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Os navios da Marinha em 2017

Base Naval do Rio de Janeiro (BNRJ), subordinada ao Comando-em-Chefe da Esquadra (ComemCh), com vários navios da Esquadra e do 1º Distrito Naval atracados, em foto de 2015 de Ricardo Pereira

Um guia para entender um pouco mais sobre a Marinha do Brasil e seus navios

Por Fernando “Nunão” De Martini

A Marinha do Brasil (MB) possui, neste final de 2017, um total de 102 navios distribuídos em diversas de suas organizações militares (OMs) espalhadas pelo país. Parte significativa, especialmente meios de maior porte, está baseada em OMs das cidades de Niterói e Rio de Janeiro, na Baía de Guanabara (RJ), mas muitos outros se distribuem por Distritos Navais (DNs) de norte a sul do Brasil, no litoral (mar) e no interior (rios). Frequentemente, leitores do Poder Naval perguntam onde está baseado este ou aquele navio, ou demonstram desconhecimento tanto dessa quantidade de meios quanto de sua distribuição e atividades realizadas. Por isso, resolvemos publicar um panorama completo de onde ficam e quais são os 102 navios atuais da Marinha, indicando a qual organização estão subordinados dentro do organograma da MB.

Base Fluvial de Ladário (BFL), no Mato Grosso do Sul, subordinada ao Comando do 6º Distrito Naval (Com6ºDN), com navios da classe Piratini atracados, em foto de 2012 de Nunão

A matéria começa mostrando os navios baseados em organizações militares do Estado do Rio de Janeiro (cidades de Niterói, Rio de Janeiro e Arraial do Cabo), incluindo o 1º Distrito Naval, por serem as OMs que têm mais navios subordinados em relação às demais, num total de 48 (quase metade dos 102 navios da Marinha). Em seguida, passa aos demais Distritos Navais – vale lembrar que o país e suas águas são divididos em 9 Distritos Navais, 6 deles voltados para o litoral e 3 no interior, conforme o mapa ao lado. Mostraremos os navios de quatro DNs do litoral que, assim como o 1º DN, têm grupamentos de patrulha naval com navios subordinados (o recentemente criado Grupamento de Patrulha Naval do Sul-Sudeste, do 8º DN, ainda não tem navios), seguindo a ordem do atual Organograma / Estrutura Organizacional da Marinha, atualizado em outubro deste ano (2º DN, 3º DN, 4º DN e 5º DN). Também serão mostrados os navios dedicados à sinalização náutica e hidrografia afeitos a esses DNs. Por fim, mostraremos os meios de dois dos DNs do interior que também têm navios (6º DN e 9º DN – o 7º DN não os possui). Para facilitar o entendimento inicial deste todo, reproduzimos abaixo o já mencionado Organograma / Estrutura Organizacional e o quadro de Silhuetas de Navios (atualizado em setembro – clique no link para baixar pdf em maior resolução):

Algumas observações sobre as quantidades – Antes de iniciar o guia, cabe fazer duas observações: o número de 102 navios inclui o navio-aeródromo São Paulo, que apesar de ter sua desmobilização anunciada em fevereiro deste ano ainda consta tanto do organograma quanto do quadro de silhuetas, provavelmente pelo fato de sua desmobilização ter prazo de três anos para ser concluída desde o anúncio. Porém, não inclui o futuro navio-patrulha Maracanã, que não consta do organograma mas por alguma razão está incluído no quadro de silhuetas (o navio foi recentemente transportado do estaleiro EISA, onde sua construção foi interrompida devido à falência do mesmo, ao Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro, para que os trabalhos sejam retomados em 2018). Ainda sobre o quadro de silhuetas, não incluímos neste guia os navios-museu ou os esquadrões da Aviação Naval, assim como o grande número de pequenas embarcações como lanchas e outros meios de porte menor (a chamada “poeira naval”) que equipa diversas organizações da Marinha, concentrando-nos apenas nos navios e avisos que constam de seu organograma, como Organizações Militares.

A segunda observação é que a maior parte dos navios (89 dos 102, incluindo o NAe São Paulo em desmobilização) está subordinada ao Comando de Operações NavaisComOpNav. O ComOpNav, por sua vez, está logo abaixo do Comando da Marinha – CM). Ao ComOpNav se subordina o Comando-em-Chefe da Esquadra (ComenCh), ao qual estão afeitos o Comando da Força de Superfície (ComForSup) e o Comando da Força de Submarinos (ComForS). Estes dois comandos abrigam os meios da Esquadra – 20 no ComForSup e 6 no ComForS, sendo estes os principais meios de combate da Marinha (exceto navios como o veleiro, o escola e o navio de socorro submarino, que não são de combate, e o navio-aeródromo, em desativação). Vale lembrar que Esquadra é entendida como um conjunto de Forças (parcelas da totalidade de navios, meios aéreos e de fuzileiros navais destinados ao serviço naval, pertencente ao Estado e incorporados à Marinha do Brasil) e navios soltos, posto sob comando único, para fins administrativos. Por sua vez, cada um dos nove Distritos Navais é subordinado ao ComOpNav. Numericamente, os meios distritais distribuídos pelos Distritos Navais somam a maior quantidade de navios da Marinha, num total de 63 meios flutuantes. Este trecho do organograma é reproduzido acima, para facilitar a visualização.

