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A Petrobras divulgou nota nesta quinta-feira para reiterar a informação divulgada na noite de quarta que ocorreu um princípio de incêndio na plataforma P-35, na Bacia de Campos, imediatamente controlado pela própria equipe da plataforma.

O incidente foi causado por um pequeno vazamento na conexão de uma tubulação de vapores do sistema de desidratação de gás. O fato não causou qualquer dano pessoal ou material, nem interrupção das operações da plataforma.

A Companhia imediatamente comunicou o ocorrido à Marinha e adotou todos os procedimentos de segurança previstos nessas situações.

A Petrobras atua em atividades operacionais complexas, e por essa razão está sempre preparada para intervir imediatamente em incidentes como esse da P-35 através dos sistemas de proteção das plataformas e pelas equipes de emergência, treinadas para operar nestas situações.

A força de trabalho, própria e contratada, as empresas prestadoras de bens e serviços, as empresas classificadoras, a Marinha do Brasil e os demais órgãos reguladores trabalham tendo os aspectos de segurança, proteção as pessoas, ao meio ambiente e ao patrimônio como valores básicos em cada operação nas frentes operacionais.

FONTE: Correio do Brasil

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Ação, perigo e muita adrenalina. Foi nesse ritmo que os Mergulhadores de Combate (MEC) da Marinha se infiltraram na Plataforma de Petróleo P-43, da Petrobrás, na Bacia de Campos, litoral norte do Rio.

A missão era retomar o local, dominado por terroristas, e resgatar os reféns com vida.

Mesmo se tratando de uma simulação preparada especialmente para a Operação Atlântico II, a ousadia das ações do Grupo Especial de Retomada e Resgate (GERRMEC), impressionou pela veracidade e precisão das manobras.

A operação foi apoiada por duas aeronaves UH-14 Super Puma, que efetuaram a aproximação, cumprindo requisitos de apoio mútuo. Enquanto uma delas efetuava o lançamento dos militares, a outra permanecia em posição propícia para efetuar a cobertura e proteção, no momento crucial da ação, a descida por fast rope.

Por este método, o grupo especial desce por um cabo fixado na aeronave e se posiciona para efetuar o reconhecimento da área.

Após a descida, a aeronave se afasta e os MEC iniciam a busca pelos elementos hostis e seus reféns, até encontrá-los, dois conveses abaixo do heliponto da plataforma.

O Comandante do Grupamento de Mergulhadores de Combate (GRUMEC), Capitão-de-Fragata Carlos Eduardo Horta Arentz, descreve as atividades realizadas pelos mergulhadores: “Nós fazemos operações em ambientes de risco elevado, empregamos táticas e equipamentos não convencionais, além de utilizarmos vários tipos de armamentos”.  Segundo o Comandante, os militares também passam por muitas provações físicas e psicológicas, durante os adestramentos, a fim de exercitar o autocontrole e o domínio emocional.

Ele considera que os MEC utilizam seu entusiasmo, para, com patriotismo, manter elevada a chama da motivação, pela pátria e pela nação.

Mergulhador de Combate há 20 anos, o Primeiro-Sargento Heleno é o líder da equipe de assalto do GERRMEC.

Orgulhoso, ele revela como se tornou um MEC: “Para se transformar num mergulhador de combate é preciso ter muita determinação, companheirismo e paixão pelo que faz”, conclui.

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Banco libera R$2,6 bi para Transpetro e R$1,3 bi para estaleiro em PE

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) anunciou ontem a aprovação de um financiamento de R$3,9 bilhões para a indústria naval brasileira. A Transpetro (braço logístico da Petrobras) receberá R$2,6 bilhões para a compra de sete petroleiros já encomendados ao Estaleiro Atlântico Sul (EAS) – localizado em Pernambuco -, que obterá R$1,3 bilhão para financiar parte da produção dos sete navios-tanque.

De acordo com o banco, o financiamento aprovado para a Transpetro corresponderá a 90% do valor do investimento a partir da conclusão e entrega dos navios. Já o financiamento de R$1,3 bilhão para o EAS corresponde à parcela do estaleiro durante a construção dos sete petroleiros.

O financiamento – para quatro navios do tipo Suezmax e três Aframax – é o primeiro da segunda etapa do Programa de Modernização e Expansão da Frota (Promef II) da Transpetro, que prevê a construção de 26 navios. O BNDES também financiou a primeira parte do programa, que licitou 23 navios.

Ainda serão liberados R$9,2 bi de Fundo

Segundo projeções do BNDES, a construção das sete embarcações deverá gerar cerca de quatro mil empregos.

Os dois projetos serão realizados com recursos do Fundo da Marinha Mercante (FMM) e fazem parte do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Atualmente, o BNDES tem uma carteira de projetos de R$11,39 bilhões de financiamentos com recursos do FMM. Desse total, ainda restam ser liberados R$9,20 bilhões.

FONTE: Agência O Globo

vinheta-destaqueA Petrobras abre amanhã as inscrições para novo processo seletivo público. As inscrições estarão abertas até o dia 29 de janeiro de 2010 e poderão ser feitas através do site da Fundação Cesgranrio. O concurso é destinado ao preenchimento de 622 vagas para 56 cargos de nível médio e superior. Para nível médio, a taxa de inscrição é de R$ 27,00. Para nível superior, R$ 40,00.

