QG Airsoft

vinheta-destaqueA entrevista a seguir foi publicada no Jornal do Brasil em 11/12/1988, mas parece que foi feita hoje. O almirante Mário César Flores, então diretor-geral de Material da Marinha e conhecido pensador naval brasileiro, por seus artigos publicados na Revista Marítima Brasileira, abria já naquela época a discussão que hoje fazemos nos fóruns e blogs de Defesa brasileiros.

Guardamos essa página de jornal por 20 anos, achando que um dia ela teria seu valioso conteúdo exposto novamente para uma audiência maior e num momento mais adequado. Essa é a hora, boa leitura e discussão!

Entrevista / almirante Mário César Flores

Por Mauro Malin

mcf-by-iqueJB – A vigência da nova Constituição favorece a discussão da questão militar pela sociedade?

Alte. Mário César Flores: A Constituição, como documento normativo, não vai ajudar nem atrapalhar diretamente. Indiretamente, ela ajuda, na medida em que amplia a área de atuação e a responsabilidade do Congresso. O Congresso, com os novos poderes, não mais pode se omitir de uma participação responsável, forte, no que diz respeito à segurança nacional, à defesa nacional.

JB – O senhor afirma que um projeto naval complexo iniciado hoje dá frutos daqui a 10 ou mais anos. Por quê?

Alte. Mário César Flores: A formulação do projeto naval, no mundo tecnológico de hoje, é muito longa. Um projeto de navio-escolta, como o da primeira corveta que nós estamos terminando de construir*, foi decidido em 1978 e começou em 1979. Existem equipamentos cujo fornecimento leva de dois a três anos, não são equipamentos de prateleira. Se eu hoje decidir que devo ter determinado sistema de armas, leva oito, dez anos para ficar pronto. Não é para tudo. Evidentemente que um caminhão transportador de soldados eu posso ter dentro de dois anos, um ano. Mas estou me referindo a esses sistemas que desbalanceiam estrategicamente. Se decido a construção de determinado tipo de submarino, é porque tenho de prever que dentro de dez a vinte anos haverá problemas que justifiquem esse submarino. Porque os problemas do momento não serão resolvidos por ele.

Essa projeção não pode ficar apenas no âmbito militar. É essencialmente política e de estadismo. Mesmo no mundo político, é preciso tem algum gênio de estadista para acertar.

olho-1JB – O que a Marinha do Brasil pode fazer numa situação bélica?

Alte. Mário César Flores: Atividades muito limitadas – proteção ao tráfego marítimo – em águas próximas ao Brasil. Não temos condições de fazer proteção ao tráfego marítimo, mesmo brasileiro, a grandes distâncias do Brasil. A marinha pode fazer, com muitas limitações, algumas operações de caráter ofensivo com submarinos, aí sim mais distantes. Não muito distantes, porque são submarinos convencionais.

JB – Quantos submarinos o Brasil tem?

Alte. Mário César Flores: Sete submarinos, dos quais três relativamente modernos – são submarinos de procedência inglesa, classe “Oberon” – e quatro residuais do MAP (Military Assistance Program), norte-americanos, que ainda são submarinos fornecidos ao Brasil na vigência do Acordo Militar de 1952. Esses quatro submarinos têm uma validade mais de instrução. Como instrumentos de guerra, deixam a desejar. Na verdade, para fins militares mesmo, nós estamos limitados aos três.

Esses podem atuar um pouco mais distante. Num cenário em que não exista participação de outro país poderoso, não teremos como obter cobertura aérea. A cobertura aérea para as operações navais está limitada àquela que pode ser provida a partir de terra.

Porque o pequeno porta-aviões de que nós dispomos só opera aviões anti-submarino. Então, para fins anti-submarino ele poderia contribuir. Mas para a finalidade de proteção aérea, ele não serve em nada. Ao contrário: é um alvo.

Se nos afastarmos do litoral, não teremos proteção aérea. Não vejo como a gente vá superar isso no futuro previsível.

JB – Então, a Marinha está limitada a operar ao longo do litoral?

Alte. Mário César Flores: É preciso que se debata, com os fóruns da sociedade adequados a isso, se realmente precisamos operar longe do litoral. Isto não é uma decisão naval. É uma decisão nacional. Se realmente precisamos ter capacidade de operar longe do litoral, a instrumentalização operativa passa a ser um problema naval. Vai ter que ter porta-aviões, vai ter que ter avião de interceptação embarcado, passa a ser um problema profissional.

Mas a decisão de que o Brasil pode ter problema de ordem política, de ordem estratégica, de segurança em geral que nos obrigue a operar, vamos dizer, no meio do Atlântico, ou junto às costas da África, transcende a Marinha. Essa é a minha tese fundamental.

JB – Quais são os cenários previsíveis de guerra ou de conflito em que o Brasil poderia se envolver?

olho-2Alte. Mário César Flores: É novamente uma resposta política. Teríamos de esboçar algumas hipóteses de cenário. Uma, o cada vez mais improvável conflito envolvendo blocos, os EUA e a União Soviética. Com relação a esta hipótese, nossa participação seria tão marginal, no sentido de influenciar a decisão, seria, fora das águas litorâneas, tão pequena, praticamente simbólica, que não justifica preocupações de preparo militar.

Quando você não vai ter nenhuma influência, para que se preocupar com seu preparo militar? Outro cenário é o de confrontos decorrentes de interesses conflitantes – e isso no mar é muito provável – por percepções diferentes a respeito do direito internacional marítimo, por exemplo. Essa convenção da Jamaica, os Estados Unidos não a aceitam, e com eles algumas potências marítimas, inclusive a URSS (trata-se da terceira Conferência das Nações Unidas sobre a Lei do Mar, assinada em 1982; seus pontos mais polêmicos dizem respeito à mineração submarina).

Amanhã ou depois nós podemos ter pressões de potências maiores com alguma coerção militar. Eu vejo assim, gostaria muito de discutir isso com o civil. O poder militar brasileiro deve ser capacitado para aumentar o patamar de risco de uma potência desenvolvida que queira introduzir na sua pressão uma coerção militar.

JB – O que significa aumentar o patamar de risco?

olho-3Alte. Mário César Flores: Os interesses são de tal ordem que uma potência chega a querer introduzir uma coerção militar. Fazer vir uma força naval para respaldar a atuação econômica ou de pesquisa. Algo que fira nossos interesses e a nossa percepção do direito internacional marítimo.

Para isso, convém que o nosso poder militar – não podemos pretender vencer uma potência grande num conflito clássico -, pelo menos faça com que custe caro, aumente o patamar de risco de sua atuação militar, ela faça o balanço para ver se vale a pena. Os interesses são tão vitais que justificam ela se empenhar fortemente? Vamos dar um exemplo não-brasileiro. No caso das Malvinas, que decididamente não é um interesse de que decorra a sobrevivência da Inglaterra, se a Argentina tivesse condições de pôr em risco, mas eu digo risco grave – a atuação inglesa, quem sabe se a Inglaterra não teria sido mais flexível nas negociações.

JB – Mas a Argentina não achou que ia fazer?

Alte. Mário César Flores: A Argentina subestimou a capacidade inglesa. Aí houve erro político. A direção política da Argentina entendeu que a Inglaterra não iria usar meios militares. Mas, vamos supor: mesmo com esse erro político, se a Argentina tivesse uma dúzia de submarinos modernos… O grande calcanhar de Aquiles da Inglaterra nessa operação foi o imenso cordão umbilical logístico, Inglaterra-Ascensão-Malvinas. Ora, se houvesse condições de pôr em risco este cordão umbilical,a complicação para a Inglaterra seria imensa, Porque na verdade a Inglaterra só estava sujeita a ações na área das Malvinas.

olho-4Se tivesse que proteger sua frota, já não digo desde a Inglaterra, mas basta admitir de Ascensão às Malvinas, o número de navios-escolta, de navios de proteção, seria muito grande.

A aviação argentina era boa, mas de raio de ação limitado. Eles voavam daquela área de Comodoro Rivadavia, ali por perto, chegavam às Malvinas com poucos minutos de vôo de operação e tinham de regressar. Se a aviação argentina dispusesse de aviões de maior raio de ação, como dispõem os russos, que podem voar o dobro, decididamente o problema inglês seria complicadíssimo. Esse é o segundo cenário que eu penso. Considero válido a gente se preparar para ele.

Termos um poder militar capaz de servir de dissuasor contra o uso da coerção militar em confrontos de interesses que não são vitais. Evidentemente que se os interesses foram vitais a grande potência vem com tudo o que tem e estamos conversados. Mas a maioria desses interesses não são vitais. Não necessariamente apenas no mar. Poder haver outro.

JB – De que tipo?

Alte. Mário César Flores: Às vezes a gente fica pensando. Com o desenvolvimento industrial brasileiro, começamos a ser um fator perturbador, amanhã ou depois começa a surgir um incremento de confrontos. De certa forma, ocorreu isso antes da Primeira Guerra Mundial com a ascensão da Alemanha em termos industriais, complicando a vida da Inglaterra. Bom, este é o segundo cenário. Para este eu justifico um preparo do poder militar.

JB – E o terceiro cenário?

Alte. Mário César Flores: O cenário regional. Embora tenha a improbabilidade imensa, essa improbabilidade é reforçada na medida em que exista um poder militar dissuasor. Evitar aventuras regionais. Facilitar o entendimento pacífico através da existência de um poder militar que complique a via militar. Suponha que nós tenhamos confronto de interesses com um país regional. Se nós tivermos um poder militar que faça com que reciprocamente nos respeitemos no plano militar, o entendimento pela via pacífica se impõe, não tem outra saída.

Então, embora a América do Sul hoje seja muito mais propensa a contemporizar, a conciliar, esse caminho pacífico é ajudado pela existência de um poder militar.

Não vamos ignorar que os governos não são perfeitos, as idiossincrasias nacionais existem. Isso é recíproco: a ausência de um poder militar no outro faz crescer a hipótese da aventura. Então, eu diria que este é o terceiro cenário.

