
Reposicionamento de um post, relembrando embarcações construídas aqui no Brasil, sob licença, e que poderiam ser as novas estrelas do Salvamar, Patrulha Oceânica, Apoio Logístico, Operações de minagem e adaptação para caça minas, pois operam com ROV´s, SAR, entre outras funções.
Segue como uma ideia para substituição das Cv´s Imperial Marinheiro e os RbAM´s classes Almirante Guilhem e Tritão, devido à sua capacidade de carga e enorme tração estática (BP – Bollard Pull)
Vale lembrar que vários países os utilizam na função, entre eles EUA, Inglaterra, França, Holanda, Espanha …
Em 5 de outubro de 2008 (domingo), por ocasião de sua segunda escala em Santos, tivemos a oportunidade de visitar o AHTS “Bos Turmalina”, de bandeira brasileira, afretado à Petrobrás, atracado no cais do Armazém 27, onde estava embarcando correntes para movimentação de ferros de plataformas petrolíferas.
O navio, um AHTS (Anchor Handling Tug Supply), é uma embarcação polivalente, especializada em operações do tipo offshore, sendo utilizado em operações de manobras de ancoras e no posicionamento de plataformas, reboques oceânicos de grandes estruturas e embarcações (a grande maioria de movimentações oceânicas de plataformas de petróleo e FPSO´s são realizadas pelos AHTS, ao invés de RbAM), socorro e salvamento, combate a incêndios, transporte de suprimentos e cargas múltiplas, tais como equipamentos para perfuração e prospecção de petróleo, tubulações, containers, correntes, possuindo ainda tanques específicos para transporte de combustível, água potável, drill water, cimento, barita, betonita, slops, entre outros. Sua presença é notada em todas as regiões onde há prospecção de petróleo no mar.
O Navio
O “Bos Turmalina”, especificamente, pertence classe UT -722L, que por sua vez é um desenvolvimento da classe UT-722, um projeto concebido em 1998 pela empresa norueguesa Rolls-Royce Marine A/S, e é construído sob licença em diversos estaleiros pelo mundo.
O “Bos Turmalina”, é de propriedade do armador Bos Navegação Litda., de Macaé-RJ, subsidiaria da norueguesa Farstad Shipping ASA, de Aalesund. O navio se destaca pela automatização, possuindo um passadiço digital com equipamentos de navegação e comunicações de última geração como: sistema de posicionamento dinâmico (DP), GPS Diferencial (DGPS), radares Arpa, cartas náuticas eletrônicas, GMDSS, rádios VHF, fax, telefone, internet e praça de maquinas automatizada. Quanto as instalações habitáveis o navio é dotado de camarotes suítes, individuais para os oficiais superiores e duplos para demais oficiais e guarnição, refeitório, salão de estar (Praça d´Armas), uma pequena, mas bem equipada academia para pratica de ginástica, enfermaria, além de escritórios de convés e máquinas.
Maquinas e Propulsão
O navio possui um maquinário potente, gerando um total de 14.410 hp que acionam dois eixos propulsores com hélices de passo variável, dando uma velocidade máxima de 16 nós. O Bollard Pull (Tração Estática) é de 160 toneladas (a titulo de comparação os RbAM da classe Almirante Guilhem da MB tem 84 toneladas e os da classe Triunfo tem 23,5 toneladas). O conjunto que fornece propulsão auxiliar e o posicionamento dinâmico é formado por um Bow Thruster tubular na proa, um propulsor azimutal retrátil, também localizado na proa e dois Stern Thrusters tubulares na popa, além de um gerador de eixo. A sua Praça de Máquinas ocupa todo o comprimento do convés abaixo do principal.
Conduzido por especialistas
Quase todas as operações são controladas pelos oficiais de náutica a partir de uma estação localizada a ré do passadiço, de onde é possível ter todo o controle dos equipamentos, guinchos e thrusters do navio. Sendo uma unidade de Posicionamento Dinâmico, é necessário ter uma visão e um controle geral sobre as operações que em geral são delicadas e feitas na proximidade de grandes estruturas e muitas vezes sob condições meteorológicas extremamente adversas. Desta mesma estação também podem ser controlados os ROV (Remotely Operated underwater Vehicle) ou Veículos Submarinos Remotamente
Controlados, embarcados quando o navio realiza operações de apoio submarinas, sendo que em alguns AHTS maiores e mais modernos os ROV fazem parte da dotação de equipamentos orgânicos do navio.
A guarnição padrão é formada por 16 pessoas, no caso do Bos Turmalina são 17. Abaixo a composição da tripulação com as respectivas funções e postos:
Comandante (CCB)
Imediato (CCB ou 1ON)
2 Oficiais de Quarto de Convés (1ON e 2ON) (Pilotos)
1 Contramestre (CTR)
4 Marinheiros de Convés (MNC)
1 Chefe de Máquinas (OSM ou 1OM)
1 Subchefe de Máquinas (1OM ou 2OM)
1 Eletricista (ELT)
3 Marinheiros de Máquinas (MNM)
1 Cozinheiro (CZA)
1 Taifeiro (TAA)
A guarnição trabalha em esquema de 28 x 28 dias, com tripulação fixa (duas tripulações) com troca completa, sempre ocorrendo no Terminal de Macaé.
