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Deputado quer investigar compra de equipamentos militares

Itagiba começa a recolher assinaturas para formar CPI

Wilson Tosta

O deputado federal Marcelo Itagiba (PMDB-RJ) anunciou, nesta sexta-feira (11), que vai começar a recolher assinaturas para a formação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar as recentes compras de equipamentos militares, fechadas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva com o presidente francês, Nicolas Sarkozy. O parlamentar afirmou querer saber quem são os brokers (intermediários) da operação e pretende apurar se um integrante do Ministério da Defesa ficou hospedado na casa de um dos fornecedores do armamento, durante visita à França. Essas são, de acordo com o deputado – delegado da Polícia Federal e ex-secretário de Segurança do Rio – informações que têm chegado a seu gabinete e cuja veracidade pretende checar.

“Estamos falando de bilhões de dólares”, disse Itagiba. “E para gastar bilhões de dólares, precisa justificar. E também dizer o porquê da escolha. Não houve licitação.” Pelos acordos assinados, o Brasil comprará da França quatro submarinos convencionais Scorpène, um casco para o submarino nuclear, um estaleiro para construí-los, uma nova base para operá-los, peças sobressalentes, armamentos (como torpedos), softwares e 50 helicópteros. Os dois países também abriram negociações para a compra, pelos brasileiros, de 36 aviões de caça Rafale, fabricados pela empresa francesa Dassault. Ao todo, os negócios militares Brasil-França preveem um gasto, nos próximos 20 anos, a cifras de hoje, de 12,5 bilhões de euros – R$ 32,7 bilhões.

Itagiba afirmou ter informações que identificam os corretores pelos nomes de José Pinto Ramos, Braga e Roberto – este, supostamente, advogado em São Paulo. O deputado reconheceu não conhecer irregularidades no caso. “É isso que quero saber”, declarou. O parlamentar também considerou estranho que o ministro da Defesa, Nelson Jobim, “desautorizasse” o presidente Lula, dizendo, no dia seguinte ao anúncio do fechamento do negócio dos Rafale, afirmando que as negociações ainda estavam abertas. “Hoje (sexta-feira), os jornais dizem que o caça está escolhido politicamente, não tecnicamente”, declarou. “Isso está o samba do crioulo doido.”

Para constituir uma CPI na Câmara, é necessário ter, no mínimo, 171 assinaturas de apoio. Itagiba disse não ter “bola de cristal” para prever quando conseguirá o número de apoios necessários. “Mas que isso está um escândalo, está”, disse. As compras militares brasileiras têm sido objeto de intensa disputa entre possíveis fornecedores. Entre os insatisfeitos, estão a empresa alemã HDW, que oferecera a construção de submarinos convencionais, e a Boeing, fabricante americana dos caças Super Hornet. O governo brasileiro alega que os alemães não constroem submarinos nucleares e afirmam que os EUA não abrem totalmente os códigos-fonte das aeronaves, que permitiriam que os aviões fossem equipados com armamento não-americano.

FONTE: Agência Estado
FOTO: Agência Brasil

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Assinatura dos contratos do PROSUB

Foram assinados, pelo Diretor-Geral do Material da Marinha, Almirante-de-Esquadra Marcus Vinicius Oliveira dos Santos, e colocados em eficácia, em 3 de setembro, todos os contratos comerciais referentes ao Programa de Desenvolvimento de Submarinos (PROSUB):

1. Compra do Pacote de Material e Logístico para os 4 (quatro) Submarinos Convencionais (S-BR);

2. Construção dos 4 S-BR;

3. Projeto e Construção do Submarino com Propulsão Nuclear (SN-BR) – este contrato incorpora a compra do pacote de Material e Logístico para o SN-BR;
4. Compra de Torpedos e Despistadores;
5. Projeto e Construção de um Estaleiro e de uma Base Naval;
6. Administração, Planejamento e Coordenação do Projeto e da Construção do SN-BR;
7. Transferência de Tecnologia;
8. e OFFSET.

Esses contratos foram celebrados com as seguintes instituições:

a) Direction des Constructions Navales et Services (DCNS);

b) Construtora Norberto Odebrecht;

c) Consórcio Baía de Sepetiba (composto pela DCNS e Odebrecht); e

d) Itaguaí Construções Navais (Sociedade de Propósito Específico composta da DCNS, Odebrecht e MB).