JB – As questões regionais se esgotam na dissuasão?

olho-5Alte. Mário César Flores: Dentro desse cenário regional, existe um subcenário de menor importância, do ponto de vista de preparo militar. Não é que seja pouco importante para o país; agora, ele não exige evidentemente um preparo muito forte. São essas ações que preocupam hoje na Amazônia, e que de certa forma ajudaram a alicerçar o Projeto Calha Norte, que é a existência, nas fronteiras pouco desenvolvidas, de intromissões ilegais.

Ou seja, organizações ilegais de outro país atuando do nosso lado, à revelia do governo do outro país. Mas nós sabemos que existe esse tipo de coisa: narcotráfico, ou guerrilha de outros países, como é o caso do M-19 (movimento guerrilheiro da Colômbia). Por enquanto ainda não temos como decididamente afirmar que não passam para o nosso lado – não com o intuito de nos ameaçar, mas de fazer manobras independentemente da fronteira política. É um cenário regional que não exige grande preparo militar, exige mais uma distribuição de forças adequadas para zelar pelas fronteiras.

JB – Há mais algum cenário que possa orientar o preparo militar do Brasil, em sua opinião?

Alte. Mário César Flores: Há um cenário adicional com que não podemos deixar de nos preocupar, que é o uso de poder militar em defesa da ordem e da salvaguarda da vida humana. Se amanhã ou depois for conveniente o exercício de uma capacidade apaziguadora, na América do Sul ou no Atlântico Sul – eu não quero dizer longe, porque aí já é um problema secundário para o Brasil, mas já houve, em Suez — , nós não podemos deixar de admitir essa possibilidade.

Há aspectos discutíveis, do ponto de vista ideológico. A República Dominicana (intervenção comandada pelos EUA em 1965, da qual o Brasil participou) teve um ingrediente que não é exatamente o que eu estou dizendo. Mas, amanhã ou depois, um problema como em Biafra (guerra civil na Nigéria, entre 1967 e 1970), uma grande mortandade, agressão interna… Esse tipo de problema pode vir a exigir, particularmente na América do Sul e no Atlântico Sul, a participação brasileira. Isto tem alguma influência sobre a configuração militar, porque afeta a projeção de poder.

JB – O senhor pode dar um exemplo?

Alte. Mário César Flores: Vamos fazer uma suposição. Se a questão do Cone Sul africano levar a uma solução para o problema da Namíbia, que implique, provisoriamente, um abafador entre a África do Sul e Angola – é um palpite político que eu não devia dar, porque sou militar – , é pouco lógico que o Brasil, que tem defendido o afastamento das grandes potências desse cenário sul-atlântico, não participe desse abafamento.

Teremos que ter uma capacidade de operações em terra através de um cordão logístico a partir do Brasil. É o quarto cenário. Um cenário de apoio à estabilidade, à ordem – sobretudo à salvaguarda da vida humana, porque estabilidade e ordem podem ter conotações ideológicas, interferências do confronto URSS-EUA, e aí eu boto as minhas barbas de molho.

JB – A discussão com os representantes da sociedade se esgota nas linhas gerais da estratégia ou pode descer a detalhes?

olho-6Alte. Mário César Flores: Eu gostaria muito de entrar numa comissão de defesa nacional, ou que nome venha a ter, e discutir esse tipo de assunto. Na medida em que isto se transforma em preocupações mais concretas, você vai conseguindo visualizar de que poder militar você precisa. Eu preciso de uma Marinha capaz de atuar na defesa próxima do litoral, e que possa ter alguma defesa em profundidade, para não deixar – como eu mencionei no caso da Argentina – que haja tranqüilidade no acesso.

Preciso de uma Força Aérea capaz de defender pontos selecionados do território nacional, diante dessa possibilidade de confronto, e também preciso de uma Força Aérea que contribua para a dissuasão regional. Ela vai ter que ter uma capacidade ofensiva, de atuar nas distâncias do cenário regional.

É lógico que descer mais no detalhe, se é o avião X ou Y, que escolta vamos usar, é um problema mais profissional.

JB – A postura será sempre defensiva, nunca ofensiva?

Alte. Mário César Flores: Eu não visualizo problema de segurança para o Brasil que me obrigue a exercer um esforço agressivo.

JB – Nem com a Argentina?

Alte. Mário César Flores: Nem com a Argentina. Esforço defensivo, sim. Nós somos um país de status quo, de objetivos não agressivos. Então, o principal é que não nos aborreçam aqui. Não vamos aborrecer ninguém em lugar nenhum.

SAIBA MAIS:

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vinheta-destaqueReproduzimos abaixo a opinião do leitor “Flal” do BlogNAVAL, sobre os PEAMB “Planos de Equipamento e Articulação da Marinha do Brasil”. O leitor mostra como será difícil colocar em prática os planos de reequipamento da MB e como pensa parte do pessoal da Marinha a respeito do assunto.

Senhores,

Infelizmente os custos são esses mesmos que o Blog informou nesse post. Cerca de R$ 1,8 bilhão a versão de EG e cerca de R$ 2,3 bilhões a versão de EG, mas com ênfase em AAW.

Não está nada fora da realidade mundial. Caso a MB optasse por adquirir esses meios no exterior, os custos de aquisição seriam aqueles anunciados pelos fabricantes. Senão vejamos:

  • FREMM EG – 600 MILHÕES DE EUROS, cerca de R$ 1,62 bilhões (Cotação do Euro a R$ 2,7);
  • FREMM AAW – 750 MILHÕES DE EUROS, cerca de R$ 2,03 bilhões (cotação do Euro a R$ 2,7);
  • KDX II – 600 MILHÕES DE DÓLARES, cerca de R$ 1,1 bilhão (cotação do Dólar a R$ 1,84);
  • KDX III – 1,1 BILHÃO DE DÓLARES, cerca de R$ 2,02 bilhões (cotação do dólar a R$ 1,84);
  • Arleigh Burke – 1,1 BILHÃO DE DÓLARES, cerca de R$ 2,02 bilhões (cotação do dólar a R$ 1,84)

Já deu para se ter uma noção dos preços. Lembro mais uma vez, que esses preços são para os meios fabricados pelos seus respectivos estaleiros. Como a MB quer produzi-los aqui, sob licença, vai ter que pagar a mais por isso.

Também já deu para perceber, pelos valores apresentados pelo Blog, que nós vamos de FREMM mesmo.

Com relação ao PEAMB, cabem algumas considerações:

PEAMB significa: “Planos de Equipamento e Articulação da Marinha do Brasil”. Esse plano é uma imposição do Ministério da Defesa, para que as 3 Forças Singulares apresentem a necessidade de meios para os próximos anos e as ações de articulação com a indústria de defesa nacional.

Isso não significa que a MB vai conseguir obter tudo o que está descrito nele.

Cabe salientar que, a MB divide o seu planejamento estratégico em:

“Marinha de Hoje” – Curto prazo;
“Marinha de Amanhã” – Médio Prazo; e
“Marinha do Futuro” – Longo prazo.

Nos corredores dos navios, da Ilha das Cobras e da Ilha do Mocanguê, esse PEAMB é chamado de “Marinha do Nunca”, ou mesmo PEAMB = Pura Enrolação dos Almirantes para os Marinheiros Burros”. Pois, a maioria dos oficiais e praças acham esse plano impossível de ser concretizado em sua totalidade.

Os números apresentados nele são pura ficção. Em 30 anos, serão cerca de 8 governos diferentes, alguém acredita que não sofrerá mudanças, que vão contingenciar orçamentos, como sempre ocorre.

Ademais, colocar a culpa somente na classe política é no mínimo simplificar muito as coisas. Existe sim má administração e falta de planejamento dentro da MB. Quem está dentro, sabe do que estou falando.

Exemplificando o que estou dizendo, quando o NAe São Paulo foi adquirido, existia uma previsão de orçamentos futuros, que contava com os Royaltes do Petróleo e outras fontes. Se esses orçamentos tivessem sido mantidos, o NAe estaria 100% operacional até hoje. Contudo, houve um contingenciamento dos orçamentos, os Royaltes não foram mais repassados para a MB. Nesse caso seria necessário então utilizar um “Plano B”. Pois bem, qual era o “Plano B”? Ele simplesmente não existia!

Dessa forma, resolveu-se usar o navio até o talo, fazendo, apenas, manutenções naquilo que não tivesse mais jeito. Os resultados, todos conhecem.

Acho que o primeiro “Plano” que a MB deveria fazer, seria em seu recursos humanos. Tem que investir primeiro no pessoal que irá operar tudo isso. Temos tripulações reduzidas, 120 homens tendo que fazer o trabalho de 200. Para a maioria, o “embarque” é uma punição. Só ficou mesmo o pessoal que tem amor pelo que faz, porque o resto se esconde no chão.

A MB está selecionando o pessoal do quadro auxiliar (engenheiros e técnicos) para irem à Europa fazer os cursos de formação e aperfeiçoamento. Poucos são os voluntários, e quando paramos para conversar com eles (voluntários) vemos que a intenção é fazer o curso, voltar, “pagar” (período obrigatório de permanência quando o militar retorne de um curso como este), e então dar baixa para ganhar 5 vezes mais fora da MB.

Desculpe o desabafo, mas se querem realmente reestruturar a MB, reequipá-la com meios modernos, sejam os 10 primeiros como dito nesse post, ou os 16 apresentados, é necessário primeiro investir no pessoal, porque a situação está ficando bastante complicada.

Quando isso ocorrer, eu e a maioria dos Oficiais de Marinha acreditaremos em PEAMB, ou END, e outros mais que forem criados.

Desculpem!

SAIBA MAIS:

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Capitão-Tenente Marcelo Chagas de Lima CASOPE, Base Naval de Mocanguê, Niterói – RJ.

