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Fundo soberano pode desvirtuar royalties do petróleo

Nota do Blog: O texto a seguir foi publicado no jornal Gazeta Mercantil hoje (19 de agosto). A rápida leitura do mesmo nos faz refletir sobre o episódio do cancelamento do programa F-X da FAB, com o objetivo de destinar os recursos ao programa “Fome Zero”. O F-X foi cancelado e a fome não foi zerada. Um mero marketing político. Será que ocorrerá o mesmo com os royalties do petróleo e o reequipamento do MB? A Marinha terá que ser forte no jogo político para não perder recursos legítimos.

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GAZETA MERCANTIL – São Paulo, 19 de Agosto de 2008

Com pré-sal, soberano volta ao debate

As discussões envolvendo a criação de um fundo soberano pelo Brasil se arrastam há quase um ano e, agora, ganham novos contornos.

As discussões envolvendo a criação de um fundo soberano pelo Brasil se arrastam há quase um ano e, agora, ganham novos contornos. A descoberta de reservas gigantes de petróleo no chamado pré-sal, com os bilhões de dólares que ela pode gerar em royalties para o País, realimentou os debates sobre a criação de um fundo. A proposta que está no Congresso prevê a elevação do superávit primário em 0,5%, com os recursos direcionados ao fundo. Com o pré-sal no foco, outras alternativas começam a ser cogitadas pelo governo.

A nova idéia é de um fundo soberano formado com os royalties do petróleo. Sua destinação, chegou a afirmar o presidente da República, seria para “combater a desigualdade” ou ainda para “reparar erros históricos do País”. Em uma declaração mais recente, Luiz Inácio Lula da Silva chegou a citar o fundo soberano da Noruega, que utiliza recursos oriundos do petróleo, como um modelo. Qualquer que seja a opção do Brasil, dizem especialistas, as idéias em discussão – e a própria necessidade do fundo – parecem distantes da experiência internacional.

“Este tipo de fundo soberano é bem antigo, normalmente criado por países com sobra de recursos, superávites estruturais para compor o fundo, o que não é o caso do Brasil”, critica Alex Agostini, economista-chefe da Austin Rating. “Nosso superávit é conjuntural e não podemos esquecer que a economia feita se sustenta graças a uma carga tributária excessiva”, diz. O saldo primário excedente, de 0,5% do PIB, na estimativa do governo, irá destinar R$ 14 bilhões ao fundo soberano. Há uma possibilidade, que deve constar da proposta orçamentário para 2009, que destina qualquer excedente acima da meta de 3,8% do superávit primário para o fundo. Até agora, o que excedia era utilizado para abater a dívida pública.

Um dos países que utiliza superávits estruturais para compor o fundo é a China. O país destina parte de suas reservas gigantes, de US$ 1,7 trilhão, para um fundo soberano que investe os recursos no mercado acionário, na busca por rentabilidade. As reservas brasileiras, pouco acima dos US$ 200 bilhões, estão longe de ser consideradas gigantes.

Outro tipo de fundo soberano são os de estabilização, típicos de países ricos em um determinado recurso natural. O Chile, por exemplo, tem um fundo com recursos oriundos das exportações de cobre. No Oriente Médio, são comuns os fundos compostos por recursos da extração de petróleo. O mais antigo deles é o do Kwait, da década de 50. É o que se discute agora no Brasil, ou seja, usar os royalties do pré-sal para compor um fundo soberano.

Neste caso, a crítica que se faz é em relação à finalidade da iniciativa. “O problema não é criar o fundo com recursos do petróleo, isto pode ser positivo, mas desde que se defina muito bem sua utilidade”, questiona Vladimir Caramaschi, estrategista-chefe do Crédit Agricole, asset do banco Calyon. O economista lembra que normalmente fundos compostos de ganhos com recursos naturais têm por finalidade a estabilização fiscal. “No Chile, o fundo ligado ao cobre ajuda na estabilização fiscal, ou seja, quando o preço do metal sobe, o governo poupa os recursos para os momentos de baixa, que afetariam a arrecadação”, explica. “Aqui, pelo que se sabe, a proposta é um pouco diferente.”

