Página 3 de 912345...Última »

O Brasil já foi à guerra

NAe São Paulo A-12 - 2

Meio século depois, um novo porta-aviões repete a sátira de Juca Chaves

O Brasil já vai a guerra, comprou um porta-aviões/Um viva pra Inglaterra, de oitenta e dois bilhões/Ahhhh! mas que ladrões. A sátira “Brasil já vai a guerra”, composta em 1958 pelo menestrel Juca Chaves, ainda parece perfeita para descrever o destino dos porta-aviões da Marinha brasileira.

Composta para ironizar a compra do NAeL Minas Gerais, o primeiro porta-aviões do país, depois vendido como sucata, a canção parece ter sido feita para o São Paulo, comprado em 2001. Em função de um acidente trágico, em que morreram três tripulantes, o novo porta-aviões passou cinco anos no estaleiro e já custou R$ 140 milhões em manutenção e reparação – sete vezes o preço de compra.

Anacrônico, o São Paulo não é capaz de transportar os caças que a FAB pretende comprar na célebre concorrência de US$ 5 bilhões que mobiliza franceses, suecos e americanos. Segundo a Marinha, eles são pesados demais para o porta-aviões. Procurado para falar sobre o assunto, Juca Chaves mandoudizer que está de férias.

FONTE: Revista Época / FOTO: Poder Naval

NOTA DO EDITOR: Mais uma matéria que sai na grande imprensa depreciando o único navio-aeródromo brasileiro. Na última enquete do Poder Naval, a maioria dos leitores acha que a Marinha deve continuar investindo em porta-aviões e aviação naval.

Na contramão, a grande imprensa continua a detonar o porta-aviões brasileiro por conta própria, por ignorância ou má fé. Mas a Marinha também deveria fazer melhor a sua parte, divulgando com mais profissionalismo as atividades do São Paulo e da Aviação Naval e sua importância.

O Poder Naval Online está à disposição da Marinha para facilitar esse trabalho de divulgação, temos equipamentos profissionais de foto e vídeo, tempo disponível e muita vontade de trabalhar. Só estamos aguardamos o convite da Marinha do Brasil.

Tagged with:
 

Não fizemos a lição de casa

O Brasil possui o programa de submarinos nucleares mais longo da história e o que menos obteve resultados. Por que isto aconteceu? De quem é a culpa?

A ideia de dotar a Marinha do Brasil de um submarino nuclear começou a ser cogitada na década de 1970 e evoluiu de forma mais prática entre 1976 e 1978.

Existiam três pontos básicos que deveriam ser vencidos. A primeira delas tratava do domínio do ciclo do combustível nuclear (projetos ZARCÃO e CICLONE). Em segundo lugar o Brasil teria que projetar e desenvolver um reator nuclear (projeto REMO) suficientemente compacto para um casco de submarino. O país também precisava projetar e construir um casco de submarino (projeto COSTADO) que recebesse o reator em desenvolvimento.

O desafio era muito grande para um país que nunca havia construído sequer um submarino convencional e engatinhava nos acordos nucleares com a Alemanha. Passados mais de 30 anos, nenhum destes três pontos foi inteiramente satisfeito e o programa do submarino nuclear brasileiro ganhou o título do mais longo programa e o que menos resultados gerou. Por que isso aconteceu? Quais são as razões?

Leia a continuação deste texto, de conteúdo exclusivo para assinantes, aqui no Poder Naval.

Tagged with:
 

O mais longo de todos os programas – parte 2

(se você ainda não leu a primeira parte deste texto clique aqui)

Quanto tempo os países levaram para desenvolver o primeiro submarino nuclear?

Esta pergunta não possui uma resposta simples, direta e objetiva. Depende de uma série de fatores, incluindo o momento histórico. Também não é possível traçar uma relação direta entre o tempo que se gastava para projetar um submarino 50 anos atrás e os dias atuais. Mas é interessante analisar como as outras nações desenvolveram os seus primeiros programas e quanto tempo cada uma levou.

Grosso modo, o desenvolvimento dos submarinos nucleares no mundo pode ser dividido em três grandes momentos. O primeiro deles ocorreu logo após o término da II Guerra Mundial, quando os principais vencedores  (EUA, URSS e Reino Unido) pesquisavam o desenvolvimento da energia nuclear e sua aplicação em navios e submarinos. O desenvolvimento foi rápido e estas nações gastaram entre nove e treze anos para lançarem ao mar o seu primeiro submarino de propulsão nuclear.

USS Nautilus, primeiro submarino nuclear do mundo. Foram necessários somente nove anos para lançá-lo ao mar.

Coube aos EUA a primazia do projeto e desenvolvimento do primeiro submarino nuclear do mundo. O USS Nautilus foi lançado ao mar em 1954, menos de nove nos após o término da II Guerra Mundial. Quatro anos depois foi a vez da URSS lançar ao mar o K-3 “Leninskiy Komsomol” (classe November/Project 627). Mesmo os britânicos, que suspenderam os trabalhos com propulsão nuclear entre 1952 e 1955, lançaram o HMS Dreadnought em 1959, depois de 13 anos no início dos estudos (e com ajuda norte-americana).

O segundo momento histórico ocorreu na década de 1960, quando duas potências nucleares em ascensão (França e China) entraram para o “clube dos submarinos nucleares”. Na época os franceses buscavam maior independência em relação à OTAN e os chineses procuravam o seu próprio espaço entre as duas superpotências. Estes dois países gastaram perto de 15 anos de pesquisas até que os primeiros submarinos nucleares fossem lançados ao mar. A construção da primeira unidade nuclear da França, o Le Redoutable, foi autorizada em 1963, entrando em operação em 1971. A China continental também realizou os seus estudos ao longo da década de 1960, lançando o Han (Tipo 091) ao mar em 1974.

