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Submarino nuclear brasileiro: cumpriremos o cronograma?

cronograma submarino

Recentemente foi divulgado pela mídia uma declaração do Comandante da Marinha, almirante Júlio Soares de Moura Neto, de que o primeiro submarino nuclear brasileiro (SNB) estará pronto até 2021. Porém, segundo estimativas do Poder Naval OnLine, este cronograma parece bastante otimista. Tal afirmação tem como base um cronograma extremamente razoável, que está dentro dos padrões mundiais de desenvolvimento e construção de novos projetos de submarinos convencionais (ver tabela acima).

Para um projeto de submarino nuclear totalmente nacional esse tempo seria maior (mesmo com auxílio francês), porque existem etapas de pesquisa básica que ainda não foram vencidas. Considerando o cronograma acima, se o estudo de exequibilidade fosse iniciado hoje (setembro de 2008), o submarino estaria realizando suas provas de mar em 2022. No entanto, destaca-se mais uma vez que este cronograma tem como base um projeto de submarino convencional (cuja simplificação é ainda maior).

Infelizmente a história da construção naval militar no país demonstra que, com raras exceções, os projetos nacionais não tiveram seu cronograma respeitado. Seria razoável afirmar que, caso o projeto realmente siga adiante e com bastante ímpeto, o mesmo leve cerca de 20 anos (por volta de 2029).

 

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A notícia da escolha do submarino “Scorpène” pela Marinha do Brasil veio em boa hora, e demonstrou a prioridade dada à nossa Força de Submarinos no Programa de Reaparelhamento.
O “Scorpéne” é um moderno submarino de ataque com propulsão diesel-elétrica, desenvolvido em conjunto pela DCNS francesa e a Navantia, espanhola.
A Marinha do Chile encomendou e já opera duas unidades da classe, que substituíram seus submarinos da classe “Oberon”.
A Marinha Real da Malásia encomendou dois e deverá receber o primeiro no início de 2009. A Marinha da Índia encomendou seis unidades, que serão construídas localmente, com transferência de tecnologia.
O “Scorpéne” é oferecido em três versões: a Básica CM-2000, a AIP AM-2000 (com o sistema MESMA) e a Compacta.
Foi noticiado que a Marinha da Índia quer que pelo menos três de seus “Scorpène” sejam do modelo AIP, o que vai aumentar o custo de cada submarino em quase US$60 milhões.
O modelo básico, pode operar mergulhado por 4 dias, mas depois tem que expor seu mastro snorkel na superfície do mar para recarregar as baterias e renovar o ar ambiente, tornando-o vulnerável a radares, detecção visual e sonar.
Já o “Scorpéne” AIP pode operar totalmente submerso por até 18 dias, sem precisar usar o  snorkel, o que aumenta consideravelmente sua vantagem tática.
Segundo o fabricante, o tempo de patrulha submersa da versão AM-2000 é três vezes maior que o da CM-2000 e esse dado não pode ser desprezado.
Num submarino de US$ 600 milhões, vale a pena gastar mais 10% do valor de construção para aumentar sua taxa de discrição em mais de 400%? É certo que o custo de manutenção também aumenta, mas deve-se olhar com atenção o que as Marinhas do Paquistão e da Índia terão a dizer sobre a operação do MESMA, para que não percamos a oportunidade de também adotá-lo, se seu desempenho for satisfatório.
Outro ponto que se deve avaliar com atenção é o armamento e sistema de combate dos futuros submarinos. Nossos classe “Tupi” (IKL-209-1400) serão modernizados pela Lockheed americana e receberão torpedos Mk.48. E os “Scorpène” da MB, serão equipados com sistemas e torpedos franceses?
A Marinha da Índia já encomendou um lote de 36 mísseis MBDA SM-39 Exocet para equipar seus “Scorpène”. E a MB, continuará a insistir em equipar nossos submarinos somente com torpedos?
Pouco vai adiantar gastarmos bilhões de dólares na aquisição de novos submarinos, se os mesmos continuarem a operar como os antigos.

 

Está na hora de perder a paciência

As pesquisas de opinião indicam que a nova “constituição socialista e bolivariana” do Equador será aprovada, folgadamente, no referendo de domingo. Mas o presidente Rafael Correa não brinca em serviço. Para garantir a vitória, ele já gastou soma inédita em campanhas eleitorais no país – tudo dinheiro público, é claro. Também abriu a temporada de concessão de empréstimos e financiamentos por instituições oficiais de crédito a pessoas e organizações selecionadas. Só faltava, para garantir uma vitória estrondosa, um acontecimento que unisse a nação em torno de seu presidente.

