QG Airsoft

pre-sal

A história do setor de petróleo no Brasil apresenta duas grandes fases. A primeira foi iniciada quando o monopólio foi concedido à Petrobrás, no início dos anos 1950, após o sucesso da campanha “O Petróleo é Nosso”, uma rara situação em que as Forças armadas brasileiras e os partidos de esquerda ficaram de um mesmo lado. Essa campanha culminou na aprovação da Lei nº 2.004, em 1952, que concedeu à Petrobrás o exercício do monopólio, exceto na distribuição de derivados. Mais tarde, o monopólio da Petrobrás foi incorporado à Constituição.

Durante essa fase a Petrobrás não cumpriu a missão, para a qual foi criada, de tornar o País autossuficiente, ou até exportador de petróleo. Esse fato colocou o Brasil no Guinness Book como o único país no mundo a possuir uma empresa monopolista estatal de um produto importado. Não conseguindo ser um produtor relevante de petróleo, a estratégia foi a de transformar a empresa numa monopolista na produção de derivados de petróleo para o mercado interno. Durante essa primeira fase, foi construído praticamente todo o parque de refino da Petrobrás. Ainda nessa fase, em razão do primeiro choque do petróleo, em 1973, o governo tornou mais flexível a legislação do setor e criou os contratos de risco, que não obtiveram resultados positivos no tocante ao aumento da produção de petróleo. Somente com o segundo choque do petróleo, em 1979, foi possível viabilizar a exploração offshore na Bacia de Campos. Entretanto, a missão principal da empresa de transformar o Brasil num país autossuficiente em petróleo não foi alcançada nessa primeira fase.

A segunda fase foi iniciada com a sanção do presidente da República Fernando Henrique Cardoso da Lei nº 9.478. Para quem não se lembra, sua aprovação resultou de uma batalha ferrenha, e até emocional, entre a base de apoio ao governo Fernando Henrique e a oposição, liderada pelo PT. Essa lei deu fim ao então intocável e sagrado monopólio da Petrobrás.

Durante todo o debate que precedeu a mudança da Constituição e a posterior aprovação da Lei nº 9.478, a oposição afirmava que por trás da proposta do governo estava um plano maquiavélico de enfraquecimento da Petrobrás. Diziam os críticos da lei que, com o fim do exercício do monopólio, as grandes multinacionais do petróleo tomariam conta do setor e a Petrobrás seria sucateada e privatizada.

Nada disso aconteceu. Ao contrário do que afirmavam as pitonisas pseudonacionalistas, a Lei do Petróleo inaugurou uma fase gloriosa da Petrobrás e do setor de petróleo brasileiro. Na realidade, foi o fim da “Petrossauro”, termo cunhado pelo saudoso Roberto Campos para descrever a Petrobrás daquela época. Nessa fase foi criada a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), pela mesma Lei nº 9.478, que de forma independente regulamentou a legislação e promoveu leilões de áreas que permitiram a entrada no setor de empresas privadas, no segmento de exploração e produção. Com a nova legislação, a Petrobrás ficou mais blindada contra intervenções políticas, fez parcerias com empresas que entraram no mercado brasileiro e finalmente cumpriu a sua missão de tornar o Brasil autossuficiente em petróleo.

É sempre bom lembrar que foi graças à independência dada pelo governo federal que a ANP pôde realizar os leilões, a partir de 1998, e uma das consequências foi a descoberta do pré-sal. As áreas do pré-sal pertenciam aos chamados blocos azuis que foram devolvidos pela Petrobrás antes de se iniciarem os leilões e o regime de concessões previsto na Lei nº 9.478. No leilão de 2000, a Petrobrás, em parceria com a BG e a Petrogal, adquiriu o que é conhecido hoje como Campo de Tupi. É interessante observar que todos os campos já descobertos no pré-sal integraram os leilões da ANP e em todos a Petrobrás tem parceiros e é a operadora. À exceção do Campo de Azulão, que é operado por uma empresa privada, no caso, a Exxon-Mobil. Portanto, sem os leilões promovidos pela ANP, a descoberta da camada pré-sal, com certeza, levaria mais tempo para ser anunciada ao mundo.

