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Satélites Nucleares Soviéticos

O programa US-A (Radar Ocean Reconnaissance Satellites – RORSAT)

Barra de Cinco Pixels

Elizabeth Koslova

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vinheta-opiniao-navalNos anos 50 a marinha da URSS passou a desenhar uma nova estratégia de enfrentamento das forças de superfície do ocidente, baseada na neutralização dos porta-aviões norte-americanos e ingleses.

A ascensão de Nikita Khrushchev ao poder em 1957 marcou o início desta mudança, que visava o rompimento com a construção de grandes meios de superfície fortemente blindados por navios mais leves, com poder de fogo ancorado em mísseis de cruzeiro de longo alcance. Outras plataformas para estes mísseis também seriam submarinos e bombardeiros com grande raio de ação.

Uma estratégia audaciosa e moderna sem dúvida, mas que tinha um complicador. Como localizar o grupo tarefa com precisão suficiente para permitir o lançamento dos mísseis? E como fazer isto de forma coordenada?

A maneira mais eficiente para determinar remotamente a posição de um navio é o radar. Porém, este tem uma séria limitação, a linha de visada entre a antena e o alvo.

Uma antena de radar no topo de um mastro, a 49 metros de altura, tem um horizonte de radar de apenas 25 km. Radares aerotransportados permitem elevar o horizonte de radar para até 400 km, o  que corresponderia a voar a cerca de 36.000 pés (teto operacional de uma aeronave de patrulha típica), embora dificilmente a situação tática permita uma aeronave atuar a esta altitude.

US-A area de varreduraUma ousada solução foi imaginada pelos estrategistas soviéticos: basear no espaço um sistema de radar com capacidade global de localizar e acompanhar navios de superfície. Algo que até hoje não teve paralelo na história da exploração militar do espaço (ao lado, uma ilustração do final dos anos de 1970, mostrando um satélite US-A. As órbitas de grande inclinação faziam o satélite cruzar os oceanos basicamente no sentido norte-sul, completando uma revolução a cada 104 minutos. A área de varredura do radar era estimada em 450 km).

Os trabalhos de análise conceitual começaram em 1958, apenas um ano depois do primeiro satélite artificial orbitar a Terra. No ano de 1960, sob a supervisão do prestigiado engenheiro Vladimir Chelomei, o projeto foi aprovado pela liderança política soviética, na forma do Decreto 715-296.

O programa sofreu alguns percalços políticos típicos da era soviética. Com a queda de Nikita Khrushchev, em 1964, o programa saiu da supervisão de Chelomei (favorito de Khrushchev) e foi para o OKB-41 de Anatoli Savin. Quando o programa iniciou a fase de ensaios em vôo no final de 1965, com quatro lançamentos (Kosmos 102, 125, 198 e 209), começaram a aparecer os problemas. Basicamente os dois principais componentes dos satélites (o seu radar ativo em banda X e o reator nuclear) não estavam prontos, pois ainda não haviam sido qualificados para voo. Os primeiros lançamentos foram utilizados apenas para qualificar os sistemas de estabilização ativa da espaçonave, bem como sua telemetria, objetivos simples demais diante da complexidade do projeto.

Diante dos problemas da equipe de Savin, o programa foi transferido em 1969 para o KB Arsenal, em São Petersburgo, sob o comando de Ye Ivanov. O projeto foi revisado e o ano de 1975 foi definido como meta inicial para a operacionalização do sistema. Naquele ano, nada menos do que três satélites desta série subiram ao espaço, dando início à fase de avaliação operacional da espaçonave.

De 1975 a 1979, depois de sete lançamentos, o sistema passou a ter capacidade operacional inicial, com parte dos oceanos monitorados e uma avaliação precisa de melhoramentos a serem implementados em futuros satélites. De 1980 até 1988 foram 19 lançamentos de satélites US-A, dando à URSS a capacidade de localizar navios civis e militares em praticamente qualquer oceano da Terra. O projeto já havia atingido sua maturidade técnica e operacional.

O satélite US-A

Colocar um radar em órbita implica em uma série de compromissos de difícil conciliação. O principal deles é a potência elétrica para operação do radar.

Sistemas de conversão fotovoltaica apresentam como grande vantagem a simplicidade, mas também possuem uma potência média relativamente baixa, uma vez que cerca de metade do tempo estão sob a sombra da Terra, sem gerar energia. Este déficit de potência faz com que satélites com esse sistema, equipados com radar, os utilizem durante alguns poucos minutos dentro de um período de 24 horas.

US-A

Esguio para minimizar o arrasto em órbita baixa, com suas grandes antenas de radar e com o reator formando o cone do nariz, o US-A é um satélite cujos padrões de projeto fogem do clássico e cujas soluções de engenharia até hoje não foram implementadas em nenhum outro programa. Fosse ele americano, sua imagem seria tão conhecida pelo ocidente como a dos satélites KH-9 (Big Bird), das aeronaves U-2 ou SR-71, ícones da capacidade americana de coleta de informações.

O US-A precisava de 3kW de potência na forma contínua para operação de seu radar. Embora isto possa ser relativamente fácil de 20 anos para cá (alguns satélites modernos chegam a ter 16kW de potencia de geração fotovoltaica a bordo), com a tecnologia disponível na época eram necessários painéis solares de cerca de 60m2, gerando problemas adicionais a serem compensados.

Para maximizar o desempenho do radar, o satélite deveria operar em órbitas baixas, com cerca de 250 km de altitude. Porém, órbitas tão baixas quanto esta quanto esta maximizam o arrasto da espaçonave com a porção mais elevada da atmosfera, e a espaçonave acaba reentrando na atmosfera caso não receba empuxo extra de seu propulsor Stepanov de 16Kgf. A adoção de uma grande área de painéis solares aumentaria em muito o arrasto do satélite, fazendo com que ele necessitasse de empuxos extras a cada 10 dias, tornando o consumo de propelente ainda mais crítico.

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A solução adotada pelos projetistas soviéticos era até então inédita (e permanece única até os dias de hoje). Colocar a bordo dos US-A um reator nuclear para geração de energia elétrica.

