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Em 16 de maio de 1965, o primeiro apoio de artilharia naval no Vietnã foi realizado pelo USS Henry W. Tucker (DD-875), que disparou em posições inimigas na costa de Saigon.

Descomissionado em 03 de dezembro 1973, o ex- USS Henry W. Tucker foi incorporado pela Marinha do Brasil e batizado de Marcílio Dias (D 25), servindo até 19 de setembro de 1994, sendo afundado como alvo pelo submarino Tamoio (S 31) em 1996.

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Lançamento do livro “A Construção Naval Militar Brasileira no Século XX” de autoria do engenheiro naval Eduardo G. Câmara, será em 24 de maio de 2011, no Museu Naval – Rio de Janeiro

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Há pouco mais de dez anos, o engenheiro naval Eduardo Gomes Câmara residia e trabalhava na Noruega. Um lugar onde os sete meses anuais de inverno fazem as noites começarem muito cedo, o que acaba “prendendo” as pessoas em casa por longas horas. Felizmente, para todos que se interessam pela construção naval no Brasil, especialmente a militar, esse tempo “livre” foi muito bem aproveitado.

A ideia que surgiu naquele inverno de fevereiro de 2001 acabou levando a anos de pesquisas em arquivos: primeiro os pessoais, repletos de raridades, depois os de diversos estaleiros pelos quais o engenheiro Câmara passou ou manteve contato desde quando era estagiário do Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro, no início dos anos 1970.  E agora, em 2011, chegou a hora de lançar esse livro de 240 páginas, repleto de fotos, desenhos exclusivos e uma história que começa em 1890, com a construção do monitor fluvial Paraguaçu, e chega praticamente até os dias atuais.

O livro vai além de mostrar as construções mais conhecidas, como a dos contratorpedeiros lançados nos anos 1940 (como o Greenhalgh, que escolhemos para ilustrar o alto desta matéria, em imagem via NGB que mostra outro ângulo da bela cena da capa do livro) e das fragatas e corvetas lançadas desde os anos 1970 e 1980. Isso porque a obra também aborda os navios auxiliares e até embarcações fornecidas ao Exército Brasileiro, projeto por projeto, destacando a origem histórica e os aspectos importantes da engenharia naval dos navios militares construídos no Brasil ao longo do século XX.

O livro, produzido com recursos do próprio autor e distribuído pela SOBENA (Sociedade Brasileira de Engenharia Naval) será lançado dia 24 de maio de 2011, às 18h30, no Museu Naval do Rio de Janeiro - Rua D. Manuel, 15 – Centro. RSVP até 18/5: (21) 2283-2482 / sobena@sobena.org.br.

O Poder Naval estará presente no lançamento. Marque em sua agenda!

25 anos de Top Gun – Ases Indomáveis

“I feel the need…the need for speed!”

No dia 14 de maio de 1986 estreava o filme “Top Gun”, talvez o mais influente filme sobre aviação de combate da história. Produzido por Tony Scott e Jerry Bruckenheimer, o filme catapultou a carreira de Tom Cruise, faturou US$ 353 milhões em todo o mundo e foi responsável pelo aumento de 500% no alistamento de candidatos a piloto na Aviação Naval dos EUA.

O produtor de Top Gun, John Davis, disse uma vez que “Top Gun é um filme de recrutamento para a Marinha. Ele realmente ajudou nesse sentido”. As pessoas viram o filme e disseram, “Uau! Eu quero ser um piloto.”

O filme começa mostrando o Aviador Naval da Marinha dos EUA LT Pete “Maverick” Mitchell (Tom Cruise) e seu Radar Intercept Officer (RIO) LTJG Nick “Goose” Bradshaw (Anthony Edwards) voam o F-14A Tomcat a bordo do porta-aviões USS Enterprise (CVN-65). Eles, com wingman “Cougar” (John Stockwell) e seu RIO “Merlin” (Tim Robbins), interceptam caças MiG-28s (na verdade, F-5s) sobre o Oceano Índico.

