Coreia do Sul e Estados Unidos concluíram nesta terça-feira (30) as manobras conjuntas, o que dá esperança para uma redução da tensão na península coreana, marcada pelas ambições nucleares e militares da Coreia do Norte.
As manobras batizadas de “Foal Eagle” mobilizaram durante meses as Forças Armadas sul-coreanas e um terço dos 28.500 soldados americanos presentes na Coreia do Sul.
“As manobras estão concluídas, mas as tropas sul-coreanas e americanas permanecerão atentas a qualquer provocação potencial da Coreia do Norte, incluindo um disparo de míssil”, declarou o porta-voz do ministério sul-coreano da Defesa, Kim Min-Seok.
Como todos os anos, Pyongyang condenou os exercícios, que compara à invasão de seu território pelo Sul com a ajuda de Washington, que fez muita publicidade do voo em céu sul-coreano de seus caças com capacidade nuclear.
Segundo o ex-ministro sul-coreano da Unificação Lee Jae-Joung, “este ano as manobras foram muito mais agressivas, o que fez com que a Coreia do Norte fosse mais agressiva”.
Estas manobras “são a causa principal’ das tensões que “deixam a península coreana à beira da guerra nuclear”, afirmou o jornal oficial do Partido Comunista norte-coreano, Rodong Sinmun, em um editorial publicado na segunda-feira.
A tensão na Península Coreana aumentou depois da aprovação na ONU de uma nova série de sanções em resposta ao terceiro teste nuclear executado pelo Norte em fevereiro.
Pyongyang faz desde então ameaças de ataques com mísseis, assim como de uma guerra nuclear, e deslocou para sua costa veículos lançadores de mísseis de alcance variável.
“Com o fim das manobras, há menos possibilidades de um confronto acidental”, afirma Paik Hak-Soon, especialista em Coreia do Norte do centro de estudos Sejong Institute de Seul.
O próximo motivo de irritação de Pyongyang pode ser o encontro, previsto para 7 de maio em Washington, entre o presidente Barack Obama e sua colega sul-coreana Park Geun-Hye, que tomou posse em fevereiro.
O Píer da Diretoria de Hidrografia e Navegação da Marinha (DHN), em Niterói (RJ), recebeu, no dia 25 de abril, o último navio participante da 31ª Operação “Antártica” (OPERANTAR). O Navio de Apoio Oceanográfico “Ary Rongel” atuou no apoio logístico ao desmonte da Estação Antártica Comandante Ferraz (EACF) e à instalação dos Módulos Antárticos Emergenciais (MAE), durante os cinco meses que permaneceu no continente gelado.
“Essa foi uma operação diferente de todas as outras. Foi a que se sucedeu ao infortúnio do incêndio na EACF e, por isso, a mais complexa em termos logísticos. O esforço da Marinha foi muito grande para manter todas as pesquisas que estavam sendo feitas na Antártica”, expôs o Vice-Almirante Marcos Nunes de Miranda, diretor da DHN.
O “Gigante Vermelho”, como o recém-chegado navio é carinhosamente conhecido pela tripulação, também apoiou projetos científicos de 14 pesquisadores, em sua maioria realizados próximo ao local do desmonte, na Enseada Martel, e, ainda, na Ilha Deception. Dentre eles, estavam projetos de geofísica, com sondagem do fundo do oceano, acampamentos de análises de aves e algas, bem como um projeto dentro da própria área da Estação, onde foram realizadas manutenção de equipamentos que funcionarão neste inverno.
Além do “Ary Rongel”, a Marinha do Brasil enviou outros dois de seus navios: o Navio de Socorro Submarino “Felinto Perry”, também empregado, prioritariamente, no apoio aos trabalhos na área da EACF e o Navio Polar “Almirante Maximiano”, que abriga modernos equipamentos para o desenvolvimento de projetos científicos no ambiente antártico. Também participaram dessa edição o Navio de Apoio Logístico Ara San Blas, da Marinha Argentina; e o Navio Mercante Germânia, afretado para apoiar o desmonte e a instalação dos MAEs.
“Era metade do verão na antártica, no dia 12 de janeiro, aniversário de 31 anos do Programa Antártico Brasileiro, já tínhamos desmontado completamente a Estação. Foram apenas dois meses e meio de trabalho, o que possibilitou e facilitou a chegada e instalação dos MAEs. Logo estávamos com tudo pronto para instalar nossos 15 militares durante o inverno. A missão foi totalmente cumprida, é uma satisfação enorme”, explicou o Comandante do “Ary Rongel”, Capitão-de-Mar-e-Guerra Marcelo Luis Seabra Pinto.
Foram 120 dias de mar e mais de 17.300 milhas navegadas pelo “Gigante Vermelho” nessa operação. Com dois porões com capacidade de 1.254 m³ para o transporte de carga e dois laboratórios para apoio à pesquisa, o navio cumpriu sua missão.
“Trouxemos, por exemplo, materiais que não tinham mais uso e estavam em Punta Arenas, como os utilizados para o reabastecimento de óleo da Estação. Também transportamos a lancha para manutenção, para que seja reutilizada na nova Estação”, descreveu o Comandante Seabra.
“A Marinha reagiu de uma forma esplêndida ao sinistro e hoje, após apenas alguns meses, já possui praticamente outra estação montada com os módulos emergenciais. Foi um trabalho da Secretaria da Comissão Interministerial para os Recursos do Mar, Arsenal de Marinha, tripulação dos navios e pesquisadores. O esforço conjunto de todos culminou com a missão cumprida. A previsão desse ano é ser um ano de muito trabalho para a construção da nova estação. Após o reparo, o trabalho inicia de novo”, vibrou o Vice-Almirante Miranda.
FONTE: Nomar (Ttítulo original: ‘Chegada do Navio de Apoio Oceanográfico “Ary Rongel” ao Rio de Janeiro marca o fim da 31ª “OPERANTAR”’)
A Marinha brasileira iniciou a avaliação de dois aviões não tripulados israelenses quanto à possibilidade de seu uso na vigilância marítima.
Os militares estão realizando testes de veículos Hermes 450, produzido pela empresa Elbit Systems, e Heron 1 da Israel Aerospace Industries.
Os dispositivos deste tipo já estão em serviço no Brasil, no entanto, são utilizados pelas Forças Terrestres, Forças Aéreas e pela polícia, bem como pelas várias equipas de resgate.
A Elbit Systems e a IAI equiparam as versões navais de seus VANTs com novos sistemas de controle e de inteligência. Além disso, os dispositivos sofreram algumas alterações que os permitirão se manter no ar durante mais tempo.
