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Marinha do Brasil, elogios e ataques aos seus IKL

Essa opção [pelo IKL-214] baseia-se, basicamente, além do fato da Marinha estar satisfeita com o desempenho dos seus atuais submarinos, nas indiscutíveis vantagens decorrentes da manutenção de uma linha logística já existente, tanto na parte relativa ao material (construção e manutenção), como na concernente à formação do nosso pessoal.

(Almirante-de-Esquadra Roberto Guimarães Carvalho, Comandante da Marinha, em dezembro de 2006)

A Alemanha não transfere tecnologia de projeto nem de manutenção dos submarinos. Na construção dos atuais submarinos que o Brasil opera (IKL-209), a “seção de vante” (proa), onde ficam os tubos de lançamento de torpedos, veio pronta da Alemanha e a manutenção dos sistemas de combate (sonares, sistema de direção de tiro, etc.) só é feita com a presença de técnicos alemães.

(Comando da Força de Submarinos, 17 de julho de 2009)

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vinheta-clipping-navalParis, 13 jul (EFE).- O ministro da Defesa brasileiro, Nelson Jobim, justificou hoje a opção da França para a compra de submarinos convencionais porque o contrato que está terminando de negociar prevê a possibilidade de construir a partir deles, no Brasil, submarinos de propulsão nuclear.

Jobim, que se reuniu em Paris com o ministro da Defesa francês, Hervé Morin, ressaltou, em declarações à imprensa, que os quatro submarinos Scorpène franceses que o Brasil pretende adquirir comportam transferências tecnológicas e uma estrutura que depois permitirão aos brasileiros desenvolver propulsão nuclear.

Os franceses não transferem a tecnologia nuclear, mas a estrutura dos Scorpène permite integrá-la depois, disse Jobim, que insistiu nisso e em outros aspectos que diferenciam a oferta dos estaleiros estatais franceses DCNS da opção por submarinos alemães.

“É a diferença entre um carro e um Fórmula 1″, disse o ministro, em sua argumentação.

Jobim, que disse que a negociação “avança sem problemas”, não quis dar números do contrato dos submarinos, que poderia ser oficializado por ocasião da visita ao Brasil do presidente francês, Nicolas Sarkozy, em 7 de setembro.

Também disse que é uma questão que não está ainda fechada, na qual estão trabalhando técnicos dos dois países e que, mais do que um montante fixo, é um projeto em processo durante muitos anos que inclui transferência de tecnologia e também a construção dos submarinos no Brasil.

Jobim também abordou com Morin outro contrato que está sendo finalizado e que também deve ser assinado por Sarkozy e pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em setembro: a aquisição de 50 helicópteros de transporte de tropas Cougar EC-725 da Eurocopter, filial da EADS.

Neste caso também haveria transferência de tecnologia e os helicópteros seriam fabricados no Brasil pela filial local da Eurocopter, a Helibras, em sua unidade de Itajubá (MG), que produzia aparelhos civis.

A França também está interessada em vender ao Brasil seus caças Mirage (sic), mas, neste caso, as autoridades brasileiras não decidiram ainda que avião escolherão, algo que dependerá das ofertas que serão feitas pelo fabricante francês Dassault, mas também pelos outros candidatos, americanos ou europeus.

O ministro brasileiro enfatizou hoje que o processo para a seleção chegará a uma fase importante durante a primeira quinzena de agosto.

Jobim, que permanece na França até a próxima sexta-feira, começou a visita de trabalho esta manhã com um encontro com o presidente da Air France, Pierre Henri Gourgeon, cuja companhia operava o avião que caiu em 1º de junho no Oceano Atlântico quando realizava o voo entre Rio de Janeiro e Paris.

A agenda de Jobim inclui sua presença amanhã ao tradicional desfile militar da Festa Nacional nos Champs-Elysées da capital, assim como reuniões com responsáveis do Exército e das grandes companhias de armamento.

FONTE: EFE

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A Alide divulgou a apresentação em Powerpoint do Ministro Nelson Jobim na Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional. Para ver a apresentação completa clique aqui. No slide da apresentação mostrado acima, confirma-se a criação da 2a. Esquadra no Nordeste e a nova base de submarinos em Itaguaí.

 

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O ministro da defesa francês Hervé Morin, anunciou hoje a encomenda do segundo submarino nuclear de ataque da classe “Barracuda”. O Programa Barracuda, que compreende a construção de seis submarinos entre 2017 e 2028, no valor de 7,9 bilhões de euros (cerca de R$ 21,5 bilhões), vai gerar um grande número de empregos na DCNA, AREVA-TS, Atomic Energy Commission (CEA) e em mais de 100 pequenas e médias empresas até 2027.

A Délégation générale pour l’armement (DGA) fechou contrato com a DCNS e AREVA-TA para a construção do segundo submarino. Em paralelo, a montagem do primeiro navio da classe, o Suffren, começou com a soldagem das primeiras duas seções do casco.

A classe “Barracuda” terá como característica a baixa detectabilidade (baixo nível de indiscrição) e capacidade de “caça e destruição” (hunt and kill), visando os teatros de operação no Atlântico, Mediterrâneo e Oceano Índico.

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O Programa “Barracuda”

Em dezembro de 2006, o Ministério da Defesa da França fechou um contrato com o então estaleiro DCN e com o grupo de energia nuclear Areva-TA. O contrato total de cerca de € 7,9 bilhões (US$ 10,4 bilhões), com um acordo inicial de cerca de € 1,4 bilhão, seguido de 6 opções para cobrir o desenvolvimento, a produção e o apoio logístico para os primeiros anos de serviço.

