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vinheta-clipping-navalA inauguração da Unidade de Fabricação de Estruturas Metálicas (Ufem) faz com que o Brasil entre no seleto grupo de países que têm submarinos de propulsão nuclear, e que integram o Conselho de Segurança das Nações Unidas. A avaliação foi feita pela presidenta Dilma Rousseff, nesta sexta-feira, em cerimônia de inauguração da fábrica que integra o Programa de Desenvolvimento de Submarinos (PROSUB) e reaquece a indústria naval brasileira.

“Nós podemos dizer, com orgulho, que essa obra, ela é produto da iniciativa de várias, de múltiplas instituições privadas e públicas. Podemos dizer que, de fato, com ela nós entramos no seleto grupo que é aquele dos integrantes do Conselho de Segurança das Nações Unidas – únicas nações que têm acesso ao submarino nuclear: Estados Unidos, China, França, Inglaterra e Rússia”, disse.

O ministro da Defesa, Celso Amorim, que participou da solenidade, endossou o discurso da presidenta Dilma. Amorim lembrou que o Brasil tem incrementado sua indústria de defesa e, como resultado, o setor tem proporcionado a geração de milhares de postos de trabalho. O ministro lembrou também a recente vitória da Embraer para a venda de aviões Super Tucano aos Estados Unidos.

“Estamos todos emocionados em poder estar aqui numa obra que é símbolo desse Brasil que está sendo criado”, afirmou.

Submarinos

A presidenta Dilma iniciou o discurso informando que estivera no mesmo local há três anos, e que naquele instante “era um momento especial para todos nós – naquela época eu era ministra-chefe da Casa Civil da Presidência da República, durante o governo do presidente Lula”. E lembrou: “De lá para cá, toda essa fantástica estrutura foi construída, e aqui neste lugar se erigiu um projeto que é muito importante para o Brasil.”

prosub_pequena2E continuou: “E eu me refiro tanto à unidade de fabricação de estruturas metálicas que está nesse momento sendo inaugurada, como a toda a infraestrutura construída aqui nessa região. Foram três anos e, por isso, é muito importante que a gente dirija uma saudação especial à Marinha do Brasil, aos seus oficiais, a todos aqueles da Marinha que contribuíram para que isso, junto com o Ministério da Defesa, ficasse de pé.”

No discurso, Dilma Rousseff enfatizou a parceria com o governo fluminense e o empenho da Odebrecht, que ergueu a estrutura física da obra. “Junto com o programa nuclear da Marinha, nós estamos vendo que aqui também se cria um polo de referência. Um polo de referência baseado nesse contrato que nós firmamos com a França em dezembro de 2008. E esse contrato tem por objetivo garantir a transferência de tecnologia e a formação de profissionais brasileiros na construção de submarinho”, contou.

A presidenta também fez menção ao desenvolvimento da indústria nacional. “Eu gostaria de louvar um fato que é muito importante: uma indústria da defesa, como disse o ministro Celso [Amorim], é uma indústria da paz. Mas eu acho que a indústria da defesa é, sobretudo, a indústria do conhecimento. Aqui se produz tecnologia, aqui tem também um poder imenso de difundir tecnologia”, afirmou.

Segundo Dilma, o fato de o Brasil viver em paz com seus vizinhos e de não se envolver em disputas bélicas não afasta a noção de que o mundo é complexo. Esse cenário exige do país a capacidade de se inserir no contexto internacional de forma cada vez mais pacífica e dissuasória.

“Todos nós temos consciência, no entanto, que o mundo é um mundo complexo. O Brasil assumiu, nos últimos anos, uma grande relevância. Um país como o Brasil tem esse mérito de ser um país pacífico. Isso não nos livra de termos uma indústria da defesa e temos toda uma contribuição a dar na garantia da nossa soberania, e nos inserirmos cada vez de forma mais pacífica e dissuasória preventivamente no cenário internacional”, disse.

Cerimônia

Logo pela manhã, era intensa a movimentação nas imediações da Nuclebrás. Pessoas chegavam apressadamente para participar da cerimônia de inauguração da Ufem. Políticos, empresários e operários se movimentavam. Tropas da Marinha circulavam pelo local para ordenar o fluxo de pessoas.

prosub3Em poucas horas, o pátio central da unidade fabril estava tomado pelo público, que aguardava a chegada da presidenta Dilma e das demais autoridades. O ato foi iniciado com a saudação do prefeito de Itaguaí (RJ), Luciano Mota, que destacou a importância do empreendimento para o desenvolvimento econômico do município.

Coube ao comandante da Marinha, almirante Julio Soares de Moura Neto, elencar as características do programa de construção de submarinos naquela base.  O empreendimento iniciado em 2011 prevê investimentos de R$ 7,8 bilhões e deve estar concluído em 2017, quando entrará em operação o primeiro dos quatro submarinos convencionais. O PROSUB vai empregar 9 mil pessoas e produzir outros 32 mil postos de trabalho indiretos.

O governador do Rio, Sergio Cabral, destacou em discurso a importância da parceria com o governo federal e disse que os resultados permitem alavancar a economia fluminense. Ao término do evento, os jornalistas presentes visitaram as obras de Itaguaí.

FONTE: Ministério da Defesa

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vinheta-clipping-navalO Brasil está mais perto de ter seu submarino nuclear, um projeto dos militares há 40 anos. Se tudo andar conforme o cronograma da Marinha do Brasil, o SNBR, sigla para Submarino Nuclear Brasileiro, estará navegando em 2025. Hoje será inaugurada em Itaguaí, no Rio de Janeiro, a unidade de produção de onde sairão seus componentes internos e dos outros quatro submarinos convencionais que vão substituir a atual frota.

A presidente Dilma Rousseff inaugura hoje de manhã a Unidade de Fabricação de Estruturas Metálicas (Ufem), iniciada em 2010. Trata-se de uma fábrica grande, com um galpão de 40 metros, 90 mil m2, sendo 53 mil m2 de área construída. Fica a três quilômetros da Nuclebrás Equipamentos Pesados S.A. (Nuclep), ligada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. A Nuclep constrói os cilindros do casco, a parte do submarino onde ficam os tripulantes. Enquanto a Nuclep fabrica o corpo do submarino, a Ufem faz as estruturas mais leves e internas – os convés, as anteparas, as bases da tubulação e dos equipamentos além da proa e da popa.