RESUMO: Neste trabalho veremos uma Marinha com os olhos do passado, do presente e vislumbraremos a Marinha do futuro e suas ambições, vendo a história, percebemos claramente o espaço morto no qual permanecemos por décadas, para chegarmos aos dias de hoje. Ter e manter uma força adestrada e capaz, requer acima de tudo tecnologia, e homens capazes de conduzir e estarem familiarizados com o progresso, mais do isso, homens com conhecimento suficiente para ouvir e se fazer ouvir no cenário mundial.

INTRODUÇÃO

O Barão do Rio Branco, analisando a lição da nossa história, escreveu:
“Desde Riachuelo, compreendia-se, como agora de novo se compreende entre nós, que navios e marinheiros não se improvisam e que uma nação, como a brasileira, com tão vasta extensão de costa e tão grandes rios internacionais, precisa estar seriamente aparelhada para a pronta defesa de suas comunicações marítimas e fluviais, das seus portos e comércio”.

Nos idos de 1942 o Governo brasileiro reconheceu o estado de guerra que nossos navios iam para o mar tão indefesos quanto as traineiras de pesca, de vez não possuíam sonar e os radares ainda não eram acessíveis aos nossos navios.Mesmo assim, o nosso perigo e, à medida que novos equipamentos foram chegando, rapidamente oficiais e marinheiros dominaram seu uso, aprenderam suas novas tecnologias, comboios e patrulhas oceânicas foram organizadas.

O resultado foi que acabaram os afundamentos de navios mercantes na nossa costa e, no final do conflito, apesar de todas as deficiências de materiais.A atuação da Marinha no início de sua operação na Segunda Guerra Mundial foi heróica, é imperioso que as novas gerações da Marinha, lutem com todas as forças para que sejam dadas às nossas forças navais as condições necessárias para fazê-las capazes de negar o uso das áreas marítimas e evidenciar condições de cobrar altos custos a quem intencionar atingir interesses e direitos nacionais dependentes do uso do mar.

Como diz o Almirante Arlindo: “A Marinha, segmento profissional e especializados, criados e mantidos pela sociedade, tem representação legítima para preparar e aplicar o Poder Naval para a realização dos objetivos nacionais que dependem do uso do mar”.

Isto significa dizer que a Marinha tem o dever e a responsabilidade, a ela legitimamente delegados, de preparar, manter e aplicar pela paz ou no conflito que não puder evitar parcela significativa do Poder Nacional, que é o Poder Naval.

Uma Força Naval capaz para garantir o propósito de manter a soberania da Nação na Zona Economicamente Exclusiva(ZEE) não pode deixar de contar com dois tipos de navios: submarinos nucleares e navios-aeródromo.

Os submarinos nucleares pelo seu grande raio de ação, sua velocidade adequada para atingir rapidamente os locais da ação, por serem silenciosos, difíceis de detectar e destruir, são ideais para áreas abertas como se comprovaram na guerra das Malvinas. São porém de altíssimo custo, a tecnologia da propulsão nuclear ainda permanece restrita a um pequeno número de países, embora o programa nuclear da Marinha continue progredindo de maneira razoável (apesar da falta de verbas), ainda não se pode estimar data para que a Marinha possa contar com seu reator nuclear para uso em submarinos.

Os navios aeródromos surgem, então como solução de médio prazo mesmo porque atendem também como a outros programas da defesa dos mares brasileiros.

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Aviação e a Marinha

A aviação na Marinha passou por algumas fases importantes e difíceis que estão,ainda hoje, se sobrepondo ao cenário naval.

Devemos considerar as fases da criação em 1916, com a reformulação do nosso programa Naval onde o Presidente Venceslau Braz, empolgado com o feito de Santos Dumont em 1906, decretou a criação da Escola de Aviação Naval em 1916, sendo esta a primeira escola de aviação militar do país e, portanto marco do nascimento da Aviação Naval; do desaparecimento em 1941 por decreto presidencial, do renascimento com a participação exemplar do Brasil na segunda guerra mundial, da afirmação que teve início em janeiro de 1965 e se encerrou com outro momento histórico: 8 de abril de 1998, quando adquirimos o direito de posse de aeronaves de asa fixa. O cenário da afirmação teve duração de 33 anos.Tempo demais, talvez tempo exigido por uma sociedade que não consegue perceber a problemática da convivência entre as nações; que não adquiriu uma mentalidade marítima e por via a pouca atenção proporcionada pelos atores políticos quanto o valor da imensa área oceânica com que nos defrontamos e às reais necessidades de nosso Poder Naval, visando protegê-la.

Ainda assim, o tempo suficiente para que agregássemos os componentes necessários e imprescindíveis obtivando a consecução de novas etapas nos próximos anos.

Entretanto se muito foi feito em termos de Aviação Naval, temos consciência de que muito há por fazer para o aprimoramento da capacidade de defesa aérea da força naval, como a modernização dos aviões AF-1, e a aquisição de aviões de alarme aéreo antecipado relacionando estes fatos com as exigências do presente e do futuro.

Navio Aeródromo “São Paulo”

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Com a desativação do Grupo aéreo Embarcado Grupo da Força Aérea Brasileira, a Marinha voltou a sonhar ter seus aviões de asa fixa, o que fez com a aquisição de 23 aeronaves Skyhawk para operarem embarcados. Com a aquisição do NAe “São Paulo” coroou-se todo o esforço de se ter um a navio aeródromo totalmente operado por marinheiros, com isso consolida-se o projeto de defesa aérea da Força Naval, que visa a operacionalização das aeronaves a reação AF-1 e o controle efetivo de áreas marítimas, especialmente quando próximas ao litoral de áreas em conflito.

Com a presença do Navio Aeródromo e suas aeronaves embarcada, principalmente às aeronaves AEW, transforma-se significativamente as
características de nosso Poder Naval, afastando-o das tarefas limitadas próximo aos litorais e especificamente anti submarino, e proporcionandolhe uma capacidade oceânica que corresponde à
nossa destinação, qual seja, uma presença – ainda limitada sem as aeronaves AEW embarcadas, mais com credibilidade no Atlântico Sul.

Modernização da Marinha com aquisição de aeronaves AEW

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Junto com a modernização dos AF-1, a MB está estudando a aquisição de aeronaves de alarme aéreo antecipado (AEW – Airborne Early Warning) para realizar vigilância aérea radar além do horizonte, acompanhamento de alvos e controle de interceptadores, além de reconhecimento meteorológico, em complemento aos radares de busca dos navios em missões de defesa aérea e interceptação de ameaças aéreas. A aeronave também realizaria busca de superfície.
A modernização dos AF-1 está condicionada à aquisição de aeronaves AEW, para que possam ser empregados em sua plenitude como interceptadores.

Sem estas aeronaves, os AF-1 estariam dependentes dos radares dos navios para busca aérea de volume e vetoramento de interceptação. Para se ter uma idéia da vantagem deste tipo de aeronave é só ter em mente que o horizonte radar dos navios é de cerca de 40km contra uma aeronave ou míssil a baixa altitude enquanto uma plataforma radar a 3.000m de altura pode detectar aeronaves e mísseis voando baixo até 220km. O tempo de reação é aumentado em até quatro vezes o que facilita as defesas e pode até permitir que uma aeronave equipada com mísseis antinavio seja derrubada antes de lançar seus mísseis.

Sem as aeronaves AEW, o GT estaria exposto a aeronaves e helicópteros de ataque voando baixo que conseguiriam se aproximar o
suficiente do GT para disparar seus mísseis antinavio. Isso aconteceu com os britânicos nas Malvinas ao serem atacados pelos Super Étendard argentinos armados com o AM-39 Exocet.

A necessidade de uma aeronave AEW foi uma das lições aprendidas pelos britânicos que logo adaptaram seus helicópteros Sea King para esta missão. Sem as aeronaves AEW, as escoltas britânicos tiveram que se expor em piquetes radares a distância do GT sendo que o HMS Sheffield foi afundado nesta situação. O uso de aeronaves como meios de vigilância radar também ajuda na defesa do GT ao evitar que os navios emitem com seus radares e dêem informações que possam denunciar sua posição para o inimigo.

A MB está estudando duas plataformas possíveis para ser o seu futuro
AEW: um helicóptero adaptado nos moldes do Sea King AEW britânico, e uma aeronave convencional que poderia ser o Breguet 1050 Alizé, retirado de serviço pela marinha francesa no ano 2000, ou o Grumman S-2 Tracker ou sua versão AEW, o E-1 Tracer. Os S-2 seriam remotorizadas com a troca de seu motor a pistão por um turbohélice. A EMBRAER apresentou uma proposta para usar a aeronave para AEW, Patrulha Marítima, COD e reabastecimento em vôo.

Asa Fixa x Asa Rotativa

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A aeronave convencional tem algumas vantagens sobre o helicóptero como um teto maior que aumenta o horizonte radar, maior velocidade, sobe mais rápido, maior autonomia e é mais econômica.

Por outro lado, um helicóptero pode operar em missões de alerta antecipado e busca de superfície a partir de outras embarcações de superfície além do NAe. Isso deve ser considerado pois o A-12 São
Paulo nem sempre vai estar disponível, e quanto mais tempo disponível para reagir a uma ameaça aérea melhor. Outra vantagem do helicóptero é poder usar uma plataforma que já é usada pela MB como o Sea King, ou o Super Puma/Cougar ou o substituto destas aeronaves.

A MB poderia adquirir novos helicópteros ou adaptar os que já estão operando. Os SH-3 podem até manter a capacidade de lançar os mísseis anti-navio AM-39 Exocet aproveitando dos modos de busca de superfície do radar principal e MAGE para vigilância de superfície. Os helicópteros podem subir logo depois de decolarem e iniciar as buscas bem antes que as aeronaves convencionais que estão subindo em uma atitude que não favorece a busca com o radar.

