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Plano de Reaparelhamento em xeque?

Fontes do Mercado indicam que devido à depressão econômica mundial, o Brasil deve crescer somente 3% em 2009. Mas caso se materialize o cenário pessimista traçado pelas Nações Unidas, diante do agravamento da crise financeira, o PIB brasileiro terá expansão de apenas 0,5% em 2009, e a economia global recuará 0,4%.
São prognósticos que, se confirmados, certamente afetarão a implementação do Plano Estratégico de Defesa e a execução dos programas de reaparelhamento das Forças Armadas, especialmente o da Marinha e o da FAB.
Na década de 1990 a MB teve de enfrentar terríveis barreiras econômicas, que inviabilizaram os planos iniciais da Força de construir 16 corvetas, que acabaram sendo substituídas por navios de segunda-mão adquiridos no exterior. Um sexto submarino IKL-209/1400 Mod. também foi cancelado, bem como o projeto do NaPaOc de 1.200 toneladas e o do submarino convencional nacional.
Na década atual, mesmo com o crescimento do país em torno de 4% e 5% nos últimos anos, o orçamento da Marinha continuou deficitário, principalmente com o contingenciamento dos recursos dos royalties do petróleo.
E agora, com o surgimento de mais uma profunda crise econômica que abala o mundo, o futuro novamente parece incerto, principalmente para o ambicioso programa do submarino nuclear brasileiro e a manutenção do único navio-aeródromo em operação no hemisfério-sul.
A Marinha tem outras prioridades a curto e médio prazos: navios-patrulha, modernização dos submarinos, novos helicópteros e escoltas e o resto provavelmente terá que “aguardar na bóia”.
O Ministério da Defesa e o Comando da Marinha terão de fazer milagre com os poucos recursos disponíveis, para manter a operacionalidade e a credibilidade da nossa única Frota e ainda investir no reaparelhamento.

NOTA DO BLOG: o ministro Mangabeira Unger (Assuntos Estratégicos) queria que o orçamento de Defesa tivesse um percentual fixo do PIB (cerca de 2,5%), mas tem encontrado grande resistência. Dificilmente tal percentual será aprovado, o que pode comprometer seriamente o Plano Estratégico em estudos, pois a produção de armamentos e equipamentos só será viável se houver economia de escala, com grande número de encomendas. Como é que empresas vão investir em P&D, instalações e pessoal, sem a garantia de que receberão encomendas? O pequeno número de unidades produzidas no Brasil sempre foi o calcanhar de aquiles de todas as iniciativas de implantação de uma indústria bélica no País.
Talvez fosse mais fácil alterar a legislação orçamentária vigente, para transformar o orçamento atual destinado à Defesa em impositivo e não apenas autorizativo. Desta forma, os planos de reaparelhamento seriam minimamente viabilizados.

 

Cobaias

Quando a Grécia realizou os primeiros contatos com os alemães para a construção de novos submarinos, uma das opções apresentadas era o novíssimo projeto Tipo 214. Este projeto baseava-se nas experiências das famílias 206/209, nos Dolphin israelenses (lançados entre 1996 e 1998) e no programa do Tipo 212 (ainda no seu início). Por mais que a experiência prévia fosse de grande valia e muito bem fundamentada (até aquele momento a HDW já havia construído perto de 90 submarinos), o 214 era um conceito que, na prática, precisava ser provado. Os gregos aceitaram o desafio.

A França resolveu não mais possuir uma frota de submarinos convencionais (diesel-elétricos) desde que seu último Agosta foi aposentado em 2001. Mesmo assim, seguiu desenvolvendo submarinos para exportação. Assim surgiram os Agosta-90B para o Paquistão e, na seqüência, o “submarino conceito” Scorpène em parceria com a Navantia da Espanha. Assim como a Grécia no caso do Tipo 214, o Chile decidiu apostar no projeto francês e tornou-se o primeiro cliente.

Tanto o Chile como a Grécia pagaram um preço por adquirir projetos de vanguarda (lembrando que a África do Sul foi mais conservadora e adquiriu três Tipo 209 recentemente). Ambos enfrentam problemas. Alguns são largamente conhecidos.

