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A agência de notícias RIA Novosti anunciou que o ministério da defesa da Rússia estaria interessado em adquirir submarinos alemães, da classe U212.

A agência informou que a construção de submarinos convencionais Project 677 (classe “Lada”) na Rússia está muito atrasada por causa de sérios problemas de projeto e que esta seria uma solução para cobrir a lacuna.

A Rússia também estaria buscando conhecer novas tecnologias, principalmente a AIP fuel cell, usada nos U212/214.

A dúvida é se a Alemanha estará disposta a ceder este tipo de tecnologia para a Rússia…

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07_mvg_sarkozyelula2vinheta-clipping-navalBRASÍLIA – O presidente francês, Nicolas Sarkozy, assistiu nesta segunda-feira o desfile de 7 de Setembro na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, como convidado de honra. Ele chegou ao Brasil na noite de domingo para assinar uma série de acordos com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva com o objetivo de fabricar submarinos e helicópteros com tecnologia francesa.

Pelo acordo, a Marinha brasileira vai aprender com os franceses a construir um submarino movido a energia nuclear. Na compra também estão incluídos quatro submarinos convencionais e uma frota de helicópteros para Força Área. Mas dessa visita ainda pode sair outro negócio de bilhões de reais.

Em entrevista à imprensa francesa, o presidente Lula confirmou o favoritismo dos caças franceses. Disse que as negociações para a compra dos aviões caça para a Força Aérea estão adiantadas, com uma condição:

- Para nós, a compra dos caças tem um componente que para o Brasil é sagrado: transferência de tecnologia e possibilidade de produzir partes do avião no Brasil.

O acordo de cooperação militar que os presidentes da França e do Brasil formalizam nesta segunda dá início ao ambicioso programa de reaparelhamento das Forças Armadas. Até 2020 o Brasil terá a maior e mais poderosa força naval da América Latina, equipada com submarinos, fragatas, navios leves, corvetas – um volume estimado em 35 unidades – além de mísseis de longo alcance, torpedos, aviões e helicópteros de tecnologia avançada.

Lula e Sarkozy devem assinar o acordo logo após o desfile na Esplanada dos Ministérios. O desfile começou às 9h. Lula chegou no Rolls Royce presidencial, acompanhado de sua mulher Marisa Letícia, depois de passar em revista as tropas. Logo depois o presidente seguiu para a tribuna de honra, localizada nas imediações do Ministério da Defesa, para as honras militares. Cerca de 3,6 mil pessoas participam do desfile, que tem um público estimado 50 mil pessoas.

FONTE: O Globo / FOTO: AFP

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Atraso na construção dos “Scorpène” complica situação da Marinha Indiana

vinheta-clipping-navalA burocracia da Índia nos contratos de aquisição de armas tem sido considerada a culpada pelo atraso e aumento nos custos na construção dos seis submarinos diesel-elétricos da classe “Scorpène” francesa. Atualmente, o projeto está com dois anos de atraso.

E o atraso é ainda maior se for levado em consideração os vários anos que os burocratas indianos adiaram a decisão de compra. Os atrasos vão custar à Índia meio bilhão de dólares, para um programa que tinha um custo inicial previsto de US$ 4 bilhões.

Há uma certa urgência na construção dos “Scorpène”, porque em 2012, cinco dos atuais 16 submarinos da Índia (10 “Kilo”, dois da classe “Foxtrot” russa e quatro IKL209-1500) serão aposentados (alguns já estão semi-aposentados devido à idade e avarias). Em 2014, a Índia terá apenas cinco submarinos em operação.

Foi somente em 2005 que a Índia assinou um acordo para comprar seis submarinos franceses
“Scorpène”, de propulsão diesel-elétrica e problemas têm ocorrido. O primeiro “Scorpène” deveria entrar em serviço em 2012, com cada unidade custando cerca de US$ 500 milhões. Mas os problemas políticos e de gestão atrasaram a data de entrega por dois anos, e elevaram o preço por unidade em mais de US$ 100 milhões.

Os franceses elevaram os preços de alguns componentes-chave, e a Índia tem tido alguns problemas de produção. O primeiro submarino era para ser construído na França, com os outros cinco construídos na Índia.

Os “Scorpène” são semelhantes aos “Agosta 90B” (também franceses) que o Paquistão comprou. O primeiro dos “Agosta” foi construído na França, mas os outros dois foram construídos no Paquistão. O terceiro “Agosta” paquistanês foi atrasado em mais de um ano porque terroristas islâmicos teriam matado alguns dos engenheiros franceses que trabalhavam no projeto.

A compra dos “Scorpène” pela Índia foi vista como uma resposta ao “Agosta” paquistaneses.
Os dois projetos são semelhantes, com o “Scorpène” sendo mais recente (resultado da cooperação entre franceses e espanhóis).

O “Agosta” desloca 1.500t (na superfície), com uma tripulação de 36 homens e quatro tubos lança-torpedos de 21 polegadas (com 20 torpedos e / ou mísseis anti-navio). O “Scorpène” é um pouco mais pesado (1.700 toneladas), tem tripulação menor (32) e é mais rápido sob a água. Ele tem seis tubos lança-torpedos de 21 polegadas, e transporta 18 torpedos e / ou mísseis.