O processo de construção dos submarinos acontece simultaneamente em várias unidades. A intenção é que cada um deles fique pronto em cinco anos, o prazo para que não estejam logo obsoletos, explica o almirante Alan Paes Leme Arthou, gerente do projeto e construção da base e do estaleiro de Itaguaí. O primeiro dos quatro submarinos convencionais – a família dos SBR que terá nome das batalhas navais da Guerra do Paraguai-, deve ficar pronto em 2015. Permanece dois anos em teste e será entregue em 2017. O segundo será entregue 1,5 ano depois e assim por diante até que o quarto fique pronto em 2020.

Cada um dos submarinos convencionais custa € 500 milhões (quase R$ 1,3 bilhão). Substituirão a frota existente, de cinco submarinos (Tupi, Tamoio, Timbira, Tapajó e Tikuna), com vida útil entre 25 e 30 anos e baseados em projeto alemão. A nova família tem cinco metros a mais que os franceses Scorpène, da Direction des Constructions Navales et Services (DCNS). Ali cabem 40 tripulantes.

O submarino nuclear, que será batizado de Álvaro Alberto (homenagem ao militar que introduziu a energia nuclear no Brasil), é bem maior e custará € 2 bilhões (R$ 5,19 bilhões). São cem tripulantes.

O projeto em curso pela Marinha inclui três frentes – a que vai construir o submarino nuclear, a que construirá os quatro submarinos convencionais e as instalações para fazer tudo isso. O plano prevê a construção do estaleiro e de uma base naval. O chamado Prosub (Programa de Desenvolvimento de Submarinos) é o maior contrato militar internacional do Brasil – são € 6,7 bilhões (ou R$ 17 bilhões). Parcela desses recursos para o projeto de defesa brasileiro faz parte de um financiamento a ser pago pelo Brasil em 20 anos, até 2029, a um consórcio formado pelos bancos BNP Paribas, Societé Generale, Calyon Credit Industriel et Commercial, Natixis e Santander.

Cerca de 70 brasileiros estiveram nos estaleiros da DCNS, em Cherbourg, para transferência de tecnologia e capacitação. Uma empresa formada pela DCNS e pela Odebrecht, de propósito específico, constrói a base naval e o estaleiro em Itaguaí.

O projeto de construção dos submarinos faz parte de um acordo entre Brasil e França assinado em setembro de 2009 entre os então presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Nicolas Sarkozy. A França não passa ao Brasil a tecnologia da propulsão nuclear. “Ninguém, no mundo, fornece tecnologia para enriquecer urânio, que é o combustível do submarino nuclear”, diz o almirante. O Brasil já enriquece urânio desde 1985.

Hoje meia dúzia de países têm submarinos nucleares: Estados Unidos e Rússia (já tiveram cerca de 170 cada e agora possuem 70), Inglaterra e França (dez cada), e China (com quatro). A Índia também tem um projeto, como o Brasil.

O almirante Arthou dá uma ideia da complexidade de se fazer um submarino nuclear. “É o bem mais complexo que se pode produzir no mundo”, diz. Um carro tem cerca de 3 mil peças, um avião caça, 100 mil. Um avião comercial de última geração, 150 mil peças. Na Challenger são 180 mil peças. “Um submarino nuclear tem entre 800 mil a 900 mil peças, dependendo do projeto.”

FONTE: Valor Econômico via Resenha do Exército

Prosub: UFEM será inaugurada no dia 1º de março

A construção da Unidade de Fabricação de Estruturas Metálicas (UFEM), do estaleiro e da base naval em Itaguaí está orçada em R$ 7,8 bilhões, com desembolsos até 2017.

 

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vinheta-clipping-navalA Marinha do Brasil vai inaugurar, dia 01 de março, a primeira unidade industrial para construção do primeiro submarino de propulsão nuclear do país, em Iataguaí, no estado do Rio de Janeiro.

A inauguração da Unidade de Fabricação de Estruturas Metálicas (UFEM), no âmbito da execução do Programa de Desenvolvimento de Submarinos, iniciado pela Marinha em 2008, “representa marco importante para a construção naval brasileira, por tratar-se da primeira parcela da infraestrutura que vai capacitar o país para a construção e manutenção de submarinos convencionais e nucleares’”, anuncia a Marinha em comunicado.

A construção da UFEM, do estaleiro e da base naval em Itaguaí está orçada em R$ 7,8 bilhões, com desembolsos até 2017.

Participarão da solenidade, além da presidente da República, Dilma Rousseff, o ministro da Defesa, Celso Amorim, o embaixador da França no Brasil, Bruno Delaye, o comandante da Marinha, almirante-de-esquadra Julio Soares de Moura Neto, e diversas autoridades civis e militares, do Brasil e da França.

O Programa de Desenvolvimento de Submarinos (PROSUB) é, hoje, o mais importante projeto em desenvolvimento pela Marinha, e resulta de uma parceira estratégica, firmada em 2008 pelos presidentes do Brasil e da França.

Essa parceria prevê a transferência de tecnologia e a formação de consórcios entre empresas dos dois países, para atender aos objetivos estratégicos comuns. Assim, a DCNS, empresa francesa contratada para transferir tecnologia, formou, com a construtora brasileira Odebrecht, o Consórcio Baia de Sepetiba, destinado à construção de um estaleiro para fabricar os submarinos e de uma base naval para apoiá-los.

O PROSUB prevê a fabricação de cinco submarinos, sendo quatro deles convencionais, isto é, dotados de propulsão diesel-elétrica, e um com propulsão nuclear. Para viabilizar essa fabricação, foi constituída uma Sociedade de Propósito Específico (SPE), denominada Itaguaí Construções Navais (ICN), também formada pela Odebrecht e pela DCNS, mas tendo a Marinha do Brasil como detentora de uma ação preferencial do tipo golden share. Caberá à ICN empregar as instalações do estaleiro, que incluem a UFEM, exclusivamente para a construção dos cinco submarinos previstos no contrato.

