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FONTE: SeaWaves Magazine

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Hoje, no tão esperado lançamento da Strategic Defence Review, o Primeiro Ministro britânico David Cameron disse que os gastos com a Defesa do Reino Unido deverão cair 8% em quatro anos.

A RAF e a Royal Navy perderão 5.000 postos de trabalho cada, o British Army perderá 7.000 e o Ministério da Defesa (MoD) perderá 25.000 postos de trabalho civis.

O porta-aviões HMS Ark Royal terá desativação imediata e os jatos Harrier GR.7 da RAF que são operados a bordo também serão desativados. Isso significa que a Royal Navy ficará sem porta-aviões operacional até o ano 2019.

Os carros de combate serão cortados em 40% e a artilharia em 35%, mas haverá mais 12 helicópteros Chinook e sistemas de comunicação e mais dinheiros para UAVs (VANTs).

O pessoal da Marinha vai cair para 30.000 em 2015 e o número de fragatas e destróieres será reduzido de 23 para 19 em 2020.

Novos navios-aeródromo

O “Strategic Defence Review” diz que a Royal Navy terá muitas capacidades, com a Força Estratégica Trident dos submarinos “Vanguard”, um deles sempre em patrulha.

O porta-aviões da classe “Queen Elizabeth” dará a flexibilidade política e militar que o Reino Unido precisará para dar resposta a crises. Ele levará 12 JSF a bordo, mais helicópteros. O F-35 terá alcance de 700 milhas (1.100km) sobre terra e mar, com capacidade para uma vasta gama de missões.

A Royal Navy será equipada com 19 fragatas e destróieres para proteger os grupos-tarefa, incluindo os Type 45 e as futuras Type 26.

Sete novos submarinos nucleares da classe “Astute” vão contribuir para a proteção da capacidade de nuclear estratégica e dos grupos-tarefa.

O porta-helicópteros HMS Ocean ou o navio-aeródromo HMS Illustrious também deverão ser desativados, após um breve estudo, que identificará qual deles será mais adequado como plataforma de helicópteros. Um dos desativados vai para a reserva (extended readiness)

Quatro fragatas e um navio de apoio da classe “Bay” também serão desativados.

Dois ex-comandantes da Royal Navy alertaram o Governo Britânico sobre o risco de cortar a frota de Harriers GR7, antes da chegada dos jatos F-35 Joint Strike Fighters.

Os Harriers estão entre os cortes prováveis, juntamente com os jatos Tornado e vários navios da Royal Navy.

Os ex-First Sea Lords West e Sir Jonathon Band alertaram que se o Reino Unido ficar sem jatos que possam operar a partir de navio-aeródromo até a chegada dos F-35 em 2018, estará incapaz de empreender missões como a realizada em 1982 na retomada das Malvinas.

O Primeiro Ministro David Cameron interveio pessoalmente para manter os cortes do MoD abaixo de 10% e garantir que a Royal Navy receba seus dois novos navios-aeródromos da classe “Queen Elisabeth”, de 60.000t. Mas a frota de F-35 prevista deverá sofrer cortes, de 138 aeronaves para apenas 40.

Informes dizem que os cortes obrigarão o British Army a perder 7.000 homens, a RAF deverá fechar bases e a Royal Navy terá de reduzir suas escoltas de 24 para 16 navios. Fontes também sugerem que £750 milhões serão cortadas nos próximos 4 anos do orçamento para a substituição da frota estratégica de submarinos com mísseis Trident.

O chanceler George Osborne ordenou que o MoD corte pelo menos 10% do seu orçamento anual de £37 bilhões como parte do esforço para eliminar o déficit estrutural do Reino Unido, até o final do Parlamento. O secreatário da Defesa Liam Fox lutou contra os cortes e fontes do MoD dizem que um acordo foi alcançado e que ele pode funcionar.

FONTE: The Press Association

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Estivemos nos dias 14 e 15 de outubro no Seminário da Amazônia Azul, na Escola Naval, que prossegue até amanhã. O evento  reuniu autoridades civis e militares para debater as responsabilidades em proteger os interesses nacionais nas Águas Jurisdicionais brasileiras. O evento credenciou 793 participantes.

O Brasil pleiteia junto à Comissão de Limites da Plataforma Continental (CLPC) da Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar (CNUDM) a extensão dos limites de sua Plataforma Continental, além das 200 milhas náuticas (370km), correspondente a uma área de 963 mil km².

Se aceitas as recomendações da CLPC, o espaço marítimo brasileiro poderá atingir 4,5 milhões de km², uma área maior que a Amazônia Verde.

O propósito deste seminário foi divulgar e fortalecer o conceito Amazônia Azul junto a seguimentos de interesse da Sociedade, identificando as potencialidades científicas, econômicas e energéticas das Águas Jurisdicionais Brasileiras e as consequentes demandas por proteção desses interesses no mar, agora e no futuro.

As palestras abrangeram temas relacionados à segurança, às riquezas existentes e aos aspectos político-estratégicos da Amazônia Azul.

Palestras do dia 14/10

Tivemos o prazer de assistir à palestra do Almirante-de-Esquadra Mauro César Rodrigues Pereira (RM), Ex-Ministro da Marinha, que discorreu sobre os aspectos políticos e estratégicos da Amazônia Azul.

O Almirante Mauro Cesar destacou que o mar não é visto pela população, mesmo para aqueles que moram no litoral, por isso não há a devida percepção de sua importância.

Era preciso criar uma imagem para que a Sociedade percebesse essa questão e isso foi conseguido com a criação do conceito da Amazônia Azul.

Ele destacou ainda que a Marinha antecipou-se à descoberta do Pré-Sal, quando participou da Convenção da Jamaica nos anos de 1973, 1982, 1988 e 1994 e realizou o LEPLAC, que garantiu a Zona Econômica Exclusiva de 200 milhas e que hoje contém a maior parte dos poços de petróleo descobertos.

Mauro César disse que a liderança do Brasil no Atlântico Sul surge espontaneamente pela nossa competência, daí o Brasil ter sido procurado pela Namíbia para ajudar na formação da Marinha daquele país africano.

