Página 9 de 31« Primeira...7891011...2030...Última »

Frota de palitos de fósforo

Phillip Waren, um senhor de 79 anos de idade, passou 62 anos de sua vida criando incríveis miniaturas de navios de guerra feitas de palitos de fósforo  e suas caixas de madeira.

Ele começou a fazer as miniaturas quando tinha 17 anos, usando as coisas que haviam ao seu redor e como os palitos de fósforo eram muito comuns, encontrar grandes quantidades foi muito fácil.

O mestre modelador de Brandford, Dorset, modelou cada navio construído para a Royal Navy desde 1945, bem como 60 outros navios da US Navy e outras fortalezas flutuantes de outras 18 nações. Um dos maiores navios na coleção é o USS Nimitz, um dos maiores navios-aeródromo do mundo.

Em toda a sua carreira de modelador de navios, Phillip Waren criou mais de 400 navios, bem como 1.200 aeronaves que fazem seus port-aviões parecerem mais reais. O navio mediano na sua coleção emprega cerca de 1.500 palitos e levou mais de um mês para ser feito, mas suas maiores criações levaram mais 5.000 palitos e 200 caixas de madeira. Estes levaram mais de um ano para serem completados. Em todos os navios, Phillip Waren usou mais de 650.000 palitos de fósforo, para criar a frota inteira.

Embora muitos curadores de museus digam que suas criações de palito valem muito dinheiro, Phillip Waren as considera de valor inestimável, e nunca considerou a sua venda. Ele decidiu não fazer seguro, porque sente que “a finalidade do seguro é a de substituir as coisas quando você perdê-las. Mas estas nunca poderão ser substituídas “.

Infelizmente, sua coleção não vai crescer muito mais do que já é, não por causa da idade de Phillip Waren, mas sim porque as caixas de madeira dos palitos de fósforo foram substituídas por papelão e seu estoque está acabando.

BATE-PAPO ONLINE: Converse com os editores e outros leitores sobre este e outros temas, no ‘Xat’ do Poder Naval, clicando aqui.

Tagged with:
 

O Paquistão operou oito contratorpedeiros da classe “Gearing”, que começaram a chegar ao país em 1977. Os navios foram modernizados depois, recebendo novos equipamentos eletrônicos, mísseis antinavio Harpoon e CIWS Vulcan Phalanx de 20mm.

Sua substituição começou em 1988, quando o Paquistão recebeu por leasing fragatas da classe “Brooke”, que mais tarde foram devolvidas por causa do embargo americano.

O Paquistão então voltou-se novamente para o Reino Unido a fim de comprar navios de guerra e adquiriu as fragatas da classe “Amazon” Type 21.

Nas fotos, alguns “Gearing” paquistaneses, lembrando que a Marinha do Brasil também operou dois navios desta classe espetacular.

FONTE: Pakdef.info

Tagged with:
 

Nas fotos, o HMAS Melbourne, antes e depois da modernização, com diferentes grupos aéreos.

A Austrália não opera mais navios-aeródromo e decidiu operar apenas aviões de ataque baseados em terra. O navio de 20.000t, da classe “Majestic” (irmã da “Colossus”, do nosso NAeL Minas Gerais), operou de 1955 a 1982.

BATE-PAPO ONLINE: Converse com outros leitores sobre este e outros temas navais no ‘Xat’ do Poder Naval, clicando aqui.

Tagged with:
 

Poder Naval americano em decadência?

O gráfico mostra no número de navios de guerra em operação na Marinha dos Estados Unidos (US Navy) desde 1900. O Governo de Barak Obama parece que vai cortar ainda mais navios. Mahan ficaria satisfeito com o que está acontecendo com o Poder Naval americano?

BATE-PAPO ONLINE: Converse com outros leitores sobre este e outros temas navais no ‘Xat’ do Poder Naval, clicando aqui.

