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A Marinha do Brasil, por intermédio da Diretoria de Sistemas de Armas da Marinha, assinou, nos dias 5 e 6 de dezembro de 2011, com as empresas MECTRON – Engenharia, Indústria e Comércio S/A e AVIBRAS Divisão Aérea e Naval S/A, respectivamente, contratos para o desenvolvimento do protótipo do Míssil Antinavio Nacional (MANSUP).

Estes contratos, somados aos já celebrados com a Fundação ATECH, para gerenciamento complementar, com a empresa OMNISYS, para desenvolvimento do Autodiretor (seeker), e com a própria AVIBRAS, para desenvolvimento do motor foguete, permitirão o desenvolvimento e fabricação no BRASIL de um míssil antinavio de desempenho compatível aos existentes no mercado.

Ontem, a DCNS iniciou, no seu centro de Cherbourg, a última junção das seções do primeiro submarino Scorpène para o Brasil. A soldagem das seções 3 e 4, que vai permitir reconstituir a parte dianteira do submarino, é um símbolo forte em termos de transferência de tecnologia

 

Os 12 soldadores da equipe franco-brasileira começaram esta manhã em Cherbourg as últimas operações de junção das seções do primeiro Scorpène para o Brasil. As próximas montagens serão realizadas no Brasil. Serão necessários 4 dias para a realização desta etapa que consiste em montar por fusão de metal os anéis que constituem a parte dianteira do submarino. Uma estrutura de cerca de 6 metros de diâmetro, 24 metros de comprimento e uma massa de 200 toneladas que vai posteriormente receber, entre outros, a central de operações, os torpedos e os auxiliares da plataforma (água, gás, eletricidade, etc.). Durante o primeiro semestre de 2012, serão adicionadas a este casco as caixas e as grandes estruturas mas também a vela, os tanques de lastro, o compartimento de acesso e a cúpula de ar fresco.

Os soldadores brasileiros receberam, no âmbito da transferência de tecnologia, uma formação de 3 meses que permitiu a aquisição das qualificações necessárias. De fato, o contrato incide sobre a concepção e a realização em transferência de tecnologia de quatro submarinos convencionais. O centro de Cherbourg recebe atualmente 36 estagiários brasileiros, o que eleva este número a 115 desde o início do contrato.

Bernard Planchais indicou: “Esta etapa é um novo marco bem-sucedido para a realização deste programa ambicioso. Ela demonstra a capacidade da DCNS em implementar uma parceria humana e tecnológica ao serviço de uma marinha internacional.”

Este contrato para o Brasil incide também na assistência para a concepção e a realização da parte não nuclear do primeiro submarino brasileiro de propulsão nuclear e o apoio à realização de uma base naval e de um estaleiro de construção naval. O primeiro dos quatro submarinos convencionais deverá entrar em serviço ativo em 2017. Esses quatros submarinos possuem propulsão convencional (diesel-elétrica). Com um comprimento de cerca de 75 metros, seu deslocamento na superfície é de 2. 000 toneladas. São operados por uma tripulação de 30 a 45 pessoas.

Os quatros submarinos convencionais respondem às especificações particulares da Marinha do Brasil. Estão perfeitamente adaptados às necessidades de proteção e de defesa dos 8.500 quilômetros de litoral brasileiro. São submarinos oceânicos polivalentes concebidos para todos os tipos de missões, incluindo a luta contra os navios de superfície, a guerra antissubmarina, os ataques em profundidade, as operações especiais e a coleta de informações.

FONTE/FOTOS: DCNS

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O OPV L’Adroit, primeiro da classe “Gowind”, atracou no dia 24 de novembro na base naval de Toulon no Mediterrâneo, seu porto base, apenas 18 meses após o término da construção no estaleiro Lorient da DCNS no Atlântico.

Construída com financiamento da própria DCNS, esta plataforma de segurança marítima está agora emprestada à Marinha da França por um período de três anos. Nos próximos meses, o L’Adroit vai demonstrar suas excepcionais capacidades.