Fora do âmbito do ComOpNav, há três outras organizações, no caso diretorias, que no organograma estão ligadas ao Comando da Marinha, as quais têm outras organizações com navios subordinados, num total de 13 meios flutuantes. São elas: DGPM – Diretoria-Geral do Pessoal da Marinha, à qual está subordinada a Escola Naval (EN), com três navios (avisos de instrução); DGN – Diretoria-Geral de Navegação, tendo abaixo a DHN (Diretoria de Hidrografia e Navegação, à qual está subordinado o Grupamento de Navios Hidroceanográficos, com 9 navios; e a DGDNTM – Diretoria-Geral de Desenvolvimento Nuclear e Tecnológico da Marinha, abaixo da qual estão sucessivamente o Centro Tecnológico da Marinha no Rio de Janeiro (CTMRJ) e o Instituto de Estudos do Mar Almirante Paulo Moreira (IEAPM), que opera um navio. Este trecho do organograma, especificamente nas partes que mostram a DGPM, a DGN e a DGDNTM está reproduzido acima, em parte, para uma melhor compreensão.

Navio-patrulha da MB ao largo de Fortaleza, em foto de 2010 de Nunão

Os 102 navios da Marinha do Brasil: onde ficam e quais são

Para facilitar o entendimento e eventuais comparações, a lista de navios (com seus indicativos) subordinados a cada organização é acompanhada de alguns dados básicos: deslocamento carregado (em toneladas) comprimento, boca e calado (em metros), e o número de tripulantes. Os dados são gerais (havendo alguns poucos casos de estarem incompletos) e estão aqui apenas para referência comparativa básica entre as classes, pois podem variar conforme o navio e o período, especialmente os referentes à tripulação (alguns podem ser da época da incorporação, tendo sido alterados com o tempo). O nome de cada navio é também o link para suas páginas no site Navios de Guerra Brasileiros (NGB), hospedado no Poder Naval, de onde foi extraída a quase totalidade dos dados básicos mencionados acima e das fotografias inseridas junto a cada grupo de navios (outras foram extraídas de sites da própria Marinha). Indicamos inicialmente a base ou estação naval onde normalmente o navio fica atracado entre suas saídas, o que evidentemente pode variar conforme as necessidades de manutenção e realização de comissões mais distantes.

Niterói (RJ): Base Naval do Rio de Janeiro (BNRJ), subordinada ao Comando-em-Chefe da Esquadra (ComemCh)

 

Comando do 2º Esquadrão de Escolta (ComEsqdE-2), subordinado ao Comando da Força de Superfície (ComForSup), subordinado ao ComemCh, subordinado ao ComOpNav.

Comando do 1º Esquadrão de Apoio (ComEsqdAp-1), subordinado ao Comando da Força de Superfície (ComForSup), subordinado ao ComemCh, subordinado ao ComOpNav.

 

Navios soltos subordinados diretamente ao Comando da Força de Superfície (ComForSup), subordinado ao ComemCh, subordinado ao ComOpNav.

  • Navio-aeródromo São Paulo (A 12), em desmobilização: 32.780t, 265m x 31,7m (casco)x 8,6m – 1.920 tripulantes (mais 582 do grupo aéreo). Obs: à exceção dos demais navios da ComForSup, o São Paulo, assim como o navio-aeródromo ligeiro Minas Gerais que o precedeu, sempre atracou no cais norte do Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro, e não na BNRJ.
  • Navio-escola Brasil (U 27): 3.729t, 130,2m x 13,5m x 4.4m – 218 tripulantes (mais até 204 guardas-marinha)
  • Navio-veleiro Cisne Branco (U 20): 1.038t, 76m x 10,6m x 4,8m – 42 tripulantes

Niterói (RJ): Base Almirante Castro e Silva (BACS), subordinada ao ComFors

Niterói (RJ): Base de Hidrografia da Marinha em Niterói (BHMN), subordinada à Diretoria de Hidrografia e Navegação (DHN)

Rio de Janeiro (RJ): Escola Naval (EN), subordinada à Diretoria de Ensino da Marinha (DEN), subordinada à Diretoria-Geral do Pessoal da Marinha (DGPM)

Rio de Janeiro (RJ): Comando do 1º Distrito Naval (Com1ºDN), subordinado ao Comando de Operações Navais (ComOpNav)

Comando do Grupamento de Patrulha Naval do Sudeste – (ComGptPatNavSE), subordinado ao Comando do 1º Distrito Naval (Com1ºDN). Obs: em geral os navios do ComGptPatNavSE atracam no molhe sul e cais sul externo do Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro (AMRJ) e eventualmente na Base Naval do Rio de Janeiro (BNRJ).