Atualmente vivemos o terceiro momento, onde antigos países do Terceiro Mundo (atualmente classificados como países em desenvolvimento) lutam para desenvolver seus próprios submarinos nucleares. Este grupo de países é formado pela Índia, Brasil e Argentina.

É natural que os países da terceira onda tivessem uma dificuldade maior no projeto e na construção de submarinos nucleares. São países que não possuem tradição na construção de submarinos convencionais e que desenvolveram seus programas nucleares tardiamente em relação às  nações citadas anteriormente.

A Índia lançou o seu primeiro submarino de propulsão nuclear ao mar neste ano. Existem relatos de que aquele país enfrenta problemas no desenvolvimento do reator e que o mesmo não foi integrado ao casco até o momento.

A Argentina decidiu praticamente congelar seus estudos no campo dos submarinos nucleares por total falta de recursos finanaceiros. Sobraram Índia e Brasil. A Índia, que iniciou seus estudos mais ou menos na mesma época do programa brasileiro (década de 1970), já lançou o casco do primeiro submarino nuclear ao mar depois de mais de 30 anos de trabalhos. O Brasl, por outro lado, ainda não definiu o projeto do casco.

De quem é a culpa?

Como pode ser visto acima, o Brasil já teve tempo mais do que suficiente para desenvolver o seu submarino nuclear. Mesmo descartando qualquer comparação com outros programas existentes no mundo, 30 anos é tempo bastante para o desenvolvimento de qualquer programa militar. No entanto, os resultados foram modestos, descontando-se a área do domínio do ciclo do combustível. Por que?

Está claro que, da parte da Marinha, houve planejamento e que o mesmo foi traçado desde o começo de forma bastante lúcida, com etapas claras e evolução contínua. Porém, o plano traçado inicialmente sofreu diversas modificações em função das dificuldades que foram surgindo ao longo do tempo. Nada mais natural em um campo onde se desenvolvem pesquisas de base.

Mas o que realmente prejudicou o desenvolvimento do submarino nuclear nacional foi a falta de um fluxo de recursos constante e adequado. O fluxo de recursos inconstante levou sempre à necessidade de um novos planejamentos, gastando-se mais tempo e os escassos recursos replanejando o programa.

E o dinheiro apareceu

No dia 2 de setembro passado o Senado Federal aprovou o empréstimo de 4,32 bilhões de euros, de um total de 6,7 bilhões, que serão utilizados no Prosub (Programa de Desenvolvimento de Submarinos ). O acordo com a França foi efetivamente assinado no dia seguinte à aprovação e envolve:

1. Compra do Pacote de Material e Logístico para os 4 (quatro) Submarinos Convencionais (S-BR);

2. Construção dos 4 S-BR;

3. Projeto e Construção do Submarino com Propulsão Nuclear (SN-BR) – este contrato incorpora a compra do pacote de Material e Logístico para o SN-BR;

4. Compra de Torpedos e Despistadores;

5. Projeto e Construção de um Estaleiro e de uma Base Naval;

6. Administração, Planejamento e Coordenação do Projeto e da Construção do SN-BR;

7. Transferência de Tecnologia;

8. e OFFSET.

O Prosub nada mais é do que a etapa mais recente desse constante replanejamento. Até 2007 o Prosub simplesmente não existia e o programa do submarino nuclear navegava vagarosamente por outros caminhos.

Cronograma do Prosub, etapa mais recente do programa de desenvolvimento do submarino nuclear nacional. As metas não atingidas nos programas anteriores (SNAC, SMB-10, etc) sofreram replanejamentos constantes.

O Prosub é, em última análise, uma tentativa de sanar a incapacidade brasileira de projetar e construir seu próprio submarino nuclear devido à inconstância de recursos que o programa viveu desde a sua criação. Como ao longo dos últimos 30 anos o programa não teve recursos suficientes para financiar projetos de pesquisa e desenvolvimento, o Brasil teve que arcar com uma “solução importada”.

Quando o ministro da Defesa Nelson Jobim anunciou que o acordo com a França permitiria ao Brasil “queimar etapas”, o que ele realmente estava dizendo é que nós não teremos acesso a determinados conhecimentos e tecnologias, pois estas serão importadas. Quem “queima etapas” não domina toda a cadeia do conhecimento.

Envolvimento da sociedade

Acontece que só a questão financeira não se justifica, embora seja a mais importante. O programa nuclear da Marinha, de tão secreto, foi colocado à margem da sociedade. Não houve debate, não houve justificativa, não houve esclarecimento ao cidadão. A Marinha tocou o projeto sem o aval da sociedade. Isto é compreenssível em uma ditadura, mas a mesma acabou há mais de 20 anos!

O país democratizou-se, mas a questão do submarino nuclear continuou a ser tratada “dentro de quatro paredes”, mesmo sendo este o maior e mais importante programa de defesa do país de todos os tempos. Este “desconhecimento” do assunto no meio civil pode ser claramente constatado pela total falta de debates no Congresso sobre o tema.

De tempos para cá isto já foi percebido pelas altas autoridades. Mesmo porque a ‘chave do cofre’ está nas mãos dos civis. O que ocorre hoje em dia é uma corrida atrás do tempo perdido, para esclarecer e obter o apoio da sociedade civil.

A pergunta que fica é a seguinte: haverá tempo suficiente para demonstrar à sociedade a importância deste programa e a necessidade de se manter o alto fluxo de recursos por um longo prazo, independentemente das oscilações econômicas? Caso a resposta seja negativa, entraremos novamente no nefasto ciclo que perdura nestes 30 anos.

