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Belgrano (2)

vinheta-destaqueNo dia 2 de maio de 1982, por volta das 18h30, o submarino nuclear britânico HMS Conqueror disparou três torpedos Mk.8 de tiro reto à proa do cruzador General Belgrano, à distância de apenas 1.380 jardas (1.255m), praticamente à “queima-roupa”. O primeiro torpedo explodiu na proa do cruzador, e o segundo próximo à sua superestrutura. Vinte minutos depois do ataque, o comandante do cruzador ordenou à tripulação o abandono do navio, em balsas salva-vidas infláveis, que aparecem na foto do alto na cor laranja. Navios argentinos e chilenos resgataram 770 tripulantes do General Belgrano do mar, entre os dias 3 e 5 de maio. Um total de 323 homens pereceu no ataque, entre eles dois civis.

Belgrano1

O cruzador General Belgrano era o ex-USS Phoenix da classe “Brooklin”, de 13.500t de deslocamento. Estava armado com 15 canhões de 6 polegadas e oito de 5 polegadas, todos de calibre maior que o dos canhões da frota inglesa. O navio teve sua construção iniciada em 1935 e lançamento em 1938. Ele escapou do ataque japonês a Pearl Harbor em 1941 e foi descomissionado em 1946, sendo transferido à Argentina em 1951.
Além dos canhões, o General Belgrano também tinha recebido lançadores de mísseis Exocet MM38, assim como suas escoltas (embora haja informações de que os lançadores do cruzador fossem maquetes, destinadas a enganar o inimigo sobre suas reais capacidades – ver destaque na imagem abaixo).

ARA Belgrano MM38

Com o envio da frota britânica para o Atlântico Sul em abril de 1982 e o fracasso das negociações diplomáticas após a invasão das Ilhas Malvinas/Falklands por forças argentinas, as frotas do Reino Unido e da Argentina foram colocadas no teatro de operações para a disputa. De um lado, os ingleses planejavam o desembarque anfíbio para retomada das ilhas e do outro, os argentinos pretendiam forçar a desistência dos britânicos infligindo pesadas baixas.

Embora o programa de reaparelhamento da Armada Argentina não estivesse concluído, as corvetas A69 equipadas com mísseis antinavio Exocet MM-38 já haviam sido incorporadas em 1978. Na Aviação Naval, a entrega dos jatos franceses Super Étendard estava sendo finalizada. Os Super Étendard eram armados com o AM-39, versão do Exocet lançada de aeronaves.

A Armada havia incorporado recentemente dois destróieres antiaéreos Tipo 42 de projeto inglês (da mesma classe do HMS Sheffield, que seria atingido no conflito por um AM-39 argentino), também armados com o Exocet MM-38. O míssil também tinha sido instalado em antigos destróieres recebidos usados da Marinha dos EUA (USN).

No dia 2 de maio de 1982, a Frota Britânica enviada pelo Reino Unido para recuperar as Falklands (invadidas por forças argentinas em 2 de abril), já havia entrado na Zona de Exclusão (imposta à Argentina pelo Reino Unido) de 200 milhas em torno das ilhas. A FT estava em algum ponto a nordeste das Malvinas (ver mapa abaixo).

Mapa Malvinas

Às 3h20 da manhã, o almirante Woodward, comandante da FT britânica, foi despertado por seu “staff” com o aviso de que um avião S-2 Tracker argentino tinha iluminado a frota inglesa com o radar de busca e que os inimigos agora sabiam sua posição.

Um jato Sea Harrier foi despachado para a marcação do contato, a fim de investigar. O piloto da aeronave mais tarde informou que, durante o voo, seu RWR (Receptor de Alerta Radar) registrou que seu caça foi iluminado por um radar de direção de tiro, Tipo 909, que equipava os destróieres Tipo 42 argentinos.

25-de-Mayo-S-2-Trackers 2

Os Grumman S-2 Tracker do Grupo Aéreo do ARA 25 de Mayo conseguiram localizar os porta-aviões ingleses nos dias 1º e 2 de maio de 1982

 

Desta forma, confirmou-se que a cerca de 200 milhas de distância da FT britânica estavam presentes o porta-aviões argentino ARA 25 de Mayo e suas escoltas Tipo 42, o Santísima Trinidad e o Hércules. O almirante Woodward sabia que o porta-aviões 25 de Mayo levava 10 jatos Skyhawk capazes de atacar com 3 bombas de 500kg cada, o que significava um possível ataque de 30 bombas à FT britânica, logo após o amanhecer. E ainda havia o temor de que os jatos Super Étendard também pudessem decolar do 25 de Mayo, armados com Exocets.

25 de Mayo

Capitânia da Armada Argentina, o ARA 25 de Mayo era equipado com jatos A-4Q Skyhawk e estava sendo preparado para operar jatos franceses Super Étendard. Com problemas na propulsão, o navio não conseguiu gerar vento relativo suficiente no convoo para lançar seus aviões no momento decisivo

 

Para piorar a situação, a 200 milhas ao sul das Malvinas estavam à espreita o cruzador ARA General Belgrano e duas escoltas, que poderiam chegar em poucas horas à distância de tiro de seus Exocet contra a FT britânica.

O Almirante Britânico concluiu que o 25 de Mayo e o General Belgrano estavam fazendo um movimento em pinça e que um dos dois precisava ser eliminado. O submarino nuclear HMS Conqueror, comandado por Christopher Wreford-Brown, estava acompanhando o cruzador argentino de perto há dois dias. Já outro submarino britânico, o HMS Spartan, ainda não tinha encontrado o 25 de Mayo. Como a posição do navio-aeródromo argentino não era conhecida, o cruzador foi o alvo escolhido.

O Conqueror descobriu um navio-tanque argentino e o acompanhou até o ponto de encontro com o General Belgrano, chegando a assistir à operação de reabastecimento. As ROE (Regras de Engajamento) não permitiam ao submarino britânico disparar contra o cruzador argentino naquele momento, pois o mesmo se encontrava fora da Zona de Exclusão imposta pelos próprios ingleses.

O almirante Woodward precisava pedir ao Comandante-em-Chefe na Inglaterra para alterar as ROE e ordenar ao Conqueror que atacasse o General Belgrano imediatamente. Mas o pedido enviado à Inglaterra por satélite iria demorar muito, o que poderia fazer com que o submarino perdesse contato com seu alvo.

Assim, Woodward ordenou o ataque enviando a seguinte mensagem ao submarino: “From CTG (Commander Task Group) 317.8 to Conqueror, text prority flash – attack Belgrano group.” Ao mesmo tempo, solicitou permissão da revisão da ROE, esperando que ela fosse atendida, pela emergência da situação.

ARA Bouchard

O destróier ARA Hipólito Bourchard era um dos navios veteranos da Segunda Guerra Mundial, transferidos da US Navy, que escoltavam o cruzador ARA General Belgrano quando foi atacado. Na foto, pode-se ver à meia-nau os contêineres de mísseis antinavio MM-38 Exocet, que ofereciam perigo aos navios ingleses

 

O Grupo-Tarefa (GT) do General Belgrano estava navegando a 13 nós, acompanhado pelo Conqueror, que fazia perseguição padrão “sprint-and-drift”, que consiste em navegar em grande profundidade a 18 nós por 15 ou 20 minutos, subindo depois para a cota periscópica, navegando a 5 nós, a fim de atualizar a posição do alvo pelo oficial de controle de tiro. Depois, a perseguição recomeçava.

O temor de Woodward e do comandante do submarino era o cruzador rumar para o banco Burdwood, uma elevação no fundo do mar que obrigaria o submarino a navegar numa profundidade menor e perder o contato com seu alvo. Por isso a pressa em tomar logo a iniciativa de atacá-lo, enquanto havia contato.

Às 08h10 do dia 2 de maio, o GT do General Belgrano mudou de curso, agora rumando para o continente. Às 13h30, o Conqueror recebeu o sinal de mudança de ROE vindo da Inglaterra.
O Comandante do submarino, Christopher Wreford-Brown, comentou mais tarde suas impressões sobre a navegação tática do cruzador:

“O comandante do navio, capitão Hector Bonzo, parecia não estar nem um pouco preocupado em ser alvo naquele momento”. O cruzador navegava a 13 nós, com sua escolta de destróieres mais à frente, num leve ziguezague. O comandante do navio argentino não era submarinista e parecia conhecer pouco de submarinos, principalmente os nucleares. Se conhecesse, estaria navegando em velocidade bem mais alta, com os navios-escolta lado a lado protegendo seu costado e fazendo um ziguezague mais agressivo, para evitar possíveis torpedos. Para completar, os escoltas do General Belgrano estavam navegando com os sonares ativos desligados.”

Às18h30, o HMS Conqueror aproximou-se do General Belgrano em alta velocidade por bombordo, passando por baixo de seu alvo e subindo para a cota periscópica por boreste, a fim de conseguir uma boa solução de tiro.

O comandante Christopher já tinha se decidido em usar velhos torpedos de tiro reto Mk.8 da Segunda Guerra Mundial, pois levavam maior carga explosiva e eram mais confiáveis que os novos Tigerfish Mk.24, guiados a fio. Por precaução, os tubos estavam carregados com 3 torpedos Mk.8 e 3 Mk.24. Os torpedos foram disparados à proa do cruzador, para que encontrassem o navio numa posição futura.

HMS-Conqueror-Falklands-War

HMS Conqueror navegando na superfície acompanhado da HMS Penelope

 

Segundo o comandante do Conqueror, os disparos dos torpedos foram feitos à “queima-roupa”, numa distância de 1.380 jardas (1.255m), com os operadores de sonar do submarino ouvindo bem alto o característico som dos hélices do cruzador, algo parecido com “Chuff-chuff-chuff… chuff-chuff-chuff…”.