O OPV classe “Gowind” lidera os esforços da DCNS para conquistar uma fatia maior do crescente mercado de navios de superfície de pequeno e médio deslocamento.

Nos próximos três anos, a Marinha Francesa vai testar as capacidades do navio nas atuais e emergentes missões que vão desde a pesca,  policiamento, interdição de drogas, proteção ambiental e ajuda humanitária para busca e salvamento no mar.

Com duas equipes em rotação a cada quatro meses, a alta confiabilidade do projeto está prevista para oferecer nada menos que 220 ​​dias de disponibilidade operacional no mar por ano.

Inovador pelo design
Com um comprimento de 87 metros, o OPV L’Adroit oferece três semanas de persistência em águas azuis, com alance de 8.000 milhas náuticas, velocidade máxima de 21 nós e um helicóptero / UAV no convés de vôo. O projeto também dispõe de plena provisão para a tripulação reduzida 30 pessoas e espaço para 30 passageiros.

As inovações e capacidades de especial interesse para o comando naval e as forças de guarda costeira incluem um passadiço panorâmico de 360​​° oferecendo visibilidade, um único mastro fechado oferecendo com 360° de visibilidade para os sensores, o lançamento discreto de barcos commando rápidos em menos de 5 minutos e provisão completa para veículos aéreos e de superfície não-tripulados (UAVs e USVs).

A família “Gowind” também se beneficia da vasta experiência da DCNS em sistemas de informação de comando. Esses navios podem ser facilmente adaptados para vigilância de área ampliada e, quando se trabalha em conjunto com os centros de controle em terra e outros navios em rede, para a detecção automática de atividades suspeitas por navios e outras embarcações.

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Guilherme Serodio

Rio – O Brasil pode obter a transferência de tecnologia dos softwares do submarino nuclear que vai construir em parceria com a França. A afirmação é do presidente do Serviço federal de Processamento de Dados (Serpro), Marcos Mazoni. A transferência da tecnologia não está prevista no acordo, mas, segundo Mazoni, os diálogos “estão indo bem nesse sentido” e o Brasil deve obter o acesso aos códigos fonte que controlam o equipamento. “É certo que [o Brasil] consegue”.

Mazoni afirma que o Serpro só entrou na discussão acerca da transferência da tecnologia dos softwares utilizados no submarino no ano passado, quando houve as primeiras reuniões de cooperação técnica com a França na área de supercomputação. A partir daí, os técnicos brasileiros passaram a dar atenção à questão dos softwares do submarino. “Eles dizem que o produto é aberto, nós queremos ver o produto, transferir conhecimento”, diz Mazoni.

Ter acesso ao códigos dos softwares, afirma o presidente do Serpro, é fundamental para saber como o submarino funciona. Os militares brasileiros, diz Mazoni, estão preocupados com a transferência de conhecimento de softwares dos equipamentos que adquire. “Nós temos uma boa parceria com o Ministério da Defesa e, hoje, a própria marinha e o Exército brasileiros estão bastante avançados, inclusive no [uso] de software de código aberto”, diz.

Esse tipo de preocupação na área de segurança não é exclusividade do Brasil, afirma Mazoni. Um exemplo, diz ele, é o exército alemão, que só compra equipamentos eletrônicos com softwares de código aberto. “[Na Alemanha] as Forças Armadas não usam produtos vindos dos Estados Unidos”.

Para Julio Neves, assessor da presidência do Serpro, “software livre também é soberania”. Ele exemplifica a importância de se ter livre acesso aos códigos de equipamentos militares com um caso da Guerra do Golfo, ocorrida na década de 90. Durante o bombardeio do Iraque por forças americanas, um vírus instalado nos sistemas de radares de defesa iraquianos apagou as telas dos equipamentos. Sem conseguir ver os aviões inimigos nos radares, os militares iraquianos ficaram sem defesa contra o bombardeio. Segundo Neves, acredita-se que “os equipamentos já foram comprados com o programa”.