Depois de um dos mísseis dos MiGs travarem em Cougar durante o “dogfight”, ele está muito abalado e com pouco combustível. Maverick desafia as ordens e auxilia Cougar no pouso, apesar de também estar com pouco combustível. Depois do pouso, Cougar desiste de suas Asas Douradas, citando que ele quer estar com seu filho recém-nascido que ele nunca viu. Apesar de não gostar da violação de regras de Maverick, o CAG “Stinger” (James Tolkan) envia ele e Goose para cursar a escola Top Gun na NAS Miramar.

O restante da história, 25 anos depois, ainda continua presente no imaginário de forma impressionante, incluindo sua trilha sonora.

Abaixo, o trailer de relançamento do filme em comemoração ao Jubileu de Prata.

VEJA TAMBÉM:

BATE-PAPO ONLINE: converse com outros leitores sobre TOP GUN e outros temas aeronavais, no ‘Xat’ do Poder Naval, clicando aqui.

Acima, numa foto de belo ângulo, o navio lançando um RA-5 e um F-8. Abaixo, lançando um A-4 Skyhawk. No início, o USS Enterprise era designado CVA(N)-65.

FOTOS: US Navy and Marine Corps museum collection

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69 anos da Batalha do Mar de Coral

mar de coral

Na imagem acima o USS Lexington (CV-2), no dia 8 de maio de 1942, envolvido em uma densa fumaça preta, muito provavelmente causada pela detonação de um torpedo armazenado no hangar. Bem ao fundo o USS Yorktown (CV-5) e o contratorpedeiro USS Hammann (DD-412), à esquerda na foto.

Para alguns, esta foi a batalha que salvou a Austrália.

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O ex-HMS Invincible partiu puxado por rebocadores, pouco depois de 8:00 hs, e deve chegar na Turquia em aproximadamente quatro semanas,  quando será desmontado, em aproximadamente 8 meses, na Leyal Ship Recycling, com sede perto de Izmir, Turquia.

Sir Jeremy Black, que foi o capitão do navio durante o conflito das Falklands/Malvinas, disse que se sentiu “muito triste” em ver a partida do navio, que deixou o porto de Portsmouth pela última vez.


FONTE e FOTOS: BBC

Saudade dos CTs?

Em fotos feitas pela US Navy, os ex-contratorpedeiros Mato Grosso (D34) e Maranhão (D33) atracados no AMRJ em 1990, logo após suas desativações.

Nas duas últimas fotos, o CT Sergipe (D35), no mesmo ano, ainda na ativa, a contrabordo do Dique Flutuante Afonso Pena (G25).


Comentários de ex-tripulantes:

Servi no CT Marcilio Dias de 1987 até 1991. Tenho saudades e acho que se tivesse presenciado seu afundamento pelo submarino tamoio em 1994 eu choraria. saudades dos tempos antigos.
FIZ MUITA FAINA EM CHEGADA DE PORTOS. EU O LAVAVA COMO SE FOSSE MEU CARRO, OU SEJA, COM MUITO CARINHO. TENHO COMPANHEIROS INESQUECIVEIS DESSA ÉPOCA, CABO EL SENA, CABO EL MELO, CABO EL RANGIFO, SGT EL VILEIDE, SGT CP SERGIO, CABO EL MAIA, TENENTE PAMPLONA ETC. – Rogerio de Souza

Meu Pai tambem ,viajou muito nos DD ,inclusive foi buscar o Maranhão Alagoas ,Piaui ,sta Catarina e as Niterois pois a Mb não tinha o quadro de informatica na epoca para os radares entao mandaram os ET cursarem informatica no Reino Unido. Mas apos a chegada ele voltou para os Ct na oficina do Gretarge como Sup de Eletronica , mas ele gostou mesmo do tempo a bordo do Alagoas e Belmonte. Sempre dizia os que os DD são melhores que as Niterois em tudo, apenas com a defasagem do tempo. – Celso

O que tinha o Sea Cat era o D – 34 ato Grosso. Apesar de nunca ter viajado no CT Santa Catarina, os militares que serviam nele se gabavam na época por sua velocidade, era conhecido na frota por isso, trabalhei também num delineamento do CT Paraná que não foi feito o PNR por conta da situação das chapas de fundo que estavam em estado lastimável. Eu era civil e trabalhava na Base Naval de Aratú, esses navios foram escolas maravilhosas para mim que formei em Metalurgia. Era muito bom também ir sempre para o Arsenal de Marinha do Rio, bons tempos.