Tagged with:
 

A história por trás de uma foto

Os Aviões T-34 da Armada da República Argentina e o Navio-Aeródromo Ligeiro ‘Minas Gerais’

Por: CC Mauro Olivé Ferreira (*)

As pessoas que visitam o Museu da Aviação Naval, localizado na Base Aérea Naval de São Pedro da Aldeia (BAeNSPA), podem observar no 2º andar um quadro que mostra a foto de um avião Beechcraft T-34C-1 Turbomentor da Armada da República Argentina (ARA) executando uma arremetida sobre o convoo do lendário Navio-Aeródromo Ligeiro (NAeL) Minas Gerais, no ano de 1997.

Nessa foto, há uma dedicatória em espanhol do então Chefe do Estado-Maior da ARA, Almirante Carlos Alberto Marrón, ao então Ministro da Marinha do Brasil, Almirante Mauro César Rodrigues Pereira, que diz:  “Como testemunho da primeira operação realizada a bordo do NAeL Minas Gerais com aviões navais argentinos tripulados por pilotos navais brasileiros. Buenos Aires, 22/12/1997”.

Segue abaixo a história por trás desta singela, porém significativa lembrança.

Naquele ainda não tão distante ano de 1997, a MB enviou para a Armada da República Argentina (ARA) a terceira turma de aviadores navais que cursariam a Escuela de Aviación Naval (EAN), localizada na Base Aeronaval de Punta Índio, aproximadamente a 120 km a leste de Buenos Aires, bem na foz do Rio da Prata.

A turma era basicamente composta por dois aviadores navais já formados no ano anterior no Curso de Aperfeiçoamento em Aviação para Oficiais (CAAVO) da MB, os então 1º Tenentes Lucas Soares Fragozo e Mauro Olivé Ferreira.

Composto por dez estágios, o “Curso de Aviación em Ala Fija” tinha como aeronave de instrução o também lendário T-34C-1.

Iniciado em 30 de janeiro, o curso foi estruturado desde estágios básicos de aviação, culminando, em outubro do referido ano, com a aproximação real a Navio-Aeródromo.

A prática real viabilizou-se porque, naquele ano, o, hoje saudoso NAeL Minas Gerais se aproximou da costa da cidade argentina de Bahía Blanca, em razão da “fase argentina” da Operação UNITAS VII.

Àquela altura, outubro de 1997, o curso em Punta Índio já se aproximava de seus momentos finais e, dos 19 alunos que iniciaram o curso, somente 14 continuavam. Entre eles, os dois brasileiros.

Aproveitando-se da proximidade do referido NAeL à costa argentina, a ARA, por meio da EAN, selecionou seis oficiais alunos para serem deslocados para a Base Aeronaval de Espora, próxima à Bahia Blanca, que ao chegarem lá, deveriam executar a prática em terra de pouso em navio (PTPN), espécie de estágio preparatório para a aproximação real em alto mar.

Assim que chegamos, percebemos que não somente os alunos de Punta Índio, mas também grande parcela de toda a Aviação Naval da ARA aproveitaria  para adestrar os seus pilotos em toque-e-siga no NAeL Minas Gerais.

Eram pilotos de S-2T Turbo-Tracker e caças Super-Etendard, que se preparavam em Espora para a aproximação real ao NAeL, acelerando ainda mais o já frenético movimento de aeronaves nas pistas daquela base.

Por esta razão, cabia aos pilotos da EAN aguardar todos os dias uma janela para treinamento, já que a prioridade, obviamente, era manter ou readquirir a qualificação dos aviadores navais argentinos dos Esquadrões operativos.

Assim sendo, logo na tarde do primeiro dia, iniciou-se o PTPN.

Para tanto, os 6 alunos (mais os seus 6 instrutores) foram deslocados de viatura até a cabeceira de uma das três pistas de Espora (de acordo com o vento reinante) e lá ficamos aguardando a referida janela de treinamento, entre os períodos destinados aos S-2T e Super-Etendard.

Lembro-me bem da surpresa que passei na primeira aproximação ao “convés de vôo” simulado do suposto Navio-Aeródromo, preparada em uma das cabeceiras de Espora.