As falas do presidente Lula estabelecem um vínculo entre um possível fundo soberano com recursos do petróleo a investimentos sociais. O fundo da Noruega segue esse modelo e visa garantir uma poupança de longo prazo. Nesse caso, a origem dos recursos e a destinação do fundo estão bem claros (leia texto abaixo).

Uma das hipóteses levantadas pelo governo seria que o fundo soberano investisse em educação. Hoje, a União fica com 40% dos royalties e o restante beneficia quatro ministérios: Marinha, Minas e Energia, Ciência e Tecnologia e Meio Ambiente. Mas, na prática, nem sempre os recursos chegam aos ministérios, ficando contingenciados.

A idéia original de aplicação dos recursos do fundo soberano composto pelo superávit primário também é diferente do padrão. Neste caso, os recursos seriam para financiar investimentos de empresas nacionais no exterior. “É o contrário do que hoje é feito, normalmente os fundos soberanos investem em empresas estrangeiras visando elevar sua lucratividade”, explica Caramaschi. Os fundos soberanos não compram apenas títulos de países, mas investem em imóveis, ouro e ações de grandes companhias na tentativa de maximizar seu retorno. Hoje, existem 47 fundos soberanos no mundo, com US$ 3,854 trilhões em ativos.

Discussão legítima

A idéia de criação do fundo soberano, seja ele via elevação do superávit primário ou com royalties do petróleo, é defendida pelo ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda e atual consultor do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), Julio Sérgio Gomes de Almeida. “Acho inevitável que o Brasil tenha um fundo soberano, mas considero legítima a discussão sobre a origem dos recursos e sua finalidade”, diz Almeida. “É claro que o superávit primário é sustentado por uma carga tributária elevada mas, enquanto existir esta folga tributária, é melhor pouparmos os recursos”, explica o economista. Segundo ele, em um momento de menor crescimento e, portanto, menor arrecadação, a poupança já realizada evitaria uma elevação da carga tributária.

Sobre a utilização dos royalties do petróleo, Almeida é favorável desde que os recursos do fundo estejam “carimbados”. “Se não estiver claro qual a finalidade do fundo pode ocorrer o que já acontece com os royalties, usados para sustentar a máquina estatal e não para investimento em educação, infra-estrutura etc.”, diz. “A idéia do governo de criar um fundo soberano com os royalties está correta, é preciso perpetuar esta riqueza, mas sei que falar é mais fácil do que fazer, por isto precisamos cuidar para que os recursos não caiam no gasto comum.”

 

Função das Sociedades de Amigos da Marinha

logo_soamar.jpegAs associações de Amigos da Marinha, que congregam pessoas agraciadas com medalhas outorgadas pela Marinha, têm, como razão de ser, a disseminação da consciência e da mentalidade marítimas junto à população, em geral, e aos políticos, em particular. Para tanto, devem promover a realização de palestras, seminários e outras atividades que possam contribuir para esclarecer à sociedade a importância política, estratégica e econômica, para o Brasil, de tudo aquilo que, de alguma forma, se relacione com o Poder Marítimo. Devem, ainda, dentro de suas respectivas esferas de influência, apoiar e angariar apoio político para as metas e projetos da Marinha. Secundariamente, e na medida do possível, devem apoiar o pessoal da MB, desenvolvendo um relacionamento social baseado no respeito e admiração recíprocos.

Vale notar que são sociedades civis, de direito privado, não subordinadas administrativamente, ou de qualquer outra forma, à Marinha. A orientação e coordenação que dela recebem destinam-se tão-somente, a possibilitar a compatibilização de suas ações com os interesses da política naval, de modo a melhor atender à sua própria destinação.
FONTE: Centro de Comunicação Social da Marinha

NOTA DO BLOG: É triste constatar que as Sociedades de Amigos da Marinha que têm uma função tão importante, estejam com seus sites fora do ar ou totalmente desatualizados. Outro fato estarrecedor é encontrar medalhas de Amigo da Marinha sendo vendidas no Mercado Livre.