É isso o que explica a assinatura, a quatro dias do referendo, do decreto de “estado de emergência preventiva” que, a pretexto de evitar um provável colapso do fornecimento de energia no país, fechou as operações da Odebrecht no Equador, congelou seus ativos e suspendeu direitos constitucionais de quatro cidadãos brasileiros, executivos daquela empresa, proibindo-os de deixar o país. Além disso, o presidente Rafael Correa mandou unidades do Exército, especializadas em operações especiais, ocuparem os escritórios e canteiros de obras da construtora. Também ameaçou não pagar um empréstimo de US$ 200 milhões, contraído para a construção da Hidrelétrica de San Francisco.

Essa usina, construída pela Odebrecht, foi entregue em julho de 2007, nove meses antes do prazo fixado e, no dia 6 de junho último, teve de deixar de operar porque apresentava problemas estruturais. A Odebrecht se dispôs a fazer os consertos necessários e, como o projeto da obra é do governo equatoriano, propôs que a responsabilidade pela paralisação do fornecimento de energia fosse definida por arbitragem da Câmara de Comércio Internacional, como prevê o contrato entre a construtora e o Equador. Para tanto, faria uma caução de US$ 43,8 milhões.

Mas não interessava ao presidente Rafael Correa resolver uma questão comercial pelos meios regulares. Ele precisava criar um factóide para ampliar sua base de apoio. Já havia usado essa mesma tática, nos primeiros dias de seu governo, quando escolheu dois “inimigos externos” para combater. Os primeiros foram o FMI e o Banco Mundial, ameaçados de um calote que nunca ocorreu. O segundo foi a Petrobrás, que tinha a concessão de dois campos de petróleo na Amazônia equatoriana, dos quais finalmente teve de abrir mão.

O presidente Rafael Correa considera que a intervenção na Odebrecht não terá repercussões negativas sobre o relacionamento entre o Equador e o Brasil. Afinal, o chanceler Celso Amorim declarou – à semelhança do que fizera quando Evo Morales mandou tropas para as refinarias da Petrobrás, na Bolívia – que o governo equatoriano tem o direito de proibir a atuação da construtora no país. E o Itamaraty não esboçou a menor reação à aberrante violação dos direitos de quatro cidadãos brasileiros, dois dos quais estão refugiados na embaixada em Quito.

Em Nova York, onde estava para a sessão de abertura dos trabalhos da ONU, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reagiu com a calma paternal que tem exibido quando interesses brasileiros legítimos são afrontados pelos hermanos, bolivarianos ou não. Disse não estar preocupado com a ameaça do calote ao BNDES e acrescentou que esperava um telefonema de Rafael Correa para conversarem como “dirigentes civilizados”. Como sempre, nessas ocasiões, usou a metáfora do irmão mais velho. O Equador seria o “irmão menor”, que, mesmo sem razão, fica fazendo cobranças ao mais velho, que precisa encarar a situação com paciência. Finalmente, lembrou que “no Equador há eleições domingo. Vamos deixar a bola passar para resolver esse problema. Esse é o papel do Brasil”.

Não é. A excessiva tolerância do governo petista aos abusos cometidos por governos populistas da região contra empresas e interesses brasileiros quando muito pode ajudar os “irmãos menores” a ganhar eleições. Mas Lula não foi eleito presidente do Brasil para isso. Cabe-lhe zelar, em primeiro lugar, pelo interesse nacional, exigindo que o Brasil seja respeitado de fato pelos países vizinhos. Hoje, os populistas que controlam os países da vizinhança vêem o Brasil como um gigante de pés de barro, que pode ser desafiado à vontade, pois tem uma paciência inesgotável para aceitar desaforos e tolerar esbulhos.

Já passou da hora de perder a paciência.

FONTE: Estadão 26/9/2008

 

Ministério da Defesa poderá receber reforço orçamentário

O governo anunciou ontem que vai ampliar os gastos dos Ministérios em mais R$5,1 bilhões este ano. O aumento das despesas resultou das reestimativas das receitas para 2008 realizadas pelos Ministério da Fazenda e do Planejamento. O presidente Lula ainda vai definir, em decreto a ser publicado nos próximos dias, onde serão aplicados os recursos liberados, mas a idéia do governo é reforçar as dotações do Ministério da Saúde, do Ministério da Defesa e de alguns projetos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), segundo fontes da área econômica.

