Página 1 de 41234

Navio Hidroceanográfico “Amorim do Valle” acompanhado pelo periscópio do submarino Timbira

De 9 a 11 de abril, aconteceu a primeira avaliação operacional da atual versão do protótipo de modem acústico submarino do Instituto de Estudos do Mar Almirante Paulo Moreira (IEAPM). O projeto “Comunicações Submarinas” foi testado na costa do Rio de Janeiro cujo propósito foi praticar a transmissão de dados digitais entre meios de superfície e submarinos.

A Comissão “CSUB I” contou com a participação do Submarino “Timbira”, que realizou a recepção dos dados, e do Navio Hidroceanográfico “Amorim do Valle”, encarregado da transmissão de sinais a partir de uma fonte acústica do IEAPM rebocada. As transmissões foram feitas em duas faixas de frequências, com mensagens de texto recebidas sem erros em diversas ocasiões.

Durante a “CSUB I” foi possível obter um banco de dados com sinais gravados a diferentes distâncias, em diferentes profundidades, e em diferentes cotas de operação do submarino. De acordo com o comandante do Submarino “Timbira”, Capitão-de-Fragata André Martins de Carvalho, os resultados obtidos nessa oportunidade foram satisfatórios e a expectativa é de avanço significativo de desempenho em curto prazo, com o incremento do código do modem, que é totalmente definido em software.

FONTE: Nomar

Tagged with:
 

Mapa-Politico-de-Okinawa-Japon-10429

Segundo comunicado oficial divulgado ontem (13) pelo Ministério da Defesa do Japão, um submarino estrangeiro foi detectado no último domingo (12) em águas continentais próximas à ilha de Kumejima, na região de Okinawa. Apesar de o informe não detalhar a origem do navio, uma fonte ligada ao governo japonês declarou que o submarino provavelmente pertence à Marinha do Exército de Libertação Popular da China.

O ministro da Defesa japonês, Itsunori Onodera, declarou a repórteres ontem que “estava pronto para autorizar ‘operações de segurança marítima’ logo após autorização do primeiro ministro [Shinzo Abe], caso o submarino invadisse águas territoriais japonesas”. Caso as operações fossem autorizadas, as forças nipônicas teriam permissão legal para emprego irrestrito de armamentos, e ralização de procedimentos como evacuação da população de áreas de risco.

As operações mais recentes de segurança marítima contra submarinos aconteceram em 2004, quando um submersível chinês invadiu águas japonesas em torno da cadeia de ilhas Sakishima, também na região de Okinawa.

Legislações internacionais não proibem a presença de submarinos em águas comuns entre países. Porém, as autoridades japonesas decidiram trazer o incidente do último fim de semana a público, pois o submarino permaneceu por um tempo estranhamente longo nas águas continentais próximas a Okinawa.

FONTE: The Asahi Shinbun (tradução e adaptação do Poder Naval a partir de original em inglês)

Tagged with:
 

Submarinos russos para a Ásia

Vietnã receberá primeira das seis embarcações encomendadas ainda em 2013

 

Classe Amur 650 - Rússia

 

vinheta-clipping-navalDurante a exposição internacional de armamentos LIMA 2013, realizada em Kuala Lumpur na Malásia, o diretor-geral da empresa russa de projetos militares Rubin, Igor Vilnit, informou que os submarinos fabricados na Rússia estão sendo cada vez mais requisitados pelo mercado asiático. Segundo Vilnit, o Vietnã receberá, neste ano, o primeiro das seis embarcações do Projeto 636 encomendados à Rússia. Outro mercado bastante promissor para os fabricantes russos é o da Índia.

Neste momento, o primeiro submarino da Marinha vietnamita fabricado pela Rússia, o Hanói, encontra-se em fase de testes de mar. No início deste ano, a tripulação vietnamita começou a se familiarizar, na Rússia, com a utilização do submarino. Simultaneamente, engenheiros e técnicos russos estão construindo no Vietnã a infraestrutura necessária para operar os submarinos e para a formação de submarinistas, segundo detalhou Igor Vilnit. “É bastante possível que a entrega dos submarinos do Projeto 636 ao Vietnã aconteça de forma mais rápida do que os prazos inicialmente previstos entre Rússia e Vietnã. O segundo submarino já foi lançado ao mar e o terceiro iniciará esta fase de testes em agosto. Portanto, é muito provável que o Vietnã receba da Rússia dois submarinos em 2013 e mais um em 2014. Todo o processo de entrega dos seis submarinos encomendados à Rússia pelo Vietnã estará concluído até o final do ano de 2016.”

Desta forma, 2013 será o ano da criação da esquadra de submarinos da marinha vietnamita. Anteriormente, o Vietnã tinha tentado criar uma força de submarinos adquirindo dois minissubmarinos à Coreia do Norte mas essas pequenas unidades norte-coreanas se revelaram como de fraca capacidade de combate.

Segundo os analistas internacionais, a compra dos submarinos do Projeto 636 à Rússia atende às necessidades do Vietnã de proteção da sua soberania no mar e não constitui uma ameaça aos interesses da China, parceira estratégica da Rússia. A falta de uma Marinha de Guerra nacional eficiente poderia ter empurrado o Vietnã para uma aliança mais estreita com potências de fora da região eurasiática como aconteceu com as Filipinas. Entretanto, um conflito real entre o Vietnã e a China é extremamente improvável porque a política chinesa em relação ao Vietnã se baseia na atração dos vietnamitas para uma cooperação econômica e comercial o mais estreita possível.

Outro mercado asiático promissor para as exportações de submarinos russos é o da Índia. A Marinha indiana está preparando uma licitação internacional para a compra de seis submarinos convencionais. Segundo o diretor-geral da Rubin, Igor Vilnit, a Rússia planeja apresentar aos indianos os submarinos do Projeto Amur-950, uma versão reduzida do submarino Amur-1650 que deverá ser fornecido à China. Comparados aos modelos Amur-1650, os submarinos Amur-950 possuem capacidade inferior de deslocamento e menor raio de ação. Já o seu armamento é apenas ligeiramente inferior ao dos submarinos Amur-1650.

 

A particularidade dos submarinos Amur-950 é o sistema de lançamento vertical para 10 mísseis de cruzeiro que, em caso de necessidade, poderão ser lançados em dois minutos. Na versão proposta à marinha indiana, os navios poderão ser equipados com mísseis de cruzeiro supersônicos BrahMos, de fabricação russo-indiana. A participação da Rússia neste projeto é considerada como a grande vantagem da proposta russa nesta licitação que conta também com a participação de fabricantes franceses de submarinos.