Um deles que não passou pelo FRAM mas que me traz boas recordações e muito pouco se fala foi o CT Mato Grosso. No início da década de 80 embarquei nele lá em Belém do Pará com o intuito de fazer um delineamento para o PNR, depois ele veio para a Base Naval de Aratú, onde ficou por dez meses e saiu novinho em folha. Existem poucas fotos dele mesmo na época em que ele era o USS Compton. – Roosevelt

Saudades da antiga força de CT´s. Aquilo era Marinha de verdade. Muita faina e dificuldade com muita união e camaradagens verdadeiras. Lembro-me dos MN “espermatozóides” – não tinham armários e então moravam no “saco” de roupas. Que os destroyers/CT´s possam voltar a nossa marinha. – Marlige

Que saudade do D25. Me lembro das viagens e dos amigos que serviram comigo nos anos de 89 a 91, época que fui marinheiro fiel da aguada do quadro de máquinas, junto do neguinho Araújo e do Tingo.
Bons tempos! Abraços aos colegas da época. – Andrade

Otimo trabalho, parabéns.
Senhores, tive a sorte de fazer faina neles, estava servindo no deposito de material comum da marinha, era muto bom.
Pena q não fico um para museu, estive também no Minas Gerais, coisa grande, enorme, como um estadio de futebol. não ficou para museu.
Hoje temos estas fragatas q ao meu ver o primeiro impacto derrete pelo calor, da mesma forma q ocorreu com as fragatas inglesas nas malvinas, destruidas pelos argentinos.
Abraço a todos. – Mauro

Tive o prazer de tambem servir no D25 no ano de 1989 a 1991 oriundo da Eamce. turma Golf ll. Às vezes lembro de muitos amigos q ficaram na lembrança. Trabalhava como mensageiro da estação rádio, lembro-me de alguns nomes como o sgt Araujo depois foi AA ,dos cb Mauricio ,cb edmilson, mn laercio,mn adriano ,mn Valverde ,mn sales (todos da estação rádio). Não sei se o Andrade recorda eu era o MN Amaral de Belem do Pará lembro-me perfeitamente ndo mn Araujo e do tingo e de outros,afinal são mais de 20 anos… hoje moro em Belem, sou oficial do corpo de bombeiros. – Luiz Claudio Arraes do Amaral

Servi à Marinha por seis anos e um dos primeiros navios que embarquei foi o CT Mariz e Barros, em 1971…..as fotos acima me levaram de volta ao passado….gostaria de ver alguma foto do Mariz (o antigo)…
Fui da Turma Juliet (EAMBA) e sinto muita saudade dos tempos de Marinha….Abraços – José Carlos

Realmente bateu a saudade, foram bons cinco anos a bordo do valente D25 CT Marcilio Dias, quando vi essa foto já me vi correndo pelo convés guarnecendo posto de combate. – Fernandes

Sou filho de um sargento da reserva da Marinha , apaixonado por navios de Guerra da Marinha do Brasil . Quando meu pai estava na Marinha fui muitas vezes dormir nos navios , quando ele estava de serviço. E por isso , comecei a despertar em mim uma atividade muito importante , comecei a criar réplicas e hoje dedico algumas horas fazendo réplicas , principalmente contra-torpedeiros e em breve colocarei em um site a venda ! Este site deveria conter mais fotos desses navios . – Aldrin

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Vulcan Phalanx na MB

O desenho acima feito por Alexandre Galante, publicado na revista Segurança & Defesa no. 21, de 1988, mostra a corveta Inhaúma equipada com um CIWS americano Phalanx, de 20mm, na popa.

Naquele ano, o Jane’s tinha acabado de publicar a notícia de que o Brasil havia solicitado a compra de 8 sistemas Phalanx aos EUA. A compra acabou barrada depois pelo Congresso americano.