Mas a questão principal é a seguinte. A classe Tipo 214 continua no mercado e participando de concorrências em diversos países. Ou seja, o projeto continua evoluindo (assim como foi o 209 ao longo de sua carreira). Já o Scorpène deverá ser extinto, uma vez que o acordo comercial entre espanhóis e franceses deve terminar ainda este ano e a marca “Scopène” deverá sumir do mercado comercial.

Por este motivo a França (via DCNS e somente ela) lançou no mercado em 2006 uma variação do Scorpène denominada “Marlin”. É um novo conceito também baseado na sua longa experiência. Portanto, a França deve oferecer ao Brasil um “submarino conceito”. Estaremos dispostos a adquirir um conceito e conviver com eventuais surpresas desagradáveis que venham a surgir? Existirão outros clientes para o Marlin ou seremos os únicos?

 

O afiar das facas

Enquanto uns afiam as facas, outros vendem (ou dão de presente) o faqueiro. A experiência histórica nos ensina que uma grande crise da economia mundial normalmente é acompanhada por um ciclo de guerras de duração e amplitude variáveis. Segundo Keynes, a recuperação econômica geralmente necessitaria de um “choque externo” – como o ocasionado pela 2ª Guerra Mundial em 1939-45.

O alerta amarelo já deve estar tocando, nos ministérios de Defesa dos principais países. Já no Brasil, é provável que o Plano Estratégico Nacional da Defesa (PEND) vire fumaça, juntamente com o dinheiro que desapareceu na bolsa. Este plano deveria ter sido anunciado oficialmente em 7 de setembro, mas teve sua divulgação adiada, a fim de ser examinado pelo Conselho de Defesa Nacional (CDN) em 3 de novembro de 2008.

Os governos e bancos centrais estão enterrando, com honras militares, o discurso neoliberal de “Estado mínimo”, que montou o cenário para a monumental crise com que ora se depara o mundo. Tal discurso talvez ressuscite um dia, mas provavelmente não no futuro próximo. Sem dúvida, se o Estado não socorresse o mercado na “Hora H”, o colapso poderia ser ainda pior, e sua reversão, mais difícil.

No campo militar, o momento atual é de perplexidade. Contudo, o desespero dos mercados e dos países dificilmente levará a um grande conflito interestatal de tipo westfaliano, nos moldes da 2ª Guerra Mundial. As guerras do Século XXI são conflitos não-westfalianos, nos quais o “inimigo” não é necessariamente um Estado organizado.

A guerra de quarta geração (G4G) caracteriza-se pela perda do monopólio do Estado sobre os conflitos armados. Desse modo, facções ideológicas ou criminosas, com ramificações externas e internas, poderiam muito bem “declarar guerra” ao Estado brasileiro, visando à sua submissão ou destruição.

Recentemente, foi assinado o Decreto n.º 6.592, de 02/10/2008, regulamentando a Lei n.º 11.631, de 27/12/2007, que criou o Sistema Nacional de Mobilização (SINAMOB). O decreto admite o emprego das Forças Armadas contra ameaças e agressões de origem externa, mesmo quando o território nacional não for invadido ou diretamente ameaçado.

No Brasil, vários analistas de política e relações internacionais consideraram o texto deste decreto “agressivo”, por romper com a “tradição pacifista” da política externa brasileira. Tais observadores aparentemente acreditam que só existe um tipo de guerra: aquela que se dá entre dois ou mais Estados soberanos. Isso indica que o conceito de G4G ainda não foi corretamente compreendido no país.

Em países vizinhos, principalmente no Paraguai, a imprensa local tem distorcido e descontextualizado as notícias divulgadas aqui, com manchetes sensacionalistas afirmando que o Brasil está “pronto para invadir” tais países. Que contraste com a virtual capitulação do Estado brasileiro no plano interno! Será que estão falando mesmo do nosso país?