Em meio a todo este processo, continuam as conversações da Rússia com a China para o fornecimento de quatro submarinos maiores Amur-1650. Graças ao aumento da autonomia de navegação, os submarinos do Projeto Amur-1650 poderão operar no Oceano Pacífico a uma distância considerável das suas bases. Comparados aos submarinos do Projeto 636 fornecidos anteriormente à China, o Amur-1650 tem uma detectabilidade bem mais baixa, o que aumenta as suas possibilidades de escapar aos sistemas de defesa antissubmarinos do Japão.

Para os especialistas em equipamentos bélicos, os modernos submarinos de propulsão diesel-elétrica são uma arma eficaz e relativamente barata que garante às Marinhas dos países asiáticos em desenvolvimento a possibilidade de enfrentar as grandes frotas dos países desenvolvidos.

FONTE: Diário da Rússia

VEJA TAMBÉM:

Tagged with:
 

‘Collins’ servido em dose tripla

Saída tripla de submarinos australianos - foto MD Australia

No início deste mês de abril, a Marinha Australiana registrou uma saída tripla de submarinos classe ” Collins”, aproveitando a ocasião para captar essas belas imagens. Três dos seis submarinos da classe deixaram Cockburn Sound, (perto de Rockingham) na Costa Oeste da Austrália para cumprir diferentes missões, realizando algumas manobras em conjunto por um curto período.

Saída tripla de submarinos australianos - foto 3 MD Australia

Saída tripla de submarinos australianos - foto 2 MD Australia

Logo depois, cada um seguiu sua própria rota: o HMAS Dechaineux partiu para uma comissão fora, enquanto o HMAS Waller realizou provas após ter passado por um período de manutenção. Por fim, o HMAS Sheean, que recentemente voltara de exercícios na Costa Leste do país, partiu para uma série de atividades na WAXA (sigla para West Australian Exercise Area – área de exercícios do Oeste Australiano).

Saída tripla de submarinos australianos - foto 4 MD Australia

Saída tripla de submarinos australianos - foto 5 MD Australia

Para saber mais sobre os submarinos desta classe e o que se está planejando para substituí-los no futuro, clique nos links da lista a seguir.

FONTE / FOTOS: Ministério da Defesa da Austrália

VEJA TAMBÉM:

vanguard_classO primeiro-ministro britânico, David Cameron, avisou ontem (04) que o Reino Unido pode se tornar indefeso diante de “regimes políticos altamente instáveis”, caso desacelere o programa de desenvolvimento dos mísseis balísticos Trident.

Durante viagem até o oeste da Escócia, onde estão baseados os submarinos armados com os mísseis, Cameron insistiu: “precisamos hoje do nosso programa nuclear de dissuasão tanto quanto o governo que iniciou esse projeto há 60 anos”.

Em coluna no jornal Daily Telegraph, o ministro aafirma que as movimentações recentes da Coreia do Norte, somadas ao programa nuclear do Irã, apontam que seria “tolice” descartar o programa. “A União Soviética não existe mais, mas a ameaça nuclear permanece”, escreveu. “O regime altamente imprevisível e agressivo da Coreia do Norte conduziu recentemente seu terceiro teste nuclear, e [o país] pode muito bem ter material físsil suficiente para produzir mais de uma dúzia de armas atômicas”, lembrou Cameron. “Diante dessa ameaça crescente, alguém acha coerente abrirmos mão da nossa ferramenta de dissuasão?”, questionou.

O partido Conservador e o Liberal-Democrata do Parlamento britânico divergem acerca da continuidade do programa Trident. Os liberais propõe a implementação de uma alternativa mais barata.

Durante visita à base naval de River Clyde, em Glasgow, Cameron se encontrará com a tripulação do HMS Victorious, um dos quatro submarinos classe Vanguard da Marinha Real, armados com até 16 mísseis Trident cada um. Em seguida, o ministro participará de uma audiência pública em um estaleiro local. Entre os dados a serem apresentados no evento, estão os 12.600 empregos gerados pelo setor de defesa na Escócia – equivalente a 0,5% da população economicamente ativa no país.

O futuro do programa Trident será um tema importante na campanha para o próximo referendo sobre a independência do país, uma vez que o Partido Nacional Escocês afirma que não permitirá que mísseis nucleares em uma Escócia independente.

FONTE: AFP via Navy Open Source Intelligence (tradução e adaptação do Poder Naval a partir de original em inglês)

VEJA TAMBÉM:

timbira-echo-2barras copy

Que o S ‘Timbira’ (S 32), foi agraciado com o premio de eficiência Echo duas barras no ano de 2001 …  E que foi conquistado pela 3a vez consecutiva …

Para ver / saber mais:

Foto: Marcelo ‘MO’ Lopes – 27/10/2001

 

DSCN2440

-

Visitamos o ‘Tapajó’, um dos cinco submarinos da Marinha do Brasil, durante escala em Natal, rumo a um exercício com a Marinha dos EUA – confira os detalhes deste submarino modernizado da classe ‘Tupi’

-

Ícaro Luiz Gomes

vinheta-exclusivoO Submarino Tapajó (S33) teve programada uma escala entre os dias 10 a 15 de março, no porto de Natal, em preparativos para exercícios com a Marinha dos Estados Unidos (US Navy). Na terça-feira, 12 de março, a imprensa foi recebida para a divulgação da passagem e dos preparativos para a viagem até San Juan (Porto Rico), e o Poder Naval esteve presente para a cobertura especial que mostramos agora. Vale lembrar que o submarino não foi aberto à visitação pública.

DSCN2459

O Tapajó foi construído no AMRJ, sendo o quarto submarino da classe “Tupi” e o terceiro construído no Brasil. O Tapajó, assim como os outros submarinos da mesma classe, possui 62 metros de comprimento, 8 metros de boca, 6 metros de calado e 1400 tons de deslocamento, e sua velocidade média é de aproximadamente 10 nós. O submarino passou por um Período de Manutenção Geral (PMG) durante o ano de 2009, que contou também com a modernização de seus sistemas de combate, sensores e armas, assim como a instalação do Sistema da Lockheed Martin AN/BYG-501 mod1D e compatibilização para operar o Torpedo Mk.48 mod6AT. Seu “caverna-mestra”, tripulante mais antigo, possui 11 anos de serviço a bordo.

DSCN2439

No ano de 2011, o Tapajó realizou o lançamento real de dois Torpedos Mk.48, consagrando assim um esforço de anos em modernizar e manter os submarinos como a “bala de prata” da Marinha. O submarino tornou-se o primeiro modernizado a contar com o novo sistema de combate e armamentos padrão da classe “Tupi”.

A Marinha do Brasil foi, novamente, convidada a realizar exercícios com seus submarinos junto à US Navy, convite esse que é visto como um reconhecimento da qualificação e esforço da MB em ter um força bem adestrada e moderna. A Força de Submarinos é composta por cinco submarinos de duas classes, quatro da classe “Tupi” e um da classe “Tikuna”, todos diesel-elétricos (diferentemente do que ocorre na US Navy, onde todos os submarinos são de propulsão nuclear) e um Navio de Socorro Submarino.