De acordo com as novas projeções dos Ministério da Fazenda e do Planejamento, a receita total da União este ano (inclui a arrecadação do INSS) atingirá R$ 723,7 bilhões, o que representa um acréscimo de R$ 36,1 bilhões em relação à previsão que consta da lei orçamentária. A reestimativa da receita tributária decorreu, principalmente, do excepcional desempenho do Imposto de Renda, cuja previsão de arrecadação subiu R$ 5,1 bilhões em relação à estimativa feita em julho, de acordo com o relatório.

Fonte: Jornal de Brasília, edição de 23/09/2008

Nota do Blog: notícias de aumento de recursos, em vista das iniciativas recentemente veiculadas, são bem-vindas. Mas é uma questão complexa. Segundo o mesmo jornal, o Ministério do Planejamento divulgou que, contrastando com o aumento da arrecadação devido ao Imposto de Renda, a “reestimativa das demais receitas (concessões, royalties do petróleo, entre outros) do Governo Central indica uma redução de R$ 800 milhões.” Ou seja, uma das fontes de receita para a Marinha do Brasil apresentou redução – mas de qualquer forma, os recursos provenientes dessa fonte são contingenciados, contingenciamento que é motivo ora de cobranças, ora de justificativas por parte do Ministério da Defesa. Moral dessa história de entendimento complicado: saem os royalties, entra o Imposto de Renda e assim caminha a liberação de recursos para a Defesa.

 

E o Plano de Defesa, ministro?