Outro caso famoso ocorreu durante a Guerra das Malvinas, entre a Argentina e o Reino Unido. No conflito que durou de abril a junho de 1982 os militares argentinos atacaram as embarcações inglesas com o míssil anti-navio francês Exocet. Após o primeiro afundamento, a França entregou aos ingleses o código que permitia que os mísseis fossem guiados por ondas de rádio, diminuindo a eficiência dos ataques argentinos.

O acordo entre Brasil e França para a construção do primeiro submarino nuclear brasileiro faz parte do Programa de Desenvolvimento de Submarinos (Prosub) da marinha, orçado em € 6,7 bilhões. Além do equipamento nuclear, o programa prevê a construção de quatro submarinos com tecnologia francesa. Os equipamentos serão fabricados no Brasil com supervisão francesa. O acordo prevê transferência de tecnologia.

Com a construção do equipamento, o Brasil entrará no restrito grupo de países capazes de projetar, construir e operar submarinos de propulsão nuclear. Atualmente, apenas Estados Unidos, Rússia, Inglaterra, França e China têm tal capacidade.

Sobre os planos do governo brasileiro em adquirir 36 novos caças para a Força Aérea, Mazoni assegura a cooperação do Serpro: “Vamos estar juntos”. O presidente do Serpro participou do Cyber Security International Forum, realizado ontem no Rio.

FONTE: Valor Econômico, via MB

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No dia 22 de novembro, nas dependências do Instituto de Pesquisas da Marinha, foi realizado o Primeiro Encontro de Tecnologia Inercial da Marinha- ETIM 2011. O Encontro, que foi patrocinado pela Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação da Marinha, teve como objetivo promover a integração dos Centros de Pesquisas Civis e Militares, e Empresas que laboram na área de Engenharia Inercial.

Na ocasião foram realizados debates sobre as perspectivas da Engenharia Inercial no Brasil e no mundo, e apresentados trabalhos realizados pelas seguintes instituições: Instituto de Pesquisas da Marinha (IPqM), Centro de Tecnologia da Marinha em São Paulo (CTMSP), Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA), Instituto de Estudos Avançados (IEAv), Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Centro de Tecnologia do Exército (CTEx) e pela empresa Optsensys.

O mais novo submarino nuclear da Royal Navy, HMS Astute, disparou seu primeiro míssil TLAM (Tomahawk Land Attack Missile) num teste no Golfo do México. O Tomahawk é um míssil de cruzeiro, com alcance de mais de 1.000 milhas.

P-8A Poseidon lança torpedo MK 54

O avião de patrulha marítima Boeing P-8A Poseidon lançou com sucesso o primeiro torpedo antissubmarino MK54, durante um teste de separação no dia 13 de outubro.

A arma foi lançada de uma altitude de 500 pés acima da água, empregando o sistema de missão e computação do P-8A. Na nova aeronave, é papel do operador tático lançar o armamento.

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Como aconteceu com outras classes de navios de guerra que entraram em serviço na US Navy, os LCS estão sendo criticados pelo pouco armamento que levam. Alguns oficiais estão propondo a aquisição de “fragatas verdadeiras” para substituir as FFG-7, já que na visão desses os LCS deixam a desejar.

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No dia 02 de setembro, foi concluída a instalação, a bordo do Navio-Aeródromo (NAe) São Paulo (A 12), da versão online do Sistema de Informações Sobre o Tráfego Marítimo (SISTRAM), desenvolvido pelo Centro de Análises de Sistemas Navais (CASNAV).

O SISTRAM foi instalado em duas estações de trabalho distintas: uma localizada no Centro de Operações de Combate do Navio (COC-N), visando atender às necessidades do NAe São Paulo, e outra no Centro de Operações de Combate da Força (COC-F), para as demandas dos Comandos de Força embarcados nas comissões operativas.