Com a migração, nas últimas décadas, dos conflitos marítimos para o ambiente litorâneo, caracterizados por uma grande profusão de sons (animais, navios mercantes, etc.) e baixa profundidade, os submarinos diesel-elétricos passaram a ter algumas vantagens sobre os nucleares. Isso tem levado a US Navy a convidar sistematicamente as marinhas possuidoras de submarinos diesel-elétricos para estudar as táticas em exercícios e fortalecer os laços de união entre as mesmas.

DSCN2448

Nesses exercícios, quem ganha não é só a US Navy, pois a Marinha do Brasil também colhe muitos ensinamentos. Além disso, a missão é motivo de orgulho a toda a comunidade de submarinistas. Nas edições anteriores nas quais os submarinos brasileiros participaram, relatos daqueles que estiveram cobrindo e de seus participantes dão contam de que nossas participações foram bem elogiadas: nossos submarinos conseguiram evadir-se de ataques aeronavais e realizaram ataques simulados a meios de superfície e outros submarinos.

Essas comissões de exercício têm uma duração aproximada de 6 meses, entre derrota a sede do exercício, o exercício em si e a derrota de retorno. Temos um histórico de sucesso em exercícios internacionais com a nossa Força de Submarinos: em 1997, o Tamoio exercitando-se com a OTAN, realizou um ataque simulado bem-sucedido contra o NAe Príncipe de Astúrias.

DSCN2443

No dia 12 de março às 9h, a impressa local, acompanhada por parte da Assessoria de Comunicação Social do Comando do 3ºDN (CF Cleber Ribeiro,1T Cibele e SO-FN Ernandizo), foi recebida pelo comandante do Tapajó, CF Cartier e seu imediato CC Cetrim. A maré encontrava-se muito baixa e dessa forma a prancha estava bem inclinada com acesso sendo realizado pelas suas laterais.

A primeira constatação, ao aproximar-se da escotilha de acesso ao interior do submarino, é o quanto suas instalações são reduzidas. A segunda constatação é o cheiro ambiente de óleo e hidrogênio misturados – a este que vos escreve, é um delicioso aroma.

O comandante do Tapajó  CF Cartier recebeu a todos na Sala de Torpedos e respondeu aos principais questionamentos acerca da missão e o porquê da escala técnica em Natal. As facilidades proporcionadas em Natal – rede hoteleira, a presença de diversas organizações da MB, porto de pouco movimento, etc – além das próprias características de autonomia do Tapajó, foram as razões apresentadas. Após a escala em Natal, prevista para ser encerrada na sexta-feira, 15 de março, o submarino irá realizar a perna restante até San Juan (Porto Rico) em aproximadamente 25 dias.

DSCN2446

Um outro questionamento clássico dos jornalistas foi sobre o mecanismo de imersão e emersão, onde explicou-se o uso de tanques de lastro para flutuabilidade positiva ou negativa por meio do “piano dos tanques de lastro”. Foi explicada ainda a renovação da atmosfera por meio do “snorkel”, e que a pressão atmosférica nessas ocasiões pode ter uma diferença de 20 milibares. Durante a modernização, foram colocadas telas de LCD 32” como displays para monitoração dos sistemas, além de câmeras nos compartimentos de baterias e sala de máquinas.

DSCN2445

Enquanto fazíamos a visitação e recolhíamos dados para as nossas respectivas reportagens, do lado de fora havia uma turma de Guarda-Marinhas do Serviço Militar Voluntário que realizam o Estágio de Serviço Técnico e Estágio de Adaptação e Serviço. Para eles, era o primeiro contato com um submarino, o que também ocorria com alguns profissionais do Porto de Natal e até do Comando do 3º Distrito Naval. O que demonstra não só a especificidade do meio, assim como o seu principal atributo, que é a discrição.

DSCN2456

As instalações, tais como cozinha e banheiros (descontaminação) são de dimensões reduzidas e possuem apenas o essencial. A cozinha produz pelo menos três refeições diárias para uma tripulação de 45 homens (ainda não houve o embarque de mulheres). Todos os displays e mostradores do Sistema AN/BGM-501 mod1D encontravam-se desligados ou cobertos, assim como radar e sonares. A vedete para os visitantes foi o periscópio, o que ocasionou risos entre os visitantes pela necessidade de ajustes de altura e dioptria.

Foi relatado que um navio porta-contêiner do tipo “Panamax” era visualizado acima das 19 mil jardas. Foi solicitada uma “perifoto” de um dos exercícios de lançamento de torpedos, principalmente do teste do Mk48 ADCAP, o que não foi possível. Questionado por um dos jornalistas sobre o alcance dos torpedos, o CF Cartier respondeu que varia de acordo com a distância até o alvo, velocidade do alvo e a realização de manobras evasivas; no geral a resposta foi de que o alcance é melhor do que os torpedos anteriores.

DSCN2451

Ao final da visita, foram ressaltadas as características próprias de um submarinista, entre elas o seu caráter duplamente voluntário, de ingressar na Marinha e se candidatar a servir nos submarinos. Foi explicado ainda o processo seletivo rigoroso, onde nem todos os qualificados são capacitados devido aos aspectos fisiológicos, psicológicos e habilidades cognitivas.

Acerca das comissões de longa duração, há um trabalho conjunto do Serviço Social da Marinha e do Serviço de Psicologia junto aos militares e seus familiares. Para os submarinistas, porém, há uma dificuldade a mais, tendo em vista que, submersos, não podem comunicar-se e quando emersos as comunicações são restritas às do tipo operativas. Isso é algo que não ocorre com os meios de superfície que possuem serviço de Internet e telefonia em águas jurisdicionais brasileiras e, quando contratados, fora delas. Outra característica do submarinista apontada pelo CF Cartier, e confirmada pelo CC Cetrim, é sua multifuncionalidade. Todos os membros da tripulação podem exercer mais de uma função.

DSCN2447

Questionado ainda sobre a possibilidade de operação simultânea dos submarinos classe “Tupi” e dos submarinos S-BR, foi confirmado que os meios deverão operar simultaneamente por anos. Sobre a preparação de oficiais submarinistas para a operação dos S-BR em meios semelhantes do tipo Scorpène, em uso pela Marinha Chilena, foi confirmado intercâmbio de oficiais submarinistas brasileiros e chilenos. Acerca da manutenção dos atuais sistemas do Tapajo (AN/BGM-501 mod1D) foi respondido que esta é a que foi contratada, sem especificar, conforme a pergunta, se possuía alguma nacionalização ou se era toda norte-americana.