Dados Técnicos:
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Construtor
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2006/Estaleiro Itajaí S.A. (EISA), Itajaí-SC, casco n. º 142
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Design
Batimento de quilha
Lançamento
Incorporação
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UT 722 L
21 de maio de 2004
2 de maio de 2005
26 de julho de 2006
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Classificação
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DNV +1A1, Supply Vessel, SF, EO, Dynpos Aut, OilRec. FiFi II
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Prefixo
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PPTJ
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Comprimento Total/Boca
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80.5 metros / 18.0 metros
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Calado (max.)
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6.6 metros
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GRT/NRT/Deadweight
Deslocamento
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3.628 toneladas / 1.089 toneladas / 2.677 toneladas
6.427 toneladas
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Dimensões do Convés
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450 m2 (30.00 metros x 15.00 metros)
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Guindaste de Convés
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SWL 5 mt – 10 mt a 16 – 12 metros
SWL 2 mt a 12 metros
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Capacidade de Combustível (diesel)
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1.134 m3
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Água potável
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1.180 m3
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MCP
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2 Bergens tipo BVM 12 de 7.205 bhp cada, totalizando 14.410 bhp
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Bow Thruster
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1 x 1200 bhp
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Azimuth Thruster
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1 x 1520 bhp (retrátil)
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Stern Thrusters
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2 x 1000 bhp
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Velocidade (max/
serviço)
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16 / 12 nós
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Bollard Pull
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160 mt
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Guincho
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350 mt a 0-15 m/min. com spooling gear
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- A/H Drum
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1 x 5215 m de cabo de aço de 76mm de diâmetro
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- Towing Drum
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1 x 5215 m de cabo de aço de 76mm de diâmetro
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Secondary Winch
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4 x 125 mt emt 0-20m/min. com spooling gear
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- Drum
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Cada 800 m de cabos de 203 mm
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Tow line
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1.200 m de 80 mm
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Porão de correntes
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560 m3 (4 circular tanks)
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Gypsies
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2 x 70/76/84/95/114 mm
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Towing Pins
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4 x Triplex SWL 300 mt
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Pop-up pins
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2 x SWL 90mt
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Shark Jaw
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2 x Triplex SWL 650 mt
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Stern Roller
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2 x 3m x 3,5m dia – SWL 500 mt
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Smit bracket
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SWL 500 mt
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Bollard Pull = 190 t.
Unidades brasileiras da Classe:
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Navio
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Estaleiro
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Casco
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Data
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IMO
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Prefixo
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Classe
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| Genoísio Barroso |
Fels Setal
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101
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05.04
|
9270220
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PPPQ
|
UT 722
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| Yvan Barreto |
Fels Setal
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102
|
07.04
|
9270232
|
PPPR
|
UT 722
|
| Haroldo Ramos |
Fels Setal
|
103
|
10.04
|
9270224
|
PPQB
|
UT 722L
|
Skandi Copacabana
(ex Norskan Copacabana) |
EISA- RJ
|
479
|
06.05
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9283435
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PPQM
|
UT 722L
|
| CBO Chiara |
Ebin – Niterói
|
002
|
01.06
|
9318424
|
PPQV
|
UT 722L
|
| BOS Turmalina |
EISA Itajaí
|
142
|
07.06
|
9329954
|
PPTJ
|
UT 722L
|
| Norskan Botafogo |
Aker – Promar
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Pro 19
|
09.06
|
9339131
|
PPTM
|
UT 722L
|
| Bos Turquesa |
EISA Itajaí
|
143
|
01.07
|
9329966
|
PPTZ
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UT 722L
|
| Skandi Rio |
Aker – Promar
|
Pro 18
|
02.07
|
9353204
|
PPTU
|
UT 722L
|
| Skandi Fluminense |
Aker – Promar
|
Pro 20
|
07.07
|
9365582
|
PPUS
|
UT 722L
|
Por todas as funções que consegue desempenhar e por suas características superlativas em termos de embarcação de apoio, o AHTS é visto em quase todos os tipos de serviços relacionados a atividade offshore o que lhe confere o privilegio de ser chamado carinhosamente de Sua Majestade, o AHTS de “Rei dos Mares”.

Nota do Blog: As características e as funções desempenhadas pelos AHTS, como os da classe UT 722L, tornam esse tipo de embarcação uma opção interessante para substituição das antigas corvetas da classe Imperial Marinheiro. São navios com uma capacidade de reboque excepcional, dotados de equipamentos de combate a incêndio, capacidade de atuar no recolhimento de óleo derramado no mar, e o uso de ROVs demonstra que talvez seriam navios capazes de atuar no apoio a operações de contraminagem, inclusive como tender ou capitania de uma flotilha de navios varredores. Poderiam também ser utilizados no abastecimento e apoio ao POIT – Posto Oceanográfico da Ilha de Trindade. Como componente das Forças Distritais poderia receber um ou dois reparos de 20 mm, tornando o navio mais uma plataforma de patrulha.
Nossos agradecimentos: ao Comandante Gibson, Oficiais e Guarnição do AHTS Bos Turmalina pela atenção dispensada ao Poder Naval/NMB por ocasião da visita a bordo.
FECHASPAS
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