Esta solução, sob muitos aspectos, era excelente. Afinal, permitia um suprimento de energia que tornava o tempo de utilização do radar adequado às funções táticas do satélite. Gerava menos necessidade de controle de atitude em função da posição de células solares, otimizando o posicionamento da antena do satélite, tornava o satélite mais aerodinâmico (pela ausência de painéis solares) minimizando o seu gasto de combustível para posicionamento periódico orbital, entre outras vantagens.

Mas ainda havia um problema a ser resolvido: como garantir que o reator nuclear BES-5 não reentrasse com o satélite uma vez que este estava sempre em uma órbita baixa, dependendo de seus impulsores para se manter voando, e cujo período de reentrada é medido em meses enquanto o tempo de decaimento do reator é medido em séculos?

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Um US-A ejeta o núcleo do reator para a sua orbita cemitério. As gotas de fluido representam o refrigerante do reator (cerca de 13,5Kg de sódio e potássio) que são mantidos em estado líquido e retiram do núcleo cerca de 100kW.h de energia térmica para ser dissipada por radiadores de calor. Essas partículas formam bolhas de até 5cm de diâmetro, que são altamente radioativas. Ao reentrar na atmosfera, este material é pulverizado por uma grande aérea, o que não eleva os níveis de radiação no ambiente além dos níveis seguros. Porém, a colisão de outros satélites com estas gotas de metal pesado, em órbita baixa, sempre foi motivo de preocupação e de polêmica entre EUA e URSS.

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A solução para isto também era inédita. Basicamente, o reator, um cilindro de cerca de 350Kg, deveria ser impulsionado por um foguete até uma órbita cemitério a cerca de 1000 km de altura, onde a reentrada não aconteceria antes de pelo menos 1000 anos. Esta solução teve um custo elevado, conforme veremos mais adiante.

Além de reatores nucleares e radares ativos baseados no espaço, as espaçonaves US-A tinham outros complicadores de engenharia a serem vencidos. Um satélite a 250 km de altura apenas tem visada para uma estação controladora em terra se esta estiver a um raio de 1600 km do satélite. Isto quer dizer que, na prática, os US-A vasculhando as imensidões dos oceanos não teriam como informar em tempo real as estações soviéticas de controle sobre os alvos que eles estivessem monitorando.

A partir da década de 198, tanto os EUA como a URSS montaram redes de retransmissão via satélites geoestacionários para permitir que seus satélites militares de órbita baixa, como os de foto reconhecimento, pudessem transmitir em tempo real, independentemente da posição da sua órbita naquele instante. Os US-A, porém, eram de uma geração anterior (anteriores inclusive ao primeiro satélite geosíncrono soviético, que é de 1975) e para solucionar o problema os projetistas soviéticos utilizaram a mesma solução clássica de comunicações de longa distância até o advento dos satélites: ondas curtas!

Operando um canal de telemétrica em 19Mhz, por meio de propagação ionosférica os US-A eram rastreados desde o território soviético em qualquer posição de seu plano orbital, o que daria a tão capacidade de cobertura global objetivada pelo programa.

Um programa controvertido politicamente

Durante a fase de ensaios, no começo dos anos 70, dois incidentes foram presságios do que seria o programa nos anos seguintes.

O Cosmos 367, um satélite do programa de ensaios de voo, perdeu contato com as estações de controle, mas seu sistema automático o conduziu a uma órbita mais elevada. Este satélite ainda não continha o reator BES-5 e sim baterias químicas que forneciam eletricidade durante o vôo de teste. O acidente surtiu efeito contrário ao esperado, mostrando aos engenheiros soviéticos que seu satélite nuclear poderia ser colocado fora de serviço em segurança caso houvesse uma falha técnica com a cadeia de controle.

Cerca de três anos mais tarde, um lançamento ocorrido desde Baikonur apresentou problemas de ignição no último estágio do foguete, causando a queda do satélite no Oceano Pacífico ao norte do Japão. Aviões de reconhecimento americanos sobrevoaram a área a procura de indícios de vazamento nuclear para caracterização do reator. Fontes ocidentais informaram a detecção de pequenos níveis de radiação na área da queda. Já os soviéticos nunca reconheceram este incidente.

US-A mudança de orbitaEstatisticamente, de cada 20 ou 25 lançamentos de satélites, um apresenta problemas. Os riscos associados à segurança do programa US-A não estavam necessariamente no lançamento e sim no sistema de ejeção do reator para a órbita cemitério, que era uma das inovações do projeto. Ao contrário do problema do Cosmos 367, que encorajou a utilização do sistema de ejeção, por algumas vezes o sistema não funcionou como deveria e provocou a reentrada do reator (com sua carga de 30Kg de urânio altamente enriquecido) juntamente com o satélite (a ilustração ao lado mostra como era a mudança de órbita de ejeção do reator. Nem sempre isto funcionou, e o resultado foi a reentrada do material radioativo juntamente com o satélite).

Em janeiro de 1978, o acidente que se julgava impossível aconteceu. O sistema de ejeção do reator falhou e o Cosmos 954 reentrou na atmosfera com seu reator acoplado. A queda ocorreu na região noroeste do Canadá, gerando contaminação em milhares de quilômetros quadrados de superfície. O governo soviético indenizou o Canadá pelas despesas de buscas e de descontaminação da área. O programa US-A passou por um grande desgaste político na arena tensa da guerra fria.

Outro acidente similar ocorreu em 1983. O Kosmos 1402 separou-se de seu reator com sucesso, mas a ignição do foguete de ejeção falhou. O satélite caiu no Oceano Índico em janeiro de 1983 e o reator caiu duas semanas depois no Atlântico Sul.

O ultimo grande susto com este programa de satélites aconteceu em 1987. O Cosmos 1900 falhou ao ejetar seu reator, mas o sistema reserva obteve êxito e o reator foi para sua órbita cemitério em segurança. Este incidente só se tornou conhecido porque a URSS vivia a sua época de abertura política, durante o governo Gorbachev. Outros incidentes deste tipo podem ter sido sepultados pela história da Guerra Fria.