NOTA DO EDITOR: tanto o Hermes 450 quanto o Heron 1 já são empregados no Brasil. O primeiro é utilizado pela FAB e o segundo pela Polícia Federal. Em relação ao emprego naval de VANT, esta tem sido uma prática comum em vários países, associando os mesmos com aeronaves de vigilância marítima tripuladas.
Participação no programa do RTM322, que equipa helicópteros Apache, EH101 Merlin e NH90 será transferida para a Turbomeca – Os equipamentos eram desenvolvidos em conjunto pelas duas companhias e agora terão o comando integral da Turbomeca
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A Rolls-Royce anunciou a venda de sua participação no programa de motores RTM322 para a Turbomeca, empresa do conglomerado francês Safran. Os motores, destinados ao uso em helicópteros, eram desenvolvidos em conjunto pelas duas companhias. A parcela de 50% pertencente ao Grupo britânico no programa será, progressivamente, transferida para a Turbomeca, que passará a deter o comando de forma integral.
Com esta operação, a Rolls-Royce receberá a compensação de cerca de R$ 762 milhões. Já a Turbomeca, que atua no desenvolvimento e produção de turbinas para helicópteros, assumirá total responsabilidade sobre o design, produção e suporte dos motores RTM322. Os equipamentos são utilizados em helicópteros dos modelos Apache, EH101 Merlin e NH90.
Durante o período de transição, a Rolls-Royce se compromete a oferecer toda a assistência necessária para a Turbomeca, com o objetivo de garantir total suporte aos clientes usuários dos motores.
A Rolls-Royce também informa que o programa de motores RRTM Adour, equipamentos utilizados nas aeronaves Hawk e Jaguar, não será afetado por esse recente acordo, assim como os demais programas que, atualmente, integram o portfólio do Grupo. A expectativa é de que a operação seja concluída até o fim do ano, embora ainda esteja sujeita a algumas condições de fechamento. A Rolls-Royce é uma empresa global de sistemas de energia, e está presente no Brasil há mais de 50 anos.
29 de abril de 2013,
em Defesa, orçamentos,
por Fernando "Nunão" De Martini
O novo Livro Branco de Defesa da França traz significativos cortes de pessoal e de encomendas de equipamentos para as Forças Armadas Francesas, principalmente no Exército. Porém, preserva o porta-aviões e os submarinos nucleares da Marinha. General lamenta que os lobbies da Força Aérea e da Marinha, na França, são mais poderosos que os do Exército Francês, o “Armée de Terre”.Clique aqui para acessar matéria completa no site das Forças Terrestres.
Decisão da 4ª Vara Federal da Seção Judiciária do Rio Grande do Norte determinou a imediata suspensão do processo seletivo à categoria de praticante de prático da Marinha, cujo edital foi lançado em novembro de 2012.
A ação acata pedido do Ministério Público Federal que questiona a necessidade de comprovação da habilitação de aquaviário da seção de convés ou de máquinas e de nível igual ou superior a quatro, prático ou praticamente de prático, bem como de mestre-amardor, em datas distintas.
De acordo com o edital, aquaviário da seção de convés ou de máquinas e de nível igual ou superior a 4, pratica ou praticante de prático deveriam comprovar a habilitação até o dia 28 de agosto de 2013, enquanto o grupo de armadores no mínimo na categoria de mestre-armador, precisam comprovar a habilitação até o encerramento das inscrições, em 26 de novembro de 2012.
Segundo a decisão, o edital criou uma distinção indevida entre os candidatos e que se para o ingresso no estágio de praticante de prático qualquer uma das categorias já mencionadas atende à exigência, não caberia haver datas distintas para a comprovação da qualificação em uma ou outra categoria.
Dessa forma, o cronograma previsto no calendário de eventos está suspenso. De acordo com comunicado da Diretoria de Portos e Costas (DPC) da Marinha, os candidatos que estavam agendados para o período em que permanecer a suspensão, a partir de 25 de abril, serão oportunamente reagendados para outras datas.
O comunicado ainda informa que o DPC está elaborando as informações necessárias para subsidiar a Advocacia-Geral da União para recurso na defesa do ato administrativo. Segundo a nota, os candidatos devem acompanhar o andamento da seleção no site da Marinha.
Recursos
Leitores enviaram e-mails ao G1 questionando o conteúdo da prova. Os candidatos, que pediram para não serem identificados, informaram que foram enviados cerca de 1.300 recursos questionando a prova e que nenhum foi atendido. A Diretoria de Portos e Costas (DPC) da Marinha informou que não pretendia alterar os gabaritos da prova escrita do processo seletivo para praticante de prático, realizada em janeiro deste ano.
O processo seletivo é para habilitar praticantes de prático. Depois de passar na seleção, os praticantes fazem um treinamento denominado Programa de Qualificação do Praticante de Prático, com duração mínima de 12 meses e máxima de 15 meses. Segue-se então o exame de habilitação conduzido pela Capitania dos Portos. Com a aprovação nesse exame, o praticante é certificado como prático, que exerce atividade privada, individualmente, em sociedade ou contratado por empresa de praticagem. A remuneração é variável e pode chegar a R$ 130 mil mensais, caso o porto seja bastante movimentado. O prático assessora os comandantes de navios nacionais e estrangeiros, sendo responsável pelas manobras realizadas em portos brasileiros.
A Marinha esclarece que o processo seletivo à Categoria de Praticante de Prático (PSCPP) não é concurso público, pois não se destina ao provimento de cargo ou emprego público. Os práticos exercem atividade privada, sendo remunerados pelos tomadores de seus serviços. O praticante de prático é uma categoria dos aquaviários, conforme previsto no Decreto nº 2.596, de 18/05/1998, o qual regulamenta a Lei nº 9537/1997 (Lei de Segurança do Tráfego Aquaviário – Lesta).
No concurso, cujo edital foi lançado em novembro do ano passado, inscreveram-se 2.141 candidatos, e à prova escrita realizada em 5 de janeiro compareceram 1.834 candidatos, segundo a Marinha. Com a divulgação do resultado da prova escrita em 22 de fevereiro, a primeira etapa foi concluída. Já foi realizada a convocação dos 250 candidatos melhor classificados para a 2ª etapa, que engloba apresentação de documentos, seleção psicofísica e teste de suficiência física (provas de barra, natação e permanência na água).
Além de curso de nível superior, o candidato precisa ser aquaviário da seção de convés ou de máquinas, prático ou praticante de prático; ou, alternativamente, pertencer ao grupo de amadores, no mínimo na categoria de mestre-amador.