Agosta A90

Submarinos com AIP

Ambos os submarinos podem ser equipados com um sistema AIP (air independent propulsion), propulsão independente da atmosfera. Este sistema permite aos submarinos permanecerem totalmente submersos durante semanas, tornando-os difíceis de detectar. Com AIP um submarino pode navegar sob a água durante semanas, a velocidades de 5 a 10km/h. Os paquistaneses tem a opção de fazer o retrofit em dois dos seus submarinos “Agosta”.

Ambos os submarinos são armas letais contra navios de superfície. Com tripulações bem treinadas, “Agostas” e “Scorpènes”  podem se aproximar de qualquer navio de superfície, não importa quão boas sejam suas defesas anti-submarino.

Mas os submarinos com AIP são os verdadeiros matadores. Sem AIP, submarinos diesel-elétricos passam parte do tempo usando seus motores diesel para recarregar suas baterias (utilizando o dispositivo snorkel, que é içado até a superfície para aspirar oxigênio e liberar os gases da combustão dos motores).

Mas o snorkel pode ser detectado por modernas aeronaves de patrulha marítima e tanto a Índia quanto o Paquistão estão adquirindo mais delas. A introdução dos “Agostas” e “Scorpènes” tem sido vista como uma escalada na corrida armamentista entre as duas nações.

Enquanto a Índia estava preocupada com a Marinha do Paquistão quando o contrato dos Scorpène foi negociado e fechado, a China agora é vista como o adversário principal. Os submarinos chineses não são tão efetivos quando os do Paquistão, por causa da tecnologia menos avançada e tripulações menos treinadas.

A Índia poderia usar seus Scorpène para confrontar qualquer tentativa da China em expandir sua presença naval no Oceano Índico. Por isso os atrasos e o aumento de custos dos Scorpène estão causando muita preocupação na Índia. Mas no atual ritmo, a Índia terá daqui a 10 anos os seis Scorpène em serviço, com cerca de 12 submarinos em atividade no total, incluindo submarinos nucleares.

A China terá cerca de 60 submarinos, sendo 20% deles de propulsão nuclear.

FONTE: Maritime Press Clippings 2009 – 245 / Strategy Page

SAIBA MAIS:

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vinheta-clipping-navalA construção, pela Marinha do Brasil, de quatro submarinos convencionais baseados no Scorpène e de um submarino movido a propulsão nuclear, a partir de acordo estratégico assinado com a França, fortalecerá a proteção das riquezas marítimas brasileiras, principalmente as reservas petrolíferas. A avaliação foi feita a parlamentares pelo ministro da Defesa, Nelson Jobim, em exposições nas comissões de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado (28/8) e da Câmara (27/8).Segundo Jobim, essa capacitação colocará o Brasil no seleto clube de cinco países que conseguem projetar, construir e operar submarinos de propulsão nuclear: Estados Unidos, Reino Unido, França, Rússia e China. Com esse submarino, o Brasil terá equipamento dissuasório fundamental para garantir a defesa pró-ativa das águas jurisdicionais brasileiras.

“Estamos a caminho de termos uma capacidade dissuasória absolutamente necessária considerando que o Brasil tem riquezas no pré-sal e no solo marinho”, disse o ministro. O submarino de propulsão nuclear é mais veloz (movimenta-se a uma velocidade de até 65,52 Km/h, sendo que o convencional desenvolve até 11,232 Km/h), pode imergir por tempo indeterminado e alcança vastas áreas geográficas.

A diferença entre o Brasil e os países que já fabricam submarinos de propulsão nuclear, ressaltou o ministro, é que eles equipam seus submarinos com armas nucleares, o que não acontecerá no Brasil. “O Brasil tem uma proibição constitucional de construir e usar armas nucleares. Os armamentos que utilizaremos no submarino serão convencionais. Nós não vamos utilizar e não vamos produzir armas nucleares”, assegurou o ministro.

Ele explicou que o enriquecimento do urânio que é feito pela Marinha do Brasil no Centro de Aramar, em Iperó (SP), é destinado ao reator que dará a propulsão nuclear do submarino e aos reatores nucleares que serão construídos pelo Brasil para a geração de energia elétrica.

O ministro explicou aos senadores que a Estratégia Nacional de Defesa (END) definiu como objetivos estratégicos de atuação da Marinha do Brasil a negação do uso do mar, o controle de áreas marítimas e a projeção de poder. Esses objetivos têm como foco: a defesa pró-ativa das plataformas petrolíferas; a defesa pró-ativa das instalações navais e portuárias, dos arquipélagos e das ilhas oceânicas nas águas jurisdicionais brasileiras e prontidão para responder a qualquer ameaça às vias marítimas de comércio.

Para assegurar o cumprimento desses objetivos a Marinha precisa reforçar seus meios, como a criação de batalhões e esquadras, compras de aviões, helicópteros e também a construção dos submarinos. “Esses equipamentos decorrem do fortalecimento do poder naval e das diretrizes para a Marinha traçadas na Estratégia”, disse Jobim.

Jobim explicou que o contrato que será assinado com a França em 7 de setembro, em decorrência do acordo já firmado, prevê a construção de quatro submarinos convencionais do tipo Scorpène e a construção de todas as partes não nucleares (casco resistente, sistema de controle de imersão, sensores, moto elétrico de propulsão etc) do submarino de propulsão nuclear. “A negociação com os franceses é exclusivamente da parte não nuclear, tudo com transferência de tecnologia para o Brasil. A parte nuclear é nossa. É o combustível e o reator”, disse Jobim.

