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Alana Gandra

Rio de Janeiro – A sustentabilidade da construção naval brasileira ainda depende de fatores como investimentos em pesquisa e desenvolvimento e a formação de recursos humanos, atrelados às políticas para o setor. A observação foi feita pelo professor Floriano Pires, do Programa de Engenharia Oceânica da Coordenação de Pós-Graduação de Engenharia (Coppe) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Ele lembrou que a indústria naval no país se encontra em um momento de efervescência após a retomada das atividades, iniciada no ano 2000. Pires vai falar sobre o tema na 7ª Feira e Conferência da Indústria Naval e Offshore (Navalshore), que começa nesta quarta-feira (11) no Rio.

Segundo o especialista, ao contrário do mercado brasileiro, que está em processo de recuperação, o mercado naval internacional, que vinha aquecido nos últimos anos, com preços elevados, prazos longos de entrega, vive atualmente uma situação inversa. “Hoje, você tem preços em queda, muitos contratos sendo cancelados e os estaleiros tendendo a ficar vazios”. Pires analisou, contudo, que o cenário externo preocupante não afeta a indústria nacional, que está se baseando na demanda interna.

Diante da tendência de que os prazos continuem encurtando e os preços sejam reduzidos, ele sinalizou que a indústria naval nacional precisa, dentro de alguns anos, alcançar padrões de desempenho comparáveis aos internacionais. Caso contrário, “a comparação do desempenho nosso fica mais complicada”.

O professor defendeu um esforço de recuperação do desenvolvimento tecnológico e de formação de recursos humanos de forma integrada com as políticas de financiamento e de encomendas. “Hoje, a gente tem um aumento considerável de investimentos em pesquisa e desenvolvimento, mas está muito descolado do processo de desenvolvimento da indústria propriamente dita”. É preciso, segundo ele, que esses investimentos sejam articulados com as estratégias da indústria, abrangendo também o estímulo ao desenvolvimento de fornecedores, entre outros itens.

Outra questão diz respeito à localização dos estaleiros, lembrou Pires, preocupado com a dispersão dos novos investimentos em termos geográficos. “A excessiva dispersão geográfica dos estaleiros, com um em cada lugar, será fator de desvantagem competitiva para o Brasil no futuro”.

Na avaliação do professor, os polos já existentes deveriam ser fortalecidos, com maior volume de investimentos também em novos estaleiros, mas preservando as mesmas regiões.

Floriano Pires aprovou a reativação do antigo Estaleiro Ishibrás, no Caju, zona portuária do Rio, que receberá o nome de Inhaúma, a partir de acordo firmado com a Petrobras, e a construção do estaleiro da Marinha em Itaguaí, para construção de submarinos nucleares. “É muito importante a recuperação do Ishibrás”, destacou. O estaleiro foi um dos mais bem estruturados do setor na década de 70, quando a indústria naval viveu seu apogeu.

Apesar da retomada, Pires admitiu que a indústria naval no Brasil ainda tem custos altos para a construção de navios, em comparação a concorrentes internacionais. Isso se deve, na sua opinião, ao desempenho da indústria e a questões como produtividade. “Não é uma questão que se resolva com ajustes legais”, apontou, referindo-se à carga tributária. Acrescentou que “é preciso melhorar o desempenho, formar gente, ganhar escala, continuidade. São questões industriais e esse processo demora alguns anos para ser superado”.

FONTE: Agência Brasil

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Com 9 estaleiros confirmados e outros em estudo, excesso de investimento já preocupa técnicos do BNDES

Amazonas, Bahia, Ceará e Alagoas são alguns dos Estados que se beneficiarão do programa de expansão da indústria naval, que já tem investimentos comprometidos de R$ 4 bilhões. O valor corresponde a nove projetos que receberam prioridade para análise pelo Fundo de Marinha Mercante (FMM) e crescerá após o resultado da licitação para 28 sondas de perfuração da Petrobrás.

A enxurrada de novos projetos preocupa o BNDES, que iniciou um estudo para avaliar qual a real necessidade do parque naval brasileiro.

O objetivo é evitar riscos de empréstimos a estaleiros que terão poucos contratos no longo prazo. “Queremos uma indústria sustentável”, diz o gerente do departamento de petróleo e gás do BNDES, Luiz Marcelo Martins. “É preciso um maior planejamento para evitar situação como a das décadas de 1970 e 1980, com a construção de muitos estaleiros sem demanda de longo prazo”, afirma Martins.