Ele também lembrou a integração da Marinha do Brasil com a Armada Argentina, a despeito da rivalidade histórica dos dois países. A operação conjunta de aeronaves das duas Marinhas na Operação ARAEX, realizada com pleno sucesso a bordo do NAeL Minas Gerais (e depois no NAe São Paulo) dependeu apenas de um acordo verbal entre os comandantes das duas Marinhas: “Qualquer dano ao navio é de minha responsabilidade, qualquer dano nas suas aeronaves é seu” – foi o acordado, disse o almirante.

Política Marítima

Mauro Cesar disse que o Brasil ainda carece de Política Marítima, que depende de sentimento e de atitude e isso não tem a ver apenas com papel, com um documento. Ele deu o exemplo da Marinha Mercante nacional, que compreende apenas 3% dos navios que transportam produtos brasileiros.

Estratégia Naval

O palestrante também detalhou a estratégia naval brasileira, que visa principalmente impedir ataques ao Continente, através da tarefas básicas do Poder Naval: Negação do uso do mar, Projeção de Poder e Controle de Área Marítima.

Esssa estratégia também visa:

  • Assegurar a liberdade de exploração do mar
  • Manter abertas as linhas de navegação
  • Assegurar a preservação ambiental
  • Manter abertas as rotas de acesso à Antártica
  • Procurar unidade de ação naval com os países do entorno do Atlântico Sul

O almirante Mauro Cesar destacou que a negação do uso do mar é geralmente violenta, contra um inimigo declarado e é feita pelos submarinos, por isso não serve para os estágios iniciais de um conflito.

Para estes, é preciso ter a capacidade de controlar área marítima, saber o que ocorre em determinada área de interesse e isso é feito primordialmente com um porta-aviões (navio-aeródromo).

Com o navio-aeródromo é possível, por exemplo atacar uma base de submarinos inimigos, limitando sua operação ou atacando uma base inimiga em território africano por exemplo ou uma ilha oceânica que esteja sendo usada para atacar o Brasil.

Por isso a Marinha do Brasil precisa de navio-aeródromo e de uma força de Fuzileiros Navais.

Mauro César disse ainda que o Brasil precisa de navios de guerra em quantidade e de apoio aéreo aproximado, para realizar plenamente as missões de controle de área marítima, para manter abertas as linhas marítimas e o acesso à Antártica.

O Brasil ainda não possui uma Marinha Mercante própria expressiva, mas quando tiver, necessitará de capacidade para protegê-la em locais distantes, como no Golfo de Áden.

O almirante destacou também a unidade de ação naval com outras Marinhas, para o uso político do Poder Naval, a fim de mostrar que o Brasil tem capacidade de se defender e que também tem capacidade de ajudar países mais fracos, se necessário.

Mauro César encerrou dizendo que o Poder Naval é uma ferramenta para ser usada no jogo político internacional e que apesar de estarmos desabituados a ter ações militares no Atlântico Sul, quanto mais capacitados formos, menos problemas nossos diplomatas terão.

O Sistema de Gerenciamento da Amazônia Azul

O vice-almirante Elis Treidler Öberg, Diretor de Sistemas de Armas da Marinha, apresentou a palestra “O Sistema de Gerenciamento da Amazônia Azul (SisGAAz)”.

Antes de entrar no assunto propriamente dito, ele citou o Ciclo OODA de John Boyd, mostrando a aplicação do mesmo em operações navais. O Ciclo de OODA pode ser aplicado para antecipar-se ao inimigo e tomar decisões mais rápidas, que obriguem o inimigo a ter que tomar outras decisões e atrase sua ação.

Segundo o almirante Öberg, o SisGAAz será um conjunto de diversos sistemas que nós já temos hoje e vai possibilitar um total conhecimento sobre o que se passa na superfície, na subsuperfície e no espaço aéreo das águas jurisdicionais brasileiras e em boa parte do Atlântico Sul.

O SisGAAz visa monitorar a Amazônia Azul e prover dados para o comando e controle na defesa das plataforma de petróleo, portos e ilhas e vias marítimas.

Ele vai ser implementado por fases, sendo a primeira o delineio da arquitetura, que já está sendo feito e que será integrar toda uma série de sistemas que a Marinha já opera e, posteriormente, agregará uma série de sensores e veículos aéreos não tripulados.

O SisGAAz será integrado ao SisFron do EB e ao Sisdacta da FAB e integrará com link de dados navios, aeronaves e submarinos. Mais tarde se prevê a instalação de radares costeiros, radares OTH, satélites e UAS.

Luiz Padilha, VA Elis Treidler Öberg e Alexandre Galante no Seminário da Amazônia Azul

Palestras do dia 15/10

Comandante-Geral do Corpo de Fuzileiros Navais Almirante-de-Esquadra (FN) Alvaro Augusto Dias Monteiro e Embaixador Samuel Pinheiro Guimarães

A primeira palestra da manhã foi proferida pelo Ministro da Secretaria de Assuntos Estratégicos, Embaixador Samuel Pinheiro Guimarães. Ele destacou que se o Brasil não cooperar com os países africanos, sobretudo os da África Ocidental, outros países o farão, como a China, que já está penetrando na África com grande velocidade.

Às 11h30 começou a palestra mais esperada pela equipe do Poder Naval, proferida pelo Comandante-Geral do Corpo de Fuzileiros Navais, Almirante-de-Esquadra (FN) Alvaro Augusto Dias Monteiro, intitulada “O Emprego do Poder Naval na Defesa da Amazônia Azul”.

O almirante Alvaro Augusto começou citando os versos de Machado de Assis, do “Hino Patriótico” de 1863, que surgiu na Questão Christie, quando o Brasil rompeu relações diplomáticas com a Grã-Bretanha, depois que esta apresou cinco navios-mercantes brasileiros:

Brasileiros! Haja um brado
Nesta terra do Brasil
Antes a morte de honrado
Do que a vida infame e vil

Alvaro Augusto prosseguiu afirmando que o Brasil historicamente sempre teve dificuldade de manter um Poder Naval adequado às suas necessidades e aspirações.