 

mapa_georgia.gifPaul Reynolds
Correspondente para Assuntos Mundiais da BBC

As chances de a Rússia reagir sempre foram muito prováveis

Apesar de o confronto na Ossétia do Sul ainda não ter terminado, e a possibilidade de choques por conta de outro enclave na Geórgia, na região de Abecásia, parecer estar aumentando, talvez não seja muito cedo para tentar tirar lições da crise.

1. Não soque um urso no nariz a não ser que ele esteja firmemente amarrado.
O presidente da Geórgia, Mikhail Saakashvili deve ter pensado que a Rússia não iria reagir com força ao enviar suas tropas para retomar o controle de um território que ele insiste deve permanecer parte da Geórgia, apesar de contar com alguma autonomia, na véspera dos Jogos Olímpicos.
Mas as chances de a Rússia reagir sempre foram muito prováveis. A Rússia já mantinha tropas na região, liderando a força de paz estabelecida em 1992 por um acordo entre o então presidente russo Boris Yeltsin e o presidente da Geórgia Edward Shevardnadze, o ex-ministro do Exterior soviético que ajudou a pôr fim à Guerra Fria.
A Rússia vem apoiando os separatistas da Ossétia do Sul e entregou passaportes russos à população, o que dá ao país argumentos para alegar que está defendendo seus cidadãos.
O resultado do que muitos vêem como um erro de cálculo é que o presidente Saakashvili pode perder qualquer esperança de voltar a impor o poder da Geórgia sobre o enclave.

2. A Rússia está determinada, para dizer o mínimo.
A Rússia, como já o fez tantas vezes no passado, se vê cercada.
Em uma reveladora entrevista ao ex-correspondente da BBC em Moscou Tim Whewell no início deste ano, um assessor do então presidente Vladimir Putin, Gleb Pavlosky, disse que, depois da Revolução Laranja na Ucrânia, a liderança russa concluiu que “isto é o que enfrentamos em Moscou, o que estão tentando exportar para nós, que nós devemos nos preparar para esta situação e, muito rapidamente, fortalecer nosso sistema político…”.
O que se aplicou depois que a Ucrânia se moveu em direção ao Ocidente, se aplicou também à Geórgia. Moscou tenta evitar qualquer revolução deste tipo na Rússia e agora vê a Ucrânia e a Geórgia como influências hostis.
Não está claro até onde a Rússia pretende ir, mas levando-se em conta que já disse que quer restabelecer a ordem na Ossétia do Sul, isso provavelmente significa uma presença permanente, sem devolver à Geórgia um papel de governo. Diplomatas, no entanto, acreditam que é difícil que a Rússia invada a Geórgia “propriamente”.

3. Lembre-se de Kosovo.
A Rússia não gostou quando o Ocidente apoiou a separação de Kosovo da Sérvia e advertiu para consequências. Esta pode ser uma delas. Claro, a Rússia não argumenta que, nesta crise, está fazendo o que Ocidente fez em Kosovo – o que iria minar seu próprio argumento de que Estados não devem ser quebrados sem que haja um acordo. Mas todo mundo sabe que Kosovo não está longe de seus pensamentos.

4. A Geórgia não deve ingressar na Otan tão cedo.
A Geórgia e a Ucrânia tiveram seu ingresso na Otan – a aliança militar do Atlântico Norte – negado em Abril, mas foram autorizadas a elaborar um plano de ação que poderia levar à admissão no grupo no futuro.
Os Estados Unidos defenderam a entrada dos dois países, mas a Alemanha e outros se opuseram, alegando que a região era muito instável para que os países ingressassem no grupo naquele momento, e que a Geórgia, em particular, um Estado com disputa de fronteira, não deveria receber o apoio da Otan.

5. Vladimir Putin ainda está no comando.
Foi Vladimir Putin, o primeiro-ministro e não mais presidente, que esteve presente à cerimônia de abertura da Olimpíada em Pequim e que correu para a região da crise para assumir o controle da resposta russa. Sua linguagem não fez concessões – a Rússia está certa em intervir, declarou.

6. Não deixe uma raposa cuidando das galinhas.
A decisão de Shervardnadze, em 1992, de concordar com a entrada da Rússia na Ossétia do Sul como parte de uma força de paz permitiu que um governo russo futuro e muito diferente daquele de Boris Yeltsin estendesse gradativamente sua influência e controle . Não foi difícil para a Rússia justificar sua intervenção. O governo simplesmente declarou que seus cidadãos não apenas sofrem riscos, mas estão sendo atacados.