O sistema já foi testado no mar, com sucesso, sendo a recepção de dados realizada pelo Sistema de Comunicações via Satélite (SISCOMIS). Nessa comissão, o NAe São Paulo e o Comando de Força embarcado (Comando da Primeira Divisão da Esquadra) tiveram a oportunidade de visualizar, em tempo real, todo o tráfego marítimo apresentando pelos sistemas interligados ao SISTRAM, dentre os quais destacam-se o LRIT (Sistema de Acompanhamento de Navios a Longa Distância), o AIS (Automatic Identification System) e o PREPS (Programa Nacional de Rastreamento de Embarcações Pesqueiras por Satélite).

No dia 11 de outubro, o Submarino Tapajó (S 33) realizou, com pleno êxito, dois lançamentos reais do torpedo MK 48 MOD 6AT contra alvo de superfície, em área marítima próxima ao Rio de Janeiro, empregando o sistema de combate integrado AN/BYG 501 MOD 1D.

Assim, o S Tapajó tornou-se o primeiro submarino da MB totalmente modernizado, dispondo de um sistema de armas plenamente integrado, desde os sensores até o armamento.

Esse evento, que teve por objeto a validação do sistema de combate e da sua integração com o torpedo MK 48, culmina um processo iniciado em 13 de abril de 2007, quando a Marinha decidiu-se pela aquisição do torpedo MK 48 MOD 6AT ADCAP e do sistema de combate AN/BYG 501 MOD 1D, que, a partir de agora, constituem o sistema de armas padrão dos nossos submarinos.

Os ‘dreadnoughts’ da Marinha do Brasil

No início do século 20 a tecnologia naval evoluiu para um novo tipo de couraçado que dispensava a necessidade de dois calibres principais, concentrando o poder de fogo num único calibre. O primeiro desses navios foi o “Dreadnought”

Paulo de Oliveira Ribeiro

A origem dos 2 “dreadnoughts” brasileiros (São Paulo e Minas Geraes) teve início no Programa Naval de 1904. Após muitos anos de abandono por parte do governo brasileiro, o novo presidente da República, Francisco de Paula Rodrigues Alves, decidiu modernizar a Marinha. Com base nessa medida, o Almirante Julio César de Noronha organizou uma proposta para aquisição de novas unidades navais. O programa foi definido após entendimentos preliminares com a empresa britânica W.G. Armstrong, Whitworth and Co. Ltd. A proposta foi apresentada ao Congresso Nacional pelo Senador Laurindo Pita em 7 de Junho de 1904, na forma de projeto de Lei nº. 30/1904, e previa a aquisição dos seguintes navios:

  • 3 encouraçados de 12.500 a 13.000 toneladas, armados com 12 canhões de 254 mm;
  • 3 cruzadores com deslocamento entre 9.200 e 9700 toneladas;
  • 6 contratorpedeiros de 430 toneladas;
  • 6 barcos torpedeiros de 130 toneladas;
  • 6 barcos torpedeiros de 50 toneladas; e,
  • 3 submarinos.

O projeto foi aprovado pelo Congresso e sancionado pelo Presidente em 14 de dezembro de 1904. Os projetos foram encomendados ao estaleiro Armstrong em 20 de maio de 1905.

O projeto escolhido foi apresentado pela Armstrong juntamente com a Vickers, Sons e Maxim, com o Projeto 188 (Vickers)/Projeto 439 (Armstrong). O deslocamento do navio proposto era de 13.000 t, o armamento principal era constituído por 12 canhões de 254 mm e a velocidade atingia 19 nós. As seis torres duplas foram distribuídas da seguinte forma: uma em cada bordo, a meia nau; duas a ré da superestrutura e duas na proa, tornando-o um dos projetos de navio mais poderosos de sua época, e considerado uma prévia do padrão naval daqueles tempos.