Podem concorrer candidatos de nível técnico/médio para os cargos de inspetor de segurança interna júnior, técnico de administração e controle júnior, técnico de contabilidade júnior, técnico de estabilidade júnior, técnico de exploração de petróleo júnior (eletrônica, geodésia e geologia), técnico de informática júnior, técnico de inspeção de equipamentos e instalações júnior, técnico de logística de transporte júnior (controle e operação), técnico de manutenção júnior (elétrica, eletrônica, instrumentação e mecânica), técnico de operação júnior, técnico de projetos, construção e montagem júnior (edificações, elétrica, eletrônica, estruturas navais, instrumentação, máquinas navais e mecânica), técnico de segurança júnior, técnico de suprimento de bens e serviços júnior (administração, elétrica e mecânica), técnico de telecomunicações júnior e técnico químico de petróleo júnior.

Os candidatos de nível superior podem concorrer aos cargos de advogado júnior, analista ambiental júnior (biologia e oceanografia), analista de sistemas júnior (engenharia de software, infraestrutura e processos de negócio), auditor júnior, bibliotecário júnior, contador júnior, dentista júnior, enfermeiro do trabalho júnior, engenheiro civil júnior, engenheiro de equipamentos júnior (elétrica, eletrônica, inspeção, terminais e dutos), engenheiro de meio ambiente júnior, engenheiro de produção júnior, engenheiro de segurança júnior, engenheiro de telecomunicações júnior, engenheiro naval júnior, estatístico júnior, geólogo júnior, médico do trabalho júnior, nutricionista júnior, psicólogo júnior e químico de petróleo júnior.

As provas serão realizadas em 21 cidades do país. As datas das provas e das demais etapas do concurso podem ser consultadas no edital.

A remuneração mínima inicial varia de R$ 1.647,19 a R$ 5.685,07. Entre os benefícios, a Petrobras oferece previdência complementar (opcional), plano de saúde (médico, hospitalar, odontológico, psicológico e benefício farmácia) e benefícios educacionais para dependentes, entre outros
Os processos seletivos da Petrobras seguem a política de ingresso sistemático de novos empregados.

Até 2013, a empresa deve admitir cerca de 9 mil pessoas, com objetivo de atender às demandas do Plano de Negócios 2009-2013, que prevê investimentos de US$ 174,4 bilhões nesse período.

FONTE: Portos e Navios

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vinheta-clipping-navalA Petrobras assinou nesta terça-feira com três empresas de navegação brasileiras contratos de afretamento dos nove primeiros navios que serão de bandeira e tripulação brasileiras para cabotagem (transporte na costa brasileira). Com a garantia do afretamento pelo período de 15 anos, as empresas vão construir as embarcações com financiamento do Fundo de Marinha Mercante (FMM). Esses navios representam um investimento (pelas empresas de navegação) da ordem de R$ 270 milhões.

O diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, destacou que esses serão os primeiros de um total de 29 embarcações afretadas junto a empresas de navegação nacionais.

Atualmente, os 120 navios de cabotagem utilizados pela Petrobras são de bandeira estrangeira, afretados junto a companhias internacionais.

- O importante é permitir o surgimento ou fortalecimento de empresas nacionais de navegação. Queremos ter navios com bandeira e tripulação brasileiras fazendo a cabotagem – destacou Costa.

O diretor explicou que certamente o afretamento de navios no país vai reduzir os custos de afretamento da Petrobras no futuro, apesar de o frete ser negociado com base no mercado internacional. A entrega dos navios está prevista entre 2011 a 2014. Segundo o executivo, a Petrobras gasta por ano entre US$ 2 bilhões e US$ 2,5 bilhões no afretamento de navios tanto para cabotagem como com os petroleiros para transporte pelo mundo.

Serão três navios para transporte de bunker (combustível marítimo) que serão construídos pela Navegação São Miguel, e outros três também para transporte de bunker serão da Delina Comércio e Navegação. Outros três para transportar produtos claros serão construídos pela Global Transporte.

O diretor explicou que outros três estão em fase final de negociações com o grupo espanhol El Cano, que se instalou no Brasil e vai construir o navio no país, e terá bandeira e tripulação brasileiras. Os outros sete ainda estão em fase de negociação com as companhias em relação principalmente a preços.

FONTE: O Globo

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vinheta-clipping-navalO próximo ano será de grande trabalho no pré-sal da Bacia de Santos. A Petrobras planeja perfurar 13 poços na área, o que vai implicar um investimento caro, considerando que cada poço custa entre US$ 60 milhões e US$ 120 milhões, dependendo do tipo.

Trata-se de um número considerável também levando-se em conta que até agora foram perfurados 16 poços em todo o pré-sal desde 2006. A companhia já está produzindo 35 mil barris de petróleo no pré-sal brasileiro, sendo 20 mil barris por dia em Tupi, o gigante encontrado na Bacia de Santos, e 15 mil barris no campo Jubarte, que fica no “Parque das Baleias”, na Bacia do Espírito Santo.