Os submarinos terão 5.300t de deslocamento e vão substituir os submarinos da classe “Rubis/Amethyste”.

Seus tubos lança-torpedos serão capazes de disparar uma combinação de torpedos pesados guiados a fio (incluindo o novo torpedo Artemis), mísseis anti-navio SM-39 Exocet e mísseis de cruzeiro Scalp/Storm Shadow. Poderão levar também 12 commandos (forças especiais) cujo equipamento será levado num casulo fixado atrás da vela.

A profundidade de operação dos “Barracuda” será de 350 metros (1.150 pés) e a velocidade máxima será de 25 nós. Terá autonomia de víveres para 70 dias contínuos. O combustível nuclear dos submarinos será trocado a cada 10 anos e será do mesmo tipo usado nas usinas nucleares francesas, o que trará economia significativa.
Os navios da classe “Barracuda” receberão os seguintes nomes: Suffren, Duguay-Troin, Dupetit-Thouars, Duquesne, Tourville e De Grasse.

NOTA do BLOG: Durante as negociações do acordo sobre submarinos entre o Brasil e a França, foi divulgado que o “Barracuda” teria sido oferecido à Marinha do Brasil, sem o reator nuclear, e que o casco nos custaria cerca de R$ 3,6 bilhões. A informação não foi confirmada, mas faria muito mais sentido do que desenvolver um submarino nuclear do zero.

No entanto, segundo uma fonte, o reator nuclear que a Marinha do Brasil está desenvolvendo em São Paulo não cabe no “Barracuda” e será necessário projetar um casco com boca ainda maior.

A França vai pagar R$ 21,5 bilhões por 6 SSN “Barracuda” e o Brasil terá de pagar R$17,6 bilhões por 4 SSK “Scorpène” e um SSN.

NOTA do BLOG 2: Clique aqui para conhecer a história da Força de Submarinos da Marinha do Brasil.

