Sonar passivo – parte 1

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tridentO choque entre os SSBN  Le Triomphant francês e o HMS Vanguard suscitou muitas dúvidas e ajudou também a mostrar como o submarino nuclear, apesar de ser uma arma incrível, possui algumas limitações.

Entre elas, o fato de operar totalmente às cegas, sem poder usar o radar ou rádio (que não funcionam debaixo d’água) e o sonar ativo (que emite pings de alta energia), pois denuncia sua presença.

No caso dos SSBN a situação é mais crítica, pois são navios estratégicos, portando mísseis balísticos nucleares intercontinentais, que garantem a capacidade de retaliação fulminante em caso de um ataque nuclear.

Sendo assim, os SSBN, bem como os outros submarinos de ataque, de propulsão nuclear ou convencional, dependem quase que totalmente dos seus sonares passivos. Estes equipamentos, embora muitas vezes consigam o dobro do alcance dos sonares ativos dos navios de superfície, só conseguem inicialmente indicar a direção das fontes de ruído.
A classificação (identificação) e distância do alvo, dados fundamentais para soluções de tiro e manobras evasivas, só podem ser obtidos depois de algum tempo de monitoração, com o auxílio do sistema computacional de bordo, através do método conhecido como TMA (Target Motion Analysis).

Como funciona o sonar passivo?

sonar-underwater_view

waterfall-sonar-displayA ilustração acima mostra um submarino recebendo ondas de diversas fontes sonoras, representadas pelos anéis de cores diferentes. Notar que os sonares passivos do submarino também percebem seu próprio ruído, que interfere no alcance de detecção do seu sonar.

Por isso, quando um submarino precisa conseguir o maior alcance de detecção possível, sua velocidade não deve passar muito dos 5/10 nós, pois os ruídos de seu hélice e o escoamento da água no casco mascaram os ruídos dos alvos.
Nos modernos submarinos, dotados de sistemas de comando e controle digitais, toda a informação que chega dos sonares passivos (da proa, dos flancos e do sonar rebocado) é mostrada inicialmente num display em “cascata”, como na imagem acima.

As trilhas verticais mais brilhantes representam o ruídos produzidos pelos alvos e o fundo mais escuro, é o ruído ambiente produzido por outras fontes. Quando o submarino navega em alta velocidade, fazendo muito ruído, o fundo mais escuro também fica mais brilhante, se misturando com as trilhas dos alvos, por isso é necessário navegar em baixa velocidade, para poder rastrear e identificar os contatos. Na tela abaixo, do simulador naval Dangerous Waters, é possível ver com mais detalhe o console de um sonar passivo de submarino.

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Notar que o display, na primeira tela, mostra cinco trilhas perto da marcação 90 e uma trilha perto da marcação 270. São seis contatos que estão sendo monitorados pelo sonar de proa (observar a seleção do sonar array no canto inferior direito do console). A segunda tela do display, mostra a mesma informação, mas numa escala de tempo maior, por isso a confusão das trilhas, pois o submarino mudou de rumo várias vezes.
Os seis contatos estão sendo monitorados, mas ainda não se sabe o que eles são e a que distância estão.
Nos próximos posts da série, veremos como um submarino identifica os contatos, como é feita a solução de distância e algumas táticas usadas por submarinos em combate contra navios e outros submarinos.

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