Como a pista em Punta Índio era 20 metros mais estreita que a pista em Espora, havia uma falsa sensação de estarmos mais baixo do que na realidade estávamos.

A consequência foi que nos primeiros pousos levantávamos o nariz do avião para fazer o “flare” em uma altura superior à correta e, literalmente, “caíamos” de uma altura de dois a quatro metros, rendendo alguns sustos e, é claro, uma reclamação de nossos instrutores.

A partir daí, todos os dias, por volta das sete e meia da manhã, os 6 alunos executavam aproximadamente dez passes na pista que simulava o convoo do Minas Gerais, apurando a cada passe a técnica básica: ao entrar na curva base,  procurava-se identificar a “bolinha” no espelho posicionado na lateral esquerda da pista.

Após isso, executava-se a aproximação final ao “convoo”, procurando manter a “bolinha” alinhada às luzes verdes do espelho (o que indicava que a rampa de aproximação estava correta), mantendo a velocidade correta (inacreditáveis 65 Knts), de olho no alinhamento da pista e no semáforo de ângulo de ataque, no painel da aeronave, para assegurar que tocaríamos na pista com a atitude correta: nem rápidos demais, nem ao contrário, próximos de um “stall”, ou seja, lentos o suficiente para perdermos sustentação naquele momento crítico, que era a aproximação à “popa” do NAeL simulado.

Sobre a velocidade, cabe aí um comentário. Para que o Mentor conseguisse manter o ângulo de ataque correto, a 65 Knts, sem estolar, só havia uma maneira: voar com a cabine aberta!

O T-34 tinha que voar com o seu Canopy todo recuado, com o piloto sentindo, efetivamente, o vento no rosto para que a atitude correta de aproximação, à velocidade tão baixa, fosse alcançada.

Chegou, então, o grande dia. Todo aquele esforço em Espora serviria para aquele momento único, quando duas esquadrilhas de três Mentor, uma de manhã e outra à tarde, fariam a aproximação real ao lendário e notável Minas Gerais.

Os seis alunos e seus respectivos instrutores foram divididos. Na esquadrilha da manhã, Fragozo e cinco colegas argentinos (dois alunos e três instrutores) e, à tarde, eu e outros cinco pilotos argentinos (também cada Mentor com um aluno e um instrutor).

O instrutor mais antigo decidiu que os brasileiros seriam os alunos das aeronaves líderes, formando os pilotos argentinos na ala de nossas aeronaves.

Ao se aproximar a minha hora de decolagem, recebi no hangar a tripulação da primeira esquadrilha. O sorriso exultante do meu colega brasileiro respondia qualquer pergunta do tipo “e aí, como foi o voo?”

Chegou a minha vez! Decolamos em ala de Espora e logo direcionamos nossa esquadrilha na direção da imensidão do Atlântico Sul.

O instrutor mais antigo (que estava na minha aeronave) determinou-me manter a fonia em espanhol (mesmo após entrar em contato com o controle de aproximação do Minas Gerais), para que todos os pilotos argentinos da minha esquadrilha pudessem entender a comunicação com o NAeL e assim cumpri.

Após poucos minutos de voo, tive uma das mais marcantes visões da minha carreira: avistei, na imensidão azul, o majestoso Grupo-Tarefa (GT) nucleado no NAel Minas Gerais.

Tive de segurar as lágrimas, pois, após nove meses de sacrifício, em um curso naturalmente desgastante, realizado longe de casa, voltava a operar com navios da Marinha do meu querido Brasil.

Mas ainda faltava fazer a minha parte e, desta forma, entrei em contato com o controle de aproximação para passar a mensagem de apresentação da nossa esquadrilha (em espanhol, como determinado).

Não deixou de ser curioso, já que o controlador se esforçava para falar em espanhol sofrível com o piloto que suspeitava ser argentino.