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Rui Barbosa

Há uns poucos de dias que o poço, o ancoradouro do Rio de Janeiro, nos oferece extraordinário panorama. Ao correr dos bondes pelas ruas de onde se descortina o mar, todos os olhos estendem-se para ele. À superfície do elemento azul cinco pavilhões estrangeiros afirmam diversamente o tamanho das nacionalidades, que representam. Ali se ostenta, de extremo a extremo, a escala inteira do poder naval, desde a grandeza crescente da Grã-Bretanha, a mãe dos mares, a semeadora de povos, até à majestade simplesmente histórica da Lusitânia, a soberana descoroada, mas venerável, de cujo manto as vagas parecem roçarem ainda com respeito a fímbria em torno do Adamastor. Passa e repassa a vista curiosa por essa assembléia extraordinária de testemunhas do oceano, e não lhes pergunta que nos dizem, que nos trazem desses longes do espaço e do tempo, da imensidade vaga, aonde o passado se recolhe, e donde assoma o futuro, como as velas repontam do horizonte. Povo descuidado, abrimos as pálpebras entre dois intervalos de sesta, à brisa da costa dourada pelo sol, banhando-nos na tipidez do ar, na volúpia do colorido, na embriaguez ambiente da luz, e banindo d’alma os pensamentos do imprevisto, cerrando-a ao sussurro da consciência, que fala pelo rugir das águas eternas.
Ingenuamente dilatamos as pupilas, com alguma coisa da impressão primitiva dos antigos hóspedes das nossas selvas, quando essas grandes aves que arribam da civilização açoitaram pela primeira vez com as largas asas brancas a quietude deste estuário, como se, tantos séculos depois, ainda inquiríssemos de onde vêm essas gaivotas gigantescas, onde foram buscar umas a elegância das suas linhas e a alvura do seu dorso, outras a negrura do seu vulto e a arrogância do seu colo.
No olhar dos mais inteligentes, quando muito, se descobriria alguma coisa daquela sensação dos passageiros de um transatlântico, debruçados para o cristal retinto, nas paragens onde palpita o coração do globo, pelas águas quentes do Equador cismando nas maravilhas em que se anunciam à tona essas florestas submarinas, à vista das quais são desertas as da terra, contando um a um esses encantos do inesperado, seguindo essas pradarias do mundo líquido, as górgonas, as ísis, as pálidas anêmonas corde-rosa, os alcíones, a flora cambiante e efêmera, com que as artérias da natureza oceânica ajardinam a zona das calmas, o domínio oscilante das algas, essas regiões onde se espelham complacentemente os resplendores solares, e se ocultam os imensos reservatórios da vida submersa.
Mas não basta admirar: é preciso aprender. O mar é o grande avisador. Pô-lo Deus a bramir junto ao nosso sono, para nos pregar que não durmamos. Por ora a sua proteção nos sorri, antes de se trocar em severidade. As raças nascidas à beira-mar não têm licença de ser míopes; e enxergar, no espaço, corresponde a antever no tempo. A retina exercida nas distâncias marinhas habitua-se a sondar o infinito, como a do marinheiro e a do albatroz. Não se admitem surpresas para o nauta: há de adivinhar a atmosfera como o barômetro, e pressentir a tormenta, quando ela pinta apenas como uma mosca pequenina e longínqua na transparência da imensidade. O mar é um curso de força e uma escola de previdência. Todos os seus espetáculos são lições: não os contemplemos frivolamente.
Na festa de ontem bem poucos se deteriam em penetrar a expressão íntima desses convidados do outro hemisfério, ou do outro continente, cujos canhões honraram a solenidade nacional, cujos galhardetes flameavam em arco à luz do sol, e cujas miríades de focos rutilantes constelaram de noite a baía. Cada um deles era, entretanto, uma interrogação misteriosa ao novo porvir. Esses mensageiros da civilização européia e americana, deslumbrados na magnificência das nossas costas, nas estupendas belezas da nossa terra natal, estudam o homem, que a habita, e procuram nas suas obras o selo das grandezas que o circundam. Quando voltarem desta cerimônia, a que concorreram com a distinção do seu obséquio, com a imponência da sua presença, irão dizer aos que os mandaram se a criatura aqui responde à liberalidade do Criador, se este ramo da família humana trabalha pelo bem comum. E queira Deus que desse juízo nos possamos desvanecer, como com esta fineza nos lisonjeamos.
Bastava que de nossa parte os estudássemos, para sentir quanto nos esquecemos de nós mesmos.
Por ele veríamos como presentemente o valor dos povos quase se mede pelo seu valor no oceano.
Considerai nessa obra-prima do Adamastor, pequeno escrínio de ferro onde parece refugiar-se o maior dos poemas navais, como a mais formosa das línguas no canto dos Lusíadas. Vede o Carlo Alberto, a Calabria, o Piemonte, o orgulho de Roma e de Veneza, esbordando o Mediterrâneo, para ostentar na outra metade do planeta o arrojo das suas aspirações, o garbo das suas obras e o vigor da sua gente.
Olhai para as duas fragatas, a Sofia e a Nixe, vedetas soberbas daquela formidável nacionalidade, cuja ambição arde pela glória naval prelibada não há muito, no heróico lirismo daquelas palavras imperiais:
“Nosso futuro está no mar.” No Iowa e no Oregon, quentes da guerra, estuantes do fogo, como que ainda frementes do canhoneio, medi o poder dos colossos que a liberdade levanta e a miséria dos países marítimos desapercebidos no oceano. Notai, enfim, com que fidalguia de primeiros entre iguais se embalam nas ondas, entre os outros, o Beagle e o Flora, pequenas malhas esparsas da coiraça que abriga pelos mares a potência universal da maior das nações, a antiga regedora das vagas.
Nós tínhamos alguma glória, para não entrar humilhados nesse comício brilhante. Não faz mais de trinta anos que as águas do Prata davam testemunho de proezas inolvidáveis, consumadas por uma esquadra de heróis brasileiros. Acabava a guerra separatista nos Estados Unidos, que tamanha revolução produzira nas artes da luta naval. E, contudo, guardadas as proporções, afirmam os mestres que a campanha fluvial do Paraguai não foi nem menos gloriosa, nem, a certos respeitos, menos instrutiva.
Nos maiores movimentos estratégicos do nosso conflito com o déspota de Assunção coube sempre à nossa armada uma parte capital, decisiva, admirável, e a bravura dos nossos marinheiros, sua inteligência, sua capacidade mostraram em nós ao mundo o nervo, de que se faz o caráter das nações. Era um tesouro, que se não devia malbaratar; e malbaratou-se. Não haveria sacrifícios, que outros não fizessem, por conquistar esse prestígio. Nós o tivemos, obtido à custa do melhor do nosso sangue, e deixamo-lo perder.
É mister reavê-lo, se é que temos empenho em conservar a nossa nacionalidade. O oceano tem sido quase invariavelmente o campo de batalha pela independência das nações que confinam com o mar.
Essa Holanda, um de cujos navios visitou há pouco as nossas águas, não a deveu, no século dezessete, senão às vitórias dos seus almirantes. A Inglaterra não teria preservado a sua existência, se as suas frotas não houvessem desbaratado as da França em 1692, em 1759 e em 1805. A França não teria ido sepultar a sua fortuna com a de Napoleão nos gelos da Rússia, se batesse as forças navais inglesas em Abukir e Trafalgar. A União não teria suplantado, na América do Norte, a revolta dos estados meridionais, se as esquadras da legalidade não levassem imensa vantagem às da confederação. O Brasil sem os seus navios não teria aniquilado o Paraguai. Foi no mar que se abismou a China. Foi no mar que pereceu a Espanha. No mar é que se liquidaria a questão da Argentina com o Chile. E na grande conflagração européia, se um dia se desencadeasse, a última palavra tocaria ao mar.
Ora, presentemente, quando o mar intervém nas questões entre os povos, é como o raio. Em poucos dias a agressão, o combate e a vitória, ou a ruína. Uma batalha suprime uma esquadra, e a supressão de uma esquadra pode envolver o desaparecimento de uma nação. Feliz do que pode ser o primeiro no golpe, e amarrar por bandeira ao grande mastro a vassoura de Tromp. Se ela encontrasse abandonado à sua violência impetuosa um litoral de seis mil e quinhentos quilômetros, pode ser que então a surdez crônica da política brasileira começasse a perceber a voz que detona, por essas praias, além, no fragor contínuo das rochas e das ondas: “Marinheiros! Marinheiros! Marinheiros!”

A Imprensa, 16 de novembro de 1898.

FONTE:  http://objdigital.bn.br/Acervo_Digital/Livros_eletronicos/obras_seletas_vol7.pdf

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A Alemanha já tinha concordado em vender três submarinos U214 aos paquistaneses, mas o fechamento do negócio tem sido postergado por conta da instabilidade política reinante no Paquistão.

Para os alemães o negócio de US$ 2 bilhões é economicamente atraente, mas é politicamente arriscado. Em 2006, o Governo Alemão deu o aval ao Paquistão, inclusive com um crédito de exportação de US$ 1,4 bilhão.