Apesar de tudo, a atual crise da segurança pública no Brasil ainda não configura uma situação de G4G. É preciso deixar claro que o combate ao terrorismo, ao narcotráfico e a outras modalidades de crime transnacional cabe às forças de segurança e aos serviços de inteligência. O emprego de contingentes das Forças Armadas só se justificaria em casos extremos, quando o tipo de ação tornasse tal emprego necessário.

Em situação de G4G, a missão das Forças Armadas não seria “derrotar” o inimigo em batalha, mas sim estabelecer as condições de segurança necessárias ao funcionamento do governo num território conflagrado. Isso tanto poderia ocorrer no contexto de uma operação de paz no exterior, sob os auspícios da Organização das Nações Unidas (ONU), como no de uma operação de garantia da lei e da ordem (GLO) de âmbito interno.

O predomínio dos conflitos assimétricos e irregulares na atualidade não significa que as Forças Armadas devam descartar sua capacidade militar convencional, em favor de uma estrutura voltada quase que exclusivamente para as operações especiais e de inteligência. É necessária uma significativa capacidade de “resposta simétrica”, para dissuadir conflitos interestatais e para defender a soberania e os interesses nacionais, caso a dissuasão falhe.

Podemos afirmar que a relativa paz na América do Sul não é resultado de um suposto equilíbrio de poder, mas de uma situação de desequilíbrio de poder, historicamente favorável ao Brasil. Assim sendo, um maior enfraquecimento das Forças Armadas brasileiras poria em grave risco a paz e a estabilidade no subcontinente.

O comprometimento da superioridade militar do Brasil no âmbito regional faria com que o nosso País deixasse de ser o “fiel da balança”, perdendo a capacidade de atuar como mediador de crises – uma vez que, para representar este papel, é necessário ser mais forte que as partes em litígio, a fim de induzi-las a optar por uma solução negociada.

A incapacidade do Brasil (ou de qualquer de seus vizinhos) em atuar na mediação de crises na América do Sul poderia encorajar potências extracontinentais a assumir tal papel, procurando ampliar sua influência sobre a região. A impopularidade dos Estados Unidos poderia inibir sua atuação diplomática nesse sentido – o que, em tese, seria favorável a países como a França.

Além de levar a um possível aumento da influência de potências extracontinentais no entorno estratégico do Brasil, a perda da capacidade de mediação regional, em conseqüência do seu despreparo militar, poderia ter outras implicações para o País. No mar ou em terra, seus recursos naturais poderiam tornar-se alvo fácil da cobiça de interesses externos. O excessivo enfraquecimento do Estado brasileiro e de suas Forças Armadas seria um convite ao desastre.

Eduardo Italo Pesce
Especialista em Relações Internacionais e professor no Centro de Produção da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Cepuerj).

Iberê Mariano da Silva

General-de-brigada engenheiro militar na reserva.

http://www.monitormercantil.com.br/imprimir_noticia.asp?id2=54920

 

A questão salarial dos militares

“Uma política de salários defasada com relação aos militares é, no mínimo, um crime contra o próprio Estado Brasileiro .”

O tema acima é recorrente e já foi objeto de vários textos aqui no Blog Naval . O governo reconhece o problema, mas atua com morosidade. Outras categorias do funcionalismo público federal, cujas bases salariais são bem mais elevadas (o que não é difícil de se encontrar), conseguiram reajustes maiores em prazos menores.

O Vice-Almirante (RRm) Capetti, aborda esta questão salarial com muita maestria e clarividência em novo artigo publicado no site do Poder Naval OnLine. Aproveitamos também a oportunidade para divulgar o site Submarinos do Brasil, do mesmo autor do artigo.