Após 55 segundos do disparo inicial, o primeiro torpedo explodiu na proa do cruzador, no ponto após a âncora e antes da primeira torreta. A proa foi arrancada pela explosão, sendo vista pelo periscópio pelo comandante Christopher, que ficou abismado. Logo veio a explosão do segundo torpedo, que atingiu o navio próximo à sua superestrutura.

O terceiro torpedo acabou errando o cruzador e explodiu, por acionamento da espoleta de proximidade, perto da popa do destróier argentino ARA Bouchard, sem maiores danos. Vinte minutos depois do ataque, o comandante do General Belgrano ordenou à tripulação o abandono do navio, o que foi feito sem pânico, em balsas salva-vidas infláveis.
Como estava escuro, os escoltas do cruzador não sabiam ainda o que havia acontecido, pois este ficou sem rádio após o ataque. Quando perceberam o ocorrido, tentaram inutilmente o lançamento de cargas de profundidade.

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O submarino nuclear HMS Conqueror ao retornar à Inglaterra hasteou a bandeira “Jolly Roger” comemorando o afundamento do cruzador Belgrano

 

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Memórias da Guerra das Malvinas

COLABOROU: Henrique

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cristina-fernandez-kirchner-placa-malvinas-20120402-size-598

vinheta-clipping-naval“As coisas não ficarão assim por muito mais tempo!”. A frase foi pronunciada na última terça-feira, 2, pela presidente Cristina Kirchner em alusão ao controle britânico sobre as Malvinas, arquipélago do Atlântico Sul reivindicado desde 1833 pela Argentina. Cristina, durante as cerimônias realizadas nesta terça-feira, dia de comemoração do veterano da Guerra das Malvinas – e dos 31 anos do desembarque das tropas do ditador Leopoldo Fortunato Galtieri nas ilhas – exigiu que Londres sente à mesa de negociações para discutir a entrega do arquipélago à administração da Argentina, país que dominou esse território durante treze anos, entre 1820 e 1833.

“É uma incongruência”, sustentou Cristina, em referência aos 180 anos de posse britânica das ilhas, às quais denomina de “anacrônico encrave colonial” e de “lacraia que envergonha a Humanidade”.

Cristina fez um discurso cheio de acusações à Grã-Bretanha na cidade de Puerto Madryn, na província patagônia de Chubut. A presidente citou como verdadeiros rumores da época da Guerra das Malvinas (1982), sustentando que Londres havia “ameaçado” bombardear Rio Gallegos, onde morava na época com seu marido, Nestor Kirchner, onde ainda existe a base aérea de onde partiam aviões argentinos que combatiam sobre as ilhas.

A presidente argentina intensificou as reivindicações sobre as ilhas a partir de 2009, ano no qual companhias britânicas iniciaram a exploração de petróleo na plataforma marítima ao redor das Malvinas. No ano passado, quando comemoraram-se os 30 anos da guerra, ela aumentou as pressões internacionais nas esferas diplomáticas.

Há poucas semanas, um referendo realizado nas Malvinas indicou que os “kelpers” (denominação dos ilhéus) indicaram de forma quase unânime que pretendem continuar sob a administração de Londres. Em Buenos Aires, o governo argentino indicou que a votação era “ilegal”. Cristina exige que Londres sente à mesa das negociações, embora sem a presença dos kelpers, ignorados pelo governo argentino.

Acompanhada de grande parte de seu gabinete de ministros, governadores, lideranças parlamentares, além de representantes de organizações de veteranos de guerra alinhados com o governo, Cristina acusou Londres de “militarizar” o Atlântico Sul. Segundo ela, a Argentina, ao contrário da Grã-Bretanha, pretende lançar em breve um “navio científico” que navegará na região.

Neste ano a cerimônia coincide com o recente pedido feito pela presidente argentina ao papa Francisco (o cardeal argentino Jorge Bergoglio) para que o Vaticano ajude Buenos Aires a intermediar nas negociações que Cristina pretende estabelecer com o governo britânico de David Cameron.

A presidente destacou que seu governo pretende investigar o DNA dos restos mortais de 123 soldados argentinos que morreram nos combates nas ilhas e que nunca puderam ser identificados. “São soldados argentinos somente conhecidos por Deus”, disse a presidente, em referência aos soldados argentinos enterrados pelos britânicos no cemitério de Port Darwin.

Cristina Kirchner também acusou a Grã-Bretanha de insistir na posse das Malvinas “para esconder os problemas econômicos” que o governo Cameron enfrenta.

FONTE: O Estado de S. Paulo

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Las Malvinas son Argentinas

vinheta-clipping-navalA Argentina voltou a levar nesta terça-feira às Nações Unidas sua histórica reivindicação pelas Malvinas, ato no qual contou com o respaldo “unânime” da América Latina para exigir que o Reino Unido negocie a soberania das ilhas.

O chanceler argentino, Héctor Timerman, se reuniu hoje com o secretário-geral da ONU para pedir novamente que exerça seus bons ofícios perante as autoridades britânicas, em um encontro no qual disse que Ban Ki-moon confirmou que o Reino Unido já rejeitou a mediação oferecida.

“É lamentável que, havendo 40 resoluções da ONU para que os dois países negociem um acordo pacífico e definitivo sobre a soberania das ilhas, o Reino Unido tenha rejeitado”, afirmou em entrevista coletiva o chefe da diplomacia argentina.

Ao término da reunião, e enquanto Timerman e seus colegas latino-americanos compareciam perante a imprensa, o escritório do porta-voz de Ban emitiu um breve comunicado no qual disse tomar nota do “forte respaldo regional” ao governo argentino e no qual reiterou seus bons ofícios “se as partes estão dispostas a aceitá-los”.

Timerman esteve acompanhado na sua visita à ONU pelo chanceler de Cuba, Bruno Rodríguez, que foi ao encontro com Ban Ki-moon em representação da Comunidade de Estados Latino-Americanos e do Caribe (Celac); de seu colega uruguaio, Luis Almagro, pelo Mercosul, e do vice-ministro das Relações Exteriores do Peru, José Beraún Aranibar, em nome da União de Nações Sul-Americanas (Unasul).

O representante do governo argentino voltou a repetir hoje que o referendo realizado nas ilhas em março “foi ilegal” e disse que “a ONU também não o reconhece” porque se trata de uma consulta organizada por uma potência colonizadora.

Por sua parte, o embaixador britânico na ONU, Mark Lyall Grant, lamentou que o ministro argentino e seus colegas da América Latina dediquem “tão pouco tempo” a falar sobre os moradores das ilhas e a “expressão legítima de seu direito à livre determinação e a escolher seu próprio destino”.

Perguntado por uma possível mediação do papa Francisco, Timerman lembrou que a presidente argentina, Cristina Kirchner, já se reuniu com o santo padre e lhe pediu sua intervenção.

“Quando o papa Francisco era o cardeal (argentino) Jorge Mario Bergoglio já disse que as Malvinas eram argentinas”, acrescentou o chanceler.

A Guerra das Malvinas começou em abril de 1982 com o desembarque de tropas argentinas no arquipélago e terminou em junho do mesmo ano com sua rendição perante as forças enviadas pelo Reino Unido, depois de um conflito no qual morreram 255 britânicos, três ilhéus e 649 argentinos.

FONTE: EFE, via UOL

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vinheta-clipping-navalO governador das ilhas Malvinas, Nigel Haywood, acusou a Argentina de “mentir” e de fabricar constantemente “invenções”, como a denúncia de que haveria submarinos nucleares britânicos no Atlântico Sul.

Em entrevista publicada neste domingo pelo tabloide The Sun, a apenas uma semana do referendo sobre o status político das Malvinas, Haywood declarou que o Reino Unido apoiará os moradores das ilhas enquanto quiseram continuar sob soberania britânica.

Os cerca de 3.000 habitantes (chamadas Falkland no Reino Unido) irão às urnas nos dias 10 e 11 de março para participar de uma consulta popular sobre sua atual condição de território britânico ultramarino.

O referendo foi convocado depois que, nos últimos meses, a Argentina aumentou suas reivindicações sobre esse território, cuja soberania reivindica desde 1833.

Em sua residência de Port Stanley (Puerto Argentino), Haywood declarou ao “Sun” que o governo da presidente da Argentina, Cristina Kirchner, “inventa coisas”.

“A Argentina inventa coisas como a de que (as Malvinas) são um território em disputa e que a ONU decretou que os moradores não têm direito de decidir. Quando? Nunca disseram isso!”, exclamou.

Também “dizer que o Reino Unido tem submarinos com armas nucleares no Atlântico Sul é uma invenção”, acrescentou o governador.

A Argentina não reconhece o referendo de soberania das Malvinas, enquanto o governo britânico espera que contribua para deixar claro à comunidade internacional que os malvinenses querem continuar sob soberania britânica.

As tensões entre Argentina e Reino Unido em torno das Malvinas impediram que, em fevereiro, houvesse um encontro entre os ministros das Relações Exteriores de ambos os países durante a visita a Londres do chanceler argentino, Héctor Timerman.

FONTE: EFE via Terra

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HMS Talent

As Malvinas estão entre os territórios mais militarizados do mundo, com mais de 1,5 mil soldados britânicos e uma população civil de 3 mil

 

vinheta-clipping-navalA Argentina acusou nesta segunda-feira o Reino Unido de transportar, em submarinos, armamento nuclear às Ilhas Malvinas e violar, assim, os tratados internacionais que estabelecem que esta zona deveria estar desnuclearizada.

“Nos encontramos em uma etapa precária de implementação do tratado de Tlatelolco, que proíbe completamente o armamento nuclear na América Latina e no Caribe. Esta precária implementação é desafiada pelo Reino Unido”, manifestou o secretário de Relações Exteriores da Argentina perante a Conferência de Desarmamento da ONU, Eduardo Zuain.