DSCN2454

Minha primeira experiência em um submarino foi no submarino-museu Riachuelo, atracado ao Espaço Cultural da Marinha no Rio de Janeiro. Minhas impressões pessoais ao visitar o Tapajó foram muito positivas, percebendo-se sua operacionalidade e o orgulho de sua tripulação. O cafezinho do Tapajó, apesar deste autor não ser um amante de café, foi muito bom. As condições de habitabilidade me fizeram admirar ainda mais os submarinistas e entender o orgulho com que falam de sua profissão e missão.

DSCN2465

NOTA DO EDITOR: agradecimentos ao comandante do submarino Tapajó, capitão de fragata Horácio Cartier, e ao imediato, capitão de corveta Cetrim. Agradeço ainda à equipe da Assessoria de Comunicação Social do Comando do 3º Distrito Naval, assim como a todas as equipes de imprensa que estiveram visitando o submarino no dia 12 de março pela manhã, pelo excelente clima da visita.

Tagged with:
 

DSCN2465

Amanhã,  publicaremos uma breve reportagem sobre a visita do nosso colaborador Ícaro Luiz Gomes ao Submarino Tapajó – S33 – durante a escala técnica do mesmo em preparativos para “deployment” com a Marinha dos EUA (US Navy).

Tagged with:
 

90044290

O Vietnã continuará a importar armas russas, incluindo colaboração na criação de uma força de submarinos. Tudo indica que a Rússia será o segundo maior exportador de armas epelo menos pels próximos dez anos, perdendo apenas para os Estados Unidos.

Enquanto isso, a Moscou e Hanoi pretendem ajustar as condições de entrada de navios militares russos nos portos vietnamitas, informou o ministro da Defesa, Serguei Shoigu. Enquanto isso, a empresa russa Admiralteiskiye Verfi (Estaleiros do Almirantado) disponibilizará este ano ao Vietnã dois dos seis submarinos do projeto 636 Varshavyanka.

O fornecimento de armas para a Marinha de Guerra vietnamita constitui uma nova vertente da parceria militar bilateral que, não se limitará à aquisição pelo Vietnã de um lote de seis submarinos, disse à Voz da Rússia Igor Korotchenko, redator-chefe da revista Natsionalnaya Oborona (Defesa Nacional): “o Vietnã comprará ainda navios de guerra polivalentes de classe Gepard. Sob a licença russa construirá lanchas de mísseis potentes. A isso se pode somar a criação de uma empresa mista destinada à produção de mísseis para o complexo Uran.”

Tudo isso, frisou o perito, coloca o Vietnã no terceiro lugar pelo volume de importações de armas russas. A primeira posição é ocupada pela Índia e o segundo lugar – pela Venezuela e o terceiro continua pertencendo à China.

Na Feira Internacional de Armas IDEX 2013 em Abu Dhabi foi divulgado um relatório pericial contendo previsões que apontam o progressivo aumento das exportações de armamentos russos, superarando os indicadores registrados em 2012. A alta é estimada em 15 bilhões de dólares.

Nas palavras de Korotchenko, na pauta exportadora russa, o primeiro lugar pertence ao avião caça Su-30, apesar da liderança norte-americana na venda desse tipo de aeronave, assinalou Igor Korotchenko: “o Su-30 é capaz de fazer concorrência real a outros aparelhos. Tem uma versão especial para a Índia (Su-30MKI) e modificações para outros países importadores. Também são exportados aviões de marca MiG, incluindo uma modificação MiG-29KOB destinada à Índia. Outras versões do MiG-29 são adquiridas por países de ambições menores, cujo pequeno território não permite o uso de caça de longo alcance.”

Além dos aviões há também os complexos de defesa antiaérea. Os clientes estrangeiros preferem armas e os equipamentos russos convencionais, em particular os carros blindados. A Índia, por exemplo, sob a licença russa, acabou por montar mais de 300 tanques e há previsão de mais exemplares. Por outro lado, não se pode ignorar os problemas. A Rússia, pelo visto, perdeu o mercado líbio, disputado hoje por empresas britânicas, italianas e francesas. Após a morte de Hugo Chávez, está em causa uma série de contratos militares acerca da importação de helicópteros, carros de combate, lança-granadas russos, etc.

Porém, o mercado de armas se mantém flexível devido à mudança de governos e das prioridades da política externa. Ninguém esperava que, após a presença militar dos EUA e seus aliados no Iraque, o país concluísse com a Rússia um acordo de fornecimento de armas. Há dias, o ministro das Relações Exteriores do Iraque, Hoshyar Zebari, confirmou que a aquisição de helicópteros e sistemas de artilharia antiaérea poder acontecer até junho desse ano.

Segundo previsões do Centro de Análise do Comércio Mundial de Armas, a Rússia poderá manter nos próximos oito anos a segunda posição no volume sumário de exportação de armas, com uma margem considerável em relação a países como França, à Grã-Bretanha e China.

FONTE: Voz da Rússia (adaptação do Poder Naval a partir de original em português)

S 33 Tapajó

vinheta-clipping-navalNo próximo dia 10 de março, o Submarino “TAPAJÓ”, terceiro construído no Brasil, chegará a Natal, onde ficará até dia 15, no Porto de Natal. Não será aberto à visitação pública, no entanto, o Comandante do Submarino, Capitão-de-Fragata Horácio Cartier, poderá receber a imprensa nos dias 12 e 13 de março pela manhã. Interessados devem entrar em contato com esta Assessoria de Comunicação para confirmação por meio do telefone 3216-3048.

O SUBMARINO
Em 1979, dentro do Programa de Reaparelhamento da Marinha, iniciou-se o estudo para a definição do tipo de submarino a ser adquirido, tendo sido escolhido o de origem alemã IKL 209-1400, projetado pela firma Ingenieur Kontor Lubeck (IKL) e construído pelo estaleiro Howaldtswerke Deustche Werft (HDW).
O Submarino TAPAJÓ, o terceiro construído no Brasil, teve o seu casco fabricado na Nuclebrás Equipamentos Pesados S/A (NUCLEP), e o seu nascimento só foi possível com o esforço de engenheiros, técnicos e operários brasileiros do Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro. O grande poder ofensivo deste submarino se baseia na capacidade de lançar seus torpedos guiados a fio a longas distâncias. Conta para isso, com 8 tubos de torpedos.

DIMENSÕES

  • Comprimento Total: 61,2 m
  • Diâmetro do casco: 6,2 m

VELOCIDADE: Acima de 20 nós
PROFUNDIDADE DE OPERAÇÃO: Superior a 200 m
TRIPULAÇÃO: 10 Oficiais e 35 Praças

FONTE: AssCom do Com3ºDN

NOTA DO EDITOR: Aqueles que quiserem realizar shipspotting, a previsão para entrada no Canal do Porto de Natal é a tarde do dia 10 de março, domingo.

Tagged with:
 

Mmi_S527

Segundo dados da Frost and Sullivan, empresa britânica de pesquisa e análise econômica, o mercado para submarinos convencionais diesel-elétricos deve aumentar em cerca de 1,8% até 2022. Os modelos com propulsão independente do ar (AIP) devem ter a maior demanda.