Portanto, não foram o governo do PT nem a atual direção da Petrobrás que descobriram o pré-sal. A história dessa descoberta, bem como da autossuficiência, começou a se concretizar a partir do momento em que o governo brasileiro entendeu que não fazia nenhum sentido econômico deixar que uma empresa estatal assumisse o monopólio do risco de explorar petróleo. Para dar fim a essa anomalia o governo da época abriu o mercado de petróleo no Brasil, permitindo a entrada de novos investimentos beneficiando a Petrobrás, que passou a ter maior liberdade de atuação e, com o seu quadro de funcionários altamente competentes, levou a empresa a bater todos os recordes de lucro e produção de petróleo.

É uma pena que o governo insista em nos colocar no túnel do tempo e nos levar de volta aos anos 50. Vamos resistir.

Autor: Adriano Pires – diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE)
FONTE: O Estado de São Paulo

*NOTA DO BLOG:Título original do texto publicado no jornal citado. A reprodução do mesmo não necessariamente expressa a opinião no blog.

 

Corveta Caboclo

O navio da foto é a corveta Caboclo, da classe “Imperial Marinheiro”, que foi despachada pela Marinha do Brasil a fim de cooperar nas buscas ao Airbus da Air France, desaparecido no Atlântico.

A Caboclo, que foi incorporada à MB em 1955, é um navio lento, com velocidade máxima mantida de apenas 14 nós (26Km/h). Com essa velocidade, só conseguirá chegar à área de busca no dia 3.06, às 20h.

A Marinha deveria ter em operação navios-patrulha oceânicos (NaPaOc) de 1.200 toneladas, cujo projeto foi cancelado na década de 1990 por falta de recursos, mas é obrigada a manter navios como a Caboclo em operação, pela falta de meios mais modernos.

A FAB também possui problema semelhante: está usando aeronaves de transporte C-130 Hercules nas buscas, pois não possui aeronaves de patrulha marítima de longo alcance atualmente em operação. Os P-95 Bandeirulha são limitados em raio de ação e equipamentos e os P-3AM Orion, que estão sendo modernizados na Espanha, só começarão a ser recebidos em 2010.

 

Desabafo de um Fuzileiro

O texto abaixo é a reprodução de um comentário de um leitor que se identifica como sendo um fuzileiro naval que serve no 1º Distrito Naval.

O comentário foi deixado na matéria sobre a prisão de três homens que estavam fardados e tentaram invadir as instalações da Marinha no dia 27.05, provavelmente para roubar armas.

“A guarda do Primeiro Distrito Naval, composta por nós, Fuzileiros Navais, do Grupamento de Fuzileiros Navais do Rio de Janeiro, está sempre pronta alerta e muito bem preparada para coibir quaisquer iniciativas criminosas como esta recentemente ocorrida e a prova disto é que esta não foi exceção, pois já aconteceram outras tentativas como esta, tambem frustradas, no passado próximo.

Infelizmente o reconhecimento a ações como esta por parte de nossos superiores ainda não se reflete em uma escala de serviço mais folgada que possibilitasse maior engajamento por parte de uma tropa menos desgastada e cansada e destruída por uma escala de serviço tão apertada, tantas missões a cumprir que nos são impostas no dia-a-dia e ainda uma rotina de expediente que muitas vezes é estendida após o horário regulamentar em muitas horas.

E o que se dizer das péssimas instalações nas quais a Guarda do DN é obrigada a habitar todas as vezes que está de serviço, onde somos obrigados a conviver diretamente inclusive com baratas, calor intenso, falta de ventilação (se quisermos sobreviver ao calor temos de levar ventiladores de casa para o Corpo da Guarda) e arejamento mínimo necessário à sobrevivência de um ser humano e ainda muitas outras discrepâncias, como a má vontade do pessoal do Distrito em atender nossas solicitações, que muitas das vezes mais parecem um pedido de socorro vindo de uma “voz do que clama no deserto”

… Parabéns verdadeiros Heróis anônimos que além de vencer todas as dificuldades acima relatadas (que são verídicas pois faço parte desse efetivo e convivo de perto com tudo isso) ainda tem disposição e competencia pra implementar uma Ação Espetacular como essa prendendo esses meliantes, resguardando o patrimônio Naval e Nacional, pondo em risco suas próprias vidas pelo desempenho de um bom Serviço.