7. O ocidente ainda não sabe como lidar com a Rússia.
Alguns dos argumentos da época da Guerra Fria estão ressurgindo, sem que haja consenso sobre o que deve ser feito. Há os neo-conservadores, liderados pelo vice-presidente dos Estados Unidos, Dick Cheney, (e apoiados pelo candidato republicano à presidência John McCain), que vêem a Geórgia (e a Ucrânia) como defensores da liberdade que devem ser apoiados. Ao mesmo tempo, eles argumentam, a Rússia será obrigada a mudar, assim como a União Sovicética mudou.
Contra isto há o argumento – expressado neste fim de semana à BBC pelo ex-ministro do Exterior britânico Lord Owen, por exemplo – de que é “absurdo” tratar a Rússia como a União Soviética, e que a Geórgia cometeu um erro de cálculo na Ossétia do Sul, pelo qual está pagando.

8. As fronteiras na Europa devem ser eternamente ‘sagradas’?
Esta tem sido uma das regras da Europa pós-guerra – as fronteiras não podem ser mudadas exceto por acordo, como na antiga Checoslováquia. Talvez esta regra tenha sido seguida de maneira muito inflexível. Mas ainda assim, governos como o da Geórgia relutam em abrir mão de qualquer território, mesmo quando a população local é claramente hostil e pode estar naquela situação simplesmente como resultado de uma decisão arbitrária do passado. Foi a União Soviética que forçou a Ossétia do Sul a fazer parte da Geórgia, em 1921. Nikita Khrushcev deu a Criméia para a Ucrânia. Será que isso algum dia vai causar problemas?

9. Agosto é um bom mês para se refletir sobre alianças.
Em agosto de 1914, o assassinato do arqueduque Franz Ferdinand em Sarajevo levou à Primeira Guerra Mundial. Isso ocorreu porque alianças formadas na Europa entraram em jogo inexoravelmente. A Rússia apoiava a Sérvia, a Alemanha apoiava a Áustria, a França apoiava a Rússia e a Grã-Bretanha entrou no conflito quando a Bélgica foi atacada.
Ninguém deve entrar em uma aliança de maneira leve, ou inadvertidamente. Se a Geórgia estivesse na Otan, o que teria acontecido?

 

A Marinha do Brasil marcou para setembro um grande exercício naval no litoral dos estados do Rio de Janeiro, Espírito Santo e São Paulo, com a participação de pelo menos nove mil militares e mobilização de 20 navios, 40 aeronaves e 250 outros veículos militares. A Operação Atlântico, orçada em cerca de R$15 milhões, acontecerá um mês depois de iniciada a exploração de petróleo abaixo da camada de sal no Campo de Jubarte, norte da Bacia de Campos.

A operação está prevista para ocorrer entre 15 e 26 de setembro, e vai mobilizar comandos das três Forças. Além da Marinha, participarão a Aeronáutica e o Exército. O foco é o treinamento militar para proteção das reservas petrolíferas, afastando do litoral brasileiro, como dizem os oficiais da Marinha, ‘presenças indesejáveis’. Além disso, a Força quer reforçar a importância da defesa das riquezas brasileiras e mostrar que os navios-patrulha e helicópteros estão ‘aquém do necessário’. O comandante da Marinha, almirante Júlio Soares de Moura Neto, quer dobrar de 18 para 36 o número de navios-patrulha para proteger a chamada Amazônia Azul.

As Forças Armadas também querem treinar a defesa de toda a infra-estrutura terrestre associada à indústria petrolífera, na região compreendida entre os estado do Espírito Santo e São Paulo: gasodutos, oleodutos, refinarias, portos e terminais.

A exploração das reservas do pré-sal está prevista para começar oficialmente nesta semana, provavelmente terça-feira. Em setembro, quando a Marinha já estiver se deslocando para os exercícios da Operação Atlântico, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai visitar a plataforma P-34, usada para explorar o óleo leve abaixo da camada de sal em Jubarte.