Deu o exemplo do ambicioso Programa Naval Júlio de Noronha de 1904, que depois foi modificado pelo Almirante Alexandrino, para compra dos encouraçados “Dreadnought”, Minas Gerais e São Paulo.

Apesar da aquisição dos poderosos “Dreadnought”, a Marinha não comprou um navio carvoeiro para reabastecê-los, o que limitava seriamente sua autonomia. (Lembramos imediatamente que a Marinha atual tem o mesmo problema, com um navio-tanque apenas em operação).

O almirante chamou a Amazônia Azul de nosso “Mar Patrimonial”, nosso “Território Imerso” e definiu o conceito de Dissuasão: “Dissuadir é estar preparado para combater”. Ele disse também que o Atlântico Sul é o nosso “Mar Presencial”, que o Brasil precisa exercer a presença do Poder Naval em todo o Atlântico Sul.

Isso é necessário porque os países africanos da Costa Ocidental da África possuem instituições fracas e pequeno poder militar, com exceção da África do Sul, cuja Marinha opera em estreita colaboração com a MB. A China avança sobre a África vorazmente e 6% do petróleo mundial sai de Angola.

Além disso, duas Marinhas da OTAN estão presentes no Atlântico Sul, a Royal Navy com suas ilhas oceânicas e a US Navy, que divide a Ilha de Ascensão com o Reino Unido.

Para isso, o Poder Naval precisa apresentar as seguintes características:

  • Credibilidade
  • Meios adequados
  • Capacidade de operar os meios adequadamente
  • Firme determinação de empregá-los

O almirante citou Geoffrey Till e as hipóteses de conflitos marítimos: os decorrentes de recursos do mar, criminalidade marítima, exaustão de recursos do mar e envolvimento inadvertido.

O almirante Alvaro Augusto mostrou os diferentes empregos do Poder Naval e citou a Guerra das Malvinas, que segundo alguns, poderia ter sido evitada se os ingleses tivessem usado a Diplomacia Naval, para inibir a ação militar argentina.

Ele deu o exemplo também da Diplomacia Naval usada pelo Brasil, quando nossa Marinha resolveu enviar uma Força Tarefa com 2 cruzadores e 3 contratorpedeiros à Angola, para apoiar Portugal, em 1967.

Por problemas de manutenção nos navios, só chegaram a Luanda apenas um cruzador e um contratorpedeiro, o que decepcionou a população local. A presença não foi conforme a propaganda. O almirante frisou: “não se blefa com o Poder Naval!”.

Alvaro Augusto também citou a Guerra da Lagosta, quando o Brasil enviou sua Esquadra para o Nordeste em 1963, após a França resolver enviar um destróier para proteger pesqueiros franceses que pescavam Lagosta na plataforma continental brasileira. A presença da Esquadra Brasileira obrigou os franceses a negociar e retirar seus pesqueiros.

Citando o almirante russo Gorshkov, lembrou: “Esquadras evidenciam o real poder de combate do Estado” (The Sea Power of the State).
O almirante também destacou a importância dos Fuzileiros Navais para o estabelecimento do Controle de Áreas Marítimas, para a condução de operações fora da área que se deseja controlar: conquista de áreas terrestres que controlam áreas de trânsito ou onde estão localizadas bases inimigas; ataques às forças inimigas em suas bases; operações de bloqueio; e destruição dos meios navais inimigos em alto-mar. Em boa parte dessas operações, as Forças Anfíbias estariam aptas a desenvolver um papel de fundamental importância.

Ele deu como exemplo que uma unidade anfíbia dos EUA leva 2.200 Marines, enquanto todos os navios anfíbios brasileiros só podem levar no máximo 1.200 homens (1.500 no máximo). Mas fez a seguinte ressalva: “quem embarca fuzileiro como gado, depois não pode cobrar que o gado se comporte como fuzileiro”. E completou: “Também não se pode dar muito conforto para o fuzileiro, senão ele perde a rusticidade”, brincou.

Segurança Marítima

O almirante lembrou que a Estratégia Nacional de Defesa preconiza a intensificação das parcerias estratégicas com os países de Língua Portuguesa (CPLP).

Disse ainda que a o Golfo da Guiné rivaliza com a Somália em termos de pirataria e que existe um movimento de separação da Nigéria no Delta do Níger.

Por essas razões, é necessária a diplomacia naval brasileira na Costa Ocidental Africana, para fazer parecerias com aqueles países.

Quebra de Paradigma

O almirante Alvaro Augusto destacou que a Marinha do Brasil não possui um Poder Naval insignificante no Atlântico Sul, e que temos uma das poucas marinhas que operam aeronaves de asa-fixa em navio-aeródromo. Porém, não estamos conseguindo manter este Poder Naval.

Ele disse que o modelo de manutenção dos navios de guerra brasileiros está exaurido e que a iniciativa privada precisa assumir algumas funções através de parcerias ou concessões para resolver o problema da manutenção. Em pergunta feita pelo Poder Naval depois da palestra, ele disse que descarta a simples “privatização” do AMRJ.

O almirante Alvaro Augusto encerrou dizendo que “não podemos pensar na Marinha do Futuro, anulando a Marinha do Presente”.

Ministro da Defesa

O Ministro da Defesa Nelson Jobim encerrou o seminário com a palestra “Nova Defesa” na qual destacou as mudanças realizadas na estrutura do Ministério e o Reaparelhamento das Forças Armadas. Para baixar a apresentação da palestra, clique aqui.

Jobim repetiu em linhas gerais o que disse em Lisboa, em palestra no Instituto Nacional de Defesa, que vê com reservas, quaisquer iniciativas que procurem, de alguma forma, associar o Norte do Atlântico ao Atlântico Sul – sendo o sul, área geoestratégica de interesse vital para o Brasil. Segundo ele, as questões de segurança das duas metades desse oceano são distintas.