Mas Santos é de longe a estrela do momento, ou pelo menos da próximas décadas. É ali que estão os blocos onde foram encontrados maiores volumes recuperáveis de petróleo até agora: Tupi e Iara (no BM-S-11), Parati (BM-S-10), Carioca (BM-S-9), Bem-Te-Vi (BM-S-8), Caramba (BM-S-21), Júpiter (BM-S-24) e Azulão (BM-S-22, esse último da Exxon).

Somente em alguns dos campos operados pela Petrobras, as estimativas são de reservas entre 10,6 bilhões e 16 bilhões de barris de petróleo. É mais do que todas as reservas atuais da companhia e mais do que tudo o que produziu (12 bilhões de barris) desde sua criação, em 1953. Somente o chamado polo de Tupi vai responder por 40% da produção total da Petrobras em 2020, quando o atual plano estratégico prevê que a estatal estará produzindo 3,92 milhões de barris por dia, dos quais 1,8 milhão no pré-sal. Até lá a Bacia de Santos terá reduzido a importância relativa da Bacia de Campos, que hoje é responsável por 80% da produção nacional de petróleo. Os investimentos para isso serão bilionários: US$ 18,4 bilhões até 2013 e US$ 111 bilhões até 2020. Os números de 2010 estão sendo ajustados e virão no plano estratégico até 2014, que ainda não tem data para ser divulgado. Atualmente a Petrobras implementa a chamada “fase zero” da produção de petróleo e gás do pré-sal de Santos. A produção está sendo feita através de um teste de longa duração (TLD) em Tupi com a plataforma Cidade de São Vicente e de um TLD em Jubarte com a plataforma P-34.

O diretor de exploração e produção da Petrobras, Guilherme Estrella, disse que a companhia vai tentar antecipar de dezembro para outubro a instalação de um projeto-piloto de produção na área, com uma plataforma que terá capacidade de produzir 100 mil barris de petróleo por dia. Quando o piloto for instalado, a plataforma que hoje faz o TLD será deslocada para outra área, explica o gerente de planejamento do pré-sal, Mauro Yuji Hayashi. Antes do fim do ano serão iniciados mais três testes de longa duração em Guará, Parati e, provavelmente, em uma área apelidada de Tupi Nordeste. Hayashi destaca que a localização dessas áreas ainda estão em fase de avaliação e poderão ser alteradas. A plataforma que será instalada em Guará, a Dynamic Producer, está sendo construída em Cingapura e deve começar a operar no primeiro semestre. Com um programa exploratório tão intenso, a movimentação de navios no pré-sal não poderia ser pequena.

Até 2011, a companhia vai receber 23 sondas de perfuração, que já foram contratadas, segundo Estrella. No próximo ano a Petrobras vai receber entre seis e sete sondas de perfuração e pode alugar mais equipamentos se o preço for adequado, diz Hayashi. São elas que vão perfurar até onze poços de avaliação exploratória e dois de desenvolvimento da produção no pré-sal em 2010. Yuji diz que o número final de poços dependerá da quantidade de sondas disponíveis. Estrella informou no início do mês que a Petrobras precisa furar mais seis poços em Tupi para completar a avaliação da área antes de entregar um plano de desenvolvimento da produção para declaração de comercialidade em dezembro, quando vence o prazo estipulado no contrato com a Agência Nacional do Petróleo (ANP). Outro evento importante será o lançamento de um gasoduto de 225 km de extensão ligando o piloto de Tupi à plataforma de Mexilhão e de lá para o continente, em Caraguatatuba (SP). Inicialmente o piloto de Tupi vai “exportar” 3 milhões de metros cúbicos de gás, sendo que o gás carbônico, ou dióxido de carbono (CO), será separado na plataforma antes de ser enviado. Uma parte do CO será reinjetado no campo para aumentar a produção de petróleo. O projeto da Petrobras para o gás e o CO encontrado nos campos do pré-sal é desafiador em termos de tecnologia. A Petrobras quer evitar a emissão de gás carbônico na atmosfera e Estrella garante que “nada será ventilado”.

Mauro Hayashi ressalta que a Petrobras estuda alternativas para aumentar a produção e evitar a emissão de CO na atmosfera. A primeira delas é a injeção de água no reservatório, que aumenta o fator de recuperação do petróleo – relação entre o óleo existente no reservatório e o que é possível extrair comercialmente – em 25%. A segunda é a injeção alternada de água e gás de hidrocarboneto (uma mistura de CO e gás) nos poços. Essa técnica permite um aumento do fator de recuperação do petróleo para 35%. A outra alternativa prevê a injeção alternada de água e CO (já separado do gás), que aumenta para 45% o fator de recuperação. A Petrobras vai utilizar a injeção alternada na fase 1A do desenvolvimento dos campos de Tupi, Guará e Tupi Nordeste, prevista para o período de 2010 a 2016. O uso de água e CO puro só será possível a partir de 2017, quando a produção no pólo do pré-sal de Santos estiver mais madura. Quando isso acontecer, o gás que for exportado para Mexilhão chegará lá com apenas 2% de CO, uma vez que o restante será separado e reinjetado no poço quase imediatamente depois de extraído.