Os helicópteros AEW atuam a cerca de 150-200km de distâncias do NAe com os caças em patrulha aérea de combate (PAC) a até 100km à frente na direção mais provável da ameaça. Por estarem bem próximos do combate ou em caso de acidentes em tempo de paz, os helicópteros podem atuar em missões SAR se necessário. O helicóptero também tem capacidade de sobrevivência ligeiramente melhor que um turboélice. Por ser uma aeronave de alto valor, as plataformas AEW são alvos prioritários para o inimigo. Como são lentos e não podem fugir, a tática defensiva é mergulhar e tentar se esconder no retorno do solo enquanto os caças de escoltas não aparecem.

Como o helicóptero voa mais baixo ele chega mais rápido ao solo e o giro dos rotores interfere nos radares dos caças. Em caso de ameaça de aeronaves de patrulha e reconhecimento, quando o GT esta operando longe do litoral, as aeronaves AEW operam afastadas do GT para evitar detecção pelo inimigo. No caso de operação próxima do litoral, e a detecção é muito provável, a plataforma AEW costuma operar próximo ou atrás do GT aproveitando da cobertura de mísseis superfície-ar dos navios de escolta (de preferência de longo alcance) para se proteger, pois será o alvo prioritário dos interceptadores inimigos.

Sem o AEW as aeronaves inimigas têm mais chances de sucesso. Uma aeronave de asa fixa teria a vantagem de poder realizar também outras missões como reabastecimento em vôo dos AF-1 e realizar missões COD (Carrier On-board Delivery), para transporte de pessoal e carga entre o NAe e bases em terra. O helicóptero realiza VOD (Vertical On-board Delivery) em alcances menores. As aeronaves de asa fixa não poderiam operar num GT sem o A-12 São Paulo, o que não ocorre com os helicópteros, mas podem operar a partir de bases em terra caso um GT esteja operando próximo à costa, brasileira ou estrangeira, e pode funcionar como aeronave de patrulha marítima caso seu radar tenha modos de busca de superfície vetorando os AF-1 e/ou AMX contra alvos marítimos.

Uma desvantagem das aeronaves convencionais é não poder realizar operações de pouso embarcado em estados de mar alto (escala 5-6), teto baixo e mau tempo. Os helicópteros têm menos (ou nenhum)
problemas operando a partir de uma plataforma grande como um NAe. Em caso de mau tempo o helicóptero AEW seria a única plataforma a decolar fornecendo alerta antecipado para as escoltas que seria a única defesa contra aeronaves e mísseis inimigos.

A escolha do tipo de plataforma deve estar ligada também ao tipo de NAe que substituirá o A-12 São Paulo. Uma aeronave de asa fixa precisa de um NAe com pista em ângulo com cabos de parada para pousar e uma catapulta para decolar o que condicionaria o substituto (A-13), a usar esta configuração. Os S-2 Tracker da FAB conseguiam
decolar usando todo o comprimento da pista do A-11 Minas Gerais, mas precisam de um convés inclinado com gancho de parada para pousar. Os helicópteros são indiferentes a estes detalhes.

Balanceando Capacidades

turbotracker

No caso da escolha dos sensores, principalmente o radar, deve ser considerado que eles devem ter desempenho compatível com os interceptadores embarcados e com as ameaças. A princípio, por
motivos de padronização, o ideal seria uma aeronave S-2T Turbotracker equipado com um radar Erieye idêntico ao instalado nos R-99B da FAB.

O Erieye foi concebido pelos suecos para defender seu país de uma invasão russa. Na doutrina sueca, suas 6 aeronaves AEW (S-100 Argus) fariam patrulha em duas órbitas, uma ao norte e outra ao sul do país, e controlaria, junto com radares em terra, até 300 aeronaves de caça contra ataques maciços dos russos.

Na US Navy, o E-2C tem uma capacidade similar ao Erieye e foi concebido para defender os GTs americanos de ataques de saturação de bombardeiros russos armados com mísseis, controlando até 40 interceptadores embarcados.

Com um NAe equipado com apenas um esquadrão de aeronaves de ataque adaptadas para interceptação, ou mais futuramente, é fácil perceber que a aeronave AEW tem que ser balanceada com os meios ofensivos /defensivos que controla e com as ameaças esperadas e não precisa ter requerimentos superestimados que só aumentariam
os custos.

A aquisição de um radar sofisticado só teria sentido no caso de um plano de longo prazo de construção de pelo menos dois NAes de ataque médios equipados com aeronaves de alto desempenho. Como a plataforma AEW entraria em serviço a partir do fim desta década, aproximadamente, ela ainda estaria operando quando o novo NAe entrasse em operação. O radar Erieye também é grande demais para ser instalado no Tracker. O radar tem quase 10 metros de comprimento (9,7m) contra 13 metros do comprimento da fuselagem do S-2 Tracker.

Em maio de 2002, um S-2T Turbo Tracker operou no A-12 durante a operação Araex. Em Setembro mais dois Tracker Argentinos voaram na operação Temperex.

O A-11 Minas Gerais não tinha capacidade de lançar o Super Etandart.
O S-2T Turbo Tracker foi considerado como plataforma para missões AEW, reabastecimento em vôo e COD. Foi oferecido pela EMBRAER com o radar Ericsson Erieye e considerado mais barato que o Sea King. Durante a Operação Temperex, técnicos da EMBRAER estavam presentes no navio observando a operação das aeronaves.

A Armada Argentina pode passar seus Turbo-Tracker par MB pois estão sem condições financeiras de mantê-los e já tem o P-3 Orion. Também não possuem um NAe de onde operá-los. O Turbo-Tracker já foi homologado no A-12 e só falta o radar AEW. A proposta de aeronave AEW mais barata e de menor risco até agora foram dos Tracker com o custo de US$120 milhões.

Existem várias opções no mercado de radares menos sofisticados e baratos que o Erieye ou o APS-145 que equipa os E-2 atuais. Como
exemplo temos o radar Thales-Racal Searchwater-2000AEW que equipa o Sea King AEW.7 britânico, o SeaVue da Raytheon e o FIAR Eliradar HEW-784 que equipará o EH-101 da Marinha Italiana em
missões AEW.

Todos podem ser instalados no radome retrátil do S-2 Tracker. No caso do Searchwater, operado pela Royal Navy e Marinha Espanhola, só é necessário dois operadores a bordo da aeronave para operar os consoles do radar. Qualquer que seja o tipo de plataforma escolhida, um sistema de Medidas de Apoio de Guerra Eletrônico (MAGE) é recomendável para identificação passiva de alvos no ar e na superfície.

Estes sistemas têm o alcance condicionado pela altitude da aeronave e por isso as aeronaves de asa fixa seriam a melhor plataforma. A MB está estudando os sistemas ESM Kestrel da Thales-Racal e o ALR-733 da Elettronica. Um datalink é fundamental para a agilidade das operações.

Enquanto as informações de cerca de 40 contatos leva 5 minutos para serem transmitidas para um navio mãe e/ou intercerptadores, o datalink realiza a tarefa em tempo real. A MB já confirmou que irá usar o datalink do R-99. Outro sensor que está sendo estudado para instalação em aeronaves AEW é o FLIR/IRST necessários para rastreio de mísseis balísticos, identificação visual de alvos a longa distância e vigilância passiva. O Merlin ASW britânico testou um FLIR L-3 Wescan MX-15 com alcance de detecção de barcos de pesca de até 100km em tempo bom. O FLIR SeaOwl do Lynx alcança 30km nas mesmas condições.

ara-s-2t-turbo-tracker-no-a12

Conclusão

O Brasil é um país de poder médio que mantém a balança na América do Sul, e como tal deve se preparar para o futuro, sempre tendo em mente que a proteção do território brasileiro vem em primeiro lugar. Devemos levar em consideração as novas estratégias e decidir como deve se defender destas se forem alguma vez usadas contra o país. Deve também reavaliar a estruturação das forças armadas, para melhor defender o território nacional, e considerar a importância da nova tecnologia militar, principalmente a tecnologia espacial.

É bem possível que jamais vejamos guerras como a primeira e segunda Guerras Mundiais, mas , por outro lado, o futuro parece bem incerto, tanto porque a ordem do passado não mais funciona como a nova ordem de produzir o caos.

FOTOS e ILUSTRAÇÕES: Rob Schleiffert e Corné Rodenburg / Cees Jan van der Ende (AF-1 em voo) / Jacubão (Desenho do A12).

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Que exóticas transações intrometeram a empreiteira Odebrecht em negócios franceses de submarinos?

Janio de Freitas

vinheta-clipping-navalA IMINENTE submissão do governo Lula à exigência francesa, para a venda ao Brasil de quatro submarinos convencionais, não só da construção de uma nova base naval paga aos vendedores, mas até de que a obra seja entregue à empreiteira Odebrecht, compromete mais do que a moralidade governamental, sempre duvidosa nos negócios. Implica, antes de tudo, a sujeição a um desrespeito ofensivo à soberania brasileira por parte do governo francês, representado pela estatal Direction des Constructions Navales.

Além da compra de submarinos contestados, em um pacote já estimado em dez vezes outras propostas (“O Globo”, 12.jul), a exigência francesa retira do Brasil o domínio de uma obra militar sua e em seu território. Com isso, o Brasil perde o controle dos custos, reajustes e outros expedientes das empreiteiras, e perde os segredos convenientes a uma base militar que se pretenderá estratégica.

Sob tudo isso perpassa um mistério: que exóticas transações intrometeram a empreiteira Odebrecht em negócios franceses de submarinos? A ponto de os levarem a planejar um negócio de dimensões estapafúrdias, que o governo Lula mostrou-se automaticamente pronto a aceitar.

É muito recomendável a dúvida entre estas duas hipóteses: a intromissão da empreiteira Odebrecht vem de lá para cá, como aparenta, ou foi remetida daqui para entrar lá no negócio e vir com ele, já sem concorrências e outros incômodos, até os gabinetes ministeriais, palácios e cofres brasileiros?

Lula se dispõe a assinar o contrato com os franceses no Sete de Setembro, quando da esperada visita do presidente francês. É uma data bem eloquente, para um negócio que submete a soberania.