No comunicado, a Marinha brasileira destaca que “está excluída desse acordo com a França a transferência de tecnologia para a construção da planta de propulsão do submarino nuclear, cuja responsabilidade cabe exclusivamente à Marinha, com base em tecnologia própria, desenvolvida no Centro Tecnológico da Marinha em São Paulo (CTMSP).

O prazo para o término do estaleiro de construção é dezembro de 2014, enquanto que o da base naval é 2017, sendo que o primeiro dos quatro submarinos convencionais, cuja fabricação estará pronta em 2015, será entregue para operação em 2017, após os inúmeros testes a que será submetido. Os outros submarinos convencionais serão entregues em intervalos de dezoito meses.

O primeiro submarino com propulsão nuclear deverá ficar pronto em 2023, seguindo-se cerca de dois anos de testes no mar, antes de entrar em operação.

O projeto do submarino de propulsão nuclear já está sendo desenvolvido por brasileiros desde o ano passado. Engenheiros navais da Marinha realizaram diversos cursos relativos a projeto de submarinos na França, entre agosto de 2010 e maio de 2012. Esses engenheiros já retornaram ao Brasil e iniciaram, em 06 de julho de 2012, no escritório técnico conjunto Marinha do Brasil/DCNS, instalado no CTMSP, o desenvolvimento do projeto do submarino com propulsão nuclear brasileiro.

O PROSUB irá gerar, no auge, mais de nove mil empregos diretos e outros 32 mil indiretos. Adicionalmente, na área de construção naval, projeta-se para o período de construção dos submarinos a criação de cerca de dois mil empregos diretos e oito mil indiretos permanentes. Por último, o PROSUB inclui um processo de nacionalização com base em transferência de tecnologia que prevê a fabricação, no País, de vários equipamentos dos submarinos convencionais e do nuclear, o que elevará o patamar tecnológico das empresas brasileiras e possibilitará a criação de mais empregos.

A construção e operação de um submarino com propulsão nuclear, desenvolvido com tecnologia altamente sensível, são dominadas por poucos países. Atualmente, apenas China, Estados Unidos da América, França, Inglaterra e Rússia detêm esse domínio tecnológico. Com o PROSUB, o Brasil passará a integrar esse grupo.

FONTE: Portugal Digital

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O vídeo mostra o andamento das obras do PROSUB na cidade de Itaguaí (RJ), a construção já avançada da Unidade de Fabricação de Estruturas Metálicas (UFEM) e o começo das obras no cais e no que será o futuro estaleiro.

 

FONTE: Canal da MB no Youtube

 

No enorme e altamente protegido estaleiro da empresa francesa Direction des Constructions Navales et Services (DCNS), em Cherbourg, a “Cité de la Mer” (cidade do mar), a 360 quilômetros de Paris, a mistura de português e francês tornou-se comum.

Aqui está tomando corpo o maior contrato militar internacional do Brasil: o Programa de Desenvolvimento de Submarinos (Prosub), estimado em R$ 15 bilhões (€ 6,7 bilhões) – superior em R$ 4 bilhões à licitação de 36 caças militares que continua indefinida e da qual todo mundo fala.

Desta vez, os brasileiros não estão só comprando, e sim procurando fazer. Equipes de técnicos e engenheiros brasileiros se revezam por etapas no estaleiro francês, vestindo um uniforme verde com a bandeira nacional.

O contrato entre a Marinha brasileira e o consórcio Bahia de Sepetiba (formado pela francesa DCNS e a brasileira Odebrecht) implica a construção conjunta de cinco submarinos, incluindo um submarino nuclear de ataque.

Na visita da presidente Dilma Rousseff a Paris, amanhã e quarta-feira, a ênfase da parceria estratégica na inovação terá como modelo precisamente o caso dos submarinos, considerado inédito tanto para a França como para o Brasil. Com a parceria, a França ganha escala e dinamismo, e o Brasil acelera sua capacitação tecnológica.

A expectativa é que a cooperação na área de submarinos estimulará a indústria brasileira de defesa, inclusive com investimentos de grupos franceses no Brasil. Analistas notam também a importância do financiamento externo. Dos € 6,7 bilhões, cerca de € 4,3 bilhões são crédito francês em 20 anos, o que ajudou a Marinha a não ter o projeto paralisado.

Depois de EUA, França, Rússia e China, somente duas nações têm no futuro previsível condições de ingressar no clube dos submarinos nucleares: Brasil e Índia. E, entre essas potências, só a França considera o Brasil como parceiro privilegiado, com quem a cooperação não tem limites, afirma o embaixador brasileiro em Paris, José Maurício Bustani.

O ministro da Defesa francês, o socialista Jean-Yves Le Drian, tem repetido que o acordo “é exemplo de uma parceria exemplar com transferência de tecnologia nunca atingida até agora”. E propõe adotar cooperação sem restrição também para vender os caças Rafale.

Ministério da Defesa francês propõe adotar cooperação sem restrição também na venda dos caças Rafale

A França teve de superar pressões de outros parceiros para compartilhar tecnologia de alta sensibilidade. Uma fonte nota que pela primeira vez Paris passou a “linha vermelha” na área nuclear, apesar de o Brasil não ter assinado protocolo adicional do Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP).

Os franceses detêm todo o leque das indústrias de soberania, como espacial, defesa, nuclear, aeronáutica e construção naval. Mas sua condição é de potência média, enfrentando cada vez mais dificuldades para garantir sozinha as economias de escala necessárias para continuar na vanguarda tecnológica e industrial.

A analista Helene Masson constata, na revista “Géoéconomie”, de Paris, que os grandes grupos industriais de defesa estão privilegiando relações de parceria e divisão de riscos financeiros e tecnológicos. A transferência de tecnologia tornou-se um critério-chave e que se impõe nas compras de equipamentos de defesa. Hoje, Índia, Brasil, Coreia do Sul e Emirados Árabes Unidos são países particularmente agressivos para obter transferência de tecnologia, segundo Masson.