LEIA TAMBÉM:

NOTA: os comentários para esta matéria serão feitos no ‘post’ aberto cujo título é Não fizemos a lição de casa

Tagged with:
 

O mais longo de todos os programas – parte 1

O Brasil possui o programa de submarinos nucleares mais longo da história e o que menos obteve resultados. Por que isto aconteceu? De quem é a culpa?

A  ideia de dotar a Marinha do Brasil de um submarino nuclear começou a ser cogitada na década de 1970 e evoluiu de forma mais prática entre 1976 e 1978. Existiam três pontos básicos que deveriam ser vencidos. A primeira delas tratava do domínio do ciclo do combustível nuclear (projetos ZARCÃO e CICLONE). Em segundo lugar o Brasil teria que projetar e desenvolver um reator nuclear (projeto REMO) suficientemente compacto para um casco de submarino. O país também precisava projetar e construir um casco de submarino (projeto COSTADO) que recebesse o reator em desenvolvimento.

O desafio era muito grande para um país que nunca havia construído se quer um submarino convencional e engatinhava nos acordos nucleares com a Alemanha. Passados mais de 30 anos nenhum destes três pontos foi inteiramente satisfeito e o programa do submarino nuclear brasileiro ganhou o título do mais longo programa e o que menos resultados gerou. Por que isso aconteceu? Quais são as razões?

O ciclo do combustível e o reator

Para desenvolver o ciclo do combustível nuclear e produzir um reator experimental a Marinha associou-se ao IPEN-SP (Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares de São Paulo) e passou a trabalhar nestes programas a partir de 1979.

Foi adotada a técnica de ultracentrifugação para o enriquecimento. Após dominar a tecnologia do hexafluoreto de urânio a partir do minério de Poços de Caldas (MG), a Marinha obteve o seu primeiro grande sucesso em 1982. Em escala laboratorial, os pesquisadores conseguiram o enriquecimento isotópico de urânio com centrífugas construídas totalmente no Brasil.

Com o crescimento da pesquisa e do interesse por parte de Marinha, em 1986 surgia a Coordenadoria para Projetos Especiais (COPESP), posteriormente renomeada Centro Tecnológico da Marinha em São Paulo (CTMSP).

Instalações do Centro Experimental de Aramar

Para dar suporte às atividades experimentais do programa de pesquisa e desenvolvimento do ciclo do combustível e de reatores nucleares, foi construído no município de Iperó (estado de São Paulo) o Centro Experimental Aramar (CEA). Este Centro, em atividade até hoje, abriga instalações de testes, laboratórios de validação experimental e algumas oficinas especiais. Ali já se enriquece urânio numa escala industrial pequena, mas suficiente para alimentar os reatores nucleares de pesquisa existentes no país.

Dos três pontos básicos citados acima, o ciclo do combustível nuclear é o campo que o Brasil está mais desenvolvido. Mas ainda não fechamos o ciclo. Uma das etapas básicas do domínio total do ciclo do combustível nuclear é a produção de gás de urânio. O Brasil ainda caminha para produzir este gás em escala industrial. Até mesmo a África do Sul, que não manifestou o desejo de construir submarinos nucleares, já produz este gás há muito tempo. Ainda podemos incluir o Canadá e Israel na lista de países que produzem o gás. As demais nações que fecharam o ciclo do combustível nuclear já possuem submarinos nucleares ou acabaram de lançar ao mar (caso da Índia).

É interessante notar que o país já produziu o gás de urânio em uma usina -piloto do Instituto de Energéticas e Nucleares (Ipen) entre 1980 e 1996. Mas depois voltou a importar o produto do Canadá. Isto mostra uma outra face maligna das iniciativas nacionais, principalmente nos projetos militares de longo prazo.

Reator nuclear

Porém, a questão do desenvolvimento do reator nuclear é bastante delicada. O projeto REMO visa o desenvolvimento e a construção de um reator nuclear nacional  do tipo Pressurized Water Reactor (PWR). Este programa também é conduzido pelo Centro Experimental de Aramar.

Conhecido como RENAP-11 (Reator Naval de Potência de 11 Megawatts), este é o primeiro reator nuclear inteiramente projetado no País.

Projeto do protótipo do reator do primeiro submarino nuclear brasileiro, conhecido como Laboratório de Geração Nucleo-Elétrica – Labgene

O desenvolvimento do reator, assim como todo o Programa Nuclear da Marinha, viveu boa parte dos últimos anos em “estado vegetativo”. O prédio definitivo do reator teve a sua construção paralisada por mais de dez anos, sendo retomada recentemente.

Para conseguir terminar finalmente o reator nuclear, a Marinha precisa de mais um bilhão de dólares, investidos num período de 8-10 anos. O presidente Lula, em julho de 2007, em visita ao Centro de ARAMAR, garantiu a liberação de recursos anuais de R$ 130 milhões, para a conclusão do reator e do programa de enriquecimento de urânio da Marinha.

O casco do submarino

A total falta de conhecimento da Marinha na construção de submarinos era um grande dilema para todo o projeto. Mas a ideia começou com os pés no chão. Primeiro era necessário adquirir novos e modernos submarinos que pudessem ser construídos no Brasil.

A obtenção de novos submarinos foi incluída inicialmente no Programa de Reaparelhamento da Marinha (PRM) Revisão 1979 e a escolha recaiu sobre o submarino IKL-209-1400 de origem alemã, projetado pela firma Ingenieur Kontor Lubeck (IKL).