As capacidades dos satélites US-A

Como todo programa soviético da Guerra Fria, fontes precisas sobre as suas reais capacidades operacionais são bastante limitadas, porém existem alguns indícios reveladores quando boas fontes são consultadas.

Segundo o documento “Key Conclusions About Present and Future Soviet Space Missions”, da Central Intelligence Agency, (junho de 1983) e o “Soviet Dependence on Space Systems”, da Central Intelligence Agency (novembro de 1975) “…o sistema de radar operando em banda X, 8,2 GHz é capaz de detectar navios de transporte ou porta-aviões, e um destróier é altamente provável de ser detectado em mar calmo. A CIA também estima que o sistema não seja capaz de detecção em mar grosso e sob forte chuva, e que a faixa varrida pelo satélite é de 450 km para Leste e Oeste quando o mesmo descreve uma órbita polar no sentido norte-sul (…)”.

HMS-Sheffield-51

Segundo a Enciclopédia Astronáutica do editor Mark Wade, “… entre 1979 e 1989 a modernização progressiva do sistema foi realizada, proporcionando maior precisão, a localização de alvos e capacidade de observação. Toda a superfície do oceano do mundo foi monitorada continuamente, um feito não alcançado por qualquer outro sistema. A eficácia do sistema foi comprovada na Guerra das Malvinas de 1982, quando o sistema monitorou as forças britânicas e era capaz de aconselhar o Estado-Maior General da Marinha Soviética do momento exato do desembarque britânico.”

Segundo o livro “Fidel, futebol e as Malvinas”, do escritor russo Sergey Brilev, os soviéticos teriam fornecido informações de inteligência aos argentinos durante a guerra das Malvinas. Ainda segundo o livro, a localização do HMS Sheffield, que possibilitou o lançamento da missão de ataque bem sucedida que resultou no seu afundamento, teria sido possível porque o satélite Cosmos 1365 teria fornecido a posição precisa do navio.

Provavelmente os soviéticos forneceram informações de inteligência aos argentinos na guerra das Malvinas, da mesma forma com que os chilenos colaboraram com ingleses. Mas teria a URSS fornecido posições precisas e em tempo real da frota inglesa para permitir ataques navais por parte da aviação argentina? Houvesse realmente este canal de informação, porque a posição real dos porta-aviões foram um mistério durante quase todo conflito?

Por que as posições e rotas de abastecimento da esquadra não foram passadas também, permitindo aos submarinos argentinos atacar nos momentos e pontos mais vulneráveis de resuprimento da esquadra inglesa no Atlântico Sul?

Estes e outros mistérios da Guerra Fria infelizmente jamais serão conhecidos em detalhes, além de versões e interpretações de fontes de domínio publico.

O fim do programa

Os anos da década de1980 marcaram o ápice da capacidade operacional dos satélites US-A. Ao todo, 19 satélites foram lançados, todos com aperfeiçoamentos em relação à primeira série do final da década de 1970. A URSS possuía um sistema sem similar no mundo para monitoramento dos oceanos.

No final da década de 1980, uma nova série de satélites deveria substituir a família US-A. Seriam os satélites da série PIRS-2 com algumas inovações importantes como:

  • Aumento da potência elétrica de bordo de 3kW para 10kW com a adição de um novo reator modelo Topaz.
  • Elevação da altitude orbital padrão de 250 km para 520 km, graças à maior potência elétrica disponível ao sistema de radar, reduzindo o risco de reentrada acidental do reator.
  • Rastreamento por meio de satélites geoestacionários, melhorando a capacidade de fornecimento de informação em tempo real.
  • Radar mais preciso e com processamento digital, permitindo maiores alcance, resolução e resistência a contra medidas.

Estes satélites faziam parte de um novo pacote soviético de sistemas militares espaciais, uma resposta ao programa “Guerra nas Estrelas”, desenvolvido pelo governo norte-americano de Ronald Reagan.

Outros sistemas soviéticos desenvolvidos na mesma época eram tidos como impressionantes e inovadores, destacando-se dois deles. O programa Naryad, destinado à destruição de satélites até a órbita geoestacionária (36.000 km), era algo sem paralelo no mundo. Comparando com o sistema norte-americano ASAT (Anti-Satellite Missile), os testes realizados com este sempre limitaram a destruição de satélites até 1.000 km (sistemas de foto reconhecimento basicamente), deixando de lado os sistemas de comunicação, navegação e alerta de lançamento de mísseis (sistemas estes que formam a base da moderna doutrina americana). Com o programa Naryad, os soviéticos poderiam “calar” os principais satélites dos EUA, reduzindo qualquer vantagem inimiga.

Alem do Naryad, havia o programa Polyus, uma estação de batalha espacial de 80 toneladas. A Polyus seria lançada em maio de 1987, em Baikonur. Gorbachev era o convidado de honra para o primeiro lançamento do foguete “Energia” e os generais soviéticos trataram de fazer uma grande exposição para mostrar ao seu governante os progressos dos projetos militares espaciais soviéticos.

A idéia do General Dimitry Zavalishin, responsável pelos programas militares espaciais naquela época, era pedir a Gorbachev a retomada dos testes ASAT orbitais para comprovação do sistema Naryad. O General Zavalishin foi didático, lembrou dos esforços americanos em sistemas militares espaciais e mostrou um plano para encobertar os testes ASAT de modo que isto não gerasse maiores protestos do ocidente.

Gorbachev foi evasivo em suas respostas, prolixo e pouco interessado nos planos de seus engenheiros espaciais para a dominação militar do espaço. Um ano depois, os programas de satélites nucleares estavam todos cancelados por ordem direta de Gorbachev.

Quais seriam os reais motivos do líder soviético para esta decisão? Os desgastes políticos causados pelos acidentes nucleares com satélites anteriores? Uma nova política para a utilização de meios nucleares após o desastre de Chernobyl? A política de aproximação com o ocidente? A crise econômica que já se fazia sentir na URSS?
Provavelmente todos estes fatores em uma escala que provavelmente jamais saberemos.