FONTE: Folha de São Paulo

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mercosul_line

vinheta-clipping-navalNa crise dos anos 80, o governo brasileiro usou a importação de navios de forma especial: para conseguir créditos em moeda forte dos países europeus, fazia-se uma troca: o Brasil comprava navios – precisasse deles ou não, para armadores credenciados ou não – única e exclusivamente para que pudesse receber financiamentos acoplados à operação. O Brasil mirava as pesetas, francos e libras daí decorrentes e a velha Europa gerava empregos e adiava o colapso de seus estaleiros ante a ofensiva asiática.

Agora, uma nova importação acaba de ocorrer: a Mercosul Line, empresa brasileira pertencente à maior empresa mundial de containeres, a dinamarquesa Maersk, importou dois navios, fato inédito em duas décadas. A operação gerou críticas do Sindicato Nacional da Indústria da Construção Naval (Sinaval).

Murilo Barbosa, diretor da Agência Nacional de Transporte Aquaviário (Antaq) dá depoimento, à coluna, para esclarecer a operação.

Admite que tudo começou com erros, por volta de 2001. De um lado, a Mercosul Line perdeu muitos milhões de dólares ao encomendar dois navios ao estaleiro Itajaí e, por outro, a empresa operou irregularmente, com embarcações estrangeiras no mercado nacional, o que só é permitido por prazo certo, até a conclusão dos navios brasileiros encomendados.

Afirma que, assumir seu cargo na Antaq, na gestão de Fernando Fialho, tinha como opções agir de forma punitiva ou encontrar uma solução – e optou-se pela segunda hipótese. Esclarece que a importação de navios é uma operação tão clara que sequer precisa de autorização da Antaq ou de qualquer outro órgão – e só não é comum porque custa caro.

- Qualquer um pode importar navio, desde que este seja novo e haja pagamento de impostos – diz. Murilo Barbosa revela que os navios entraram via Manaus.

- O ICMS é estadual e não sei se o Estado do Amazonas deu incentivos. O que importa é que os impostos federais, como Pis, Cofins e imposto de importação, foram pagos e isso dá aos dois navios plenas condições de operar como embarcações de bandeira brasileira, sem nada dever a concorrentes, ao mercado ou a quem quer que seja.

Barbosa afirma que, como oficial da reserva da Marinha do Brasil, bem sabe que a estrutura do setor se baseia em construção naval, marinha mercante e nos marítimos. Diz que, no entanto, fica contente de ver viabilizada a hipótese de importação:

- A preferência tem de ser pelo mercado interno. No entanto, se os estaleiros estiverem cheios, como encomendas de Petrobras e Transpetro parecem indicar, é bom para os armadores saberem que têm o recurso de importar e, se isso é bom para as empresas, é bom para o país, ao menos eventualmente.

A propósito: o Sindicato Nacional dos Aeronautas alerta que o projeto de Lei 259, recém-aprovado pela Comissão de Assuntos Econômico do Senado de José Sarney, abrirá o transporte doméstico – cabotagem – aéreo para estrangeiros. Espera-se que o mesmo não ocorra na cabotagem marítima, onde já há mais abertura, pois se admitem empresas de capital 100% estrangeiro, desde que com subsidiárias no Brasil.

FONTE: Monitor Mercantil online / FOTO: Mercosul Line

 

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José Luiz Feio Obino Vice-Almirante (Ref)
Ex-Comandante da Força de Submarinos

Nos dias de hoje o melhor projeto comercial, testado, de submarino convencional, no mercado, é o do submarino francês “Scorpene”. Trata- se de um projeto modular, altamente avançado e flexível que pode ser construído no Brasil e empregado em águas costeiras e áreas oceânicas. A NUCLEP, Indústria de Equipamentos Nucleares, que detém, no país, a tecnologia de construção de estruturas circulares, com alto nível de precisão, está preparada para construir as seções do casco resistente do mencionado submarino francês e o AMRJ, Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro, capacitado para a montagem e união das seções de casco do submarino.

O projeto francês é o que mais se aproxima das características do projeto SMB-10, da Marinha, e agrega, em seu desenho e em seus equipamentos, o que existe de mais avançado e moderno em tecnologia de projeto e de construção de submarinos nucleares franceses, o que não pode ser dito pelo seu concorrente alemão que, apesar, de sua alta tecnologia, nunca projetou ou construiu submarinos nucleares. Ademais, seus submarinos foram projetados para águas costeiras e mares fechados. Não podemos esquecer, que o projeto dos submarinos da classe “Tupi” sendo substituídos, no presente, pelos submarinos IKL 212, com cerca de 1.500 tons.

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A Marinha do Brasil, e porque não dizer o País, busca o domínio da tecnologia de projeto,de construção e de manutenção de submarinos avançados, o que, de certa forma, só poderá ser alcançado com os franceses, americanos, russos, ingleses e chineses. O concorrente alemão, por mais que disponha de alta tecnologia de projeto, construção e manutenção de submarinos, quer para uso próprio, quer para exportação, carece do principal, que é ter capacitação em submarinos de propulsão nuclear. Seus projetos atuais, o IKL 212, exclusivo para a sua Marinha e Marinha Italiana, e o IKL 214, para exportação, são bastante diferentes e seus projetos de concepção foram desenvolvidos em torno da propulsão convencional independente do ar ( AIP ), adequada ao emprego dos submari-nos próximo de suas bases, como é o caso deles, dos italianos, turcos, gregos, sul coreanos e outros, diferentemente do nosso, que requer submarinos para emprego ao longo de uma costa de 4000 km e áreas oceânicas adjacentes.

Quando falamos sobre os projetos “Scorpene” e IKL 214, não podemos esquecer do projeto comercial “Amur”, russo, conhecido em 2004, quando da visita de oficiais brasileiros à Rússia. Apenas o primeiro e o último são operacionais. Para o Brasil a melhor opção seria o projeto francês, ainda que a Marinha tenha uma parceria, de cerca de 30 anos, com os alemães. Mas será que essa parceria foi boa? Em alguns pontos acredito que sim, mas em outros não. Senão vejamos:

  • permitiu começar a construção (montagem de “kit”) de submarinos no País, segundo um projeto importado, que os alemães não acreditavam ser possível sem a sua ajuda;
  • possibilitou a nacionalização da mão de obra na construção de submarinos, que não poderá ser perdida, sob pena de comprometer todo o esforço brasileiro na consecução de seu projeto maior, o projeto e construção de seu submarino de propulsão nuclear.
  • Consta que já nos falta, hoje, as mesmas condições de construção dos “Tupi/Tikuna”, por força da evasão de recursos humanos especializados, decorrente do esgarçamento do programa de construção de submarinos (adiamento do início da construção do “Tikuna”; falta de dinheiro orçamentário para a sua construção, que levou 11 anos; cancelamento da construção do irmão “Tapuia”; e falta de perspectiva de novas construções); e
  • faltou capacidade de nacionalização de peças para motores, equipamentos e sistemas, prejudicando seriamente a manutenção dos submarinos. Em 28 anos, nacionalizamos, apenas, as baterias, ficando a Marinha refém da importação, da quase totalidade da logística dos demais sobressalentes, materiais e equipamentos, cujos preços são cada vez mais proibitivos sem qualquer explicação para os aumentos abusivos.

scorpene-3Acreditamos que com o projeto francês teremos a oportunidade de recuperar os anos perdidos no campo da logística, ainda mais se considerarmos que o sucesso de vendas do projeto comercial alemão do submarino IKL 209 (Submarinos da classe “Tupi”) hoje se debate com o custo elevado de sua manutenção, que depende de longos prazos de entrega de peças de fabricação descontinuada, da disponibilidade, para pronta entrega, de materiais e equipamentos, e dos preços abusivos de fornecimento.

Tal situação leva a uma baixa disponibilidade operacional desses submarinos no mundo. Por serem, também, submarinos costeiros, o seu emprego, em áreas oceânicas ou muito afastado de suas bases, sacrifica o material, em especial, os seus grupos motores-geradores, diante do longo trânsito para as áreas de exercício ou de patrulha. Isto não ocorre no cenário europeu ou semelhante, para o qual foram projetados, por serem as suas áreas de operações muito próximas de suas bases de apoio.

O Chile, um país com grande influência militar germânica, tomou uma decisão drástica e corajosa ao sair da linha alemã para a linha francesa de submarinos oceânicos da classe “Scorpene”, sem o módulo de casco de AIP. A opção chilena, pelo projeto francês, foi devida ao baixíssimo nível de ruído irradiado (plataforma muito silenciosa), ao maior transporte de armamento, a maior facilidade e rapidez de recarregamento dos tubos de torpedo e mísseis, e a maior profundidade de operação do submarino.

Ainda que o problema brasileiro seja ligeiramente diferente do chileno, porque o Chile não tem a construção de submarinos, em seu território, como uma premissa básica, o Brasil tem como objetivo estratégico o domínio completo da tecnologia de projeto e de construção de submarinos e a manutenção dos mesmos. Não será com a transferência de tecnologia alemã que chegaremos ao nosso objetivo maior. Urge que a Marinha, e porque não dizer o Governo, se decida por uma proposta que atenda o médio e longo prazos, isto é, a construção de submarinos convencionais que visualize o futuro que é o projeto e a construção do submarino de propulsão nuclear. Hoje as parcerias para vencer tal desafio seriam com os chineses, ou russos, ou franceses, já que os americanos e seu aliado inglês, se opõem a tal conquista brasileira.