Construção de submarinos convencionais no AMRJ, o primeiro passo

doss03-2

Em 1982 a Marinha assinou dois contratos técnicos com o Consórcio Ferrostaal/Howaldtswerke Deutsche Werft (HDW) da Alemanha que previam a construção de dois submarinos idênticos, o primeiro no estaleiro HDW em Kiel e o segundo no Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro (AMRJ). Posteriormente foi assinado um terceiro contrato para a obtenção de mais dois submarinos, que igualmente seriam construídos AMRJ.

Os contratos assinados para a construção destes três submarinos no Brasil previam, em síntese, o fornecimento de material, documentado e treinamento para o pessoal especializado da Marinha que posteriormente conduziria a obra. Durante o período de construção do primeiro submarino (o Tupi) no estaleiro HDW, um grupo de Engenheiros, Técnicos e Operários foi enviado àquele estaleiro para a realização de estágios, de acordo com as suas especializações técnicas.

Além da qualificação humana, a Marinha também investiu na modernização das suas instalações e na capacitação da indústria nacional. Um dos exemplos mais significativos foi a transferência de tecnologia da construção de seções do casco resistente, absorvida pela Marinha no estaleiro HDW, para a Nuclebrás Equipamentos Pesados (NUCLEP).

Com o programa dos IKL 209 em andamento a Marinha passou a planejar em maior detalhe as etapas seguintes. Inicialmente pensou-se em desenvolver duas classes de submarinos nacionais convencionais: NAC1 e NAC2. A produção do NAC começaria na década de 1990 e era prevista uma série de quatro unidades. Seis unidades da série seguinte, a NAC2, entrariam em serviço entre 1994 e 2000. Paralelamente à constução dos NAC2, a Marinha trabalharia na construção do casco do seu primeiro submarino nuclear, que deveria estar pronto em 2000.

Pouco tempo depois ficou claro que o projeto era muito ambicioso. No lugar do NAC1, decidiu-se produzir uma versão melhorada da classe IKL 209, que ficou conhecida como “improved Tupi”. Posteriormente ao “improved Tupi” seria construído um submarino convencional inteiramente nacional denominado SNAC-1. O casco do SNAC-1 já seria compatível com o reator nuclear nacional, que seria introduzido no SNAC-2.

Em 1990, por total falta de recursos, o programa SNAC foi praticamente paralisado. A retomada do programa voltou anos mais tarde e o casco do submarino convencional nacional (antigo SNAC-1) foi renomeado SMB-10. Mas a falta de recursos também acabou cancelando o projeto do SMB-10. Diante da árdua tarefa e dos altos custos de se projetar e construir um casco de submarino, a Marinha do Brasil partiu para um projeto totalmente estrangeiro de um submarino convencional, que permitisse o desenvolvimento de um projeto de um novo submarino capaz de receber um reator nuclear.

NOTA: os comentários para esta matéria serão feitos no ‘post’ em aberto cujo título é ‘Não fizemos a lição de casa’.

Tagged with:
 

Pode não parecer, mas tema tem muito a ver com cotidiano de todos os brasileiros

globo news painel

O mestre em resolução de conflitos, Heni Ozi Cokier, o professor da Escola Nacional de Guerra, Gustavo Heck e o professor de relações internacionais da FAAP, Gunter Rudzit, são os convidados da semana do Programa Globo News Painel. Eles explicam o novo plano de defesa nacional e a segurança na América do Sul. Clique na imagem para assistir ao vídeo do Programa.

Marinha gastará US$ 90 bi para afastar cobiça ao pré-sal

S. Barreto Motta

vinheta-clipping-navalO coordenador do Programa de Reaparelhamento da Marinha, contra-almirante Antonio Carlos Frade Carneiro, revelou a esta coluna, nesta terça-feira, que os gastos da Marinha do Brasil, nos próximos 20 anos, serão muito superiores aos que vêm sendo noticiados. Frade Carneiro participou de seminário do grupo IBC, realizado no Hotel Miramar, na Zona Sul do Rio.

- Ao longo desse período, a Marinha aplicará nada menos de US$ 90 bilhões. Parece muito, mas o gasto anual corresponderá a 0,5% da receita esperada com o pré-sal. E quase nada comparado com o valor do pré-sal. Outras fontes estimam em US$ 650 bilhões o investimento no pré-sal, cuja riqueza pode atingir alguns trilhões de dólares.

Segundo Frade Carneiro, há uma relação direta entre esse investimento e a descoberta de tanta riqueza no pré-sal:

- O mundo vive em paz, mas com tanta riqueza no mar, manda a prudência que se invista um pouco em segurança. Se um cidadão faz seguro de seu carro, a nação tem de dispor de seguro para uma riqueza tão ampla.

Lembrou que, além disso, o equipamento protegerá a costa e o próprio comércio exterior, que movimenta US$ 400 bilhões por ano. A imprensa tem noticiado a compra de cinco submarinos Scorpene, da França – quatro convencionais e um adaptado para motor nuclear. Um estaleiro será construído em Itaguaí (RJ) para fabricação dessas unidades e o motor nuclear será desenvolvido pela Marinha, em São Paulo. O pacote de compras inclui ainda 16 helicópteros Super Cougar franceses, para apoio a plataformas; quatro helicópteros americanos, equipados de mísseis e torpedos; e seis navios-patrulha, dos quais dois estão sendo concluídos no Ceará e quatro terão construção iniciada no Eisa (Rio).

Além de fabricação de equipamentos no Brasil – no caso dos submarinos e navios-patrulha – e importação de helicópteros, o orçamento da Marinha prevê gastos com a construção do estaleiro de Itaguaí – a cargo da francesa DCNS e da brasileira Odebrecht – e gasto com a compra de tecnologia. Comenta-se que o Exército está com ciúmes da Marinha, mas nada impede que a força receba verba especial para proteger a Amazônia – contra entrada de armas e drogas e para prevenir invasões esporádicas.