Ad Sumus Companheiros, Guerreiros, Fuzileiros, realmente Superiores à Tudo, mais uma vez Parabéns e que Deus nos abençõe e nos guarde todos os dias e a todas as “Guardas” em todos os lugares… …e nos livre não só dos meliantes mas também da falta de consideração e sensibilidade de nossos superiores hierárquicos, que numa situação como essas se inflam de orgulho pra falar em “NÓS” mas no dia-a-dia da convivência da Caserna nos abandonam à própria sorte como acima comentado. Se os meliantes tivessem logrado êxito, cabeças estariam sendo cortadas nesse exato momento, mas mediante seu insucesso, ‘não fizemos mais do que nossa obrigação’… ”

NOTA do BLOG: Se realmente é verdadeira a situação das condições de trabalho da guarda do CFN no 1ºDN, está mais do que na hora de se mudar isso, até como prêmio pela eficiência da guarnição. A Marinha não pode economizar em condições mínimas de trabalho aos seus homens, ainda mais para aqueles que arriscam suas vidas enfrentando bandidos.

 

The END: A fantasiosa estratégia

Luiz Gonzaga Lessa

Assisti à palestra do ministro Nelson Jobim no Clube Militar sobre a nova Estratégia Nacional de Defesa – END, tão comentada nos últimos tempos.

Foi desolador ouvir o titular da pasta, por quase 3 horas, desfiar objetivos, metas, prioridades, princípios que, longe de convencerem, despertaram inquietação e pasmo pelo seu alto conteúdo teórico, calcado em falsas premissas de democratização, subordinação do militar ao poder civil e sua efetiva retirada do processo político brasileiro, alheando-o das grandes decisões nacionais.

Desembaraçado, com bom domínio da platéia, o ministro dissecou a dita END, as suas origens e a metodologia que foi aplicada na sua elaboração, e ao longo da exposição ficou muito evidente a falta de consistência das idéias apresentadas, pelo total alheamento com a realidade do país, seja qual for o campo que se considere – político, diplomático, científico, econômico, psicossocial – estabelecendo metas tão absurdas e descompromissadas com o tempo que, por pouco, faltou prever a nossa ida á lua, à marte ou, quiçá, até mesmo ao sol, ao longo dos próximos 50, 100 ou 1000 anos.

O descomprometimento temporal, a não convergência com as condicionantes políticas brasileiras de não se prosseguir projetos de governos passados, a ausência de orçamento econômico-financeiro de longo prazo, o descompasso técnico-científico que vive o país com até mesmo grandes dificuldades de absorção de novas tecnologias, põem por terra as supostas benesses que possibilitariam transformar as Forças Armadas Brasileiras em efetiva e confiável máquina de guerra.

É difícil citar projetos que vingaram e se firmaram na Nação desafiando sucessivos governos, sendo o mais evidente de todos eles o da Petrobras. Nada garante que os futuros governos aceitem, como prioritárias, as premissas estatuídas na referida Estratégia e deem a ela prosseguimento ao longo dos próximos 50 anos. É pura utopia assim pensar.

Talvez alguma coisa dê frutos e, como princípios a seguir, foram bem colocados a transferência de tecnologia na aquisição dos diferentes materiais e o incentivo à indústria nacional de defesa.

Todavia, nenhuma palavra sequer foi dita com o intuito de reverter as atuais fragilidades das Forças Armadas, com carências de toda ordem, obsolescência dos seus equipamentos e armamentos, precariedade dos seus sistemas logísticos, limitações no adestramento e na qualificação dos seus quadros e muitas outras, pois, nesse caso, o ministro teria que sair das suas considerações essencialmente teóricas e fora da realidade para efetivamente. se engajar e o atual governo na alocação de vultosos recursos que possibilitariam reverter tão preocupante cenário que ameaça até mesmo a soberania do país.