Questionamentos
Os candidatos questionaram a mudança no número de questões, que neste ano foi de 50. A mudança, segundo a Marinha, atendeu à orientação pedagógica da Diretoria de Ensino. As provas anteriores, desde 2006, tiveram a duração de 4 horas e 70 questões. Avaliação pedagógica recente indicou que, mantido o tempo de duração, a prova deveria se resumir a 50 questões.
As provas escritas aplicadas em 2006 e 2008 contiveram algumas questões em inglês. A prova de 2011 e a deste ano tiveram somente questões em português. De acordo com a Marinha, o edital prevê que a prova escrita poderá ter textos e questões redigidos em português e/ou inglês. Portanto, não é obrigatório que as provas tenham sempre questões em inglês.
Os candidatos questionaram o curto espaço de tempo entre o anúncio do concurso e o lançamento do edital. De acordo com a Marinha, a intenção de realizar o processo seletivo foi anunciada em 25 de outubro de 2012, embora a divulgação não seja obrigatória. O edital foi publicado no “Diário Oficial da União” em 6 de novembro e a prova escrita foi aplicada em 5 de janeiro deste ano.
Em relação aos recursos questionando a prova, a Marinha informou que “todos foram repetidamente e exaustivamente analisados pela banca examinadora e que não foram identificados argumentos sólidos que justificassem alterações no gabarito preliminar”.
De acordo com a Marinha, o gabarito definitivo levou 47 dias para ser publicado após a divulgação do gabarito preliminar, conforme previa o edital. O período decorrido é necessário para o recebimento, processamento e análise dos inúmeros recursos tradicionalmente recebidos.
Os candidatos alegaram que o nível de dificuldade das questões foi muito baixo, o que fez com que as notas de todos ficassem muito próximas, beneficiando as pessoas que são da Marinha, devido à prova de títulos. A Marinha rebateu informando que o rigor da prova foi o normal de sempre, sendo que, dos 1834 candidatos que a realizaram, 819, ou seja, 45%, obtiveram nota menor do que 35 pontos, inferior à necessária para a classificação.
“Ocorre que são os candidatos que vêm cada vez melhor se instruindo, inclusive estudando em inúmeros cursos privados que hoje existem”, informou a Diretoria de Portos e Costas (DPC).
Segundo a Marinha, a prova de títulos busca contribuir para a seleção dos candidatos mais bem preparados para a habilitação como praticante de prático, valendo apenas 10% do grau final de classificação. Devido às especificidades das atividades de praticagem, a Diretoria Técnica Especializada entende que deva se dar preferência aos candidatos que detenham superiores conhecimentos e experiência na atividade náutica (ciência e arte de navegação sobre a água) profissional.
“A prova de títulos, portanto, não beneficia ninguém e, ademais, permite pontuação não somente por parte de pessoal da Marinha do Brasil como da Marinha Mercante, inclusive daqueles que já são práticos, muitos deles que não tiveram antes qualquer vínculo com as duas Instituições”, diz a DPC.
A Marinha ressalta que apenas metade dos 250 classificados para a 2ª fase do processo seletivo pertence ou pertenceu a uma das duas Marinhas, “este sim um resultado surpreendente”.
A Marinha informou ainda que as provas escritas nunca podem ser iguais, que o peso de cada assunto pode mudar a cada ano e a dimensão do conteúdo programático não permite que sejam abrangidos todos os tópicos do edital nas provas.
Um seleto grupo de cientistas brasileiros e japoneses está embarcado em alto-mar neste momento com a missão de mergulhar nas regiões mais frias, remotas e até hoje inexploradas do universo marítimo brasileiro. Milhares de metros abaixo da superfície, espremidos dentro de um pequeno submarino de pesquisa, eles serão os primeiros seres humanos a contemplar a vida nas profundezas extremas do leito oceânico do Atlântico Sul.
O que vão encontrar lá, não há como prever. Pode ser um monte de rocha e areia, pode ser um monte de espécies novas. O que eles esperam encontrar são ecossistemas chamados quimiossintéticos, onde a fonte primária de energia para sustentação da vida não é a fotossíntese, como realizada pelas plantas na superfície, mas a conversão de elementos químicos que exsudam de fendas no assoalho oceânico, realizada por microrganismos especialmente adaptados às condições extremas de temperatura e pressão desses ambientes ultraprofundos.
A expedição faz parte de um grande projeto da Agência Japonesa de Ciência e Tecnologia da Terra e do Mar (Jamstec), chamado Busca pelos Limites da Vida (Quelle 2013), que vai prospectar ambientes ultraprofundos ao redor do mundo ao longo de um ano, principalmente no Hemisfério Sul, onde há uma grande carência de informações científicas sobre esses ambientes, em comparação com o Hemisfério Norte. O Brasil é um dos quatro pontos de pesquisa nesta jornada de um ano, que já passou pelo Oceano Índico Central e vai passar ainda pelo Mar do Caribe (região das Ilhas Cayman) e pelo Pacífico (região de Tonga).
“O plano é visitar ambientes extremos de águas profundas e observar a estratégia adaptativa de diferentes organismos. Com base nisso, queremos entender como a vida na Terra evolui e se diversifica, além de procurar por enzimas e outros compostos orgânicos que possam ser de interesse para os seres humanos”, disse ao Estado o cientista chefe do projeto, Hiroshi Kitazato, em entrevista por e-mail do navio oceanográfico Yokosuka, previsto para chegar ao Rio de Janeiro no dia 6 de maio, onde será aberto para visitação pública.
O navio saiu da África do Sul no início do mês (já com cientistas brasileiros embarcados), cruzou o Oceano Atlântico, e agora está sobre a região da Dorsal de São Paulo, um precipício submerso que começa a 2,5 mil metros e vai até 4,2 mil metros de profundidade, no limite extremo da plataforma continental brasileira, a cerca de 700 km da costa. Seis pesquisadores brasileiros estão à bordo, incluindo quatro biólogos, das Universidades de São Paulo (USP), Federal Fluminense (UFF) e Vale do Itajaí (Univali); e dois geólogos, do Serviço Geológico do Brasil (CPRM) e da Petrobrás.
Os mergulhos são feitos com o Shinkai 6500, um minissubmarino com capacidade para três pessoas (dois pilotos e um cientista) embutidas em uma esfera pressurizada de titânio com 2 metros de diâmetro, 3 janelinhas de resina transparente e paredes com 7,3 centímetros de espessura. É o submersível tripulado, ou “veículo operado por humanos” (HOV, na sigla em inglês), com maior limite de profundidade no mundo, podendo chegar a 6,5 mil metros abaixo da superfície. A montanha mais alta do Brasil, o Pico da Neblina, para se ter uma ideia, não chega a 3 mil metros de altura.