Riqueza do mar

Frade Carneiro afirmou que, no momento, o Brasil reivindica, na ONU, a extensão de sua fronteira marítima de 200 para 350 milhas.

- Pela Convenção de Direitos do Mar, ou Tratado da Jamaica, um país pode almejar essa faixa, desde que prove que fez pesquisas na região. O processo do Brasil está em fase adiantada na ONU e ainda não houve aprovação total, porque foram pedidas novas informações, mas acreditamos que o país obtenha esse direito.

Segundo o representante da Marinha, com essa incorporação da Fronteira Leste, o Brasil finalmente atingirá seu limite territorial máximo. Comparou o fato às incursões dos bandeirantes, após o descobrimento.

- A riqueza das 200 milhas, mais o acréscimo agora pretendido, chegando a 350 milhas, importará a agregação, ao Brasil, de área que corresponde a 49% do território nacional, em terra. Essa é a Amazônia Azul, com riquezas iguais ou maiores do que as da Amazônia Verde – declarou.

FONTE: Monitor Mercantil

Tagged with:
 

‘Estadolatria’ versus Democracia

Mario Cesar Flores (*)

Do absolutismo português à democracia de massa deste início de século, no Brasil sempre foi parâmetro cultural o pretenso direito de esperar o apoio abrangente, se não a dádiva do Estado – da mão provedora, do protecionismo e emprego público, à caridade assistencialista. Vivemos como rotina a sujeição da cidadania ao Estado (à estadania) e sempre admitimos que o progresso depende menos do esforço e sacrifício da sociedade e mais, ou até essencialmente, da iniciativa e de medidas do Estado.

Essa lógica leviatã é refletida na fantasia ufanista da grandeza nacional espontânea em razão da extensão territorial e dos recursos naturais do país. Grandeza na verdade virtual, cuja transformação em riqueza útil ao povo depende da correta dimensão da presença do Estado na vida nacional e da competência, criatividade, investimento e muito trabalho da sociedade – ingredientes do excelente desenvolvimento dos EUA no século 19, de país colonial à 1ª potência do mundo, em que o Estado era mais estímulo e regulador do que agente direto: ajudava, não atrapalhava. Se território e natureza fossem riqueza em si, Suíça, Holanda e Bélgica seriam pobres, Luxemburgo paupérrimo… As manifestações de vaidade poética do hino nacional – “gigante pela própria natureza”, “deitado eternamente em berço esplêndido” e “impávido colosso” – refletem esse ufanismo inebriante. Faltam-lhes um complemento sobre o esforço necessário para que o “impávido colosso” se levante do “berço esplendido” e transforme “a própria natureza” em riqueza, para que o Brasil deixe de ser o “país do futuro”, assim classificado há 70 anos por Stefan Zweig, passando ao patamar a que de fato o credencia seu potencial.

Existem na sociedade brasileira as condições necessárias à odisséia da grande transformação, haja vista o razoável sucesso de setores de nossa economia – é bem verdade que, mesmo eles, em geral fãs das muletas estatais – o cofre provedor e a alfândega protetora…. Mas ainda falta muito para engajá-la toda na reorientação da confortável
idéia de grandeza como fortuna natural ou propiciada pela mágica estatal, para a efetiva construção nacional. E isso não será fácil enquanto parte ponderável do caráter coletivo continuar preferenciando a expectativa da felicidade impulsionada pelo Estado sobrenatural do conceito expresso há quase 200 anos por Fréderic Bastiat: “o Estado é a grande ficção através da qual todo mundo se esforça para viver à custa de todo mundo”. Todo mundo mesmo: dos políticos e apaniguados que se sentem com direito ao patrimonial-clientelismo do butim eleitoral, dos segmentos empresariais e seu trabalho associado, apoiados em financiamentos públicos, protecionismo e renúncias fiscais, dos servidores públicos que se crêem credenciados às benesses de sócios preferenciais do Estado, aos conformados consumidores de assistencialismo.

Tampouco será fácil enquanto grande parte da sociedade brasileira continuar aceitando satisfeita a euforia das ilusões, disseminada pela propaganda narcótica enaltecedora do estatismo salvacionista, que se vale de fatos positivos (entre outros, na moda hoje o petróleo do pré-sal, por muito tempo ainda riqueza virtual do “gigante pela própria
natureza”…), metáforas fantasiosas e afirmações grandiloqüentes, para dissimular as atribulações que castigam o país: a preocupante involução aética da política, cujos efeitos permeiam tudo o mais, a iniqüidade social e a exclusão conformada pelas bolsas disso e daquilo, o precário quadro da educação e da saúde (com gente morrendo nos corredores de hospitais públicos – o que não constrange a previsão de obras grandiosas para eventos esportivos internacionais que deixarão felizes empreiteiras e afins…), o desenfreado desrespeito à lei, do delito trivial à violência e criminalidade epidêmicas, estradas destruídas, portos ineficientes, regime carcerário desumano, Judiciário de lentidão proporcional à sua singularidade no universo salarial brasileiro, Legislativo desacreditado pela semi-paralisia e práticas de (eufemismo delicado) discutível virtude… – dezenas de deficiências que afrontam a euforia.