Além disso, Zuain responsabilizou o Reino Unido de uma injustificada e desproporcional presença militar no Atlântico Sul, “que inclui deslocamentos de submarinos com capacidade de levar armamento nucleares na zona desnuclearizada”.

O Tratado para a Proibição de Armas Nucleares na América Latina e no Caribe – conhecido como Tratado de Tlatelolco – é um acordo internacional que estabelece a desnuclearização do território da América Latina e do Caribe e que entrou em vigência em 25 de abril de 1969.

“A República Argentina está especialmente preocupada pela possibilidade, confirmada pela primeira vez pelo Governo britânico em 2003, que este estado estivesse introduzindo armamento nuclear no Atlântico Sul”, assinalou Zuain, que acrescentou que o governo argentino lamenta profundamente que o Reino Unido tenha ignorado as denúncias formuladas sobre esta situação.

Além disso, Zuain criticou o fato de que as Malvinas esteja entre os territórios mais militarizados do mundo, com mais de 1,5 mil soldados britânicos e uma população civil de 3 mil. “Tal desdobramento inclui a presença de um poderoso grupo naval, aviões de combate de última geração, um importante centro de comando e controle, e uma base de inteligência eletrônica que permite ‘monitorar’ o tráfego aéreo e naval da região”, acrescentou.

Zuain disse que a grande presença britânica em áreas disputadas do Atlântico Sul preocupa não somente a Argentina, “mas também os países da região e fora dela, como demonstram pronunciamentos da Cúpula Ibero-Americana, a União de Nações Americanas (Unasul), o Mercosul, o Grupo Rio e a Cúpula de Países da América do Sul e Países Árabes (ASPA)”.

Argentina pediu à Conferência de Desarmamento, que começou nesta segunda em Genebra uma nova sessão e que se prolongará até o próximo dia 1 de março, que supere a estagnação à qual está submetida há 15 anos para que possam avançar em diferentes temas, entre eles, o reivindicado por Buenos Aires.

FONTE: Terra/EFE

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Las Malvinas son Argentinas

Renata Giraldi

Brasília – Na sua viagem pelo Oriente Médio e a Ásia, a presidenta da Argentina, Cristina Kirchner, reiterou o pedido para que o Reino Unido dialogue sobre o controle das Ilhas Malvinas. Antes de deixar a Argentina, ela enviou carta às autoridades britânicas cobrando o diálogo e recebeu respostas negativas. Desde o século 19, argentinos e britânicos disputam a soberania das ilhas. A presidenta quer a interferência da comunidade internacional no assunto.

Em março, haverá um plebiscito nas Malvinas para que a população decida se deseja permanecer sob domínio britânico ou passar para o controle argentino. Na sua visita ao Oriente Médio e à Ásia, Cristina Kirchner defendeu a ampliação do Conselho de Segurança das Nações Unidas. A exemplo do Brasil, a Argentina quer ter assento permanente no órgão.

Segundo a presidenta, a presença da Argentina no Conselho das Nações Unidas reflete a atual “realidade global”. O órgão é formado por 15 países – dos quais cinco têm assentos permanentes e dez rotativos, que são substituídos a cada dois anos. A estrutura do conselho é do período pós-Segunda Guerra Mundial.

Cristina Kirchner apelou ainda para que a União Europeia e a Organização Mundial do Comércio (OMC) sigam “regras claras para todos”, adotando medidas de “transparência e igualdade”. O apelo refere-se às medidas de protecionismo adotadas por alguns países e aos permanentes embates sobre o tema.

FONTE: Agência Brasil

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A presidente argentina, Cristina Kirchner, publicou nesta quinta-feira uma carta aberta na imprensa britânica na qual solicita ao primeiro-ministro David Cameron a devolução das disputadas Ilhas Malvinas e acusa o Reino Unido de “colonialismo”.

O governo britânico, em resposta, enfatizou mais uma vez que os habitantes das ilhas “são britânicos por escolha”.
Na carta, publicada como anúncio publicitário nos jornais The Guardian e Independent, Kirchner afirma que a Argentina foi “despojada pela força” do arquipélago do Atlântico Sul situado a 14.000 km de Londres “há 180 anos em um exercício descarado de colonialismo do século XIX”.

“Desde então, a Grã-Bretanha, a potência colonial, se nega a devolver os territórios à República Argentina, impedindo deste modo o restabelecimento de sua integridade territorial”, escreveu no texto destinado ao primeiro-ministro conservador britânico, com cópia para o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon.

Kirchner recorda que a ONU decretou em 1960 a necessidade de “acabar com o colonialismo em todas as suas formas e manifestações”, além de destacar que a Assembleia Geral da organização aprovou em 1965 uma “resolução na qual considerava as ilhas como um caso de colonialismo e convidava Grã-Bretanha e Argentina a negociar uma solução para a disputa de soberania”, seguida por “muitas outras resoluções com este efeito”.

“Em nome do povo argentino, reitero nosso convite a que acatemos as resoluções das Nações Unidas”, concluiu.
O governo britânico, que sempre se negou a dialogar sobre as ilhas que controla desde 1833, alegando o direito de autodeterminação dos moradores, afirmou em sua resposta à carta da presidente argentina que os habitantes das Malvinas – Falklands para a Inglaterra – “são britânicos por escolha”.

Um porta-voz do chefe de Governo conservador reafirmou à imprensa que os moradores das ilhas denominadas oficialmente Falklands “têm um desejo claro de continuar sendo britânicos” e poderão demonstrar no referendo previsto para o início de março.

“O governo argentino deve respeitar seu direito à autodeterminação”, afirmou o porta-voz, destacando que Cameron “fará tudo para proteger os interesses” dos moradores da ilha.

“Continuam sendo livres para escolher o próprio futuro, político e econômico, e têm o direito à autodeterminação consagrado na Carta das Nações Unidas”, afirmou um porta-voz do Foreign Office (ministério das Relações Exteriores).

“Há três partes neste debate, não apenas duas, como pretende a Argentina. Os moradores da ilha não podem ser apenas apagados da história. Portanto, não podem existir negociações sobre a soberania das Falklands ao menos ou até que os habitantes assim desejarem”, completou.

As autoridades das ilhas, que têm atualmente o status de território britânico de ultramar, também rejeitaram as demandas de Kirchner.

“Não somos uma colônia. Nossa relação com o Reino Unido é por escolha”, declarou Barry Elsby, um dos oito membros da assembleia legislativa do arquipélago.

“Ao contrário do governo da Argentina, o Reino Unido respeita o direito de nosso povo a determinar nossos próprios assuntos, um direito consagrado na Carta da ONU e que é ignorado pela Argentina”, completou.
Os quase 3.000 habitantes das Malvinas, em sua maioria britânicos, votarão em um referendo nos dias 10 e 11 de março para decidir se desejam continuar como território ultramar britânico ou mudar de status.
A Argentina chama o referendo de ilegítimo por considerar os malvinenses uma “população implantada”.

O governo de Buenos Aires emite tradicionalmente uma mensagem de reivindicação de soberania sobre as Malvinas a cada 3 de janeiro, dia do aniversário do desembarque das tropas britânicas no arquipélago em 1833.
A disputa entre os dois países provocou uma guerra de 74 dias que terminou com 649 argentinos e 255 britânicos mortos em 1982. Desde então, a Argentina concentra as reinvidicações pela via diplomática.

O 30º aniversário do conflito, em 2012, foi marcado por uma escalada verbal entre Argentina e Grã-Bretanha, além de denúncias argentinas sobre uma “militarização” britânica da região e sobre a exploração de possíveis recursos petroleiros na região.

Em sua recente mensagem de Natal às ilhas, Cameron acusou a Argentina de negar aos malvinenses “o direito à democracia e à autodeterminação”, além de “tentar isolá-los, bloquear seu comércio e sufocar as indústrias pesqueira, de combustíveis e turística legítimas”.

FONTE: Terra/AFP

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O governo argentino condenou nesta quarta-feira “os exercícios militares que o Reino Unido realiza com lançamento de mísseis” nas Ilhas Malvinas, aos quais qualificou como uma “ameaça” à América Latina.

A chancelaria argentina rejeitou em comunicado estas práticas depois da divulgação hoje, nos jornais locais, de um aviso do Serviço de Hidrografia Naval da Argentina, emitido no último dia 12 de julho, que avisava sobre exercícios de lançamentos de mísseis previstos entre 16 e 27 de julho nas Malvinas, cuja soberania é reivindicada pelo país sul-americano.

Porta-vozes do Ministério da Defesa argentino disseram à Agência Efe que “não é a primeira vez” que se informa sobre este tipo de exercícios nas Malvinas.

“A Grã-Bretanha ameaça, mais uma vez, a Argentina e a América Latina ao programar exercícios de lançamento de mísseis no Atlântico Sul. A manobra põe em risco a segurança de todos os navios que se encontram na área”, advertiu a chancelaria na nota.

Estas “ilegítimas manobras” do Reino Unido “são contrárias” a resoluções das Nações Unidas, que instam ambos países a sentar-se para negociar a soberania das ilhas, sob domínio britânico desde 1833, indicou o governo de Cristina Kirchner.

As manobras “também são contrárias à vontade dos países da região, que rejeitaram ditos exercícios militares através de múltiplos pronunciamentos do Mercosul, da Unasul e do Grupo do Rio”, acrescentou.

A tensão entre Argentina e o Reino Unido pela soberania das Malvinas aumentou este ano, quando se completa o 30º aniversário da guerra entre ambos países pelo domínio das ilhas em 1982. A guerra terminou com a rendição argentina no dia 14 de junho de 1982 e deixou cerca de 900 mortos, a maioria deles argentinos.