As recentes descobertas de petróleo na Áreas do pré-sal, mesmo ainda precisando de alguns testes para dimensionar e certificar o potencial a explorar, mostram que podem somar reservas da ordem de 50 bilhões de barris de petréleo e exigir investimentos, calculados pelo banco UBS, em torno de US$600 bilhões.

Fonte: AE

NOTA DO BLOG: A Operação Atlântico deverá ser uma reedição ampliada da Operação Albacora, realizada no ano passado. Com a divulgação da recriação da IV Frota da Marinha dos EUA e da descoberta de novas reservas petrolíferas no litoral brasileiro, esse tipo de operação deverá continuar a se aperfeiçoar nos próximos anos.
Se o treinamento for realista, levando-se em conta um inimigo mais forte e poderoso que o Brasil, vai ficar cada vez mais patente a ausência de meios adequados que possam oferecer uma capacidade de dissuasão crível. Urge portanto, que saiam do papel as providências para a modernização das Forças Armadas brasileiras, em particular a Marinha, que há anos sofre com o corte de verbas para suas funções básicas.

 

Rússia diz ter afundado FPB da Geórgia

mapa_georgia.gifA Rússia diz ter afundado neste domingo uma lancha lançadora de mísseis da Geórgia –o barco teria tentado atacar um dos navios russos. Caso confirmado, o episódio pode marcar uma séria escalada da violência entre Rússia e Geórgia, em conflitos na Ossétia do Sul.O Ministério de Assuntos Exteriores da Geórgia entregou hoje à Embaixada da Rússia uma nota na qual anuncia o fim, a partir de hoje, das operações militares, mas Moscou não está convencido disso e afirma que essas prosseguem na região. Entenda as causas do conflito.
Arte/Folha Online

“As lanchas de mísseis georgianas em duas ocasiões tentaram atacar os navios de guerra russos”, explicou à agência oficial russa Itar-Tass um porta-voz oficial da Marinha da Rússia.

Os navios russos responderam abrindo fogo e como resultado “uma das lanchas que atacavam foi afundada”, afirmou. Não há informações sobre vítimas ou o local exato do confronto.

O subchefe do Estado-Maior da Rússia, general Anatoli Nagovitsin, havia afirmado neste domingo que a frota não participa das hostilidades e também não mantém um bloqueio naval à Geórgia.

Para a parte georgiana, no entanto, a mera presença de navios russos frente às costas da separatista Abkházia já é uma violação de suas águas territoriais no Mar Negro.

Dois dos navios russos que haviam sido enviados a águas territoriais da Geórgia voltaram à Rússia neste domingo e ancoraram no porto de Novorosisk, segundo o governo russo. A Ucrânia havia ameaçado proibir a volta dos navios da frota russa envolvidos no conflito pelo mar Negro.

Tropas da Rússia tomaram a maior parte da capital da Ossétia do Sul hoje. O país intensificou seu bombardeio contra as regiões separatistas e navios de guerra impuseram um bloqueio naval para impedir a entrada de armas e de outros meios militares na Geórgia durante o conflito.

A situação parece repetir a proposta de cessar-fogo imediato feita ontem por Saakashvili várias vezes e sobre a qual repercutiram todos os canais de televisão e agências locais e internacionais, mas que nem a presidência nem os Ministérios de Exteriores e da Defesa da Rússia chegaram a receber “por canais oficiais”.

Fonte: Folha Online

 

A expansão do País tem efeitos até para a navegação, atividade durante décadas relegada ao ostracismo e que já registra déficit de oficiais responsáveis pelo comando dos navios. Estudo da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP) mostra que em 2008 faltarão 456 oficiais. E até 2010 o déficit de oferta será de 25% em relação à demanda por esses profissionais.

Uma das causas do problema é o baixo número de escolas, apenas duas, geridas pela Marinha do Brasil. Para suprir a carência, o Sindicato Nacional das Empresas de Navegação Marítima (Syndarma) propõe que a Marinha permita que escolas particulares ministrem cursos para a formação de profissionais. “Se o problema não for resolvido a tempo, teremos o apagão marítimo”, disse Ronaldo Lima, vice-presidente da entidade.
Julian Thomas, diretor da Hamburg Süd e da Aliança Navegação e Logística, tem buscado oficiais estrangeiros para amenizar a carência.