O primeiro mergulho foi feito na última terça-feira, a 4,2 mil metros de profundidade, com o biólogo brasileiro Paulo Sumida à bordo. “Foi o mergulho mais profundo e mais espetacular que já fiz”, disse Sumida ao Estado, por e-mail, pouco depois de voltar à superfície. “Tem um grande significado para mim e para a ciência oceanográfica brasileira”, completou o pesquisador, do Instituto Oceanográfico da USP. Não só isso, mas foi o mergulho mais fundo já realizado em todo o Atlântico Sul até então.
FOTO: Vista do interior do Shinkai; a esfera pressurizada de 2 metros de diâmetro, que leva três pessoas. Crédito: Jamstec
Qualquer coisa que a expedição encontrar será inédita, já que ninguém nunca mergulhou a essa profundidades nessas regiões. “São áreas que nunca foram descritas, nem do ponto de vista biológico nem geológico”, destaca a pesquisadora Vivian Pellizari, também do IO-USP, coordenadora científica do lado brasileiro. Ela vai embarcar na segunda pernada da expedição, que incluirá mergulhos de até 3 mil metros na região do Platô de São Paulo, onde fica a Bacia de Santos. Nesta etapa, também participarão pesquisadores da Universidades Federais de São Paulo (Unifesp) e do Espírito Santo (UFES), que embarcarão quando o navio atracar no Rio de Janeiro. Ao todo, nove brasileiros terão a oportunidade de fazer ao menos um mergulho com o Shinkai 6500.
O mergulho será um sonho realizado para Vivian, assim como já foi para Sumida e deverá ser para todos os outros pesquisadores brasileiros envolvidos. Microbióloga marinha, ela está interessada principalmente nos micróbios (bactérias e arqueias) que vivem nesses ambientes quimiossintéticos de alta profundidade. “Não sabemos se esses ambientes existem aqui, quais organismos fazem parte deles, como eles vivem, se são diferentes dos organismos que compõem esses ambientes em outras partes do mundo; não sabemos nada”, diz ela, empolgada.
O exemplo mais famoso desses ambientes quimiossintéticos são as fontes hidrotermais, ou “fumarolas”, em que água fervente escapa do leito marinho como se fosse uma fumaça preta, através de “chaminés” formadas pela precipitação de compostos metálicos, como ferro e manganês. Mas não é o que os pesquisadores esperam encontrar por aqui. A expectativa é encontrar uma outra versão dessas estruturas, chamadas “exsudações frias”, em que gases vazam lentamente por frestas no assoalho oceânico, sobre as quais se formam ecossistemas quimiossintéticos baseados em micróbios que se alimentam de elementos inorgânicos, como metano e enxofre.
Há várias características geológicas que sugerem que essas exsudações frias podem existir nesses locais de pesquisa, mas ninguém até hoje foi até o fundo mesmo para conferir.Caso elas sejam encontradas com o Shinkai 6500, será possível coletar amostras (de rochas, sedimentos e organismos) e trazê-las à superfície para estudos. “Tomara que se descubra muita coisa, para estimular mais pesquisas nessa área”, diz a microbióloga Cristina Nakayama, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), que também está ansiosa para mergulhar na segunda pernada da expedição. Ela espera coletar algumas dessas bactérias e arqueias quimiossintéticas das profundezas para tentar cultivá-las em laboratório na superfície. “São organismos que vivem em condições muito extremas, que devem ter adaptações fisiológicas muito interessantes”, diz.
Algumas descobertas importantes já foram feitas na Dorsal de São Paulo, pela equipe que está embarcada agora, mas os detalhes só serão divulgados após uma avaliação científica mais criteriosa dos achados.
O plano original era de fazer os primeiros mergulhos da expedição na Elevação do Rio Grande, uma grande “chapada” submersa localizada a mais de mil metros da costa, já em águas internacionais, mas o mal tempo na região obrigou o navio a seguir direto para a Dorsal de São Paulo. Kitazato disse estar “rezando” para que seja possível voltar lá antes de seguir para o Rio, pois o interesse de pesquisa na região é grande. É lá que deveria ser realizado o mergulho mais profundo, a 5,2 mil metros de profundidade.
Geologia. Do ponto de vista geológico, a pesquisa na Elevação do Rio Grande tem importância não só científica como econômica e geopolítica. O Serviço Geológico do Brasil (CPRM) já realizou muito estudos na região – inclusive com o objetivo de identificar os melhores pontos de mergulho para o Shinkai –, que dão informações sobre os tipos de rocha que existem na Elevação, mas os mergulhos com o Shinkai permitiriam obter evidências diretas para determinar esse perfil geológico com uma precisão muito maior.
As únicas amostras de rocha da região são obtidas por meio de dragagem. “A dragagem é importante, mas quando as amostras chegam à superfície elas estão todas misturadas; não dá para saber de que ponto exato veio o material ou qual era a configuração original das rochas”, explica Roberto Ventura, diretor de Geologia e Recursos Minerais da CPRM, que é uma das instituições parceiras da Jamstec no projeto, junto com a USP.
Apesar de a Elevação estar em águas internacionais, o Brasil está numa posição estratégica para explorar suas eventuais riquezas minerais – e precisa da informações científicas para assegurar essa vantagem. Segundo Ventura, o País pretende fazer uma solicitação ao órgão responsável da ONU (aInternational Seabed Authority) pelo direito de exploração mineral dessa formação. “França e Rússia, por exemplo, já requereram áreas no Atlântico Sul; e China e Coreia está fazendo pesquisas”, afirma Ventura. “A missão do Shinkai nos ajudará a visualizar com alta precisão algumas feições geológicas que já estamos estudando.”
Os dados biológicos são igualmente importantes, segundo Ventura, porque para fazer a solicitação de exploração mineral à ONU é preciso apresentar um detalhamento dos ecossistemas marinhos associados à região e um plano de gerenciamento dos eventuais impactos ambientais da atividade.
Abaixo, o relato do primeiro mergulho realizado pelo pesquisador Paulo Sumida, do IO-USP, cientista brasileiro com a maior experiência em submersíveis e pesquisa em águas profundas. O mergulho (quinto da sua vida, e o mais profundo até agora) chegou a 4.200 metros na Dorsal de São Paulo, o que fez de Sumida o primeiro cientista brasileiro a mergulhar com o Shinkai e o primeiro cientista no mundo a atingir essa profundidade no Atlântico Sul:
“O mergulho foi espetacular. Mergulhei numa área cuja paisagem parecia ter saído de um ambiente alien, muito remoto, sem luz e com pouquíssimo alimento. Descer 4.2 km e saber que toda essa água pesa sobre sua cabeça é incrível e nos mostra como somos pequenos (sem querer ser piegas).