Aqui, como em qualquer parte do mundo, não é seguro afirmar que a saga política seja indefinidamente imune à combinação das deficiências do Estado no desempenho de suas responsabilidades, com a fé fanática no Estado e a abdicação da cidadania ao Estado, seja imune à frustração psicopolítica do caráter coletivo, propenso à dádiva do “impávido colosso” e do gigantismo “pela própria natureza”, à êxtase do carnaval e feriadão, às idéias paradisíacas de bem estar natural (da redução da jornada de trabalho, que o “impávido colosso” mágico viabilizaria sem perda de competitividade e sem custo ao consumidor…), a que a euforia ilusória aporta seu alento anestésico.
Não há hoje clima para regimes ao estilo século 20. Mas não se pode afirmar idêntica implausibilidade para o salvacionismo messiânico travestido de legalidade eleitoral-democrática, sob lideranças carismático-sebastianistas hábeis na fórmula romana “pão e circo”: o pão assistencialista e o circo do oba-oba eufórico, hoje muito pré-
salgado e agora também olímpico, a que a mídia cooptada pela propaganda aporta sua prestidigitação, em especial a TV, cuja imagem dispensa o raciocínio crítico. Tudo no figurino populista-estatista que parece estar voltando à América do Sul, à reboque da Venezuela, após 25 anos de recesso.

Os autoritarismos da esquerda à direita, sempre estiveram afinados com o estatismo exacerbado e a abdicação da cidadania ao Estado, ambos inconciliáveis com a democracia plena. Até porque, se o Estado é pretendido como provedor onipresente, deve caber-lhe naturalmente a autoridade correspondente – uma equação histórica de que o Brasil aparentemente não está livre.

(*) Almirante-de-Esquadra (Reformado)

Publicado no “O Estado de São Paulo” de 17/10/2009

COLABOROU: Leosg

SAIBA MAIS:

Tagged with:
 

Sem defesa para a omissão

congresso-nacional-agencia-brasil

Maria Cristina Fernandes

Nem na ditadura um acordo militar do porte daquele que foi assinado esta semana entre o Brasil e a França foi tão pouco debatido. O locus por excelência dessa omissão foi o Congresso Nacional. O episódio, contrariando as mais histéricas aparências, selou definitivamente, a nulidade da oposição.

Com a cumplicidade do noticiário, o Senado Federal conseguiu mobilizar durante seis meses a opinião pública em torno de seus malfeitos já esquecidos, enquanto em apenas dois dias sem holofotes, sob regime de urgência e por votação simbólica, aprovou autorização de crédito de R$ 25 bilhões para o programa do submarino nuclear e a compra de 50 helicópteros militares.

Não é preciso macaquear estrangeiros para lembrar que um aporte dessa magnitude, cujos primeiros desembolsos sequer estão previstos na proposta orçamentária de 2010, não é aprovado num país que se orgulhe de funcionar sob regras democráticas.

O Brasil de dois ditadores – Getúlio Vargas e Ernesto Geisel – abrigou uma discussão mais plural dos dois tratados que, na opinião de um dos maiores especialistas em história militar do país, o professor João Roberto Martins Filho (Ufscar), se lhe igualam: os acordos com os Estados Unidos, assinado em 1953, e aquele selado com a Alemanha em 1975.

A democracia tinha apenas sete anos quando os comunistas encamparam uma mobilização nacional contra o acordo com os americanos que, além de concessões à soberania nacional, previa o fornecimento de minérios atômicos do subsolo nacional aos Estados Unidos em plena escalada da Guerra Fria.

A campanha, embalada pelos protestos contra o envio de tropas brasileiras à Guerra da Coreia, correu o Brasil e, apesar da dura repressão do governo Vargas, chegou ao Congresso Nacional onde mobilizou os partidos de esquerda contra o PSD e a UDN, aliada ocasional de Vargas em sua fase pró-EUA.

O acordo foi aprovado mas não sem antes passar por debates radicalizados dentro e fora do Congresso. No dia seguinte, a União Nacional dos Estudantes decretou luto nacional. No Brasil de Lula, o acordo com a França foi comemorado em parada militar com a claque de estudantes bestializados pelo ´Fora Sarney´.

Em sua mensagem ao Congresso, Vargas acusara os movimentos contrários ao acordo de espraiarem o comunismo internacional disfarçados de pacifistas. Na era Lula, a omissão nem carece de disfarce.

Duas décadas depois, o acordo com os americanos seria denunciado por Geisel. O Brasil acabaria firmando um tratado nuclear com a Alemanha que permitiria ao Brasil desenvolver a tecnologia do urânio enriquecido.

A polêmica foi tamanha que a Câmara dos Deputados acabaria abrindo uma Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar as denúncias de que o acordo não havia previsto uma destinação adequada ao lixo atômico nem dado garantias suficientes de que a energia nuclear seria exclusivamente de uso pacífico.

Em ambos os momentos, os militares, ao contrário de hoje, tinham preponderância no debate político. Desta vez, foi um ministro civil quem conduziu o acordo e, munido da estratégia de reaparelhamento das Forças Armadas, selou a supremacia da Defesa sobre as Pastas militares.

Useiro e vezeiro na subjugação do Congresso às conveniências do Executivo, passará aos anais como o primeiro civil a conduzir, sem a legitimidade do debate parlamentar, um acordo militar que redesenha o Brasil na geopolítica mundial.

Ao longo de sua brevíssima tramitação, à qual Jobim compareceu duas vezes sob raras interpelações, levantaram-se suspeitas que não são explicação suficiente para a omissão.

Acusou-se a maior empreiteira nacional, escolhida como parceira da estatal francesa que vai construir o estaleiro dos submarinos, de ter comprado o silêncio das centenas de parlamentares cuja eleição financiou.

Também se levantaram suspeitas sobre uma indústria nacional de helicópteros, em cuja fábrica de Minas serão construídos os helicópteros em parceria com os franceses, que teria zelosamente salvaguardado seus interesses junto a parlamentares da oposição e do governo.

Essa traficância de interesses, se existiu, não terá sido novidade no Congresso Nacional de Lula, Geisel ou Vargas. O que há de novo é que o Poder Legislativo galgou tamanha desimportância que os interesses contrariados pelo acordo não se deram ao trabalho de mobilizar suas bancadas no Congresso Nacional.