Fonte: Gazeta Mercantil

 

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou nesta quarta-feira a anistia póstuma a João Cândido Felisberto, líder da Revolta da Chibata. A anistia foi proposta em 2002, pela senadora Marina Silva (PT-AC).O ministro da Igualdade Racial, Edson Santos, vai se reunir com o prefeito Cesar Maia em agosto para discutir a instalação de uma estátua em homenagem ao líder na Praça 15, no Rio. A idéia é que a inauguração do monumento ocorra em 20 de novembro, dia de Zumbi dos Palmares. O presidente Lula prometeu dar o nome de João Cândido a um navio da Marinha brasileira.O ministro destacou que é essa é uma homenagem a um importante herói negro do país.

No dia 22 de novembro de 1919, João Cândido liderou, na Baia de Guanabara, um levante a bordo dos principais navios da Marinha brasileira. O movimento, que ficou conhecido como Revolta da Chibata, foi uma reação aos maus-tratos e castigos físicos que eram impostos pelos oficiais aos marinheiros – em sua maioria negros punidos por indisciplina. O levante ocorre depois de o marinheiro negro Marcelino Rodrigues sofrer 250 chibatadas.

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O uso da chibata era uma herança do período da escravidão, abolida em 13 de maio de 1888 pela Lei Áurea. Mas os oficiais da Marinha continuavam aplicando as chibatadas como punição, no convés dos navios, para que toda tripulação assistisse a humilhação imposta aos companheiros.

João Cândido ficou conhecido como Almirante Negro e a música ” O mestre-sala dos mares”, de João Bosco e Aldir Blanc, imortalizou sua luta. A revolta conseguiu acabar com o uso da chibata, mas João Cândido foi preso e expulso da Marinha, sem qualquer direito, de patente, de aposentadoria. Passou o resto de sua vida trabalhando como vendedor no Entreposto de Peixes da cidade do Rio.

Além de João Cândido, os demais participantes do movimento, também foram anistiados. Segundo o projeto, isso produz efeitos em relação a promoções que teriam direito os anistiados, se tivessem permanecido em serviço ativo, bem como em relação ao benefício da pensão por morte.

Fonte: O Globo

 

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IPERÓ, SP – O vice-presidente José Alencar discutirá com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva uma aceleração no programa nuclear da Marinha, desenvolvido no Centro Experimental Aramar, em Iperó, interior de São Paulo. O objetivo imediato seria antecipar o funcionamento de um reator nuclear de testes, previsto para ficar pronto em 2014. Com isso, será possível chegar mais rápido à construção do submarino nuclear brasileiro, objetivo final do projeto e ainda sem prazo definido.

“Precisamos do submarino nuclear para defender a costa brasileira”, disse Alencar, que visitou no dia 21 o Centro de ARAMAR. “Temos um mar muito grande e precisamos ter força para desencorajar qualquer ameaça.” Na cidade, a Marinha completou o desenvolvimento do ciclo do combustível nuclear, com o enriquecimento de urânio, e trabalha na fase de desenvolvimento da produção de energia nucelar.

Com os recursos liberados em 2007 por Lula, a força naval contratou e iniciou a construção das instalações do Laboratório de Geração Núcleo-Elétrica (Labgene – ver ilustração), onde será montado o reator. Quase todos os componentes foram construídos e estão guardados no centro, esperando o momento da montagem.

No mesmo local, será instalada a plataforma com as turbinas de geração, cuja tecnologia é semelhante às das máquinas de propulsão nuclear que equiparão o navio submerso. O vice-presidente conheceu detalhes das obras e considerou que a proposta é inadiável. “Não podemos retardar mais e é preciso abreviar um pouco o cronograma.” Alencar disse que o presidente sabe da importância do plano, não só para tornar possível a construção do submarino, mas também como alternativa à produção de energia elétrica.