FONTE:
EFE, via portal terra

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Em visita histórica ao Comitê de Descolonização, presidente argentina reivindica soberania sobre arquipélago ocupado pela Grã-Bretanha desde 1833

 

GUSTAVO CHACRA

Em histórica aparição no Comitê Especial de Descolonização da ONU em Nova York, a presidente da Argentina, Cristina Kirchner, pediu para a Grã-Bretanha negociar a soberania das Malvinas (Falkland, para o britânicos).

O pedido contrasta com o que querem os representantes das ilhas, que também discursaram ontem na ONU. Eles afirmam que ninguém, a não ser os próprios ilhéus, pode determinar o destino do território, que tem de relativa autonomia, que inclui o pagamento de impostos e gastos públicos. Londres não se manifestou, mas apoia a delegação de kelpers – como são chamados os habitantes das Malvinas.

“Queremos apenas que os britânicos se sentem para dialogar”, disse Cristina, que usou como exemplo o diálogo secreto, nos anos 70, durante a presidência de Juan Domingo Perón, que propôs um condomínio entre Londres e Buenos Áries para administrar as ilhas.

Cristina adotou um tom duro com os britânicos e questionou a soberania das Malvinas com frases de efeito. “Londres fica a 14 mil quilômetros das ilhas. Eu sou de Rio Gallegos, que fica a apenas 400 quilômetros. Consigo ver as aves que partem das Malvinas. Elas vão até o Equador, não até a Grã-Bretanha.”

Cristina também se queixou que as mães de militares argentinos mortos no conflito, encerrado há 30 anos, não podem recuperar os restos mortais deles nas ilhas. Para ela, foi “vergonhoso ver os britânicos hasteando a bandeira de Falkland em Londres”, no dia do fim da guerra, porque não se deve, segundo ela, comemorar mortes.

Mike Summers, representante das Malvinas, tentou entregar uma carta para a delegação argentina, mas o chanceler Héctor Timerman recusou-se a recebê-la.

Lennon. Ontem, em carta ao jornal londrino The Times, Cristina usou uma famosa frase do beatle John Lennon para pedir a retomada das negociações entre Londres e Buenos Aires. “Deem uma chance à paz”, escreveu ela. Na carta, a presidente afirmou que a presença britânica nas Malvinas é “um anacronismo colonial” e disse que os britânicos não têm direito sobre as ilhas, que estão a “apenas 700 quilômetros da costa argentina”.

FONTE: O Estado de S. Paulo / COLABOROU ARIEL PALACIOS

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MONTEVIDÉU – O governo do Uruguai denunciará para órgãos internacionais a presença ou trânsito por suas águas territoriais de um submarino militar nuclear inglês que partiu rumo ao Atlântico Sul, em um momento de tensas relações entre a Argentina e Grã-Bretanha pela soberania das Ilhas Malvinas.

“Se este submarino passa por nossas águas e conseguimos detectá-lo, não temos outra alternativa que não seja denunciar o fato”, disse o vice-ministro da Defesa Nacional, Jorge Menéndez, em entrevista ao jornal La Republica.

Os ministros da Defesa dos países da União das Nações Sul-Americanas (Unasul) declararam a zona do Atlântico Sul “livre de armas nucleares”, dias depois que a presidente da Argentina, Cristina Kirchner, rechaçou a presença de um navio de guerra nuclear da Marinha britânica.

Menéndez destacou que as embarcações “de natureza militar não são bem-vindos em nossas águas nem em nossos portos”, a não ser que estejam desenvolvendo “ações humanitárias ou científicas”.

O governo uruguaio considera as Malvinas, cuja soberania é reivindicada pela Argentina, “uma possessão colonial inglesa na América Latina”.

FONTE: Portal Ansa Latina

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Sala 1007 do número 446 da Avenida Presidente Vargas, Centro. Esse foi o endereço do serviço de Inteligência da Marinha argentina no Rio durante a Guerra das Malvinas. O núcleo foi montado pelo oficial Carlos Alberto Massera, que alugara o imóvel em setembro de 1980. A agência carioca do Serviço Nacional de Informações (SNI) o identificou como usuário de um passaporte brasileiro (n. 015180) e de um CPF , ainda válido na Receita Federal.

Ele é irmão do falecido almirante Emilio Massera, um dos autores do golpe de 1976 cujos resultados foram a ditadura e a derrota no campo de batalha das Malvinas para o Reino Unido. Chefe da Marinha, o almirante Massera integrou a Junta Militar presidida pelo general Jorge Videla. Destacou-se como um dos principais protagonistas de sete anos de repressão política, durante os quais um em cada seis argentinos esteve preso, e 30 mil são considerados mortos ou “desaparecidos”, segundo os dados oficiais.

Tornou-se figura emblemática do regime porque foi condenado em múltiplos processos, abrangendo quase toda a tipologia de crimes cometidos nesse período: torturas, assassinatos, sequestros de recém-nascidos – filhos de presos políticos -, e, também, roubo de propriedades dos prisioneiros. Seu irmão, Carlos, é réu em alguns dos casos – sobretudo, os de roubo e lavagem de dinheiro.

De Buenos Aires, o capitão Carlos Massera controlava o núcleo de informações no Rio. No papel, o escritório da Avenida Presidente Vargas era uma filial da Télam, agência de notícias do governo argentino que mantinha uma equipe na cidade, chefiada pelo jornalista Justo Guillermo Piernes. Na guerra, virou base para o trânsito de agentes e serviços de logística, como o despacho de cargas clandestinas de armas e munições.

Logo depois da invasão das ilhas, no 2 de abril de 1982, a Marinha argentina instalou nesse escritório do Rio um Comitê Argentino em Defesa das Ilhas Malvinas, sob o comando de Dimas Pettinerolli. Era uma operação de propaganda planejada e sua execução foi tão rápida quanto bem-sucedida, como relataram funcionários do SNI à agência central, em Brasília: nos 12 dias seguintes à invasão do arquipélago, o comitê cadastrou “cerca de 3.500 pessoas, das quais 1.000 são voluntárias para integrarem o esforço de guerra argentino, a partir de já”.

O governo se preocupou com notícias sobre o comitê instalado no Rio. Na quinta-feira, 15 de abril, apenas 24 horas depois da confirmação do SNI sobre o recrutamento de cidadãos brasileiros para uma guerra que não era do país, o Ministério da Justiça foi mobilizado. Ao amanhecer da segunda-feira seguinte (19) já estavam prontas 11 páginas de justificativas jurídicas para encerrar as atividades da agência Télam no Brasil, punir e expulsar Pettinerolli e todos os envolvidos. O núcleo da Marinha argentina no Rio logo foi desativado.

Em Brasília, a Armada era percebida como o núcleo mais radical da Junta Militar, presidida pelo general Leopoldo Galtieri. Numa análise do Conselho de Segurança Nacional, lembrava-se: “os mais recentes movimentos militares argentinos (1955, 1966 e 1976) foram de inspiração predominantemente naval”, embora os presidentes resultantes fossem, na maioria das vezes, oriundos do Exército, enquanto as tentativas de abertura política foram, de maneira geral, conduzidas pelo Exército (1958, 1973 e 1981).

Essa visão do equilíbrio de forças na Junta Militar condicionou a decisão do Itamaraty em relação aos pedidos reiterados dos Estados Unidos para que o governo João Figueiredo pressionasse a Argentina a abrir negociações com o Reino Unido, cuja frota chegara à zona de combate. Cogitou-se o envio do chefe do SNI, general Otavio Medeiros, para conversar com o general Galtieri, mas não há registros disponíveis sobre essa viagem. O presidente Ronald Reagan enviou a Brasília um ex-diretor da CIA, Frank Carlucci, para convencer Figueiredo. O governo ponderou sobre a necessidade de “harmonizar as atuações do Brasil e dos EUA”. Não havia clima, porque Washington já atuava abertamente como aliado militar do Reino Unido.

Quando Figueiredo foi a Washington, no 12 de maio, as tropas argentinas estavam totalmente cercadas pela frota britânica. Em Londres, a primeira-ministra Margareth Thatcher pressionava o presidente francês, François Mitterrand, a repassar os códigos secretos que poderiam anular as funções vitais dos poucos mísseis Exocet que a França vendera à Força Aérea argentina.

Na semana anterior, ela dera ordem para afundar o cruzador General Belgrano. O navio foi afundado por um submarino nuclear, com torpedo convencional – morreram 323 soldados, segundo a contabilidade oficial. No dia seguinte, um caça argentino de fabricação francesa lançou um Exocet e afundou o destróier Sheffield, a embarcação mais moderna da frota britânica. Thatcher recebeu os códigos depois de acenar com o bombardeio das tropas argentinas com mísseis nucleares, contou Mitterrand ao psicanalista Ali Magoudi, a quem visitou duas vezes por semana entre 1982 e 1984, e que registrou o depoimento em livro.

Esse clima de tensão permeou o encontro de Figueiredo com Reagan na Casa Branca. À tarde, o chanceler Guerreiro recebeu um telefonema do embaixador argentino Esteban Takacs: a Argentina confirmara – ele não explicou como – a informação de um “iminente ataque a algumas de nossas bases no continente”. O chanceler disse que Figueiredo falaria sobre isso com Reagan no jantar, “mas já antecipava que o Brasil tomaria uma posição muito firme diante dessa situação”, contou Takacs, nos autos do inquérito militar realizado depois do conflito.

Na mesma noite ele recebeu um telefonema da embaixada brasileira com a mensagem sobre o alerta de Figueiredo a Reagan: “Informaram que ele falou que um ataque a algumas bases argentinas no continente seria considerado pelo Brasil um ataque ao continente e isso não seria tolerado”. Nessa noite Figueiredo mandou um telegrama ao chanceler alemão Helmut Schmidt pedindo sua intervenção para impedir Thatcher de bombardear o continente argentino.

O Reino Unido moderou seus planos militares e derrotou a Argentina quatro semanas depois, no 14 de junho. A Junta Militar foi deposta numa tentativa prolongar a ditadura. Não deu certo. As bases da relação com o Brasil, no entanto, haviam mudado.