Arraial do Cabo (RJ): Instituto de Estudos do Mar Almirante Paulo Moreira (IEAPM), subordinado ao Centro Tecnológico da Marinha do Rio de Janeiro (CTMRJ), subordinado à Diretoria-Geral de Desenvolvimento Nuclear e Tecnologia da Marinha (DGDNTM)

Até aqui, mostramos os 48 navios subordinados a organizações militares do estado do Rio de Janeiro, dos 102 que a Marinha possui. Veja agora os 54 navios restantes, subordinados aos distritos navais sediados na Bahia (2º DN), no Rio Grande do Norte (3º DN), Pará (4º DN), Rio Grande do Sul (5º DN), Mato Grosso do Sul (6º DN) e Amazonas (9º DN).

Salvador (BA): Base Naval de Aratu (BNA), subordinada ao Comando do 2º Distrito Naval (Com2ºDN), subordinado ao Comando de Operações Navais (ComOpNav)

Comando do Grupamento de Patrulha Naval do Leste – (ComGptPatNavL), subordinado ao Comando do 2º Distrito Naval (Com2ºDN).

Comando da Força de Minagem e Varredura – (ComForMinVar), subordinado ao Comando do 2º Distrito Naval (Com2ºDN).

 

Serviço de Sinalização Náutica do Leste (SSN-2), subordinado ao Comando do 2º Distrito Naval (Com2ºDN).

Natal (RN): Base Naval de Natal (BNN), subordinada ao Comando do 3º Distrito Naval (Com3ºDN), subordinado ao Comando de Operações Navais (ComOpNav)

Comando do Grupamento de Patrulha Naval do Nordeste – (ComGptPatNavNE), subordinado ao Comando do 3º Distrito Naval (Com3ºDN).

Serviço de Sinalização Náutica do Nordeste (SSN-3), subordinado ao Comando do 3º Distrito Naval (Com3ºDN).

Belém (PA): Base Naval de Val-de-Cães (BNVC), subordinada ao Comando do 4º Distrito Naval (Com4ºDN), subordinado ao Comando de Operações Navais (ComOpNav)

Comando do Grupamento de Patrulha Naval do Norte – (ComGptPatNavN), subordinado ao Comando do 4º Distrito Naval (Com4ºDN).

 

Centro de Hidrografia e Navegação do Norte (CHN-4), subordinado ao Comando do 4º Distrito Naval (Com4ºDN).

Rio Grande (RS): Estação Naval do Rio Grande (ENRG), subordinada ao Comando do 5º Distrito Naval (Com5ºDN), subordinado ao Comando de Operações Navais (ComOpNav)

Comando do Grupamento de Patrulha Naval do Sul – (ComGptPatNavS), subordinado ao Comando do 5º Distrito Naval (Com5ºDN).

 

Serviço de Sinalização Náutica do Sul (SSN-5), subordinado ao Comando do 5º Distrito Naval (Com5ºDN).

 

Ladário (MS): Base Fluvial de Ladário (BFLa), subordinada ao Comando do 6º Distrito Naval (Com6ºDN), subordinado ao Comando de Operações Navais (ComOpNav)

Comando da Flotilha de Mato Grosso – (ComFlotMT), subordinado ao Comando do 6º Distrito Naval (Com6ºDN).

 

Serviço de Sinalização Náutica do Oeste (SSN-6), subordinado ao Comando do 6º Distrito Naval (Com6ºDN)

 

Manaus (AM): Estação Naval do Rio Negro (ENRN), subordinada ao Comando do 9º Distrito Naval (Com9ºDN), subordinado ao Comando de Operações Navais (ComOpNav)

Comando da Flotilha do Amazonas – (ComFlotAM, subordinado ao Comando do 9º Distrito Naval (Com9ºDN).

 

Serviço de Sinalização Náutica do Noroeste (SSN-9), subordinado ao Comando do 9º Distrito Naval (Com9ºDN)

Fontes principais: Navios de guerra brasileiros (NGB) e Marinha do Brasil (MB)