O local é formado por rochas vulcânicas capeadas por crostas cobaltíferas, que também são conhecidas como crostas de Fe-Mn. Às vezes formam nódulos, que são conhecidos como nódulos polimetálicos ou nódulos de Fe-Mn. Estas áreas têm importância econômica, porém são ainda inexploradas mesmo em nível mundial. A paisagem alternava de sedimentos bem finos para áreas com rochas vulcânicas ou uma mistura de ambos.
Durante a descida, pude observar os organismos bioluminescentes entre 200 e 1000 metros de profundidade, que é chamada de mesopelágica ou twilight zone. É interessante também observar as mudanças nas massas de água, alternando na superfície de água tropical quente para massas mais frias como a Água Intermediária Antártica, a Água Profunda do Atlântico Norte e a Água Antártica de Fundo. Esta última foi a que banhou a esteve presente na parte do mergulho próxima ao fundo com cerca de 0,4˚C. Essas massas de água são importantíssimas para a distribuição de calor pelo globo e por levar O2 para as profundezas, onde não há produção primária e, por consequência, O2.
A fauna de fundo é super-diferente. As adaptações são incríveis. Pepinos-do-mar transparentes e bioluminescentes que são capazes de nadar. PEixes de aparência esquisita, sempre movimentando-se lentamente para não gastar energia nesse ambiente escasso em alimento. Nestas profundidades há muitos camarões de coloração vermelha. Isso para que eles passem despercebidos em áreas onde apenas a luz azul é capaz de chegar (mesopelágico). A fauna é escassa, mas adaptada após milhões de anos de adaptação.”
A crise na Península Coreana instiga a corrida armamentista no Nordeste da Ásia. Por conta das ameaças da coreia do Norte, o Japão adiantou em dois anos a instalação de sistemas anti-mísseis Patriot PAC-3 nas bases de Naha e Chinen, ambas na ilha de Okinawa, no sul do arquipélago.
Enquanto isso, estão sendo reforçados outros componentes das Forças de Autodefesa japonesas. Pela primeira vez nos últimos dez anos foi drasticamente aumentado o orçamento militar do país. Além disso, o governo pretende reconsiderar a Constituição “pacifista”, que impõe restrições de desdobramentos no exterior.
A Coreia do Sul planeja a ainstalação de sistemas de defesa antimísseis ainda em julho. O projeto foi iniciado ainda em 2006, quando Seul se recusou a juntar ao sistema de defesa antimísseis global promovido pelos EUA. técnicos. A Coreia do Sul também está desenvolvendo em ritmo acelerado sistemas de mísseis balísticos com alcance de até 800 quilômetros. A iniciativa causou mal-estar com a China, que estaria estaria no raio de alcance desses mísseis. Por fim, nos próximos dois anos, Seul se propõe a amramr seus contratorpedeiros com mísseis de cruzeiro superfície-terra com alcance de 500 a 1.000 quilômetros. Atualmente, os navios já operam o sistema de controle e comando Aegis.
Essas iniciativas, somadas à inquietude da China ante o reforço do sistema de defesa antimísseis norte-americano no Pacífico, podem empurrar Pequim a incrementar o potencial de retaliação. Essa é a opinião do diretor do Centro de Pesquisas Sociais e Políticas, Vladimir Evseyev:
“Qualquer reforço do sistema de defesa antimísseis dos EUA com vista a prevenir ataques de mísseis norte-coreanos será neutralizado por parte da China. Existe uma ameaça muito séria de o Nordeste da Ásia deslizar para uma corrida de mísseis nucleares.”
Hoje em dia, a China conta com 50 a 75 vetores ativos – mísseis e aviões – de armas estratégicas. Vários analistas norte-americanos consideram que o país pretende aumentar esse arsenal em até 500 vetores – uma parte deles a ser estacionada em submarinos.
De acordo com o chefe do Centro da Segurança Internacional do Instituto da Economia Mundial e Relações Internacionais da Academia das Ciências da Rússia, Alexei Arbatov: “a China de preocupa com o sistema de defesa antimísseis que os EUA estão implementando na região de Ásia-Pacífico. Inicialmente. Ogivas múltiplas, geração de alvos falsos e interferências foram algumas das medidas adotadas para contratacar esse sistema. Em seguida, o país investiu na criação de seu próprio sistema de defesa antimísseis”. Atualmente, cerca de 90 por cento do sistema de defesa antimísseis dos EUA, tanto global como regional, encontra-se na região de Ásia-Pacífico. “O argumento oficial é de que se trata de uma medida contra a Coreia do Norte. Mas na realidade, parece que visa também a China”, completa Arbatov.
Analistas apontam que atualmente as forças chinesas administram o problema de detecção de mísseis balísticos no momento de lançamento. No entanto, Pequim procura remediar este atraso com a ajuda do programa espacial. Para este ano, estão previstos 20 lançamentos de aparelhos espaciais – cerca de 75% deles voltados a missões militares. Em particular, deverão ajudar a detectar lançamentos de míssies através da combustão dos propelentes.
FONTE: Voz da Rússia (adaptação do Poder Naval a partir de original em português)
O contra-almirante Carlos Alberto Matias assumiu o comando da Força Aeronaval em São Pedro da Aldeia, na Região dos Lagos do Rio de Janeiro. A cerimônia começou por volta das 10h30 e contou com a presença de autoridades e convidades civis e militares, além de ex-comandantes da Força Aeronaval. A cerimônia militar teve início com o Hino Nacional Brasileiro. Logo depois o contra-almirante, Victor Cardoso Gomes, que está deixando o comando, discursou. Dentro os assuntos abordados, ele disse que estava muito satisfeito em saber que muita coisa foi realizada durante os 16 meses que ficou no controle.
”Foi realmente um privilégio ter sido comandante dessa grande parcela naval. Satisfação muito grande. Desejo ao novo almirante Matias uma boa sorte, contando que Deus continue nos abençoando”, declarou.
Militares dos esquadrões da Base Aerea Naval de São Pedro da Aldeia ficaram formados durante toda a cerimônia. O novo comandante tem uma tripulação de 3.500 homens e mulheres, que treinam continuamente para qualquer conflito, dentro ou fora do país. Apoiar à base brasileira na Antártica, coordenar de projeto de modernização das aeronaves da marinha e dar continuidade as missões, estão entre os desafios que o novo almirante, Carlos Alberto Matias, terá que lidar. Ele se formou oficial na própria Base Aérea Naval de São Pedro da Aldeia.
“Passei minha maior parte de carreira oficial aqui. Minha paixão pelo mar foi descoberta na adolescência. Uma grande Marinha é construída a cada dia com o bom empenho da corporação”, disse.