Como o navio sabia que na minha esquadrilha estaria vindo o outro brasileiro que, além do tenente Fragozo, estava cursando em Punta Índio, o controlador acabou perguntando:  “O Tenente Olivé se encontrava a bordo de alguma das aeronaves da esquadrilha?”.

Pedi, então, permissão ao meu instrutor e me apresentei em português ao mesmo: “Afirmativo, quem está falando é o Tenente Olivé.”

O controlador passou, então, a fonia para o então Comandante do NAeL Minas Gerais, o CMG Vallin, também aviador-naval, que me deu as boas-vindas e desejou bons passes.

Rompi a formatura e me aproximei como número um do Minas Gerais e ao entrar na “perna do vento”, no través do espelho observei que na ilha do Minas Gerais, militares se espremiam para ver a aproximação da esquadrilha de T-34, também contando com um piloto brasileiro como líder.

Como o trem do Mentor não era preparado para pouso a bordo, só poderíamos executar um toque eventual no convoo.

De fato, deveríamos dar potência na aeronave quando estivéssemos próximos de tocar, seguindo os sinais do Oficial de Sinalização e Pouso (OSP) do NAeL. Porém, à medida que fui executando os passes, com o vento em meu rosto, fui cada vez mais me aproximando do convoo, quando lá pelo quinto ou sexto passe (não me lembro ao certo), acabei tocando sem querer no convoo do Minas, quase de surpresa.

Em seguida ao toque, novamente dei potência e arremeti para o passe seguinte e, no final, e aí não mais “sem querer”, repeti o toque mais duas vezes.

O trem, sem qualquer problema, deu prova da sua resistência e no décimo passe, fui para o circuito de reunião e aguardei as outras duas aeronaves que concluíam também os seus passes.

Então, reuni a esquadrilha, me despedi, em português, do NAeL Minas Gerais e, mais uma vez como aeronave líder, tomei a proa de Espora na costa argentina.

Somente dias após a minha chegada em Espora é que fiquei sabendo que a ARA daria um jantar para a MB, ocasião para qual os dois alunos brasileiros também seriam convidados.

Inicialmente não entendi bem o porquê, mas o fato era que eu não sabia que nós dois tínhamos acabado de nos tornar os primeiros aviadores navais da MB, em algumas décadas, a tocar no convoo de um Navio-Aeródromo brasileiro pilotando um avião.

Somente entendi o significado deste momento histórico, quando naquela distante noite em outubro de 1997, no jantar ofertado pela ARA à MB, foi passada ao CGT brasileiro uma foto do meu Mentor se aproximando do NAel Minas Gerais.

Durante anos, esta foto decorou um dos corredores próximos à Praça DÁrmas do NAeL e com a baixa deste, a foto foi transferida para São Pedro da Aldeia e, anos mais tarde, passou a compor o honroso acervo do Museu da Aviação Naval, como mencionado acima, passando a ser um dos poucos registros históricos daquele momento, plantando mais um pequeno passo na retomada da aviação de asa fixa pela MB.

NOTA DO EDITOR: agradecemos ao CC Olivé pelo privilégio do Poder Naval ser o primeiro meio a divulgar esta importante passagem da história recente da nossa Aviação Naval.

(*) O autor é o atual Encarregado do CAAVO, no Centro de Instrução e Adestramento Aeronaval Almirante José Maria do Amaral Oliveira (CIAAN).

BATE-PAPO ONLINE: Converse com outros leitores sobre este e outros temas navais no ‘Xat’ do Poder Naval, clicando aqui.

Onde estou e que navio da MB movimentei: resposta

Como indica a placa fixada no local, trata-se de um dos hélices do Contratorpedeiro Mariz e Barros (M1 / D 26), da Marinha do Brasil, construído no Arsenal da Marinha do Rio de Janeiro, sendo a sua quilha batida em 8 de maio de 1937, com lançamento e  batismo em 28 de dezembro de 1940 e incorporação em 29 de novembro de 1943.