Quando o contrato com o estaleiro foi assinado, o deslocamento projetado subiu para 14.564 t (Projeto Vickers 188A).

Dois navios seriam construídos em Elswick: o nº 791 Minas Geraes e o nº 792 Rio de Janeiro. No estaleiro Barrow-in-Furness seria construído o nº 347 São Paulo. O período de construção era de 24 meses para o Minas Geraes, 29 meses para o Rio de Janeiro e 26 para o São Paulo.

A construção mal havia começado quando o encouraçado HMS Dreadnought iniciou suas provas de mar em 3 de outubro de 1906. Com seus 10 canhões de 305 mm, o encouraçado britânico fez com que os projetos dos navios brasileiros se tornassem obsoletos antes mesmo de serem completados. O ministro Almirante Noronha considerava o projeto original por ele aprovado melhor que o Dreadnought, e provavelmente não o alteraria.Por sorte, o ministro da marinha brasileira foi substituído quando da eleição do no presidente Afonso Augusto Moreira Pena.

Dessa forma, o novo ministro (Almirante Faria de Alencar), solicitou a parada temporária da construção das embarcações e uma reavaliação do projeto, levando-se em consideração as características incorporadas pelo Dreadnought. Isso foi feito e o novo projeto incorporou também canhões de tiro rápido semelhante aos utilizados pelos navios da classe Michigan da marinha norte americana. O contrato para a construção for a assinado em 20 de fevereiro de 1907.

Porém, devido ao intenso ritmo na evolução da construção naval daquela época, mesmo com as modificações os navios estavam obsoletos depois de concluídos. Os novos projetos britânicos e norte americanos passaram a utilizar calibres de 343 mm e 356 mm dispostos axialmente, e locomovidos por turbinas ao invés das plantas propulsoras tradicionais.

O Minas Geraes

O encouraçado Minas Geraes foi o primeiro e sua construção ficou a cargo do estaleiro Armstrong Elswick. O batimento de quilha ocorreu em 17 de abril de 1907, sendo lançado ao mar em 10 de setembro de 1908 e completado em 1º de janeiro de 1910. Seu primeiro comandante, o Capitão de Mar e Guerra João Baptista das Neves, assumiu o comando em 10 de janeiro de 1910. Posteriormente, esse oficial seria morto em seu próprio navio na histórica Revolta da Chibata. Sua chegada ao Rio de Janeiro ocorreu em 17 de abril de 1910, após testes de mar em águas européias.

Logo que chegou ao Brasil o encouraçado Minas Geraes fez algumas comissões, até que no dia 31 de outubro de 1910 aportou novamente no Rio de Janeiro, onde ficou parado de novembro de 1910 a maio de 1911. Sua carreira foi marcada por algumas viagens seguidas por longos períodos de ócio amarrado a um cais no Rio de Janeiro.

Em 9 de julho de 1920, o encouraçado zarpou com destino ao Arsenal Naval de Brooklin nos Estados Unidos para ser modernizado, permanecendo ali até setembro de 1921. Sem dúvida o maior alvo dessa modernização foi o seu sistema propulsor que deixou de ser a carvão para se tornar a óleo, além de receber novas caldeiras a vapor suas duas chaminés características foram convertidas em uma única, seu armamento também foi ligeiramente modificado com a adoção de novas baterias antiaéreas.

O navio retornaria ao Rio de Janeiro no dia 20 de dezembro de 1921.Os anos seguintes seriam marcados por intensas atividades. Em julho de 1922, participou do bombardeio ao rebelado Forte de Copacabana (Rio de Janeiro). Dois anos depois foi enviado ao porto de Santos onde desembarcou um contingente de 500 homens que participaram dum combate contra forças revolucionárias na cidade de São Paulo.