Nove projetos. Os R$ 4 bilhões aprovados pelo FMM referem-se a nove projetos, oito deles de construção de novos canteiros e um de modernização. O maior deles será construído pela Odebrecht na foz do rio Paraguaçu, na Bahia, ao custo de R$ 1,631bilhão. Já o Estaleiro Ilha S.A. (Eisa), do grupo Synergy, prevê a abertura de um canteiro em Alagoas, orçado em R$ 1,222 bilhão.

O fundo passou a operar como uma espécie de BNDES para o setor naval, financiando a construção de embarcações e, agora, a abertura de estaleiros a condições especiais. Os recursos vêm do Adicional de Frete da Marinha Mercante (AFMM), taxa cobrada sobre o frete no transporte marítimo.

Diante do crescimento das consultas, o fundo teve de receber um aporte de R$ 15 bilhões do governo em dezembro. O fundo analisa pedidos de financiamento de R$ 14 bilhões, incluindo estaleiros, navios e embarcações.

Novos investidores. A lista é um bom indicador sobre o futuro da indústria naval, que hoje conta com três antigos canteiros de grande porte no Rio (Mauá, Eisa e Brasfels) e dois estaleiros inaugurados recentemente (Rio Grande e Atlântico Sul). Mas não é um retrato fiel, pois há projetos divulgados que não pediram financiamento e outros que estão sendo negociados para a licitação da Petrobrás.

No primeiro caso, enquadra-se o estaleiro da OSX, de Eike Batista, para Santa Catarina. Orçado em US$ 1 bilhão, o projeto será a porta de entrada no País da Hyundai. “A Hyundai vê o impressionante crescimento do mercado brasileiro de óleo e gás e sente que seria benéfico ter uma base de operações no Brasil”, disse a empresa, em nota ao Estado.

Mesmo caminho pretendem fazer seus principais concorrentes, como Daewoo, Samsung e Jurong, que já esteve no Brasil em parceria com o Mauá. Esse último, por exemplo, obteve em março licença ambiental para a construção de um estaleiro em Aracruz, no Espírito Santo, com investimento de US$ 500 milhões. O negócio é um segundo passo da empresa no País, após desfazer parceria com o estaleiro Mauá, no Rio.

A profusão de novos negócios é reflexo da política governamental de privilegiar as encomendas no Brasil.

“Apenas com o que já se conhece do pré-sal, dá para projetar um potencial de encomendas excepcional”, diz Martins, do BNDES. Dados do Sindicato Nacional da Indústria de Construção e Reparo Naval (Sinaval), projetam 45 novas plataformas e 70 navios petroleiros somente da Petrobrás.

A carteira de encomendas atual conta com 130 navios, 3 plataformas de produção, 3 plataformas de perfuração. Para 2010, já estão prometidos 17 navios, 9 sondas de perfuração, 8 cascos de plataformas, 2 plataformas e 20 comboios fluviais.

FONTE: O Estado de São Paulo

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Eisa

Setor tem R$ 55 bilhões em investimento e encomendas, segundo o BNDES; com pré-sal, futuro é ainda mais promissor

Em nove anos, empregos sobem de 2.000 para 45 mil; 5 estaleiros se somarão aos 25 já existentes e cada um pode ter até 3.500 funcionários

vinheta-clipping-navalImpulsionada pelas encomendas crescentes da Petrobras desde 2001 e especialmente pela exigência de compras de fornecedores locais introduzidas pelo governo Lula em 2003, a indústria naval brasileira renasceu nesta década e já é a sexta maior do mundo.

As encomendas aos estaleiros e os novos investimentos somam R$ 55 bilhões, pelos cálculos do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). São 195 embarcações já contratadas ou com a construção anunciada.

A cifra coloca o país atrás de China, Coreia, Japão, União Europeia e Índia, mas à frente dos Estados Unidos.

Em 2000, a indústria tinha menos de 2.000 empregados. Hoje, são 45 mil soldadores, mecânicos, entre outros trabalhadores. O número deve aumentar nos próximos anos com a instalação prevista de cinco novos estaleiros -cada um pode ter até 3.500 funcionários. Existem 25 estaleiros no país – todos privados, mas 2 foram arrendados à Petrobras.