Militares passaram mal durante cerimônia
Dois militares passaram mal durante a solenidade. A ambulância que estava de plantão no local teve que entrar no lugar onde a cerimônia acontecia para resgatar os homens. Por causa do grande tempo parado em baixo do sol, fardados, alguns militares podem sentir um mal estar. Os homens que não se sentiram bem foram atendidos pela equipe médica e foram liberados.
Em novembro de 2012 foram realizadas simulações de escoamento no IAE (Instituto de Aeronáutica e Espaço) sobre a corveta da classe “Inhaúma”, da Marinha do Brasil.
Estas análises fazem parte de um projeto em que o IAE participa como parceiro do CASNAV – Centro de Análises de Sistemas Navais, um órgão do Primeiro Distrito Naval no Rio de Janeiro. Este projeto contempla o estudo das condições de escoamento sobre o convés de voo, uma vez que esta embarcação está apta a receber pousos e decolagens de helicópteros.
O estudo determinará as condições em que o pouso poderá ser feito com maior segurança. Juntamente com os estudos de Dinâmica dos Fluidos Computacional foram realizados ensaios no túnel de vento TA-2 da ALA, para uma completa caracterização do escoamento aerodinâmico nesta parte da embarcação.
Nas figuras anexas, a velocidade simulada do navio foi de 10m/s, para malha computacional de 8 milhões de elementos. Esta simulação exigiu sete dias de trabalho para a geração da malha e mais de 16 horas de processamento de oito computadores da Divisão, trabalhando em paralelo.
As figuras mostram a distribuição de pressão do ar sobre a superestrutura, e magnitudes da velocidade do escoamento ao redor do navio. Estão previstas mais simulações e ensaios em diferentes condições de velocidade e direção do vento, para que no final possam ser determinadas condições seguras de operações de pouso de aeronaves sobre o convés deste tipo de navio.
Por Daniel Rittner, Yvna Sousa e Francisco Góes | De Brasília e do Rio
A base aliada no Congresso impôs ontem uma derrota ao governo na primeira votação da medida provisória que altera as regras dos portos. O Palácio do Planalto já avisou que pretende vetar de quatro a oito pontos da redação aprovada pela comissão mista responsável por analisar a MP 595. Como a medida perde validade no dia 16 de maio, o resultado acabou sendo digerido pelo governo como solução “menos ruim”, diante da abertura de uma corrida contra o relógio para aprová-la nos plenários da Câmara dos Deputados e do Senado.
Uma emenda do senador Waldemir Moka (PMDB-MS) garantiu a extensão por até dez anos dos contratos de arrendamento em portos públicos assinados antes de 1993, quando entrou em vigência a última Lei dos Portos, principal marco regulatório do setor até a medida provisória.
No texto originalmente enviado ao Congresso, o governo havia determinado a licitação de mais de 50 terminais que estavam nessa situação, em 18 portos públicos. Os estudos de viabilidade econômica para essas licitações já estão sendo feitos e deverão ficar prontos em setembro.
Desde 6 de dezembro, quando a MP 595 foi publicada, a Associação Brasileira de Terminais Portuários (ABTP) vinha pleiteando mudanças no texto e queria a extensão contratual por 25 anos. Em troca, acenava com a liberação de R$ 10 bilhões em investimentos, como contrapartida. O senador Eduardo Braga (PMDB-AM), líder do governo no Senado e relator da medida provisória, apresentou na semana passada uma solução intermediária: mais cinco anos de prazo, a critério do poder concedente.
A emenda de Moka determina que os contratos “deverão ser renovados”, usando um termo impositivo, por período “não inferior” ao prazo original. Quase todos os contratos tinham vigência de dez anos e foram sendo prorrogados sucessivas vezes, em caráter emergencial. Por isso, na prática, a extensão acaba sendo quase sempre por uma década.
Outras duas emendas contrárias aos planos iniciais do governo serão votadas em plenário. Uma delas garante, em tom mais incisivo, a autonomia de governos estaduais ou municipais para licitar contratos de arrendamento de terminais em portos delegados pela União. É o caso de portos como Suape (SP), Paranaguá (PR), Itaqui (MA) e São Sebastião (SP). Trata-se de uma briga principalmente do governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), contra o Planalto.
Para o relator Eduardo Braga, não houve derrota do governo, apesar da emenda que determina a renovação dos terminais pré-1993. “Construímos uma bela vitória. Diante de um tema tão complexo, conseguimos estabelecer um projeto de conversão em onze semanas”, ressaltou o líder governista, lembrando que a atual Lei dos Portos (8.630/93) tramitou no Congresso durante três anos. Braga admitiu que a extensão contratual por até dez anos deverá ser vetada pela presidente Dilma Rousseff. “Não houve derrota. O acordo estava feito, mas preferiram aprovar uma emenda que será vetada”, disse.
“Os pontos alterados não comprometem a essência da MP”, acrescentou o presidente da comissão, José Guimarães (PT-CE). Ele ressaltou que se manteve a decisão de liberar os portos privados, sem a exigência de carga própria, e um acordo com os trabalhadores portuários permitiu aprovar a MP sem greve geral.
No setor empresarial, porém, ficou evidente uma divisão em relação aos terminais privados. O ponto de discórdia se concentra na inclusão no relatório de Braga da figura do terminal indústria, estruturas portuárias vinculadas a um processo produtivo. Em carta enviada a Braga, a Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib) afirmou: “Entende-se que tal inclusão [do terminal indústria] acaba por retomar a distinção entre carga própria e de terceiro – conceitos que surgiram única e exclusivamente para frear o crescimento dos terminais privativos de uso misto e manter inalterado o oligopólio existente na movimentação de contêineres nas áreas arrendadas dos portos públicos.” Fonte ligada à indústria discordou: “O terminal indústria, com a dispensa de chamada pública, faz todo sentido e é uma reivindicação da indústria. O objetivo é movimentar somente carga exclusiva, ligada ao processo produtivo”, disse a fonte.
Executivo ligado aos terminais privados disse, porém, que, a partir dessa diferenciação, o terminal privado sem ligação ao processo produtivo (sem carga própria) e, por consequência, os novos terminais de contêineres privados vão sofrer regulamentação específica quanto à sua autorização. O executivo previu que essa regulamentação será “restritiva e implacável” contra novas autorizações, dando proteção indireta aos terminais arrendados. “Vai se reviver o decreto 6.620/08.”
O Estaleiro Eisa lança ao mar nesta quinta-feira, 25 de abril, o graneleiro Log-InTucunaré. Este é o quarto navio de uma encomenda de sete embarcações que a Log-In tem com o estaleiro. Segundo a companhia, a operação movimentará 150 milhões de toneladas de minério de bauxita a granel no período.