Mas agora que o país tornou-se infestado por insurgentes do Talibã e da al-Qaida, que querem desestabilizar o governo local e lançar ataques ao Afeganistão, a venda dos submarinos foi congelada.

As negociações tem se arrastado e a venda dos submarinos U214 vai precisar da aprovação do conselho de segurança nacional da Alemanha, que repetidamente vem adiando a decisão.

O ministro da defesa do Paquistão esteve visitando os alemães recentemente, mas parece que a decisão final só será tomada após as eleições federais na Alemanha, que ocorrerão em setembro.

NOTA do BLOG: A Índia e o Paquistão são adversários tradicionais também no mar e a compra dos U214 visa fazer frente à ameaça representada pelos submarinos “Scorpène”, que estão sendo construídos pela Índia.

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mao

Duas pesquisas feitas por jornais chineses na internet este mês, revelaram que a maioria dos internautas prefere o nome de “Mao” para o futuro navio-aeródromo do país, em homenagem ao polêmico líder chinês Mao Tsé-Tung.

 

vinheta-clipping-navalOs países latino-americanos encorajaram o Reino Unido a retomar as negociações bilaterais com a Argentina sobre o futuro das ilhas Malvinas (Falklands, para os britânicos), durante reunião do Comitê de Descolonização, concluída nesta sexta-feira na sede da ONU (Organização das Nações Unidas), em Nova York.

Localizadas a 400 milhas marítimas (740 km) do território argentino, as ilhas foram ocupadas pelos britânicos em 1833 e, por sua posse, Argentina e Reino Unido travaram uma guerra em 1982, na qual os argentinos foram derrotados.

“A chamada ao reatamento das negociações para solucionar pacificamente a questão das ilhas Malvinas é partilhado por várias organizações e foros regionais” da América Latina e do Caribe, destacou hoje a embaixadora do Brasil, Maria Luiza Ribeiro Viotti.

O Comitê de Descolonização aprovou uma resolução apresentada pelo Chile, com o respaldo da Bolívia, Cuba, Equador, Venezuela, Brasil, Argentina, Paraguai, Colômbia e Peru, pedindo o reatamento das negociações sobre a soberania desse território.

O ministro das Relações Exteriores da Argentina, Jorge Taiana, participou na quinta-feira das reuniões do Comitê, diante do qual expressou o caráter “permanente e irrenunciável” de seu país na reivindicação da recuperação da soberania sobre as ilhas Malvinas, Geórgia do Sul e Sandwich do Sul.

Taiana se reuniu também com o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, e com o presidente da Assembleia Geral, Miguel D’Decoto.

O chanceler argentino reiterou a Ban o pedido das autoridades de Buenos Aires para que o principal responsável da ONU “realize uma gestão de bons trabalhos”, que permita “que o Reino Unido cumpra as resoluções da ONU”, explicou Argüello.

Buenos Aires considera que Londres descumpriu sucessivamente as resoluções que a Assembleia e o Conselho, principal órgão de decisões do organismo internacional, emitiu sobre o assunto, para que as negociações fossem retomadas com o objetivo de resolver um problema que já dura várias décadas.

“É estranho que um país peça que outro país importante, membro permanente do Conselho de Segurança, cumpra as resoluções da organização. Mas a realidade é que a Grã-Bretanha descumpre as resoluções da ONU desde 1965″, acrescentou o embaixador argentino.

No total, 255 soldados britânicos e 655 argentinos morreram na Guerra das Malvinas, que durou 74 dias. A iniciativa da Argentina de atacar as ilhas foi vista como uma manobra ditadura militar do país de se fortalecer, mas a derrota enfraqueceu o regime e colaborou para acelerar o processo de redemocratização.

FONTE: Folha Online / EFE

 

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Marinha quer se aproximar de fornecedores nacionais de navipeças para superar gargalos e garantir aumento de conteúdo nacional de suas próximas embarcações

cl54-bridgevinheta-especialSe depender do Programa de Reaparelhamento da Marinha, tanto os estaleiros brasileiros como os fornecedores nacionais de navipeças têm bons motivos para se animar. Depois de amargar alguns anos em banho-maria devido à escassez de recursos em seu orçamento, a Marinha do Brasil está agilizando o processo de renovação de sua frota. A intenção da instituição é contratar 27 navios-patrulha de 500 toneladas até 2016 e 12 navios-patrulha oceanográficos, de 1.800 toneladas em prazo ainda não definido. Além disso, segundo o coordenador do Programa de Reaparelhamento da Marinha, contra-almirante Antonio Carlos Frade Carneiro, a intenção é utilizar cada vez mais equipamentos produzidos por fabricantes nacionais. “Temos o desafio de trazer as micro, mini, pequenas e médias empresas para participar de licitações da Marinha”, afirmou ele em recente evento na Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), no Rio de Janeiro.

Sem dúvida que a meta de contratar tamanha quantidade de embarcações é ambiciosa principalmente se for levado em conta a atual dificuldade na obtenção de crédito tanto no Brasil quanto no exterior. Mas como o próprio governo Federal já manifestou sua vontade de modernizar os sistemas de defesa do país e de incentivar a indústria nacional de defesa, são maiores as chances de que dessa vez as propostas se concretizem. Em 2009 as Forças Armadas tiveram um aumento no orçamento de R$ 6 bilhões para R$ 9 bilhões, além de uma otimização de mais R$ 1 bilhão de execução orçamentária.

Outra boa notícia é que, segundo a Lei nº 11.768/2008, os royalties do petróleo que passarem a constituir receita do orçamento da Marinha não poderão ser contingenciados, o que proporcionou maior segurança ao planejamento financeiro da Marinha.