O custo total do PROSUB é da ordem de 6,7 bilhões de euros, dos quais 4,3 bilhões serão objeto de financiamento externo em 20 anos, já aprovado pelo Senado Federal em 2 de setembro, e o restante será custeado diretamente com recursos do Tesouro Nacional.

Com a assinatura desses contratos, a Marinha do Brasil receberá, até 2015, um Estaleiro e uma Base Naval dedicados à construção e ao apoio de submarinos, e incorporará à nossa Armada o primeiro dos quatro submarinos convencionais, até 2017, e o submarino com propulsão nuclear, até 2021.

FONTE: MB

 

Turcomenistão criará sua marinha

Primeiro passo será a construção de uma base naval

Em função das disputas sobre as áreas de exploração de óleo e gás no Mar Cáspio com o Azerbaijão, o Turcomenistão anunciou sua intenção de construir uma base naval. A disputa territorial entre os dois países foi parar na corte internacional no mês passado.

“Já estamos comprando navios com mísseis” informou o presidente turcomeno Gurbanguly Berdymukhammedov. “Exercícios navais serão conduzidos regularmente”, completou.

O presidente não deu maiores detalhes sobre o tipo ou a quantidade de navios, mas disse que espera concluir o projeto em 2015.

A disputa entre estes dois países pode colocar em risco a construção do gasoduto Nabucco (ver mapa abaixo), financiado pela Comunidade Europeia e que pretende levar o gás explorado no Turcomenistão para a Europa Ocidental. Para não passar pela Rússia, o gasoduto Nabucco teria que cortar o território do Azerbaijão.

O Turcomenistão é o maior exportador de gás da Ásia Central. O interesse do país em se juntar ao gasoduto Nabucco surgiu em abril deste ano, quando a Rússia deixou de comprar gás daquele Estado da Ásia Central.

Não existe formalmente uma marinha no Turcomenistão. A proteção naval da região é executada por uma força militar conjunta, mantida por todas as antigas repúblicas soviéticas (Azerbaijão, Cazaquistão e Turcomenistão) banhadas pelas pelo Mar Cáspio. A flotilha fica baseada em Astrakhan, Rússia.

Além da força naval conjunta, o Turcomenistão possui unidades navais de policiamento que pertencem à guarda de fronteira. A maior destas unidades é um “cutter” classe Point, transferido pelos EUA em 2000 e armado com duas metralhadoras de 12,4 mm.

nabucco-pipeline-wiki

ILUSTRAÇÕES: Wikipedia

 

Congresso omitiu-se da discussão

Marco Chiaretti

vinheta-clipping-naval“Brasil já vai à guerra, comprou porta-aviões, um viva pra Inglaterra, de 82 milhões.” A música de Juca Chaves ironizava nos anos 50 a pretensão eterna do Brasil à condição de potência. O Minas Gerais não era arma para tanto, mas a compra de agora é diferente. Se realmente se realizar na forma em que é anunciada (e sem entrar no mérito da decisão), o que ela faz é nos transformar de fato em uma potência militar média. Com todas as consequências que isso traz.

Tudo isso exige também uma discussão que nunca foi feita, no plano do Congresso, sobre as consequências políticas, a médio e longo prazo, dessas decisões. Aparentemente, esta legislatura não tem a menor condição de fazê-lo. Resta ver se os eleitores escolherão a próxima pensando nisso. Parece difícil.

O Congresso analisou em detalhe os planos de rearmamento? Não. O Congresso atual não é capaz de analisar nada em detalhe, afundado em uma crise sem fim. O Senado resolveu em 48 horas a questão do empréstimo, necessário para a compra. Dois dias. Outra participação “essencial” dos congressistas foi ter aceito uma viagem de cortesia para ver os aviões in loco, ou seja, viajaram à França convidados pelo fornecedor.

A estratégia de Defesa do país terá de enfrentar problemas enormes, o não menor deles o fato de que nunca nossas Forças Armadas usaram as armas que agora se está comprando, produzidas por estes fornecedores, que utilizam especificações técnicas diferentes dos armamentos que possuímos.