 

O eterno Marajó

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A Marinha do Brasil vai novamente esticar a vida do seu principal navio-tanque, o Marajó (G27), que foi incorporado em outubro de 1968, segundo edital de licitação da Emgepron.
Para ter uma verdadeira “marinha de águas azuis”, o Brasil precisa de navios-tanque rápidos em número adequado, para apoiar a Esquadra.
A Marinha só conta com o Marajó, que pode navegar no máximo a 13 nós (24km/h) e com o Almirante Gastão Motta (G23), capaz de fazer 20 nós. Mas o detalhe é que apenas o Marajó tem capacidade de transportar o óleo consumido pelo NAe São Paulo.
Como o habitual contigenciamento de recursos não permitirá à Marinha construir um NT de Esquadra tão cedo, a única solução a curto e médio prazos será a aquisição de algum navio de segunda mão.
Entre as alternativas, há quem defenda a aquisição dos navios da classe “Henry J. Kaiser” (T-AO 187), que tiveram sua construção interrompida por questões judiciais e estão na reserva americana. O Henry Eckford está 84% completo e o Benjamin Isherwood encontra-se 95,3% terminado. Abaixo, a foto dos dois navios.

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Como o discurso mudou em dois anos

Opinião do Almirante Roberto Guimarães Carvalho, ex-Comandante da Marinha em dezembro de 2006.

Essa opção [pelo IKL 214] baseia-se, basicamente, além do fato da Marinha estar satisfeita com o desempenho dos seus atuais submarinos, nas indiscutíveis vantagens decorrentes da manutenção de uma linha logística já existente, tanto na parte relativa ao material (construção e manutenção), como na concernente à formação do nosso pessoal.

A escolha de um outro submarino, além da drástica alteração na linha logística, faria com que a nossa Força de Submarinos passasse a conviver e operar com dois tipos diferentes de meios, experiência pela qual ela já passou, e que não foi boa.

Desde então o contrato com a IKL foi cancelado, os cinco submarinos atuais receberão atualizações com equipamento norte-americano e o contrato com um estaleiro francês é quase certo para o final deste ano.

Para ler o texto completo do boletim, publicado pelo blogNaval, clique aqui.

 

De grão em grão, de foto em foto

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Cultura marítima é assim, a gente desenvolve um pouco mais a cada dia

Na verdade, o nome desta matéria deveria ser “Fotos dos navios da MB em Santos, no último fim-de-semana”. Mas prefiro escrever um pouco sobre a dedicação de quem gosta de navios, de quem faz sua parte para ajudar a criar e a manter uma cultura marítima. Desde gente que trabalha em áreas afins, de civis a militares, de entusiastas e aficcionados até os curiosos, às vezes é melhor falar só de um indivíduo ou dois a cada vez do que tentar citar todos os nomes, pra não ter que pedir desculpas a tantos que a memória fatalmente, e injustamente, vai deixar esquecer.

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Enfim, essas fotos são de Bruno Pricoli, “aprendiz de feiticeiro” do nosso amigo e editor do NMB, Marcelo Ostra. E parece que o lado “Ostreiro” do aprendizado vai indo bem: são fotos que mostram que uma coisa aparentemente corriqueira, como visitar navios da Marinha do Brasil no Porto de Santos, algo que se repete várias vezes ao ano, pode significar mais do que parece para quem vai atrás do que interessa.

Com mais imagens da V 31 Jaceguai e da F 49 Rademaker no canal de Santos; com a placa da primeira tripulação do P 44 Guajará; com o brasão da ex-HMS Battleaxe F 89 exposto na atual F 49 Rademaker; com o pedaço de drone guardado na fragata como lembrança do bem-sucedido disparo de Sea Wolf em DRONEX realizado em 2005;  com fotos que hoje podem parecer não servir pra muita coisa, mas no futuro podem ser referência, como o interior do hangar da V 31 Jaceguai e mais dezenas de imagens mandadas para os editores do Blog do Poder Naval, informações e “causos” dos tripulantes e detalhes que só um olhar mais dedicado ao assunto conhece a importância, a gente vai montando pedaços de uma história sempre por contar.

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Enfim, de entusiasta em entusiasta, de blogueiro em blogueiro, de Bruno em Bruno, nossa galinha da cultura marítima enche o papo. Mas vê se não fica muito papudo depois dessa rasgação de seda não, hein Bruno?

Fotos: Bruno Pricoli – para ver mais fotos desse “shipspotter”, clique aqui.