Atualmente os dois primeiros navios-patrulha de 500 toneladas estão em construção no estaleiro cearense Inace. As propostas comerciais para outros quatro estão em análise pela Marinha desde o final do ano passado. Três estaleiros apresentaram propostas: Mauá, Eisa e o próprio Inace. Somente os dois últimos seguem na disputa e o resultado final deve ser divulgado ainda neste semestre. A previsão da Marinha é de que os quatro entrem em operação até 2012. Os recursos para eles estão garantidos no orçamento da Marinha.

O contra-almirante Frade Carneiro explica que como mais uma medida para combate à crise econômica atual, o governo pretende selecionar projetos que têm possibilidades de execução imediata e outros seis dos 27 navios-patrulha poderão estar entre eles. “A antecipação da construção pode ser vista como mais uma medida do governo brasileiro para minimizar os efeitos da crise econômica, fomentando a indústria naval brasileira”, avalia, acrescentando que a Marinha aguarda decisão, para breve, sobre a autorização governamental para início de mais este processo licitatório. A meta é de que as obras sejam concluídas até 2016.

Em todos estes casos a construção será feita em estaleiro nacional e de preferência em unidades industriais distintas, para facilitar a difusão do conhecimento. “A intenção é ter diversos estaleiros capacitados para tocar as obras, para que o know-how não fique concentrado em um só estaleiro e a Marinha tenha condições de encomendar em diversos parques industriais ao mesmo tempo”.

O coordenador do PRM explica que a Marinha comprou o projeto francês utilizado nos dois navios em construção no Inace e está promovendo uma espécie de customização. Com isso será possível inserir mais itens nacionais, além de facilitar a aquisição de sobressalentes, a assistência técnica e a cotação de preços dos materiais. “Queremos que as empresas que fornecem para os navios-patrulha venham para o Brasil. Ou para fabricar aqui ou para fazer parcerias”, explica o coordenador do projeto. Cada navio-patrulha custa cerca de R$ 75 milhões.

Segundo ele, ainda não é possível ter números exatos sobre o índice de nacionalização dos navios-patrulha em construção no Inace porque, dentre outros motivos, muitos sistemas e equipamentos ainda estão em fase de seleção. Para os próximos, a Marinha pretende, com o aumento da escala de construção, atingir um índice de nacionalização cada vez maior. “A meta para o segundo lote é iniciar com no mínimo 50% de conteúdo nacional”, afirma o coordenador do PRM.

Frade Carneiro sugere que seja formado um pool de micro e pequenas indústrias para viabilizar a participação delas em projetos grandes. “Queremos que o major contractor se responsabilize por alguns procedimentos que seriam dos fornecedores. As empresas menores em geral não têm condições de produzir a documentação necessária, seja por dificuldades de entendimento das especificações técnicas fornecidas pela Marinha, seja por contar com departamentos comerciais frágeis. Mas o contato com a Marinha não é a única dificuldade. Exigências ambientais, fiscais, exigências de ensaios e certificações também inviabilizam ou inibem a participação do pequeno fornecedor.” Ele apontou ainda a falta de comunicação entre a Marinha e os fornecedores como outro entrave. Às vezes, a Marinha abre uma licitação e não tem a participação que esperava. “Até para o pequeno fornecedor fazer chegar até nós a sua dúvida é difícil”, afirma o contra-almirante, que pretende buscar uma aproximação maior entre a Marinha e os fornecedores nacionais.

Mais encomendas

A Marinha também planeja encomendar 12 navios-patrulha oceânicos de 1,8 mil toneladas. A licitação dos três primeiros, com opção de mais dois, é estimada para junho de 2010. A confirmação, no entanto, só virá após a aprovação do novo Plano de Equipamento e Articulação da Marinha (Peamb) pelo governo federal. Os recursos financeiros deverão ser provenientes do orçamento da Marinha. Cada um deles custa cerca de R$ 230 milhões e a intenção é de que as obras, a serem executadas em estaleiros nacionais, tenham 60% de conteúdo nacional.

Construir no Brasil um navio com tal nível de sofisticação não será tarefa simples. Questionários multidisciplinares elaborados por especialistas de diversos setores da Marinha serão enviados para projetistas tradicionais interessados em fornecer o projeto. Estes projetistas devem ter condições de atender aos requisitos da Marinha e dispor de projetos executados, já em uso em outras marinhas do mundo. “De posse das respostas, três deles serão escolhidos para compor uma short list para negociarmos e escolhermos os que nos derem as melhores condições. “Diremos o que queremos e escolheremos o que se dispuser não só a fazer aqui como a ter parceria com estaleiros nacionais para prepará-los para as construções. Pretendemos, por exemplo, estabelecer uma pontuação conforme o índice de nacionalização apresentado na proposta de licitação”, detalha o contra-almirante, acrescentando ainda que a Engeprom está se capacitando para que a construção dos canhões também possa ser feita no Brasil. Cada um dos navios-patrulha oceanográficos será equipado com um canhão de 76 milímetros e duas metralhadoras de 20 milímetros.O sistema de armas destes navios representa cerca de 50% de seu custo.

Entre os poucos estaleiros que têm know how para tocar essa encomenda estão o italiano Fincantieri, o alemão Thyssen e o espanhol Navantia.

Em sua apresentação na Abimaq, o coordenador do Programa afirmou que outras embarcações previstas no PRM somam cerca de R$ 400 milhões para encomenda até 2017. São chatas de água e óleo, rebocadores de portos, agências-escolas, lanchas, botes, etc

O PRM prevê ainda a construção de cinco navios-patrulha logísticos até 2028 com previsão de início em 2010. Eles também terão projeto estrangeiro e construção no Brasil. O custo total do PRM é estimado em cerca de R$ 2,7 bilhões.