Para o analista de segurança, defesa e indústria aeroespacial da Frost and Sullivan, Dominik Kimla, “o ambiente das operações navais mudou significativamente. As operações passaram da ‘água azul’ do mar aberto para a ‘água rasa’ das regiões litorâneas”, explica. “A importância de submarinos convencionais menores e mais silenciosos, em vez de grandes modelos nucleares, aumentou bastante”.

A região da Ásia -Pacífico e a Europa parecem ser as principais áreas de aquisição de submarinos convencionais, segundoa empresa. A previsão é de que o mercado asiático para esse tipo de embarcação creça 2,1% e venha a totalizar 47,2% da demanda global. Já a Europa responde por 22,4% da fatia de mercado, e espera-se um aumento de 1,5%. Páises como Alemanha, Espanha, Itália e Turquia possuem projetos “relevantes” de desenvolvimento de submarinos convencionais. “As forças navais cada vez mais estão se voltando para os SSK por conta do caráter polivalente e do potencial semi-estratégico dessas embarcações”, aponta Kimla. “Sendo assim, os submarinos convencionais representam grandes oportunidades tanto para a venda de novos navios como para a inclusão do sistema AIP em modelos já existentes”.

FONTE: UPI.com (tradução e adaptação do Poder Naval a partir de original em inglês)

Tagged with:
 

Oceanos também têm ‘buracos negros’

kilo-class

Buraco negro foi o nome que os especialistas da OTAN deram aos submarinos diesel-elétricos russos do projeto 636, classe Kilo, devido ao pouco ruído, que dificulta ao máximo a sua detecção. “São navios bons, com um bom armamento de torpedos, minas e mísseis. Eles estão equipados com o sistema de mísseis supersônicos antinavio Klub, que provou ser excelente nos submarinos que a Rússia forneceu à Marinha de Guerra da Índia”, descreve o perito militar Viktor Litovkin, editor-chefe da publicação russa Nezavissimoie Voennoe Obozrenie(Revista Militar Independente)

Os submarinos Kilo são uma modernização da classe Varshavianka, que a Rússia começou a fabricar para exportação já faz 30 anos. Eles mantêm as características principais e a arquitetura do Varshavianka, mas seu recheio, equipamento radioeletrônico, meios de suporte de vida são totalmente modernos. Esses navios podem se deslocar em submersão à velocidade de 37 km por hora, submergir até 300 metros de profundidade e ter uma autonomia de navegação de 45 dias.

Dois desses submarinos serão enviados para o Vietnã ainda este ano. Eles foram construídos em São Petersburgo e já foram lançados. No momento estão em fase de provas de mar e testes de submersão, no mar Báltico. No total, de acordo com contrato entre Rússia e Vietnã, Hanoi receberá seis submarinos da classe Kilo. A execução do total desse contrato, no valor de dois bilhões de dólares, está planejada para 2016. “É difícil sobrevalorizar a importância que esses submarinos têm para o Vietnã. Com eles, o país poderá defender com maior eficácia as suas águas territoriais, a sua zona econômica, as suas ilhas e plataformas petrolíferas. As frotas de superfície e submarina devem atuar em complementaridade. Os navios de superfície também devem estar protegidos abaixo do nível do mar. O inverso também é verdadeiro, a saída dos submarinos para o mar, especialmente perto das suas costas, deve ter sempre a cobertura de navios de superfície.”, acrescenta Viktor Litovkin.

O Vietnã é um parceiro tradicional da Rússia na cooperação técnico-militar. A cota da Rússia como fornecedor de armamento ao país atingiu 90% nos últimos dez anos. Neste momento, as empresas de armamento russas estão cheias de encomendas estrangeiras, mas em primeiro lugar estão os fornecimentos ao Exército e à Marinha da Rússia. Só depois se pode satisfazer as encomendas estrangeiras. O contrato dos submarinos para o Vietnã é uma exceção em que a encomenda estrangeira é executada em primeiro lugar.

FONTE: Voz da Rússia (edição e adaptação do Poder Naval)

VEJA TAMBÉM:

Tagged with:
 

S1000_submarine

A agência russa de exportação Rosoboronexport se encontra em negociações com autoridades italianas para a construção de submergíveis do projeto S1000, que não serão utilizados por nenhum dos dois países, mas sim vendidos para terceiros.

Os especialistas russos da Oficina Central de Engenharia Naval Rubin e da italiana Fincatieri completaram o desenho conceitual do modelo há alguns anos. Agora, Rússia e Itália estudam a possibilidade de finalmente iniciar a produção.

Segundo o diretor comercial da Fincateri, Enrico Bonnetti, o submarino medirá 56 metros, terá um casco exterior duro de 5,5 metros de diâmetroo, poderá se deslocar, submerso, com carga total de 1.100 toneladas, a uma profundidade máxima de 250 metros e uma velocidade superior a 14 nós.

A embarcação poderá levar até 16 tripulantes e mais seis tropas de operações especiais. O S1000 é projetado para combates submarinos, atividades de reconhecimento e transporte de tropas. Mas objetivos secundários incluem guerras na superfície, apoio a aviões e helicópteros militares e até atividades de mineração.

FONTE: Diário da Rússia (edição e adaptação do Poder Naval)

Tagged with:
 

O vídeo mostra o andamento das obras do PROSUB na cidade de Itaguaí (RJ), a construção já avançada da Unidade de Fabricação de Estruturas Metálicas (UFEM) e o começo das obras no cais e no que será o futuro estaleiro.

 

FONTE: Canal da MB no Youtube

 

Mensagem deixada no Twitter por um marinheiro do HMS ‘Vanguard’ revelou que um problema no submarino prenderá o navio nos EUA até depois do Natal

 

O Ministério da Defesa (MoD) do Reino Unido confirmou que o HMS Vigilant, um submarino de propulsão nuclear capaz de transportar mísseis balísticos com ogivas nucleares, foi avariado durante sua viagem de retorno à base naval Faslane, em Clyde, após realizar teste de disparo de um míssil Trident no Atlântico, próximo à costa da Flórida em 23 de outubro.

Acredita-se que o submarino tenha retornado para a base naval dos EUA em Kings Bay, na Geórgia, onde o dano agora será investigado e reparado. A base é o lar da frota de SSBN dos EUA.

Um tripulante de Vigilant revelou que cronograma planejado para o navio havia sido alterado e ele se queixou no Twitter de que teria que ficar “preso nos EUA para o Natal”. O Vigilant deveria voltar para a Escócia para recomeçar suas patrulhas de deterrência depois de um período de reparos de três anos.

O Ministério da Defesa apresentou apenas alguns detalhes do que aconteceu, porque as operações com SSBM são altamente sigilosas. O ministério normalmente nunca informa onde os submarinos estão ou se eles estão carregando armas nucleares.