Depois do acidente da TAM em Congonhas, o ministro Nelson Jobim anunciou o novo Plano de Defesa do Brasil para setembro de 2008. Por que setembro? Por que não julho ou outubro? Suspeito, seriamente, que seria para coincidir com o 7 de Setembro, que já passou e, até agora, nada de plano.
O anúncio foi feito na cerimônia de apresentação dos novos generais ao presidente, ainda em 2007. Comparados comigo, eles são todos muito jovens. Em relação à velocidade de mudança do mundo, receio que estejam muito velhos.
Afinal, por que a idade é tão importante? É simples: Forças Armadas são burocracias que operam fora do mercado. Nelas existe apenas uma maneira de subir: fazer só o que os chefes mandam. E, como todas as burocracias não sujeitas às punições do mercado, elas não são capazes de aprender com seus próprios erros.
Só progridem nas burocracias os muito obedientes e os pouco criativos. Qualquer burocracia pública é assim. Inovação e atrevimento são punidos. O conformismo é premiado.
Oficiais jovens norte-americanos combatentes no Iraque estão começando a se insurgir contra essas características burocráticas das Forças Armadas dos EUA, que nisso são iguais a todas as outras. Os generais não vão ao campo de batalha nem costumam ter agilidade mental para acompanhar as mudanças do mundo, da tecnologia e, conseqüentemente, da estratégia. O resultado é que uma das coisas mais caras aos militares, a doutrina (que, trocando em miúdos, quer dizer: como se empregam as Forças Armadas em batalhas), acaba ficando desatualizada. Isso é muito grave num mundo que se move cada vez mais rapidamente.
No caso brasileiro é mais sério ainda, porque nossas Forças Armadas não se envolvem em guerras há muito tempo. Disse-me um oficial: “As Forças Armadas brasileiras medem a capacidade dos oficiais pelas notas que tiram nas escolas militares. Seus méritos são testados em batalhas simuladas entre azuis e vermelhos, e não em combates reais, com munição de verdade.”
Em exércitos guerreiros, mesmo com a inércia burocrática, ainda há espaço para a inovação nas guerras. Heróis são os indisciplinados que dão certo. Militarmente, isso é simples: o indisciplinado que fez alguma coisa diferente das ordens que recebeu, e morreu, deu errado. O que sobreviveu e ajudou a ganhar a batalha virou herói e contribuiu para a mudança da doutrina.
Sem guerra e com promoções dos mais conformistas, nossa rota para a inovação militar está cheia de obstáculos.
Militares não são pagos para olhar o que militares de outros países fazem. Eles são pagos para adivinhar o que potenciais inimigos externos ou elementos desestabilizadores podem ou vão fazer. Daí a importância dos serviços de espionagem.
Os orçamentos militares, no Brasil, sempre foram definidos pelos militares, sem ouvirem ninguém. Eles definem quem acham que são os inimigos (ou acreditam em histórias que lhes contam), determinam do que precisam para combater quem eles acham que são os inimigos e o Congresso vota sem ter idéia do que está aprovando.
Numa democracia com controle civil, como se presume que seja a nossa, espera-se que os militares digam à sociedade ou aos representantes por ela eleitos, primeiro, contra o que e contra quem eles pretendem nos defender; segundo, como pretendem fazer isso; terceiro, com que meios e recursos eles precisam contar; quarto, quanto isso vai custar. E, finalmente: será que não dá para fazer isso por um preço mais barato?
Nenhuma dessas condições tem sido atendida pelos militares brasileiros.
Agora vamos ao que comprar. Como não temos tecnologia militar de ponta – se deveríamos ter ou não é outra questão -, estamos limitados a comprar o que está disponível no mercado.
Essas coisas se dividem em três categorias: material não-letal, letal de baixa tecnologia e letal de alta tecnologia.
No primeiro quesito estamos bem: fardas, botinas, marmitas, cozinhas de campanha, caminhões e coisas que tais. Destas a indústria local dá conta. Quanto ao material letal de baixa tecnologia, ainda damos conta de boa parte. Afinal, a indústria nacional de armas, bem como as de metalurgia, podem, em curto espaço de tempo, adaptar-se para suprir boa parte das necessidades.
A porca torce o rabo é nos materiais letais de alta tecnologia. Estes os países fornecedores cedem ou vendem sem transferir tecnologia (e as Forças Armadas brasileiras só gostam de adquirir material com transferência de tecnologia, o que limita significativamente o número de supridores). Temos de aceitar o que nos for oferecido, na quantidade e nos prazos que os vendedores fixarem. Negociações nessa área são longas e complicadas.
Desde o ano passado as coisas se complicam na Bolívia. O país está dividido e o grau de violência aumenta.
A Rússia manda bombardeiros para manobras conjuntas com as forças militares da Venezuela.
Os anúncios da Petrobrás informam que as reservas presumidas de petróleo brasileiro no Atlântico são bem maiores do que se pensava.
Os EUA reativaram a IV Frota, responsável pelo patrulhamento e segurança no Atlântico Sul.
E o Plano de Defesa, anunciado pelo ministro Jobim para setembro, que fim levou?
Numa de suas primeiras declarações o ministro Jobim disse muito energicamente, sobre a crise aérea, que não importava a cor do gato, desde que ele matasse o rato.
A ausência de um Plano de Defesa claro, para uma politéia que tem crises pipocando em volta, parece levar a crer que o ministro se atrapalhou na sua declaração e disse o contrário do que talvez quisesse dizer: que ele achava que, na realidade, a cor do gato é muito mais importante do que a morte do rato.

Alexandre Barros, Ph.D. em Ciência Política (University of Chicago), é pró-reitor do Centro Universitário Unieuro (Brasília)

Fonte: Estadao.com.br – 22/9/2008

 

Segundo nota do jornal Folha de São Paulo deste domingo, o Plano Estratégico Nacional de Defesa, que originariamente seria apresentado em 7 de setembro, deverá ser “fechado” em uma reunião ministerial marcada para 10 de outubro.

Para marcar 10 de outubro como um novo ”aguardado e comentado” dia no que se refere às discussões sobre Defesa do Brasil, e quem sabe lhe trazer bons augúrios, este Blog achou por bem pesquisar a data em uma perspectiva histórico-militar brasileira. Um exercício de pouquíssima utilidade prática, é certo, mas como também é pouco ainda o que se pode falar do aspecto prático do Plano, seguem informações pinçadas da história militar brasileira referentes à data.

Marinha: em 10 de Outubro de 1868 o monitor Alagoas, segundo algumas fontes acompanhado da corveta encouraçada Brasil, forçava a passagem de Angostura, na Guerra do Paraguai, para reunir-se aos encouraçados Barroso, Bahia, Silvado e Tamandaré, que a haviam forçado no 1º dia do mês. A batalha se prolongaria até 30 de dezembro daquele ano, com a rendição da força paraguaia responsável pela posição, o que foi determinante para a tomada de Assunção poucos dias depois, em 1º de janeiro de 1869. Exército: em 10 de Outubro de 1866, o então Marquês de Caxias era nomeado comandante-chefe das forças brasileiras na Guerra do Paraguai. Passaria boa parte dos 18 meses seguintes dedicado a garantir o nível de treinamento, de organização e de logística que levaria à série fulminante de vitórias dos seis meses finais de 1868. FAB:  em 10 de outubro de 1944, muito provavelmente o 1º Grupo de Aviação de Caça ainda encontrava-se na lama, trabalhando duro para drenar o campo de Tarquínia onde chegara três dias antes.  Em 14 de Outubro, porém, a bandeira brasileira já era hasteada pela primeira vez no campo, com os primeiros vôos nos lendários P-47 tendo início.