A construção da seção de proa (tubos de torpedos) do primeiro submarino convencional será feita, na França, por técnicos da empresa francesa DCNS acompanhados de técnicos brasileiros da Marinha. As demais seções do primeiro submarino e todas as seções dos outros quatro submarinos serão feitas no Brasil, pela Marinha com assessores da DCNS.

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O acordo prevê ainda a construção de um estaleiro e de uma base em Itaguaí, no Rio de Janeiro, pelo Consórcio Baía de Sepetiba, formado pela DCNS e a Construtora Odebrecht. A operação do estaleiro e a construção e manutenção dos submarinos ficarão com uma Sociedade de Propósito Específico (SPE) a ser constituída pela Odebrecht (50%), pela DCNS (49%) e pelo governo federal (1%). A União terá “golden share” nessa SPE e participará do Conselho de Administração. Mas desde o início, o patrimônio do estaleiro e da Base serão da União.

O projeto dos submarinos custará 6,690 bilhões de euros e a previsão é que eles estejam concluídos em 2021. O primeiro submarino convencional deverá estar pronto em 2015. A operação de crédito que financiará o projeto dos submarinos será feita por um consórcio formado pelas instituições financeiras BNP Paribas S.A, Société Générale, Santander S.A, Calyon S.A, Credit Industriel Et Commerciel Natixis e Santander.

Na quarta-feira (26/08) o presidente Lula enviou ao Senado a mensagem de número 169 solicitando a autorização da contratação de operação de crédito no valor 4,324 bilhões de euros entre o Brasil e as instituições financeiras que formam o consórcio. O restante dos recursos virá do Orçamento Geral da União. (veja o detalhamento da operação financeira na apresentação feita pelo ministro).

Jobim ressaltou que a principal diferença entre o acordo com os franceses e o assinado na década em 1993 com os alemães para a construção dos submarinos Tikuna é que os franceses vão transferir, não apenas a tecnologia de construção, mas também a de projeto, entre outras.

O Brasil firmou o acordo com a França para a construção do submarino a propulsão nuclear por que este foi o único país que aceitou fazer a transferência de tecnologia. O acordo teria que ser feito com um país que produzisse os dois tipos de submarino, o convencional e o nuclear. Isso para que nossos técnicos pudessem absorver a tecnologia -tanto de projeto quanto de construção- durante a execução dos submarinos convencionais. Somente Rússia e França fabricam os dois tipos, mas os russos não aceitaram transferir tecnologia.

A Alemanha, além de não ter tecnologia de submarinos de propulsão nuclear, já em 1983 não se dispôs a transferir ao Brasil a tecnologia de projeto dos convencionais. “O projeto de 1983 foi inteiramente elaborado na Alemanha, sem participação de técnicos brasileiros. Não aprendemos a projetar os submarinos e nem a fazer a manutenção das partes sensíveis. Tudo foi feito pelos alemães. Não houve qualquer transferência de tecnologia”, argumentou Jobim.

FONTE: Ministério da Defesa

A dimensão militar da pré-sal

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Carlos Tautz

Em breve, o governo apresenta o novo marco regulatório para explorar a camada pré-sal sem ter estimulado o debate público sobre as graves implicações de o Brasil se transformar em um dos maiores produtores mundiais de óleo. A história prova que integrar o grande jogo mundial do petróleo gera repercussões geopolíticas, militares e financeiras globais.

Porém, a informação de que petróleo e guerra necessariamente andam juntos está sendo escamoteada pelo discurso ufanista de que os recursos advindos da exploração do petróleo resolverão todos as injustiças sociais que marcam a trajetória do povo brasileiro. Falta a grandeza dos estadistas para tornar público o debate sobre os rumos que esta nação deseja para si. A mobilização em torno da institucionalidade do pré-sal seria um ótimo momento para fazê-lo.

Explorar estas reservas, que podem chegar à onírica marca dos 100 bilhões de baris de óleo de excelente qualidade, não vai apenas garantir o ingresso de centenas de bilhões de dólares para o Estado brasileiro. Petróleo não é uma mercadoria como outra qualquer. Fundamentalmente, ele é o principal energético utilizado no mundo e tudo que o envolve impacta as finanças internacionais, podendo gerar crises de resultados imprevisíveis.

A exploração desta riqueza nos dará a responsabilidade de integrar o reduzido grupo de nações que definem os rumos de toda a humanidade. Teremos bônus e ônus decorrentes da condição de grande jogador e precisamos ter ciência e consciência do que isto representa. Mas, quantas pessoas sabem disso?

Ter reservas extraordinárias de petróleo e exportá-las mundo afora exige vontade de Nação de usar capacidade militar para garantir os canais de comercialização do óleo em qualquer parte do mundo. Frequentemente estaremos em guerra e seremos convocados a intervir com força sempre que nosso petróleo estiver ameaçado.

Essa é a lógica desse setor, estimulada inclusive porque as indústrias militar e de petróleo são interconectadas. Fazer guerra para garantir o óleo dá um enorme ganho de escala ao seleto grupo de empresas como a estadunidense Halliburton, que lucram em ambos os lados do problema e chegam a influenciar eleições presidenciais.

A defesa e a exploração da pré-sal, além da exportação em larga de óleo, abre espaço para que alguém reivindique a adoção pelo Brasil de capacidade atômica para dissuadir outros atores internacionais interessados em projetar o seu próprio poder sobre nossas reservas, meios de transporte e armazenamento de petróleo (cerca de 2/3 do petróleo brasileiro já são armazenadas nos navios da Petrobras, o que coloca a suscita o desenvolvimento de submarinos atômicos).