Cada nova unidade receberá investimentos de até R$ 1 bilhão e serão erguidas nos Estados de Alagoas, Bahia (duas, possivelmente), Espírito Santo e Rio -polo histórico da indústria naval e onde está a maior parte dos estaleiros do país.

Diferentemente da China – que se especializou e investiu pesado nos últimos cinco anos -, o motor da indústria naval brasileira não é o transporte marítimo de commodities, mas sim a exploração marítima de petróleo.

Esse segmento produz um volume menor de embarcações, mas faz unidades mais sofisticadas e caras. Nele, a liderança global é de Cingapura e da Coreia -líderes mundiais em tecnologia e com altos subsídios governamentais.

Tempo e dinheiro

Cada plataforma de produção de petróleo pode custar mais de US$ 2 bilhões e consumir até dois anos de trabalho. Uma sonda de perfuração – usada na exploração dos campos marítimos – não sai por menos de US$ 1 bilhão. Já um petroleiro varia de US$ 60 milhões a US$ 100 milhões, de acordo com o porte da embarcação, e leva pelo menos oito meses para ficar pronto.

No Brasil, a indústria ressurgiu na esteira das encomendas da Petrobras e tem um estímulo adicional graças à descoberta do pré-sal. Mas começam a aparecer também novos clientes: a estatal Venezuelana PDSVA encomendou dez petroleiros ao estaleiro Eisa – já recebeu o primeiro -, e a Vale vai fazer uma concorrência para a construção de quatro navios de grande porte para o transporte de minério de ferro.

Com o advento do pré-sal, grupos nacionais -como o Sinergy (estaleiros Eisa e Mauá); Camargo Corrêa e Queiroz Galvão; OAS e Setal- e internacionais -STX (Coreia) e Jurong (Cingapura)- já decidiram ou estudam instalar novos estaleiros. Outros três farão ampliações de suas instalações.

Waldemiro Arantes Filho, presidente do STX no Brasil, diz que a unidade será construída no Ceará em duas etapas: a primeira com investimento de US$ 100 milhões (barcos menores de apoio à exploração de petróleo); a segunda custará US$ 500 milhões (plataformas e petroleiros).

Localizado em Pernambuco, no porto de Suape, o estaleiro Atlântico Sul é hoje o mais moderno do país e conta como uma área em seu entorno que permite ampliação para deixá-lo do porte dos estaleiros gigantes sul-coreanos Hyundai, STX e Samsung. Os demais precisam de atualização tecnológica.

Fernando Tourinho, conselheiro do Atlântico Sul, diz que o grupo negocia uma participação acionária minoritária da coreana Samsung e estuda instalar um novo estaleiro, além de ampliar as instalações em Suape. “Com o pré-sal, temos um horizonte promissor.”

FONTE: Folha de S.Paulo

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vinheta-clipping-navalPelo menos cinco estaleiros estão prestes a nascer por causa das bilionárias encomendas do setor de petróleo e gás, principalmente das áreas do pré-sal. Os novos empreendimentos e alguns estaleiros já existentes apresentaram onze projetos à Marinha Mercante, com o objetivo de obter financiamento que pode chegar a cerca de R$ 8 bilhões ao longo dos próximos anos.

O Sindicato Nacional da Indústria da Construção e Reparação Naval e Offshore (Sinaval) estima que o setor fechará este ano com 46 mil empregos, aumento da ordem de 10% em relação a 2008.

“O pré-sal vai dar um trabalho enorme para a indústria brasileira”, diz Sérgio Leal, secretário-executivo do Sinaval. Os investimentos de R$ 121 bilhões para explorar as reservas do país, entre as quais as localizadas nos blocos do pólo de Santos, preveem encomendas de sondas de perfuração, barcos de apoio e plataformas. O país possui hoje 28 estaleiros e serão necessários “30 e tantos para absorver tantas encomendas”, segundo Leal.

“O Brasil possui hoje a quinta maior carteira de petroleiros do mundo, sem contar o pré-sal”, acrescentou Leal, referindo-se a compra de 46 navios pela Transpetro, braço da Petrobras para a área de transportes.

Cerca de 60% de todo o investimento da indústria brasileira nos próximos três anos partirão do setor de petróleo e gás, de acordo com Alfredo Renault, superintendente da Organização Nacional da Indústria do Petróleo (Onip). O especialista alerta para a necessidade de investimentos maiores em pesquisa e desenvolvimento pelas empresas que fazem parte da cadeia produtiva. Renault também afirma que os fornecedores precisam de incentivos diferenciados como isenção de impostos para dar conta da demanda da Petrobras.