Até 2016 a empresa planeja instalar no pré-sal de Santos onze sistemas de produção de petróleo. O primeiro deles é o piloto de Tupi. As plataformas de produção, armazenagem e escoamento (FPSO, na sigla em inglês) que virão depois dele terão maior capacidade de produção. A de Guará, prevista para 2013, poderá produzir 120 mil barris de petróleo, mesmo volume da unidade de Tupi Nordeste, prevista para entrar em 2014. A partir daí serão instaladas oito plataformas que a Petrobras chama de “replicantes” por serem fabricadas em série, cada uma com capacidade de produzir 150 mil barris por dia. Estão previstas quatro para 2015 e outras quatro para 2016. Juntas elas produzirão quase 1,6 milhão de barris de petróleo por dia. Todo esse petróleo, que corresponde a quase toda a atual produção da Petrobras, será escoado através de dois navios (ou terminais oceânicos) estacionados no oceano que serão construídos um para a primeira fase e outro para a segunda. Cada terminal consiste em um navio com duas monoboias com capacidade de armazenar 400 mil barris de petróleo.

FONTE: Valor Econômico/ Cláudia Schüffner, do Rio

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vinheta-clipping-navalA aprovação do marco regulatório do pré-sal é a prioridade do governo nas duas Casas do Congresso em 2010. Como em todo ano eleitoral, a previsão é que ocorra votações no máximo até junho. A partir daí, os parlamentares ficam nos Estados, cuidando de suas campanhas. E, após a eleição, o esforço será pela aprovação do orçamento da União para 2011. A batalha mais importante do governo, nesses meses reservados a votações, ocorrerá no Senado, onde a oposição é mais forte. Em fevereiro, começa a tramitar na Casa o projeto de lei que trata do sistema de partilha de produção, modelo de exploração da nova reserva petrolífera. A primeira comissão do Senado encarregada da análise dos projetos do pré-sal é a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), presidida por Demóstenes Torres (DEM-GO), um dos senadores mais atuantes da oposição. Ele pretende designar para relatar os projetos do novo marco regulatório somente integrantes de partidos que não são da base aliada do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

“Os quatro relatores serão da oposição para contrabalançar o que foi feito na Câmara dos Deputados, onde todos era governistas”, afirma Demóstenes. Ele já indicou Tasso Jereissati (PSDB-CE) relator do projeto que cria a empresa pública responsável pela gestão dos contratos de partilha, o primeiro aprovado pelos deputados. No Senado, cada projeto do pré-sal terá de passar por, pelo menos, três comissões, além da CCJ: a de Assuntos Econômicos (CAE), a de Infraestrutura e a do meio ambiente. Na Câmara, por questões regimentais, eles passaram apenas pela comissão especial.

O governo enviou os projetos com urgência constitucional, mas teve de retirar o pedido, por pressão dos partidos. O governo tem pressa na aprovação do marco regulatório do pré-sal. Uma das razões deve-se à expectativa de que os poços já concedidos comecem a produzir em 2010 e o projeto da partilha trata, também, da distribuição das receitas governamentais oriundas dessa exploração. O outro foco de preocupação do governo refere-se às futuras licitações. Se os projetos forem aprovados e sancionados até março, a Agência Nacional do Petróleo (ANP) calcula que, por razões técnicas, os editais só podem ser lançados no final do ano. O que significa que os leilões das novas áreas só poderiam ser realizados no início de 2011.

São quatro os projetos do pré-sal: o que cria a estatal, o que define as regras do novo modelo de exploração, o que autoriza a União a capitalizar a Petrobras e o que trata da constituição do Fundo Social (FS), por meio do qual a riqueza do pré-sal será usada para financiar programas de desenvolvimento social e regional. Em fevereiro, quando o Congresso retoma as atividades, o Senado começa a analisar o projeto da nova empresa pública e o do modelo da partilha. A Câmara, por sua vez, tenta aprovar o projeto da capitalização e o do Fundo Social, para depois enviá-los ao Senado. Se mudados pelos senadores, retornam à Câmara. “Como em qualquer ano eleitoral, temos praticamente três meses para votar – de março a maio. O que vamos discutir no Senado, basicamente, será a legislação do petróleo. Deixamos a pauta limpa em 2009″, diz o líder do governo na Casa, Romero Jucá (PMDB-RR).

Por causa da pressa do governo e da expectativa de dificuldades impostas pela oposição, Jucá pretende restabelecer a tramitação das propostas do pré-sal em regime de urgência constitucional, pelo qual a Casa tem 45 dias para votar cada uma. Após esse prazo, começa a trancar a pauta. A oposição não concordará, diz Demóstenes. “A urgência constitucional é intenção dele (Jucá). Mas ele precisa da nossa colaboração. E não vai ter. Se insistir, vai colocar governo contra oposição. Nós queremos o rito normal, com as discussões e audiências públicas necessárias. Sem boicote, mas sem açodamento.” Além desse tema, os senadores deverão votar basicamente as medidas provisórias a ser editadas por Lula. Ao menos duas já estão previstas – uma sobre a política de reajuste do salário mínimo e outra sobre o aumento das aposentadorias e pensões do INSS. Na Câmara, o líder do governo, Henrique Fontana (PT-RS), também prevê que a atenção estará voltada para a conclusão dos projetos do pré-sal e das MPs.