“Com o lançamento ao mar do Log-InTucunaré superamos mais da metade de nosso projeto de construção. Em 2015, completaremos nossa construção com a entrega dos outros três porta-contêineres. Isso é motivo de muito orgulho para a empresa”, diz o presidente da Log-In, Vital Jorge Lopes. O investimento estimado no navio é de R$170 milhões.
O graneleiro foi construído para atender ao contrato de 25 anos com a Alunorte, realizando viagens consecutivas entre os portos de Trombetas e de Vila do Conde, ambos no estado do Pará. Em janeiro de 2010, a Log-In iniciou a operação para a empresa com navios afretados. Uma das embarcações foi substituída em fevereiro deste ano, quando entrou em operação o graneleiro Log-In Tambaqui. A outra substituição está prevista para o início de 2014, quando o Log-InTucunaré começará a operar.
Para a construção da embarcação foram utilizadas cerca de 13 mil toneladas de chapas de aço. Com 245 metros de comprimento, 40 metros de largura e calado de 11,58 metros, o navio tem capacidade individual de 80.100 toneladas de porte bruto e transporta cerca de 75 mil toneladas de bauxita por viagem. De acordo com a Log-In, o projeto da embarcação levou em conta a natureza da carga a ser transportada e a região onde irá atuar. Sua hidrodinâmica foi projetada para que tenha uma melhor navegabilidade, deslocando baixo volume de água para não prejudicar a população ribeirinha, que sofre com a erosão das suas margens agravada pela navegação fluvial. Seu consumo de combustível e emissão de gases consideraram padrões superiores de eficiência.
O Log-InTucunaré foi adaptado para funcionar como sala de aula. Segundo Lopes, o programa Navio Escola é uma iniciativa da Log-In para contribuir com a formação e capacitação da marinha mercante brasileira. “O Log-In Tucunaré, assim como o Log-InTambaqui, terá camarotes extras com o objetivo de receber estudantes e auxiliar em sua formação como marítimo. Consideramos de fundamental importância para a profissionalização desses jovens a possibilidade de conhecer uma operação na prática”, afirma o presidente da empresa. A Log-In escolheu como madrinha da embarcação Fernanda Gonçalves de Carvalho, esposa do presidente do Fundo da Marinha Mercante (FMM), Gustavo Lobo.
Todas as embarcações encomendadas pela Log-In ao Eisa estão incluídas no Programa de Aceleração do Crescimento, do governo federal. Até 2014, a Log-In ainda receberá três novos porta-contêineres.
LONDRES – O Irã está armazenando milhões de barris de petróleo em navios ancorados em suas águas territoriais, enquanto o governo do país enfrenta dificuldades para exportar em função das sanções ocidentais, disseram fontes do setor de transporte marítimo.
As receitas do Irã com o petróleo caíram cerca de 50 por cento desde o ano passado, quando os Estados Unidos e a União Europeia impuseram pesadas sanções, prejudicando os negócios do país e reduzindo o padrão de vida dos cidadãos comuns.
“Não há dúvida de que há mais navios petroleiros iranianos sendo usados como armazenagem flutuante no momento do outro lado do Golfo e o sentimento é de que isso deve aumentar”, disse uma fonte do setor de transporte marítimo na Europa com conhecimento do movimento de petroleiros.
“O embargo está causando problemas e tem conversas sobre tentativas do Irã de se desfazer de cargas com preços reduzidos.”
As fontes do setor marítimo deram estimativas variadas sobre quanto petróleo o Irã está guardando no mar, mas todos disseram que o volume aumentou.
Dados da consultoria de inteligência marítima IHS Fairplay apontam que 10 grandes navios petroleiros do Irã, com capacidade de carregar 2 milhões de barris cada um, estão armazenando petróleo, junto com um navio menor com capacidade de 1 milhão de barris.
Os dados mostraram que outros dois super petroleiros também podem estar sendo usados como armazenagem flutuante, baseado no longo período em que estão ancorados, elevando o volume total a 25 milhões de barris guardados em navios.
“Parece que há mais embarcações do que havia quatro meses atrás” disse Richard Hurley, um analista sênior da IHS Fairplay.
FONTE: Reuters; Reportagem de Jonathan Saul, com reportagem adicional de Daniel Fineren em Dubai – via Portos e Navios
O texto aprovado tem mais de 150 mudanças em relação ao projeto enviado pelo governo em dezembro do ano passado, frutos de acordos entre governo, parlamentares, empresários e trabalhadores. Agora, a MP precisa ser votada até 16 de maio nos plenários da Câmara e do Senado para não perder a validade. Na próxima semana, o projeto começar a ser analisado na Câmara.
Mesmo com tantas mudanças prévias, houve alterações até a última hora e três pontos foram aprovados pelos parlamentares mesmo contra a vontade do relator, senador Eduardo Braga (PMDB-AM), e do governo. Segundo Braga, que também é líder do governo no senado, esses três pontos não têm compromisso do governo de não veto.
“O acordo estava feito. Eles jogaram fora. Agora não fica nada. Vai ser vetado”, afirmou Braga.
Além desses três pontos, há outros sem acordo de não veto. Segundo o próprio relator admitiu, seu texto original tem entre “90% e 95%” de acordo com o governo para que não seja vetado. Para Braga, o enorme número de mudanças no texto original do governo não foi uma derrota para o Planalto.
“Não [houve derrota]. Houve um acordo”, disse Braga.
ALTERAÇÕES
As três principais mudanças de ontem foram impostas pelo líder do PMDB na Câmara, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que conseguiu maioria dos deputados e senadores para derrotar a proposta do relator, que era aceita pelo governo. Houve mais de três horas de reuniões antes do início da votação para tentar um acordo antes das emendas irem a votação.
A primeira mudança permitirá que contratos assinados antes de 1993 sejam renovados por tempo igual ao que consta no contrato. Isso pode fazer com que alguns tenham tempo extra de mais 20 anos. O texto do governo previa, no máximo, mais cinco anos de contrato.
Outra mudança feita é permitir que novos contratos de concessão de áreas em portos assinados após 2013, que são de 25 anos, tenham obrigatoriamente que ser prorrogados por 25 anos. O governo queria apenas a opção de prorrogar.
A última mudança defendida pelo deputado Cunha foi para impedir que o governo possa retirar de licitações empresas punidas apenas em processo administrativo.
“O que foi feito foi aperfeiçoamento do texto jurídico”, disse Cunha.