Teremos de aprender tudo. Teremos de montar uma indústria capaz de fornecer insumos para estas armas, montar estoques, preparar técnicos, tripulações, construir bases. As compras de agora obrigam o país a ter de olhar de frente esta questão. Potências médias exigem preparação de potências médias. E orçamentos militares proporcionais a esta pretensão. Não basta comprar armas de US$ 2 bilhões. Há que mantê-las. O que custa bem mais do que isso.

A frota brasileira, armada de submarinos de ataque com propulsão nuclear, não teria nenhuma rival na região. Dependendo do número de navios e de suas especificações técnicas, poucos rivais fora. Seria soberana no Atlântico Sul. Isso tem consequências no plano da política externa. Foram analisadas pelo Senado?

Isso, aliado a uma Aeronáutica eficiente e bem armada, muda o cenário geopolítico da região, e força nossos vizinhos a rever suas posições vis-à-vis o Brasil. Assim como muda nossa forma de ver a política regional.

FONTE: Folha de São Paulo, via Notimp

 

A estratégia do silêncio

Compras militares à França trazem custos, privilégio e pressupostos que ainda precisam ser muito bem esclarecidos

vinheta-clipping-navalCom a escancarada preferência por caças franceses numa disputa que ainda estava em curso, a gestão Lula repetiu, na área militar, o lamentável enredo da escolha do padrão japonês para a TV digital. Encantadas pelo lobismo, autoridades federais logo abandonam a neutralidade e perdem a latitude necessária para a defesa do interesse público.

Confirmada ontem, não sem surpresa, a compra dos aviões aos franceses será apenas um capítulo -um capítulo de R$ 10 bilhões- numa aproximação bem mais profunda entre Brasília e Paris. Um sorridente Nicolas sarkozy assinou em Brasília a peça principal desse pacto, que trata, entre outros pontos, do fornecimento às Forças Armadas brasileiras de quatro submarinos convencionais e um outro, a ser adaptado ao reator nuclear da Marinha do Brasil.

Numa tacada apenas, comprometeram-se, além dos encargos financeiros, R$ 23 bilhões em recursos do contribuinte, a serem despendidos nos próximos 20 anos. Para ter ideia da dimensão do acordo, seu custo é comparável à soma dos de Jirau e Santo Antônio, as duas grandes usinas hidrelétricas em construção no rio Madeira, em Rondônia.

Não se questionam as prioridades das compras militares. Elas se enquadram no projeto de conferir mais mobilidade, tecnologia e poder de dissuasão às Forças Armadas, a fim de que possam, sem recorrer à mobilização maciça de tropas e recursos, patrulhar com eficiência um país continental. A questão específica é saber, no cotejo entre custos e benefícios, se a aproximação nos termos propostos com a França é mesmo a melhor resposta.

Um dos pontos sempre levantados para tentar justificar a aliança preferencial com os franceses seria a disposição de Paris de transferir tecnologia militar ao Brasil. De fato, há pouco incentivo para comprar de países como os EUA, que costumam bloquear o intercâmbio tecnológico. Mas não se sabe ao certo, por exemplo, que tecnologia será transferida pelos franceses ao custo de quase R$ 3 bilhões.

Outro ponto obscuro do acordo com a França é a contratação, sem licitação, da empreiteira brasileira Odebrecht para construir uma base naval e um estaleiro -obras em que o governo federal comprometeu-se a desembolsar R$ 5 bilhões. As autoridades brasileiras transferem a explicação desse privilégio para o governo francês, do qual teria partido a exigência. Seria anedótico, se não soasse escandaloso.

Ministério Público, Tribunal de Contas da União e Congresso Nacional precisam abrir essa e outras caixas-pretas do acordo com a França. O caráter “estratégico” do pacto não exime o Executivo de prestar contas nos foros adequados.

FONTE: Folha de São Paulo, via Notimp

 

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Contratos específicos para submarinos já estão assinados, anuncia DCNS

A empresa francesa DCNS divulgou nota nesta segunda-feira (7/9) na qual informa que já foram assinados em 3/9, no Rio de Janeiro, “os contratos específicos para o fornecimento à Marinha do Brasil de quatro submarinos convencionais e para um vasto programa de Transferência de Tecnologia que inclui a assistência para a concepção – dirigida pela autoridade de concepção da Marinha do Brasil – da parte não nuclear do primeiro submarino brasileiro com propulsão nuclear, bem como para assistência na construção de uma base naval e de um estaleiro naval.”