Para Jobim, depois da Guerra Fria, a Otan passou a servir de instrumento de seu membro exponencial, os EUA, e dos aliados europeus. Por meio do novo conceito da aliança, divulgado em 1999, a força pode intervir em qualquer parte do mundo a pretexto de ações antiterror ou humanitárias, e de contenção às ameaças à democracia ou nas agressões ambientais.

BATE-PAPO ONLINE: Converse com os editores e outros leitores sobre este tema, no ‘Xat’ do Poder Naval, clicando aqui.

Alvo na fronteira do Líbano

Coluna do Cláudio Humberto

A Marinha do Brasil estuda enviar em fevereiro 150 fuzileiros navais para a “força de paz” da ONU numa das regiões mais perigosas do planeta: a “linha azul”, que separa Israel da área controlada, no Líbano, pelos terroristas do Hezbollah. A missão na Unifil (versão libanesa da Minustah, no Haiti) começa em dezembro, com o envio de um almirante e seu estado maior – quatro oficiais superiores e ajudantes suboficiais.

Bucha de canhão

O Brasil foi convidado para a “força de paz” no Líbano após a Itália anunciar que abandonaria a área e a Indonésia declinar da “honraria”.

Petição de miséria

A Marinha do Brasil, que já planeja a missão, não enviará ao Líbano navios operacionais, porque é péssimo o estado da nossa Força Naval.

Corpos em sacos

“Se houver essa missão no Líbano, logo teremos corpos em sacos de plástico voltando ao País”, adverte veterano oficial superior da Marinha.

Inferno na terra

O mais recente conflito entre tropas israelenses e terroristas, na “linha azul”, no início de agosto, matou soldados “boinas azuis” e feriu civis.

FONTE: Tribuna do Norte

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Roberto Godoy - O Estado de S.Paulo

O ministro da Defesa, Nelson Jobim, disse ontem, em Lisboa, em palestra no Instituto Nacional de Defesa, que vê “com reservas, quaisquer iniciativas que procurem, de alguma forma, associar o Norte do Atlântico ao Atlântico Sul – sendo o sul, área geoestratégica de interesse vital para o Brasil”. Segundo ele, “as questões de segurança das duas metades desse oceano são distintas”.

Para Jobim, depois da Guerra Fria, a Otan “passou a servir de instrumento de seu membro exponencial, os EUA, e dos aliados europeus”. Por meio do novo conceito da aliança, divulgado em 1999, a força pode intervir em qualquer parte do mundo a pretexto de ações antiterror ou humanitárias, e de contenção às ameaças à democracia ou nas agressões ambientais.

FONTE:  O Estado de São Paulo

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O Brasil será a sede da Conferência Naval Interamericana (CNI), o mais importante fórum entre as Marinhas americanas, sobre assuntos ligados ao mar. A 24ª edição da CNI, que também é a edição comemorativa dos 50 anos dessa Conferência, ocorrerá entre os dias 13 e 17 de setembro, na cidade do Rio de Janeiro (Hotel Windsor – Barra), e será organizada pela Marinha do Brasil – representante do País na Conferência.

Criada em 1959, com o propósito fundamental de estimular os contatos profissionais permanentes entre as Marinhas dos países participantes, a CNI proporciona um foro para intercâmbio de ideias, conhecimentos e entendimento mútuo dos problemas marítimos que afetam o Continente Americano.

As Marinhas dos seguintes países participarão da 24ª CNI: Argentina; Bolívia; Brasil; Canadá; Chile; Colômbia; Equador; El Salvador; EUA; Honduras; México; Nicarágua; Panamá; Paraguai; Peru; República Dominicana e Venezuela. Além desses 17 países, as delegações da Junta Interamericana de Defesa (JID) e da Rede Naval Interamericana de Telecomunicações (RNIT) confirmaram as suas presenças.

Durante a Conferência, serão debatidos diversos temas de interesse naval, sendo o tema oficial da 24ª CNI: “A Segurança Marítima Interamericana: a consciência do domínio marítimo regional e mecanismos para seu fomento; o emprego do Poder Naval na segurança marítima e na defesa dos recursos naturais; e as questões do ordenamento jurídico”.

Mais detalhes, como a programação e outros temas a serem discutidos na 24ª CNI, podem ser conhecidos no sítio do evento.

FONTE:
Marinha do Brasil

 

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou ontem um pacote de medidas de agrado ao ministro Nelson Jobim. A sanção da lei complementar 97 reestrutura o Ministério da Defesa e dá poder de polícia à Marinha e à Aeronáutica nas fronteiras, a exemplo do que o Exército já possui.

O pacote amplia os poderes do ministro da Defesa, que passa a indicar ao presidente da República os comandantes das Forças – antes ele só era ouvido. A nova lei cria o Estado Maior de Defesa Conjunta, cargo para o qual Jobim nomeou o general da reserva gaúcho José Carlos de Nardi, que terá nível hierárquico equivalente ao de coma1212ndante das Forças Armadas e será responsável pela coordenação de ações do ministério, como as ações de militares brasileiros no Haiti.

Além do decreto aprovando a nova estrutura militar de defesa, que cria o Estado Maior de Defesa, o presidente assinou medida provisória criando duas novas secretarias na pasta. A primeira cria a Secretaria de Produtos de Defesa, que definirá a política de compras das Forças Armadas e a política relativa aos equipamentos das três Forças, dentro da Estratégia Nacional de Defesa.

As compras normalmente são feitas em cada Força e um dos objetivos da nova política é ampliar a participação do setor civil e da indústria nacional da produção de materiais de defesa. Foi criada ainda a secretaria de pessoal, ensino, saúde e desporto.

Mais cargos. Lula também encaminhou ao Congresso projeto que cria 647 novos cargos na Defesa. Os titulares das duas secretarias ainda não foram escolhidos. De acordo com a Defesa, a nova estrutura representará gasto adicional de R$ 18,9 milhões ao ano na folha de pagamentos do ministério.

Em seu discurso, Lula elogiou os comandantes militares que souberam compreender a importância das mudanças e comentou que esperava maior debate no Congresso sobre as alterações propostas na legislação e que houvesse mais resistência.