NOTA DO BLOG: o Poder Naval agradece à colaboradora Elizabeth Koslova pelo texto.

VEJA TAMBÉM:

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A página do Cruzador República no NGB – Navios de Guerra Brasileiros foi atualizada e sua galeria fotográfica foi reorganizada, recebendo inclusive novas fotos. O navio também teve o nome de 15 de novembro, esteve envolvido na Revolta da Armada e serviu ao Brasil entre 1893 e 1920.

Foto: Marc Ferrez

Colaboração: Rogério Cordeiro (Santo André), Pedro Caminha (Paris, França) e Edson Lucas (Rio de Janeiro)

A Marinha dos EUA comemorou ontem os 68 anos da Batalha de Midway.

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Afirmação foi feita por escritor russo em livro

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HMS-Sheffield-51

vinheta-especialJá era de conhecimento geral de que a Argentina obteve ajuda dos soviéticos durante a Guerra das Falklands/Malvinas. Mas agora começam a surgir mais detalhes sobre esta história.

Recentemente o escritor russo Sergey Brilev, filho de um diplomata soviético que morou em diversos países da América do Sul, lançou o livro “Fidel, futebol e as Malvinas”. Aos 10 anos de idade Brilev morava no Uruguai quando os argentinos desembarcaram nas Malvinas. Esta história, e o envolvimento de seu país no conflito, sempre o intrigaram.

Brilev procurou os arquivos de Moscou, mas foi barrado por ser “informação classificada”. Tentou então contactar alguns oficiais soviéticos que serviram no início da década de 1980. General Nikolai Leonov, da KGB, e General Valentin Varennikov, membro das forças soviéticas em Moscou, confirmaram o envio de informações para os argentinos durante o conflito.

Em seu livro, Brilev afirma que os argentinos foram capazes de localizar o contratorpedeiro HMS Sheffield graças à informação obtida pelos satélites de espionagem soviéticos em órbita sobre o Atlântico Sul. A versão oficial dos fatos sempre foi a de que um Lockheed P2V Neptune teria detectado a escolta da Royal Navy. A idade avançada e os problemas de manutenção dos Neptune sempre colocaram em cheque esta versão dos fatos. O autor do livro também afirma que o afundamento do RFA Atlantic Conveyor deveu-se às informações obtidas através do satélite Kosmos-1365.

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Segundo o autor a ajuda dos soviéticos foi mais além. Um avião de vigilância marítima Tu-95 ‘Bear’ seguiu a frota britânica entre a costa francesa e a linha do Equador. Em algumas oportunidades a aeronave voou a 30/40 metros de altitude. Esta informação foi confirmada pelo coronel Georguiy Bulbenkov, então piloto da aeronave.

Mas a decisão de ajudar os argentinos aparentemente não veio das altas esferas do poder central de Moscou. Brilev entrevistou nada menos que Mikhail Gorbachov, na época um dos cabeças do Partido Comunista Soviético. Gorbachev foi claro, nunca houve uma decisão central do partido em ajudar a junta militar argentina. O autor conclui que esta foi uma decisão dos próprios generais.

Brilev lembra que o Uruguai e a Argentina foram os únicos dois países sul-americanos que não se juntaram ao embargo comercial, liderado pelos EUA, contra os soviéticos em 1979 quando o Afeganistão foi invadido. O militares ficaram muito agradecidos com o não alinhamento destes países.

FONTE: Mercopress

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Harrier on NAeL Minas Gerais

vinheta-destaqueEm mais um “furo” do Poder Naval, pela primeira vez na internet, uma foto de um jato Harrier pousando a bordo do NAeL Minas Gerais, provavelmente em meados da década de 1970. Quem tiver a data certa, por favor, informe nos comentários.

O famoso jato inglês STO/VL foi demonstrado à Marinha do Brasil, mas na época a Força só podia operar helicópteros.

SAIBA MAIS:

Sea KIng HS-1

vinheta-especial

Criado através do Decreto nº 55.627 de 26 de janeiro de 1965, que estabeleceu normas para o emprego de meios aéreos para as operações navais, reformulando a Aviação Naval e restringindo o emprego de aviões à Força Aérea Brasileira (FAB), tendo como conseqüência o Aviso nº 0830 (RESERVADO) de 28 de maio de 1965, do Exmo. Sr. Ministro da Marinha, Almirante-de-Esquadra PAULO BOSISIO, que determinou a ativação imediata do 1° Esquadrão de Helicópteros Anti-Submarino (HS-1).

Com isso, os helicópteros Sikorsky SH-34J, tiveram sua operação transferida do 2° Esquadrão do Primeiro Grupo de Aviação Embarcado (1° GAE) da FAB para a Marinha do Brasil, onde receberam a denominação de SH-1 e ficaram conhecidos carinhosamente como “BALEIAS”.

O HS-1 tem como missão detectar, localizar, acompanhar e atacar submarinos e alvos de superfície a fim de contribuir para a proteção das forças e unidades navais.

Além das tarefas previstas realiza, eventualmente, tarefas de emprego geral, de acordo com as determinações do Comando da Força Aeronaval, tais como:

Evacuação Aeromédica (EVAM);
Busca e Salvamento (SAR – Search and Rescue);
Transporte Aéreo Logístico;
Lançamento de Pára-quedistas;
“Fast rope”;
“Rappel” ;
Penca;
Transporte Administrativo e
Transporte de Tropas.

As Primeiras Aeronaves

Seus primeiros quarenta dias de vida foram na Base Aérea de Santa Cruz, onde foram ministrados, aos oficiais e praças do Esquadrão HS-1, os conhecimentos mínimos indispensáveis para a operação das novas aeronaves, tendo suas fases de instrução terrestre e aérea realizadas no período de 20 à 22/06/65.