O hélice está exposto na Praça “Heróis da Força Expedicionária Brasileira”, ao lado do PAMA-SP (no quadrilátero formado pelas avenidas Brás Leme e Santos Dumont, e ruas Voluntários da Pátria e Aviador Gil Guilherme), em Santana, Zona Norte da cidade de São Paulo.

Apesar de praticamente todos os materiais e equipamentos do mesmo terem sido importados (vale lembrar que a grande siderurgia e a indústria de base no Brasil ainda estava por ser implantada com a construção da CSN em Volta Redonda, no âmbito das negociações Brasil – EUA ligadas à Segunda Guerra Mundial), a construção do Mariz e Barros e dos outros dois “Marcílios”, ou classe “M”, de projeto norte-americano (classe Mahan), representou grandes avanços na construção naval militar no país.

Esta vinha sendo retomada nos anos 30, com as grandes obras na Ilha das Cobras (na Baía da Guanabara – Rio de Janeiro) para o estabelecimento do novo Arsenal (antes restrito ao continente, “apertado” entre o Mosteiro de São Bento e o mar) e a construção dos primeiros navios para a MB, como o monitor fluvial Parnaíba (ainda na ativa) e os navios mineiros (depois corvetas) classe Carioca – ambos projetos nacionais, mas relativamente simples.

Os classe “M” eram muito mais complexos, representando projetos atuais, pois os Mahan ainda estavam sendo incorporados à Marinha dos EUA no final dos anos 30, implicando no aprendizado de modernas técnicas de construção naval, no que se destaca a solda elétrica na maior parte do casco – vale lembrar que essa técnica ainda era nova nos anos 30, e a substituição das estruturas rebitadas pelo emprego generalizado da solda seria o grande marco da construção naval em série na época da Segunda Guerra Mundial, especialmente nos EUA.

Embora o hélice da foto acima seja um equipamento importado, faz uma justa homenagem à primeira classe de navios de guerra realmente modernos (no contexto de sua época) construídos no Brasil no século XX. Uma pena que nenhum navio dessa classe, nem da classe “A” de contratorpedeiros, que lhe sucedeu nas carreiras do AMRJ, tenha sido preservado.

Para saber mais sobre o contratorpedeiro Mariz e Barros, que também se destaca por ter sido  modernizado na década de 1960, incorporando o primeiro lançador de mísseis antiaéreos da força, clique aqui para acessar seu histórico no site “Navios de Guerra Brasileiros” – NGB.

FOTO DA PLACA: Poder Naval (Nunão). FOTOS DO NAVIO via NGB

Tagged with:
 

Onde estou e que navio da MB movimentei?

Pra quem repara em monumentos colocados em praças e nas suas placas, em meio ao caos das grandes cidades, essa é fácil. Para quem não souber, resposta amanhã (segunda-feira), ao meio dia.

Tagged with:
 

Hoje é o 50º aniversário do primeiro lançamento de um míssil Polaris A1 feito por um submarino submerso. O primeiro ICBM Polaris A1 foi lançado pelo USS George Washington (SSBN-598), em 20 de julho de 1960, ao largo do Cabo Canaveral. O lançamento de teste provou a capacidade de lançar mísseis sob a proteção natural do mar, garantindo a vantagem estratégica dos EUA na dissuasão nuclear.

O programa do Polaris começou em 1956 e quatro anos depois já estava produzindo um míssil de dois estágios e 1.200 milhas náuticas de alcance, com grande precisão.

Bons tempos do USS ‘Kitty Hawk’

Foto tirada na comissão de Shakedown do USS Kitty Hawk em 1962, no Caribe, com 12 bombardeiros A-3 a bordo.

Tagged with:
 

ARABelgrano

O almirante Woodward em seu livro “One Hundred Days” conta que a Frota Britânica, no dia 2 de maio de 1982, estava dentro da zona de exclusão de 200 milhas imposta pela Inglaterra à Argentina em torno das Malvinas, posicionada em algum ponto à nordeste das ilhas.