Segundo ele, o governo quer votar o projeto de decreto legislativo que aprova o texto de modificações ao Convênio Constitutivo do Fundo Monetário Internacional, que trata da reforma da expansão da capacidade de investimento e renda do FMI e da distribuição de quotas e do poder de voto dos países membros. O líder também acredita que a Câmara pode votar o projeto a ser enviado por Lula que torna hediondo os crimes de corrupção e endurece as penas para crimes correlatos como peculato, corrupção ativa e passiva. Cita, ainda, como passíveis de votação, a PEC da revitalização do Rio São Francisco e a que inclui o cerrado (e a caatinga) na relação dos biomas considerados Patrimônios Nacionais. Fontana acredita que outros temas possam ser votados, desde que não sejam polêmicos. “Em ano eleitoral, temos que procurar projetos de grande interesse nacional, que possibilitem acordo com a oposição. Não é ano de votar projetos acirrados, como a reforma tributária”, diz.

Também está praticamente descartada a possibilidade de ser votada a proposta de emenda constitucional (PEC) que reduz a jornada de trabalho semanal de 44 para 40 horas, reivindicação das centrais sindicais. O setor empresarial é contra e se dispôs a iniciar negociações com as centrais. O líder do PT, Cândido Vaccarezza (SP), acha possível que a Câmara vote a proposta que Lula pretende mandar ao Congresso para regulamentar de forma definitiva as políticas sociais do governo federal, a Consolidação das Leis Sociais (CLS). Outro projeto que precisa ser aprovado, segundo Vaccarezza, é o da reestruturação das Forças Armadas – fortalece o Ministério da Defesa e dá poder de polícia para a Aeronáutica e a Marinha. Embora seja curto, o período de votações deverá contar com a mobilização dos parlamentares. Em ano eleitoral, é importante a exposição que conseguem por meio das TVs Câmara e Senado, que transmitem debates e reuniões das duas Casas.

FONTE: Valor Econômico/Raquel Ulhôa, de Brasília

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vinheta-clipping-navalA Petrobras negou a existência de irregularidades na construção de 23 embarcações para transporte de petróleo executadas por um consórcio liderado pela empreiteira Camargo Corrêa. O contrato é um dos três em que o MPF (Ministério Público Federal) aponta indícios de superfaturamento, que teriam sido descobertos pela operação Castelo de Areia, da Polícia Federal. Nesta segunda-feira (1º/12), a Procuradoria denunciou novamente três diretores da construtora.

Em nota divulgada nesta terça-feira (1º/12), por meio da subsidiária Transpetro, a estatal afirma que ainda não foi notificada sobre a denúncia, mas assegura a lisura dos contratos. “É notório que os preços exigidos pela Transpetro são competitivos internacionalmente, com equivalência financeira proporcionada pelo Fundo de Marinha Mercante”, diz trecho do comunicado.

A Petrobras destaca que houve na verdade redução no valor dos navios e argumenta ainda que o programa de expansão de sua frota de cargueiros foi acompanhado e fiscalizado pelo TCU (Tribunal de Contas da União), e que todos os ajustes sugeridos pelo Tribunal foram implementados.

Leia a seguir a íntegra do comunicado:

Rio de Janeiro, 1º de dezembro de 2009

Nota de esclarecimento

Em relação à reportagem publicada hoje pela Folha de S. Paulo, a Transpetro esclarece que:

1. A companhia desconhece qualquer citação judicial ou ação do Ministério Público noticiada pelo jornal.

2. O Programa de Modernização e Expansão da Frota da Transpetro (PROMEF) é acompanhado e fiscalizado permanentemente pelo Tribunal de Contas da União. As correções e ajustes recomendados pelo TCU nos editais e contratos de construção dos navios foram prontamente implementados.

3. É notório que os preços exigidos pela Transpetro são competitivos internacionalmente, com equivalência financeira proporcionada pelo Fundo de Marinha Mercante. Um exemplo claro do esforço da Transpetro em reduzir os custos de seus navios foi abordado em reportagem do jornal Valor Econômico, que tratou da desistência da construtora Andrade Gutierrez em participar do projeto de construção de navios da Transpetro, mesmo depois de ter ganho a licitação em consórcio formado com as construtoras Queiroz Galvão, Camargo Corrêa e PJMR Empreendimentos.

4. Conforme entrevista do presidente da Andrade Gutierrez, Rogério Nora de Sá, ao jornal Valor de 31 de agosto de 2006 o grupo saiu do projeto do Estaleiro Atlântico Sul porque, depois da proposta entregue, ocorreram negociações com a Transpetro para a redução do preço. Disse o presidente da Andrade Gutierrez ao Valor: “as novas negociações foram para reduzir valores. Chegaram a um ponto que achamos que o risco (do investimento) era grande em relação aos recursos necessários, mesmo com financiamento, para colocar o projeto em pé. O risco era acima do adequado”.

5. Conforme a própria Folha destacou na sua edição do último domingo, dia 29 de novembro, graças às encomendas da Transpetro, a indústria naval brasileira passou a ter a sexta maior carteira do mundo, à frente dos Estados Unidos.

6. A Transpetro, ciente da sua responsabilidade com o crescimento do país, sempre preza pela lisura e transparência de seus processos. Como sempre, a companhia está à disposição da Justiça e do Ministério Público.