SH-34J_N-3001

Lá foram recebidas quatro aeronaves SH-34J (N-3004 e N-3006 em 29/06, N-3003 em 28/09 e N-3002 em 14/10/65), em uma cerimônia onde cada oficial do 2°/1° GAe da FAB se retirava de formatura, um a um, após o recebimento da função pelo respectivo oficial da MB.

O SH-34J N-3001 foi recebido em 19/05/66 na recém-concluída Base Aérea Naval de São Pedro D’Aldeia, assim como o N-3005, que foi recebido ao final do mesmo ano.

SH-34J_N-3004

O Comandante do Esquadrão e o seu Imediato trouxeram a primeira aeronave (N-3004) recebida pela Marinha do Brasil do Parque de Aeronáutica do Campo de Marte para Santa Cruz, após o seu “overhaul” (período de revisão geral).

Em 07/07/65 o Esquadrão HS-1 deslocou-se para a Base Aérea Naval de São Pedro D’Aldeia (BAeNSPA), transportando por via terrestre todo o material que constituía os acessórios das aeronaves para o Depósito Secundário – DepSec (atual Depósito Naval de São Pedro D’Aldeia – DepNavSPA) e para o Departamento de Operações da Base (atual DIACTA), e instalando-se inicialmente no Hangar nº I, o único existente à época, dividindo-o com os Esquadrões HU-1 e HI-1.

BAeNSPA

Em 1967 passou a ocupar o Hangar nº II e, finalmente, em 14/07/95 também o Hangar nº III, após a desocupação deste pela 2ª ELO (Esquadrilha de Ligação e Observação) da FAB que deixava a área de São Pedro D’Aldeia, mantendo-se nestes dois hangares até os dias de hoje.

A primeira missão Antissubmarino

Ainda entre os meses de Agosto e Outubro de 1965, se intensificaram os adestramentos operativos, tendo sido apresentada a teoria da Operação ASW em cursos de apenas uma semana no Centro de Adestramento Almirante Marques Leão (CAAML), de modo que ao final do mesmo ano, na Operação UNITAS VI, deu-se a primeira participação de aeronaves A/S brasileiras baseadas no NAel “Minas Gerais” (A-11), recém-incorporado à Marinha do Brasil.

O adestramento foi incrementado para a participação da UNITAS VII no ano seguinte, porém devido à situação das aeronaves, não fora concluído a tempo, tendo o HS-1 cumprido apenas tarefa de aeronave-guarda durante essa comissão.

O primeiro lançamento de torpedo

O HS-1 foi o primeiro esquadrão a lançar um torpedo de um helicóptero (N-3001) da MB em 21/07/67, colocando-se na vanguarda do emprego de armamentos aerotransportados.

SH-34J_N-3001

O primeiro pouso a bordo noturno

Apesar de homologado para operações ASW noturnas, o veterano SH-34J apresentava limitações operacionais nessas condições de voo.

Esse fato foi contornado apenas mais tarde, entre os anos de 68 e 70, com o regresso de oficiais treinados na US Navy e com a chegada dos modernos SH-3D, homologados oficialmente para IFR (Instruments Flight Rules), traziam de volta este tipo de voo para a MB, que tinha até então o seu uso conhecido apenas nos antigos aviões que operava.

O Esquadrão realizou o primeiro pouso noturno a bordo do NAel “Minas Gerais” em 01/05/69.

A chegada dos “Sea King” ao Brasil

Em 28/04/70, chegaram ao Brasil, a bordo do USS “America” , os quatro primeiros SH-3D (denominação americana), de numerais N-3007, N-3008, N-3009 e N-3010.

Essas aeronaves começaram a operar no NAel “Minas Gerais” no mesmo ano.

Nos anos seguintes, chegaram as aeronaves N-3011 e N-3012.

Chegada-SH-3D_N-3012

O moral da tripulação novamente estava alto com a aquisição das novas aeronaves e o excelente treinamento de oficiais e praças que foi realizado nos EUA.

O voo por instrumentos

Em 1975, o HS-1, único esquadrão na época homologado para voo por instrumentos pelo Ministério da Aeronáutica (Of. 064/75 do EMAer), transmitiu aos pilotos do 1º Esquadrão de Helicópteros de Instrução (HI-1) a experiência do IFR, que teria a técnica então, disseminada aos futuros Aviadores Navais, e alavancaria o emprego dessas regras de voo  na Força Aeronaval, tornando-se uma referência nessa modalidade.

No início de 1977, o Esquadrão qualificou pela primeira vez a bordo do NAel “Minas Gerais” seus pilotos de SH-3D em pousos noturnos por instrumentos (IFR/IMC).

O primeiro Reabastecimento em voo (HIFR)

O HS-1 realizou o primeiro HIFR (Helicopter In-Flight Refueling) na MB, em Janeiro de 1978, com a Fragata “Defensora” (F-41), em uma operação que durou cinco minutos e foram transferidos 1.200l de combustível, o que proporcionou uma ampliação das possibilidades de emprego desses meios aéreos, extendendo suas autonomias e possibilitando que a aeronave permaneçam “on station” por mais tempo.

1° HIFR MB

As aeronaves SH-3 italianas

No ano de 1984, o Esquadrão recebeu quatro helicópteros designados SH-3A (N-3013, N-3014, N-3015 e N-3016), fabricadas pela empresa AGUSTA na Itália e trazidas a bordo do Navio-Transporte de Tropa (NTTr) “Barroso Pereira” (G-16).
A 15/01/87, as aeronaves SH-3D N-3007, N-3010, N-3011 e N-3012, embarcaram no NTTr “Barrosos Pereira”, para serem transportadas para o porto de La Spezia (Itália), e encaminhadas para a fábrica da AGUSTA para modernização e capacitação para o lançamento do MAS “EXOCET” AM-39.

Retornaram ao Brasil em Maio de 1988 e também receberem a denominação de SH-3A no Esquadrão.

SH-3A N-3016 (Guerreiro 16) com domo no trail

O Míssil AM-39 “EXOCET”

Em Abril de 1991, foi realizado o primeiro pouso a bordo do NAel “Minas Gerais” de um SH-3A armado com Míssil Ar-Superfície (MAS) AM-39 “EXOCET”.