Às 3h20 da manhã, Woodward foi acordado por seu staff, com o aviso de que um avião Tracker tinha iluminado sua Força-Tarefa com o radar de busca e que os argentinos agora sabiam sua posição.

Um jato Sea Harrier foi enviado para a marcação do contato, a fim de investigar. O jato britânico mais tarde informou que durante o voo, seu RWR (Receptor de Alerta Radar) registrou que o caça foi iluminado por um radar de direção de tiro, Type 909, que equipava os destróieres Type 42 argentinos. Desta forma, confirmou-se a presença, a cerca de 200 milhas de distância da FT britânica,  do NAe 25 de Mayo e de suas escoltas Type 42, Santissima Trinidad e Hercules.

Woodward sabia que o 25 de Mayo levava 10 jatos Skyhawk com 3 bombas de 500kg cada, o que significava um possível ataque de 30 bombas à FT britânica, logo após o amanhecer. E ainda havia o temor de que os jatos Super Étendard também pudessem decolar do 25 de Mayo, com Exocets.

Para piorar a situação, 200 milhas ao sul das Ilhas Malvinas, o cruzador General Belgrano e duas escoltas estavam à espreita e poderiam chegar em poucas horas à distância de tiro de seus Exocet contra a FT britânica.

O cruzador General Belgrano era o ex-USS Phoenix da classe “Brooklin”, de 13.500t de deslocamento, armado com 15 canhões de 6 polegadas, oito canhões de 5 polegadas, todos maiores que os canhões da FT britânica.

O navio era o sexto da classe, com construção iniciada em 1935 e lançamento em 1938. Ele escapou do ataque japonês à Pearl Harbor em 1941 e foi descomissionado em 1946, sendo transferido à Argentina em 1951.

Além dos canhões, o General Belgrano também tinha recebido lançadores de mísseis Exocet MM38, assim como suas escoltas.

O almirante britânico percebeu que o 25 de Mayo e o Belgrano estavam fazendo um movimento em pinça e que um dos dois precisava ser eliminado. Como a posição do navio-aeródromo argentino não era conhecida, o Belgrano foi o escolhido.

O submarino nuclear HMS Conqueror, comandado por Christopher Wreford-Brown, estava acompanhando o cruzador argentino de perto há dois dias, enquanto o submarino HMS Spartan ainda não tinha encontrado o navio-aeródromo argentino.

O HMS Conqueror descobriu um navio-tanque argentino e o acompanhou até o ponto de encontro com o Belgrano e assistiu à operação de reabastecimento.

As ROE (Regras de Engajamento) não permitiam ao HMS Conqueror disparar contra o Belgrano, pois o mesmo se encontrava fora da Zona de Exclusão.

O almirante Woodward precisava pedir ao Comandante-em-Chefe na Inglaterra para alterar as ROE e ordenar ao Conqueror o afundamento do Belgrano imediatamente. Mas o pedido enviado à Inglaterra por satélite iria demorar muito, o que poderia fazer com que o submarino britânico perdesse contato com seu alvo.

Sendo assim, Woodward ordenou o ataque enviando a seguinte mensagem ao submarino: From CTG (Commander Task Group) 317.8 to Conqueror, text prority flash – attack Belgrano group. Ao mesmo tempo, solicitou permissão da revisão da ROE, esperando que ele fosse atendida, pela emergência da situação.

ARA General Belgrano

O Grupo-Tarefa do Belgrano estava navegando a 13 nós, acompanhado pelo HMS Conqueror, que fazia perseguição padrão “sprint-and-drift”, que consiste em navegar em grande profundidade a 18 nós por 15 ou 20 minutos, depois indo para a cota periscópica, navegando a 5 nós, a fim de atualizar a posição do alvo pelo oficial de controle de tiro. Depois, a perseguição começava novamente.

O temor de Woodward e do comandante do submarino era o Belgrano rumar para o Banco Burdwood, uma elevação no fundo do mar que obrigaria o submarino a navegar numa profundidade menor e perder o contato com o cruzador e seu grupo. Por isso a pressa em tomar logo a iniciativa de afundá-lo, enquanto havia contato com ele.