FONTE: Último Segundo – São Paulo,SP/Sabrina Lorenzi, iG Rio de Janeiro

Presidente da Petrobras prevê a abertura dessas vagas em oito anos para suprir toda a cadeia produtiva da exploração de petróleo

vinheta-clipping-navalA exploração de petróleo da camada pré-sal vai gerar mais de 240 mil empregos até 2016. A previsão é do presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, que participou ontem, em Brasília, de um debate sobre a proposta do novo marco regulatório do petróleo e os desafios tecnológicos para a exploração do petróleo em águas ultraprofundas. “Essas pessoas serão treinadas não para a Petrobras, mas para a cadeia de suprimentos que irá nos atender”, explicou Gabrielli. Segundo o executivo, o treinamento desses profissionais envolve instituições de ensino brasileiras com 29 redes temáticas e mais de 500 pesquisadores. A iniciativa da Petrobras de capacitar mão de obra para o pré-sal está alinhada ao pacote de incentivos que governo está preparando para a indústria nacional.

“Isso cria, fora da Petrobras, laboratórios de alto nível, capacitação de análise e interpretação e capacitação das áreas de ciência básica e aplicada, tendo um impacto não somente sobre a Petrobras, mas também sobre a engenharia brasileira, sobre o desenvolvimento dos projetos e a pesquisa em geral do nosso país”, definiu Gabrielli.

A previsão do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), encarregado de elaborar a política industrial para a cadeia produtiva do pré-sal, é de que dois terços dos equipamentos para extrair o pré-sal sejam produzidos no Brasil no período de três anos. Para isso, será necessário oferecer condições de financiamento e tributação semelhantes aos principais concorrentes do Brasil nessa área, em especial, a Coreia do Sul, líder na indústria naval. A estimativa é de investimento de US$ 80 bilhões em 10 anos. Fora isso, a Petrobras tem um plano de investimentos de US$ 174 bilhões para os próximos cinco anos.

Para que o pacote de incentivos tenha os resultados esperados, Alberto Machado, diretor executivo da área de petróleo e gás da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), defende que as isenções tributárias e condições de financiamento especiais sejam estendidas para todos os elos da cadeia produtiva. “As empresas brasileiras têm uma grande produtividade, mas, em alguns casos, acabam perdendo. Primeiro porque, quando tem uma concorrência em que participam empresas brasileiras e estrangeiras, as estrangeiras são exportadoras, e todo país quando exporta incentiva suas empresas com redução de impostos e taxas de juros às vezes até subsidiadas”, justifica.

Vantagens

Segundo Machado, além dos subsídios, as companhias internacionais têm ainda outra série de vantagens sobre as concorrentes nacionais exatamente porque as brasileiras operam no mercado interno. Segundo ele, mesmo quando há mais incentivos às empresas locais, eles não abrangem todo o setor produtivo no qual atua uma organização. “Esse setor não tem, em muitos casos, o incentivo permeando toda a cadeia. Às vezes, esse incentivo fica só no primeiro ou no segundo nível”, explica. E exemplifica: “O fundo de marinha mercante empresta para o armador, o armador compra no estaleiro, mas nem sempre os benefícios do empréstimo do Fundo de Marinha Mercante, que têm condições especiais e até compatíveis com as condições existentes no mundo, migram para a cadeia produtiva. Então, o fornecedor dos equipamentos, o fornecedor das partes e peças que vão para os equipamentos acabam não tendo competitividade para participar desse crescimento”.

Questiona-se, obedecidas essas condições, a indústria nacional tem condições de atender à demanda do pré-sal, Machado é assertivo. “Sem dúvida alguma. Não é nenhum problema para a indústria atender à demanda. É claro que nenhum país do mundo é autossuficiente. Nenhum país do mundo quer vender 100%, mas ter uma participação representativa, significativa dos montantes que a Petrobras e as outras empresas de petróleo vão adquirir é muito importante”, ressaltou. Em 2008, as vendas dos associados da Abimaq para o setor de petróleo e gás somaram cerca de R$ 9 bilhões, entre 10% e 15% de faturamento de R$ 72 bilhões do segmento. Machado estima que esse percentual pode, no mínimo, dobrar.