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A decisão que a Marinha espera do Governo, para a construção de submarinos, significará uma decisão para os próximos 30 anos. Resta saber se desejamos ficar refém de algum país. Os primeiros 30 anos estão se acabando, sem que tenha havido ganhos positivos, “significativos”, para a Marinha e para o Brasil. As “Orientações da Marinha” para a HDW e a ARMARIS, em princípios de 2005, para a apresentação de propostas, para construção, manutenção e fornecimento de equipamentos / torpedos de submarinos, mostram claramente que a montagem de submarinos da classe “Tupi”, no AMRJ, não foi suficiente para dominarmos a tecnologia de projeto de submarinos, bem como a construção de certos módulos de casco, como os de proa e de popa.

scorpene-5As “orientações” demandavam propostas das empresas, de transferência de tecnologia de projeto e de construção para o CPN, Centro de Projeto de Navios, e o AMRJ, respectivamente; de homologação do AMRJ como construtor do submarino, a ser adquirido; e de fornecimento de equipamentos para o estaleiro construtor do novo submarino, já que um novo projeto exige, dispositivos, ferramentas especiais específicas, não havendo como aproveitar às do projeto da classe “Tupi/Tikuna”, mesmo que, para um novo projeto alemão. O ferramental de uso geral, no entanto, poderá ser empregado na construção de qualquer projeto a ser escolhido.

O projeto “Scorpene” é, em outras palavras, um modelo convencional reduzido do novo projeto francês do submarino nuclear “Barracuda”. O “Scorpene” traz em seu bojo, muito do desenho de casco do submarino estratégico “Le Trionfant”; inúmeros equipamentos de controle de plataforma, empregados nos submarinos de propulsão nuclear; e sensores no estado atual da arte, integrados ao sistema de combate de última geração, SUBTICS, compatível com o emprego dos torpedos IF 21, “Black Shark”, franco-italiano, Mk 48, americano, e SUT, alemão, e com os mísseis submarino-superfície “Exocet”, SSM 39.

FONTE: PUBLICADO NA REVISTA DO CLUBE NAVAL/2008

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NOTA DO BLOG: Publicamos este artigo a pedido do leitor “Marinheiro”. A matéria é do início de 2008, mas mostra bem o pensamento de quem defende o “Scorpène” como a solução para se chegar ao submarino nuclear brasileiro.

É interessante notar que de uma hora para outra o velho discurso da Marinha de que o Brasil tinha alcançado a independência na construção de submarinos (com o lançamento do “Tikuna”) e que a partir daquele momento o Brasil passaria a pertencer ao “seleto grupo de nações” que construíam seus submarinos.

De uma hora para a outra, porém, o IKL-209, o submarino mais vendido no mundo, que compõe a totalidade da atual Força de Submarinos, passou a não prestar, a ter vários problemas.

É preciso ficar claro que por culpa de certos administradores da Marinha é que o Brasil não conseguiu levar adiante o projeto do submarino convencional nacional SNAC-1, que depois virou SMB-10. Foi depois de uma mudança de comando que interrompeu-se, de uma hora para outra, a transferência de know-how para os engenheiros brasileiros.

Foi um evento semelhante ao protagonizado pelo Almirante Henning, que tentou vender as fragatas classe “Niterói” para um país do Oriente, porque assumiu o comando da Marinha e não concordava com os navios adquiridos na administração anterior.

Outra ponto que o almirante Obino toca e que precisa ser esclarecido: o Brasil não alcançou maior índice de nacionalização nos seu IKL-209 porque construiu poucos submarinos. Na América Latina até o Peru tem mais submarinos que o Brasil.

Não adianta dizer que quer nacionalizar componentes se não há escala de produção. Vejam quantos submarinos tem a Turquia, por exemplo, como já publicamos aqui.

Da mesma forma, mudando de fornecedor e construindo apenas 4 submarinos, não haverá escala e o problema da nacionalização de componentes se repetirá. É preciso acabar com a “mentalidade meia-dúzia”, de compra de caças, de submarinos, de mísseis. Comprando “meia-dúzia” de cada ítem é impossível nacionalizar qualquer coisa.

E a história vai se repetir. Vamos pagar uma fortuna aos franceses para fornecerem um submarino que não atende às aspirações da Marinha de colocar um reator dentro dele. Como já disse e repito, o Brasil precisa do “Barracuda” e não do “Scorpéne”.

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Colunista da ‘Folha’ critica escolha do Scorpène

Janio de Freitas

vinheta-clipping-navalOs indícios de manobras do Ministério da Defesa para forçar determinada escolha dos novos caças da FAB estão acompanhados, agora, da revelação de que o ministro Nelson jobim, na França, inicia a compra de quatro submarinos e um casco por preço dez vezes maior do que outra oferta, de submarinos mais qualificados. E cujo pacote, como negócio e tecnologia, é mais adequado à Marinha brasileira.

A revelação de José Meirelles Passos, repórter consagrado por muitos anos de excelente trabalho para o “Globo” nos Estados Unidos, inclui duas exigências da vendedora francesa mas tipicamente brasileiras: a construção de uma base naval para os submarinos superados, não reivindicada pela Marinha, e a entrega da obra à empreiteira Norberto Odebrecht. Já se sabe, portanto, quem induziu o negócio escorchante no Brasil e, conhecidos os processos das empreiteiras, como foi conquistado.

Também fica compreendida uma providência: a licitação pública foi relegada.

Os submarinos da classe francesa Skorpène foram comprados por apenas dois países: Chile e Malásia, que explicam as três únicas unidades dadas como ativas no mundo. Nem a própria França os utiliza. Em contrapartida, a Marinha brasileira, com quadros técnicos formados na Alemanha, já comprovou sua capacitação tecnológica na construção de quatro submarinos com projeto alemão (são os atuais Tamoio, Tapajó, Timbira e Tikuna), mais atualizados do que o Skorpène.

Assim como na FAB há reservas à compra do caça francês Rafale, na Marinha há reservas ao amplo negócio em torno dos também franceses Skorpène. Os negócios foram articulados por Nelson jobim e Mangabeira Unger, que para isso chegaram a viajar juntos.

FONTE: Folha de São Paulo

NOTA DO BLOG: A opinião transcrita acima não necessariamente reproduz a opinião do blog.

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Seis por meia dúzia

O Poder Naval Online e o BlogNAVAL vêm há bastante tempo tratando do tema do submarino nuclear brasileiro em dezenas de artigos e posts mostrando em profundidade a questão.

No nosso entendimento, já dizíamos no início de 2008 que o “Scorpène” não atenderia à necessidade da Marinha do Brasil, pois o mesmo não possui um diâmetro (boca) de casco que comporte o reator nuclear brasileiro.

A alternativa seria outro casco mais largo, como o do “Turquoise” (um Rubis/Amethyste com propulsão convencional) ou a Marinha entrando de sócia no novo SSN classe “Barracuda”.

A troca do U214 pelo “Scorpéne” é “uma troca de seis por meia dúzia”, se o objetivo é o desenvolvimento do projeto de um casco para acomodar nosso primeiro reator nuclear.

Pelo que lemos e estudamos sobre submarinos nesses anos, a Marinha do Brasil só estaria fazendo um bom negócio se já partisse direto para um casco de submarino que comportasse nosso primeiro reator nuclear. Isso sim seria “queimar etapas”.

Construir quatro submarinos convencionais “Scorpène”, para só depois partir para o projeto de um submarino nuclear será desperdício de tempo e dinheiro, pois o Brasil já têm experiência na construção de submarinos convencionais. O que precisamos é de um casco de submarino com largura suficiente para receber o reator que está sendo construído em São Paulo.

Como já foi constatado, a França vai pagar R$ 21,5 bilhões por 6 SSN “Barracuda” e o Brasil terá de pagar R$17,6 bilhões por 4 SSK “Scorpène” e o casco de um SSN. Ou seja, no final, o dinheiro do Brasil é que vai financiar a maior parte dos novos submarinos nucleares da França.

NOTA DO BLOG: É bom ler atentamente o que está definido no acordo de transferência de tecnologia de submarinos assinado com a França:

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À Tripulação da Fragata ‘Constituição’

Rio de Janeiro, 16 de junho de 2009

Era primeiro de junho, quando minha filha de 6 anos acordou e, como fazia desde o dia 8 de maio, coloriu mais um dia do seu calendário que desenhou para visualizar quantos dias faltavam para a chegada do pai. Com uma carinha repleta de alegria, me disse: “mãe, faltam quatro dias para o papai chegar!!”. Sim, na cabecinha dela, eram só quatro, já que não contava o dia 6, onde já se imaginava nos braços do pai!

Na mesma manhã, fomos todos surpreendidos pelo trágico acidente aéreo que comoveu todo o país, porém, jamais poderia imaginar que esse fato iria, também, influir na minha vida tão diretamente. Confesso que, quando soube que o navio havia sido designado para participar das operações de busca, caí em prantos, sobretudo por pensar nas minhas filhas, mais precisamente na mais velha, e em como iria contar para ela que o pai não chegaria mais em quatro dias, e o pior, que não havia mais previsão. Passados alguns minutos, abstraí o meu sofrimento e pensei imediatamente nas centenas de pessoas que tinham, muito provavelmente, perdido a vida e no imenso sofrimento e angústia dos familiares diante da incerteza do que realmente havia acontecido. A minha dor não poderia ser maior que a deles.

Sentei-a no colo e expliquei-lhe que o papai não iria voltar logo, pois tinha sido escolhido para uma grande missão, que era a de ajudar as pessoas daquele avião. Ela, chorosa, olhou profunda e fixamente para o seu calendário, levantou-se e riscou o tão esperado dia 6, que, além da chegada do pai, seria também o dia da sua festa junina, e falou: “mãe, faltam 4 dias para a minha festa junina!”. Meu coração partiu, mas percebi que ela havia entendido a importância da missão e assim substituiu a tristeza por um grande orgulho do pai.
Ao chegar da escola, contou-me que uma amiguinha havia lhe dito que ela era azarada, porque o pai não voltaria agora, mas também que era sortuda, pois seu pai poderia virar um herói! Achei graça e ao mesmo tempo muito interessante o que essa menina, na ingenuidade dos seus seis anos, vislumbrava.