Os motivos do impedimento teriam sido os mesmos que impossibilitaram a FAB de ter acesso ao canhão Vulcan de 20mm nos seus AMX. Na época, a Marinha do Brasil também desenvolvia um canhão anti-míssil de tiro rápido de 20mm no IPqM e os americanos provalvelmente temiam que o Phalanx fosse “copiado”.

Na foto abaixo, o único CIWS Phalanx da MB, que veio no NDCC Mattoso Maia. O sistema encontra-se inoperante.

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Reportagem especial do jornal The Guardian publicada no ano 2000, cobriu o encontro de ex-tripulantes do submarino nuclear britânico HMS Conqueror, do cruzador General Belgrano e do contratorpedeiro Hipolito Bouchard (classe Allen M. Sumner).

O comandante do Hipolito Bouchard confirma que seu contratorpedeiro foi atingido pelo terceiro torpedo disparado pelo Conqueror, e que o torpedo explodiu, mas não por impacto direto, por isso o navio sobreviveu, mas com avarias.

O comandante do Bouchard disse também que os contratorpedeiros argentinos fugiram após o ataque e que não lançaram cargas de profundidade tentando contra-atacar o submarino. Segundo ele, o sonar do seu navio funcionava, mas era muito velho.

Outro dado interessante passado pelo comandante argentino é que os contratorpedeiros que escoltavam o Belgrano estavam armados com mísseis Exocet MM38, mas que os mísseis do cruzador eram falsos, esculpidos em madeira!

NOTA DO PODER NAVAL: post publicado na primeira versão do Blog Naval, em 30 de outubro de 2007.

SAIBA MAIS: segundo várias fontes, o cruzador argentino ARA General Belgrano foi atingido por torpedos quando navegava escoltado por dois contratorpedeiros, o ARA Piedra Buena (D29) e o ARA Hipolito Bouchard (D26).

Um detalhe importante é que o submarino nuclear também estava equipado com os mesmos Tigerfish Mk.24 usados pela Marinha do Brasil até pouco tempo atrás, mas o comandante inglês preferiu usar os velhos e confiáveis Mk.8, do que os modernos, porém problemáticos, Mk.24. Ele teve que se arriscar, porque os disparos foram feitos à “queima roupa”, à distância de apenas 1.380 jardas!

Paradoxalmente, os argentinos dispararam naquele conflito modernos torpedos SUT alemães guiados a fio, mas nenhum acertou os navios britânicos.

Por conta desses fatos, especialistas são da opinião de que a MB adote também torpedos de tiro reto ao mesmo tempo em que recebe os novos Mk.48 americanos, porque em caso de conflito, não podemos depender só de torpedos guiados a fio, que são praticamente “caixas-pretas”, que não dominamos.

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Avarias estruturais em contratorpedeiros classe “Arleigh Burke”

Foi noticiado que sérias avarias estruturais foram encontradas em vários contratorpedeiros da classe “Arleigh Burke” da US Navy. Eles somam 51 navios em operação, de um total 63 planejados, construídos pelos estaleiros Bath Iron Works, da General Dynamics, e Ingalls shipyard, da Northrop Grumman Corporation.

As avarias teriam sido provocadas pelo impacto da proa em mar grosso, causando rachaduras em estruturas de 13 navios da classe.

Os custos dos reparos e mudanças de projeto para os novos navios devem alcançar a cifra de US$ 63 milhões.

NOTA DO PODER NAVAL: notícia publicada no antigo Blog Naval em 23 de outubro de 2007.

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Os navios disponíveis na época e a escolha da Vosper Mk.10

Alexandre Galante

As conclusões do grupo de trabalho da EGN sobre a necessidade de se adquirir fragatas anti-submarino foram aprovadas pelo EMA e pelo Ministro da Marinha na época, o almirante-de-esquadra Paulo Bosísio. Em 1965, foi colocado em prática o Plano Diretor da Marinha, um programa plurianual de investimentos e custeio, criado pelo almirante-de-esquadra Sylvio Motta. Em 1966, foi criada a “Comissão de Construção de Navios da Marinha do Brasil”, que tinha como tarefa administrar as construções dos novos navios, coordenando todas as organizações da Marinha envolvidas nos projetos.