Novo estaleiro para submarinos

Em dezembro, durante visita do presidente da França, Nicolas Sarkozy, o consórcio Odebrecht e DCNS (estatal francesa com administração privada) firmaram acordo que prevê a construção de uma base naval na Ilha da Madeira, em Itaguaí (RJ). A área tem 95 mil metros quadrados e pertence à Companhia Docas do Rio de Janeiro, com quem a Marinha está negociando a cessão do terreno. A cargo desta base estará a construção de quatro submarinos de propulsão diesel-elétrica. O primeiro deve começar a ser construído no próximo ano e fica pronto até 2014, o segundo até 2016, o terceiro até 2018. A intenção da Marinha é que o último submarino convencional fique pronto em 2021.

As seções dos submarinos deverão ser construídas na Nuclep e o transporte delas até a base será feito por outra estrada a ser construída especialmente para que não seja utilizada a estrada do porto de Itaguaí.

Para possibilitar a construção da base da Marinha foram feitas modificações no projeto do porto da EBX, vizinho ao da Marinha. O projeto de ampliação do porto de Itaguaí também foi preservado.

É um projeto de € 7 bilhões e o maior empreendimento da Marinha em toda a sua existência.

O contrato com a francesa DCNS prevê que ela deverá qualificar indústrias nacionais para produção de itens menores do empreendimento. No momento está sendo montado um cadastro de empresas brasileiras que possam participar da obra.

A intenção da Marinha é que enquanto a base e os submarinos convencionais estejam em construção, seja alicerçada a base para o primeiro submarino nuclear construído no Brasil.

FONTE: Portos e Navios

 

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A aquisição de duas fragatas holandesas muito modernas com baixa assinatura radar e excelente equipamento de combate a juntar às três “Vasco da Gama” e a próxima chegada a Portugal dos dois submarinos NRP “Tridente” e NRP “Arpão” (U-209PN) vieram proporcionar à Marinha de Guerra portuguesa um excelente poder militar.

A Espanha possui armamento naval muito superior. Contudo, na leitura de certos blogs militares do país vizinho, verifica-se que está a causar um engulho muito grande a presença dos dois U-209PN (U-214) naquilo que para a Marinha espanhola foi sempre o seu mar e para os portugueses é naturalmente o mar português que se estende à vasta zona exclusiva marítima dos Açores e da Madeira. Os espanhóis escrevem algumas vezes que as águas territoriais portuguesas são a ponte marítima entre o Norte e o Sul da Espanha, sendo, por isso, vitais para os interesses castelhanos.

Além disso, para a Marinha Espanhola, Portugal foi sempre um pequeno país pobre e coitadinho, apesar de estar no trigésimo lugar entre os mais ricos per capita no Mundo num universos de quase 200 nações.
Portugal mostrou já que foi capaz de conter o défice e construir condições para o investimento público. Claro, a crise económica e financeira mundial veio alterar a situação, mas neste campo, os países mais avançados estão a sofrer muito mais que Portugal.

Não devemos esquecer que da grande crise e depressão de 1929-39 resultaram duas guerras importantes para Portugal, a guerra civil espanhola de 1936-39 e a II. Guerra Mundial de 1939-45. Em ambas, Portugal não foi envolvido porque possuía uma liderança forte e o país estava unido, mesmo que à força, mas isso blindou Portugal das influências e apetites estrangeiros que poderiam atirar o País para uma guerra que não era a sua e de que sairia sempre muito prejudicado, principalmente em vidas humanas.

Alguns sinais de uma possível ameaça espanhola começam a ser vislumbrados hoje, traduzida na forma agressiva como empresas de comunicação social, inteiramente detidas por capitais espanhóis, leia-se Prisa, procuram desestabilizar a governação portuguesa e impedir que o País venha a ser dotado de uma liderança forte que não se vergue a medos patológicos. As pátrias subsistem ao longo de séculos com sacrifícios pessoais e raramente só com benefícios imediatos. Perdida ou reduzida uma independência é que se vem a saber qual o custo dessa perda. O medo é sempre o maior inimigo de um povo.

Os dois novos submarinos serão, sem dúvida, respeitados por qualquer submarino nuclear de ataque norte-americano como os da classe “Los Angeles” muito ruidosos ou da nova classe “Virgínia” muito simplificados.
Há quem diga que duas unidades são poucas, mas a verdade é que a manutenção dos U 209PN é mais rápida e simples, como dizem os especialistas, e se o ideal de ter três unidades não foi conseguido, as duas representam já algo.

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Pelas suas características de silêncio absoluto, quase nula assinatura sonar e capacidade para navegarem em profundidade durante um largo tempo sem serem detectados por navios ou submarinos adversos, os U 209PN serão verdadeiros “guerrilheiros” do mar, temíveis por poderem atacar submarinos, navios de superfície e mesmo importantes alvos terrestres.

Curiosamente, a detecção deste tipo de submarinos por forças adversas baseia-se não na procura do ruído que não fazem, mas antes na ausência de ruído, isto é, num chamado “buraco de silêncio” relativamente ao ruído habitual dos peixes no mar, o que pode ser evitado pela emissão de ruído marítimo gravado no submarino.
Os novos submarinos poderão impedir o apoio marítimo a uma tentativa independentista dos arquipélagos da Madeira e dos Açores que poderão procurar noutros lados os apoios financeiros que o Continente pode não estar em condições de dar. E não têm faltado ameaças de, pelo menos, um governo regional.