É desejo deste Blog que o caminho após o anúncio oficial do Plano Estratégico Nacional de Defesa, seja ele em 10 de outubro de 2008 como indica a nota da Folha de São Paulo, ou mesmo em outra data que lhe substitua, não seja fácil. Que seja mesmo um caminho árduo, cheio de percalços como as histórias relatadas brevemente acima. Que seja, enfim, como deve ser uma verdadeira  reestruturação: difícil, mas útil. Mas que possa trazer boas lembranças mais tarde.

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Foto: corveta encouraçada Brasil, via NGB

 

Teoria e prática

Opiniões e comentários calorosos sobre a recriação da Quarta Frota dos EUA continuam repercutindo na mídia e no meio político. Muito barulho para pouco. Porém, existe interesse ideológico em manter este tema em pauta e transformar a Quarta Frota na grande ameaça ao país.

Por outro lado, o único fato realmente concreto é que uma frota da Marinha da Rússia realizará um exercício naval com as forças venezuelanas em novembro próximo. Nunca antes neste lado do globo foi vista uma força naval russa com as proporções anunciadas. Um verdadeiro fato inédito.

Até o presente nem o Executivo nem o Legislativo nacional se manifestaram sobre o assunto ou mesmo chamaram o embaixador russo para dar explicações no Congresso, como foi feito no caso do embaixador norte-americano. Oficialmente o Brasil, que mantém ótimas relações com ambos os países (Venezuela e Rússia), náo foi convidado para participar ou mesmo atuar como observador.

Na teoria, a Quarta Frota foi recriada causando grande celuma no meio político. Na prática a Marinha da Rússia realizará exercícios navais bem próximos das águas jurisdicionais brasileiras e ninguém levanta a voz. O segundo evento merecia, no mínimo, o mesmo trato político dado ao tema “recriação da Quarta Frota”. Mas nada foi feito até o momento. Isto levanta um suspeita. Estariam os interesses ideológicos do Governo acima dos interesses nacionais e da própria soberania nacional?

 

Fez bem o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em submeter o texto do Plano Estratégico de Defesa ao Conselho Nacional de Defesa antes de tomar uma decisão a respeito. Quer o presidente da República que alguns pontos do plano sejam debatidos com maior profundidade. De fato, um documento cujo escopo é o planejamento da defesa do País, elaborado por um pequeno grupo de ministros – presidido pelo ministro da Defesa, coordenado pelo ministro de Assuntos Estratégicos e composto pelos ministros da Fazenda e do Planejamento e pelos comandantes das três Forças -, não pode ser aprovado sem um amplo debate.

Até porque, como afirmaram à Folha de S.Paulo dois oficiais que participaram dos trabalhos do grupo, o documento contém idéias “realistas, amalucadas e inexeqüíveis”. De fato, pelas informações fornecidas pelo ministro Mangabeira Unger em várias entrevistas depreende-se que o Plano Estratégico de Defesa é uma carta de intenções, nem sempre consentâneas com as reais necessidades e possibilidades do País. “Quando o plano for lançado, será atacado por formadores de opinião”, antecipou o ministro. “Vão acusá-lo de desperdício de dinheiro e de ser instrumento armamentício (de uma corrida armamentista).”

Pelo esboço até agora divulgado do plano, não há como acusá-lo de desperdício de dinheiro, uma vez que não há dinheiro para executá-lo. É um plano inexeqüível. Começa pela meta da elevação do orçamento militar de 1% do PIB para 2,5%, sem a preocupação de corrigir os problemas estruturais que deixam as Forças Armadas em situação de virtual penúria. Elas estão desaparelhadas não é por falta de dinheiro. Recebem o segundo maior quinhão do Orçamento da União, abaixo apenas do Ministério da Saúde. O problema é que, tal como está organizada a carreira militar, as despesas com pessoal, na ativa e na reserva, absorvem quantidades crescentes de recursos – que não sobram para a necessária compra de armas e o adestramento da tropa. Hoje se gasta com pessoal cerca de 80% do orçamento, participação que vem aumentando, ano a ano, há mais de duas décadas.