A empresa lembra que o contrato principal tinha sido assinado em 23 de dezembro de 2008, no âmbito do acordo de cooperação estratégica de defesa entre o Brasil e a França celebrado no mesmo dia pelo Presidente da República do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e pelo Presidente da República da França, Nicolas Sarkozy.

“O Brasil escolheu o DCNS para dispor submarinos de alta tecnologia, perfeitamente adaptados às necessidades de proteção e defesa dos 8.500 quilômetros do litoral brasileiro”, declarou o almirante Júlio Soares de Moura Neto, Comandante da Marinha do Brasil. “Estas construções se beneficiam das inovações desenvolvidas, nos últimos anos, pelos programas da Marinha nacional e reúnem as tecnologias mais avançadas, especificamente nos setores da hidrodinâmica, da discrição acústica, da automação e dos sistemas de combate. Foram também concebidas para permitir uma manutenção facilitada, de modo a fornecer uma disponibilidade maior.”

De acordo com a nota da DCNS, os submarinos serão construídos pela Itaguaí Construções Navais, uma joint venture criada conjuntamente no final de agosto de 2009 pelo DCNS (41%) e pela sua parceira brasileira Odebrecht (59%). O capital será de R$ 10 milhões. O governo brasileiro terá uma Golden Share na empresa, na qual será representada pela Marinha do Brasil. A expectativa da DCNS é que o projeto criará 700 empregos, sustentados por 15 anos.

Segundo a nota, o Presidente do Conselho de Administração do DCNS, Patrick Boissier, está consciente da responsabilidade assumida com o acordo. “Todas as nossas equipes estão mobilizadas para serem bem-sucedidas neste projeto ambicioso”, afirmou.

O acordo prevê os seguintes passos:

-Os quatro submarinos convencionais serão concebidos em cooperação com as equipes brasileiras dirigidas pela autoridade de concepção do DCNS. O Grupo assegurará igualmente a direção do projeto destas edificações construídas pela Itaguaí Construções Navais. Finalmente, entregará vários equipamentos de alta tecnologia.

-Um programa de produção local e de transferência de tecnologia permitirá que a Marinha do Brasil e a indústria brasileira de defesa participem no desenvolvimento e na produção de vários sistemas e materiais.

-O DCNS prestará assistência na concepção – dirigida pela autoridade de concepção da Marinha do Brasil – da parte não nuclear do primeiro submarino brasileiro com propulsão nuclear, que também será efetuada pela Itaguaí Construções Navais.

A DCNS informou ainda que prestará assistência na direção do projeto para a construção, por parte da Odebrecht, do estaleiro de construção naval, onde serão produzidos os cinco submarinos, bem como de uma base naval para a Marinha do Brasil.

O primeiro submarino convencional deverá ser concluído em 2015 e iniciará o serviço operacional em 2017, apto, segundo a DCNS, “a todos os tipos de missões anti-superfície ou anti-submarino, bem como às operações especiais ou à coleta de informações”.

FONTE: Ministério da Defesa - Brasil

FOTOMONTAGEM: DCNS

NOTA do BLOG 1: a nota ajuda a responder uma questão que já foi levantada no Blog: a data de 2015 seria mesmo a da conclusão do submarino, e não a da entrada em serviço (indicada como 2017)

NOTA do BLOG 2: para acessar a nota da DCNS, em francês, clique aqui.

07_mvg_sarkozyelula2vinheta-clipping-navalBRASÍLIA – O presidente francês, Nicolas Sarkozy, assistiu nesta segunda-feira o desfile de 7 de Setembro na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, como convidado de honra. Ele chegou ao Brasil na noite de domingo para assinar uma série de acordos com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva com o objetivo de fabricar submarinos e helicópteros com tecnologia francesa.

Pelo acordo, a Marinha brasileira vai aprender com os franceses a construir um submarino movido a energia nuclear. Na compra também estão incluídos quatro submarinos convencionais e uma frota de helicópteros para Força Área. Mas dessa visita ainda pode sair outro negócio de bilhões de reais.

Em entrevista à imprensa francesa, o presidente Lula confirmou o favoritismo dos caças franceses. Disse que as negociações para a compra dos aviões caça para a Força Aérea estão adiantadas, com uma condição:

- Para nós, a compra dos caças tem um componente que para o Brasil é sagrado: transferência de tecnologia e possibilidade de produzir partes do avião no Brasil.