A menos que algum imagine que lobbies da indústria armamentista americana, alemã, russa e sueca possam ter escolhido o deputado Júlio Delgado (PSB-MG) como o único portador de seus queixumes.

Parece mais crível que os interesses contrariados pelo acordo tenham atuado diretamente junto ao Executivo e às Forças Armadas, sem o filtro da Casa que pretende representar a vontade popular.

O deputado Carlos Zarattini (PT-SP), ardoroso defensor do acordo desde o início da legislatura, estranhou a ausência de debates. “Não são parlamentares que se deixem levar por uma viagem, um jantar ou um vinho”, diz, sobre a comitiva de parlamentares que foi à França a convite dos fabricantes beneficiados pelo acordo.

A segurança nacional, avocada pelos governistas, não cola como explicação para a unanimidade. Como toda política de governo, há espaço para controvérsias. A chance desse acordo vir a afirmar o Brasil para fora do eixo da hegemonia americana já seria suficiente para acirrar os ânimos que costumavam se radicalizar no Congresso entre tucanos e petistas em torno da política externa brasileira.

Perdeu-se a chance de um debate sobre as opções e o custo de uma estratégia de defesa para o Brasil. Se o acordo é tudo isso que a propaganda governista se orgulha em difundir – pela transferência de tecnologia e capacidade dissuasória do país do pré-sal – os brasileiros nunca o saberão.

FONTE: Valor Econômico, via Notimp
FOTO: Agência Brasil

LEIA TAMBÉM

Tagged with:
 

7 de setembro banalizado

Nenhum canal de TV aberta (com exceção da TV Brasil) transmitiu o desfile militar em Brasília na íntegra, nem a TV Cultura. No momento do desfile, canais passavam desenhos animados, programas de variedades e religiosos. Os flashes dos desfiles pelo país tiveram pouco destaque. Um programa colocou pessoas para tentarem cantar o hino nacional ao vivo, oferecendo dinheiro para quem acertasse a letra.

Tagged with:
 


Eliane Cantanhêde

vinheta-clipping-navalO Brasil se habilita amanhã, quando os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Nicolas Sarkozy ratificarem a aliança Brasil-França em Brasília, a ser o sétimo país do seleto time com condições hoje de projetar, construir e operar tanto submarinos convencionais quanto de propulsão nuclear. Um projeto para 2021.

Os outros são os gigantes EUA, França, Reino Unido, Rússia, China e, mais recentemente, a Índia. Mas há uma diferença. Eles operam com submarinos “estratégicos”, pesadíssimos, que são de guerra, para ataque de longo alcance. Já o Brasil optou por um submarino classificado “de ataque”, mas bem menor, mais leve, que pode operar torpedos e mísseis de alcance restrito, contra outros submarinos ou navios. Ou seja, apesar da designação, trata-se na verdade de um equipamento de defesa.

A pergunta que não quer calar é por que raios o Brasil, país que convive com milhões de miseráveis, com educação precária e saúde lamentável, vai se meter num negócio desses? A resposta é razoavelmente simples: porque o mar jurisdicional brasileiro deve chegar a 4,5 milhões de Km2. E não é de um governo, é de todos.

É metade de todo o território nacional, com fronteiras virtuais e de difícil controle, com petróleo jorrando. A gente bem sabe como ele é gerador de guerras e invasões. O petróleo é nosso. A Amazônia e a chamada Amazônia Azul também. É preciso ficar alerta contra a cobiça alheia, desde já.

Sem contar o efeito econômico, técnico, científico, comercial e político que irradia de um empreendimento desse porte, ao custo de uma bolada de 6,7 bilhões, diluídos na base de R$ 1 milhão por ano. Um preço justo. Que vale ser pago.

A aliança com a França é estratégica para o país de hoje e do futuro. Lula sai, o mar e as riquezas brasileiras ficam. Ele acerta ao pensar grande, deixando o pacote, o lega- do para o Brasil e o sinal para o mundo.

FONTE: Folha de São Paulo / COLABOROU: Hornet

Tagged with:
 

nrp-tridente-23_04_09

Já naveguei muito em navios franceses, julgo que os marinheiros brasileiros, que navegam agora no Foch/ S. Paulo podem começar a fazer uma ideia. Toda a tecnologia tende para a complicação, sem razão aparente.

Dir-se-ia que sejam americanos, sejam alemães, dão sempre um jeito de fazer mais simples que o francês. Mais simples, mais barato e, não raramente mais sofisticado e eficiente.

Por razões que se desconhece, o Brasil parece estar a ser governado num rumo de enorme despesa para um destino que, longe no tempo, se avista através duma bruma ainda muito densa. Estranhamente, andou navegando muitos anos em singradura segura, tentando alcançar o mesmo porto, para quando já ia a meio caminho, meter leme todo a Boreste e recomeçar tudo de novo.

Segundo os submarinistas portugueses, neste momento a conduzir as provas do “Arpão” e do “Tridente”, estamos perante duas máquinas duma sofisticação e duma simplicidade imensa. A satisfação com o produto U-209PN é grande e anseia-se o inicio da sua operação em pleno na Marinha Portuguesa.

Para onde vai a esquadra do Brasil?

Cumprimentos,
João Gonçalves

SAIBA MAIS:

Tagged with:
 

Desde que a Marinha do Brasil decidiu dar continuidade ao Programa de Construção de submarinos, uma grande luta foi travada nos bastidores para ver quem é que conseguiria fechar o novo contrato bilionário.