A primeira tarefa da Comissão foi definir os navios que deveriam ser construídos, dentro das categorias estabelecidas pelos estudos do Estado Maior. Cabia à Comissão, obedecendo ao EMA, definir que navios a Marinha deveria comprar e o respectivo orçamento, que seria encaminhado ao Governo, para juntar-se ao montante das verbas a serem alocadas à Marinha.

Uma diretriz inicial do EMA dizia que as fragatas a serem adquiridas já deveriam estar em serviço no país de origem, evitando assim que a Marinha adquirisse navios novos e servisse de “cobaia”.

A escolha do navio

A questão inicial muito debatida sobre as futuras fragatas era a sua propulsão. Havia na Marinha do Brasil da época um viés pela propulsão a vapor e uma resistência à propulsão diesel. As recentes turbinas à gás eram também vistas com desconfiança pela “velha guarda”.

A Missão Naval Americana então existente no Brasil ficou muito interessada no programa de construção das fragatas e organizou apoio ao financiamento para a construção no Brasil, caso viesse a ser escolhido um navio americano.

Após o envio de oficiais brasileiros para examinarem várias classes de navios, dentre elas a “Bronstein” americana, a “Köln” alemã e a “Leander” inglesa, decidiu-se pela “Bronstein”. A Marinha chegou a encomendar dois navios desta classe, modificados aos EUA, que viriam sem os foguetes anti-submarino ASROC e o ultra poderoso sonar SQS-26. Sabiamente, mais tarde, a compra foi cancelada, por falta de um plano de financiamento adequado.

Voltando à estaca zero, a Marinha começou a procurar um novo navio, desta vez amparada pela autorização do Governo Médici de conseguir um financiamento externo de até US$ 250 milhões, para a compra inicial de 10 fragatas. O valor total estimado foi baseado nas “Bronstein”, que custavam na época cerca de US$ 25 milhões a unidade.

Foi preparada uma folha de especificações para ser enviada a estaleiros estrangeiros a fim de que estes apresentassem suas propostas técnicas, acompanhadas de cronogramas de construção e programas de financiamento. Vários estaleiros apresentaram propostas, entre eles o Swan Hunter, a Yarrow, a Vosper Thornycroft e Vickers Limited Shipbuilding Group (Reino Unido), Blohm und Voss e HDW (Alemanha), Cantieri Navali del Tirreno e Reuniti (Itália), Verolme (Holanda) e DTCN (França). A proposta francesa ficou fora da competição logo de início porque não contemplava o atendimento dos requisitos técnicos da MB, mas sim a compra direta de um modelo já existente, o que não interessava à Marinha.

As propostas finalistas foram as da Vickers, Yarrow, Vosper e da Blohm & Voss/HDW. A Vickers e a Yarrow desenharam um navio dentro do limite de 25 milhões de dólares, baseados na fragata Type 21 (classe “Amazon”) que a Yarrow estava construindo para a Royal Navy, em conjunto com a Vosper. Infelizmente essa proposta foi rejeitada, porque o porte do navio não era suficiente para receber todos os equipamentos especificados pela Marinha do Brasil.

Ficaram então duas propostas na reta final: a alemã, com um financiamento apoiado pela Ferrostaal, Otto Wolff e Klöckner-Humboldt e a inglesa da Vosper, com um financiamento do banco SG Warburg e seguro de crédito do ECGD (Export Credit Guarantee Department), do Governo Inglês).

O projeto do navio proposto pelos alemães era baseado nos contratorpedeiros classe “Hamburg”, da marinha da República Federal da Alemanha, com a instalação propulsora CODOG, ao invés da propulsão a vapor nos navios originais e a suíte eletrônica seria italiana e holandesa.
A proposta do estaleiro Vosper Thornycroft foi baseada numa extrapolação da fragata classe “Amazon” (Type 21), construída sob as especificações da Royal Navy. A Vosper tinha também tradição e experiência em projetar navios para exportação e dando seqüência às designações dadas a projetos de outras marinhas, nomeou o projeto da Marinha do Brasil como Mk.10.