Retornou ao Rio de Janeiro em 5 de agosto do mesmo ano. Porém, um mês depois saiu em perseguição ao seu irmão gêmeo, o encouraçado São Paulo, que se encontrava amotinado. A tripulação do São Paulo levou o navio para Montevideu (Uruguai) com o objetivo de solicitar asilo político ao governo daquele país. O Minas Geraes foi enviado a Montevideo tocom o objetivo de receber o São Paulo do governo uruguaio. Os dois chegaram ao Rio de Janeiro no dia 21 do mesmo mês.

Em 8 de setembro de 1931 o Minas Geraes foi docado no AMRJ para ser novamente “modernizado”. Recebeu seis caldeiras Thornicroft para óleo queimado no lugar das 12 caldeiras Babcock para carvão. Com o ganho em espaço, o mesmo foi aproveitado para a instalação de mais depósitos de combustível, elevando a autonomia do navio. As baterias anti-aéreas de 76 mm foram removidas e em seu lugar foram instaladas quatro peças de 102 mm, além de outras quatro peças de 40 mm. As duas chaminés foram fundidas numa só e um novo sistema de controle de fogo foi instalado. O navio saiu do estaleiro em abril de 1938. Porém, no dia 8 de setembro ocorreu um grande incêndio abordo do encouraçado e o mesmo foi obrigado a voltar novamente para ARMJ, regressando ao serviço em 4 de outubro do mesmo ano.

Após diversas missões durante a II Guerra Mundial, o navio foi enviado a Salvador (Bahia) onde permaneceu fundeado, atuando como bateria costeira fixa. Seu retorno ao Rio de Janeiro só ocorreria ao término da guerra, em 1945.

O encouraçado Minas Geraes foi desativado em 20 de setembro de 1953, sendo vendido como sucata para a firma italiana S.A. Cantiere Navale Santa Maria e seguindo a reboque para a Europa em 11 de março de 1954, aonde foi finalmente desmontado no final de daquele ano. Seu último comandante foi o Capitão de Mar e Guerra Amorim do Valle.

O São Paulo

O encouraçado São Paulo foi construído no estaleiro Barrow-in Furness at the Vickers, Sons and Maxim. Teve sua quilha batida em 30 de abril de 1907, sendo lançado ao mar em 19 de abril de 1909 e completado em 22 de agosto de 1910. Seu primeiro comandante foi o Capitão de Mar e Guerra Francisco Gavião Pereira Pinto. O navio deixou a Grã Bretanha em 16 de setembro de 1910 e parou em Cherbourg (França) para receber a bordo o recém eleito presidente da República do Brasil, Sr. Hermes Rodrigues da Fonseca. Deixou Cherbourg em 28 de setembro de 1910 e aportou em Lisboa (Portugal). No dia 3 de outubro o São Paulo presenciou a revolução portuguesa que culminou com a derrubada da monarquia, tendo o Presidente Hermes oferecido asilo político à família real portuguesa. Este foi recusado sob agradecimentos de Dom Manuel II, que julgava ter deveres por cumprir em Portugal.

Quando o encouraçado São Paulo chegou ao Rio de Janeiro, em 25 de outubro de 1910 foi incorporado a Divisão Naval do Centro (atual 1º DN). Provavelmente por influência dos acontecimentos em Portugal, os praças do Minas Geraes, rebelaram-se em 22 de novembro de 1910 contra seus oficiais. Os marinheiros do São Paulo seguiram o mesmo curso. A revolta terminou quando o governo ofereceu anistia aos rebelados e aceitou algumas das exigências dos amotinados. O episódio ficou conhecimdo como a “Revolta da Chibata”.

Durante vários anos, participou de diversas comissões e visitas a portos brasileiros. Em 7 de agosto de 1918, o navio foi enviado ao estaleiro Brooklyn para modernização e reparo, conforme executado no encouraçado Minas Geraes. Deixou o estaleiro em 17 de janeiro de 1920.