 

Quatro de Novembro: dia do Plano

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva convocou para o dia 4 de novembro o Conselho de Defesa Nacional, integrado por cinco ministros, pelo vice-presidente da República, comandantes militares e pelos presidentes da Câmara e do Senado. Eles deverão avaliar, em caráter final, o Plano Estratégico de Defesa, que redefine o papel das Forças Armadas, aumenta os recursos destinados a seu reaparelhamento e estabelece incentivos para o desenvolvimento da indústria nacional de armas e equipamentos militares. O governo pretende elaborar uma lista de empresas e/ou grupos de produtos que serão eliminadas das “amarras” da lei 8.666, que rege licitações do setor público. De acordo com o ministro de Assuntos Estratégicos, Mangabeira Unger, esse é apenas um exemplo de estímulos a serem dados por um novo “regime jurídico e tributário especial”, que permitirá o favorecimento das indústrias brasileiras. “(Hoje) há uma série de limitações sinistras, é um inferno”, disse Mangabeira.

O ministro revelou que o plano deverá proteger essas empresas de descontinuidade das compras governamentais e dos contingenciamentos orçamentários impostos às Forças Armadas. Em troca, haverá uma “mistura” de instrumentos para garantir ao governo poder estratégico nas principais indústrias do setor, por meio de participações acionárias – possivelmente “golden shares” – ou de licenças regulatórias. Esse último mecanismo é adotado pelos Estados Unidos. Mangabeira afirmou que os acordos de defesa a serem firmados pelo Brasil com outros países vão exigir não apenas a transferência de tecnologia, mas investimentos em pesquisa e produção no país. “Só se aprende fazendo e não queremos sacrificar o futuro pelo presente”, comentou. Em dezembro, durante visita oficial do presidente da França, Nicolas Sarkozy, deverá ser firmado um amplo acordo para a construção de submarinos convencionais, para a parte não-nuclear do submarino atômico e para a construção de helicópteros na Helibrás.

Segundo Mangabeira, o plano sugere a criação de uma nova secretaria no Ministério da Defesa, que será responsável pela articulação e compra de equipamentos para as três forças – Exército, Marinha e Aeronáutica. “Nada de cada força ir ao supermercado sozinha”, afirmou o ministro. Para ele, o grande foco do plano é “a reconstrução da cultura militar”.

“Atualmente, temos uma cultura de defesa zero”, afirmou Mangabeira. Ele adiantou que haverá mudanças na distribuição espacial das tropas brasileiras. A Marinha, por exemplo, que hoje está concentrada no Rio de Janeiro, criará uma nova base na foz do Amazonas e outra no Nordeste.

Fonte: Valor Econômico – reportagem de Cristiano Romero e Daniel Rittner

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Comentário fotográfico do Blog: falta pouco para a Defesa do Brasil encontrar finalmente um de dois rumos. Poderá seguir na direção de uma grande mudança para se encontrar com o século XXI, que já chega ao final de sua primeira década. Ou poderá caminhar a passos largos para se tornar uma relíquia histórica, como a Fortaleza de Itaipu do início do século XX, fotografada em Praia Grande - SP, por Nunão.

 

Podemos acreditar?

O site da Latin American New Agency (“Prensa Latina”) publicou no útimo dia 13 de outubro um curto artigo sobre o presidente do Brasil e suas opiniões sobre o impacto da crise financeira nos projetos em andamento no país. Sobre o reaparelhamento da Marinha, o artigo informa o seguinte:

“He also talked about the advances in the naval industry and said that in a few years the Brazilian Navy will be one of the best in the world.”

Cobraremos, presidente.

NOTA DO BLOG: A notícia do Prensa Latina se referiu a uma frase dita pelo Presidente Lula no programa de rádio “Café com o Presidente”, do dia 13/10. Na verdade, foi um erro de tradução, já que o Presidente disse o seguinte: “certamente, nós vamos chegar daqui a uns anos a ter, se não a maior, mas pelo menos voltar a ser a segunda indústria naval do mundo.” Infelizmente, nosso Presidente não fez menção ao Poder Naval Brasileiro.

 

Segundo analistas, acordo com a França é erro

O Brasil assinará no final deste ano um acordo com a França que, o governo espera, resultará na transferência de tecnologia na área de defesa e no ressurgimento da indústria militar do país. Críticos, no entanto, apontam os equipamentos franceses como inadequados para as necessidades do país.