Tecnologia

Alguns setores já têm participação expressiva da indústria nacional, a exemplo da área de materiais submarinos (75%) e da fabricação de navios (65%). O executivo pondera que alguns equipamentos têm uma complexidade tecnológica restrita a poucos fornecedores e continuarão sendo importados. “Mas aquilo que puder ser feito no Brasil e tiver condições, vai ser feito. E o que o empresário precisa, de alguma forma, é ter uma noção de que forma esses investimentos vão ser distribuídos no tempo. Se tem uma possibilidade e uma probabilidade clara de o investimento existir, aí é risco do negócio investir ou não. E eu não tenho dúvida que o empresário vai investir.”
“Essas pessoas serão treinadas não para a Petrobras, mas para a cadeia de suprimentos que irá nos atender”
José Sergio Gabrielli, presidente da Petrobras

R$ 80 bilhões…

… é o valor necessário, segundo o BNDES, para desenvolver a cadeia produtiva do pré-sal em 10 anos.

FONTE
: Correio Braziliense – 26/09/2009

vinheta-clipping-navalPlataformas, sondas, petroleiros e embarcações de apoio em encomendas bilionárias da Petrobras podem fazer do Brasil a meca dos investimentos da indústria naval nos próximos anos. Os valores chegam a US$ 17 bilhões numa primeira fase (entre 2009 e 2010), podendo ir a US$ 40 bilhões até 2012. O mercado brasileiro já detém a quinta maior carteira de encomendas do mundo, com estudos para a construção de até 17 estaleiros, segundo fontes do setor.

A maioria dos projetos, no entanto, aguarda ganhar uma licitação para efetivar os investimentos que, isoladamente, variam de US$ 100 milhões a US$ 1 bilhão. “Primeiro tivemos o boom do ressurgimento da indústria naval brasileira, após 20 anos sem encomendas. Com isso, vieram os estaleiros virtuais, hoje uma realidade, e investimentos na modernização e ampliação de outros, já existentes. Agora são novos investidores nacionais e internacionais de olho nas oportunidades que o País oferece”, diz o presidente da Transpetro, Sérgio Machado.

Além de 26 novos petroleiros – dos quais 18 estão sendo negociados e oito serão licitados dentro de 60 dias – encomendados pela Transpetro, a Petrobras recebe, em 7 de agosto, os envelopes com as propostas para a construção de oito cascos em série para navios-plataforma que vão operar em Tupi.

A estatal também lança neste segundo semestre a encomenda do primeiro pacote de sete sondas de perfuração em águas ultraprofundas, de um total de 28 que serão construídas pela primeira vez no Brasil. Por fim, colocou na praça o primeiro lote para contratação de 24 (de um total de 146) embarcações de apoio.

O governo do Rio está intermediando pelo menos duas negociações de grande porte. Além de ter incentivado a construção de quatro estaleiros no Complexo Industrial de Barra do Furado, no Norte Fluminense, o governo quer atrair investidores para uma área em Itaguaí, no sul do Estado, área próxima ao porto.

“Temos holandeses, brasileiros, franceses, vários interessados. Há uma fila de investidores”, diz o secretário de Desenvolvimento do Estado, Júlio Bueno, que também atua em uma outra frente de negociações, que prevê a compra ou aluguel pela Petrobras da área que abrigou o estaleiro Ishibrás, o maior já instalado no Brasil.

Por conta de sua extensão às margens da Baía de Guanabara e seu calado, a área poderia sediar a construção simultânea de até dois navios-plataformas FPSO (de produção e estocagem de óleo), do tipo que está sendo encomendado para Tupi. O diretor da área de serviços da estatal, Renato Duque, confirma as negociações, mas não dá maiores detalhes.

A ideia é repetir no Rio o arrendamento de um dique seco construído sob encomenda da Petrobras no Rio Grande do Sul, e que é ofertado nas licitações para as empresas interessadas na obra. A área no Rio pertence aos grupos Iesa e Banco Fator.

Além dos estaleiros negociados para o Rio de Janeiro, há ainda novos negócios ocorrendo em pelo menos sete estados, descentralizando a indústria naval, que até então tinha em território fluminense sua principal base. Outros focos de investimentos são Pernambuco, Rio Grande do Sul, Bahia (com quatro estaleiros em estudos), Espírito Santo, Santa Catarina, Ceará e Maranhão.