É fácil, mas sem sentido, elaborar um documento de tal envergadura jogando para os futuros governos a responsabilidade da sua viabilização. Na realidade, é com “forças desarmadas” que dispõe o país para a sua defesa, incapazes de se oporem com razoável grau de sucesso a possíveis investidas inimigas, sejam elas de que origem for.

A responsabilidade por esse desastroso quadro é dos políticos, tem nome e sobrenome – poder civil- que vem governando o país por mais de 20 anos e que não atribui ao seu segmento militar as prioridades que ele necessita.

Se fosse uma estratégia séria, teria previsto metas e objetivos a serem atingidos ao longo do tempo, comprometendo orçamentos econômicos e financeiros realistas para alcançá-los, conferindo em primeira mão alta prioridade à reversão do atual e melancólico quadro em que as Forças Armadas se encontram.

Mas isso o ministro não poderia garantir, particularmente face à atual conjuntura econômica mundial. Por isso, esquivou-se.

De fato. o que temos presenciado é o corte nos orçamentos militares, a considerável redução nas despesas de custeio e de investimentos e no número de conscritos a serem incorporados. Essa é a realidade das Forças Armadas e não a ficção, o sonho quimérico, lunático, que o ministro pretendeu vender como uma verdade futura.

Considerar a Amazônia como área prioritária não constitui novidade. Há muito tempo assim o entendem as Forças Armadas, especialmente o Exército, quando nos últimos 20 anos para lá transferiu várias das suas brigadas. Mas é chocante confrontar-se os ditames da atual Estratégia com as enormes dificuldades com que civis e militares lá se defrontam. quando até mesmo as condicionantes básicas de vida estão muitas vezes ausentes nos pelotões de fronteira, onde, ainda hoje, são raridades a energia elétrica, o esgoto, a água tratada e encanada, as comunicações confiáveis etc.

Antes de sonhar com esse hipotético soldado do futuro, réplica crioula de um mimetizado “X-Man”, é preciso cuidar do soldado do presente, tão esquecido e desprezado nessa Estratégia.

Considerar que os problemas que envolvem a TI Raposa Serra do Sol não ameaçam à soberania do país e que, também, não são da alçada do Ministério da Defesa é um lastimável engano e uma grande decepção pela miopia da visão distorcida, pela não valorização da unidade nacional e pelo desconhecimento ou menosprezo das pressões
internacionais sobre a Amazônia.

Pobre das Forças Armadas que continuarão sendo iludidas por aqueles que sobre elas têm responsabilidade, prometendo-lhes mundos e fundos que nunca virão, tônica presente em todos os últimos governos, a despeito da lealdade, competência e eficiência com que vêm servindo a Nação!

Infelizmente, e o futuro dirá, a Estratégia Nacional de Defesa é mais um engodo, mais um desvario megalomaníaco, um documento para “inglês ver” e do qual não sairão Forças Armadas efetivamente dotadas de poder combativo capaz de respaldar o país na defesa dos seus mais altos interesses.
_________________________

LUIZ GONZAGA S. LESSA é general, comandou o Exército na Amazônia e presidiu o Clube Militar.

FONTE: http://pracadarmas.zip.net/

 

A imagem é tudo

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A Marinha deve ter suas razões para ter enviado o NDCC Garcia D’Ávila (foto abaixo) à China, a fim de participar das comemorações dos 60 anos da PLA Navy.
Só não entendemos porque, num evento desse tipo, onde as Marinhas procuram mostrar o que têm de melhor, o Brasil enviou um navio de apoio de segunda-mão.

A MB perdeu uma grande oportunidade de mostrar um navio construído ou modernizado no Brasil, como uma fragata da classe “Niterói” (na foto acima), que apesar de velhas, continuam válidas depois do MODFRAG. Se a Marinha pretende continuar disputando o mercado de navios de guerra no exterior, através da Emgepron, nada melhor do que enviar navios feitos aqui e que utilizam tecnologias nacionais.

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Adaptação da estrutura militar à END

presidente e o END

“Como já era de esperar, a adaptação da Estrutura Militar aos novos parâmetros da Estratégia Nacional de Defesa já vem causando uma série de embates entre a cúpula do Ministério da Defesa e oficiais de altas patentes dos Comandos das Forças Singulares. E ambas as partes terão suas razões válidas.”

