma ao exterior, ela assinou 14 protocolos em diversas áreas – comercial, tecnologia, ciência, entre outras.

Segundo Dilma, a parceria com a Argentina é fundamental para o fortalecimento da América Latina. De acordo com a presidenta, o objetivo da sua gestão é reforçar os vínculos já existentes com o país vizinho para beneficiar o Brasil e a Argentina.

FONTE: Agência Brasil

FOTOS: Tandanor e JC Cicalesi/S Rivas

A Câmara aprovou nesta quinta-feira (10) acordo entre Brasil e França que prevê transferência de tecnologia para produção de submarinos. Uma aliança estratégica, fortalecida no governo Lula, levou os países a firmarem em 2009 contrato de cerca de R$ 20 bilhões para a fabricação de helicópteros, submarinos convencionais e um submarino de propulsão nuclear.

A etapa que passou pela Câmara custará em torno em R$ 3 bilhões e ainda será submetida ao Senado. O texto foi aprovado na forma do Projeto de Decreto Legislativo (PDC) 2912/10, da Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional.

OUTROS NEGÓCIOS

Em seu primeiro mês de mandato, Dilma pediu que o governo reavaliasse programas da Marinha. Para não desequilibrar a situação fiscal do país, Dilma decidiu rever a aquisição de 11 navios para patrulha oceânica, um negócio estimado em R$ 10 bilhões.

Outra novela que se prolonga é a compra de novos caças para integrar a frota da FAB (Força Aérea Brasileira).

Dada como provável durante o governo Lula, a compra do Rafale, caça francês, foi adiada pela presidente Dilma Rousseff.

Ela decidiu colher mais informações antes de fechar o negócio e chegou a sinalizar que o concorrente americano seria mais vantajoso para o país.

Também pesa contra o pacto Brasília-Paris o momento pouco oportuno, ante o corte de R$ 50 bilhões no Orçamento. O governo francês se diz confiante sobre as chances de finalizar a venda.

FONTE: Folha

SAIBA MAIS:

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O gráfico do International Institute for Strategic Studies (IISS) mostra que, enquanto as outras Marinhas diminuem o número do seus navios de guerra, a China aumenta.

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O Plano de Articulação e Equipamento da Marinha do Brasil (PAEMB) prevê investimentos de US$ 84,4 bilhões. Contudo, somente depois que o Projeto de Lei de Equipamento e Articulação da Defesa Nacional (PLEADN) for examinado, votado e aprovado pelo Congresso Nacional, a Estratégia Nacional de Defesa (END) e os documentos dela decorrentes passarão efetivamente a constituir políticas de Estado.


Caso o PAEMB seja totalmente executado, a distribuição dos meios navais e aeronavais ficará da seguinte forma:

A Primeira Esquadra, sediada no Rio de Janeiro, terá a seguinte dotação:

  • 01 Navio-aeródromo
  • 03 Navios de Propósitos Múltiplos
  • 18 Escoltas
  • 03 Navios de Apoio Logístico
  • 02 Rebocadores de alto-mar
  • 01 Navio Hospital
  • 03 Navio-transporte de Apoio
  • 06 Veículo de Desembarque de Colchão de Ar
  • 12 Embarcação de Desembarque de Carga Geral
  • 24 Embarcação de Desembarque de Viaturas Motorizadas

A Segunda Esquadra, situada no Norte/Nordeste, teria a seguinte dotação:

  • 01 Navio-aeródromo
  • 01 Navio de Propósitos Múltiplos
  • 12 Escoltas
  • 02 Navios de Apoio Logístico
  • 01 Rebocadores de alto-mar
  • 01 Navio de Socorro Submarino
  • 01 Navio-transporte de Apoio
  • 02 Veículo de Desembarque de Colchão de Ar
  • 04 Embarcação de Desembarque de Carga Geral
  • 08 Embarcação de Desembarque de Viaturas Motorizadas

Força de Submarinos, sediada em Itaguaí (RJ), teria a seguinte dotação:

  • 15 S-BR
  • 06 SN-BR
  • 04 Navio caça-minas
  • 01Navio de Socorro Submarino

Os meios aeronavais também seriam divididos em duas Esquadras. A primeira, em São Pedro da Aldeia (RJ), teria a seguinte dotação:

  • 24 Aviões de interdição e ataque de alto desempenho
  • 04 Aviões de Alarme aéreo antecipado
  • 04 Aviões de transporte administrativo e reabastecimento em voo
  • 04 Aviões de Vigilância de Superficie
  • 31 Helicópteros de Múltiplo emprego
  • 35 Helicópteros médios de emprego geral
  • 22 Helicópteros leves de emprego geral
  • 30 Helicópteros de instrução
  • 06 Veículos Aéreos Não-tripulados

A Força Aeronaval da Segunda Esquadra, situada no Norte/Nordeste, terá a seguinte dotação:

  • 24 Aviões de interdição e ataque de alto desempenho
  • 04 Aviões de Alarme aéreo antecipado
  • 04 Aviões de transporte administrativo e reabastecimento em voo
  • 04 Aviões de Vigilância de Superficie
  • 19 Helicópteros de Múltiplo emprego
  • 15 Helicópteros médios de emprego geral
  • 02 Helicópteros leves de emprego geral
  • 04 Veículos Aéreos Não-tripulados

O PAEMB pretende manter duas divisões anfíbias, uma no Rio de Janeiro e outra no Norte/Nordeste

A Primeira Divisão Anfíbia teria a seguinte dotação:

  • 52 Carros de Lagarta Anfibio
  • 17 Carros de Combate
  • 54 Viaturas Blindadas de Transporte de Pessoal sobre rodas
  • 54 Viaturas Blindadas de Transporte de Pessoal sobre Lagartas
  • 18 Obuseiros de 105 mm
  • 06 Obuseiros de 155 mm
  • 01 Lançador Múltiplo de Foguetes
  • 01 Sistema de Defesa Antiaérea
  • 01 Sistema de Guerra Eletrônica
  • 03 Pontes Modulares
  • 30 VANT

A Segunda Divisão Anfíbia teria a seguinte dotação:

  • 26 Carros de Lagarta Anfibio
  • 09 Carros de Combate
  • 18 Viaturas Blindadas de Transporte de Pessoal sobre rodas
  • 18 Viaturas Blindadas de Transporte de Pessoal sobre Lagartas
  • 12 Obuseiros de 105 mm
  • 01 Sistema de Defesa Antiaérea
  • 01 Sistema de Guerra Eletrônica
  • 01 Pontes Modulares
  • 08 VANT
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