Analistas ouvidos pela Reuters vêem as potências militares Estados Unidos e Rússia como melhores opções para o Brasil.

“Do ponto de vista político do governo Lula até faz sentido (a parceria com a França)”, avaliou Gunther Rudzit, assessor do ministro da Defesa entre 2001 e 2002, quando a pasta era comandada por Geraldo Quintão.

“Mas não acho do ponto de vista estratégico”, acrescentou Rudzit, que tem mestrado em segurança nacional pela Georgetown University e hoje é professor das Faculdades Integradas Rio Branco.

Apesar de seu histórico de boas relações com os EUA, analistas lembram que tradicionalmente o Brasil busca evitar ser visto como aliado incondicional de Washington e, segundo Jorge Zaverucha, cientista político da Universidade Federal de Pernambuco, a atual aproximação da Rússia com a Venezuela também complicou uma aproximação de Brasília com Moscou.

“O Brasil estava na dúvida entre a França e a Rússia. Com a aproximação desta com a Venezuela, os EUA disseram que não se oporiam a um acordo militar do Brasil com a França. Para bom entendedor meia palavra basta”, disse.

SUBMARINOS

Um dos pontos mais alardeados na aproximação entre Brasil e França é a transferência de tecnologia francesa para a construção da parcela convencional do submarino à propulsão nuclear. Autoridades militares brasileiras, que afirmam que o país já domina a técnica da parte nuclear da embarcação, vêem o projeto como prioritário.

O argumento é de que o submarino nuclear tem maior autonomia e capacidade de permanecer por mais tempo no fundo do oceano. Já os críticos avaliam que o submarino nuclear não é o melhor equipamento para patrulhar as águas rasas do litoral brasileiro (ver nota do blog abaixo), e pode ser detectado por conta do ruído feito pelo reator.

A parceria com os franceses deve incluir a construção de quatro submarinos convencionais, modelo Scorpene, que também seria usado como plataforma para a fabricação do submarino nuclear, cuja primeira unidade a Marinha espera para 2020.

“Eu acho que vai ser a maior loucura que nós vamos fazer”, disse Expedito Bastos, pesquisador da área de Defesa da Universidade Federal de Juiz de Fora (MG). “Não seria muito melhor termos 20 submarinos convencionais? Seria uma frota de alto mar fantástica, nós controlaríamos todo nosso litoral com isso”.

Atualmente, a Marinha tem em sua frota 5 submarinos convencionais, cuja fabricação com tecnologia alemã começou na década de 1980, para patrulhar 4,5 milhões de quilômetros quadrados.

“Para um país de dimensões continentais, eu acho que equipamentos americanos e russos seriam mais adequados”, disse Rudzit.

Procurado pela Reuters, o Ministério da Defesa não estava imediatamente disponível para comentar as críticas dos analistas.

Fonte: Reuters Brasil

NOTA DO BLOG: Interessante o termo “águas rasas do litoral brasileiro” para desqualificar o submarino nuclear. Primeiramente a questão da propulsão nuclear não tem relação com a profundidade (atributo vinclado à construção do casco). Em segundo lugar as últimas pesquisas da Petrobras foram feitas em águas ultraprofundas (o que há de raso nisso?).

 