Os franceses procuram mostrar que o Brasil é mais do que um grande cliente de equipamentos, e sim um parceiro estratégico para dividir o custo da inovação tecnológica. Os dois governos querem estimular joint ventures para competir juntos no mercado internacional contra rivais dos Estados Unidos e da China.

Além disso, o Brasil tem um programa bilionário, estimado em pelo menos R$ 200 bilhões, de reaparelhamento das Forças Armadas nos próximos 20 anos. Os franceses querem ser escolhidos não só na venda dos caças (FX2), como na de porta-aviões (Pronae), navios de superfície (Prosuper), vigilância e controle marítimo (Sisgaaz). Outro interesse é o programa de grande satélite geoestacionário de telecomunicações (SBG), que vai pilotar toda a banda larga e ser usado em parte da defesa brasileira.

A Marinha tem cinco submarinos (Tupi, Tamoio, Timbira, Tapajó e Tikuna), inspirados no projeto de submarino alemão tipo 209 e que precisarão ser substituídos gradualmente. Isso ocorre num cenário em que o Brasil pleiteia junto às Nações Unidas estender sua área marítima, atualmente de 3,5 milhões de km2, até os limites de sua plataforma continental. Isso significa superar as 200 milhas náuticas de sua zona econômica exclusiva. Incorporando uma área adicional de 963 mil km2, a área marítima será o equivalente à quase metade do território terrestre.

Essa gigantesca área oceânica tem enormes interesses econômicos, incluindo concentração de minerais estratégicos. Também do subsolo marítimo o Brasil retira a maior parte de seu petróleo e gás. O especialista Eduardo Italo Pesce escreveu que, “apesar de possuir a sexta economia mundial, o Brasil é a mais vulnerável entre as potências emergentes”.

Nesse cenário, o Prosub inclui a construção de quatro submarinos convencionais diesel-elétrico; a fabricação de um submarino nuclear, cabendo ao Brasil o desenvolvimento do motor a propulsão nuclear e da “ilha nuclear” do estaleiro; fornecimento de torpedos e sistemas de combate; a construção de estaleiro e de base naval em Itaguaí (RJ), com capacidade de operar submarinos convencionais e nucleares.

Significa transferência de tecnologia por décadas, na concepção, projeto, fabricação e manutenção de submarinos convencionais e nucleares.
Parte da equipe de técnicos e engenheiros brasileiros que trabalham na construção do submarino em Cherbourg

Mas os brasileiros não se enganam com a expressão “transferência de tecnologia”. “Você pode transferir equipamentos e dados técnicos, mas tecnologia é capacidade de projetar e de fazer, e isso é adquirido, não transferido”, diz Bustani. “A melhor maneira de transferir tecnologia é projetando e fazendo coisas juntos.”

O chefe das operações pelo lado brasileiro em Cherbourg, o comandante Guilherme Dionísio, que chefiou a construção do último submarino no Brasil, o Tikuna, lançado em 2005, acrescenta: “Transferência de tecnologia é absorção. É preciso ter gente com capacidade de absorver, estudar, fazer perguntas adequadas e saber processar o conhecimento. Senão, será mero espectador. Por isso, muitas vezes a transferência de tecnologia falha.”

A maioria dos brasileiros que trabalha no projeto participou antes na construção dos cinco submarinos atuais da Marinha, diz o comandante Humberto Caldas da Silveira Júnior, chefe do Prosub na França e ex-comandante do submarino Timbira.

Desde agosto de 2010, quando começou a construção do primeiro submarino, em Cherbourg, mais de 220 brasileiros receberam cursos e programas de formação na França. A cooperação e transferência de tecnologia ocorrem através dos projetos de submarinos em Lorient, sistemas de combate em Toulon, sonares em Sophia-Antipolis e torpedos em Saint-Tropez. Cerca de 80 militares e engenheiros foram formados na França e voltaram ao Brasil para treinar pessoal suplementar.

Os cursos de engenharia em Lorient já ajudaram na concepção preliminar do submarino nuclear no Brasil neste ano. Além disso, desenvolve-se o estaleiro naval em Itaguaí, que será inaugurado provavelmente em janeiro.

Cherbourg já era um porto militar importante sob Luís XVI. É hoje conhecido internacionalmente por ter sido o principal objetivo das tropas americanas no desembarque na Normandia, em 1944, no assalto contra os nazistas.

Aqui era o antigo Arsenal da Marinha francesa, que foi privatizado, mas continua com influência do capital estatal. A verificação de acesso é discreta, mas firme. Existe uma preocupação constante com espionagem industrial.

A reportagem do Valor visitou a construção do submarino acompanhado do adido naval brasileiro em Paris, comandante Jorge Machado, e do chefe do Prosub na França, comandante Silveira Júnior, ambos com ampla experiência no acompanhamento dos projetos com os franceses.

A oficina de construção parece uma enorme caixa azul no centro do estaleiro. Lá dentro, o espaço é dividido por uma cortina branca que vai até o teto fechado. De um lado, está o “Espaço Brasil da Marinha brasileira”. Do outro, a construção da próxima classe de submarinos nucleares de ataque franceses, o Barracuda. Ninguém tem direito de atravessar a linha. Os raros visitantes, então, nem pensar.

“Não faça fotos, senão vou preso”, avisa um funcionário francês. A DCNS contratou uma fotógrafa para a visita. Menos para fotografar, na verdade. Nada de foto do que já existe do submarino. A explicação é que um olho especializado vai identificar segredos. No dia seguinte, fotos com o submarino foram encontradas em site da mesma empresa.

Para os brasileiros, Cherbourg une a atividade de transferência de tecnologia e o acompanhamento e construção do submarino.
Croqui do submarino brasileiro que está sendo construído em Cherbourg, inspirado no modelo francês Scorpène

Mas aqui só será feita a primeira parte do primeiro submarino, que inclui a proa e a vela, já em fase final. A segunda parte e os outros submarinos vão ser construídos no Brasil. A expectativa é incluir cada vez mais equipamentos brasileiros de firmas que estão se capacitando, podendo criar um importante polo industrial naval em Itaguaí.