“Ao voltar para o Reino Unido após o disparo bem sucedido de um míssil Trident II D5 desarmado, o HMS Vigilant sofreu uma pane em seu leme”, disse um porta-voz do MoD. “Isto não tem relação com a parte nuclear do submarino e a tripulação e o navio retornaram em segurança para a porto, onde o defeito está sendo avaliado.”

Uma fonte disse ao Sunday Herald que os danos foram causados por “detritos no mar”, mas isso não foi confirmado pelo Ministério da Defesa. “Não há provas de que houve uma colisão no mar”, disse o porta-voz do Ministério da Defesa.

Steven Savage, um marinheiro que serve atualmente no Vigilant, enviou uma mensagem pelo tweeter em 8 de dezembro para a BBC em Teesside dizendo que perderia o jogo do time de futebol do Middlesbrough, conhecido como Boro.

“Os fãs de ‘Boro’ do HMS Vigilant (submarino) ficarão decepcionados. Preso nos EUA para o Natal perderemos o ‘boro’”, disse ele.

O Vigilant é um dos quatro submarinos da classe Vanguard equipado com mísseis Trident que carregam ogivas nucleares. Estes submarinos são empregados em patrulha de deterrência 24 horas por dia, sete dias por semana como parte de uma política de “dissuasão contínua no mar”.

No mês passado o ministro da Defesa, Philip Dunne, disse ao Parlamento que Vigilant tinha terminado recentemente seu grande período de manutenção.

O lançamento de um míssil foi parte da “demonstração da operacionalidade” e da eficácia da dissuasão nuclear do Reino Unido antes que o submarino voltasse ao serviço.

De acordo com a Marinha Real, a reforma custou mais de 300 milhões de libras esterlinas, levou três anos e envolveu o reabastecimento do reator do submarino. Mais de 200 atualizações significativas foram feitas na parte de máquinas do submarino e nos sistemas operacionais.

Os críticos questionaram como um submarino que tinha acabado de passar por uma reforma tão cara e extensa poderia apresentar problemas no leme. Eles também estavam preocupados com a navegação segura do navio.

“A Marinha está provavelmente muito preocupada com isso”, disse John Large, um perito independente em submarinos nucleares. “Pode ser que os trabalhos de manutenção sejam a causa do problema.”

Segundo ele, o leme poderia ter sofrido uma falha mecânica ou hidráulica, ou atingido pelo cabo do sonar rebocado.

O incidente também teria sido embaraçoso, Large argumentou. “Eu imagino que o navio teve que emergir após o ocorrido, o que é um desastre para um submarino que deve permanecer oculto”, disse ele.

Ele também disse que o cronograma de manutenção dos submarinos é muito apertado. “Se algo der errado, estraga completamente o cronograma”, acrescentou.

John Ainslie, coordenador da Campanha Escocesa para o Desarmamento Nuclear, afirmou que navegar com um submarino como este através do Atlântico com um leme avariado poderia causar uma colisão com “consequências catastróficas”.

Ele alegou também que os reparos no leme atrasariam a plena operacionalidade do Vigilant. “Isso terá um impacto na capacidade da Marinha em manter um SSBN no mar todo o tempo”, disse ele.

“Ao contrário de sair correndo para reparar o leme, o MoD deveria seguir o conselho dos Liberais Democratas e encerrar as patrulhas de deterrências em caráter contínuo e permanente. Assim eles podem demorar o tempo que quiserem para arrumar o leme.”

Em fevereiro de 2009 o submarino HMS Vanguard ficou famoso quando colidiu com um submarino nuclear francês da classe Le Triomphant em algum lugar do Atlântico. Os submarinos tiveram que voltar para casa para reparos.

FONTE: The Herald (tradução e adaptação, Poder Naval)

NOTA DO EDITOR: a lição deste caso é: não misture futebol com Marinha, a vítima pode ser o seu país.

Tagged with:
 

Em um futuro próximo, a Rússia pretende entregar à Comissão das Nações Unidas para o Direito do Mar argumentos suficientes para fazer valer seu pedido de ampliação de sua plataforma continental no Ártico. Anteriormente, o país teve seu pedido negado por falta de amostras geológicas. Moscou espera fortalecer sua reivindicação com as amostras coletadas no fundo do Doceano Ártico pelo minissubmarino nuclear AS-12 Locharik.

A expedição ao Polo Norte ocorreu no final de setembro dentro do projeto de pesquisa Ártico-2012. Os trabalhos foram realizados a uma profundidade de 2,5 km a 3 km, durante 20 dias. Amostras de solo foram coletadas por manipuladores, uma draga, uma concha equipada com câmeras e um tubo hidrostático. Os resultados da análise das amostras de solo serão divulgados e entregues à ONU no início de 2013. A disputa por áreas de influência no Ártico é travada entre a  Rússia, por um lado, e Noruega, Canadá, EUA e Dinamarca, por outro. Até então, nenhuma das partes apresentou mais do que reivindicações políticas sobre a área.

O minissubmarino AS-12 Locharik (NORSUB-5, na classificação da Otan), construído por encomenda do Departamento Geral de Informações Militares do Ministério da Defesa da Rússia, é desconhecido pelo grande público, e espera-e que seja o trunfo de Moscou na disputa territorial no Ártico.

Devido a sua forma extravagante, o minissubmarino construído com módulos esféricos de titânio faz lembrar o Locharik, um cavalinho de bolinhas que protagoniza uma série de desenhos animados famosa na Rússia. Segundo engenheiros, a forma incomum permite ao minissubmarino resistir a uma enorme pressão da água a profundidades de até 6 mil metros.

A embarcação mede 60 metros de comprimento, e possui um reator nuclear de pequeno porte equipado com uma nova instalação produtora de vapor KTP-7I Phoenix, que lhe permite atingir velocidade de 30 nós (cerca de 60 km/h) e torna praticamente ilimitada sua permanência em imersão. A tripulação é de 25 pessoas.

O Locharik é transportado pelo submarino nuclear estratégico especialmente adaptado, o K-129 Oremburgo, do projeto 667BDR Kalmar. Matriculado na Frota do Norte, o submarino não faz parte de suas esquadras e se subordina ao Departamento Geral de Informações Militares. Está estacionado na base naval de Olenia Guba, a qual compartilha com unidades de operações especiais da Marinha russa. O Locharik não tem suas próprias armas, mas ainda assim representa uma ameaça à segurança nacional de outros países por poder operar a profundidades inacessíveis para outras embarcações. Por exemplo, pode usar seus manipuladores não só para coletar amostras de solo, mas também para cortar linhas de comunicação entre continentes ou colocar “grampos”.

Segundo o jornal Izvéstia, foram retomados os trabalhos de construção de um outro minissubmarino nuclear de águas profundas nos mesmos moldes do Locharik, mas ainda sem nome. Fontes do Ministério da Defesa russo disseram ao jornal que a nova máquina está sendo projetada para operações especiais no fundo oceânico, inclusive no Ártico, e será menor do que o Locharik.