O acordo de cooperação militar que os presidentes da França e do Brasil formalizam nesta segunda dá início ao ambicioso programa de reaparelhamento das Forças Armadas. Até 2020 o Brasil terá a maior e mais poderosa força naval da América Latina, equipada com submarinos, fragatas, navios leves, corvetas – um volume estimado em 35 unidades – além de mísseis de longo alcance, torpedos, aviões e helicópteros de tecnologia avançada.

Lula e Sarkozy devem assinar o acordo logo após o desfile na Esplanada dos Ministérios. O desfile começou às 9h. Lula chegou no Rolls Royce presidencial, acompanhado de sua mulher Marisa Letícia, depois de passar em revista as tropas. Logo depois o presidente seguiu para a tribuna de honra, localizada nas imediações do Ministério da Defesa, para as honras militares. Cerca de 3,6 mil pessoas participam do desfile, que tem um público estimado 50 mil pessoas.

FONTE: O Globo / FOTO: AFP

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Submarinos no Senado: velocidade máxima

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Coluna Painel da Folha de São Paulo destaca rapidez na aprovação, pelo Senado, do empréstimo relativo à construção dos novos submarinos da MB

vinheta-clipping-navalA soma dos lobbies da Marinha e da Odebrecht garantiu a aprovação, em tempo recorde, da autorização para o governo contrair empréstimos de R$ 16 bi que serão usados na construção de submarinos e helicópteros de tecnologia francesa destinados às Forças Armadas. A empreiteira fará os estaleiros.

Na semana passada, senadores da Comissão de Assuntos Econômicos foram chamados à Marinha, onde ouviram apelo para que tudo estivesse aprovado antes da visita de Nicolas Sarkozy, nesta segunda. Lá também se discutiu a escolha do relator, César Borges (PR-BA).

Trata-se do maior montante já aprovado de uma vez pela CAE. Não houve reparo ao relatório de Borges. No plenário, onde passou ontem, ninguém quis discutir. “Nunca vi tamanha pressa”, admite o presidente da CAE, Garibaldi Alves (PMDB-RN).

FONTE: Folha de São Paulo, via Notimp

NOTA do BLOG: o título e subtítulo são do Blog. O texto é da Folha de São Paulo

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vinheta-clipping-navalO Plenário do Senado aprovou, nesta quarta-feira (2), o Projeto de Resolução do Senado (PRS) 54/09, que autoriza a contratação de um empréstimo externo pelo Brasil no valor total de 4,32 bilhões de euros. Os recursos, fornecidos por um consórcio de bancos, destinam-se ao programa de Desenvolvimento de Submarinos (Prosub) da Marinha do Brasil.

O Prosub prevê a construção em série de quatro submarinos convencionais no Brasil, com aquisição de tecnologia de projeto e de construção dessas embarcações; o projeto e a construção de um estaleiro dedicado à construção de submarinos nucleares e convencionais; o projeto e a construção de uma base de apoio de submarinos convencionais e nucleares; e o projeto e a construção de um submarino nuclear.

De acordo com a Marinha do Brasil, a implementação do programa permitirá um incremento das atividades de presença, vigilância, proteção e defesa das áreas onde se encontram as instalações marítimas de petróleo e gás na plataforma continental. Além disso, devera contribuir para o desenvolvimento da construção naval no estado do Rio de Janeiro, gerando milhares de empregos diretos e indiretos.

Helicópteros

O Plenário aprovou ainda o PRS 55/09 que autoriza a contratação de empréstimo externo de 1,76 bilhão de euros visando a aquisição de 50 helicópteros de médio porte para emprego das três Forças. As aeronaves serão fornecidas pelo consórcio Helibras e Eurocopter, entre 2010 e 2016. Ao Comando da Aeronáutica caberão 18 unidades, e aos Comandos do Exército e da Marinha, 16 unidades cada.