No fim de semana seguinte, em Brasília, o chanceler Guerreiro preparou uma “Apreciação” do novo cenário, enviada à Presidência na segunda-feira, 21 de junho. “Provavelmente”, escreveu, “haverá a possibilidade de uma cooperação mais íntima, sobretudo nos campos econômico e militar. No campo político, tudo indica que será preservado e expandido o patrimônio formado a partir de 1979, com a solução do contencioso da Bacia do Prata”. Estava aberto o caminho para um acordo nuclear e a construção do Mercado Comum do Sul (Mercosul).

FONTE: Agência o Globo, via Yahoo notícias

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A invasão militar das Malvinas levou o governo brasileiro a prever que a Argentina tentaria arrastar a América do Sul para “um conflito de grandes proporções, com consequências desastrosas, em todos os campos, para os países ocidentais” – mostram documentos do Conselho de Segurança Nacional e do Itamaraty.

Estava certo. O governo argentino realmente cogitou “internacionalizar a guerra”, confirmou o chanceler Nicanor Costa Méndez nos autos do inquérito militar realizado logo depois do conflito, mas só liberados há duas semanas. Foi um tema “considerado em várias oportunidades”, ele disse. Recuou diante do risco de um confronto envolvendo diretamente os Estados Unidos e a União Soviética: “Justamente por isso nunca, pelo menos por meu intermédio, a Argentina pediu ajuda à URSS ou a países de influência soviética, ou à China comunista” – completou Méndez.

Era crescente em Washington a preocupação com o nível de interferência de Moscou na crise. No dia 17 de abril, Londres informou à Casa Branca ter confirmado a disposição soviética em “oferecer navios, aviões e mísseis à Argentina, em troca de cereais”.

Dois dias depois, em Brasília, o Centro de Informações da Marinha (Cenimar) alertou para o deslocamento de “agentes soviéticos” do Peru para Buenos Aires e Montevidéu, para auxiliar a Marinha argentina “a levantar dados” sobre a frota britânica, que estava a caminho. “Os soviéticos”, informou o Cenimar, “solicitaram a (Muamar) Khadafi que a Líbia fornecesse à Argentina aviões e mísseis de procedência russa, para que a União Soviética não surgisse sozinha como responsável pelo fornecimento de armas”.

Acrescentou: “O embaixador cubano em Buenos Aires, cujo avião foi interceptado no espaço aéreo brasileiro, foi portador de uma mensagem de Fidel Castro aos argentinos em que, em nome do governo de Angola, oferece as bases aéreas angolanas como escala operacional para manter uma ponte aérea entre a Líbia e a Argentina”.

Khadafi, que Reagan chamava de “cachorro louco”, era um bom cliente de Moscou. Entre 1978 e 1982, acumulara US$ 12 bilhões em pedidos de armas russas para os seus arsenais cavados em torno de Trípoli.

Na tarde da quarta-feira 26 de maio, um cargueiro da Aerolíneas Argentinas desceu no aeroporto de Recife. Foi reabastecido e seguiu para Trípoli. Voltou 48 horas depois. Um dos tripulantes, o navegador, estava sob licença psiquiátrica – relata o jornalista Gonzalo Sánchez em livro recém-lançado sobre os pilotos civis na guerra.

O fluxo na ponte aérea de armas para Buenos Aires crescia. Chegou à média de dois voos diários com escalas em Recife. Outros cargueiros entraram na rota – e nem sempre eram civis. Alguns desfilaram pela pista pernambucana exibindo na fuselagem bandeiras de países “neutros”, como Libéria e África do Sul.

Em Washington, o embaixador brasileiro Antonio Azeredo da Silveira assistiu, na segunda-feira 31 de maio, ao anúncio do presidente Reagan sobre negociações com os russos para redução dos arsenais nucleares. Ex-chanceler do governo Ernesto Geisel, Azeredo aprendera a ler nas entrelinhas. Escreveu um telegrama curto, classificou como “secreto-urgentíssimo” e enviou ao Itamaraty: “Tudo faz crer que esse entendimento, entre os EUA e a URSS, anula, pelo menos no momento, a possibilidade de uma ajuda concreta da União Soviética à Argentina na crise do Atlântico Sul”.

Na mesma tarde, o embaixador russo em Buenos Aires, Serguei Striganov, conversou por 40 minutos com o general Galtieri. À saída da Casa Rosada, Striganov disse que o apoio soviético se limitaria às áreas “política e diplomática”.

Restavam poucos aliados, Brasil e Peru entre eles. O Peru se dispôs a atender sem limitações aos pedidos argentinos – principalmente, aqueles recusados pelo Brasil com a diplomática alegação de “não engajamento ostensivo”. Lima enviou uma dezena de caças Mirage, pela rota Bolívia-Brasil para evitar os radares do Chile, que se aliara à Inglaterra. Abriu aeroportos e contas para compras de armas.

O Peru também se envolveu em compras de mísseis no mercado paralelo. Numa delas, repassou US$ 9,6 milhões à Difensa Establishment, de Liechnstein, como adiantamento da compra de uma dúzia de Exocets – preço seis vezes acima da tabela.

Restaram US$ 2,4 milhões (20% do valor total) a serem pagos na entrega, mas os mísseis nunca chegaram. O dinheiro foi depositado numa conta (100-2-0039245) do adido da Marinha argentina no Banco Continental, em Lima. E desapareceu.

A capital das Malvinas já estava cercada, na manhã da quinta-feira 3 de junho, quando ouviu-se o alarme no Comando Aéreo do Rio: avião britânico invadira o espaço aéreo nacional e pedia autorização para pouso de emergência, por falta de combustível.

Caças Northrop F-5 foram enviados para escoltar o bombardeiro XM597 Vulcan, alcançado a 340 quilômetros ao sul de Copacabana. Regressava de um ataque nas Malvinas e uma pane hidráulica anulara suas chances de voar por cinco horas sobre o Atlântico até a base da Ilha de Ascensão. Carregava dois sofisticados mísseis norte-americanos AGM-45 Shrike, desenhados para destruir radares. Um foi despejado no mar, junto com os códigos de batalha. O outro ficara preso no porão.

Ao aterrissar, o Vulcan virou sinônimo de crise entre o Brasil e o Reino Unido. O governo Tatcher protestou, alegando que o Brasil apreendia o avião enquanto “facilitava a tarefa perturbadora de Khadafi” no tráfego de armas.

Em Brasília, o embaixador britânico William Harding e o embaixador norte-americano Anthony Motley estavam mais preocupados com o míssil do que com o avião. Era uma tecnologia nova e estratégica da Otan, projetada para competir com o sistema soviético ar-terra S-75. Harding e Motley insistiram em obter garantias de preservação do míssil em local “fechado” e “selado” – contou o chanceler em memorando ao presidente, que classificou como “secreto-exclusivo”.

O governo britânico ameaçava com “sérias consequências”. O chanceler considerou-a “desproporcional”, lembrando ao embaixador que a posição brasileira não era “estritamente de neutralidade”. Harding argumentou com “claras evidências” sobre a ponte aérea de armas para a Argentina. “Lembrei” – escreveu Guerreiro ao presidente Figueiredo – “que a vistoria no avião da Aerolíneas não constatara armas”.

O bombardeiro e o míssil foram devolvidos 72 horas antes de o general argentino Mario Menéndez se render ao comandante britânico Jeremy Moore, na tarde de 14 de junho, na capital das ilhas.

Acabava a Guerra das Malvinas. Começava o epílogo da ditadura militar na Argentina.

FONTE: Yahoo notícias

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Operação Uka-Uka (parte 2)

Puerto Argentino

Partimos de Espora em dois Hercules (eu estava viajando no que transportava o ITB) e chegamos a Comodoro Rivadavia onde planejamos o voo de travessia para as ilhas. Pela noite decolamos em direção ao arquipélago, voávamos baixo para não sermos detectados por um radar inimigo. A altitude era tão baixa que a água do mar respingava no para-brisa do avião, e ele não poderia inclinar-se lateralmente para não bater com a asa no mar, a menos que subisse (algo suicida, pois seria um alvo fácil).

A cada meia hora subíamos rapidamente para realizar uma varredura de radar para detectar alguma atividade inimiga, e voltávamos para o voo rasante. Enquanto isso, estávamos voando com os olhos colados no horizonte com o propósito de identificar alguma silhueta de um navio hostil. Acredito que os elogios recebidos pelos nossos companheiros pilotos da Força Aérea e da Marinha, relacionados com a sua coragem e seu profissionalismo, são mais do que merecedores para o grau de risco enfrentado, especialmente em aviões de transporte.

Após três horas de voo fomos informados de que o aeroporto estava sob ataque e deveríamos retornar. Somente na terceira tentativa conseguimos cruzar com os dois C-130. Foram momentos de tensão e sentíamos como se estivéssemos em “um caixão voador”.

Assim que chegamos às Malvinas, nós colocamos as duas carretas em um galpão em Puerto Argentino. No dia seguinte, o almirante Otero designou os tenentes Edgardo Rodriguez e Mario Abadal para colaborar comigo na operação do sistema. Juntou-se ao grupo o tenente Carlos Ríes Centeno da reserva, que produziu o filme “A Aventura do Homem”, que estava com uma equipe de filmagem nas ilhas. Expliquei para todos o funcionamento da ITB e como proceder para efetuar lançamento.

Logo depois se juntou a Ríes Centeno o Sargento Eduardo Sanchez (do Exército Argentino) que operaria o Radar RASIT, único radar portátil disponível que poderia fornecer informações sobre o alvo, embora fosse um radar de vigilância terrestre.