O artigo que dá permissão ao governo para antecipar a renovação de contratos vigentes e assinados após 1993 foi mantido como o Planalto queria. Nesse caso, o governo ficou com a opção para renovar e não foi colocada a palavra obrigação, como parte dos deputados queriam. Empresários que têm esse tipo de contrato defendem que a renovação poderia colocá-los em pé de igualdade com novos concorrentes, que terão menos obrigações do que eles.
O governo também conseguiu manter dois pontos essenciais da MP que são a permissão para que portos privados transportem qualquer tipo de carga (antes os privados só podiam transportar carga de seus proprietários) e que as novas licitações sejam definidas pelo critério de maior movimentação e menor preço.
Os acordos firmados com os trabalhadores ao longo da tramitação da MP foram mantidos. Na prática, as empresas que operam em portos públicos serão obrigadas a contratar trabalhadores avulsos apenas de um órgão específico, chamado Órgão Gestor de Mão de Obra; e os portos privados só poderão contratar trabalhadores definitivos via CLT ou pelo órgão gestor. Além disso, foram ampliadas as categorias em que a contratação pelo órgão gestor é obrigatória e criada uma espécie de bolsa-portuário para os que estão em idade para se aposentar mas não têm cobertura previdenciária.
Mesmo com tantas mudanças, os textos ainda poderão passar por alterações nos plenários da Câmara e do Senado, onde têm que ser aprovados até 16 de maio. Pelo menos dois deputados informaram que vão fazer destaques no plenário para mudar a MP para alterar o texto do relator.
25 de abril de 2013,
em Submarino,
por Guilherme Poggio
Vietnã receberá primeira das seis embarcações encomendadas ainda em 2013
Durante a exposição internacional de armamentos LIMA 2013, realizada em Kuala Lumpur na Malásia, o diretor-geral da empresa russa de projetos militares Rubin, Igor Vilnit, informou que os submarinos fabricados na Rússia estão sendo cada vez mais requisitados pelo mercado asiático. Segundo Vilnit, o Vietnã receberá, neste ano, o primeiro das seis embarcações do Projeto 636 encomendados à Rússia. Outro mercado bastante promissor para os fabricantes russos é o da Índia.
Neste momento, o primeiro submarino da Marinha vietnamita fabricado pela Rússia, o Hanói, encontra-se em fase de testes de mar. No início deste ano, a tripulação vietnamita começou a se familiarizar, na Rússia, com a utilização do submarino. Simultaneamente, engenheiros e técnicos russos estão construindo no Vietnã a infraestrutura necessária para operar os submarinos e para a formação de submarinistas, segundo detalhou Igor Vilnit. “É bastante possível que a entrega dos submarinos do Projeto 636 ao Vietnã aconteça de forma mais rápida do que os prazos inicialmente previstos entre Rússia e Vietnã. O segundo submarino já foi lançado ao mar e o terceiro iniciará esta fase de testes em agosto. Portanto, é muito provável que o Vietnã receba da Rússia dois submarinos em 2013 e mais um em 2014. Todo o processo de entrega dos seis submarinos encomendados à Rússia pelo Vietnã estará concluído até o final do ano de 2016.”
Desta forma, 2013 será o ano da criação da esquadra de submarinos da marinha vietnamita. Anteriormente, o Vietnã tinha tentado criar uma força de submarinos adquirindo dois minissubmarinos à Coreia do Norte mas essas pequenas unidades norte-coreanas se revelaram como de fraca capacidade de combate.
Segundo os analistas internacionais, a compra dos submarinos do Projeto 636 à Rússia atende às necessidades do Vietnã de proteção da sua soberania no mar e não constitui uma ameaça aos interesses da China, parceira estratégica da Rússia. A falta de uma Marinha de Guerra nacional eficiente poderia ter empurrado o Vietnã para uma aliança mais estreita com potências de fora da região eurasiática como aconteceu com as Filipinas. Entretanto, um conflito real entre o Vietnã e a China é extremamente improvável porque a política chinesa em relação ao Vietnã se baseia na atração dos vietnamitas para uma cooperação econômica e comercial o mais estreita possível.
Outro mercado asiático promissor para as exportações de submarinos russos é o da Índia. A Marinha indiana está preparando uma licitação internacional para a compra de seis submarinos convencionais. Segundo o diretor-geral da Rubin, Igor Vilnit, a Rússia planeja apresentar aos indianos os submarinos do Projeto Amur-950, uma versão reduzida do submarino Amur-1650 que deverá ser fornecido à China. Comparados aos modelos Amur-1650, os submarinos Amur-950 possuem capacidade inferior de deslocamento e menor raio de ação. Já o seu armamento é apenas ligeiramente inferior ao dos submarinos Amur-1650.
A particularidade dos submarinos Amur-950 é o sistema de lançamento vertical para 10 mísseis de cruzeiro que, em caso de necessidade, poderão ser lançados em dois minutos. Na versão proposta à marinha indiana, os navios poderão ser equipados com mísseis de cruzeiro supersônicos BrahMos, de fabricação russo-indiana. A participação da Rússia neste projeto é considerada como a grande vantagem da proposta russa nesta licitação que conta também com a participação de fabricantes franceses de submarinos.
Em meio a todo este processo, continuam as conversações da Rússia com a China para o fornecimento de quatro submarinos maiores Amur-1650. Graças ao aumento da autonomia de navegação, os submarinos do Projeto Amur-1650 poderão operar no Oceano Pacífico a uma distância considerável das suas bases. Comparados aos submarinos do Projeto 636 fornecidos anteriormente à China, o Amur-1650 tem uma detectabilidade bem mais baixa, o que aumenta as suas possibilidades de escapar aos sistemas de defesa antissubmarinos do Japão.
Para os especialistas em equipamentos bélicos, os modernos submarinos de propulsão diesel-elétrica são uma arma eficaz e relativamente barata que garante às Marinhas dos países asiáticos em desenvolvimento a possibilidade de enfrentar as grandes frotas dos países desenvolvidos.
A Bolívia entrou ontem com uma ação contra o Chile na Corte Internacional de Justiça de Haia, na Holanda, para que Santiago negocie uma saída soberana para o oceano Pacífico.
Segundo o chanceler boliviano, David Choquehuanca, seu país “solicita à corte que sentencie e declare que o Chile tem a obrigação de negociar de boa-fé com a Bolívia um acordo rápido e efetivo que lhe conceda uma saída plenamente soberana para o Pacífico”.
O Chile reagiu rapidamente. “Se eles pretendem conversar sobre a soberania marítima do Chile, não há diálogo possível”, declarou o ministro do Interior, Andrés Chadwick.
A Bolívia reivindica cerca de 400 km de costa que cedeu à força ao Chile após guerra em 1879. Os chilenos dizem cumprir tratado firmado em 1904, que os bolivianos contestam.
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