Às 0810Z do dia 2 de maio, o GT do Belgrano mudou de curso, agora rumando para o continente. Às 1330Z, o Conqueror recebeu o sinal de mudança de ROE vindo da Inglaterra.

O Comandante do HMS Conqueror, Christopher Wreford-Brown, comentou mais tarde suas impressões sobre a navegação tática do Belgrano. O comandante do navio, capitão Hector Bonzo, parecia não estar nem um pouco preocupado em ser alvo naquele momento.

Navegava a 13 nós, com os escoltas mais à frente, num leve ziguezague. O comandante do navio argentino não era submarinista e parecia conhecer pouco de submarinos, principalmente de nucleares. Se conhecesse, estaria navegando em velocidade bem mais alta, com os escoltas lado a lado protegendo seu costado e fazendo um ziguezague mais agressivo, para evitar possíveis torpedos.

Para completar, os escoltas do Belgrano estavam navegando com os sonares ativos desligados.

Às1830, o HMS Conqueror aproximou-se do Belgrano em alta velocidade por bombordo, passando por baixo dele e indo para a cota periscópica por boreste, a fim de conseguir uma boa solução de tiro.

O comandante Christopher já tinha se decidido em usar velhos torpedos de tiro reto Mk.8 da Segunda Guerra Mundial, pois levavam maior carga explosiva e eram mais confiáveis que os novos Tigerfish Mk.24, guiados a fio.

Os tubos foram carregados com 3 torpedos Mk.8 e 3 Mk.24, por precaução. Os torpedos foram disparados à proa do Belgrano, para que encontrassem o navio numa posição futura.

Segundo o comandante do Conqueror, os disparos dos torpedos foram feitos à “queima-roupa”, à distância de 1.380 jardas (1.255m), com os operadores de sonar do Conqueror ouvindo bem alto o característico som dos hélices do Belgrano, algo parecido com “Chuff-chuff-chuff… chuff-chuff-chuff…”.

Após 55 segundos do primeiro disparo, o primeiro torpedo explodiu na proa do cruzador, no ponto após a âncora e antes da primeira torreta. A proa foi arrancada pela explosão. O comandante Christopher viu a explosão pelo periscópio e ficou abismado.

Logo veio a explosão do segundo torpedo, que atingiu o navio na altura da superestrutura.

O terceiro torpedo acabou errando o Belgrano e explodiu por acionamento da espoleta de proximidade, na popa do destróier argentino ARA Bouchard, sem maiores danos. Vinte minutos depois do ataque, o comandante do Belgrano ordenou à tripulação o abandono do navio, o que foi feito sem pânico, em botes salva-vidas infláveis.

Como estava escuro, as escoltas do Belgrano não sabiam ainda o que havia acontecido, pois o cruzador após o ataque ficou sem rádio. Quando as escoltas perceberam o ocorrido, tentaram inutilmente o lançamento de cargas de profundidade.

Navios argentinos e chilenos resgataram 770 tripulantes do Belgrano do mar, entre os dias 3 e 5 de maio. Um total de 323 homens pereceram no ataque, entre eles dois civis.

A foto abaixo mostra o HMS Conqueror, retornando à Inglaterra após a Guerra das Malvinas, com sua bandeira de pirata Jolly Roger hasteada, que ao invés dos tradicionais dois ossos cruzados com a caveira, tem dois torpedos.

SAIBA MAIS:

De 25 de junho a 2 de julho de 2010, a Fragata Independência (F-44) participou das comemorações do centésimo aniversário da Marinha do Canadá, na cidade de Halifax. Na ocasião, navios de diversos países recordaram a tradição britânica chamada “Fleet Review”, do tempo das românticas batalhas navais, em que os navios da esquadra se dispunham em formatura e o monarca passava em revista às belonaves (navios de guerra).