FONTE: Última Instância

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Acordo vem sendo costurado para impedir que estaleiro fique sem obras

vinheta-clipping-navalUm acordo está sendo alinhavado nos bastidores da indústria naval do Rio para evitar que o estaleiro Mauá, o mais antigo do País, fique sem encomendas a partir da suspensão de licitações da Petrobrás. O Mauá pode ser punido pela estatal por ter alguns de seus dirigentes apontados em negociações fraudulentas na Operação Águas Profundas, da Polícia Federal. Mesmo antes da conclusão da comissão interna que analisa o caso, a Petrobrás decidiu não convidar o estaleiro para a megalicitação de 28 sondas de perfuração no Brasil, em valor estimado pelo mercado em US$ 20 bilhões.

A questão mobiliza o governo do Estado, que vem pressionando para a manutenção de encomendas para o Mauá, que emprega 4 mil pessoas. Nas últimas semanas, o governador Sérgio Cabral vem se manifestando repetidamente sobre o assunto. Na quinta-feira, por exemplo, classificou como “covardia” o ato da Petrobrás. A estatal já teria até admitido impedir subcontratação do Mauá por empresas vencedoras em suas licitações.

A proposta, agora, é que o Estaleiro Ilha S/A (Eisa) dispute a construção de sondas e contrate o Mauá. As duas empresas pertencem ao mesmo grupo, Synergy, controlado pelo empresário German Efromovich. Segundo uma fonte, o Eisa assumiria todos os riscos envolvidos com a subcontratação do Mauá.

Não é a primeira vez que as relações entre Petrobrás e uma empresa de Efromovich ficam estremecidos. Três das plataformas cujas obras tiveram intermediação do empresário – a P-36, que afundou em 2001, na Bacia de Campos, a P-38 e a P-40 – foram entregues incompletas, com custos superiores ao previsto inicialmente. Além disso, as empresas entraram em conflito por conta de um contrato de construção de seis plataformas de perfuração.

As duas questões se tornaram bilionários processos judiciais, alguns deles correndo até hoje. Efromovich chegou a ser retirado da lista de fornecedores da estatal, voltando somente após parceria com o grupo Jurong, de Cingapura. Em um round mais recente da briga, o grupo Marítima, também do empresário, obteve liminar judicial contestando a forma de licitações da Petrobrás, que não segue a Lei 8666, forçando a estatal a alterar sua política de contratações.

FONTE: O Estado de São Paulo, via Sinopse Diária da MB

FOTO: Estaleiro Mauá

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Presidente da Petrobras prevê a abertura dessas vagas em oito anos para suprir toda a cadeia produtiva da exploração de petróleo

vinheta-clipping-navalA exploração de petróleo da camada pré-sal vai gerar mais de 240 mil empregos até 2016. A previsão é do presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, que participou ontem, em Brasília, de um debate sobre a proposta do novo marco regulatório do petróleo e os desafios tecnológicos para a exploração do petróleo em águas ultraprofundas. “Essas pessoas serão treinadas não para a Petrobras, mas para a cadeia de suprimentos que irá nos atender”, explicou Gabrielli. Segundo o executivo, o treinamento desses profissionais envolve instituições de ensino brasileiras com 29 redes temáticas e mais de 500 pesquisadores. A iniciativa da Petrobras de capacitar mão de obra para o pré-sal está alinhada ao pacote de incentivos que governo está preparando para a indústria nacional.

“Isso cria, fora da Petrobras, laboratórios de alto nível, capacitação de análise e interpretação e capacitação das áreas de ciência básica e aplicada, tendo um impacto não somente sobre a Petrobras, mas também sobre a engenharia brasileira, sobre o desenvolvimento dos projetos e a pesquisa em geral do nosso país”, definiu Gabrielli.

A previsão do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), encarregado de elaborar a política industrial para a cadeia produtiva do pré-sal, é de que dois terços dos equipamentos para extrair o pré-sal sejam produzidos no Brasil no período de três anos. Para isso, será necessário oferecer condições de financiamento e tributação semelhantes aos principais concorrentes do Brasil nessa área, em especial, a Coreia do Sul, líder na indústria naval. A estimativa é de investimento de US$ 80 bilhões em 10 anos. Fora isso, a Petrobras tem um plano de investimentos de US$ 174 bilhões para os próximos cinco anos.

Para que o pacote de incentivos tenha os resultados esperados, Alberto Machado, diretor executivo da área de petróleo e gás da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), defende que as isenções tributárias e condições de financiamento especiais sejam estendidas para todos os elos da cadeia produtiva. “As empresas brasileiras têm uma grande produtividade, mas, em alguns casos, acabam perdendo. Primeiro porque, quando tem uma concorrência em que participam empresas brasileiras e estrangeiras, as estrangeiras são exportadoras, e todo país quando exporta incentiva suas empresas com redução de impostos e taxas de juros às vezes até subsidiadas”, justifica.

Vantagens

Segundo Machado, além dos subsídios, as companhias internacionais têm ainda outra série de vantagens sobre as concorrentes nacionais exatamente porque as brasileiras operam no mercado interno. Segundo ele, mesmo quando há mais incentivos às empresas locais, eles não abrangem todo o setor produtivo no qual atua uma organização. “Esse setor não tem, em muitos casos, o incentivo permeando toda a cadeia. Às vezes, esse incentivo fica só no primeiro ou no segundo nível”, explica. E exemplifica: “O fundo de marinha mercante empresta para o armador, o armador compra no estaleiro, mas nem sempre os benefícios do empréstimo do Fundo de Marinha Mercante, que têm condições especiais e até compatíveis com as condições existentes no mundo, migram para a cadeia produtiva. Então, o fornecedor dos equipamentos, o fornecedor das partes e peças que vão para os equipamentos acabam não tendo competitividade para participar desse crescimento”.