A proposta da Vosper ultrapassou o limite de US$ 25 milhões de dólares por navio (na verdade girava em torno de US$ 40 milhões), mas preenchia todos os requisitos técnicos e operativos.

Finalmente a vencedora foi justamente a proposta inglesa, que se encaixou perfeitamente aos requisitos da MB e que tinha condições vantajosas de financiamento. Em setembro de 1970 foi assinado o contrato de 100 milhões de libras com a Vosper inglesa para a construção de seis fragatas Mk.10, mas as cifras depois chegaram a 150 milhões, devido aos custos adicionais e à inflação. As fragatas seriam divididas em dois subtipos: duas da versão E/G (emprego geral) e quatro A/S (anti-submarino), com a diferença residindo sobretudo em alguns armamentos e em seus respectivos sistemas.

Como o estaleiro inglês Vosper praticamente vivia da exportação de navios de guerra, a encomenda de 6 grandes navios faria com que se perdessem encomendas de outros países, enquanto as Mk.10 estivessem em construção. Foi decidido então que, para a solução do problema, duas das fragatas seriam construídas no Brasil pelo Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro (AMRJ), com transferência de tecnologia. A decisão se mostrou sábia, porque foi graças à construção desses navios que mais tarde concebeu-se o navio-escola Brasil, baseado no mesmo casco das fragatas, e mais tarde, projetou-se as corvetas.

NA PRÓXIMO POST: Projeto e construção das Mk.10

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Antes das fragatas, os navios “novos” da Marinha do Brasil eram quase todos de segunda-mão

Alexandre Galante

As fragatas da classe “Niterói” (Vosper Mk.10) começaram a entrar em serviço na segunda metade da década de 70 e são até hoje a espinha dorsal da Esquadra brasileira. Esses navios, que representaram um salto tecnológico de 30 anos em relação ao material flutuante então existente no Brasil, foram os primeiros equipados com computadores digitais táticos, turbinas a gás aeroderivadas, mísseis superfície-superfície e mísseis anti-submarino, entre outros avanços.

Projetadas pelo estaleiro britânico Vosper Thornycroft especialmente para atender às especificações da Marinha do Brasil, as Mk.10 herdaram muitas características de suas predecessoras Type 21 (foto abaixo) construídas para a Royal Navy, e das Mk.1 (adquiridas pelas marinhas de Gana e Líbia), Mk.3 (Nigéria), Mk.5 (Irã), Mk.7 (Líbia) e Mk.9 (Nigéria).

O conceito comercial bem-sucedido da Vosper de projetar “navios de combate interessantes para marinhas de médio porte” tornou-se exeqüível na época devido a diversos desenvolvimentos tecnológicos, especialmente o advento das turbinas a gás marítimas, com alta proporcionalidade força-peso.

Uma nova geração de armamentos e sistemas de direção de tiro também proporcionaram maior poder de combate, redução de peso e tamanho, com mais confiabilidade. A perspectiva do uso de mísseis antinavio que não necessitavam de um sistema de controle sofisticado e dispendioso, ofereceu uma solução que deu aos navios de combate de superfície, a capacidade de transportar um poder de fogo que no passado exigiria um casco bem maior.

Outro fator importante foi a redução da tripulação, sem a qual o conceito não teria sido viabilizado. Em um navio de guerra cada homem requeria cerca de 5 metros cúbicos de espaço, e uma drástica diminuição da tripulação favoreceria o projeto de um navio de combate menor, de custo operacional mais reduzido e mais confortável.

O legado

Assim como na Primeira Guerra, a Marinha do Brasil entrou na Segunda Guerra Mundial despreparada, atuando principalmente na escolta de comboios contra o ataque de submarinos alemães. Por volta de 1942, os navios brasileiros eram vetorados por navios caça-submarino americanos para lançar bombas de profundidade, porque nossos navios não dispunham de sonar.