O primeiro submarino deve ser lançado em 2017, o segundo, 18 meses depois. E a grande novidade, o submarino nuclear, em 2021.

Técnicos e engenheiros brasileiros discutem animadamente em torno de gráficos e desenhos. Os documentos vêm em inglês e francês. Eles contam com a ajuda de uma tradutora francesa que morou na Bahia. Todos assinaram cláusula de confidencialidade.

Os submarinos brasileiros não serão uma cópia exata do modelo Scorpène, que a França exporta para o mundo todo. A embarcação francesa tem 60 metros e 1.700 toneladas. Já o brasileiro SBR será mais longo, com 71 metros e 1.850 toneladas, incluindo uma seção desenhada por técnicos brasileiros, que dará mais autonomia e raio de ação ao submarino.

A jovem capitão-tenente Luciana Verissimo tem uma tarefa precisa em Cherbourg: aprofundar-se no planejamento da construção de submarino. Como o espaço é muito confinado, é preciso ter clareza sobre a sequência da fabricação. Com 32 anos na Marinha, o engenheiro naval Alberto Dumont Pinto Ferreira chefia a inspeção de material comprado dos franceses.

Solda, pintura, amortecedor. Os mínimos detalhes são estudados e aperfeiçoados. Um aço especial torna a resistência mais elevada e a espessura do submarino mais leve. E isso faz a soldagem mais complicada e exige mais qualificação. Pedro, Galvão, Vagner e outros técnicos dizem que precisam aprender o método francês de construir submarino, e também garantir a rastreabilidade, para saber onde fazer no futuro um reparo de maneira correta.

Numa área cercada por cortinas, os seis tubos de torpedos estão sendo desmontados por brasileiros também como aprendizado. Em outra área, está em preparação o chassi que vai conter equipamentos e será montado sobre calços amortecedores. Isso para o submarino diminuir o nível de ruídos, no desafio de ser o mais discreto possível quando mergulhado.

Área militar restrita combina com sigilo. Mas sabe-se que, com a experiência conjunta na França, o Brasil já teria conseguido a independência no ciclo completo de produção do casco do submarino. Os técnicos também aprenderam a fabricar calotas para os tubos de torpedos, que envolvem processo artesanal, além dos próprios tubos de torpedos. No acordo com a Alemanha, o Brasil recebia os tubos de torpedos prontos.

Nos meios militares, a experiência com os franceses na área do submarino é ainda mais interessante quando se considera o drama de o país não ter seu programa espacial, com satélites, atribuído ao fato de não conseguir sequer comprar peças sensíveis por causa da desconfiança de parceiros.

Para o embaixador Bustani, a parceria de indústrias estratégicas de defesa brasileiras com companhias francesas representa “oportunidade de economizar décadas de trabalho e dezenas de bilhões de reais”, comparada a tentativas de chegar aos mesmos resultados sozinho.

A transferência de tecnologia francesa ocorre também pela aquisição de 50 helicópteros EC-725. A produção está sendo incorporada pela Helibras, filial brasileira da Eurocopter, com crescente aumento de conteúdo nacional. A fábrica de Itajubá está sendo duplicada. O objetivo é criar um segundo polo de competitividade aeronáutica e exportar helicópteros para a América do Sul.

Em Paris, a visita da presidente Dilma deve começar a examinar, mas provavelmente não decidir, novas frentes de parcerias na indústria de defesa. E outros europeus estão de olho. David Cameron, primeiro-ministro britânico, quando esteve recentemente no Brasil ofereceu tudo que era possível para atrair contratos militares para o BAE Systems, que procura reduzir sua dependência do mercado dos EUA.

Já em Paris, o anfitrião François Hollande tem sinalizado aos brasileiros que considera o Brasil o parceiro mais importante da França entre os emergentes e quer relançar a parceria estratégica sem ficar bloqueado na questão da compra dos aviões de combate.

FONTE: Valor Econômico via Revista Portos e Navios

 

Veículo será totalmente projetado e construído no país. Segundo a revista especializada britânica Jane’s, o Brasil precisará de três anos para traçar o esboço e outros seis anos para fabricar o submarino.

Durante uma visita recente ao Centro Experimental Aramar (CEA), responsável pelo projeto de submarino nuclear brasileiro, o vice-presidente da república Michel Temer disse que o primeiro submarino brasileiro de propulsão nuclear será colocado em operação em 2025, após três anos de testes.

As autoridades brasileiras já haviam anunciado o programa de submarinos nucleares de fabricação nacional em 2008, segundo o qual serão construídos cinco veículos. A estimativa é que cada submarino custe em torno de US$ 565 milhões.

Eles serão utilizados exclusivamente para a proteção das reservas de petróleo marítimas e das plataformas de prospecção do território nacional.

Se o projeto de submarino nuclear brasileiro vier a ser concretizado, o Brasil será o sétimo país do mundo a possuir uma frota submarina nuclear.

“Eles possuem uma economia crescente. Ao aumentar seu potencial militar, o país olha para o futuro e reivindica uma posição geopolítica entre os principais atores globais”, acredita comentarista militar da rádio Voz da Rússia, Iliá Krâmnik.

O especialista afirma ainda que o Brasil tem interesses na África e, hipoteticamente, na Antártida, opinião compartilhada pelo especialista Víktor Litóvkin.

“Usar um submarino nuclear para a exploração da Antártida é muito arriscado, mas por outro lado, não devemos subestimar as ambições do Brasil de ser uma superpotência regional”, assinala Litóvkin.

Projetos de expansão semelhantes podem surgir também na África do Sul, Coreia do Sul e no Irã, acredita o especialista. Entretanto, o vice-comandante da Marinha iraniana, Abbas Zamin, declarou em junho que seu país é capaz de construir 12 submarinos nucleares, colocando supostamente à prova os interesses brasileiros.

Especificações técnicas

 

Os submarinos de guerra são divididos em três tipos: os de funções múltiplas (SSN), os porta-mísseis estratégicos (SSBN) e os portadores de mísseis de cruzeiro (SSGN).