“Quero agradecer ao Congresso pela rapidez com que foi feita a mudança; às Forças Armadas, pela compreensão de que ninguém queria diminuir o papel de nenhuma das Forças. Pelo contrário, o que nós queríamos era fazer uma inovação na forma de entender a questão da Defesa no Brasil”, comentou Lula, ao defender a importância do reequipamento das Forças Armadas.

Lula acrescentou: “Com a descoberta do pré-sal, sabemos o que precisamos reestruturar a Marinha, para que ela possa tomar conta de um patrimônio que a gente ainda não tem dimensão de quanto é. É incalculável, a gente não sabe se tem 8 ou 80 bilhões de barris, a gente não sabe o conjunto da obra que Deus deixou preparado, quando permitiu a divisão do continente, a separação.”

FONTE: O Estado de S. Paulo – 26/08/2010

Anúncio da implantação da 2ª Esquadra era esperado, mas base deve ficar no Maranhão

O Ministério da Defesa cancelou, ontem à tarde, em telefonema de Brasília para a Seccional da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) no Pará, a visita que o ministro Nelson Jobim faria nesta segunda-feira (16) a Belém. O ministro viria falar sobre o Plano Nacional de Defesa e a implantação da 2ª Esquadra da Marinha do Brasil na Região Amazônica.

No telefonema, a assessoria do ministro alegou como justificativa para a suspensão da viagem uma cirurgia de catarata a que Nelson Jobim precisaria ser submetido. A razão, porém, deve ser bem outra, e está provavelmente associada à decisão, que agora já se acredita formalmente tomada, de levar para o Estado do Maranhão a base naval da Segunda Esquadra.

Esta era, desde o início, a expectativa de setores do Comando da Marinha e do próprio Ministério da Defesa. O Governo do Estado do Maranhão, aliás, já vem considerando há meses a escolha de São Luís como fato consumado.

A decisão do cancelamento, porém, foi uma surpresa. Entre outros motivos, porque uma equipe de assessores do ministro já estava ontem em Belém para acertar detalhes da viagem e do programa que ele deveria cumprir na capital paraense.

Uma condição imposta pela equipe precursora do Ministério da Defesa foi muito mal recebida pelos dirigentes das instituições que aqui deveriam recebê-lo. Certamente cumprindo ordens expressas de Brasília, eles impuseram como exigência que Nelson Jobim seria o único a usar a palavra.

Ocorre que são muitas as entidades que, no Pará, vêm participando de debates e estudos em defesa da escolha do Pará como sede da futura Base Naval da Marinha. Entre outras, participam do grupo de trabalho a OAB, a Federação das Indústrias (Fiepa), a UFPA, o Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (Crea) e a Comissão Pró-Base do Arquipélago do Marajó.

O professor Hito Braga de Moraes, docente e pesquisador da Faculdade de Engenharia Naval da UFPA, tinha pronto um estudo que seria entregue ao ministro mostrando a viabilidade da escolha de Belém como sede da Base Naval da 2ª Esquadra. Agora, não se sabe sequer se o estudo chegará às mãos do ministro a tempo de influenciar na escolha.

O estranho cancelamento de sua viagem a Belém, na última hora, sugere que não, e indica que todo o trabalho resultou em vão. Os maranhenses ganharam. O Pará, mais uma vez, perdeu.

FONTE: Diário do Pará

 

O almirante Julio Soares de Moura Neto, comandante da Marinha do Brasil, está visitando a Índia entre 8 e 13 agosto de 2010, a convite do Almirante Nirmal Verma, Comandante do Estado-Maior da Marinha da Índia.

Esta é a primeira visita do Comandante da Marinha do Brasil àquele país. Durante sua visita a Nova Deli, o almirante Moura Neto teve discussões com o almirante Nirmal Verma e fez contatos de cortesia com o Ministro da Defesa Rajya Raksha Mantri Shri MM Pallam Raju, o Comandante da Força Aérea, Air Chief Marshal PV Naik e com o Comandante do Estado-Maior do Exército, VK Singh.

As discussões entre os dois almirantes cobriram as áreas de interesse comum relativas à segurança marítima, operações e interoperabilidade, design e fabricação de navios e a operação que será realizada em setembro próximo entre as Marinhas do Brasil, Índia e África do Sul (IBSAMAR, segunda edição), ao largo da costa da África do Sul.

Este exercício trilateral foi iniciado como resultado do IBAS (Fórum de diálogo em nível ministerial Índia, Brasil, África do Sul).
Além de Delhi, o Almirante Moura Neto também irá visitar o Comando Naval Ocidental em Mumbai.

FONTE: Sandeep Unnithan, correspondente do Poder Naval na Índia / FOTOS: Indian Navy

NOTA DO EDITOR:  Uma aproximação maior entre as Marinhas do Brasil e da Índia poderá trazer bons frutos, já que a última possui vários programas interessantes, como o submarino nuclear próprio, o novo navio-aeródromo Vikrant (baseado no Cavour italiano) e o jato Tejas Naval.

Daniella Jinkings

O Brasil pretende desenvolver ações de exploração mineral no Oceano Atlântico em parceira com a Nigéria. O acordo de cooperação militar firmado nesta quinta-feira (22) entre o ministro da Defesa, Nelson Jobim, e ministro da Defesa da Nigéria, príncipe Adetokunbo Kayode, pretende aprofundar as relações entre os dois países.

De acordo com o Ministério da Defesa, a Nigéria tem interesse em estreitar as relações com a Marinha brasileira, especialmente com a Empresa Gerencial de Projetos Navais (Emgepron). Além disso, o país africano também demonstrou interesse pelas lanchas escolares desenvolvidas pela Marinha, que transportam crianças de áreas ribeirinhas para escolas públicas da Região Norte.

O ministério informou ainda que Jobim conversou com diversos países africanos sobre a necessidade de atuar em conjunto na Organização das Nações Unidas para evitar que, quando forem concedidos os direitos de mineração em águas internacionais do Oceano Atlântico, as rotas de navegação que ligam a América do Sul à África não sejam prejudicadas.