Seguindo a lógica do petróleo&guerra, teríamos até de modificar a Constituição para permitir a adoção do poder atômico militar pelo País.Eventualmente, mesmo a ratificação do Tratado de Não Proliferação de Armas Atômicas seria questionada.

É isso o que realmente desejamos?

Só para se ter uma idéia do terreno que estamos adentrando. Nos anos 1980, os EUA pressionaram legal e também ilegalmente os grandes em níveis baixos os preços do produto. O objetivo era enfraquecer economicamente a então União Soviética, que tinha na exportação de gás natural e petróleo sua maior fonte de divisas internacionais, e que a duras penas conseguia até aquele momento rivalizar militarmente com os americanos.

Com os preços mantidos artificialmente em baixa durante anos, devido à grande disponibilidade no mercado internacional, o ingresso de moedas fortes para os soviéticos caiu e, com ele, a própria URSS se desmanchou em 1991.

Além do aumento das emissões de gases causadores do Efeito Estufa (uma contradição com a aposta no etanol) a discussão sobre a dimensão militar da pré-sal é tão difícil quanto urgente. O Brasil está às vésperas de tomar decisões que terão impacto sobre a atual e as futuras gerações de brasileiros, mas nenhuma instituição se dispõe à trabalhosa e inadiável tarefa de ouvir o povo brasileiro.

Carlos Tautz é jornalista

FONTE: Blog do Noblat

NOTA DO BLOG: Como diz o ditado, “quem está na chuva é pra se molhar”. Não sabemos o que quis dizer exatamente o colega jornalista com relação à dimensão militar do Pré-Sal, mas se o povo brasileiro for consultado, certamente não será a favor do sucateamento das Forças Armadas brasileiras.

Para ser um grande jogador no cenário internacional, o Brasil precisa aumentar o seu poder de dissuasão e não o contrário.

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vinheta-destaqueDurante os anos que permearam as relações político-nucleares entre Brasil e EUA, no período que se estende da década 40 até a década de 60, o Governo brasileiro pouco pôde atuar no campo da energia nuclear. Já no final da década de 60, o Presidente da República Costa e Silva apoiou e incentivou a idéia da capacitação tecnológica do Brasil por meio da energia nuclear, tendo continuação no Governo Médici e a concretização no Governo Geisel com o Acordo Nuclear Brasil – Alemanha, em 1975.

O que torna ano de 1975 tão especial para a política nuclear brasileira é que foi a primeira vez que o Brasil conseguiu dar seqüência a um ambicioso projeto de Estado rumo a capacitação tecnológica no campo da atividade nuclear, sem a intervenção norte-americana.

“Senso de responsabilidade como grande Nação adulta cuja voz já se faz ouvir, espírito de sadia colaboração, abertos aos problemas ecumênicos da paz e do progresso, convicção do dever de participar também da ajuda mútua entre os povos, crença na solidariedade continental que se alicerça no imperativo geográfico e na história de vários séculos – devem inspirar-lhe o roteiro a seguir, neste mundo intranqüilo e perplexo de nossos dias. Mundo em rearticulação crítica para novo sistema multipolar de equilíbrio de forças, sob a ameaça do terror nuclear ainda bipolarizado, em face do surgimento no cenário dantes restrito aos Estados-nações, de novos protagonistas singulares, as grandes empresas multinacionais – cujo potencial para o bem, ou talvez para o mal, ainda não nos é dado a avaliar”. Geisel

O discurso de Geisel, enquanto candidato a presidência da República e a sua aprovação no Congresso Nacional como Presidente da República no ano de 1974, demonstra que o Governo brasileiro já estava, na década de 70, pronto a promover a capacitação tecnológica para o Estado brasileiro. Geisel deu início a sua plataforma presidencial sob o lema Desenvolvimento e Segurança e a sua estratégia se fundamentava no caráter do desenvolvimento social, criando condições para a ação e a concretização da política anterior, caracterizada pela racionalidade. Embora o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) tenha sido criado pelo Governo Vargas, é somente com Geisel que o Governo brasileiro consegue pôr em prática sua estratégia de capacitar o Brasil por meio da atividade nuclear.

A idéia inicial do Governo na propulsão nuclear era analisar experimentalmente o funcionamento do reator nuclear do navio alemão Otto Hann (na foto, em visita ao Rio de Janeiro) com a participação de brasileiros como expectadores do processo.

Em nenhum momento o Governo brasileiro levantou a hipótese de obter a propulsão nuclear para fins bélicos e havia a constante preocupação das autoridades brasileiras em esclarecer aos órgãos internacionais e os EUA as finalidades científicas e tecnológicas de suas negociações com a República Federal da Alemanha.

O objetivo, segundo o Subchefe do Gabinete do Ministro da Marinha, Comandante Armando Amorim Ferreira Vidigal, era iniciar com medidas objetivas, porém cautelosas, a participação brasileira nas atividades da propulsão marítima nuclear objetivando uma gradativa e constante absorção de tecnologia.

O presidente Geisel entrevistou autoridades estatais para verificar as possibilidades de o Governo brasileiro pôr em prática sua estratégia, comunicando-se com a Superintendência da Marinha Mercante (Sunamam), as Empresas Nucleares Brasileiras (Nuclebrás), e a Marinha de Guerra. Ambas se apresentaram muito solícitas em trabalhar em conjunto com o Governo para legitimar as ações do Estado, ou seja, sua grande estratégia.