Os alemães, que nos últimos 25 anos ajudaram o Brasil a construir localmente quatro submarinos IKL-209/1400 no AMRJ (foto acima), eram os favoritos. Além de contar com a base já instalada, que precisaria de modificações mínimas para construir seus submarinos U-214, os alemães possuem experiência na transferência de tecnologias para vários países e escala para garantir um produto mais barato.

Mas os franceses, aproveitando-se da troca de comando da Marinha e de uma aproximação do Governo Francês com o Brasileiro, acenaram com a venda de seus submarinos Scorpène e a transferência de tecnologia para o casco de um submarino nuclear.

Enquanto os estaleiros alemães não contavam com apoio de seu Governo no negócio, os franceses contaram com total apoio do seu para a sua proposta.

A tranferência de tecnologia alemã ao Brasil

Tudo o que a Marinha diz que será novo com os franceses, na verdade é uma repetição do que já ocorreu no passado com os alemães.

Quando o Ministro da Defesa diz que não houve transferência de tecnologia ao Brasil para a construção de submarinos ele contradiz tudo o que a Marinha disse até hoje sobre o assunto.

Sobre  a construção dos submarinos Tupi segue um texto da Marinha:

“Durante o período de construção do submarino Tupi no estaleiro HDW, um grupo de Engenheiros, Técnicos e Operários, perfazendo um total de 70 funcionários, foi enviado àquele estaleiro para a realização de estágios, de acordo com as suas especializações técnicas. A duração média destes estágios foi de aproximadamente 5 meses. Nesta oportunidade foi possível acompanhar as principais etapas da construção e adquirir os conhecimentos técnicos necessários à realização e construção no Brasil. Todas as informações obtidas no decorrer dos períodos de treinamento dos estagiários foram registrados em inúmeros relatórios, para que pudessem posteriormente, já no Brasil, servirem de fonte de consulta e banco de dados para a preparação das equipes de construção”.

Sobre  a transferência da tecnologia do casco resistente:

“A tecnologia de construção do casco resistente, absorvida pela Marinha no estaleiro HDW, foi então implantada na NUCLEP. Isto só pode ser viabilizado através da participação conjunta do pessoal técnico daquela empresa com o pessoal técnico da Marinha que havia sido treinado na Alemanha.”

Sobre  a transferência de tecnologia ao pessoal brasileiro para o projeto do submarino brasileiro (SNAC-I), que seria o precursor do submarino nuclear:

O então Ministério da Marinha contratou a HDW / IKL para fornecer um programa de treinamento para a elaboração de um projeto próprio de submarino no Brasil. Para esta finalidade, cerca de 30 engenheiros foram destacados para participar do treinamento durante os anos 1985 e 1986, seguido de uma fase de concepção de projeto entre os anos 1986 e 1990.

Houve treinamento de projeto de submarino no Rio de Janeiro, na forma de palestras, de 1º de abril a 7 de maio de 1985. Foram abordados os assuntos hidrodinâmica, resistência de materiais, termodinâmica, arquitetura naval de submarinos, física e química relacionada a submarinos.

Também foi feito o treinamento de projeto de submarinos na IKL em Lübeck, Alemanha, na forma de palestras, de 20 de maio a 19 de julho de 1985. Foram abordados os assuntos de projeto de casco de submarinos, propulsão, “lay-out” e eletricidade de submarinos.

Entre 5 de agosto a 6 de dezembro de 1985, foram abordados temas sobre mecânica, elétrica, automação e eletrônica, comunicações e sensores/sistemas de combate de submarinos.

Entre janeiro de 1986 e junho de 1990 (54 meses), o treinamento consistiu da Fase de Projeto de Concepção de um projeto próprio, baseado nos requisitos da Marinha do Brasil para um submarino convencional de grande porte, compreendendo as seguintes partes:
1.Estudo de Viabilidade (janeiro de 1986 a março de 1986)
2.Projeto de Concepção (abril de 1986 a dezembro de 1986)
3.Fase Preliminar do Projeto (janeiro de 1987 a maio de 1987)
4.Fase de Projeto de Contrato (julho de 1988 a junho de 1990).

Em 1º de outubro de 1990, todas as atividades foram interrompidas por parte da Marinha do Brasil.

Então, quando o Ministro da Defesa diz que não houve transferência de tecnologia alemã para projetos de submarinos, ele deve estar no mínimo mal informado.

Submarino Nacional I - SNAC-I

‘Jogando fora a água da banheira junto com o bebê’

A impressão que fica é que para justificar a compra dos submarinos franceses, a Marinha resolveu desqualificar seus atuais submarinos e todo o trabalho que já foi feito até agora.

Esquecem-se de que até 2015, os únicos submarinos que farão parte da Força de Submarinos do Brasil serão os 5 classe “Tupi” que foram construídos aqui com transferência de tecnologia alemã.

Uma falácia que está sendo usada é dizer que os alemães não sabem construir um submarino nuclear, pois nunca construíram um. Não mencionam que a Alemanha já construiu um navio de propulsão nuclear e que qualquer casco de submarino convencional com diâmetro suficiente, pode receber uma planta de propulsão nuclear, com pequenas adaptações como blindagem anti-radiação e outros detalhes. Coisas que o Brasil também deverá fazer sozinho, pois a França só vai ajudar no projeto do casco e não na parte nuclear.

Agora que o contrato com a França está prestes a ser assinado, resta-nos torcer para que os atrasos na construção dos submarinos não sejam grandes como estão ocorrendo na Índia e que o projeto do casco do submarino nuclear brasileiro possa fluir de acordo com o cronograma.

E, finalizando, que os futuros governos não interrompam novamente este novo ciclo de construção naval militar, para que não tenhamos novamente que reinventar a roda no futuro.

SAIBA MAIS:

Tagged with:
 
Página 3 de 912345...Última »