Já está disponível, no site do Poder Naval OnLine, o texto de autoria do Vice-Almirante Capetti (RRm) sobre a estrutura militar do Brasil e os seus conflitos com os objetivos do END e com o Ministério da Defesa.

O Alte Capetti é um colaborador regular do Poder Naval OnLine e já expressou sua opinião sobre outros temas de interesse nacional na área de defesa.

Leia também.

- A questão salarial dos militares e
- Ministério da Defesa – Oportunidades de aprimoramento dão ênfase à logística

 

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Já que nem o atual Governo nem a crise econômica internacional ajudam a Marinha, nós vamos sonhando com uma Frota possível num futuro distante, porque sonhar ainda é de graça. Desta vez, para deleite dos aficionados, seguem as propostas do Jacubão para a versão STOBAR do futuro navio-aeródromo da MB, a escolta de 6 mil toneladas e a Type 22 modernizada.

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O professor Mikan Vego, do US Naval War College, propôs no Armed Forces Journal de fevereiro, que a US Navy complemente sua força de submarinos nucleares com submarinos convencionais. A proposta deriva das expectativas de que a força de submarinos nucleares americana será reduzida nos próximos 15 ou 20 anos e que submarinos convencionais operam melhor em águas rasas, como as do litoral dos EUA. E são estas zonas que estão sob ameaça, em todo o mundo.
O professor Vego apontou o submarino sueco da classe “Gotland” como um dos principais candidatos no campo dos submarinos não-nucleares.
O “Gotland” é descrito como excepcionalmente manobrável, silencioso e difícil de detectar, pois pode permanecer submerso durante semanas graças à sua propulsão AIP Stirling.
O HMS Gotland (foto) fez muito sucesso quando permaneceu por dois anos alugado com sua tripulação pela US Navy, para exercícios anti-submarino.

 

Um gigante de costas para o mar

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A sociedade brasileira está de costas para o mar. Fomos colonizados por Portugal, que tem uma sólida tradição marítima, mas nossa mentalidade continua continental, ao longo dos séculos.
A vocação natural do Brasil é negada, pois não temos uma governança costeira e as ações governamentais para o mar são fragmentadas.

As duas Guerras Mundiais do século passado mostraram ao Brasil sua vulnerabilidade, com o afundamento na última, por submarinos do Eixo, de pelo menos 35 navios brasileiros e a morte de mais de 1.400 brasileiros. A Marinha do Brasil perdeu três navios e 486 homens.
A dependência do Brasil em relação ao mar cresceu exponencialmente desde então, com a exploração do petróleo em alto mar e o imenso avanço no comércio marítimo de exportação.

No entanto, a cada ano vemos o declínio do Poder Naval brasileiro e a inércia dos governos democráticos para reverter a situação de precariedade da Marinha do Brasil.
O gigantismo nos lucros da Petrobras e os investimentos na área do Pré-Sal não redundaram em investimentos na Esquadra, que continua com seus royalties do Petróleo bloqueados pela União, desde o Governo FHC.

Os últimos anos de crescimento da economia brasileira também não foram suficientes para que o Governo se sensibilizasse e liberasse os royalties para aliviar a situação de penúria das forças navais brasileiras.
Desde o Comando da Marinha anterior que se aguarda uma decisão do Governo sobre a aprovação do Plano de Reaparelhamento de apenas R$ 6 bilhões, para ser empregado ao longo de 20 anos pela Força Naval.

Agora que se sabe que crise econômica e financeira mundial não é apenas uma “marolinha”, os planos de reequipamento da Marinha e a recém-divulgada Estratégia Nacional de Defesa estão no “paredão”.
O acordo sobre os submarinos assinado com a França está sob ameaça, pela dificuldade de se encontrar financiamento para o negócio, de R$ 8,5 bilhões.

Mas, como diz o adágio popular, “há males que vêm para bem”. A Estratégia Nacional de Defesa, primeiro documento do tipo no Brasil, prioriza na parte naval a negação do uso mar, através dos submarinos, em detrimento do controle do mar.
Seria uma versão brasileira das estratégias da Marinha Alemã na Segunda Guerra e da Marinha Soviética, na Guerra Fria, que investiram pesadamente em submarinos, em detrimento de navios-aeródromo e escoltas.