Até, então, a opinião pública acreditava que o Governo havia se interessado pela energia nuclear em função da crise do petróleo de 1973, mas o interesse do Governo brasileiro em entrar na era nuclear no final da década de 60 nasceu da conscientização das autoridades políticas brasileiras em não mais poder contar com a ajuda econômica e os financiamentos norte-americanos. Embora não houvesse uma formalização desta compreensão, o Brasil fortaleceu seu desejo de modernizar-se por meio da era nuclear com contatos com a República Federal da Alemanha (RFA).

Em 9 de junho de 1969, Brasil e RFA assinaram o Acordo de Cooperação em Pesquisa Científica e Desenvolvimento Tecnológico. A cooperação se efetivaria nas áreas da pesquisa atômica, prospecção de urânio, a pesquisa aérea e espacial, a pesquisa oceanográfica, de documentação científica e a constituição de um banco de dados.

“No caso brasileiro poderíamos pensar em um navio auxiliar da Marinha de Guerra, como seria o caso de um navio de pesquisas oceanográficas, como nosso primeiro navio nuclear, a longo prazo.” Dr. Hanschild

A idéia sugerida que se tinha até meados da década de 70 era construir um navio oceanográfico, por meio da observação experimental do navio alemão de propulsão nuclear Otto Hahn. Assim, este navio auxiliaria o Estado a formular a grande estratégia como um instrumento do poder político na absorção de conhecimento e tecnologia nuclear, e satisfaria a necessidade da Marinha de Guerra na defesa marítima e naval, precavendo o Estado de possíveis ameaças como supôs Geisel em seu discurso ao sugerir as grandes multinacionais como ameaças à ordem nacional.

Foram realizadas neste período várias visitas e reuniões entre os governos brasileiro e alemão. Em 24 de setembro de 1976, a bordo do Ns Otto Hann, as autoridades brasileiras se reuniram com as autoridades alemãs a fim de discutir os rumos da propulsão nuclear para o Brasil. A Interatom era a empresa alemã que fabricou o reator nuclear do navio alemão Otto Hann, navio que serviria de palco para a absorção de conhecimento de técnicos e engenheiros brasileiros. Esta empresa seria sócia da Nuclebrás na fábrica de enriquecimento que seria construída no Brasil. Nesta reunião, o Diretor da Interatom suscitou a hipótese de um trabalho conjunto para a produção no Brasil de uma frota de submarinos nucleares.

Em nenhum dos documentos analisados verificou-se a iniciativa dos órgãos estatais brasileiros em conceber e/ou projetar o submarino de propulsão nuclear para o Brasil. Foram os alemães que sugeriram às autoridades brasileiras construir submarinos nucleares que pudessem atender as expectativas dos órgãos envolvidos.

FONTE: Corrêa, Fernanda das Graças – O submarino de propulsão nuclear e a estratégia nacionalE-premissas, revista de estudos estratégicos, Nº 03 – Janeiro/junho – 2008, UNICAMP

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A volta do militarismo

MARCOS NOBRE

vinheta-clipping-navalNÃO FOSSE por Janio de Freitas e José Meirelles Passos, nem sequer haveria discussão pública sobre a aquisição de submarinos da França ao preço de 6,8 bilhões. Apesar da oscilação das explicações e da visível má vontade do Ministério da Defesa em prestar contas da decisão, o fato é que as justificativas apareceram.

Essa é uma discussão que precisa ir ainda mais longe. Porque uma escalada militarista está em curso.

Não é casual que o contrato com a França vá ser assinado no próximo dia 7 de setembro. Não é casual que o Brasil aposte no fortalecimento da Unasul e, principalmente, em uma estratégia comum de defesa dos países sul-americanos.

Existe hoje uma ampla aliança de antiamericanismo e nacionalismo como talvez só se tenha visto nos idos de 1960. Tudo indica que as Forças Armadas conseguiram fincar no coração do sistema político a sua duradoura convicção: a da necessidade de dar ao Brasil um poderio bélico que lhe garanta uma incontestável posição de hegemonia militar na América do Sul.

Sempre quiseram uma indústria bélica nacional forte, embora não tenham conseguido isso nem em 20 anos de ditadura militar. Os desenvolvimentistas fecham com a ideia. O Itamaraty quer de qualquer maneira um assento no Conselho de Segurança da ONU.

A contrapartida institucional interna desse projeto está na nova Estratégia Nacional de Defesa, em exame no Congresso. Segundo a proposta, Marinha e Aeronáutica passarão a ter, em casos específicos, poderes de polícia. Mais significativo ainda, cria-se no Ministério da Defesa uma nova secretaria dedicada exclusivamente à compra de armamentos.

Nesse projeto de longo prazo, os recursos das jazidas de petróleo acabarão servindo para aumentar de maneira espetacular o orçamento militar. O próprio Lula já disse que parte do fundo que virá do pré-sal deve ir para a Marinha.

Se essa velha aliança tiver continuidade nos próximos governos, os problemas não vão ser poucos.

Em relação ao passado, esse acordão vai brindar o aniversário de 30 anos da Lei de Anistia com o enterro definitivo das atrocidades da ditadura militar, de que a encenação patética da busca de corpos de guerrilheiros no Araguaia é apenas o começo.

No presente, ela significa, por exemplo, a infâmia de o Brasil se recusar a assinar o tratado contra bombas de fragmentação.