FONTE: Gazeta Russa (Adaptação e edição do Poder Naval)

 

No enorme e altamente protegido estaleiro da empresa francesa Direction des Constructions Navales et Services (DCNS), em Cherbourg, a “Cité de la Mer” (cidade do mar), a 360 quilômetros de Paris, a mistura de português e francês tornou-se comum.

Aqui está tomando corpo o maior contrato militar internacional do Brasil: o Programa de Desenvolvimento de Submarinos (Prosub), estimado em R$ 15 bilhões (€ 6,7 bilhões) – superior em R$ 4 bilhões à licitação de 36 caças militares que continua indefinida e da qual todo mundo fala.

Desta vez, os brasileiros não estão só comprando, e sim procurando fazer. Equipes de técnicos e engenheiros brasileiros se revezam por etapas no estaleiro francês, vestindo um uniforme verde com a bandeira nacional.

O contrato entre a Marinha brasileira e o consórcio Bahia de Sepetiba (formado pela francesa DCNS e a brasileira Odebrecht) implica a construção conjunta de cinco submarinos, incluindo um submarino nuclear de ataque.

Na visita da presidente Dilma Rousseff a Paris, amanhã e quarta-feira, a ênfase da parceria estratégica na inovação terá como modelo precisamente o caso dos submarinos, considerado inédito tanto para a França como para o Brasil. Com a parceria, a França ganha escala e dinamismo, e o Brasil acelera sua capacitação tecnológica.

A expectativa é que a cooperação na área de submarinos estimulará a indústria brasileira de defesa, inclusive com investimentos de grupos franceses no Brasil. Analistas notam também a importância do financiamento externo. Dos € 6,7 bilhões, cerca de € 4,3 bilhões são crédito francês em 20 anos, o que ajudou a Marinha a não ter o projeto paralisado.

Depois de EUA, França, Rússia e China, somente duas nações têm no futuro previsível condições de ingressar no clube dos submarinos nucleares: Brasil e Índia. E, entre essas potências, só a França considera o Brasil como parceiro privilegiado, com quem a cooperação não tem limites, afirma o embaixador brasileiro em Paris, José Maurício Bustani.

O ministro da Defesa francês, o socialista Jean-Yves Le Drian, tem repetido que o acordo “é exemplo de uma parceria exemplar com transferência de tecnologia nunca atingida até agora”. E propõe adotar cooperação sem restrição também para vender os caças Rafale.

Ministério da Defesa francês propõe adotar cooperação sem restrição também na venda dos caças Rafale

A França teve de superar pressões de outros parceiros para compartilhar tecnologia de alta sensibilidade. Uma fonte nota que pela primeira vez Paris passou a “linha vermelha” na área nuclear, apesar de o Brasil não ter assinado protocolo adicional do Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP).

Os franceses detêm todo o leque das indústrias de soberania, como espacial, defesa, nuclear, aeronáutica e construção naval. Mas sua condição é de potência média, enfrentando cada vez mais dificuldades para garantir sozinha as economias de escala necessárias para continuar na vanguarda tecnológica e industrial.

A analista Helene Masson constata, na revista “Géoéconomie”, de Paris, que os grandes grupos industriais de defesa estão privilegiando relações de parceria e divisão de riscos financeiros e tecnológicos. A transferência de tecnologia tornou-se um critério-chave e que se impõe nas compras de equipamentos de defesa. Hoje, Índia, Brasil, Coreia do Sul e Emirados Árabes Unidos são países particularmente agressivos para obter transferência de tecnologia, segundo Masson.

Os franceses procuram mostrar que o Brasil é mais do que um grande cliente de equipamentos, e sim um parceiro estratégico para dividir o custo da inovação tecnológica. Os dois governos querem estimular joint ventures para competir juntos no mercado internacional contra rivais dos Estados Unidos e da China.

Além disso, o Brasil tem um programa bilionário, estimado em pelo menos R$ 200 bilhões, de reaparelhamento das Forças Armadas nos próximos 20 anos. Os franceses querem ser escolhidos não só na venda dos caças (FX2), como na de porta-aviões (Pronae), navios de superfície (Prosuper), vigilância e controle marítimo (Sisgaaz). Outro interesse é o programa de grande satélite geoestacionário de telecomunicações (SBG), que vai pilotar toda a banda larga e ser usado em parte da defesa brasileira.

A Marinha tem cinco submarinos (Tupi, Tamoio, Timbira, Tapajó e Tikuna), inspirados no projeto de submarino alemão tipo 209 e que precisarão ser substituídos gradualmente. Isso ocorre num cenário em que o Brasil pleiteia junto às Nações Unidas estender sua área marítima, atualmente de 3,5 milhões de km2, até os limites de sua plataforma continental. Isso significa superar as 200 milhas náuticas de sua zona econômica exclusiva. Incorporando uma área adicional de 963 mil km2, a área marítima será o equivalente à quase metade do território terrestre.

Essa gigantesca área oceânica tem enormes interesses econômicos, incluindo concentração de minerais estratégicos. Também do subsolo marítimo o Brasil retira a maior parte de seu petróleo e gás. O especialista Eduardo Italo Pesce escreveu que, “apesar de possuir a sexta economia mundial, o Brasil é a mais vulnerável entre as potências emergentes”.

Nesse cenário, o Prosub inclui a construção de quatro submarinos convencionais diesel-elétrico; a fabricação de um submarino nuclear, cabendo ao Brasil o desenvolvimento do motor a propulsão nuclear e da “ilha nuclear” do estaleiro; fornecimento de torpedos e sistemas de combate; a construção de estaleiro e de base naval em Itaguaí (RJ), com capacidade de operar submarinos convencionais e nucleares.

Significa transferência de tecnologia por décadas, na concepção, projeto, fabricação e manutenção de submarinos convencionais e nucleares.
Parte da equipe de técnicos e engenheiros brasileiros que trabalham na construção do submarino em Cherbourg

Mas os brasileiros não se enganam com a expressão “transferência de tecnologia”. “Você pode transferir equipamentos e dados técnicos, mas tecnologia é capacidade de projetar e de fazer, e isso é adquirido, não transferido”, diz Bustani. “A melhor maneira de transferir tecnologia é projetando e fazendo coisas juntos.”

O chefe das operações pelo lado brasileiro em Cherbourg, o comandante Guilherme Dionísio, que chefiou a construção do último submarino no Brasil, o Tikuna, lançado em 2005, acrescenta: “Transferência de tecnologia é absorção. É preciso ter gente com capacidade de absorver, estudar, fazer perguntas adequadas e saber processar o conhecimento. Senão, será mero espectador. Por isso, muitas vezes a transferência de tecnologia falha.”