Adotar essa estratégia naval significa abrir mão do controle do mar no Atlântico Sul, deixando para outras potências navais essa tarefa (4ª Frota?).
Essa estratégia vai contra todo o esforço de administrações navais anteriores que queriam o Brasil dotado de uma “Marinha de Águas Azuis”, apta a realizar ações de controle do mar.

Talvez a atual crise forneça tempo para que a Estratégia Nacional de Defesa seja melhor discutida pela sociedade e que alguns pontos sejam revistos.
O Brasil não pode continuar de costas para o mar e ainda, quando começa a voltar-se para ele, pensar em apenas ficar sob as ondas. O Brasil precisa de uma Marinha que seja capaz também de garantir nossa segurança sobre o mar, pois as crises mundiais, econômicas e energéticas, sempre existirão e, conseqüentemente, os conflitos também.

 

Que tábuas de tiro serão estas?

Num texto recentemente publicado no site do Poder Naval OnLine com o título “Um encouaçado contra o Forte“, foram levantados alguns pontos sobre a história onde ainda existem dúvidas. Porém, nosso leitor e colaborador Reginaldo Bacchi, um dos maiores especialistas em assuntos militares do Brasil, apontou uma outra incoerência.

A história brasileira, como tem sido contada até hoje, apresenta uma ‘eventual’ modificação das tábuas de tiro dos canhões do Forte de Copacabana com o intuito de atingir alvos terrestres, algo que não era exatamente o propósito fim daqueles canhões. Segundo o eng. Bacchi:

Este material fora retirado do péssimo livro de Helio Silva “1922-Sangue na areia de Coacabana”, um livro que na minha opinião trás muito mais duvidas do que respostas. (Esta versão dos fatos também foi narrada no livro “O tenentismo na marinha”.)

Em 1922 a diferença indicada entre o armamento de campanha e de uso anti navio, ainda não era muito grande. O canhão [do Forte] de Copacabana que foi usado para bombardeio de alvos terrestres no Rio de Janeiro, como o Ministério da Guerra, Palácio do Catete, Ilha das Cobras etc, era o Krupp de 190 mm com um alcance de 13.000 metros com um ângulo de elevação máximo de 20 graus.

A artilharia divisionária alemã na 1ª Guerra Mundial, recentemente terminada, era mobiliada com dois tipos de armas de artilharia:

Canhão de campanha de 77 mm , M 96 n.A. – com um alcance máximo de 7,8 km e um ângulo de tiro máximo de 15 graus;

Obuseiro de campanha de 105 mm , M 16 – com um alcance máximo de 9.5 km e um ângulo de tiro máximo de 40 graus.

Os outros paises, tinham armamento muito semelhante.

Ou seja, só o obuseiro corresponde à descrição do texto acima.

Uma das características dos obuseiros é o uso de varias cargas propelentes para permitir grande variação no alcance, adequando-o as inúmeras variáveis do combate, que muitas vezes faz com que se necessite atirar bem próximo das linhas dianteiras das tropas amigas.

Hoje, a artilharia de campanha divisionária é na sua grande maioria mobiliada com obuseiros que atiram até ângulo de 80 graus.

Como exemplo o obuseiro Light Gun da BAE, adotado pelos Fuzileiros Navais do Brasil, pode atirar até um angulo máximo de 70 graus.

Utilizando a munição estadunidense dos obuseiros M 101 do EB, que se caracteriza por 7 cargas propelentes, vamos ter os seguintes alcances (levando em consideração que são ulilizadas com as cargas vários ângulos de tiro):

Charge 1 1800m a 3400m
Charge 2 2100m a 4100m
Charge 3 2600m a 4800m
Charge 4 4100m a 6300m
Charge 5 4200m a 7900m
Charge 6 5000m a 9500m
Charge 7 6200m a 11500m

Este tipo de equipamento não existia no Forte de Copacabana. O maximo ângulo de tiro era 20 graus, e a carga propelente era só uma, dedicada a dar o máximo de alcance ( 13.000 m ). Não é possível, alterando as tabuas (tabelas) de tiro, modificar o ângulo de tiro.