No futuro, teremos uma América Latina pobre e instável diante de uma corrida armamentista sem precedentes, que irá consumir recursos preciosos que deveriam ser destinados a combater suas desigualdades.

FONTE: Folha de São Paulo

NOTA DO BLOG: Esse texto da Folha mostra infelizmente o tipo de pensamento que ainda existe entre alguns jornalistas da grande mídia. Quando perceberão que o avanço do país está ligado diretamente à organização, reaparelhamento, melhoria e eficiência de suas Forças Armadas e não ao seu sucateamento?

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Companhias estrangeiras elaboram documento para tentar influenciar a discussão da nova Lei do Petróleo no Congresso

Governo, que quer mudar lei para ficar com fatia maior das reservas, diz que estudo sigiloso da Petrobras reitera o potencial do pré-sal

vinheta-clipping-navalInsatisfeitas com o desenho da nova Lei do Petróleo, empresas estrangeiras produziram um documento em que lançam dúvidas sobre os riscos de explorar petróleo no pré-sal.

Intitulado “Risco zero no pré-sal: fato e ficção”, o texto foi elaborado por técnicos de duas petrolíferas internacionais para subsidiar seus diretores a influenciar a discussão da proposta do governo, que terá de ser aprovada no Congresso.

O texto diz que “é preciso e urgente confrontar a versão do “risco zero” propalada pelo governo Lula, com amparo da Petrobras”. Acrescenta que o pré-sal é “um velho conhecido da indústria petrolífera, que, até a descoberta [do campo] de Tupi, tem desempenhado papel secundário do ponto de vista de sua capacidade de produção comercial”. Em conversas reservadas, a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) costuma rebater esse discurso citando que o governo tem um estudo “confidencial e sigiloso” da Petrobras mostrando o potencial da área.

A quem pede acesso ao estudo, ela nega sob o argumento de que o vazamento dele influenciaria o mercado de ações.

Inicialmente, especialistas chegaram a apontar reservas de até 100 bilhões de barris no pré-sal. Um dos números com que o governo trabalha é de 50 bilhões de barris. Atualmente, as reservas brasileiras são de cerca de 14 bilhões de barris.

Nos últimos três anos, o sucesso na exploração do pré-sal -30 poços perfurados pela Petrobras e suas sócias, 87% com indícios de hidrocarboneto- reforçou o “risco zero”. Para o governo, mudar as regras é uma forma de assegurar à União uma fatia maior nas reservas.

O documento das petrolíferas lembra que, no pré-sal brasileiro, foram perfurados 150 poços entre os anos 70 e 90, com taxa de sucesso de 25%. E que os reservatórios que produziram em quantidade satisfatória não chegavam a 10%.

As empresas ressaltam, ainda, que o petróleo do pré-sal em voga nos dias de hoje está em rochas ainda pouco conhecidas -as carbonáticas-, mais especificamente na bacia de Santos. Além disso, elas alegam que ainda é cedo para afirmar que a produção de petróleo terá padrão semelhante em toda a região, porque faltam testes.

Os estudos geológicos indicam que as rochas carbonáticas se encontram em uma faixa distante 300 quilômetros da costa, sob uma camada de sal de dois quilômetros de espessura, cerca de seis quilômetros sob o fundo do mar, entre o Espírito Santo e Santa Catarina.

Por enquanto, apenas um poço de Tupi, do pré-sal de Santos, entrou em teste de produção. Nele, as estimativas são de reservas de 5 bilhões a 8 bilhões de barris. O teste, iniciado em maio, foi interrompido em julho por problemas técnicos.

Ex-funcionários da Petrobras, onde trabalharam por mais de 30 anos, os geólogos Wagner Freire e Giuseppe Bacoccoli discordam da tese “risco zero”. Para Freire, não há como garantir sucesso apenas por analogia geológica.

“As rochas carbonáticas são muito imprevisíveis. Dois reservatórios próximos nessas rochas podem ter características de porosidade e permeabilidade muito distintas. São esses aspectos que determinam a facilidade de o petróleo sair ou não”, explica Freire.

Bacoccoli acompanhou as perfurações nos anos 70 e 80 mencionadas no documento das petrolíferas. Segundo ele, é impossível concluir que não há risco nas áreas do pré-sal não perfuradas. “O sucesso nas perfurações feitas até agora foi usado politicamente para mudar as regras do jogo.”

FONTE
: Folha de S.Paulo

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vinheta-clipping-navalO contra-almirante Antônio Carlos Frade Carneiro, coordenador do programa de reaparelhamento da Marinha do Brasil revelou, durante o primeiro dia da conferência da Navalshore 2009, ontem (19), que o ministro da Defesa, Nelson Jobim, irá apresentar o ambicioso programa de reaparelhamento da Marinha à presidência da República amanhã (21).
Os planos poderão ser reprovados, aprovados ou aprovados parcialmente.

Eisa ganha licitação para a construção do segundo lote de navios patrulha da Marinha

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O almirante Frade anunciou também que a licitação do segundo lote de navios patrulha foi vencida pelo Estaleiro Ilha S.A (Eisa) – quatro navios patrulha de 500 toneladas cada.

O contra-almirante disse ainda que a entrega das duas primeiras embarcações do grupo estão previstas para 2011. As outras duas deverão ser entregues em 2012.