Os EUA teriam sempre interesse numa Madeira e nuns Açores independentes que se tornariam em seus protectorados. Uma Espanha também teria o mesmo interesse, principalmente se Portugal estivesse desgovernado por falta de uma maioria parlamentar ou por lutas intestinas muito graves.

Numa situação dessas, do exterior poderia não haver invasão, mas apenas “apoio humanitário” em medicamentos e, porque não, armas como mísseis anti-navio e anti-aéreos embalados em caixotes com o emblema da Cruz Vermelha Internacional, embarcados num navio mercante. O torpedeamento ou obrigação de paragem de navios “humanitários” faria mudar a situação radicalmente sem que as marinhas estrangeiras estivessem interessadas num combate. É que os meios bélicos próprios para o combate não servem sempre para isso sob o ponto de vista político. Uma coisa é a “ajuda humanitária”, outra coisa é o combate em águas territoriais de outro país. O inverso não é o mesmo. A nação jurídica tem todo o direito de travar combate seja contra quem for no seu território ou no mar adjacente e o direito internacional não o pode impedir.

Os dois submarinos são um instrumento do direito do Estado português que pode ameaçar todo e qualquer contraventor desse mesmo direito e podem impedir a tempo uma situação do tipo Kosovo. Nenhum marinha estaria à vontade nos mares insulares, sabendo da presença de um terrível e invisível inimigo.
As forças armadas de um pequeno país destinam-se a obrigar um agressor a travar combate. Esse facto é intolerável no âmbito do direito internacional, apesar de nem sempre ser bem sucedido.

Recorde-se que apoios “humanitários” do tipo referido não têm faltado no Mundo desde 1945 até hoje.
A crescente desorganização da União Europeia devido à crise leva-nos a imaginar o seu quase desmembramento. Actualmente, cada nação trabalha por sua conta. Já não há disciplina na zona Euro e ninguém sabe o que fazer. O proteccionismo instala-se e pouco falta para surgirem apetites bélicos para desviar as atenções dos 30 a 40 milhões de desempregados que poderão ser registados até ao fim do ano corrente.

A tão morosa unidade europeia pode desaparecer de um dia para o outro e ser substituída por eixos como o de Paris-Berlim e, porque não, Paris-Berlim-Madrid. Esse sim, muito perigoso para Portugal a oeste e para a Polónia a leste.
Mesmo fora de um cenário europeu. Os dois submarinos ultra-silenciosos podem intervir para a defesa de cidadãos e interesses portugueses na Guiné, por exemplo, apesar de que as actuais fragatas serão aí suficientes como se verificou no passado relativamente recente. Mas uma unidade submarina pode fazer desembarcar mais facilmente uma pequena força de fuzileiros para libertar portugueses, salvar um chefe de Estado ou observar de perto certas situações ameaçadoras. Os dois submarinos não servem verdadeiramente como arma de agressão, mas apenas como arma defensiva e psicológica com poder real.

Num país com uma certa força aérea, a presença invisível de submarinos portugueses poderia servir também como arma psicológica na defesa de cidadãos portugueses e interesses se acontecesse uma profunda alteração política anti-Portugal ou anti-Europa.
Nessa situação, o bloqueio psicológico ou real de um porto poderia levar a soluções pacíficas sem causar vítimas ou prejuízos para ambas as partes e serenar os ânimos belicosos, fazendo imperar o bem senso e o respeito mútuo.

No contexto actual de crise económica, uma Paz tida como garantida até agora pode repentinamente deixar de o ser. Mesmo um país como Portugal não pode descurar a posse de forças verdadeiramente operacionais, mesmo que em número limitado. Mais importante que o número é, sem dúvida, a dupla operacionalidade dos homens e do material moderno.
O registo contabilístico da despesa com a compra dos dois submarinos vai afectar um pouco o défice orçamental em 2010. Como estes navios são entregues a Portugal em 2010, o Governo é obrigado, segundo o Eurostast, a registar nesse ano os 973 milhões de euros, com juros incluídos, gastos na sua aquisição. Como o custo dos submarinos representa 0,5 por cento do Produto Interno Bruto (PIB), em 2010, o défice das contas públicas aumentará de 0,4 por cento, previsto no Plano de Estabilidade e Crescimento (PEC), para 0,9 por cento.

A preço de contrato, os submarinos custaram 779 milhões de euros. Acresce 194 milhões em juros. Total: 973 milhões. Em 2010 estima-se que o PIB seja de 180 mil milhões. Assim, uma despesa de 973 milhões implica a subida do défice previsto para 0,9%. Claro, com a actual crise, as contas públicas de todos os países do Mundo, sem excepções, estão a sofrer profundas alterações.

Para o Ministro das Finanças, a alteração exigida pelo Eurostat não se pode aplicar à compra destes submarinos porque isso representaria um efeito retroactivo, dado que a decisão de Bruxelas é posterior à compra dos submarinos.

Os submarinos serão pagos ao longo de vinte anos num misto de crédito/leasing, pelo que a influência nas despesas públicas de 2010 é quase virtual.
Mas é curioso que uma empresa que adquira bens de equipamento não pode contabilizar o custo total dos mesmos num só ano, pelo terá de considerar os períodos de amortização legais que variam conforme os bens em causa. Porque razão a Comissão Europeia resolveu exigir algo de diferente?