O RASIT dava as informações em milésimos e o sistema do Exocet operava em graus e quilômetros. Fizemos uma tabela de conversão para poder alimentar o dados no sistema. Além disso, deveria executar outros cálculos, que também foram tabelados. A ITB era tão precária que alguns dados eram introduzidos com o auxílio de potenciômetros para ajustar o valor de cada tensão medida com um “testador”.

Como já mencionado, o sistema era transportado em duas carretas, mais uma vagão para transportar os mísseis uma vez que não podíamos deslocá-los na carreta de lançamento que havíamos previsto. Graças a uma grua montava-se sobre as carretas de lançamento. Logo em seguida, alinhava-se o eixo da carreta de lançamento e com o eixo neutro do RASIT e iniciava-se o processo de conexão de todo o sistema, acionando-se o gerador e verificando se tudo estava em ordem.

Em função do peso do sistema só era possível mover-lo pela única estrada pavimentada entre Puerto Argentino e o aeroporto. Finalmente, para colocá-lo em posição de tiro, tivemos que executar esta operação durante a noite para não atrair a atenção das pessoas.

Ao anoitecer (cerca de 1800 horas) começou a manobra de montagem, e o lançador na bateria por volta das 2100. Em torno das 4 horas da manhã começou a manobra de desmontagem para guarda-lo em um galpão, de modo que com as primeiras luzes do dia não era possível avistar a instalação (pelo que se sabe, os ingleses nunca tiveram conhecimento da existência do sistema).

No dia 6 de junho, à 0100 hora, o RASIT detectou um navio. Entramos com as informações na ITB e efetuamos todo o processo para o lançamento, mas o míssil não “saiu”. Eu realmente tive uma grande decepção, mas decidi repetir o procedimento com o segundo míssil.

Naquela circunstância não pude determinar se o problema era uma falha da ITB ou do míssil. Devido à precariedade da instalação, para a realização de um novo lançamento seu deveria esperar uns vinte minutos, tempo este tomado pelo “descarregamento” dos capacitores dos circuitos da ITB e só assim alimentar o sistema com novas informações. Em função da excitação do momento, sem esperar o tempo necessário, fizemos o segundo lançamento.

Dei-me conta de que havia se passado cerca de meia hora entre o primeiro lançamento falhado e a segunda tentativa, mas, conforme Ríes Centeno me falou alguns dias mais tarde, foram de aproximadamente cinco minutos. A adrenalina em meu cérebro fez o relógio avançar a uma velocidade inusitada. O míssil saiu, nós o vimos desaparecer pela noite, só podíamos ver a chama do bocal. Aparentemente, havia se desviado para a direita e não pudemos saber onde caiu. O concreto foi que naquele momento havíamos efetuado o primeiro disparo de um míssil MM-38 a partir de terra mas, por razões que eu não poderia determinar naquele tempo, ele não tinha adquirido o alvo.

Foi uma grande frustração. Foi provado que era possível lançar o míssil, mas eu não poderia explicar por que o míssil não tinha seguido a trajetória prevista. Quando alguns dias depois Ríes Centeno me contou o tempo decorrido entre os dois lançamentos, aí eu entendi o que estava errado. Deve-se acrescentar, informalmente, que o lançamento do míssil nos arremessou, eu e os dois tenentes, a vários metros de onde estávamos. Um deles caiu sobre uma caixa que continha todas as minhas anotações, tabelas e notas e naquela escuridão tivemos que encontrar aquela documentação perdida que havia sido espalhada.

No dia seguinte fizemos um pedido a Puerto Belgrano para que enviassem mais mísseis e alguns dias depois, recebemos outros dois.

Durante esse tempo revisei completamente o sistema e detectei que não chegava a alimentação de 400 ciclos. Com a ajuda do Sr. Sanders (da equipe de Ríes Centeno) descobrimos que um dos diodos do regulador de tensão havia queimado. Aliás, este era o único componente inglês de todo o sistema! Eu comecei a procurar por um substituto e o encontrei no Batalhão Antiaéreo do Corpo de Fuzileiros Navais (BIAA), comandado pelo capitão de corveta IM Héctor Silva, que estava posicionado em Puerto Argentino. No conjunto de sobressalentes do sistema “Tiger Cat” havia exatamente o mesmo diodo que eu precisava! Foi realmente um milagre!

Trocamos o diodo em questão e a ITB voltou a funcionar e nas noites seguintes continuamos colocando o sistema em posição e retirando-o antes do amanhecer. Assim, os dias se passaram, mas agora eram os navios britânicos que não apareciam. Eles não tinham detectado a existência do nosso sistema, mas por razões desconhecidas eles atravessavam rotas que não estavam ao alcance do nosso sistema.

Essa tensa espera gerou um momento com toque de humor ao drama da situação e que mais tarde acabou “batizando” a operação.

O tenente Rodriguez contou que, quando era guarda-marinha, foi um cansativo exercício de campo de vários dias. Certa noite um dos guardas-marinhas teve uma idéia, em tom de brincadeira, de implorar pela chuva dançando em volta de uma árvore e imitando a o som “Uka, Uka”, como fazem os índios nos filmes de Western americano. Assim seria possível suspender temporariamente o exercício. Imediatamente os guardas-marinhas começaram a dançar de acordo com o ritual descrito. O fato, segundo Rodriguez, é que no dia seguinte começou a chover torrencialmente e eles tiveram que evacuar o campo inundado, com a consequente, a suspensão do exercício.

Primeiro eu ri, mas em última análise, até como forma de combater o frio, eu aceitei a ideia e por volta das onze da noite do dia 11 de junho e na escuridão total, os tenentes Rodriguez e Abadal e um capitão de fragata que era eu, sem que ninguém nos visse, demos uma volta ao redor da ITB dançando o “Uka Uka”. Voltamos a tomar os nossos lugares na ITB sem que ninguém tivesse notado e com a promessa dos dois tenentes de que não contariam o que tínhamos feito.

Umas três horas mais tarde (não acredito em bruxas, mas …), por volta das 2 horas da manhã do dia 12 de junho, um navio entrou na zona de fogo do nosso lançador e Ríes Centeno conseguiu captar o alvo com o RASIT, informando-nos que o tinha no limite do seu alcance.

Com toda a pressa prosseguimos com o procedimento de lançamento do míssil, acompanhando o brilho do bocal na escuridão da noite. Então vimos um breve flash, que então imaginei que fosse um míssil SeaCat lançado contra o Exocet, e em seguida uma explosão que iluminou todo o horizonte e se refletiu nas nuvens baixas. O míssil tinha impactado o cruzador leve Glamorgan (posteriormente reparado e modernizado, foi transferido à Marinha do Chile).

Todas das unidades de fuzileiros navais e do Exército que estavam em posições mais elevadas viram o lançamento (na verdade era a esteira do propulsor do míssil no escuro) e, simultaneamente, todos passaram a transmitir a novidade relatada, assim momentaneamente os canais de comunicação ficaram saturados. No dia seguinte, pela noite, os ingleses não apareceram em Puerto Argentino e não houve fogo de artilharia naval.

Quando na noite seguinte quisemos reinstalar o ITB, o guindaste que utilizávamos para colocar os mísseis quebrou e, portanto, não podíamos mais entrar em posição e nós estávamos no final da guerra.

Na manhã do dia 14 de junho recebemos um forte bombardeio naval. O 5 º Batalhão de Fuzileiros Navais comandado pelo meu parceiro, então capitão de fragata Hugo Robacio, tinha esgotado sua munição e isso acontecia com quase todas as outras unidades. Quando a queda tornou-se iminente, juntamente com o tenente Rodriguez preparamos umas granadas de mão para explodir a ITB, mas o almirante Edgardo Otero, após perguntar se os britânicos tinham o sistema Exocet e diante da minha resposta que sim ele ordenou: Não destrua a ITB e eles não vão aprender nada de novo sobre o Exocet, mas verão como é que acertamos um navio e assim conhecerão a capacidade da Marinha da Argentina. (na foto abaixo um militar britânico em frente à carreta após a queda de Puerto Argentino).

Depois da guerra

Após a guerra, e tal como previsto pela Marinha, eu dei duas entrevistas para jornalistas. Para comemorar o vigésimo aniversário da guerra, um canal de TV britânico obteve permissão para entrevistar e filmar algumas das pessoas que tiveram envolvimento no conflito. Depois deles, eu tive a oportunidade de entrar em contato através de E-mail com o oficial o inglês que estava de guarda no passadiço do Glamorgan quando o navio foi atingido, e trocamos cumprimentos.

Nós também descobrimos que, como é do conhecimento público, os britânicos venderam para a Marinha do Chile um sistema chamado Excalibur (que segundo fontes francesas os ingleses haviam instalado em Gibraltar), que nada mais era do que a nossa ITB, mas de forma melhorada e não improvisada.

A derrota não é um evento desejado e é difícil superar o sentimento de raiva e impotência que é suportado, especialmente quando se sofre da humilhação de se tornar prisioneiro de guerra. O êxito técnico que significou o lançamento efetivo poderia ser uma satisfação pessoal de todos os que participaram do projeto, desde a sua criação até a sua realização, mas eu tenho, particularmente, a seguinte pergunta: o que teria acontecido se, em vez de falhar, a primeira tentativa tivesse êxito?, teria havido um efeito favorável sobre a nossa posição no futuro das circunstâncias? Ninguém pode saber ou nunca vai saber.

É meu desejo que este artigo seja uma homenagem e agradecimento a todos aqueles que de diferentes maneiras colaboraram para esta inédita experiência e também um incentivo para novas turmas de oficiais da Marinha enfrente os desafios que se apresentam as novas circunstâncias.

Finalmente, não posso deixar de agradecer aos meus dois filhos, que naquele momento se ofereceram como voluntários para ir para as Ilhas Malvinas, e minha a esposa que, além de ignorar meu paradeiro por mais de um mês, suportou, como muitas outras mães, a angústia de pensar que poderia perder seus filhos para sempre.