FONTE: Portos e Navios

SAIBA MAIS:

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Nos links abaixo, podem ser acessados diretamente do site da MB, arquivos em PDF com as explicações detalhadas sobre o Programa de Submarinos da Marinha do Brasil e o acordo de transferência de tecnologia com a França:

Informações em destaque:

  • Cada submarino convencional Scorpène (sem AIP) está orçado, na média, em € 408 milhões (custo médio, porque o custo decresce para cada unidade adicional);
  • A seção de proa dos submarinos será feita na França e as outras no Brasil (reclamaram que os alemães faziam isso e a história se repetirá);
  • Quanto ao submarino de propulsão nuclear, por não se ter ainda o projeto pronto, não se pode calcular o custo com precisão. O valor estimado do custo de um submarino de propulsão nuclear é de US$ 1,5 bilhão (dólares americanos), com previsão de prontificação para 2022.
  • Toda a parte nuclear do submarino será desenvolvida exclusivamente pelo Brasil. A intenção é a de uma produção continuada, com modelos aperfeiçoados a cada construção. A necessidade calculada pela Marinha é a de, pelo menos, 5 submarinos nucleares.

Um resumo da visão do site Poder Naval sobre a questão está neste artigo:

NOTA do BLOG: No artigo acima, publicado em novembro de 2008, estimamos com precisão os valores do Programa do Submarino Nuclear, antes que o acordo com a França fosse firmado. Continuamos discordando da Marinha quanto ao valor estimado para o nosso primeiro submarino nuclear, tendo em vista as experiências de outros países na área.

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José Meirelles Passos

vinheta-clipping-navalDesfeito o mistério que vinha sendo mantido pelo próprio Ministério da Defesa, desde fins do ano passado, sobre o preço que pretende pagar por quatro submarinos convencionais (diesel-elétricos) Skorpène, da estatal francesa DCNS, mais um casco que – daqui a 20 anos – viria a receber um reator nuclear desenvolvido pelo Brasil. Nota publicada no Diário Oficial da União (DO), na última quarta-feira, revela que cada embarcação custará um bilhão de euros (ou cerca de R$2,7 bilhões), pouco mais de duas vezes mais o valor da oferta feita anteriormente por uma empresa da Alemanha.

De acordo com a nota assinada por Alexandre Meira da Rosa, secretário-executivo da Comissão de Financiamentos Externos (Cofiex), o pacote oferecido pelo presidente Nicolas Sarkozy custará 6,8 bilhões de euros – cerca de R$20 bilhões ou o equivalente a cerca de dois anos do programa Bolsa Família.

Daquele total, 1,8 bilhão de euros representa o custo da construção de um estaleiro e de uma base naval no litoral fluminense exigida pelo governo francês. Os restantes cinco bilhões de euros pagam as embarcações. Tratou-se de uma “operação casada” apresentada pela França: para levar os submarinos, o Brasil teria também de aceitar aquelas duas obras.

O governo do Brasil teve de concordar ainda com o fato de que elas fossem realizadas pela Odebrecht Engenharia. O que, na prática, significa que não haverá licitação a respeito, como confirmou ao GLOBO, semanas atrás, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, justificando:

- Não temos nada a ver com isso (a escolha da Odebrecht). Trata-se de um acordo entre a França e essa empresa. O pacote veio pronto.

Marinha preferia outros submarinos

Indagada a respeito dessa parceria, a empresa nada informou. Na prática, a escolha dos Skorpène significou uma repentina mudança de rumo do governo brasileiro, uma vez que o Brasil já vinha produzindo submarinos – no Arsenal da Marinha, no Rio de Janeiro – em parceria com a empresa alemã HDW. O primeiro deles foi feito na Alemanha. Outros quatro, no Brasil.

Curiosamente, aquela mesma firma apresentara, em outubro de 2007, uma proposta mais barata que a francesa: fabricar mais cinco submarinos no Brasil, além de modernizar os cinco já existentes, por um total de 2,1 bilhões de euros, sem a necessidade de se construir um novo estaleiro.

O pacote previa que apenas 53 milhões de euros fossem utilizados para expandir o estaleiro do Arsenal de Marinha. Uma carta de 25 páginas enviada pela HDW à Marinha, em 2008, detalhava a transferência de tecnologia para o Brasil. A Cofiex havia, inclusive, aprovado o financiamento de um bilhão de euros para tal operação.

Cada embarcação, portanto, sairia por cerca de 437 milhões de euros – pouco mais de duas vezes mais barata que os Skorpène que, curiosamente, o próprio governo da França e nenhum país da Organização do Tratado do Atlântico Norte utilizam.

A escolha surpreendeu inclusive a própria Marinha do Brasil que, no seu Boletim de Ordens e Notícias, número 806, de dezembro de 2006, assinado pelo então comandante daquela força, almirante Roberto de Guimarães Carvalho, se declarava “satisfeita com o desempenho dos atuais submarinos”, e com “as indiscutíveis vantagens decorrentes da manutenção de uma linha logística já existente, tanto na parte relativa ao material (construção e manutenção), como na concernente à formação do nosso pessoal”.

Segundo aquele almirante, os atuais submarinos construídos no Brasil com ajuda alemã “em diversos exercícios realizados, inclusive com marinhas da Organização do Tratado do Atlântico Norte, mostraram-se bastante eficazes”. O documento contém um trecho ainda mais significativo: “A escolha de um outro submarino, além da drástica alteração na linha logística, faria com que a nossa Força de Submarinos passasse a conviver e operar com dois tipos diferentes de meios, experiência pela qual ela já passou, e que não foi boa”.