O principal temor, segundo o Ministério da Defesa, é que os países mineradores criem áreas de exclusão sobre as áreas de mineração e obriguem os navios mercantes a fazerem voltas desnecessárias, o que encareceria o frete e, consequentemente, o preço das mercadorias.

FONTE: Agência Brasil

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Submarino alemão causa polêmica na Grécia

Alemães pressionam os gregos a cortarem gastos, mas se recusam a cancelar ou dar desconto em encomenda

Depois de pressionar a Grécia para cortar seu orçamento, gastos sociais, modificar suas leis trabalhistas e ainda aumentar a idade de aposentadoria para receber ajuda, a Alemanha se vê em meio a uma polêmica. O país vem se recusando a cancelar ou até mesmo dar um desconto na venda de submarinos que o governo grego havia encomendado da indústria bélica alemã.

Nos últimos meses, a Grécia, por causa de sua dívida pública, colocou toda a zona do euro em estado de alerta, ameaçando a estabilidade da moeda única e já gerando o temor de uma contaminação de economias como da Espanha, Portugal, Irlanda e até Itália. Para receber um pacote da UE e do Fundo Monetário Internacional, a Grécia foi obrigada a promover uma ampla reforma de seu sistema de pensões, cortar gastos de forma profunda e rever todas suas contas. Só então a chanceler alemã, Angela Merkel, aceitou sair em socorro dos gregos.

Agora, porém, são os partidos de oposição na Grécia e dezenas de sindicatos de trabalhadores afetados pelos cortes que se queixam. E os ataques vão exatamente contra a Alemanha. Em março deste ano, em plena crise da dívida, a Grécia fechou um acordo com a Alemanha para a compra de dois submarinos militares equipados pela Siemens. O valor chegou a 1,3 bilhão. Isso, sem contar com outros 1,2 bilhão de um outro contrato que já havia sido fechado com os americanos para a compra de caças. A informação foi divulgada pelo jornal Wall Street Journal no início da semana e gerou um verdadeiro terremoto político nos bastidores do poder na Europa.

Enquanto era obrigada a cortar gastos em 30 bilhões e lutava para receber um pacote de 110 bilhões para rolar sua dívida, o governo aproveitou encontros com o presidente francês Nicolas Sarkozy para negociar a compra de seis fragatas por 2,5 bilhões. Juntas, as compras de alemães e franceses totalizam 2% do PIB grego.

Incentivo. Situada numa região estratégica da Europa e próxima ao Oriente Médio, a Grécia foi sempre incentivada pelos seus parceiros da OTAN a manter um exército de ponta. Mas, com a crise, agora nem todos estão de acordo. “Estamos sendo pressionados a concluir acordos que nunca de fato desejamos. A Grécia não precisa de novas armas”, afirmou há poucos dias o vice-primeiro-ministro grego, Theodore Pangalos.

O debate ainda reforçou a ideia de alguns setores dos exércitos europeus de que uma forca Pan-Europeia deveria ser criada, pelo menos para coordenar a venda de equipamentos. O próprio Partido Verde alemão chegou a apelar para que o contrato fosse revisto. Mas Berlim insiste que os dois assuntos ? a crise da dívida e a compra de armas ? são temas separados na agenda bilateral.

O acordo com os alemães acabou gerando protestos de dentro da própria marinha grega, com oficiais pedindo demissão de seus cargos. Com uma dívida equivalente a 120% do seu PIB, a Grécia mantém um dos gastos militares mais elevados entre os 27 países da UE. Mais de 3,5% do PIB vai para a indústria de armamento, contra menos de 2% na média europeia. Já na Alemanha, a indústria que produz os submarinos vendidos para os gregos emprega 1,2 mil pessoas e depende exclusivamente de suas exportações para continuar sobrevivendo.

FONTE: O Estado de São Paulo (reportagem de Jamil Chade), via sinopse do Itamaraty

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Pré-sal: divisão dos lucros não é tudo

vinheta-clipping-navalO senador Roberto Cavalcanti (PRB-PB) afirmou nesta terça-feira (8) que, ao discutir a exploração de petróleo na camada pré-sal, os parlamentares precisam estar atentos não só para a divisão dos lucros, mas também a questões como a soberania nacional na região e a segurança dos trabalhadores que vão atuar nas plataformas.

Roberto Cavalcanti disse que em ambos os casos a Marinha é fundamental e precisa ter recursos financeiros suficientes para se equipar e atuar na região. Ele pediu que os relatores dos projetos que regulamentam a exploração do petróleo no pré-sal fiquem atentos à questão e garantam recursos para que a Marinha possa equipar-se para a tarefa.

- Para desencorajar e enfrentar ameaças é preciso garantir à Marinha do Brasil equipamentos adequados para operar na região – ressaltou.

O senador disse que o Brasil precisará se preocupar, por exemplo, com a possibilidade de ações de pirataria e terrorismo. O parlamentar também lembrou a dificuldade das equipes de socorro em situações graves em alto mar, como no acidente que ocorreu na plataforma P36 e nas buscas aos restos do avião da Air France, que caiu próximo a Fernando de Noronha, cerca de um ano atrás.

- Se ocorrerem acidentes graves na área do pré-sal, também caberá a Marinha fazer o socorro – alertou.

FONTE: Agência Senado

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Afirmação foi feita por escritor russo em livro

Barra de Cinco Pixels

HMS-Sheffield-51

vinheta-especialJá era de conhecimento geral de que a Argentina obteve ajuda dos soviéticos durante a Guerra das Falklands/Malvinas. Mas agora começam a surgir mais detalhes sobre esta história.

Recentemente o escritor russo Sergey Brilev, filho de um diplomata soviético que morou em diversos países da América do Sul, lançou o livro “Fidel, futebol e as Malvinas”. Aos 10 anos de idade Brilev morava no Uruguai quando os argentinos desembarcaram nas Malvinas. Esta história, e o envolvimento de seu país no conflito, sempre o intrigaram.

Brilev procurou os arquivos de Moscou, mas foi barrado por ser “informação classificada”. Tentou então contactar alguns oficiais soviéticos que serviram no início da década de 1980. General Nikolai Leonov, da KGB, e General Valentin Varennikov, membro das forças soviéticas em Moscou, confirmaram o envio de informações para os argentinos durante o conflito.