No dia 11/11/92 foi realizado o primeiro lançamento real desse míssil, com a aeronave embarcada no NDD “Rio de Janeiro” (G-31) contra o casco do ex-CT “Mato Grosso”.

A realização desse evento fez com que o SH-3A se tornasse, até os dias de hoje, o maior braço armado da nossa Marinha.

SH-3A-lançando-Exocet_01

O recebimento dos SH-3 americanos

Em 13/05/96, seis SH-3 (N-3017, N-3018, N-3019, N-3029, N-3030, N-3031), equipados com sonares mais modernos, foram recebidos pela MB na NAS Pensacola (FL) e trazidos para o Brasil a bordo do NAel “Minas Gerais”, quando então receberam a denominação de SH-3B.

SH-3B N-3017 (Guerreiro 17)

Seahawk, o futuro Guerreiro

S-70MB

Em 2008, foram adquiridas 4 aeronaves Sikorsky S-70B Seahawk, com opção para mais duas unidades, de um total que poderá chegar a 12.

O modelo adquirido pela MB é semelhante ao modelo Strikehawk (MH-60R) da US Navy, capaz de realizar missões ASuW e ASW.

Para missões ASuW, utilizará o seu radar AN ∕ APS-143(V) e mísseis AGM 119B Penguin MK2 MOD7 e para missões ASW, utilizará o sonar AN ∕ AQS-18(V), torpedos MK.46 e cargas de profundidade.

Assim, o 1° Esquadrão de Helicópteros Anti-Submarino, com seu passado repleto de glórias e de pioneirismo, continua através dos anos fiel ao seu lema ” AD ASTRA PER ASPERA” (É ARDUO O CAMINHO PARA OS ASTROS), esforçando-se para que sejam cumpridas as tarefas que lhe são atribuídas com eficiência, demonstrando a dedicação e o profissionalismo dos “GUERREIROS”, chamada-fonia dos helicópteros do HS-1 e nome dado pelos “esquadrões-irmãos” no passado, devido às diversas dificuldades encontradas desde sua criação, porém sempre superadas ao longo de sua gloriosa história.

Seu atual Comandante é o Capitão-de-Fragata Rogério de Oliveira Miranda, que assumiu o posto em 30.01.2009.

FOTOS: Esqd. HS-1, ComForAerNav, CCSM e Guilherme Wiltgen/Poder Naval.

Bell-47G

vinheta-especialBrasao_ciaan2Com o surgimento da nova Aviação Naval, na década de 50, seria necessário, criar um curso para a formação de Aviadores Navais, para que pilotassem as aeronaves que seriam adquiridas.

Assim, a Marinha criou, em 27 de maio de 1955, o Centro de Instrução e Adestramento Aeronaval (CIAAN), que iria formar nossos Aviadores e também o pessoal para efetuar a manutenção das aeronaves.

Foi através do Aviso Nº 3327, de 03 de dezembro de 1954, que se criou a Especialidade de Observador Aéreo Naval (OAN), que teria suas instruções aprovadas pelo Aviso Nº 1720 de 27 de junho de 1955.

Em 1º de março de 1956, foi iniciado o primeiro curso de OAN, cujas aulas teóricas foram ministradas na Diretoria de Aeronáutica da Marinha, na Rua do Acre Nº 21, enquanto era preparado o CIAAN, no Km. 11 da Av. Brasil.

Após a conclusão da parte teórica, os oficiais alunos foram matriculados no Aeroclube do Brasil, onde iniciaram a instrução primária de pilotagem, que foi inicialmente ministrada nos CAP-4 Paulistinha, Piper PA-20, Fairchild PT-19 e outros aviões pertencentes a este aeroclube.

Em janeiro de 1957, o CIAAN era instalado no Km. 11 da Av. Brasil e já em fevereiro do mesmo ano, iniciava-se o primeiro curso regular de OAN nas novas instalações.

Em 1958, chegaram dois helicópteros Westland WS-52 Widgeon Mk-2, que foram imediatamente utilizados na instrução de voo dos oficiais já formados no curso de OAN.

H-4002

Nos três anos seguintes, o CIAAN incorporou os Bell-Kawazaki 47G e Bell 47D, helicópteros mais adequados a instrução de voo que o Widgeon, ora empregado.

Em 1961, com a determinação do Presidente da República de suspender os voos de instrução nas proximidades do Galeão, o CIAAN foi obrigado a transferir-se para a cidade de São Pedro da Aldeia – RJ, onde estava sendo construída a Base Aérea Naval e suas futuras instalações.

Continuava a formação de novos pilotos de helicópteros, que foi uma fase difícil de se atravessar, tendo em vista a falta de instalações adequadas que ainda apresentava aquele local.

O CIAAN foi a primeira Unidade a se instalar na Base Aérea Naval de São Pedro da Aldeia (BAeNSPA).

Com a criação do 1º Esquadrão de Helicópteros de Instrução e Adestramento (HI-1), em junho de 1962, determinou-se a transferência de todas as aeronaves do CIAAN para o novo Esquadrão, situação esta que permaneceu inalterada até 1971, quando coube ao CIAAN a missão de se dedicar, única e exclusivamente, à formação acadêmica dos alunos do Curso de Aperfeiçoamento de Aviação para Oficiais (CAAVO) e o treinamento dos especialistas em aviação.

Simulador Bell 206_CIAANSubordinado ao Comando da Força Aeronaval, o CIAAN tem por missão capacitar Oficiais e Praças da MB para o desempenho das atividades relacionadas com a operação e manutenção de aeronaves a bordo e em terra, através de cursos e treinamentos previstos no Sistema de Ensino Naval e do intercâmbio com diversas entidades técnicas e de ensino, mantendo-se atualizado nas áreas julgadas de interesse da Marinha do Brasil.