O SSGN é uma tecnologia utilizada exclusivamente pela Rússia e pelos EUA, mas esses países não negociaram com o Brasil a entrega de protótipos ou amostras do gênero.

Assim, a hipótese mais provável é que Centro Experimental Aramar construa um submarino nuclear de funções múltiplas armado com torpedos com auxílio tecnológico da França.

“Como base do futuro submarino brasileiro de propulsão nuclear será provavelmente utilizado o submarino diesel francês Scorpène”, alega o comentarista militar Iliá Krâmnik.

FONTE: Gazeta Russa

SAIBA MAIS:

 

Em comemoração ao início oficial do projeto do submarino de propulsão nuclear brasileiro, a Marinha divulgou video em o Comandante da Marinha, Almirante-de-Esquadra Julio Soares de Moura Neto, reconstitui a história do Programa Nuclear naval desde seu início, em 1979, até os dias de hoje.

Ao longo dos 20 minutos, o Comandante resgatou a história do Programa Nuclear da Marinha, e destacou a importância estratégica de um submarino de propulsão atômica para a defesa do país. Também relembrou o acordo de cooperação assinado entre o Brasil e a França em 2008, e fez um apanhado do que foi realizado desde 2009 até 2012, quando foi iniciado oficialmente o projeto de construção do SN-BR.

Outros pontos altos foram os cometários sobre as obras atualmente em andamento – o estaleiro e a base naval em Itaguaí (RJ), inclusive com previsão de inauguração da Unidade de Fabricação de Estruturas Metálicas (UFEM) para 19 de novembro deste ano.

O Comandante também ressaltou os benefícios do PROSUB para além das áreas militar e tecnológica – valorização da indústria nacional e movimentação da economia pela Base Industrial de Defesa, e a geração de empregos diretos e indiretos pelas obras previstas dentro do PROSUB. O video na íntegra pode ser assistido clicando no link abaixo:



 

Guilherme Serodio

Rio – O Brasil pode obter a transferência de tecnologia dos softwares do submarino nuclear que vai construir em parceria com a França. A afirmação é do presidente do Serviço federal de Processamento de Dados (Serpro), Marcos Mazoni. A transferência da tecnologia não está prevista no acordo, mas, segundo Mazoni, os diálogos “estão indo bem nesse sentido” e o Brasil deve obter o acesso aos códigos fonte que controlam o equipamento. “É certo que [o Brasil] consegue”.

Mazoni afirma que o Serpro só entrou na discussão acerca da transferência da tecnologia dos softwares utilizados no submarino no ano passado, quando houve as primeiras reuniões de cooperação técnica com a França na área de supercomputação. A partir daí, os técnicos brasileiros passaram a dar atenção à questão dos softwares do submarino. “Eles dizem que o produto é aberto, nós queremos ver o produto, transferir conhecimento”, diz Mazoni.

Ter acesso ao códigos dos softwares, afirma o presidente do Serpro, é fundamental para saber como o submarino funciona. Os militares brasileiros, diz Mazoni, estão preocupados com a transferência de conhecimento de softwares dos equipamentos que adquire. “Nós temos uma boa parceria com o Ministério da Defesa e, hoje, a própria marinha e o Exército brasileiros estão bastante avançados, inclusive no [uso] de software de código aberto”, diz.

Esse tipo de preocupação na área de segurança não é exclusividade do Brasil, afirma Mazoni. Um exemplo, diz ele, é o exército alemão, que só compra equipamentos eletrônicos com softwares de código aberto. “[Na Alemanha] as Forças Armadas não usam produtos vindos dos Estados Unidos”.

Para Julio Neves, assessor da presidência do Serpro, “software livre também é soberania”. Ele exemplifica a importância de se ter livre acesso aos códigos de equipamentos militares com um caso da Guerra do Golfo, ocorrida na década de 90. Durante o bombardeio do Iraque por forças americanas, um vírus instalado nos sistemas de radares de defesa iraquianos apagou as telas dos equipamentos. Sem conseguir ver os aviões inimigos nos radares, os militares iraquianos ficaram sem defesa contra o bombardeio. Segundo Neves, acredita-se que “os equipamentos já foram comprados com o programa”.

Outro caso famoso ocorreu durante a Guerra das Malvinas, entre a Argentina e o Reino Unido. No conflito que durou de abril a junho de 1982 os militares argentinos atacaram as embarcações inglesas com o míssil anti-navio francês Exocet. Após o primeiro afundamento, a França entregou aos ingleses o código que permitia que os mísseis fossem guiados por ondas de rádio, diminuindo a eficiência dos ataques argentinos.

O acordo entre Brasil e França para a construção do primeiro submarino nuclear brasileiro faz parte do Programa de Desenvolvimento de Submarinos (Prosub) da marinha, orçado em € 6,7 bilhões. Além do equipamento nuclear, o programa prevê a construção de quatro submarinos com tecnologia francesa. Os equipamentos serão fabricados no Brasil com supervisão francesa. O acordo prevê transferência de tecnologia.

Com a construção do equipamento, o Brasil entrará no restrito grupo de países capazes de projetar, construir e operar submarinos de propulsão nuclear. Atualmente, apenas Estados Unidos, Rússia, Inglaterra, França e China têm tal capacidade.

Sobre os planos do governo brasileiro em adquirir 36 novos caças para a Força Aérea, Mazoni assegura a cooperação do Serpro: “Vamos estar juntos”. O presidente do Serpro participou do Cyber Security International Forum, realizado ontem no Rio.

FONTE: Valor Econômico, via MB

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PROSUB – Obras em Itaguai avançam

 

 

Brasília, em 14 de julho de 2011.

Produção dos submarinos convencionais representa o primeiro passo para a construção do submarino com propulsão nuclear brasileiro. Presidenta Dilma  comparecerá ao evento.

O corte de uma chapa de aço, em cerimônia a ser realizada neste sábado (16), em Itaguaí (RJ), com a presença da Presidenta Dilma Rousseff, marca oficialmente o início da construção dos submarinos convencionais (S-BR) da classe Scorpène, de tecnologia francesa, no Brasil. A iniciativa faz parte do Acordo Estratégico Brasil-França que originou o Programa de Desenvolvimento de Submarinos (PROSUB) da Marinha do Brasil.