“A energia nuclear é uma opção energética para o País e temos isso até como dispositivo constitucional.” O Brasil, segundo ele, tem compromisso de usar a energia com fins pacíficos “para fortalecer a soberania e a integração nacional”. O projeto recebeu este ano cerca de R$ 80 milhões, empregados também na construção da usina de conversão do urânio natural beneficiado, conhecido como yellow cake, no hexafluoreto de urânio, um gás que depois se transforma no urânio enriquecido.

Hoje, esse processo é feito no exterior – parte no Canadá e outra na França. A usina, que deve operar em 2010, produzirá 40 toneladas de hexafluoreto por ano, o suficiente para atender às necessidades do centro. Com a tecnologia, será possível construir usinas comerciais. Lula assegurou a liberação de R$ 1,04 milhão ao longo dos próximos oito anos, prazo que Alencar quer encurtar. “Precisamos desses recursos num prazo mais curto”, disse, na presença do comandante da Marinha, almirante-de-esquadra Júlio Soares de Souza Neto.

FONTE:
Agência Estado

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Aproveitando a visita do secretário-adjunto de Estado dos EUA para o Hemisfério Ocidental, Thomas Shannon, funcionários do governo argentino pediriam ontem explicações sobre a reativação da Quarta Frota americana nas águas da América do Sul e do Caribe.

“Estamos preocupados com o tema da Quarta Frota (…), pois não sabemos por que está sendo reativada e qual é seu sentido”, disse o vice-chanceler argentino, Victorio Taccetti, à imprensa local, antes da visita de Shannon. “Vamos comunicar essa preocupação e pedir ao enviado de Washington que explique o alcance da decisão.”

Os EUA argumentam que a frota não tem capacidade ofensiva e que seu principais objetivos são ajuda humanitária e combate ao tráfico de drogas.

Shannon teria na noite de ontem um encontro com a presidente Cristina Kirchner.

Fonte: Folha de São Paulo

 

O embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Clifford Sobel, disse hoje (9) a senadores brasileiros que o reparecimento da Quarta Frota da Marinha americana – que estava desativada desde 1950 – em águas da América Latina visa a construir e reforçar parcerias com nações da região.“O embaixador disse aos senadores que a Quarta Frota é unidade administrativa projetada para oferecer uma organização mais eficiente e facilitar o uso de recursos navais na região em apoio a missões de paz, esforços de assistência humanitária, respostas a desastres, operações contra o tráfico de narcóticos e exercícios tradicionais com as marinhas de nações parceiras”, informa comunicado divulgado pela embaixada norte-americana no Brasil.

Sobel ainda teria enfatizado aos senadores Pedro Simon (PMDB-RS), Eduardo Suplicy (PT-SP), Cristovam Buarque (PDT-DF) e João Pedro (PT-AM) que a Quarta Frota não terá navios permanentes e será composta por 120 pessoas baseadas no estado da Flórida.

O encontro foi solicitado pelos senadores porque existiam rumores de que a reativação da Quarta Frota teria sido motivada pela descoberta de petróleo a 300 quilômetros da costa marítima brasileira ou por uma tentativa de controlar países da região com governos considerados “incômodos” por Washington, especialmente a Venezuela.

“Nós gestionamos a preocupação porque historicamente ocorreram na América Latina situações de intervenções norte-americanas que resultaram em fatos que não trazem boas lembranças. Vamos continuar acompanhando e manifestamos intenção de, se possível, dialogarmos com os candidatos à presidência dos Estados Unidos nas eleições deste ano”, relatou Suplicy.

No último dia 2, em entrevista coletiva no encerramento da 35ª Reunião de Cúpula do Mercosul, na cidade argentina de San Miguel de Tucumán, o presidente Lula afirmou que seria necessário os Estados Unidos “explicarem a lógica desta Quarta Frota .”

Fonte: Agência Brasil

 

Irã ameaça navios da USN se for atacado

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O Irã ontem ameaçou retaliação contra Tel Aviv, navios americanos no golfo Pérsico e os interesses de Washington em todo o mundo caso sofra um ataque com o objetivo de paralisar o seu programa nuclear. Em uma escalada das tensões entre o Irã e Israel quanto ao programa de enriquecimento de urânio de Teerã, um importante assessor do aiatolá Ali Khamenei, o líder espiritual supremo, não mediu palavras para definir como seu país responderia a qualquer agressão.