Em 6 de julho de 1922, por causa da rebelião no Forte de Copacabana, foi ordenado que disparasse contra a instalação de terra. Após cinco disparos o forte se rendeu. Em agosto de mesmo ano foi enviado a Bélgica para trazer o rei e a rainha daquele país para as comemorações de centenário da independência do Brasil, retornando em 19 de setembro de 1922.

O navio retornou à sua rotina de comissões e treinamentos até que em 4 de novembro de 1924 seus oficiais rebelaram-se contra o governo. Após trocar disparos com as fortalezas de Santa Cruz e Copacabana, o navio navegou na direção sul para fazer contato com os revolucionários do Rio Grande do Sul. Prevendo ser impossível, a tripulação decidiu pedir asilo político no Uruguai em 9 de novembro de 1924. Anos mais tarde, durante a Revolução Constitucionalista de 1932, o encouraçado São Paulo foi a nau capitânea da divisão que executou o bloqueio ao porto de Santos.

Durante a 2ª Guerra Mundial o encouraçado São Paulo serviu como bateria flutuante fixa na entrada do Porto de Recife, só retornando ao Rio de Janeiro em 1945, após o final da Guerra.

O encouraçado São Paulo foi para a reserva em 2 de julho de 1947, passando a atuar então como navio de treinamento estático até sua desativação definitiva em 1951, quando foi vendido como sucata para um estaleiro inglês. seguindo rebocado para a Europa, para ser desmontado, porém o navio pretendia morrer de outra maneira e escolhera o fundo do mar como seu túmulo. Durante uma tempestade na noite do dia 6 de novembro de 1951, o São Paulo soltou-se dos cabos que o ligavam aos rebocadores e perdeu-se na escuridão. Terminou por afundar, levando consigo sua ultima tripulação composta de oito homens.

Classe MINAS GERAES – FICHA TÉCNICA

Deslocamento Padrão – 19,200 t; máximo – 23,243 t
Dimensões Comprimento -162.5 m; boca – 25.3 m width; calado – 7,8 m
Propulsão 18 caldeiras Babcock (substituídas posteriormente por 6 Thornycroft); 2 chaminés (posteriormente um única chaminé)
Velocidade máx. 22 nós
Alcance 10.000 milhas náuticas a 10 nós
Tripulação 900 a 1.200 homens, em função da missão
Blindagem cinturão: 9” (229 mm) no costado, 6” (152 mm) na popa e na proa
coberta principal: 2” (51 mm)
torretas: 9” (229 mm) na frente, 8” (203 mm) nas laterais
superestrutura: 8 “ (203 mm) na frente, 3” (76 mm) nas laterais
Armamento principal: 12 peças de 12” (305 mm) dispostas em torres gêmeas
secundário: 22 peças simples de 4,7” (120 mm) em casa matas; 8 peças de 3” (76 mm) Mk. II (removidas em 1935)

 BIBLIOGRAFIA

  • Ref: Revista Marítima Brasileira Vol. 121 Nº 1/3 janeiro/março de 2001
  • Historia Naval Brasileira Vol. 5 Tomo II SDM 1985
  • Almirante Lucas Alexandre Boiteux “Das nossas naus de ontem aos nossos submarinos de hoje” Series publicado em Subsídios para a Historia Marítima do Brasil, Vol. XVII SDM
  • Almirante Júlio César de Noronha “O programa naval de 1904” in Subsídios para a Historia Marítima do Brasil Vol. IX SDM 1950
  • David Topliss “The Brazilian Dreadnoughts 1904-1914” in Warship International Vol 3 INRO 1988

SAIBA MAIS SOBRE OS NAVIOS NO NGB:

NOTA DO EDITOR: este artigo foi publicado originalmente no site Poder Naval, em 2006. Republicamos no Blog em homenagem ao autor, Paulo “Osso” de Oliveira Ribeiro, nosso amigo de infância que atualmente enfrenta problemas de saúde. Esperamos que o “Osso” se recupere para voltar a escrever sobre o assunto que ele tanto gostava.

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