FONTE: Jornal do Commercio

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A PF aponta esquema de compras subfaturadas de artigos de luxo importados e equipamentos para a indústria naval

vinheta-clipping-navalinace-pfArtigos de luxo, finos e sofisticados, consumo para poucos da alta sociedade cearense. Em caixas e contêineres importados, também vinham peças e equipamentos grandiosos e caros, específicos para a construção de navios civis e militares. No meio disso, a investigação aponta também grandes cifras e, pelo que foi apurado, o envolvimento de personagens que ganhavam licitações supostamente fraudulentas realizadas pela Marinha do Brasil e Petrobras. Tudo interligado, embora parecesse desconexo. Valores ainda não totalizados, muito menos divulgados. Ontem, a Polícia Federal do Ceará deflagrou a Operação Luxo, anunciando a existência de um esquema de milhões de reais envolvendo grandes empresários do Ceará, do Rio de Janeiro e de Miami (EUA).

Foram cumpridos cinco mandados de prisão, quatro no Ceará e um no Rio, e 12 de busca e apreensão em empresas e residências de vários investigados. Em nota divulgada ontem à tarde, a PF informou que as empresas apontadas no esquema são a Indústria Naval do Ceará (Inace), Nossa Casa, Empresa de Navegação Marimar, as três do Ceará, e a empresa Internave, do Rio.

No Ceará foram presos a empresária Elisa Gradvohl; o marido dela, empresário Gil Bezerra, e o filho deles, empresário Robert Gil Bezerra Gradvohl. Os três são proprietários do grupo Inace, que atua há 40 anos na construção de navios e nos setores pesqueiro e hoteleiro. Também em Fortaleza foi preso o empresário José Antônio do Carmo Nogueira, sócio da empresa Marimar, também do ramo de construção naval.

No Rio de Janeiro, a prisão foi de um almirante reformado da Marinha, hoje empresário, Euclides Duncan Janot. Ele é sócio da Internave, prestadora de serviços de logística em instalações portuárias e petrolíferas. Só Elisa e Gil foram presos preventivamente (sem prazo para soltura). Os demais tiveram ordem de prisão temporária, de cinco dias. Houve um sexto mandado de prisão, também temporária, que não havia sido cumprido até a noite de ontem. É contra o sócio de uma empresa em Miami, que continua sendo procurado.

O POVO apurou que a Inace aparece como elo nos dois esquemas investigados pela PF. Tanto o de compra de artigos luxuosos e de produtos e equipamentos navais subfaturados como para o das fraudes nas licitações. Através da empresa aberta nos EUA, Inace e Nossa Casa teriam feito compras em valores abaixo do registrado no mercado. Em notas verdadeiras, os valores preenchidos eram falseados, para enganar a fiscalização alfandegária. O imposto cobrado era irreal, em cima do valor registrado.

Na outra ponta, a das licitações, a Inace surge ao lado de Marimar e Internave. A PF confirmou, em nota à imprensa, a suposta fraude junto à Marinha e Petrobras, em contratos licitados. Nos imóveis vistoriados por ordem judicial, da 11ª Vara Federal, foram apreendidos computadores, documentos e mercadorias sem comprovação de origem.

O POVO procurou falar com os advogados dos empresários presos. O único localizado foi Cláudio Queiroz, que representava a família Gradvohl. Em quatro ligações, entre a tarde e a noite, ele pediu que retornasse mais tarde, porque estava acompanhando os depoimentos. Depois, seu celular deu sinal de ocupado ou desligado.

E MAIS…

- Em nota ao O POVO, a Gerência de Imprensa da Petrobras, no Rio de Janeiro, informou que a empresa “não tem detalhes da anunciada operação da Polícia Federal sobre licitações de empresas prestadoras de serviço à Companhia, conforme nota distribuída pela própria PF. Até o presente momento, a Petrobras identificou contratos com duas das empresas citadas pelas autoridades federais. Com a Miramar S/A, a Companhia tem contratos celebrados desde 1986. Ao todo, são 39 contratos, 13 deles ainda vigentes. São contratos de afretamento de embarcações. Com a Internave são dois contratos, um já encerrado em 2006 e outro vigente até 2012. Esses dois contratos se referem a reparos em sinalização flutuante para navegação”.

FONTE: O Povo online / FOTO: Evilázio Bezerra

NOTA do BLOG: O estaleiro INACE está construindo dois NAPA 500 para a Marinha do Brasil e concorre numa licitação para a construção de mais 4 unidades.

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