Pretende-se, ainda, conceder incentivos fiscais a empresas nacionais produtoras de armamentos para que as Forças Armadas não dependam de fornecedores externos. A criação de uma autarquia militar não passa de uma utopia. Nem a poderosa máquina militar norte-americana é auto-suficiente. Depende de componentes e de sistemas de armas completos, comprados de terceiros países. E como poderá um país como o Brasil, que mal reúne recursos para encomendar duas dúzias de aviões para a Força Aérea, montar uma indústria para projetar e construir caças de quinta geração? Como exercício de whishfull thinking o tema é excitante – mas a sua implementação esbarra, primeiro, no impedimento orçamentário e, depois, na dificuldade praticamente intransponível de encontrar parceiros que nos transfiram tecnologia militar de ponta.

Outro ponto a considerar no Plano Estratégico de Defesa é o modelo de serviço militar que o ministro Mangabeira Unger recomenda para o Brasil. Ele preconiza a volta ao serviço militar universal, agora também para mulheres: “Em um País tão desigual, uma das utilidades do serviço militar obrigatório é servir como nivelador republicano, em que a nação fique acima das classes.” É a velha idéia, nascida na Revolução Francesa, da “Nação em armas”, promotora da coesão nacional, que pouco sentido tem hoje, numa sociedade integrada por uma rede de ensino universal e ligada por meios instantâneos de comunicação.
Além disso, a idéia é objetivamente inexeqüível. Hoje, o Exército, com um efetivo de cerca de 220 mil homens, não incorpora mais de 70 mil recrutas por ano – os outros são engajados por períodos de até 8 anos – e, com isso, preenche suas necessidades. O ministro sugere que os jovens que não forem incorporados à tropa sirvam a um “serviço social obrigatório”, trabalhando em regiões diferentes de onde moram. Ocorre que, segundo dados oficiais, existiam, em 2007, 2.110.996 homens e 2.076.135 mulheres com 18 anos. Imagine-se o custo de alojar, vestir, alimentar e transportar esse enorme contingente – privando o País, ademais, de sua força de trabalho e adiando compulsoriamente, por um ano, as expectativas de realização pessoal desses jovens.

FONTE: O Estado de São Paulo

 

Soa familiar?

Atenda o #$%& telefone!

Dave Perry

“A crise de confiança que a U.S.navy enfrenta chega ao ponto de torná-la incapaz de responder a uma pergunta: ‘Qual função você desempenha que obriga a sociedade a se responsabilizar pela sua manutenção?’” – Samuel P. Huntington, em 1950

O autor comenta o problema observado nas Relações Públicas da Marinha canadense: “Com poucas exceções, os canadenses em geral e os responsáveis pelas decisões governamentais não entendem o que a Marinha faz, já fez ou pode fazer. Além disso, o pouco que o público conhece é, normalmente, negativo ou impreciso.”
Prossegue comentando o alto grau de visibilidade desfrutado pelo Exército canadense e a capacidade que o público e os tomadores de decisões têm para compreender o que o Exército faz por eles no dia-a-dia.
“Porque os canadenses sabem tão pouco a respeito , sem dúvida, se deve a um conjunto complexo de fatores, entre os quais: antipatia em relação às Forças Armadas em geral; a localização da Marinha em ambas as costas, distante da maior parte da população; as operações navais serem realizadas longe do litoral, afastadas das vistas do público em geral; e a cobertura da mídia, que é rara e, quase sempre, superficial.”
Segundo Perry, a Marinha pode optar por duas linhas de ação. A primeira é não fazer nada e torcer para que a situação atual melhore. Enquanto isso, os canadenses continuam ignorando a Marinha, e os marinheiros se sentindo desconsiderados. A segunda é reconhecer que a realidade não vai se alterar por si só, e tentar fazer algo a respeito.
O que a Marinha pode fazer?
- Os esforços para alcançar o público devem ser continuados e receber mais incentivos.
- Implementar ações para despertar o interesse dos cidadãos pela Marinha.
Na opinião do autor, os serviços de relações públicas devem ser mais proativos, antecipando-se aos acontecimentos e evitando ficar a reboque do noticiário.
A experiência do público em geral e dos jornalistas em particular é a dificuldade de falar ao telefone com alguém que lhe forneça uma informação clara e compreensível.
O autor sugere que o serviço de relações públicas seja terceirizado, contratando-se uma empresa de relações públicas que auxilie a Marinha a elaborar campanhas e a orientar declarações públicas e entrevistas de forma a permitir que quem assiste ao telejornal possa entender a mensagem. Ou seja, ter militares disponíveis para moldar e divulgar a mensagem, mas deixar que profissionais os ajudem a superar a distância entre a complexidade naval e a compreensão do homem comum. E, mais importante, ter pessoas para atender os #$%& telefones!