O evento – previsto para começar às 16h, na sede da Nuclebrás Equipamentos Pesados (NUCLEP) – tem enorme importância simbólica para o País. A fabricação dos S-BR, como são chamados os quatro submarinos convencionais incluídos no PROSUB, representa o primeiro passo para a construção do submarino com propulsão nuclear brasileiro (SN-BR) – marco maior do programa, firmado entre o Brasil e a França, no final de 2008.

Considerado um dos mais complexos meios navais já idealizados pelo homem, o submarino com propulsão nuclear tem vantagens táticas e estratégicas significativas. Com enorme autonomia, pode desenvolver velocidades elevadas por longos períodos de navegação, aumentando sua mobilidade e permitindo a patrulha de áreas mais amplas no oceano. O modelo é considerado também extremamente seguro e de difícil detecção.

Parte dos equipamentos desenvolvidos para os quatro submarinos convencionais, de propulsão diesel-elétrica, poderá ser aproveitada no submarino de propulsão nuclear brasileiro, que será fabricado com os mesmos métodos, técnicas e processos de construção desenvolvidos junto aos franceses.

Esse processo de capacitação da indústria de defesa nacional, que envolve transferência de tecnologia e expressiva nacionalização dos equipamentos, permitirá que a qualificação obtida pelos profissionais brasileiros, sobretudo na fabricação do SN-BR, possa ser utilizada em vários outros segmentos da indústria nacional.

O submarino movido a energia nuclear é desenvolvido com tecnologia altamente sensível, dominada por um seleto grupo de países. Atualmente, apenas China, Estados Unidos da América, França, Inglaterra e Rússia detêm esse domínio tecnológico. Com o PROSUB, o Brasil passará a integrar essa lista, já que o SN-BR terá reator nuclear e propulsão desenvolvidos pelo próprio País.

Repasse de know how

Entre os acordos assinados com a França, o contrato de transferência de tecnologia é visto como o mais estratégico por especialistas brasileiros. Pelo acordo, os franceses terão de repassar know how para determinadas indústrias fabricarem no Brasil itens usados nos submarinos.

Estima-se que cada um dos submarinos a ser produzido no Brasil contará com mais de 36 mil itens produzidos por mais de 30 empresas brasileiras. Entre esses equipamentos estão quadros elétricos, válvulas de casco, bombas hidráulicas, motores elétricos, sistema de combate, sistemas de controle, motor a diesel e baterias especiais de grande porte, além de serviços de usinagem e mecânica.

O estímulo, pelo PROSUB, à indústria de fornecedores nacionais, aliado ao grande processo de capacitação empreendido, é considerado o maior trunfo do programa. Entende-se que, uma vez capacitado e com parque industrial ativo, o Brasil não irá depender de outro país para fazer submarinos convencionais e de propulsão nuclear.

Nova empresa

Para viabilizar o programa de submarinos brasileiro foi constituída uma nova empresa, a Itaguaí Construções Navais (ICN), parceria entre a francesa DCNS e a construtora brasileira Norberto Odebrecht. A união foi formada com a participação da Marinha do Brasil, que detém golden share (direito de veto) sobre questões referentes à atuação da empresa. Caberá à ICN a construção de cinco submarinos.

Além da fabricação dos submarinos, o PROSUB contempla a construção de um estaleiro e de uma sofisticada base naval para abrigar as embarcações. As obras incluem também a instalação de uma Unidade de Fabricação de Estruturas Metálicas (UFEM).

O local escolhido para as novas instalações foi a Ilha da Madeira, localizada no município de Itaguaí, na região metropolitana do Rio de Janeiro. A UFEM será alojada  num terreno situado ao lado NUCLEP, estatal encarregada de produzir as seções cilíndricas que formarão os corpos dos submarinos.

Cronograma

O evento deste sábado marca o início da construção da Seção de Qualificação, unidade na qual engenheiros, técnicos e operários brasileiros treinados na França poderão comprovar a absorção – com a posterior aplicação – dos conhecimentos técnicos e tecnológicos recebidos. A etapa representa, no calendário do PROSUB, o início efetivo da construção dos S-BR no Brasil.

Pelo cronograma de entregas, o prazo para o fim das obras civis é 2015. A inauguração da UFEM será feita em novembro de 2012. A conclusão do estaleiro é esperada para 2014. Já a base naval deverá ficar pronta seis meses depois. A previsão é de que o primeiro, dos quatro submarinos convencionais a serem construídos, esteja pronto em 2016 e após a realização dos testes de cais e mar seja entregue a MB em meados de 2017. Os demais submarinos convencionais serão entregues a cada ano e meio de defasagem e o primeiro submarino com propulsão nuclear em 2023.

O  Programa de Desenvolvimento de Submarinos da Marinha do Brasil irá gerar, somente durante as obras de construção previstas, mais de 9 mil empregos diretos e outros 27 mil indiretos. Projeta-se para o período de construção dos submarinos, apenas na área de construção naval militar, a criação de cerca de 2 mil empregos diretos e 8 mil indiretos permanentes, com utilização expressiva de mão-de-obra local.

Além da Presidenta Dilma Rousseff, participarão da cerimônia na sede da NUCLEP o Ministro de Estado da Defesa, Nelson Jobim, Embaixador da França no Brasil, Yves Edouard Saint-Geours, o Ministro da Defesa da França, Gérard Longuet, o Comandante da Marinha, Almirante-de-Esquadra Julio Soares de Moura Neto e diversas autoridades civis e militares.