Por Dieter Dellinger – redactor da Revista de Marinha – dedica-se à História Náutica, aos Navios e Marinha e apresenta o seu livro “Um Século de Guerra no Mar”

 

“Temos que pensar grande”. A frase foi empregada pelo ministro da Defesa, Nelson Jobim, para dar o tom das relações do Brasil com os demais países. Em entrevista de uma hora, concedida à Agência Brasil no dia em que o Ministério da Defesa completou dez anos, Jobim disse que o país tem autoridade moral perante a comunidade internacional. Leia o restante da matéria, publicada no Blog ForTe, clicando aqui.

 

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A história do setor de petróleo no Brasil apresenta duas grandes fases. A primeira foi iniciada quando o monopólio foi concedido à Petrobrás, no início dos anos 1950, após o sucesso da campanha “O Petróleo é Nosso”, uma rara situação em que as Forças armadas brasileiras e os partidos de esquerda ficaram de um mesmo lado. Essa campanha culminou na aprovação da Lei nº 2.004, em 1952, que concedeu à Petrobrás o exercício do monopólio, exceto na distribuição de derivados. Mais tarde, o monopólio da Petrobrás foi incorporado à Constituição.

Durante essa fase a Petrobrás não cumpriu a missão, para a qual foi criada, de tornar o País autossuficiente, ou até exportador de petróleo. Esse fato colocou o Brasil no Guinness Book como o único país no mundo a possuir uma empresa monopolista estatal de um produto importado. Não conseguindo ser um produtor relevante de petróleo, a estratégia foi a de transformar a empresa numa monopolista na produção de derivados de petróleo para o mercado interno. Durante essa primeira fase, foi construído praticamente todo o parque de refino da Petrobrás. Ainda nessa fase, em razão do primeiro choque do petróleo, em 1973, o governo tornou mais flexível a legislação do setor e criou os contratos de risco, que não obtiveram resultados positivos no tocante ao aumento da produção de petróleo. Somente com o segundo choque do petróleo, em 1979, foi possível viabilizar a exploração offshore na Bacia de Campos. Entretanto, a missão principal da empresa de transformar o Brasil num país autossuficiente em petróleo não foi alcançada nessa primeira fase.

A segunda fase foi iniciada com a sanção do presidente da República Fernando Henrique Cardoso da Lei nº 9.478. Para quem não se lembra, sua aprovação resultou de uma batalha ferrenha, e até emocional, entre a base de apoio ao governo Fernando Henrique e a oposição, liderada pelo PT. Essa lei deu fim ao então intocável e sagrado monopólio da Petrobrás.

Durante todo o debate que precedeu a mudança da Constituição e a posterior aprovação da Lei nº 9.478, a oposição afirmava que por trás da proposta do governo estava um plano maquiavélico de enfraquecimento da Petrobrás. Diziam os críticos da lei que, com o fim do exercício do monopólio, as grandes multinacionais do petróleo tomariam conta do setor e a Petrobrás seria sucateada e privatizada.

Nada disso aconteceu. Ao contrário do que afirmavam as pitonisas pseudonacionalistas, a Lei do Petróleo inaugurou uma fase gloriosa da Petrobrás e do setor de petróleo brasileiro. Na realidade, foi o fim da “Petrossauro”, termo cunhado pelo saudoso Roberto Campos para descrever a Petrobrás daquela época. Nessa fase foi criada a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), pela mesma Lei nº 9.478, que de forma independente regulamentou a legislação e promoveu leilões de áreas que permitiram a entrada no setor de empresas privadas, no segmento de exploração e produção. Com a nova legislação, a Petrobrás ficou mais blindada contra intervenções políticas, fez parcerias com empresas que entraram no mercado brasileiro e finalmente cumpriu a sua missão de tornar o Brasil autossuficiente em petróleo.

É sempre bom lembrar que foi graças à independência dada pelo governo federal que a ANP pôde realizar os leilões, a partir de 1998, e uma das consequências foi a descoberta do pré-sal. As áreas do pré-sal pertenciam aos chamados blocos azuis que foram devolvidos pela Petrobrás antes de se iniciarem os leilões e o regime de concessões previsto na Lei nº 9.478. No leilão de 2000, a Petrobrás, em parceria com a BG e a Petrogal, adquiriu o que é conhecido hoje como Campo de Tupi. É interessante observar que todos os campos já descobertos no pré-sal integraram os leilões da ANP e em todos a Petrobrás tem parceiros e é a operadora. À exceção do Campo de Azulão, que é operado por uma empresa privada, no caso, a Exxon-Mobil. Portanto, sem os leilões promovidos pela ANP, a descoberta da camada pré-sal, com certeza, levaria mais tempo para ser anunciada ao mundo.

Portanto, não foram o governo do PT nem a atual direção da Petrobrás que descobriram o pré-sal. A história dessa descoberta, bem como da autossuficiência, começou a se concretizar a partir do momento em que o governo brasileiro entendeu que não fazia nenhum sentido econômico deixar que uma empresa estatal assumisse o monopólio do risco de explorar petróleo. Para dar fim a essa anomalia o governo da época abriu o mercado de petróleo no Brasil, permitindo a entrada de novos investimentos beneficiando a Petrobrás, que passou a ter maior liberdade de atuação e, com o seu quadro de funcionários altamente competentes, levou a empresa a bater todos os recordes de lucro e produção de petróleo.

É uma pena que o governo insista em nos colocar no túnel do tempo e nos levar de volta aos anos 50. Vamos resistir.

Autor: Adriano Pires – diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE)
FONTE: O Estado de São Paulo

*NOTA DO BLOG:Título original do texto publicado no jornal citado. A reprodução do mesmo não necessariamente expressa a opinião no blog.

 
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