FONTE:PEREZ, J. M. Operación Uka-Uka. Boletin del Centro Naval, nº82/, abril-junho de 2008

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Operação ‘Uka-Uka’ (parte 1)

Como uma bateria costeira improvisada quase afundou um contratorpedeiro britânico nas Malvinas

 

O texto a seguir foi extraído do Boletim do Centro Naval da Marinha Argentina. De autoria do contra-almirante (R) Julio M. Pérez, ele foi publicado em abril de 2008 e o Poder Naval traduziu e adaptou para os leitores de língua portuguesa.

Após minha formatura como guarda-marinha da ‘Promoción 85’, estudei Engenharia Eletrônica da Faculdade de Engenharia da Universidade de Buenos Aires. Posteriormente, em 1967 e 68, fui destacado para fazer pós-graduação em Orientação e Controle Mísseis na ‘Scuola d’Ingegneria Aerospaziale’ da Universidade de Roma (Itália). No início de 1969 fui novamente nomeado pela Marinha para trabalhar no Instituto de Investigação Científica e Técnica das Forças Armadas (CITEFA), no trabalho de desenvolvimento de mísseis, onde tive a oportunidade de fazer vários projetos.

Mais tarde, fui designado para o Edifício Liberdade (Alto Comando da Marinha), onde, integrando a Comissão de Estudos Especiais, dirigida na época pelo capitão da mar e guerra Juan Jiménez Baliani, foi desenvolvido em 1975, Dentre outros projetos, os estudos para a instalação dos mísseis MM-38 Exocet no contratorpedeiros da classe Fletcher que tínhamos naquele momento (na verdade o Alte Perez usou o termo ‘Fletcher’ para designar contratorpedeiros de classes diferentes, mas que compartilhavam grande semelhanças, como os Gearing e os Allen M. Sunmer).

Em 1976 eu estava lotado e Puerto Belgrano, a fim de finalizar, conforme os estudos anteriores, a instalação dos MM-38 Exocet nos ocntratorpedeiros Py, Bouchard e Seguí e, em seguida, no Piedrabuena, tarefa realizada com grande sucesso.

Em 1981, a Marinha designou-me para integrar uma comissão na França, onde supervisionei a recepção dos AM-39 para os aviões Super Etendard, como também um novo bancada de controle de teste de mísseis Exocet, muito mais avançada do que aquela instalada na Oficina Central de Mísseis de Puerto Belgrano, e que nos permitiu verificar a família inteira de Exocet (MM-38, AM-39 e MM-40) disponíveis na Marinha.

Preparações antes e durante o conflito do Atlântico Sul

Em fevereiro de 1982, época da recuperação das ilhas, instalamos a nova bancada de Controle na Oficina Central em Puerto Belgrano (retornei à Buenos Aires em meados de março). Apesar de ter muitos colegas exercendo funções de comando na Operação Rosário, somente em 2 de abril é que eu tive a informação do desembarque através das notícias de rádio.

No final de abril de 82, após uma falha ocorrida na bancada de mísseis da Oficina Central, eu viajei para Puerto Belgrano e conseguiu resolver o problema através dos esforços de uma excelente equipe de técnicos que ali trabalhavam. Naquela oportunidade atracou na base a corveta ARA Guerrico, comandada pelo meu amigo, o então capitão de fragata Carlos Luis Alfonso, com um dos contêiners de Exocet avariado durante os duros combates em Grytviken.

O contêiner havia recebido um impacto de um projétil que atravessou a cobertura externa e acertou a junção entre os dois propulsores do míssil. Outro projétil acertou a “mangueira”de cabos que enviavam informações obtidas pelo navio para o míssil, causando a entrada água do mar, com consequente perda o isolamento de cerca de 15 cabos condutores que ali estavam conectados. Felizmente, em menos de uma semana foi possível resolver o problema do Exocet e o sistema da corveta estava novamente em operação.

Paralelamente a Força Aérea Argentina havia recebido os mísseis R-550 Magic. Naquele momento nós não havíamos desembalado a bancada de provas dos Magic (do programa de aquisição dos Super Etendard) e, conforme contrato, seria feito com a participação de técnicos franceses na sua implementação. Dada a emergência, conseguimos coloca-lo em funcionamento com o apoio somente do pessoal da Oficina Técnica de Mísseis.

Em meados de maio, recebi uma ligação do vice-almirante Walter Allara, então comandante da esquadra, que me perguntou sobre a possibilidade de remover um dos sistemas Exocet de um dos navios de nossa esquadra para ser transportado para as Ilhas Malvinas e atuar como uma bateria costeira. A idéia era responder ao implacável fogo naval britânico que atacava as posições argentinas nas ilhas, que não tinha como responder com armas adequadas em terra (e especialmente pelos incessantes pedidos do contra-almirante Edgardo Otero, a mais alta autoridade naval as Malvinas, já “famoso” nos despachos enviados).

Minha resposta ao pedido era de que a tarefa levaria em torno de 45 dias e também imaginava que o sistema seria complicado de ser transportado. Para se ter uma idéia da magnitude da missão, a instalação do sistema no navio compreende aproximadamente sete racks (semelhante a armários metálicos) com uma altura de 1,8 metro cada, 50 cm de profundidade e 80 cm de largura aproximadamente, sem mencionar as mangueiras de cabos (15 a 30 cabos individuais).

O almirante Allara disse que não podia esperar tanto tempo, então eu respondi tentaria fazer algo mais rápido e em caráter emergencial, mas não poderia garantir que iria dar certo. Para este fim, o chefe da Arsenal Puerto Belgrano, o capitão de mar e guerra Julio Degrange, assumiu a coordenação dos trabalhos, sendo informado dos avanços do projeto.

Reuni-me no arsenal com os jovens técnicos Antonio Shugt e José Luis Torelli, já haviam trabalhado comigo na instalação da bancada de controle de mísseis e na instalações dos nossos antigos contratorpedeiros, e começamos a trabalhar em um sistema de provisório, que o chamamos por brincadeira de ITB, Instalação de Trio Berreta, em função da precaridade do sistema e, parafraseando o nome oficial do sistema de bordo, chamado ITS (Instalação de Tiro Standard).

Então nós criamos umas “caixas”, que na verdade eram computadores caseiros, com a qual começamos para medir as correntes e os sinais recebidos e transmitidos pelo míssil com o ITB.

Nós usamos um simulador do sistema de guiagem do míssil que é conhecido como “simulador de vetor” para verificar quais eram os sinais e como eles chegavam ao míssil. O simulador de vetor é uma cópia do contêiner do míssil, com uma janela de onde se faz observação de TV para comparar os sinais que recebe o míssil e o que realmente o míssil “verá”, de modo a verificar em última análise os sinais que ele receberá (também possui um sistema eletrônico onde se medem os parâmetros que o míssil recebe).

Estas medições eram feitas em um dos contratorpedeiros substituindo-se toda a instalação de bordo por três caixas e uma série de circuitos eletrônicos que foram sendo projetados. Nosso objetivo final era fazer com que o míssil acreditasse que estava recebendo a informação produzida para uma sistema de controle de fogo completo e não de alguns elementos precários e manuais.

Na operação, uma vez que o míssil está “armado” (realizando seu acionamento e orientando os giroscópios, etc.), o navio envia uma “palavra” (cadeia de dados) de 64 bits com conteúdo já pré-fixado, que não são os dados reais do lançamento do míssil. Em função da informação recebida pelo míssil, este ativa alguns circuitos e envia a palavra de volta para o navio, onde o sistema comprara o que foi enviado com o que foi recebido enviou. Ser for igual, o navio envia uma segunda “palavra”, que já contém alguns parâmetros reais de lançamento. Novamente, o míssil devolve os dados e compara o sistema. Se não há incompatibilidades, uma cadeia final de 64 bits é enviada, mas desta vez com todos os dados reais (distância do alvo, abertura  a janela de busca do sistema de guiagem do míssil, altitude de voo, etc.) e se o míssil retornar os dados com êxito, o disparo ocorre automaticamente.

O tempo requerido para a troca destas três cadeias de bits e suas comparações é de uma fracção de segundo.

Uma vez que a concepção de circuitos mais complexos que pudessem satisfazer as ações da instalação
Envolveria muito mais em tempo, tomei a decisão de que as “caixas” enviariam três vezes os dados reais (a terceira “palavra” é uma sequência normal de disparo).

Finalmente, após quinze dias de trabalho, simulamos todo o processo de lançamento e verificamos no “simulador de vetor” que o míssil recebia a informação desejada. Assim que conseguimos, começamos a procurar por um gerador que poderia entregar uma tensão trifásica de 400 ciclos e um de 60 ciclos. Nessa altura, eu estava certo de que poderia realizar lançamentos com a ITB, mas para garantir que o sistema funcionasse, realizamos cerca de 15 disparos “simulados” com “simulador de vetor” que, em teoria, funcionaram corretamente. Em teoria, nós resolvemos o problema e era possível lançar os mísseis MM-38 da nossa precária instalação.

Paralelamente, nas oficinas do Arsenal Puerto Belgrano, sob a direção o então capitão de fragata Benjamín Dávila, também meu companheiro, foram construídas na base de um par de carretas. Na primeira delas foi montado um suporte para dois contêineres de mísseis MM-38 Exocet (a rampa de lançamento) e no outro instalou-se o gerador elétrico e as “caixas” que formavam a ITB. Este era todo o sistema, que empregava um velho gerador da Siemens com tecnologia dos anos 30, usado pelos fuzileiros navais naquela época para os holofotes de busca de aeronaves (cada uma destas duas carretas pesava aproximadamente 5,000 kg).