Um avião para duas Forças

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Com o recente informe dos três finalistas do processo de aquisição de um novo caça para a FAB, algumas questões podem vir a influenciar a escolha do vencedor.
Uma delas é a possibilidade de que aeronave selecionada pela FAB também possa ser adquirida futuramente pela Marinha do Brasil, para substituir/complementar seus AF-1 Skyhawk.
As vantagens de ambas as Forças operarem a mesma aeronave são inúmeras, dentre as quais a redução do custo de aquisição, de manutenção e treinamento. Certamente esses fatores devem ser levados em conta pelo Ministério da Defesa.
Dois dos finalistas do F-X2 estão prontos para operar em navios-aeródromo, o F/A-18E Super Hornet e o Dassault Rafale.
O F/A-18E pode operar no NAe São Paulo, segundo informação do executivo da Boeing, Bob Gower, em entrevista à Alide.
O protótipo do Rafale já operou no navio, nos testes de qualificação iniciais da aeronave.
O peso máximo de operação suportado pelas catapultas e pelos elevadores do NAe São Paulo é de 20.000kg; o peso do F/A-18E e do Rafale, configurados para missões de defesa aérea, é de 21.320kg e 21.000kg, respectivamente. Ou seja, uma tonelada acima do permitido.
Para diminuir o peso dos aviões até o limite do São Paulo, é possível fazê-los decolar com menos combustível ou armamento, como foi feito com o Rafale nos testes a bordo do navio.
Tendo em vista que o NAe São Paulo deve operar na MB até o ano 2025, a aquisição do mesmo caça pela FAB e pela Marinha seria uma boa forma de aproveitar o potencial do navio na defesa dos interesses brasileiros no Atlântico Sul.

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Scorpène: prazos e projeções pelo mundo

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Segundo as notícias mais recentes veiculadas no Blog do Poder Naval, planeja-se  para 2014 o término da construção do primeiro Scorpène destinado à Marinha do Brasil. Assim, pode-se projetar um prazo de 6 anos de construção após uma assinatura de contrato neste ano (apesar de não se falar, ao menos na imprensa dita leiga, em datas mais específicas, como lançamento, início de provas de mar e mostra de armamento). Para colocar essa projeção em perspectiva, estas são as datas cumpridas ou projetadas das construções de submarinos Scorpène para outras marinhas.

Chile: assinatura de contrato em dezembro de 1997. Lançamento da primeira unidade em novembro de 2003, sendo incorporada em setembro de 2005 (chegou ao Chile em janeiro de 2006). O segundo submarino foi lançado em novembro de 2004, incorporado em julho de 2006 e chegou a Valparaíso em dezembro de 2006. Vale lembrar que o Chile foi o cliente lançador do tipo. A primeira unidade foi construída pela DCNS em Cherburgo (França) e a segunda pela Izar/Navantia em Cartagena (Espanha).

Malásia: assinatura de contrato em junho de 2002. Lançamento da primeira unidade em outubro de 2007 (DCNS – Cherburgo), com previsão de incorporação no início de 2009. A segunda unidade tem previsão de lançamento para outubro deste ano (Izar/Navantia – Cartagena) e incorporação em outubro de 2009.

Índia: assinatura de contrato em outubro de 2005. A primeira unidade começou a ser construída na própria Índia em dezembro de 2006, no estaleiro estatal Mazagon, em Bombaim, com equipamentos e assistência técnica fornecidos pela DCNS. A previsão de incorporação do primeiro submarino é dezembro de 2012 e, a partir daí, uma nova unidade deverá ser entregue por ano até 2017, completando um total de seis.

Vê-se que a data planejada para entrega do primeiro Scorpène para a MB  não está fora dos padrões de prazos cumpridos / projetados para o lançamento dos Scorpène construídos nos estaleiros da França e Espanha. Em relação às unidades em construção na Índia, há uma diferença de um ano (mas deve-se levar em conta também doutrinas de cada marinha em relação a tempo de provas de mar após o lançamento, além das próprias definições de incorporação).

O Poder Naval Online já colocou sob uma perspectiva crítica (visando sempre o debate construtivo, deve-se ressaltar) o cronograma planejado para a construção primeiro submarino nuclear brasileiro. Quanto ao prazo de entrega do primeiro Scorpène para a MB, caso essa primeira unidade seja efetivamente construída no Brasil, a comparação mostra que cumprir o cronograma não é impossível – irrealista seria, talvez, esperar por um prazo mais curto, ainda mais comparando-se com o exemplo indiano. Mas é um prazo apertado. Certamente há outras variáveis em jogo do que uma simples comparação de datas como esta: construção de estaleiro, aspectos industriais, absorção de tecnologia, técnicas já dominadas e outras a serem aprendidas. Mas também é certo que não há tempo a perder para conseguir cumprir a promessa.

 
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