O navio-hidrográfico Rio Branco (contribuição da Revolução Paulista para a Esquadra Brasileira, também comprado de segunda-mão) e os navios mineiros classe “Carioca”, foram reclassificados como corvetas e receberam sonares, o que também foi feito com os cruzadores Bahia e Rio Grande do Sul.

Só então, a Marinha do Brasil tornou-se capaz de prover a escolta de comboios de navios mercantes nas costas brasileiras. Depois disso, os EUA passaram a ceder ao Brasil navios-escolta, primeiro os caça-submarino de madeira (caça-pau), depois os de aço (caça-ferro) e por fim, os DEs (destróieres de escolta).

Finda a Segunda Guerra Mundial, o Brasil se acostumou a receber por preços módicos navios usados da US Navy. Em 1950 foram recebidos dois cruzadores veteranos, o Saint Louis e o Philadelphia, que passaram a ser, respectivamente, Tamandaré (C12) e Barroso (C11). Em 1956 a MB recebeu submarinos “fleet type” também veteranos da guerra e em 1957 foi comprado o HMS Vengeance, que passou a ser o NAeL Minas Gerais.

Em 1958 foi iniciado o recebimento dos contratorpedeiros classe “Fletcher”, depois as “Allen M. Sumner” e “Gearing”. Todos esses navios foram importantes para a Marinha do Brasil para o desenvolvimento de doutrina anti-submarino e adestramento do pessoal, mas não representavam o “estado-da-arte” na guerra naval e tinham sido concebidos para atender às especificações da US Navy.

Do ponto de vista tático e estratégico valiam muito pouco, a não ser para manter um certo equilíbrio com as marinhas vizinhas, que também se equipavam com excedentes da Marinha dos EUA. A aquisição das “Niterói” mudaria tudo isso.

Nasce a ideia das Fragatas

O EMA (Estado Maior da Armada) tinha planos para a construção de fragatas desde 1961, mas sem definições precisas para os navios. Antes disso a MB tinha tentado junto aos EUA a construção de escoltas no Brasil com financiamento americano, a exemplo de países da OTAN, mas sem sucesso.

Em 1963 o CEMA (Chefe do Estado Maior da Armada), almirante-de-esquadra José Luiz da Silva Junior, determinou à Escola de Guerra Naval — o “think tank” do Estado Maior — que estudasse as necessidades dos navios da Marinha, considerando suas reais prioridades e que fossem especificadas suas características operativas.

O diretor da EGN, almirante Fernando Carlos de Mattos, formou um grupo de trabalho dirigido pelo capitão-de-mar-e-guerra Ibsen de Gusmão Câmara. O grupo de trabalho tomou como diretrizes as hipóteses de guerra adotadas pelo Governo Brasileiro e a partir delas, formulou o conceito de que a missão da Marinha do Brasil em caso de guerra seria “proteger o tráfego marítimo essencial à sobrevivência do País”.

Tendo em vista que o tráfego que mais interessa ao Brasil é o que se dá no Atlântico Sul, o estudo se concentrou no submarino como a ameaça mais provável sobre a manutenção dos fluxos de transporte marítimo. Então, a proteção aos navios mercantes necessariamente enfatizou a guerra anti-submarino.

O estudo considerou os volumes de tráfego de importação/exportação, o mínimo de tonelagem mensal nos dois sentidos, tomando por base o porte bruto médio de cargueiros e navios tanque da época e calculou o número de navios por comboios. Chegou-se à quantidade de navios de escolta anti-submarino que a MB precisava ter: 30 fragatas, incluindo 2 navios reserva.

EM PRÓXIMO POST: Os navios disponíveis e a escolha da Vosper Mk.10

NOTA DO EDITOR: Estamos republicando as matérias que faziam parte do antigo site do Poder Naval. Decidimos começar pela classe “Niterói”, pois atualmente a Marinha trabalha junto ao Governo para adquirir novas fragatas para substituir esses navios. Esperamos que os leitores possam compreender a importância das fragatas para a Marinha e em qual contexto foram adquiridas.

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