Finalmente tudo estava pronto. Naquela época, o capitão da mar e guerra Degrange havia designado um oficial para ser enviado às Malvinas com a instalação, e eu lhe respondi que quem iria era eu porque eu era o único que conhecia o sistema em detalhes, além de ter desenhado os circuitos que faziam o funcionamento da ITB. Tudo foi coordenado e a carga foi transportada por um C-130 Hercules da Força Aérea Argentina.

 continua na parte 2

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‘Tínhamos ordem de não matar’

Como foi a retomada das Malvinas na visão de um militar argentino

 

Jacinto Batista é o símbolo da retomada das Ilhas Malvinas pelos argentinos em 2 de abril de 1982. Jacinto contou a sua história ao jornalista Guido Braslavsky, do periódico Clarín, em 1º de abril de 2002.

Vestia um gorro do lã. O rosto estava escurecido pela pintura de combate. A arma era carregada junto ao corpo com a mão direita e com o outro braço ele sinalizava para os prisioneiros ingleses manterem-se em fila e com as mãos para o alto.  Jacinto Eliseo Batista é o protagonista dessa foto acima que deu voltas pelo mundo, transformando-se em um símbolo da tomada de Puerto Argentino, naquele dia 2 de abril de 1982.

Vinte anos depois (a matéria foi produzida em março de 2002), próximo dos seus 52 anos e a menos de dois meses para ir para a reserva depois de 35 anos na Marinha, o suboficial Batista acende o seu quarto cigarro em uma úmida manhã de Punta Alta e afirma: “Não tenho nostalgia pelas Malvinas. Foi una etapa da minha vida e da minha carreira. Recebi uma ordem e cumpri. É para isso que o Estado me paga”.

Nem todos os integrantes do Agrupamento de Comandos Anfíbios que renderam os britânicos provavelmente se comportam do mesmo jeito que este homem nascido em  Colón, que diz não ter interesse em voltas às Malvinas como convidado ou turista. No entanto afirma que ” se o Estado me mandar recuperá-las outra vez, lá estarei”. Porque, como todos os soldado de elite, Batista é feito de madeira especial. Os comandos anfíbios são ao mesmo tempo mergulhadores, paraquedistas, comandos e especialistas em reconhecimento em terra e na água. Eles aprendem a suportar tudo. São soldados treinados para a guerra, exatamente o oposto de muitos jovens que não escolheram as Malvinas como um destino, ou viver uma guerra e morrer nela.

Talvez por este motivo Batista nunca teve medo. Nem no início quando embarcaram em Puerto Belgrano  a bordo da fragata “Santísima Trinidad”, com rumo desconhecido, mesmo com a suspeita de todos de que às Malvinas executar uma operação real.

“Assim que estávamos em alto mar, nos deram as orientações necessárias para a execução da missão. Desembarcamos no dia 1º de abril, pouco depois das 2100. Eu era o guia do bote e, a partir da linha de praia , o explorador.   Só tínhamos um equipamento de visão noturna e quem levava era eu, que seguia na frente uns 200m”.

“Tínhamos certeza que os ingleses não nos esperavam. Caminhamos toda a noite. Os objetivos eram o quartel dos Royal Marines e a casa do governador. Tínhamos ordem de não matar, porque possivelmente o plano era tomar as ilhas e negociar a retirada.

“Nos separamos em dois grupos. Eu fui ao quartel , mas não encontrei nada porque os fuzileiros estavam fora guardando os objetivos. Ali hasteamos a bandeira argentina pela primeira vez. O grupo que foi à casa do governador, por outro lado, encontrou resistência e foi possível ouvir disparos constantes. “Já era quase dia e a resistência persistia. O primeiro inglês que eu encontrei era um franco-atirador com um fuzil Mauser. Eu o desarmei. Quando nos reunirmos na casa, a situação estava quase dominada.

A única baixa nesta ação – o primeiro morto da guerra – foi o capitão Pedro Giachino. “Quando cheguei ele estava ferido. Havia entrado na casa e ao sair, foi atingido por um soldado que estava atrás de uma linha de árvores próxima.  Eu perguntei:” O que aconteceu com você, Pedro”‘, e tocou-lhe na cabeça. Ele estava consciente, mas muito pálido, tinha perdido muito sangue e estava morrendo.

Batista não se recorda em que momento desse dia frenético o fotógrafo Rafael Wollman tirou sua foto junto aos prisioneiros ingleses. Sabe no entanto que essa imagem é um retrato implacável do orgulho ferido do velho leão imperial. “No dia 14 de junho devem ter me procurado para tirar uma foto minha com os braços no alto”, imagina ele de forma sorridente.

Mas o cabo não estava em Puerto Argentino no dia da queda.”No próprio doa 2 de abril nós voltamos para o continente”. Batista nunca mais voltou às ilhas, mas isso quase aconteceu quando uma missão de infiltração foi planejada durante o desembarque britânico, mas o Hercules que os levaria sofreu uma pane na pista.

“Os britânicos não eram melhores que nós. Tinham sim mais meios e mais apoio. Dos americanos e dos chilenos. Mas se a Argentina tivesse tido a firme convicção de lutar … “, diz Batista, deixando a frase no meio, como uma pergunta.

FONTE: Clarín

TRADUÇÃO E ADAPTAÇÃO: Poder Naval

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Renata Giraldi

Brasília – O aniversário de 30 anos do começo da Guerra das Malvinas (ou Falklands, para os britânicos) será celebrado com uma série de cerimônias e discursos na Grã-Bretanha e na Argentina. No total, 255 soldados britânicos e 650 argentinos morreram no conflito, deflagrado por uma invasão argentina das Malvinas no dia 2 de abril de 1982. As celebrações ocorrem em um momento das novas tensões entre argentinos e britânicos.

Recentemente a Argentina voltou a manifestar seu direito às ilhas, mas a Grã-Bretanha se mantém determinada a garantir a soberania na região, no Atlântico Sul. A Grã-Bretanha controla as Malvinas desde 1833, mas a Argentina diz que o território pertencia à Espanha, devendo ser herdado pelo país sul-americano com a sua independência.

Veteranos britânicos de guerra e parentes dos mortos farão uma cerimônia especial no Memorial Nacional Arboretum, em Staffordshire, na Região Oeste da Inglaterra. Uma única vela será acesa como um gesto de memória aos mortos. O primeiro-ministro da Grã-Bretanha, David Cameron, disse que hoje (2) é um dia para lembrar argentinos e britânicos mortos no conflito

“Há 30 anos, o povo das Ilhas Falklands sofreu um ato de agressão que quis roubá-lo das suas liberdades e do seu modo de vida”, disse Cameron. “Hoje é um dia de comemoração e reflexão: um dia para lembrar todos aqueles que perderam suas vidas no conflito – os integrantes das nossas Forças Armadas, assim como os argentinos que morreram.”

Veteranos argentinos fizeram uma vigília durante a madrugada. Além disso, a presidenta da Argentina, Cristina Kirchner, visitará o Porto de Ushuaia hoje para uma cerimônia em homenagem aos soldados argentinos mortos no conflito. Ela vai acender uma “chama eterna” no local. Na madrugada passada, veteranos de guerra fizeram uma vigília.

A Argentina solicitou a abertura de negociações sobre a soberania das Ilhas Malvinas, mas o governo britânico diz que não há nada para se discutir, se não houver consentimento dos moradores.

A Grã-Bretanha acusa a Argentina de tentar impor um bloqueio à população local, depois de proibir embarcações com a bandeira de Falklands em seus portos. A medida também foi adotada pelos demais países do Mercosul.

A derrota das forças argentinas no conflito contribuiu para o fim do regime militar liderado pelo general Leopoldo Galtieri – preso, acusado de “incompetência” na guerra. A primeira-ministra britânica na época, Margaret Thatcher, não participará das celebrações, pois sofre com vários problemas de saúde.

FONTE: Agência Brasil

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Malvinas 30 anos – Mobilização da Armada Argentina

Após o desembarque de fuzileiros navais argentinos na ilha Georgia do Sul no dia 23 de março de 1982 para proteger os funcionários de Davidoff, a junta militar argentina mobilizou as Forças Armadas para a “Operação Rosário”. Para a retomada das ilhas Malvinas, a Marinha Argentina organizou a Força Tarefa Anfíbia 40 (FT 40). Esta organização naval dividia-se da seguinte maneira:

Grupo Tarefa 40.1 – Força de Desembarque

Grupo Tarefa 40.2. – Grupo de Transporte

  • ARA San Antonio (NDCC)
  • ARA Almirante Irízar (quebra-gelos)
  • ARA Isla de los Estado (apoio logístico)

Grupo Tarefa 40.3. – Grupo de Escolta

  • ARA Hércules (contratorpedeiro Tipo 42
  • ARA Santísima Trinidad (contratorpedeiro Tipo 42)
  • ARA Drummond (corveta A69)
  • ARA Granville (corveta A69)

Grupo Tarefa 40.4. – Grupo de Ações Especiais

  • ARA Santa Fe (submarino Guppy)

Além da FT 40, também foi formada a FT 20, cujo propósito era dar cobertura à Força Tarefa Anfíbia. A FT 20 estava organizada da seguinte maneira:

  • ARA 25 de Mayo (3 S2E Tracker, 3A-4Q Skyhawk, 3 Alouette e um SH-3D Sea King)

Grupo de Escolta

  • ARA Comodoro Py (contratorpedeiro)
  • ARA ipólito Bouchard (contratorpedeiro)
  • ARA Piedrabuena (contratorpedeiro)
  • ARA Punta Médanos (navio-tanque)

O Reino Unido não assistia os movimentos argentinos de braços cruzados. Além do envio para a Geórgia do Sul do HMS Endurance com 22 Reais Fuzileiros Navais a bordo, o Governo britânico tomou a decisão de enviar submarinos nucleares de ataque (SSN) para o Atlântico Sul. Esta decisão seria fundamental para as ações bélicas que se seguiram.

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