Contei-lhes toda essa história para chegar a duas palavras, que para mim resumem o sentimento atual de toda a nação: HERÓI e ORGULHO. Não sei se vocês têm a exata dimensão do que esse fato todo representou e repercutiu positivamente para as Forças Armadas e diria eu, mais precisamente para a Marinha. Confesso que ao longo dos anos escutei muitas opiniões injustas e indagações absurdas e ignorantes, no sentido da palavra, a respeito das funções da Marinha num país pacífico e sem guerras, como o Brasil. Infelizmente, foi preciso acontecer um trágico acidente, para que essas pessoas, enfim, conhecessem e reconhecessem a importância da grande e nobre carreira que vocês abraçaram.

Recebi uma grande quantidade de telefonemas e e-mails exaltando o magnífico trabalho de vocês e a palavra que eu mais escutava era: ORGULHO. Orgulho de saber da capacidade da nossa Marinha. Orgulho de ver o esforço, a tenacidade diária. Orgulho de estarem levando alento às famílias de cada Ser Humano resgatado. Orgulho de mostrar à França o potencial operacional de vocês. Orgulho de sermos Brasileiros.

A Fragata “Constituição” caiu “na boca do povo”! Todos se referiam a ela com grande intimidade, como se já a conhecessem há anos, mas o que eles não sabem é que ela é “O URSO”! E vocês fizeram jus a este mascote: foram fortes, bravos e valentes!

Na impossibilidade de me dirigir pessoalmente a cada um de vocês, escrevi esta mensagem para que soubessem que foram impecáveis e souberam superar com brilhantismo todas as adversidades e desafios desta inédita operação, desempenhando com louvor essa grande missão, apesar de terem pesando sobre vocês, o cansaço, a saudade e a distância da família, que já estava tão próxima naquele primeiro de junho.

Não tenham dúvidas que terão muito que contar para seus filhos, parentes, amigos e gerações futuras e que estes o receberão como verdadeiros HERÓIS!

BRAVO ZULU tripulação do Urso! Que Deus os abençoe!

Um grande abraço,

Renata Sertã

 

Rui Barbosa

Há uns poucos de dias que o poço, o ancoradouro do Rio de Janeiro, nos oferece extraordinário panorama. Ao correr dos bondes pelas ruas de onde se descortina o mar, todos os olhos estendem-se para ele. À superfície do elemento azul cinco pavilhões estrangeiros afirmam diversamente o tamanho das nacionalidades, que representam. Ali se ostenta, de extremo a extremo, a escala inteira do poder naval, desde a grandeza crescente da Grã-Bretanha, a mãe dos mares, a semeadora de povos, até à majestade simplesmente histórica da Lusitânia, a soberana descoroada, mas venerável, de cujo manto as vagas parecem roçarem ainda com respeito a fímbria em torno do Adamastor. Passa e repassa a vista curiosa por essa assembléia extraordinária de testemunhas do oceano, e não lhes pergunta que nos dizem, que nos trazem desses longes do espaço e do tempo, da imensidade vaga, aonde o passado se recolhe, e donde assoma o futuro, como as velas repontam do horizonte. Povo descuidado, abrimos as pálpebras entre dois intervalos de sesta, à brisa da costa dourada pelo sol, banhando-nos na tipidez do ar, na volúpia do colorido, na embriaguez ambiente da luz, e banindo d’alma os pensamentos do imprevisto, cerrando-a ao sussurro da consciência, que fala pelo rugir das águas eternas.
Ingenuamente dilatamos as pupilas, com alguma coisa da impressão primitiva dos antigos hóspedes das nossas selvas, quando essas grandes aves que arribam da civilização açoitaram pela primeira vez com as largas asas brancas a quietude deste estuário, como se, tantos séculos depois, ainda inquiríssemos de onde vêm essas gaivotas gigantescas, onde foram buscar umas a elegância das suas linhas e a alvura do seu dorso, outras a negrura do seu vulto e a arrogância do seu colo.
No olhar dos mais inteligentes, quando muito, se descobriria alguma coisa daquela sensação dos passageiros de um transatlântico, debruçados para o cristal retinto, nas paragens onde palpita o coração do globo, pelas águas quentes do Equador cismando nas maravilhas em que se anunciam à tona essas florestas submarinas, à vista das quais são desertas as da terra, contando um a um esses encantos do inesperado, seguindo essas pradarias do mundo líquido, as górgonas, as ísis, as pálidas anêmonas corde-rosa, os alcíones, a flora cambiante e efêmera, com que as artérias da natureza oceânica ajardinam a zona das calmas, o domínio oscilante das algas, essas regiões onde se espelham complacentemente os resplendores solares, e se ocultam os imensos reservatórios da vida submersa.
Mas não basta admirar: é preciso aprender. O mar é o grande avisador. Pô-lo Deus a bramir junto ao nosso sono, para nos pregar que não durmamos. Por ora a sua proteção nos sorri, antes de se trocar em severidade. As raças nascidas à beira-mar não têm licença de ser míopes; e enxergar, no espaço, corresponde a antever no tempo. A retina exercida nas distâncias marinhas habitua-se a sondar o infinito, como a do marinheiro e a do albatroz. Não se admitem surpresas para o nauta: há de adivinhar a atmosfera como o barômetro, e pressentir a tormenta, quando ela pinta apenas como uma mosca pequenina e longínqua na transparência da imensidade. O mar é um curso de força e uma escola de previdência. Todos os seus espetáculos são lições: não os contemplemos frivolamente.
Na festa de ontem bem poucos se deteriam em penetrar a expressão íntima desses convidados do outro hemisfério, ou do outro continente, cujos canhões honraram a solenidade nacional, cujos galhardetes flameavam em arco à luz do sol, e cujas miríades de focos rutilantes constelaram de noite a baía. Cada um deles era, entretanto, uma interrogação misteriosa ao novo porvir. Esses mensageiros da civilização européia e americana, deslumbrados na magnificência das nossas costas, nas estupendas belezas da nossa terra natal, estudam o homem, que a habita, e procuram nas suas obras o selo das grandezas que o circundam. Quando voltarem desta cerimônia, a que concorreram com a distinção do seu obséquio, com a imponência da sua presença, irão dizer aos que os mandaram se a criatura aqui responde à liberalidade do Criador, se este ramo da família humana trabalha pelo bem comum. E queira Deus que desse juízo nos possamos desvanecer, como com esta fineza nos lisonjeamos.
Bastava que de nossa parte os estudássemos, para sentir quanto nos esquecemos de nós mesmos.
Por ele veríamos como presentemente o valor dos povos quase se mede pelo seu valor no oceano.
Considerai nessa obra-prima do Adamastor, pequeno escrínio de ferro onde parece refugiar-se o maior dos poemas navais, como a mais formosa das línguas no canto dos Lusíadas. Vede o Carlo Alberto, a Calabria, o Piemonte, o orgulho de Roma e de Veneza, esbordando o Mediterrâneo, para ostentar na outra metade do planeta o arrojo das suas aspirações, o garbo das suas obras e o vigor da sua gente.
Olhai para as duas fragatas, a Sofia e a Nixe, vedetas soberbas daquela formidável nacionalidade, cuja ambição arde pela glória naval prelibada não há muito, no heróico lirismo daquelas palavras imperiais:
“Nosso futuro está no mar.” No Iowa e no Oregon, quentes da guerra, estuantes do fogo, como que ainda frementes do canhoneio, medi o poder dos colossos que a liberdade levanta e a miséria dos países marítimos desapercebidos no oceano. Notai, enfim, com que fidalguia de primeiros entre iguais se embalam nas ondas, entre os outros, o Beagle e o Flora, pequenas malhas esparsas da coiraça que abriga pelos mares a potência universal da maior das nações, a antiga regedora das vagas.
Nós tínhamos alguma glória, para não entrar humilhados nesse comício brilhante. Não faz mais de trinta anos que as águas do Prata davam testemunho de proezas inolvidáveis, consumadas por uma esquadra de heróis brasileiros. Acabava a guerra separatista nos Estados Unidos, que tamanha revolução produzira nas artes da luta naval. E, contudo, guardadas as proporções, afirmam os mestres que a campanha fluvial do Paraguai não foi nem menos gloriosa, nem, a certos respeitos, menos instrutiva.
Nos maiores movimentos estratégicos do nosso conflito com o déspota de Assunção coube sempre à nossa armada uma parte capital, decisiva, admirável, e a bravura dos nossos marinheiros, sua inteligência, sua capacidade mostraram em nós ao mundo o nervo, de que se faz o caráter das nações. Era um tesouro, que se não devia malbaratar; e malbaratou-se. Não haveria sacrifícios, que outros não fizessem, por conquistar esse prestígio. Nós o tivemos, obtido à custa do melhor do nosso sangue, e deixamo-lo perder.
É mister reavê-lo, se é que temos empenho em conservar a nossa nacionalidade. O oceano tem sido quase invariavelmente o campo de batalha pela independência das nações que confinam com o mar.
Essa Holanda, um de cujos navios visitou há pouco as nossas águas, não a deveu, no século dezessete, senão às vitórias dos seus almirantes. A Inglaterra não teria preservado a sua existência, se as suas frotas não houvessem desbaratado as da França em 1692, em 1759 e em 1805. A França não teria ido sepultar a sua fortuna com a de Napoleão nos gelos da Rússia, se batesse as forças navais inglesas em Abukir e Trafalgar. A União não teria suplantado, na América do Norte, a revolta dos estados meridionais, se as esquadras da legalidade não levassem imensa vantagem às da confederação. O Brasil sem os seus navios não teria aniquilado o Paraguai. Foi no mar que se abismou a China. Foi no mar que pereceu a Espanha. No mar é que se liquidaria a questão da Argentina com o Chile. E na grande conflagração européia, se um dia se desencadeasse, a última palavra tocaria ao mar.
Ora, presentemente, quando o mar intervém nas questões entre os povos, é como o raio. Em poucos dias a agressão, o combate e a vitória, ou a ruína. Uma batalha suprime uma esquadra, e a supressão de uma esquadra pode envolver o desaparecimento de uma nação. Feliz do que pode ser o primeiro no golpe, e amarrar por bandeira ao grande mastro a vassoura de Tromp. Se ela encontrasse abandonado à sua violência impetuosa um litoral de seis mil e quinhentos quilômetros, pode ser que então a surdez crônica da política brasileira começasse a perceber a voz que detona, por essas praias, além, no fragor contínuo das rochas e das ondas: “Marinheiros! Marinheiros! Marinheiros!”