Questiona-se, obedecidas essas condições, a indústria nacional tem condições de atender à demanda do pré-sal, Machado é assertivo. “Sem dúvida alguma. Não é nenhum problema para a indústria atender à demanda. É claro que nenhum país do mundo é autossuficiente. Nenhum país do mundo quer vender 100%, mas ter uma participação representativa, significativa dos montantes que a Petrobras e as outras empresas de petróleo vão adquirir é muito importante”, ressaltou. Em 2008, as vendas dos associados da Abimaq para o setor de petróleo e gás somaram cerca de R$ 9 bilhões, entre 10% e 15% de faturamento de R$ 72 bilhões do segmento. Machado estima que esse percentual pode, no mínimo, dobrar.

Tecnologia

Alguns setores já têm participação expressiva da indústria nacional, a exemplo da área de materiais submarinos (75%) e da fabricação de navios (65%). O executivo pondera que alguns equipamentos têm uma complexidade tecnológica restrita a poucos fornecedores e continuarão sendo importados. “Mas aquilo que puder ser feito no Brasil e tiver condições, vai ser feito. E o que o empresário precisa, de alguma forma, é ter uma noção de que forma esses investimentos vão ser distribuídos no tempo. Se tem uma possibilidade e uma probabilidade clara de o investimento existir, aí é risco do negócio investir ou não. E eu não tenho dúvida que o empresário vai investir.”
“Essas pessoas serão treinadas não para a Petrobras, mas para a cadeia de suprimentos que irá nos atender”
José Sergio Gabrielli, presidente da Petrobras

R$ 80 bilhões…

… é o valor necessário, segundo o BNDES, para desenvolver a cadeia produtiva do pré-sal em 10 anos.

FONTE
: Correio Braziliense – 26/09/2009

O presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, informou nesta sexta-feira que a diretoria da empresa aprovou a licitação de 28 sondas de perfuração para a exploração em águas profundas, como as da região do pré-sal, principalmente na bacia de Santos.

Em discurso no estaleiro Atlântico Sul, em Pernambuco, Gabrielli afirmou que as 28 sondas serão construídas no Brasil e a primeira delas será entregue 48 meses depois do contrato ser assinado.

“Serão grandes pacotes que vão viabilizar não somente oportunidades para estaleiros existentes como teremos ainda muitos estaleiros incialmente virtuais, que se transformarão em realidade como esse estaleiro Atlântico Sul se tranformou aqui”, afirmou o executivo.

Gabrielli participou nesta manhã -ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e outras autoridades- do batimento de quilha do primeiro navio do Programa de Modernização e Expansão da Frota (Promef), de um total de 49.

O batimento da quilha é uma cerimônia tradicional da indústria naval que simboliza o início da montagem do navio.

O petroleiro, do tipo Suezmax, possui capacidade para transportar um milhão de barris de óleo e será entregue à Transpetro em abril de 2010. Além deste, outros três navios do Promef serão incorporados no próximo ano à frota do braço de transporte da Petrobras.

Em suas duas etapas, o Promef prevê 26 navios na primeira fase e 23 na segunda. O consumo previsto de chapas grossas de aço para a fabricação dos navios será de 680 mil toneladas, sendo 440 mil na primeira fase e 240 mil na segunda.

FONTE: O Globo/Reuters

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Diante da mais importante descoberta de petróleo do mundo em anos, o governo brasileiro está buscando recuar de mais de uma década de cooperação estreita com as companhias de petróleo estrangeiras e controlar mais diretamente a extração.

A medida faz parte de um impulso nacionalista para aumentar os benefícios obtidos pelo país com seus recursos naturais e cimentar sua posição como potência global. Mas isso poderia retardar significativamente o desenvolvimento dos campos de petróleo, em um momento em que o mundo está à procura de novas fontes de energia, disseram analistas de energia e de risco.

Neste mês, o governo brasileiro disse que queria que a companhia nacional de petróleo, a Petrobras, controlasse todo o futuro desenvolvimento dos campos em águas profundas descobertos em 2007, que geólogos internacionais estimam poder conter dezenas de bilhões de barris de petróleo recuperáveis.

A mudança tornaria a Petrobras a operadora de 62% da nova área que ainda não foi licitada, restringindo as empresas estrangeiras ao papel de investidores financeiros. Isso limitaria a capacidade delas de ajudar a determinar o ritmo do desenvolvimento dos campos de petróleo, dando à Petrobras um maior poder para gerar empregos e conceder contratos lucrativos.

O petróleo se encontra sob cerca de 6 mil metros de água, areias em movimento e uma espessa camada de sal. Esta chamada região pré-sal, que se estende por centenas de quilômetros, é a maior reserva em desenvolvimento no mundo atualmente, especialmente dada a falta de acesso aos extensos depósitos do Iraque, disse Daniel Yergin, presidente da IHS Cambridge Energy Research Associates, uma consultoria de energia. Espera-se que também seja um dos mais complicados projetos na história da indústria petrolífera.