A maioria dos brasileiros que trabalha no projeto participou antes na construção dos cinco submarinos atuais da Marinha, diz o comandante Humberto Caldas da Silveira Júnior, chefe do Prosub na França e ex-comandante do submarino Timbira.

Desde agosto de 2010, quando começou a construção do primeiro submarino, em Cherbourg, mais de 220 brasileiros receberam cursos e programas de formação na França. A cooperação e transferência de tecnologia ocorrem através dos projetos de submarinos em Lorient, sistemas de combate em Toulon, sonares em Sophia-Antipolis e torpedos em Saint-Tropez. Cerca de 80 militares e engenheiros foram formados na França e voltaram ao Brasil para treinar pessoal suplementar.

Os cursos de engenharia em Lorient já ajudaram na concepção preliminar do submarino nuclear no Brasil neste ano. Além disso, desenvolve-se o estaleiro naval em Itaguaí, que será inaugurado provavelmente em janeiro.

Cherbourg já era um porto militar importante sob Luís XVI. É hoje conhecido internacionalmente por ter sido o principal objetivo das tropas americanas no desembarque na Normandia, em 1944, no assalto contra os nazistas.

Aqui era o antigo Arsenal da Marinha francesa, que foi privatizado, mas continua com influência do capital estatal. A verificação de acesso é discreta, mas firme. Existe uma preocupação constante com espionagem industrial.

A reportagem do Valor visitou a construção do submarino acompanhado do adido naval brasileiro em Paris, comandante Jorge Machado, e do chefe do Prosub na França, comandante Silveira Júnior, ambos com ampla experiência no acompanhamento dos projetos com os franceses.

A oficina de construção parece uma enorme caixa azul no centro do estaleiro. Lá dentro, o espaço é dividido por uma cortina branca que vai até o teto fechado. De um lado, está o “Espaço Brasil da Marinha brasileira”. Do outro, a construção da próxima classe de submarinos nucleares de ataque franceses, o Barracuda. Ninguém tem direito de atravessar a linha. Os raros visitantes, então, nem pensar.

“Não faça fotos, senão vou preso”, avisa um funcionário francês. A DCNS contratou uma fotógrafa para a visita. Menos para fotografar, na verdade. Nada de foto do que já existe do submarino. A explicação é que um olho especializado vai identificar segredos. No dia seguinte, fotos com o submarino foram encontradas em site da mesma empresa.

Para os brasileiros, Cherbourg une a atividade de transferência de tecnologia e o acompanhamento e construção do submarino.
Croqui do submarino brasileiro que está sendo construído em Cherbourg, inspirado no modelo francês Scorpène

Mas aqui só será feita a primeira parte do primeiro submarino, que inclui a proa e a vela, já em fase final. A segunda parte e os outros submarinos vão ser construídos no Brasil. A expectativa é incluir cada vez mais equipamentos brasileiros de firmas que estão se capacitando, podendo criar um importante polo industrial naval em Itaguaí.

O primeiro submarino deve ser lançado em 2017, o segundo, 18 meses depois. E a grande novidade, o submarino nuclear, em 2021.

Técnicos e engenheiros brasileiros discutem animadamente em torno de gráficos e desenhos. Os documentos vêm em inglês e francês. Eles contam com a ajuda de uma tradutora francesa que morou na Bahia. Todos assinaram cláusula de confidencialidade.

Os submarinos brasileiros não serão uma cópia exata do modelo Scorpène, que a França exporta para o mundo todo. A embarcação francesa tem 60 metros e 1.700 toneladas. Já o brasileiro SBR será mais longo, com 71 metros e 1.850 toneladas, incluindo uma seção desenhada por técnicos brasileiros, que dará mais autonomia e raio de ação ao submarino.

A jovem capitão-tenente Luciana Verissimo tem uma tarefa precisa em Cherbourg: aprofundar-se no planejamento da construção de submarino. Como o espaço é muito confinado, é preciso ter clareza sobre a sequência da fabricação. Com 32 anos na Marinha, o engenheiro naval Alberto Dumont Pinto Ferreira chefia a inspeção de material comprado dos franceses.

Solda, pintura, amortecedor. Os mínimos detalhes são estudados e aperfeiçoados. Um aço especial torna a resistência mais elevada e a espessura do submarino mais leve. E isso faz a soldagem mais complicada e exige mais qualificação. Pedro, Galvão, Vagner e outros técnicos dizem que precisam aprender o método francês de construir submarino, e também garantir a rastreabilidade, para saber onde fazer no futuro um reparo de maneira correta.

Numa área cercada por cortinas, os seis tubos de torpedos estão sendo desmontados por brasileiros também como aprendizado. Em outra área, está em preparação o chassi que vai conter equipamentos e será montado sobre calços amortecedores. Isso para o submarino diminuir o nível de ruídos, no desafio de ser o mais discreto possível quando mergulhado.

Área militar restrita combina com sigilo. Mas sabe-se que, com a experiência conjunta na França, o Brasil já teria conseguido a independência no ciclo completo de produção do casco do submarino. Os técnicos também aprenderam a fabricar calotas para os tubos de torpedos, que envolvem processo artesanal, além dos próprios tubos de torpedos. No acordo com a Alemanha, o Brasil recebia os tubos de torpedos prontos.

Nos meios militares, a experiência com os franceses na área do submarino é ainda mais interessante quando se considera o drama de o país não ter seu programa espacial, com satélites, atribuído ao fato de não conseguir sequer comprar peças sensíveis por causa da desconfiança de parceiros.

Para o embaixador Bustani, a parceria de indústrias estratégicas de defesa brasileiras com companhias francesas representa “oportunidade de economizar décadas de trabalho e dezenas de bilhões de reais”, comparada a tentativas de chegar aos mesmos resultados sozinho.

A transferência de tecnologia francesa ocorre também pela aquisição de 50 helicópteros EC-725. A produção está sendo incorporada pela Helibras, filial brasileira da Eurocopter, com crescente aumento de conteúdo nacional. A fábrica de Itajubá está sendo duplicada. O objetivo é criar um segundo polo de competitividade aeronáutica e exportar helicópteros para a América do Sul.

Em Paris, a visita da presidente Dilma deve começar a examinar, mas provavelmente não decidir, novas frentes de parcerias na indústria de defesa. E outros europeus estão de olho. David Cameron, primeiro-ministro britânico, quando esteve recentemente no Brasil ofereceu tudo que era possível para atrair contratos militares para o BAE Systems, que procura reduzir sua dependência do mercado dos EUA.

Já em Paris, o anfitrião François Hollande tem sinalizado aos brasileiros que considera o Brasil o parceiro mais importante da França entre os emergentes e quer relançar a parceria estratégica sem ficar bloqueado na questão da compra dos aviões de combate.

FONTE: Valor Econômico via Revista Portos e Navios

 
Página 1 de 41234