Visby: as corvetas stealth suecas

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A classe  “Visby” de corvetas  stealth está sendo construída para a Marinha da Suécia pela empresa sueca Kockums (uma subsidiária da ThyssenKrupp Marine Systems, da Alemanha). O projeto destes navios enfatiza fortemente a tecnologia de “baixa visibilidade” (ou furtiva) e a capacidade de guerra centrada em redes (Netcentric Warfare).

A construção começou em 1996 no estaleiro da Kockums em Kalrskrona. A Visby (K31) foi lançada em junho de 2000 e entregue ao fmv (a Administração de Equipamento de Defesa sueca) em junho de 2002, para a montagem de armas e sistemas de combate. A segunda, HMS Helsingborg (K32), foi lançada em junho de 2003 e entregue em abril de 2006. A Härnösand (K33) foi lançada em dezembro de 2004.

A Nykoping (K34) foi lançada em agosto de 2005 e entregue em setembro de 2006, e a Karlstad (K35), lançada em agosto de 2006. Os navios estão passando por extensivos testes operacionais no mar, antes do comissionamento. A Marinha Sueca cancelou a construção de uma sexta unidade (Uddevalla K36).

Um hangar para um helicóptero foi originalmente planejado, mas foi considerado demasiado apertado e posteriormente removido. Mas o navio pode receber e reabastecer uma aeronave do porte do AgustaWestland A109M ou Lynx.

O design da “Visby” foi enfocado para minimizar a assinatura visual e infravermelha e a redução da seção transversal a emissões de radares, bem como a assinatura acústica e magnética subaquática.

A construção do casco é feita em “sanduíche”, compreendendo um núcleo de PVC, com um laminado de fibra de carbono e de vinil. O material proporciona alta resistência e rigidez, baixo peso, boa resistência a choques e baixa assinatura radar e magnética.
Uma corveta stealth como a “Visby” reduz sua detecção a distâncias de apenas 13km em mar grosso e 22km em mar calmo, sem o emprego de “jamming” (interferência eletrônica). Em um ambiente “jammeado”, a “Visby” seria detectada somente a uma distância de 8 km em mar agitado e 11 km em mar calmo.

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Navios multi-tarefa

As “Visby” foram projetadas para realizar operações anti-navio, anti-submarino e de contra-medidas de minagem.
Para a guerra anti-superfície (ASuW), as corvetas são equipadas com oito mísseis anti-navio Saab Bofors Dynamics RBS 15 MK3. O RBS 15 MK3 tem um alcance de 200km e utiliza um radar ativo na banda Ku para homing. O míssil tem uma velocidade subsônica elevada, de Mach 0,9 e está armado com uma ogiva de 200 kg. Os mísseis são instalados abaixo do convés principal e são lançados através de escotilhas especiais para manter a capacidade stealth do navio.

Para a guerra anti-submarino (ASW), as “Visby” levam uma suíte de foguetes anti-submarino de 127mm, cargas de profundidade e torpedos. Existem três lançadores fixos de torpedos Tp 45 anti-submarino, de 400mm.

Para contramedidas de minagem, as “Visby” transportarão veículos operados remotamente (ROVs), Atlas Elektronik Seafox  e uma evolução do Double Eagle Mk III.
Os navios são equipados com suíte multi-sonar Hydra da General Dynamics Canada, que integra um towed array sonar (sonar rebocado), um sonar de profundidade variável (VDS) e um sonar de casco, e dados recebidos dos ROV.

Para a guerra antiaérea as “Visby” inicialmente não serão equipadas com mísseis, mas estão preparadas para receber os mísseis Umkhonto, fabricados pela Denel da África do Sul e selecionados pelo Governo Sueco.
O Umkhonto é guiado por IR, tem alcance de 12km e altitude máxima de engajamento de 10.000m.