Se para atingir, por exemplo, o Palacio do Catete, existisse um prédio ou um morro na linha de tiro (trajetória), este seria atingido!

Não há alteração de tabua de tiro que impeça isto.

Não é possível modificar uma tabela de tiro tenso para tiro elevado sem aumentar o ângulo de tiro do canhão. Isto é um problema mecânico.

A redução da carga de projeção (propelente) como indicado no texto só iria reduzir o alcance do tiro, com o problema de não se conhecer exatamente qual seria a distancia atingida com a carga reduzida.

Interessante é que no depoimento do Tenente Siqueira Campos o mesmo informou que os tiros contra o Catete atingiram o morro que ficava na trajetória.

 

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Na segunda metade da década de noventa, a Marinha do Brasil buscava um substituto para o NAeL Minas Gerais e que pudesse operar de forma mais segura os recém adquiridos A-4KU Skyhawk II (Falcões). Para isso, foram analisadas duas propostas. Os estadunidenses ofereceram o CV 62 Independence (Classe “Forrestal”), por cerca de US$ 100 milhões (Alguns anos antes haviam oferecido o CV 59 Forrestal por US$ 70 milhões). Já os franceses ofereceram o PA Foch (R99, classe “Clemenceau”), por cerca de US$ 15 milhões.

Os elevados custos de operação e manutenção do navio-aeródromo estadunidense o tornavam proibitivo para a Marinha do Brasil. Por outro lado, o navio-aeródromo francês possuía custos de operação e manutenção mais compatíveis com nossa realidade orçamentária. Além disso, o Foch operou a maior parte de sua vida na Marine Nationale como porta-helicópteros de ASW, enquanto seu “irmão”, o Clemenceau, operava com aeronaves de asa fixa, o que sem dúvida, provocou um desgaste muito menor no Foch.

Assim, a Marinha do Brasil optou pelo navio francês e o “rebatizou” como  São Paulo (A12). Contudo, os constantes cortes nos orçamentos, fizeram com que a Marinha do Brasil não conseguisse realizar a manutenção adequada no navio, que sofreu uma rápida deterioração.
Com o incidente ocorrido em sua tubulação, foi necessária uma reforma no navio. Ocorre que, conforme a reforma ia sendo executada, novos problemas iam aparecendo, forçando a Marinha do Brasil a realizar novos reparos.

Sem muito alarde, a Marinha do Brasil aproveitou esse período para realizar uma grande manutenção e modernização do navio. Foram realizadas diversas reformas nas instalações e espaços habitáveis; o aparelho de parada foi totalmente revisado; a catapulta de proa foi revisada, enquanto a catapulta lateral foi recalibrada para poder lançar aeronaves de até 20 toneladas; diversos equipamentos do convôo foram modernizados; diversos sistemas eletrônicos foram atualizados e foi instalado o sistema tático SICONTA Mk 4 e, por fim, todo sistema de propulsão (maquinaria) foi revisado (Aguarda-se apenas que a última turbina, que ainda está em manutenção seja recolocada).
Ainda esse ano, quando voltar a navegar, o NAe São Paulo poderá novamente manter velocidades superiores a 30 nós e será um navio muito superior ao que foi recebido em Brest no ano de 2000.

No futuro, espera-se que o NAe São Paulo receba aeronaves para MASC (Maritime Airborne Surveillance and Control), COD (Carrier On-board Delivery) e AAR (Air-to-Air Refueling).

Recentemente, devido a concorrência do F-X2 da FAB e da intenção do Ministério da Defesa de utilizar caças idênticos, pertencentes a MB e a FAB, embarcados no futuro navio-aeródromo, franceses e estadunidenses ofereceram por preços bastante reduzidos caças Rafale e Hornet para a Marinha do Brasil, caso as suas propostas sejam as vencedoras do programa F-X2.

Os estadunidenses ofereceram primeiro os seus F ∕ A-18 Hornet. Contudo, as células dessas aeronaves que estão estocadas, encontram-se com muitas horas de vôo acumuladas não sendo interessante para a Marinha fazer uma modernização. Assim, uma contra-proposta poderia ser de células pertencentes a força aérea do Canadá.