“O regime sionista está colocando os líderes da Casa Branca sob pressão para que encetem um ataque militar ao Irã”, disse Ali Shirazi em discurso às forças navais da Guarda Revolucionária, a unidade militar de elite. “Caso eles façam algo de tão estúpido, Tel Aviv e a Marinha dos EUA no golfo Pérsico serão incinerados como alvos iniciais do Irã em sua primeira resposta esmagadora”.
Não é a primeira vez que o Irã ameaça retaliação em caso de ataque. Mas o regime vem sendo mais específico quanto à forma que suas ações tomariam, e pela primeira vez apontou Tel Aviv como potencial alvo.

Os comentários de ontem não causaram impacto nos mercados financeiros nem no preço do petróleo. No entanto, a atenção internacional está concentrada na possibilidade de um ataque militar de Israel contra o Irã ainda neste ano.

Um importante diplomata da União Européia estimou nesta semana que as chances de um ataque são de “50%”, em primeiro lugar porque Israel acredita que o Irã venha a dominar a tecnologia necessária a produzir uma bomba nuclear em 2010, e em segundo porque a possibilidade de que Barack Obama vença a eleição presidencial nos EUA privaria Israel do apoio necessário para um ataque como esse.

Diplomatas ocidentais dizem que, a partir do segundo trimestre do ano que vem, o Irã terá em operação mísseis antiaéreos adquiridos da Rússia que complicariam qualquer operação israelense contra as suas instalações nucleares.

O endurecimento na retórica se seguiu a uma decisão da marinha americana de conduzir exercícios militares no golfo Pérsico, na segunda-feira.

Washington também anunciou ontem a imposição de sanções unilaterais contra o Irã, entre as quais medidas contra um assessor do aiatolá Khamenei -Yahya Rahim Safavi, que serviu como comandante da Guarda Revolucionária.

As sanções afetam também Mohsen Fakhrizadeh-Mahabadi, identificado como cientista sênior do programa nuclear iraniano, e o grupo Tamas, uma empresa identificada pela ONU como responsável por estágios essenciais do programa, entre os quais o enriquecimento do urânio.

Texto: Folha de São Paulo

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Senador critica reativação da Quarta Frota

Fonte: Agência Senado

Ao discursar nesta quinta-feira (3), o senador José Nery (PSOL-PA) criticou a reativação da chamada Quarta Frota da Marinha dos Estados Unidos. Ele explicou que a frota foi criada em 1943 para patrulhar submarinos nazistas nas águas da região da América Latina, mas foi desativada em 1950. Para o senador, o fato representa “um verdadeiro ataque à soberania” brasileira e “uma ameaça à paz na região”.

- A recriação da Quarta Frota, destinada a realizar missões navais agressivas nas regiões do Caribe, América Central e América do Sul, é uma grave ameaça à paz, à segurança e à soberania dos povos da nossa região, e se inspira em uma doutrina que devemos combater: o suposto direito dos Estados Unidos de intervir, preventivamente, em outros países, a partir da avaliação de que esses ameaçam seu território potencialmente – disse.

Na interpretação do senador, o restabelecimento da Quarta Frota estimula a militarização e a corrida armamentista nas Américas, além de representar uma “ameaça nuclear”, pois seria equipada com equipamentos nucleares.

- O Brasil deve se posicionar de maneira contundente contra essa ação americana. Não aceitamos ser vigiados pela Quarta Frota. O alvo dos Estados Unidos é a crescente força que governos de esquerda vem conseguindo democraticamente no continente. A América Latina não pertence aos Estados Unidos. O povo latino-americano não aceita ser tutelado pelo ‘grande irmão’ do norte – afirmou José Nery.

Em aparte, o senador Eduardo Suplicy (PT-SP) concordou com a idéia do colega Cristovam Buarque (PDT-DF) de um grupo de senadores dialogarem sobre o assunto com o embaixador norte-americano no Brasil, Clifford Sobel, o que deve ocorrer na próxima semana. Também em aparte, Cristovam disse que a reativação da frota pode ser considerada um erro diplomático.

 
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