Para cumprir as tarefas que lhe são afetas, o CIAAN dispõe de:

  • Instalações equipadas com modernos acessórios de ensino;
  • Biblioteca;
  • Unidade de Treinamento de Escape de Aeronave Submersa (UTEPAS), com piscina de 25×12, 5x5m;
  • Simuladores de Voo de Aeronaves de Asa Rotativa e Fixa;
  • Área para treinamento de sobrevivência em terra;
  • Pátio de treinamento de combate a incêndio;
  • Módulo de manobra de aeronave a bordo de navio;
  • Laboratório de Eletrônica e.
  • Oficina de Estrutura.

UTEPAS

De acordo com a Portaria nº 456/MB do Comandante da Marinha, de 21 de dezembro de 2009, este Centro de Instrução teve seu nome  alterado para  Centro de Instrução e Adestramento Aeronaval Almirante José Maria do Amaral Oliveira.

Seu atual Comandante é o CMG David Serafim Sicca Lopes, que assumiu o posto em 17 de dezembro de 2009.

IH-6B

‘Sui generis’

U.S.S. Allen M. Sumner (DD-692)

USS Allen M. Sumner (DD-692), líder de uma das classes de destróieres mais incríveis já construídas. Realmente “Sui Generis”. Conheça o site do navio aqui.

staff do Poder Naval teve a honra de pisar a bordo de várias unidades da Marinha do Brasil que pertenciam à referida classe. Bons tempos!

SAIBA MAIS:

C101-f31

Esse era um dos nomes especulados para ornar a popa de uma das nossas fragatas, da hoje conhecida classe “Niterói”.

Assim como aconteceu, anos mais tarde, no início do projeto de construção da classe “Inhaúma”, quando apareceram números como 16 unidades, depois reduzidas para 12 e finalmente 4+1. No caso das “Niterói”, inicialmente havia a possibilidade de serem construídas 10 unidades.

No meio de boatos, especulações e vazamentos para imprensa, em especial a estrangeira, já que na época o interesse aqui pelo assunto era ainda menor do que hoje, também surgiram os nomes prováveis para os navios.

Vamos tirar como exemplo a Warship International, que mostrou em uma de suas edições de 1973 os nomes Isabel e Campista, além de duas unidades a serem construídas no Rio de Janeiro: Liberal e União. Aliás, Liberal era um dos nomes para serem usados nos navios “brasileiros”, mas o governo, segundo contam os mais velhos, achou que não cairia bem, em pleno governo militar, usar o nome, então ele foi colocado num dos navios construídos na Inglaterra.

Edições Anteriores

Na edição de setembro de 1971 da mesma Warship International apareciam: Niterói, Imperatriz, Isabel, Campista, Defensora e Constituição e no armamento apareciam canhões norte-americanos de 5”/54.

Na edição de dezembro de 1971 da mesma Warship International apareciam: Baiana, Campista, Imperatriz, Ipiranga, Isabel e Niterói, citando que no anuário Weyers Flotten Taschenbuch, apareciam como parte do provável armamento 2 canhões Mk-6 de 4.5 pol. e lançadores quádruplos de Sea Cat.

De onde vieram esses nomes

Esses nomes pertenceram a navios dos primórdios da Marinha Imperial, que tiveram destaque na Guerra da Independência e na Campanha do Rio da Plata.

Veja no NGB, aqui no Poder Naval e não nas cópias do Wikipedia:

NOTA DO NGB: obvervar que dois nomes sugeridos (Bahiana e Ipiranga) na época, início dos anos 70, já eram usados por duas Corvetas da classe “Imperial Marinheiro”. Será que elas teriam seus nomes mudados?

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Na Austrália era assim…

…há 40 anos

Sydney-set1970

HMAS Sydney (R 17)

Melbourne-set1970

HMAS Melbourne (R 21)

Fotos: Royal Australian Navy Official

Mina de emprego naval encontrada em Alagoas

mina-alagoas

vinheta-clipping-navalUma mina de flutuação pode ter sido encontrada na orla marítima do município de Maragogi, distante 121 quilômetros da capital Maceió. O possível artefato foi localizado por trabalhadores das obras de reurbanização e saneamento básico da cidade no início da manhã desta terça-feira (11). A Marinha do Brasil aguarda a chegada do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) no local para que haja a confirmação se realmente o objeto encontrado é uma bomba.

De acordo com o sub-comandante da Capitania dos Portos de Alagoas, Edson Lima Cordeiro, a Marinha foi avisada sobre o fato na manhã de hoje e ficou acordado com o Corpo de Bombeiros e com o Bope para que as equipes especializadas confirmem do que se trata o material encontrado após inspeção e, em seguida, avisem à Capitania para possíveis providências. “Não temos nenhuma informação oficial ainda. O Bope foi a Maragogi de helicóptero e seu esquadrão anti-bomba vai trabalhar no sentindo de descobrir se realmente estamos falando de um artefato. Se isso ficar comprovado, deveremos pedir o apoio de unidades da Marinha de outros estados, com profissionais especializados, para que possamos desmontar, destruir ou detonar a bomba”, explicou ele.

Ao jornalista da Gazeta de Alagoas Waldson Costa, que acompanhou a movimentação acerca da ocorrência, moradores mais antigos da cidade contaram que, há muitos anos, funcionários da Marinha já haviam localizado o referido objeto e que garantiram que se tratava de uma bomba. “O artefato, ao longo de dezenas de anos, foi parar sob o calçamento por causa das linhas de maré, que, naturalmente, movimentam qualquer coisa que esteja no mar. Pode ser que a Prefeitura, quando resolveu fazer o calçamento da orla, há anos, não o tenha percebido”, comentou um morador.

O suposto artefato foi encontrado pelos trabalhadores de uma obra de saneamento e reurbanização do Centro e da orla de Maragogi. Eles quebravam parte do calçamento da Avenida Senador Rui Palmeira, a principal da praia, quando esbarraram numa esfera grande, que se assemelha a uma mina de flutuação, bomba que era usada pela Marinha do Brasil na época da 2ª guerra mundial para afastar os navios inimigos.