A proteção antiaérea e anti-míssil dos navios por enquanto fica garantida por um canhão Bofors 57mm 70 SAK Mark III, de emprego dual. O canhão é totalmente automático, dispara 220 projéteis por minuto e tem alcance máximo de 17.000m.

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Comando, controle e sensores

Os navios empregam o sistema CETRIS C3 (command, control and communications), que consiste do sistema de combate Saab Systems 9LV mk3E de arquitetura aberta, o sistema de apoio à decisão MAST e um avançado sistema de comunicação.

O CETRIS recebe informações dos diversos sensores do navio, entre eles o radar  tridimensional Saab Microwave Systems Sea Giraffe AMB 3D, que provê vigilância, rastreamento e indicação de alvos para o sistema de armas.

O Sea Giraffe emprega tecnologia multi-feixe em 3D que pode rastrear múltiplos alvos a altitudes de até 20.000m e elevações de 70°.
Existe também um radar de busca de superfície na banda I e um radar de direção de tiro, na banda I/J.

O sistema de guerra eletrônica CS-3701 Tactical Radar Surveillance System (TRSS), da EDO Reconnaissance & Surveillance Systems, provê as medidas de apoio à guerra eletrônica (MAGE ou ESM) e funções de alerta radar (RWR).

Para a proteção passiva (softkill) contra mísseis as “Visby” serão equipadas com o sistema MASS (Multi-Ammuntion Softkill) da Rheinmetall Waffe Munition, alemão.
O MASS pode disparar até 32 projéteis omni-espectrais contra mísseis, interferindo em bandas de sistemas de radar, IR, eletroópticos, laser e ultravioleta.

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Propulsão

As “Visby” são equipadas com um sistema  (CODAG) que combina quatro turbinas a gás Honeywell TF50 e dois motores diesel MTU 16V 2000 N90, conectados a duas caixas de redução que movem propulsores waterjet Kamewa.

Os motores possibilitam a velocidade máxima de 15 nós e as turbinas 35 nós. Os navios possuem bowthrusters para facilitar as operações de atracação.
As “Visby” deslocam carrgadas somente 600 toneladas, têm comprimento de 72m e boca de 10,4m. A tripulação é de 43 homens. A foto abaixo mostra o passadiço de um navio da classe.

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NOTA DO BLOG:  Resolvemos publicar esse post para que os leitores possam comparar a capacidade de um navio de guerra de 600 toneladas no “estado-da-arte”, com a classe de navios-patrulha de 500 toneladas que a Marinha do Brasil pretende construir.

Enquanto nossos estrategistas navais querem proteger plataformas de petróleo com navios-patrulha de concepção obsoleta e subarmados, assistimos em outras marinhas a proliferação de designs stealth e armamento pesado em unidades leves, que podem se contrapor perfeitamente a frotas inimigas mais poderosas, ainda mais com o emprego de sistemas de guerra centrada em redes e apoio da aviação baseada em terra.

Muitos já perceberam que vagarosamente a Marinha do Brasil está sendo transformada numa guarda-costeira, sem efetiva capacidade de combate. Como contribuintes não concordamos em gastar R$ 2,16 bilhões em navios-patrulha que terão somente o poder de polícia e valor militar nulo.

Minha opinião é a de que a Marinha deveria gastar metade desse valor pretendido em navios-patrulha modernos e a outra metade em armamento e sensores no “estado-da-arte” (radares 3D, sonares, ROVs, UAVs etc), para que os navios tivessem uma capacidade de combate crível nesse início de século XXI, cujo futuro é cada vez mais incerto. É bom lembrar que a capacidade de contra-minagem da MB resume-se apenas a 6 navios da classe “Aratu”, que estão pedindo aposentadoria faz tempo.

Uma Marinha de Guerra que tem poucos navios, que se aproximam da obsolescência em bloco, não poderia se dar ao luxo de gastar bilhões de reais para construir unidades que só podem executar apenas uma tarefa, a de polícia.

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