FONTE: Agência Senado FOTO: Poder Naval Online

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Portugal possui a maior ZEE da Europa

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Segundo o Jornal de Defesa e Relações Internacionais, a ZEE (Zona Econômica Exclusiva) portuguesa tem 1.727.408 quilômetros quadrados de extensão geográfica, o que corresponde a 1,25% de toda a área oceânica sob jurisdição de países. Os estudos de extensão da plataforma continental (ver ilustração abaixo) irão atribuir a Portugal a jurisdição de novo território marítimo, acrescentando de 240.000 quilómetros quadrados a 1,3 milhões de quilómetros quadrados, isto é, 14,9 vezes a área de Portugal Continental. Com este acréscimo Portugal passará a ter um área total de 3.027.408 km2, o que fará saltar de 11.ª maior ZEE do mundo para 10.ª, imediatamente atrás do Brasil com 3.660.955 km2.

ZEE Portugal

FONTE: mmsvreal.blogspot.com

 

Desde que a Marinha do Brasil decidiu dar continuidade ao Programa de Construção de submarinos, uma grande luta foi travada nos bastidores para ver quem é que conseguiria fechar o novo contrato bilionário.

Os alemães, que nos últimos 25 anos ajudaram o Brasil a construir localmente quatro submarinos IKL-209/1400 no AMRJ (foto acima), eram os favoritos. Além de contar com a base já instalada, que precisaria de modificações mínimas para construir seus submarinos U-214, os alemães possuem experiência na transferência de tecnologias para vários países e escala para garantir um produto mais barato.

Mas os franceses, aproveitando-se da troca de comando da Marinha e de uma aproximação do Governo Francês com o Brasileiro, acenaram com a venda de seus submarinos Scorpène e a transferência de tecnologia para o casco de um submarino nuclear.

Enquanto os estaleiros alemães não contavam com apoio de seu Governo no negócio, os franceses contaram com total apoio do seu para a sua proposta.

A tranferência de tecnologia alemã ao Brasil

Tudo o que a Marinha diz que será novo com os franceses, na verdade é uma repetição do que já ocorreu no passado com os alemães.

Quando o Ministro da Defesa diz que não houve transferência de tecnologia ao Brasil para a construção de submarinos ele contradiz tudo o que a Marinha disse até hoje sobre o assunto.

Sobre  a construção dos submarinos Tupi segue um texto da Marinha:

“Durante o período de construção do submarino Tupi no estaleiro HDW, um grupo de Engenheiros, Técnicos e Operários, perfazendo um total de 70 funcionários, foi enviado àquele estaleiro para a realização de estágios, de acordo com as suas especializações técnicas. A duração média destes estágios foi de aproximadamente 5 meses. Nesta oportunidade foi possível acompanhar as principais etapas da construção e adquirir os conhecimentos técnicos necessários à realização e construção no Brasil. Todas as informações obtidas no decorrer dos períodos de treinamento dos estagiários foram registrados em inúmeros relatórios, para que pudessem posteriormente, já no Brasil, servirem de fonte de consulta e banco de dados para a preparação das equipes de construção”.

Sobre  a transferência da tecnologia do casco resistente:

“A tecnologia de construção do casco resistente, absorvida pela Marinha no estaleiro HDW, foi então implantada na NUCLEP. Isto só pode ser viabilizado através da participação conjunta do pessoal técnico daquela empresa com o pessoal técnico da Marinha que havia sido treinado na Alemanha.”

Sobre  a transferência de tecnologia ao pessoal brasileiro para o projeto do submarino brasileiro (SNAC-I), que seria o precursor do submarino nuclear:

O então Ministério da Marinha contratou a HDW / IKL para fornecer um programa de treinamento para a elaboração de um projeto próprio de submarino no Brasil. Para esta finalidade, cerca de 30 engenheiros foram destacados para participar do treinamento durante os anos 1985 e 1986, seguido de uma fase de concepção de projeto entre os anos 1986 e 1990.

Houve treinamento de projeto de submarino no Rio de Janeiro, na forma de palestras, de 1º de abril a 7 de maio de 1985. Foram abordados os assuntos hidrodinâmica, resistência de materiais, termodinâmica, arquitetura naval de submarinos, física e química relacionada a submarinos.

Também foi feito o treinamento de projeto de submarinos na IKL em Lübeck, Alemanha, na forma de palestras, de 20 de maio a 19 de julho de 1985. Foram abordados os assuntos de projeto de casco de submarinos, propulsão, “lay-out” e eletricidade de submarinos.

Entre 5 de agosto a 6 de dezembro de 1985, foram abordados temas sobre mecânica, elétrica, automação e eletrônica, comunicações e sensores/sistemas de combate de submarinos.