Congresso terá de aprovar compra

A Comissão de Defesa da Câmara programou, para a próxima terça-feira, uma audiência pública em Brasília para solicitar explicações ao ministro Jobim. A presença dele, no entanto, não está garantida – embora ele tenha sido comunicado a respeito há mais de um mês. Um de seus membros, o deputado Júlio Delgado (PSB-MG), diz acreditar que Jobim estaria tratando de evitar dar explicações:

- Fizemos vários contatos com o Ministério da Defesa, sugerindo datas para a audiência, e assessores de Jobim sempre alegavam que ele estaria fora da cidade. Na última vez disseram que seria muito difícil ele estar disponível em agosto, e provavelmente só poderia a partir de setembro – disse Delgado, lembrando que o presidente da França, Nicolas Sarkozy, virá ao Brasil no dia 7 de setembro, com a expectativa de assinar o contrato de venda.

O ministro do Planejamento, Orçamento e Gestão, Paulo Bernardo, endossou a recomendação da Cofiex para que se autorize a preparação dos documentos para a compra dos submarinos, informando que, do total de 6,8 bilhões de euros, o governo poderia financiar no exterior até 4,3 bilhões de euros.

Isso significa que a carta proposta do Ministério de Defesa já foi submetida à Cofiex, que, por sua vez, verificou as informações contidas nela e deu sinal verde para que o assunto vá para o Tesouro – e, em seguida, seja encaminhado ao Congresso Nacional para aprovação.

- Uma vez aprovado ali, o contrato já poderá ser assinado – disse ontem à noite um porta-voz do Ministério do Planejamento.

Os aspectos financeiros do pacote estão sendo coordenados pelo grupo francês BNP Paribas. O empréstimo teria uma taxa de juros de 5,5% ao ano e se estenderia por 22 anos. O primeiro submarino seria entregue apenas sete anos depois da assinatura do contrato.

FONTE
: O Globo

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Lula quer que Marinha leve recursos do pré-sal para vigiar plataformas; fundo social pode ter recurso de royalties da mineração

vinheta-clipping-navalA última versão da nova Lei do Petróleo entregue ao presidente Lula reduz a alíquota dos royalties nos campos do pré-sal de 10% para 5% e fixa em “até 30%” a participação mínima da Petrobras para que ela seja a operadora dos blocos.

Esses pontos, porém, ainda estão em debate no governo e serão definidos amanhã, em reunião da comissão interministerial que estuda as novas regras de exploração da região.

Lula decidiu que divulgará a proposta da nova Lei do Petróleo em reunião ministerial agendada para o dia 19. Em seguida, encaminhará os projetos em regime de urgência ao Congresso. A exploração comercial em larga escala do pré-sal só deve começar em 2015. A redução da alíquota dos royalties para 5% valeria só para os campos do pré-sal que ainda não foram leiloados. Nos demais, continuaria de 10%, seguindo as mesmas regras de repartição que beneficiam os Estados do Rio de Janeiro, São Paulo e Espírito Santo.

Lula quer não só reduzir a alíquota como também modificar a distribuição dos royalties do pré-sal, adotando um sistema que beneficie todo o território nacional. Como esse ponto é polêmico e vem sendo criticado pelo governador Sérgio Cabral (RJ), a decisão será política.

A mudança nas alíquotas dos royalties, que no ano passado arrecadaram R$ 10,94 bilhões, significa mais dinheiro em caixa para a União. Como as empresas terão um custo menor com o pagamento de royalties, poderão oferecer uma parcela maior do petróleo extraído ao governo federal.

No caso da participação mínima, diante das pressões da Petrobras para que fosse fixada em 30%, a comissão decidiu buscar um meio-termo. O projeto entregue a Lula diz que esse percentual será decidido caso a caso pelo CNPE (Conselho Nacional de Política Energética, comandado pelo governo) “em até 30%”.

Para defender sua proposta, a Petrobras alegou que hoje a ANP (Agência Nacional do Petróleo) exige que as operadoras tenham ao menos 30% do consórcio formado para explorar um campo. O governo resiste a fixar esse percentual mínimo, alegando que ele precisa ser analisado de acordo com a conjuntura do momento do leilão -como preço do barril.

Fundo

O governo decidiu ainda que, para ajudar na capitalização do futuro Fundo de Desenvolvimento Social, destinará a ele não só a renda do pré-sal mas também a receita dos royalties do setor de mineração. Hoje, essa arrecadação é pequena, mas o governo está propondo que as alíquotas cobradas das mineradoras sejam elevadas.

Lula deu ainda a determinação de que sejam garantidos recursos para a Marinha, a fim de que ela possa se aparelhar para vigiar as plataformas de exploração do petróleo do pré-sal -a 300 km da costa brasileira.

Hoje, a Marinha já tem uma participação da receita do petróleo, mas quase sempre fica bloqueada no Tesouro. O presidente, porém, disse que sua equipe econômica terá não só de acabar com esses bloqueios mas também garantir mais receita para a Marinha.

A nova Lei do Petróleo será formada por três projetos de lei. Um criará o sistema de partilha de produção nos campos do pré-sal -ganhará o leilão o consórcio que oferecer a maior parte da produção de óleo à União; outro tratará da criação da NEP (Nova Estatal do Petróleo), que irá gerir toda a riqueza dessas reservas e o terceiro definirá as regras do Fundo de Desenvolvimento Social.

FONTE: Folha de S.Paulo / Via Portos e Navios

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