Em seu livro, Brilev afirma que os argentinos foram capazes de localizar o contratorpedeiro HMS Sheffield graças à informação obtida pelos satélites de espionagem soviéticos em órbita sobre o Atlântico Sul. A versão oficial dos fatos sempre foi a de que um Lockheed P2V Neptune teria detectado a escolta da Royal Navy. A idade avançada e os problemas de manutenção dos Neptune sempre colocaram em cheque esta versão dos fatos. O autor do livro também afirma que o afundamento do RFA Atlantic Conveyor deveu-se às informações obtidas através do satélite Kosmos-1365.

SP-2H neptune

Segundo o autor a ajuda dos soviéticos foi mais além. Um avião de vigilância marítima Tu-95 ‘Bear’ seguiu a frota britânica entre a costa francesa e a linha do Equador. Em algumas oportunidades a aeronave voou a 30/40 metros de altitude. Esta informação foi confirmada pelo coronel Georguiy Bulbenkov, então piloto da aeronave.

Mas a decisão de ajudar os argentinos aparentemente não veio das altas esferas do poder central de Moscou. Brilev entrevistou nada menos que Mikhail Gorbachov, na época um dos cabeças do Partido Comunista Soviético. Gorbachev foi claro, nunca houve uma decisão central do partido em ajudar a junta militar argentina. O autor conclui que esta foi uma decisão dos próprios generais.

Brilev lembra que o Uruguai e a Argentina foram os únicos dois países sul-americanos que não se juntaram ao embargo comercial, liderado pelos EUA, contra os soviéticos em 1979 quando o Afeganistão foi invadido. O militares ficaram muito agradecidos com o não alinhamento destes países.

FONTE: Mercopress

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Okinawa-2

vinheta-clipping-naval O premiê japonês, Yukio Hatoyama, anunciou na manhã de hoje (local) que vai renunciar ao cargo em meio ao aumento das pressões devido à decisão de ceder ao governo EUA e aceitar manter base na ilha de Okinawa.

Com a decisão, Hatoyama abre caminho para que um correligionário o substitua como líder do PDJ (Partido Democrata do Japão) e, consequentemente, como premiê, sem a necessidades de convocar de novas eleições.

Ontem, analistas apontavam o ministro das Finanças, Naoto Kan, como o mais provável novo premiê japonês.

Hatoyama anunciou ainda que seu número dois, Ichiro Ozawa, também renunciará.

A medida do premiê é vista como uma tentativa de melhorar as perspectivas do seu partido no pleito para a Câmara Alta em 11 de julho.

No domingo, o líder já havia sofrido uma primeira baixa com a saída da coalizão do Partido Social-Democrata em protesto à decisão de manter a base americana. Na sexta, uma ministra do partido fora demitida pelo líder japonês.

OKINAWA

Okinawa-1Hatoyama, que assumiu em setembro de 2009 encerrando meio século de domínio quase ininterrupto do tradicional PLD (Partido Liberal Democrata, direita), será o quarto premiê japonês a renunciar no seu primeiro ano de governo em quatro anos.

O último mandatário a ficar mais tempo no cargo foi o Junichiro Koizumi, que exerceu o cargo de 2001 a 2006.

A pressão pela renúncia de Hatoyama vinha aumentando nos últimos meses devido à sua incapacidade de promover a renovação política e recuperação econômica, mas sobretudo devido a sinais de que não conseguiria cumprir a promessa de remover a base americana em Okinawa.

Se tornou, porém, insustentável depois que, na última sexta-feira, o premiê anunciou oficialmente que o posto militar será apenas transferido para uma região menos povoada da ilha, seguindo termos de um acordo negociado há quatro anos.

O posto militar na ilha no sul abriga 75% dos cerca de 47 mil soldados americanos baseados no país -ainda um resquício da Segunda Guerra- e é extremamente impopular na população do local.

Nos últimos dias, Hatoyama vinha tentando justificar a manutenção da forte presença dos EUA com o aumento da tensão entre as Coreias. Mas não conseguiu conter a queda de sua popularidade.

FONTE:
Folha de São Paulo, via Resenha do EB/France 24

 

USS Harry S. Truman (CVN 75)

O site DEBKAfile informou que a administração Obama vai enviar o navio-aeródromo USS Harry S. Truman para reforçar as unidades já em operação no Mediterrâneo e no Golfo Pérsico.

O navio vai capitanear o Carrier Strike Group 10, que vai zarpar de Norfolk no próximo dia 21 de maio.

Quando chegar na área de operações, o USS Harry S. Truman se somará a outro navio-aeródromo que está no local, o USS Dwight D. Eisenhower, que reforça a pressão diplomática com Teerã.

Pela primeira vez um navio de guerra alemão fará parte de uma força-tarefa americana em oposição ao Irã, a FGS Hessen, que ficará sob comando americano.

Segundo o site, fontes militares americanas disseram que o Pentágono planeja ter até agosto, de 4 a 5 navios-aeródromos na área.

O USS Truman leva a Carrier Air Wing Three (Battle Axe), com 7 esquadrões: 4 de F/A-18 Super Hornet e F/A-18 Hornet, um de E-2 Hawkeye, o Electronic Attack Squadron 130 de guerra eletrônica e o Squadron 7 de helicópteros antissubmarino.

Outros quatro navios se juntarão ao Strike Group do Truman: cruzador USS Normandy e destróieres USS Winston S. Churchill, USS Oscar Austin e USS Ross.

O Truman Strike Group vem há quatro meses treinando para as missões no Golfo Pérsico e no Mediterrâneo.

NOTA DO PODER NAVAL: o pessoal da Marinha dos EUA gosta de chamar os porta-aviões da classe “Nimitz” de “90.000 toneladas de diplomacia”.