FONTE: Canadian Naval Review, outono 2006, p.29-31

 

Você sabe o que são “Royalties”?

Extraído do site da ANP

Royalties são uma compensação financeira devida ao Estado pelas empresas concessionárias produtoras de petróleo e gás natural no território brasileiro e são distribuídos aos Estados, Municípios, ao Comando da Marinha, ao Ministério da Ciência e Tecnologia e ao Fundo Especial administrado pelo Ministério da Fazenda, que repassa aos estados e municípios de acordo com os critérios definidos em legislação específica.

Os royalties, que incidem sobre a produção mensal do campo produtor, são recolhidos mensalmente pelas empresas concessionárias por meio de pagamentos efetuados para a Secretaria do Tesouro Nacional – STN, até o último dia do mês seguinte àquele em que ocorreu a produção. A STN repassa os royalties aos beneficiários com base nos cálculos efetuados pela ANP de acordo com o estabelecido pelas Leis nº 9.478/97 e nº 7.990/89, regulamentadas, respectivamente, pelos Decretos nº 2.705/98 e nº 01/91.

A partir da Lei nº 9.478/97, a alíquota dos royalties passou de 5% para até 10% da produção, podendo ser reduzida a um mínimo de 5%, tendo em vista os riscos geológicos, as expectativas de produção e outros fatores pertinentes.

Cálculo dos Royalties

Os royalties incidem sobre a produção mensal do campo produtor. O valor a ser pago pelos concessionários é obtido multiplicando-se três fatores: (1) alíquota dos royalties do campo produtor, que pode variar de 5% a 10%; (2) a produção mensal de petróleo e gás natural produzidos pelo campo; e (3) o preço de referência destes hidrocarbonetos no mês, como determinam os artigos 7º e 8º do Decreto nº 2.705/98, que regulamentou a Lei nº 9.478/97, conhecida como a Lei do Petróleo.

Para alíquota dos royalties do campo produtor até 5%, o Comando da Marinha tem direito a 20% dela. Acima de 5% a parcela é de 15%.

NOTA DO BLOG: o Volume de recursos legalmente destinados ao Comando da Marinha no acumulado do ano (janeiro a agosto de 2008) já supera um bilhão de reais (oficialmente R$ 1.084.062.781,37). Onde ele foi parar?

 

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Há 100 anos.

Dez de setembro de 1908. Há exatamente 100 anos, corria na carreira do estaleiro W. C. Armstrong Whitworth & Company, na Inglaterra, o Encouraçado Minas Geraes. Teve por madrinha a Sra. F. Régis de Oliveira. E teve um impacto, nos círculos navais da época, compatível com suas 19.250 toneladas de deslocamento padrão e seus 12 canhões de 12 polegadas.

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Cogitou-se na Europa que a encomenda brasileira era um subterfúgio para posterior transferência a uma outra marinha. Jornais britânicos especulavam que o verdadeiro destinatário seria a Alemanha. Jornais alemães cogitavam que o navio seria secretamente transferido à Royal Navy. A verdade é que, menos de dois anos depois, em 17 de abril de 1910 (e exatamente 3 anos após o batimento de sua quilha), o então mais poderoso encouraçado do mundo adentrava a Baía da Guanabara, para o início de 44 anos de serviço na Marinha do Brasil.

Não deteve por muito tempo o posto de navio de guerra mais poderoso do mundo. Afinal, vivia-se uma acirrada corrida armamentista rumo à Primeira Grande Guerra. Não esteve plenamente operacional por diversos períodos de sua existência na MB. Afinal, o Plano Naval que objetivou a encomenda de uma completa esquadra para a Marinha, nova em folha, não previa as instalações adequadas para sua manutenção. Só nos anos 20 a discussão sobre a industrialização do país iniciou um processo que levaria, décadas depois, a se atingir uma capacidade industrial compatível com a manutenção de belonaves modernas. Quando esse tempo chegou, o nome Minas Geraes já mudara para Minas Gerais, e batizava um outro navio.