A Imprensa, 16 de novembro de 1898.

FONTE:  http://objdigital.bn.br/Acervo_Digital/Livros_eletronicos/obras_seletas_vol7.pdf

mao

Duas pesquisas feitas por jornais chineses na internet este mês, revelaram que a maioria dos internautas prefere o nome de “Mao” para o futuro navio-aeródromo do país, em homenagem ao polêmico líder chinês Mao Tsé-Tung.

 

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A aquisição de duas fragatas holandesas muito modernas com baixa assinatura radar e excelente equipamento de combate a juntar às três “Vasco da Gama” e a próxima chegada a Portugal dos dois submarinos NRP “Tridente” e NRP “Arpão” (U-209PN) vieram proporcionar à Marinha de Guerra portuguesa um excelente poder militar.

A Espanha possui armamento naval muito superior. Contudo, na leitura de certos blogs militares do país vizinho, verifica-se que está a causar um engulho muito grande a presença dos dois U-209PN (U-214) naquilo que para a Marinha espanhola foi sempre o seu mar e para os portugueses é naturalmente o mar português que se estende à vasta zona exclusiva marítima dos Açores e da Madeira. Os espanhóis escrevem algumas vezes que as águas territoriais portuguesas são a ponte marítima entre o Norte e o Sul da Espanha, sendo, por isso, vitais para os interesses castelhanos.

Além disso, para a Marinha Espanhola, Portugal foi sempre um pequeno país pobre e coitadinho, apesar de estar no trigésimo lugar entre os mais ricos per capita no Mundo num universos de quase 200 nações.
Portugal mostrou já que foi capaz de conter o défice e construir condições para o investimento público. Claro, a crise económica e financeira mundial veio alterar a situação, mas neste campo, os países mais avançados estão a sofrer muito mais que Portugal.

Não devemos esquecer que da grande crise e depressão de 1929-39 resultaram duas guerras importantes para Portugal, a guerra civil espanhola de 1936-39 e a II. Guerra Mundial de 1939-45. Em ambas, Portugal não foi envolvido porque possuía uma liderança forte e o país estava unido, mesmo que à força, mas isso blindou Portugal das influências e apetites estrangeiros que poderiam atirar o País para uma guerra que não era a sua e de que sairia sempre muito prejudicado, principalmente em vidas humanas.

Alguns sinais de uma possível ameaça espanhola começam a ser vislumbrados hoje, traduzida na forma agressiva como empresas de comunicação social, inteiramente detidas por capitais espanhóis, leia-se Prisa, procuram desestabilizar a governação portuguesa e impedir que o País venha a ser dotado de uma liderança forte que não se vergue a medos patológicos. As pátrias subsistem ao longo de séculos com sacrifícios pessoais e raramente só com benefícios imediatos. Perdida ou reduzida uma independência é que se vem a saber qual o custo dessa perda. O medo é sempre o maior inimigo de um povo.

Os dois novos submarinos serão, sem dúvida, respeitados por qualquer submarino nuclear de ataque norte-americano como os da classe “Los Angeles” muito ruidosos ou da nova classe “Virgínia” muito simplificados.
Há quem diga que duas unidades são poucas, mas a verdade é que a manutenção dos U 209PN é mais rápida e simples, como dizem os especialistas, e se o ideal de ter três unidades não foi conseguido, as duas representam já algo.

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Pelas suas características de silêncio absoluto, quase nula assinatura sonar e capacidade para navegarem em profundidade durante um largo tempo sem serem detectados por navios ou submarinos adversos, os U 209PN serão verdadeiros “guerrilheiros” do mar, temíveis por poderem atacar submarinos, navios de superfície e mesmo importantes alvos terrestres.

Curiosamente, a detecção deste tipo de submarinos por forças adversas baseia-se não na procura do ruído que não fazem, mas antes na ausência de ruído, isto é, num chamado “buraco de silêncio” relativamente ao ruído habitual dos peixes no mar, o que pode ser evitado pela emissão de ruído marítimo gravado no submarino.
Os novos submarinos poderão impedir o apoio marítimo a uma tentativa independentista dos arquipélagos da Madeira e dos Açores que poderão procurar noutros lados os apoios financeiros que o Continente pode não estar em condições de dar. E não têm faltado ameaças de, pelo menos, um governo regional.

Os EUA teriam sempre interesse numa Madeira e nuns Açores independentes que se tornariam em seus protectorados. Uma Espanha também teria o mesmo interesse, principalmente se Portugal estivesse desgovernado por falta de uma maioria parlamentar ou por lutas intestinas muito graves.

Numa situação dessas, do exterior poderia não haver invasão, mas apenas “apoio humanitário” em medicamentos e, porque não, armas como mísseis anti-navio e anti-aéreos embalados em caixotes com o emblema da Cruz Vermelha Internacional, embarcados num navio mercante. O torpedeamento ou obrigação de paragem de navios “humanitários” faria mudar a situação radicalmente sem que as marinhas estrangeiras estivessem interessadas num combate. É que os meios bélicos próprios para o combate não servem sempre para isso sob o ponto de vista político. Uma coisa é a “ajuda humanitária”, outra coisa é o combate em águas territoriais de outro país. O inverso não é o mesmo. A nação jurídica tem todo o direito de travar combate seja contra quem for no seu território ou no mar adjacente e o direito internacional não o pode impedir.

Os dois submarinos são um instrumento do direito do Estado português que pode ameaçar todo e qualquer contraventor desse mesmo direito e podem impedir a tempo uma situação do tipo Kosovo. Nenhum marinha estaria à vontade nos mares insulares, sabendo da presença de um terrível e invisível inimigo.
As forças armadas de um pequeno país destinam-se a obrigar um agressor a travar combate. Esse facto é intolerável no âmbito do direito internacional, apesar de nem sempre ser bem sucedido.

Recorde-se que apoios “humanitários” do tipo referido não têm faltado no Mundo desde 1945 até hoje.
A crescente desorganização da União Europeia devido à crise leva-nos a imaginar o seu quase desmembramento. Actualmente, cada nação trabalha por sua conta. Já não há disciplina na zona Euro e ninguém sabe o que fazer. O proteccionismo instala-se e pouco falta para surgirem apetites bélicos para desviar as atenções dos 30 a 40 milhões de desempregados que poderão ser registados até ao fim do ano corrente.

A tão morosa unidade europeia pode desaparecer de um dia para o outro e ser substituída por eixos como o de Paris-Berlim e, porque não, Paris-Berlim-Madrid. Esse sim, muito perigoso para Portugal a oeste e para a Polónia a leste.
Mesmo fora de um cenário europeu. Os dois submarinos ultra-silenciosos podem intervir para a defesa de cidadãos e interesses portugueses na Guiné, por exemplo, apesar de que as actuais fragatas serão aí suficientes como se verificou no passado relativamente recente. Mas uma unidade submarina pode fazer desembarcar mais facilmente uma pequena força de fuzileiros para libertar portugueses, salvar um chefe de Estado ou observar de perto certas situações ameaçadoras. Os dois submarinos não servem verdadeiramente como arma de agressão, mas apenas como arma defensiva e psicológica com poder real.

Num país com uma certa força aérea, a presença invisível de submarinos portugueses poderia servir também como arma psicológica na defesa de cidadãos portugueses e interesses se acontecesse uma profunda alteração política anti-Portugal ou anti-Europa.
Nessa situação, o bloqueio psicológico ou real de um porto poderia levar a soluções pacíficas sem causar vítimas ou prejuízos para ambas as partes e serenar os ânimos belicosos, fazendo imperar o bem senso e o respeito mútuo.

No contexto actual de crise económica, uma Paz tida como garantida até agora pode repentinamente deixar de o ser. Mesmo um país como Portugal não pode descurar a posse de forças verdadeiramente operacionais, mesmo que em número limitado. Mais importante que o número é, sem dúvida, a dupla operacionalidade dos homens e do material moderno.
O registo contabilístico da despesa com a compra dos dois submarinos vai afectar um pouco o défice orçamental em 2010. Como estes navios são entregues a Portugal em 2010, o Governo é obrigado, segundo o Eurostast, a registar nesse ano os 973 milhões de euros, com juros incluídos, gastos na sua aquisição. Como o custo dos submarinos representa 0,5 por cento do Produto Interno Bruto (PIB), em 2010, o défice das contas públicas aumentará de 0,4 por cento, previsto no Plano de Estabilidade e Crescimento (PEC), para 0,9 por cento.

A preço de contrato, os submarinos custaram 779 milhões de euros. Acresce 194 milhões em juros. Total: 973 milhões. Em 2010 estima-se que o PIB seja de 180 mil milhões. Assim, uma despesa de 973 milhões implica a subida do défice previsto para 0,9%. Claro, com a actual crise, as contas públicas de todos os países do Mundo, sem excepções, estão a sofrer profundas alterações.

Para o Ministro das Finanças, a alteração exigida pelo Eurostat não se pode aplicar à compra destes submarinos porque isso representaria um efeito retroactivo, dado que a decisão de Bruxelas é posterior à compra dos submarinos.

Os submarinos serão pagos ao longo de vinte anos num misto de crédito/leasing, pelo que a influência nas despesas públicas de 2010 é quase virtual.
Mas é curioso que uma empresa que adquira bens de equipamento não pode contabilizar o custo total dos mesmos num só ano, pelo terá de considerar os períodos de amortização legais que variam conforme os bens em causa. Porque razão a Comissão Europeia resolveu exigir algo de diferente?

Por Dieter Dellinger – redactor da Revista de Marinha – dedica-se à História Náutica, aos Navios e Marinha e apresenta o seu livro “Um Século de Guerra no Mar”

 
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