“Eram artefatos usados na 2ª guerra soltados em alta profundidade. Quando as embarcações se aproximavam, as minas explodiam e destruíam parte dos navios”, detalhou o sub-comandante da Capitania dos Portos.

Após a descoberta do objeto, o Corpo de Bombeiros e a Polícia Militar foram acionados para fazer o isolamento da área. Moradores da região se aglomeraram no local para observar se realmente uma mina de flutação habia sido descoberta. “Recomendamos que a área deveria ser isolada porque, se realmente se tratar de uma bomba, não sabemos se ela pode apresentar algum risco”, informou Edson Lima Cordeiro.

FONTE: Gazetaweb

 

Confusão Naval

Acompanhando de perto a história de nossos navios por trinta anos nos deparamos com muitas curiosidades, algumas engraçadas, outras nem tanto.

Um dos casos que mais nos intriga, desde a adolescência, quando fomos pela primeira vez a bordo no Navio-Museu Bauru, em Santos, é a dúvida gerada sobre o seu verdadeiro nome na Marinha dos EUA.

Nós (eu e Marcelo Lopes) lembramos de ter conferido a marca de solda que delimita o molde da pintura do indicativo de casco do navio, DE 179, que confere com o nome USS McAnn que é atribuído pela MB como o nome do navio na Marinha dos EUA, mas varias fontes estrangeiras dão o nome de USS Reybold (nosso Bracuí – Be 3) para o Bauru, e, McAnn (nosso Bauru – Be 4) para o Bracuí.

Entre essas fontes podemos citar o “U.S. Destroyers: An Illustrated Design History”, do renomado autor Norman Friedman e o site Navsource.org, entre outras.

Conspiração, confusão ou uma trapalhada.

Mas não para por aí. O que poderia estar por trás desse caso?

Hipótese 1 – Foi colocado um navio para representar outro? Pouco provável, já que na época em que foi transformado em museu o Bauru era o último sobrevivente da classe no Brasil e havia deixado a função de Aviso Oceânico a pouco tempo.

Hipótese 2 – As fontes externas se baseiam em documentos da U.S. Navy o que as exime de qualquer culpa, mas o erro é perpetuado. Esses documentos podem ter sido trocados, preenchidos de forma errada ou os navios eram programados para ter esse nome e na ultima hora foram mudados.

Hipótese 3 – Por ultimo surge àquela alternativa mais macabra: A conspiração.
É importante notar que essa alternativa não anula por completo a segunda (a trapalhada).

Os dois navios foram transferidos da U.S. Navy para Marinha do Brasil na mesma ocasião, em 15 de agosto de 1944, em cerimônia conjunta realizada na Base Naval de Natal com a presença de representantes da 4º Esquadra e da Força Naval do Nordeste, incluindo provavelmente o próprio Almirante Soares Dutra e quem sabe o Almirante Ingram. Tentando bem desempenhar suas funções de Ajudante de Ordens, poderia um jovem segundo-tenente (ensign), um tanto atrapalhado, ter tropeçado e caído com a documentação no cais, e depois no afã de recuperá-los ter trocado a ordem dessa documentação?

Seria esse jovem oficial um antepassado de Paulo de O “Osso” Ribeiro, no caso de um brasileiro, com o mesmo nome, no caso de um norte-americano Paul Olive Tree “Bone” Small River.

Caso alguém encontre esse elemento que tantos prejuízos causou a História Naval Brasileira, cuidado, o elemento deve ser detido imediatamente.

Seguem algumas fotos para identificar o “procurado”; na última imagem, a aparência atual, fazendo planos para dominar o Mundo:

Glossário explicativo das Fotos:

Foto do alto – 1944 – O local da ocorrência: Base Naval de Natal, com dois CTE da classe “Cannon” atracados, o Beberibe e o Benevente. (imaginem a cena em 1944, o pier, as guarnições pelo pier, os dois navios,  a banda, o Almirante gritando pela demora, um monte de gente e um o tal do cadarso do sapato desamarrado ….

Foto (1) – 1983 – Quase um ano após a visita em Santos no ex CTE, AvOc Bauru, o CFN se reúne para apurar e verificar as primeiras evidências sobre as hipóteses possíveis.

Foto (2) -  1985 – Nesta época, já com um grupo reduzido, pois alguns membros originais entraram no curso de astronauta, pois era mais facil lançar um cearence em orbita que concluir nosso questionamento.

Foto (3) – Em busca da verdade, Paulo Osso, após projetar, desenvolver e construir um navio que revolucionou os então manuais de guerra anfibia e  PHIBGROUP, o (na época) mundialmente famoso NDCC ‘Sir Osso’, parte para pesquisa de campo tentando coletar evidências que provassem sua inocência no caso, dando inveja até ao Capt. Costeau.

Foto (4) – Data desconhecida, aparentemente Paulo Osso num raro momento que indique o surgimento de uma nova teoria sobre o fato ( presumível, claro …)

Foto (5) – 2005 – Mais uma tentativa, através de seus contatos, Paulo Osso tenta utilizar o Royal British and England (including Scotland  Wales as well Northern Ireland and Isle of Man) Search Institute, utilizando um empurrão de seus amigos no HMS Liverpool - D 92, em uma tentativa de agilizar as buscas.

Foto (6) – Após não obter sucesso do RB&EiSWNIandIM,  não conseguindo explicar e provar que não houve seu envolvimento na dita confusão criada na Base Naval de Natal, Paulo Osso se transforma no Dr. Heinz Doofenscshmirtz e funda a Doofenschmirtz Evil Inc., para tentar (novamente, pois em sua última tentativa de fazer isso foi detido pelas forças da Harpia, sob o comando do Galante, lá nos idos de 1984) dominar o mundo.

Hoje, 66 anos depois, este mistério ainda permanece. Seria o Reybold o Bracuí, o Mac Ann o Bauru, o Bracuí o Bauru e o Mac Ann, o Reybold, ou seria o Mac Ann, o Bracuí e o Reybold, o Bauru ?. O que uma “paulice” não pode eventualmente causar.

NOTA: Post para consumo restrito.

 
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