 

 
 
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Programa de construção custa R$ 120 milhões por mês; Marinha domina o ciclo completo do combustível nuclear

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Roberto Godoy

O programa de construção de uma nova frota de submarinos de ataque – incluído um grande navio de propulsão atômica – custa R$ 120 milhões por mês; gera, neste momento, cerca de 9 mil empregos, dos quais ao menos 3,2 mil diretos, e está adiantado no tempo. O corte da primeira seção de metal do primeiro submarino da classe Scorpéne/Br produzido no País será feito no próximo sábado no canteiro de obras de Itaguaí, no litoral sul fluminense. Até agora não faltou dinheiro. Os recursos previstos para 2011 somavam R$ 1,8 bilhão. Aplicada a redução determinada em janeiro pela presidente Dilma Rousseff a todo o Orçamento, o total baixou para R$ 1,5 bilhão.

O ministro da Defesa, Nelson Jobim, anunciou, no dia 28 de junho, que os R$ 300 milhões contingenciados têm grande chance de ser liberados até o fim do ano.O ProSub, nome oficial do projeto, foi definido como “fator estratégico” para a defesa nacional, segundo documento reservado a que o Estado teve acesso. O relatório destaca: 95% das mercadorias do comércio internacional brasileiro, avaliadas em US$ 300 bilhões anuais, circula por vias marítimas “e exige proteção adequada”.

A área de interesse econômico no mar equivale à da Europa Ocidental – aproximadamente 4,5 milhões de km². Nela, estão sendo mapeadas amplas reservas de metais pesados, de alto valor para as indústrias eletrônica, aeronáutica, de sistemas de precisão e materiais para superligas.

Mais que isso, o petróleo de grande profundidade ocorreria não apenas na província do pré-sal, na bacia de Santos, mas sim em toda a linha da plataforma oceânica, desde o sul, no litoral de Santa Catarina, até o eixo da ilha de Maracá, no Amapá.

Domínio atômico. A 600 quilômetros de distância, no Centro Aramar, em Iperó, interior de São Paulo, a Marinha concluiu a construção da Usina de Gás de Urânio, a Usexa. Com ela o País passa a dominar o ciclo completo do combustível nuclear, a última etapa do processo, que ainda era comprado de prestadores de serviço estrangeiros – no caso, a Cameco, no leste do Canadá. A obra deveria estar concluída no fim de 2010 para entrar em produção três meses depois. Houve problemas com fornecedores. Há novos prazos. A primeira carga de yellow cake, o resultado primário do beneficiamento do urânio, está prevista para as próximas semanas. Depois disso, a Comissão Nacional de Energia Nuclear fará uma inspeção geral. Em setembro, a Usexa começa a receber elementos sensíveis, como nitrato de urânio e ácido fluorídrico.

Os testes devem durar 150 dias. De acordo com o almirante Júlio Moura Neto, comandante da Marinha, a produção plena “só começa em 2012″. A usina vai fabricar, por ano, 40 toneladas. O volume atende, com sobras, às necessidades da Defesa. O Centro Tecnológico criou e produz ultracentrífugas que separam o U-235, rico em energia, do U-238, mais pobre. O enriquecimento é limitado a 5% e em outra linha a 20%, para aplicações científicas e médicas. Armas nucleares exigem níveis acima de 90%. Desde que foi revitalizada pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2007, a pesquisa recebe R$ 130 milhões por ano. As agendas em Iperó e Itaguaí precisam coincidir: em 2016, os técnicos iniciam a longa integração do reator com o casco da embarcação movida a energia atômica.

O navio, de 4.1 mil toneladas de deslocamento, vai entrar em operação cinco anos depois. É um gigante de 100 metros de comprimento, com autonomia limitada apenas pela capacidade da tripulação de 100 militares. Em Iperó, especialistas trabalham com maquetes de acrílico para dar o que consideram “a dimensão humana” ao espaço exíguo do submarino.

O reator custou US$ 130 milhões. Está parcialmente pronto e estocado no Centro Aramar.

O consórcio contratado pela Marinha para cuidar do empreendimento é formado pela brasileira Odebrecht Defesa e Tecnologia e pela francesa DCNS. O comando da Força detém a golden share, participação minoritária, porém, com direito de veto.

O grupo da França é o transferidor da tecnologia envolvendo, na fase inicial, que se estende até cerca de 2021, quatro modelos convencionais, dotados de motores diesel-elétricos e um nuclear. O valor total do pacote é de 6,7 bilhões. A etapa inicial, em execução, vale 1,8 bilhão cobrindo as obras de um novo estaleiro e uma nova base naval, ambos de alta sofisticação. A entrega do navio inaugural da classe, um Scorpéne de 1.870 toneladas, está prevista para o segundo semestre de 2016. Os outros três submarinos do tipo S-Br sairão, até 2021, do novo estaleiro. No futuro, projetado até 2047, a Marinha contempla outros cinco submarinos nucleares e 15 diesel-elétricos, além de mais cinco, modernizados.

Construção acelerada. As obras civis estão sendo executadas em três turnos e terminam em 2015, na Ilha da Madeira, em Itaguaí, baía de Sepetiba. Ao lado das instalações da Nuclep, o braço industrial do complexo nuclear do Brasil, a Odebrecht Defesa e Tecnologia está tocando a Unidade de Fabricação de Estruturas Metálicas, UFEM.

A gleba do estaleiro e da base soma 980 mil metros quadrados, dos quais 750 mil m² na água. O acesso ao conjunto se dará por um túnel escavado em rocha de 850 metros de comprimento e uma estrada exclusiva de 1,5 quilômetro. Haverá 2 píeres de 150 metros cada um e três docas secas (duas cobertas) de 170 metros. No total, serão 27 edifícios. A dragagem passa de 6 milhões de metros cúbicos. O plano da obra prevê a geração de 700 empregos diretos. Pronta, a instalação poderá dar apoio técnico a uma frota de dez submarinos e terá capacidade para construir duas unidades novas simultaneamente.

Um dos prédios, destinado ao procedimento de troca do reator do navio nuclear ou do combustível, será alto, equivalente a 16 andares. Os submarinos vão circular, entrar e sair das instalações por meios próprios, movimentando-se por uma zona molhada com 340 mil m².

No momento, seis dragas especializadas trazidas da Bélgica atuam no local. O 1,5 milhão de metros cúbicos de areia extraídos poderiam encher um estádio do tamanho do Maracanã.

FONTE: Estadão