Assim, a Marinha Canadense organizou, no dia 29 de junho, a “International Fleet Review”, com a presença de navios de diversos países componentes da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), dentre eles Alemanha, Dinamarca, Estados Unidos da América, França, Holanda e Reino Unido, além do Brasil, único País do Hemisfério Sul.

Representada pela Fragata Independência, coube à Marinha do Brasil prestar “Vivas” à Rainha do Reino Unido e da Commonwealth Britânica, Elizabeth II.

O hábito dos “Vivas” é uma repetição da antiga forma de continência e saudação à autoridade que passar perto do navio. A guarnição, em postos de continência, a um sinal, leva o boné ao peito do lado esquerdo, com a mão direita, e, ao sinal de salvas do apito marinheiro, estende, sete vezes,  a mão com o boné para o alto, à direita, e dá os vivas correspondentes.

A bordo da Fragata Independência, encontravam-se o Embaixador do Brasil no Canadá, Paulo Cordeiro de Andrade Pinto e a Embaixatriz, Vera Lúcia Ribeiro Estrela de Andrade Pinto; o Comandante da Quarta Frota da Marinha dos Estados Unidos da América, Contra-Almirante Victor G. Guillory; o Adido Naval do Brasil nos Estados Unidos e Canadá, Contra-Almirante Dilermando Ribeiro Lima, além de outros convidados.

Whiskey on the rocks - 1

vinheta-exclusivoEm novembro de 1981 um submarino soviético da classe “Whiskey” encalhou nas rochas  perto de Karlskrona, Suécia.

A situação foi extremamente embaraçosa tanto para URSS, quanto para a Suécia. Para a primeira, por ter um submarino surpreendido operando bem dentro das águas suecas e a Suécia, por não ter tido condições de detectar o velho submarino russo, pois o mesmo foi visto inicialmente por um pesqueiro, que avisou as autoridades navais.

A União Soviética deu a desculpa de que o submarino teve problemas no sistema de navegação e por isso teria errado a rota, mas a Suécia não acreditou.

Afinal, a detecção de atividade submarina soviética era constante por unidades suecas.

Whiskey on the rocks - 2

Whiskey on the rocks - 4A situação piorou quando o capitão do submarino soviético, comandante Pyotr Gushin, se recusou a deixar o navio para conversar com os suecos, durante seis dias.

Só quando o ministro soviético dos negócios estrangeiros Andrey Gromyko interveio, o comandante resolveu colaborar. Então Gushin e seu oficial de navegação apareceram, para conversar com os suecos.

A situação tornou-se ainda mais embaraçosa para os soviéticos após os suecos anunciarem que investigações resultaram na descoberta de urânio 238 a bordo do submarino, levando à acusação de que ele provavelmente carregava torpedos nucleares a bordo.

Os soviéticos concordaram em pagar US$658.000 pela operação de resgate do submarino e depois de duras notas diplomáticas, a Suécia concordou em deixar o submarino sair.

Whiskey on the rocks - 3

A Marinha Sueca estava inicialmente mal equipada, por isso recebeu grandes investimentos para novos equipamentos ASW.

Nos anos seguintes, até meados da década de 1990, vários submarinos intrusos foram detectados pelas aeronaves suecas, então já modernizadas para enfrentar a ameaça submarina soviética.

Whiskey on the rocks - 8

Whiskey on the rocks - 7

Whiskey on the rocks - 9

Whiskey on the rocks - 10

As relações entre a URSS e a Suécia foram severamente testadas neste período e os suecos lidaram duramente com os contatos suspeitos, atacando-os com cargas de profundidade, para obrigá-los a emergir.

Explosão carga de profundidade

Whiskey on the rocks - 5

Quem viveu essa época, deve se lembrar das imagens na TV dos helicópteros suecos dipando seus sonares em busca de contatos submarinos.

FOTOS: imagens em exposição no Museu da Força Aérea Sueca

VEJA TAMBÉM:

Tagged with:
 
Página 9 de 31« Primeira...7891011...2030...Última »