SAIBA MAIS:

Sem conseguir convencer o Ministério do Planejamento a descontingenciar R$3,1 bilhões do seu orçamento, a Marinha enviou ontem ao Congresso uma força-tarefa a fim de obter a liberação de R$1,5 bilhão para a compra do submarino nuclear (sic) francês Scorpene. Para evitar o calote, o Comando remanejou de outras áreas R$1 bilhão e, em maio, terá de desembolsar mais R$500 milhões. Se não pagar, a multa é de R$160 milhões.

FONTE: Coluna Panorama Político, O Globo

 

Trechos da parceria estratégica Brasil-Itália

FREMM

O texto integral do acordo é um tanto extenso para ser colocado aqui, na íntegra, mas pode ser acessado diretamente no site do Ministério das Relações Exteriores, clicando-se aqui.

Selecionamos, abaixo, trechos relativos à Defesa, destacando especialmente os ligados à Marinha do Brasil.


“Ato assinado pelo Presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pelo Presidente do Conselho de Ministros da Itália, Silvio Berlusconi.

Washington, 12 de abril de 2010.

PARCERIA ESTRATÉGICA ENTRE A REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL E A REPÚBLICA ITALIANA

PLANO DE AÇÃO

O Presidente da República Federativa do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva,

e

O Presidente do Conselho dos Ministros da República Italiana, Silvio Berlusconi,

Considerando os sólidos e tradicionais laços de amizade que unem o Brasil e a Itália, fortalecidos no decorrer do tempo pela presença significativa no Brasil de uma ampla comunidade de origem italiana;

Reiterando a disposição conjunta de trabalhar em estreita articulação em prol da paz e da segurança internacionais, do respeito aos direitos humanos, do fortalecimento do multilateralismo, da conservação do meio ambiente, do desarmamento e não-proliferação e da promoção do desenvolvimento com justiça social;

Renovando a disposição de aprofundar o diálogo político no âmbito da parceria privilegiada entre o Brasil e a Itália, doravante denominados as “Partes”;

Reafirmando o empenho de ampliar e diversificar o comércio Brasil-Itália, a cooperação industrial e o fluxo de investimentos bilaterais;

Cientes das vantagens e benefícios mútuos derivados da cooperação das respectivas indústrias nacionais;

Decidiram adotar o presente Plano de Ação com vistas ao aprofundamento da parceria estratégica Brasil-Itália:

(…)

IV – Cooperação em matéria técnico-militar e de defesa

Brasil e Itália recordam que a celebração conjunta, em Pistóia e demais cidades italianas, em abril de 2010, do 65º aniversário da campanha da Força Expedicionária Brasileira no teatro italiano de operações, durante a Segunda Guerra Mundial, é emblemática da amizade e da solidariedade entre o Brasil e a Itália e do apego de ambos os países aos valores da paz e da democracia.

As Partes registram a satisfação mútua pelos resultados do Programa AM-X de desenvolvimento, instalação e produção de aeronaves e os benefícios decorrentes da cooperação técnica e do intercâmbio bilateral do Programa para eventuais futuras colaborações no setor aeroespacial.

As Partes destacam a relevância do Acordo assinado pelo Estado-Maior do Exército Brasileiro com uma empresa italiana para a produção, em regime de parceria com a indústria brasileira, de dois mil e quarenta e quatro (2.044) veículos blindados para o transporte de pessoal, em um período de vinte (20) anos. De tal acordo emana a expectativa de colaboração entre a indústria brasileira e italiana para desenvolvimentos posteriores no campo de meios e sistemas terrestres.

As Partes reafirmam a relevância, para uma aproximação progressiva entre as Marinhas do Brasil e da Itália, da prática de reuniões bienais entre os respectivos Estados-Maiores de suas Forças Armadas, do intercâmbio regular de visitas de oficiais e do diálogo regular entre as duas Forças no campo do controle naval do tráfego marítimo.

À luz desta crescente cooperação, as Partes decidem desenvolver um relacionamento privilegiado no campo da defesa, embasado na parceria industrial e transferência de tecnologia. Este relacionamento privilegiado entre os dois países no campo da defesa será matéria de acordo específico entre os respectivos Ministérios da Defesa. Deverá conferir, em princípio, prioridade aos seguintes projetos de colaboração:

· desenvolvimento e produção de unidades navais, especificamente navios-patrulha oceânicos, fragatas e navios de apoio logístico, incluindo sistemas de combate, de navegação, de armamento e de contramedidas eletrônicas;

· intercâmbio de experiências e de tecnologia no setor de transporte terrestre e no desenvolvimento de produção de veículos blindados e sistemas para o Exército Brasileiro;

· sistemas de proteção do espaço terrestre e marítimo;

· manutenção de motores para aeronaves e navios;

· sistemas de Radar para a defesa aérea (Radar 3D);

· aviões e sistemas de treinamento;

· aplicações espaciais militares e de segurança referentes a: comunicações militares via satélite; ou observação da Terra via satélite-radar e serviços baseados no SAR (Radar de Abertura Sintética).

As Partes poderão, ademais, incluir áreas adicionais de colaboração na lista de projetos prioritários supracitados, tais como:

· sistemas para o Projeto “Amazônia Azul”;

· Sistemas para a Defesa Nacional; e

· digitalização dos sistemas do Exército Brasileiro (Soldado do Futuro, Sistema de Gerenciamento de Combate etc).

(…)

XVII – Implementação

A implementação das atividades mencionadas no presente Plano de Ação será tratada pelas áreas competentes de ambos as Partes, sob a coordenação do Ministério das Relações Exteriores do Brasil e do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Itália. O acompanhamento da implementação das atividades do Plano de Ação será coordenado, dentro de sua esfera de competência, pelo Conselho Brasil-Itália de Cooperação Econômica, Industrial, Financeira e para o Desenvolvimento, que se reúne anualmente no marco do “Acordo-Quadro de Cooperação Econômica, Industrial e para o Desenvolvimento entre o Governo da República Federativa do Brasil e o Governo da República Italiana”, assinado em 12 de fevereiro de 1997, que instituirá Grupo de Trabalho específico que se reunirá em base periódica.”

FONTE: Ministério das Relações Exteriores

IMAGEM: Marina Militare (Marinha Italiana)

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