Um representante da US Navy informou que poderiam ser caças Super Hornet Mk 1, que não foram atualizados para o padrão Mk2. Porém, para que essas aeronaves operassem no NAe São Paulo, seria necessário o reforço ou mesmo a substituição do aparelho de parada, e aumentar a pressão da catapulta de proa para atingir a capacidade de 50 mil libras. Mesmo assim, as aeronaves operariam com restrições de peso.

Por outro lado, os franceses oferecem os Rafales F1 que chegaram a operar no NAe São Paulo quando este ainda pertencia a Marine Nationale. Contudo, esses caças operariam com restrições de peso. Além disso, os franceses oferecem assistência técnica da Thales e da DCNS no projeto e construção do futuro navio-aeródromo da Marinha do Brasil.

Será muito difícil a Marinha do Brasil realizar modernizações tão dispendiosas para operar esses caças ainda no NAe São Paulo, tais aeronaves seriam mais adequadas ao futuro navio-aeródromo.

O NAe São Paulo terá sua vida útil estendida até 2025, quando deverá ser substituído por um novo navio-aeródromo.

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TEXTO: LM / FOTO do ALTO: Alexandre Galante/Poder Naval

 

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Diferentemente da Grã-Bretanha, cujo papel imperial no mundo moderno se deu por força de um vácuo de poder e legitimidade e que, portanto, pode ser didaticamente descrito como um “império acidental” surgido na Europa pós-napoleônica, os Estados Unidos da América tiveram seu blueprint imperial cuidadosamente planejado por quatro homens: Theodore Roosevelt, Brooks Adams, Henry Cabot Lodge e Alfred Thayer Mahan. Neste artigo, iremos abordar as linhas gerais que deram forma ao império americano e tratar, de forma mais detida e específica, do papel preponderante exercido pelo conceito de poder naval (sea power) na história deste que é o mais bem sucedido exemplo de engenharia estratégica do mundo moderno. Ainda que não se possa falar em planejamento formal das atividades desempenhadas
por cada um dos “Quatro Cavaleiros”,1 é possível afirmar que a obra The Influence Of Sea Power Upon History: 1660–1783 (A Influência do Poder Naval Sobre a História: 1660–1783), de Mahan, forneceu o substrato intelectual de que as elites políticas, militares e econômicas dos Estados Unidos se valeram, para transformar uma República cuja expansão ocidental se caracterizava como uma potência eminentemente terrestre (land power) em um Império cujo poder e projeção passaram a se basear no poder naval(…)

Os Estados Unidos detêm hoje a única Marinha oceânica (blue water navy, ou Marinha de águas azuis) capaz de projetar poder em qualquer parte do planeta. Potências médias como Índia, Rússia, China e França dispõem de armadas capazes de realizar projeção de poder em âmbito regional, ao passo que países como Brasil, África do Sul ou Irã dispõem de esquadras cujas funções pouco extrapolam a guarnição e o patrulhamento de suas faixas litorâneas (green water navies). O Atlântico Norte segue, aos poucos, passando o título de “corredor planetário” ao Pacífico, e não cumpre descartar a possibilidade de que os EUA venham a ter sua supremacia naval contestada, em longo prazo, pelos chineses e/ou mesmo pelos indianos. Ambos os países têm investido somas de relevo na reequipagem de suas esquadras, bem como têm procurado fortalecer elementos e práticas imateriais de desenvolvimento e consolidação de uma tradição naval. Logo, é de se concluir que, para além da influência do poder naval na construção dos EUA como superpotência, e, considerando que mais de 80% do comércio mundial são realizados por rotas marítimas, dificilmente o presente século desmentirá o vaticínio mahaniano, segundo o qual o padrão constante na construção da grandeza das nações – bem como o exercício seguro, moderado e destemido de tal grandeza – está menos em seus soldados do que em seus navios, sejam eles mercantes ou militares.

Clique aqui para ler a íntegra deste interessante artigo de Lindolpho Cademartori, na revista JUCA, dos alunos do Instituto Rio Branco, nas páginas 74 a 81.

 
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