Entre janeiro de 1986 e junho de 1990 (54 meses), o treinamento consistiu da Fase de Projeto de Concepção de um projeto próprio, baseado nos requisitos da Marinha do Brasil para um submarino convencional de grande porte, compreendendo as seguintes partes:
1.Estudo de Viabilidade (janeiro de 1986 a março de 1986)
2.Projeto de Concepção (abril de 1986 a dezembro de 1986)
3.Fase Preliminar do Projeto (janeiro de 1987 a maio de 1987)
4.Fase de Projeto de Contrato (julho de 1988 a junho de 1990).

Em 1º de outubro de 1990, todas as atividades foram interrompidas por parte da Marinha do Brasil.

Então, quando o Ministro da Defesa diz que não houve transferência de tecnologia alemã para projetos de submarinos, ele deve estar no mínimo mal informado.

Submarino Nacional I - SNAC-I

‘Jogando fora a água da banheira junto com o bebê’

A impressão que fica é que para justificar a compra dos submarinos franceses, a Marinha resolveu desqualificar seus atuais submarinos e todo o trabalho que já foi feito até agora.

Esquecem-se de que até 2015, os únicos submarinos que farão parte da Força de Submarinos do Brasil serão os 5 classe “Tupi” que foram construídos aqui com transferência de tecnologia alemã.

Uma falácia que está sendo usada é dizer que os alemães não sabem construir um submarino nuclear, pois nunca construíram um. Não mencionam que a Alemanha já construiu um navio de propulsão nuclear e que qualquer casco de submarino convencional com diâmetro suficiente, pode receber uma planta de propulsão nuclear, com pequenas adaptações como blindagem anti-radiação e outros detalhes. Coisas que o Brasil também deverá fazer sozinho, pois a França só vai ajudar no projeto do casco e não na parte nuclear.

Agora que o contrato com a França está prestes a ser assinado, resta-nos torcer para que os atrasos na construção dos submarinos não sejam grandes como estão ocorrendo na Índia e que o projeto do casco do submarino nuclear brasileiro possa fluir de acordo com o cronograma.

E, finalizando, que os futuros governos não interrompam novamente este novo ciclo de construção naval militar, para que não tenhamos novamente que reinventar a roda no futuro.

SAIBA MAIS:

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scorpene-2

vinheta-clipping-navalA construção, pela Marinha do Brasil, de quatro submarinos convencionais baseados no Scorpène e de um submarino movido a propulsão nuclear, a partir de acordo estratégico assinado com a França, fortalecerá a proteção das riquezas marítimas brasileiras, principalmente as reservas petrolíferas. A avaliação foi feita a parlamentares pelo ministro da Defesa, Nelson Jobim, em exposições nas comissões de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado (28/8) e da Câmara (27/8).Segundo Jobim, essa capacitação colocará o Brasil no seleto clube de cinco países que conseguem projetar, construir e operar submarinos de propulsão nuclear: Estados Unidos, Reino Unido, França, Rússia e China. Com esse submarino, o Brasil terá equipamento dissuasório fundamental para garantir a defesa pró-ativa das águas jurisdicionais brasileiras.

“Estamos a caminho de termos uma capacidade dissuasória absolutamente necessária considerando que o Brasil tem riquezas no pré-sal e no solo marinho”, disse o ministro. O submarino de propulsão nuclear é mais veloz (movimenta-se a uma velocidade de até 65,52 Km/h, sendo que o convencional desenvolve até 11,232 Km/h), pode imergir por tempo indeterminado e alcança vastas áreas geográficas.

A diferença entre o Brasil e os países que já fabricam submarinos de propulsão nuclear, ressaltou o ministro, é que eles equipam seus submarinos com armas nucleares, o que não acontecerá no Brasil. “O Brasil tem uma proibição constitucional de construir e usar armas nucleares. Os armamentos que utilizaremos no submarino serão convencionais. Nós não vamos utilizar e não vamos produzir armas nucleares”, assegurou o ministro.

Ele explicou que o enriquecimento do urânio que é feito pela Marinha do Brasil no Centro de Aramar, em Iperó (SP), é destinado ao reator que dará a propulsão nuclear do submarino e aos reatores nucleares que serão construídos pelo Brasil para a geração de energia elétrica.