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Mas o Minas Geraes mostrou, há 100 anos, que era possível ao Brasil do café e da industrialização incipiente adquirir uma esquadra compatível com suas pretensões geopolíticas de então, cristalizadas na figura do Barão do Rio Branco, e que não eram modestas.

O passado traz erros e acertos para se analisar com os olhos de hoje. Aliás, é sempre sob o olhar do presente que o passado encontra sua existência e é revivido, refletido, repensado, construído e debatido. Há 100 anos, uma nova esquadra era construída para um governo que a desejava e um País que ainda não estava pronto para recebê-la. E o Brasil de hoje, está pronto para receber uma nova e moderna esquadra? Ele a deseja? Com a previsibilidade que é tão peculiar ao movimento de passagem do tempo, o tão comentado e esperado sete de setembro de 2008 passou. É de se esperar que este dez de setembro, de maneira não menos óbvia, também passe rapidamente. E que talvez as reflexões que ele poderia deixar no caminho passem com igual rapidez.

Abaixo, uma surpreendente animação da chegada do Minas Geraes ao Brasil, realizada por Hamilton e Sérgio de Sena Tavares e casualmente encontrada no YouTube:

 

Texas Tower – Uma plataforma marítima de vigilância aérea

TT-4

Foto: TexasTower.com

Em função dos questionamentos feitos por alguns leitores do BlogNaval e da grande celeuma em torno da opinião do Almirante Saboya sobre transformar plataformas de petróleo num SIVAM marítimo, o Poder Naval OnLine trouxe à tona a interessante história da Plataforma TT-2. Essa foi a primeira tentativa da USAF em transformar plataformas marítimas em centros de vigilância aérea.

Nos primeiros anos da Guerra Fria, a grande preocupação da USAF num eventual conflito com a URSS era oferecer um alerta antecipado mínimo para que os seus caças interceptassem os bombardeiros soviéticos antes que os mesmos despejassem suas cargas de bombas nucleares nas cidades costeiras. Já no início da década de 1950 os primeiros estudos para um sistema de radares instalados em plataformas marítimas fixas, semelhantes às plataformas de petróleo, foram considerados satisfatórios.

A vantagem destas instalações sobre os navios da USN era que as mesmas seriam unidades fixas dotadas de potentes e pesados radares de vigilância aérea. Porém, as áreas onde estas seriam instaladas deveriam ter condições geográficas favoráveis como grande distância do continente e pouca profundidade. A região marítima compreendida entre Boston e Filadélfia, na costa leste dos EUA apresentava estas condições, além de ser um importante centro econômico e industrial do país a ser defendido. O posicionamento das plataformas e as características do radar permitiram à USAF uma alerta antecipado de 300 a 500 milhas, ou trinta minutos mais de aviso sobre os sistemas baseados em terra.

A USAF se convenceu da necessidade de tais plataformas em 1952 e autorizou a construção de cinco delas em 1953. Denominadas “Texas Towers”, somente três delas (TT-2, TT-3 e TT-4) foram efetivamente construídas. A primeira delas, TT-2, foi posicionada a 110 milhas de Cape Cod (Massassuchets) e primeiramente ocupada em dezembro de 1955. Sua “tripulação” normal consistia de seis oficiais e 48 praças, substituídos a cada 30 dias por outra equipe.

As três unidades off-shore da USAF operaram por pouco tempo. Em 1960 a TT-4 sofreu muitos danos com um furacão e foi completamente destruída no ano seguinte por uma tempestade de inverno. Neste último evento, existiam 28 homens trabalhando naquela instalação. Todos morreram. Algum tempo depois a USAF começou o processo de desativação das duas unidades sobreviventes. Em março de 1963 a última delas foi descomissionada.

Além dos grandes riscos ambientais a que estas instalações estavam sujeitas, o advento dos mísseis intercontinentais e o desenvolvimento de aeronaves AEW (na época o EC-121) não justificavam mais a manutenção daquele sistema. Na foto abaixo uma maquete da TT-2 exposta no museu da Base Aérea de Peterson. Atualmente a base é sede o USNORTHCOM.

Foto: Poder Naval OnLine

TT-2

 
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