O ministro explicou aos senadores que a Estratégia Nacional de Defesa (END) definiu como objetivos estratégicos de atuação da Marinha do Brasil a negação do uso do mar, o controle de áreas marítimas e a projeção de poder. Esses objetivos têm como foco: a defesa pró-ativa das plataformas petrolíferas; a defesa pró-ativa das instalações navais e portuárias, dos arquipélagos e das ilhas oceânicas nas águas jurisdicionais brasileiras e prontidão para responder a qualquer ameaça às vias marítimas de comércio.

Para assegurar o cumprimento desses objetivos a Marinha precisa reforçar seus meios, como a criação de batalhões e esquadras, compras de aviões, helicópteros e também a construção dos submarinos. “Esses equipamentos decorrem do fortalecimento do poder naval e das diretrizes para a Marinha traçadas na Estratégia”, disse Jobim.

Jobim explicou que o contrato que será assinado com a França em 7 de setembro, em decorrência do acordo já firmado, prevê a construção de quatro submarinos convencionais do tipo Scorpène e a construção de todas as partes não nucleares (casco resistente, sistema de controle de imersão, sensores, moto elétrico de propulsão etc) do submarino de propulsão nuclear. “A negociação com os franceses é exclusivamente da parte não nuclear, tudo com transferência de tecnologia para o Brasil. A parte nuclear é nossa. É o combustível e o reator”, disse Jobim.

A construção da seção de proa (tubos de torpedos) do primeiro submarino convencional será feita, na França, por técnicos da empresa francesa DCNS acompanhados de técnicos brasileiros da Marinha. As demais seções do primeiro submarino e todas as seções dos outros quatro submarinos serão feitas no Brasil, pela Marinha com assessores da DCNS.

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O acordo prevê ainda a construção de um estaleiro e de uma base em Itaguaí, no Rio de Janeiro, pelo Consórcio Baía de Sepetiba, formado pela DCNS e a Construtora Odebrecht. A operação do estaleiro e a construção e manutenção dos submarinos ficarão com uma Sociedade de Propósito Específico (SPE) a ser constituída pela Odebrecht (50%), pela DCNS (49%) e pelo governo federal (1%). A União terá “golden share” nessa SPE e participará do Conselho de Administração. Mas desde o início, o patrimônio do estaleiro e da Base serão da União.

O projeto dos submarinos custará 6,690 bilhões de euros e a previsão é que eles estejam concluídos em 2021. O primeiro submarino convencional deverá estar pronto em 2015. A operação de crédito que financiará o projeto dos submarinos será feita por um consórcio formado pelas instituições financeiras BNP Paribas S.A, Société Générale, Santander S.A, Calyon S.A, Credit Industriel Et Commerciel Natixis e Santander.

Na quarta-feira (26/08) o presidente Lula enviou ao Senado a mensagem de número 169 solicitando a autorização da contratação de operação de crédito no valor 4,324 bilhões de euros entre o Brasil e as instituições financeiras que formam o consórcio. O restante dos recursos virá do Orçamento Geral da União. (veja o detalhamento da operação financeira na apresentação feita pelo ministro).

Jobim ressaltou que a principal diferença entre o acordo com os franceses e o assinado na década em 1993 com os alemães para a construção dos submarinos Tikuna é que os franceses vão transferir, não apenas a tecnologia de construção, mas também a de projeto, entre outras.

O Brasil firmou o acordo com a França para a construção do submarino a propulsão nuclear por que este foi o único país que aceitou fazer a transferência de tecnologia. O acordo teria que ser feito com um país que produzisse os dois tipos de submarino, o convencional e o nuclear. Isso para que nossos técnicos pudessem absorver a tecnologia -tanto de projeto quanto de construção- durante a execução dos submarinos convencionais. Somente Rússia e França fabricam os dois tipos, mas os russos não aceitaram transferir tecnologia.

A Alemanha, além de não ter tecnologia de submarinos de propulsão nuclear, já em 1983 não se dispôs a transferir ao Brasil a tecnologia de projeto dos convencionais. “O projeto de 1983 foi inteiramente elaborado na Alemanha, sem participação de técnicos brasileiros. Não aprendemos a projetar os submarinos e nem a fazer a manutenção das partes sensíveis. Tudo foi feito pelos alemães. Não houve qualquer transferência de tecnologia”, argumentou Jobim.

FONTE: Ministério da Defesa

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