“O momento e escala do desenvolvimento do pré-sal serão alguns dos fatores mais significativos para o equilíbrio global do petróleo na próxima década, principalmente após 2020″, quando o Brasil deverá aumentar ainda mais a produção, disse Yergin. “Se isso não acontecer, será um grande revés para o Brasil em termos de receita e uma perda significativa para o mundo em termos de nova oferta de petróleo.”

Para o Brasil, as apostas são altas. Muitos aqui veem o petróleo como uma bala mágica para lidar com os maiores desafios sociais do país. Luiz Inácio Lula da Silva, o popular presidente do Brasil, quer mudar as leis de energia para canalizar mais receita dos campos ainda não desenvolvidos para os cofres do governo, criando fundos para melhorar a educação e saúde. Sua proposta será entregue ao Congresso em algum momento na próxima semana, disse um de seus assessores na segunda-feira.

Apesar de seu recente boom econômico, o Brasil ainda luta com a extrema pobreza, desigualdade e uma taxa de analfabetismo de mais de 10%.

Autoridades do governo daqui insistem que o Brasil não será tomado pelo mesmo tipo de fervor nacionalista que varreu a América Latina nos últimos anos. Como o México fez no final dos anos 30, Venezuela, Bolívia e Equador confiscaram os ativos de energia e expulsaram as companhias estrangeiras, apenas para ver sua produção de petróleo e gás natural estagnar ou diminuir.

O governo Lula não está propondo que os estrangeiros sejam excluídos dos projetos de energia, nem mesmo que não tenham a chance de conquistar participações majoritárias em alguns casos. As empresas estrangeiras já estão envolvidas na primeira leva de projetos do pré-sal, incluindo o campo gigante de Tupi, que a Petrobras estima conter entre 8 bilhões a 5 bilhões de barris de petróleo e gás natural.

Mesmo sem o próximo grupo de campos pré-sal, o Brasil pretende mais que dobrar sua produção de petróleo, para 5,7 milhões de barris por dia até 2020.

O Brasil fez grandes descobertas de petróleo tardiamente em seu desenvolvimento econômico, contando assim com uma economia diversificada, o que ajudará a evitar o “mal holandês” da dependência de um recurso natural, que tem afetado várias das potências mundiais de petróleo, disse José Sérgio Gabrielli, o presidente da Petrobras.

“A Petrobras é muito grande”, disse Gabrielli, “mas o Brasil é maior do que a Petrobras”.

Ele disse que o nacionalismo que está borbulhando no momento “não é um nacionalismo contra os estrangeiros”, mas sim um debate sobre a velocidade do desenvolvimento, quem ficará com maior parte do fluxo de receita e quem se beneficiará da tecnologia e conhecimento relacionados.

Ainda assim, Gabrielli reconheceu que os ventos nacionalistas estavam começando a soprar de novo.

Com a bandeira verde e amarela do Brasil aberta sobre o palco, membros do sindicato dos petroleiros assistiram a um novo documentário aqui no mês passado, “O Petróleo Tem Que Ser Nosso – Última Fronteira”. No filme, geólogos, líderes sindicais e até mesmo uma médica de 92 anos, Maria Augusta Tibiriçá, discutem como os novos campos poderiam gerar “trilhões de dólares” e transformar o futuro do Brasil.

Uma dúzia de sindicalistas encerrou a noite cantando o hino nacional e depois uma canção composta para o filme, misturando samba e bossa nova.

O novo fervor nacionalista lembra o dos anos 70 e 80, quando o governo militar do Brasil declarava que “a Amazônia é nossa” para rechaçar enclaves estrangeiros na floresta tropical.

E isso evoca as preocupações protecionistas iniciais que foram levantadas após um pouco de petróleo ter sido descoberto no Brasil em 1939. Poucos anos depois, um general declarou “o petróleo é nosso”, em meio aos temores de que as companhias de petróleo americanas encontrariam um meio de tomá-lo. Manifestantes realizaram protestos nos anos 50 em frente ao Prédio da Esso, no centro do Rio.

Foi em meio a esse clima populista que, em 1953, o presidente Getúlio Vargas fundou a Petrobras e lhe concedeu o monopólio do petróleo. Apenas em 1997 é que empresas estrangeiras foram autorizadas a participar na exploração e produção de petróleo.

Os planos de Lula para um maior controle dos novos campos enfrentará uma dura batalha no Congresso do Brasil, onde os líderes da oposição dizem que buscarão adiar o plano, para negar ao presidente uma vitória que poderia impulsionar politicamente Dilma Rousseff, sua ministra da Casa Civil e candidata escolhida para sucedê-lo na eleição do próximo ano.

Rousseff, que está encarregada da proposta do governo para o pré-sal, também é presidente do conselho administrativo da Petrobras. O governo conta com um controle de 55,7% da empresa; outros membros do conselho também são nomeações políticas.

O governo usará todo argumento ideológico, nacionalista e emocional para tentar aprovar isto antes da eleição do próximo ano, mas será muito difícil a aprovação”, disse Tasso Jereissati, um senador do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) que é um crítico da proposta do governo.

O Senado brasileiro já está lidando com uma ampla investigação das irregularidades e impropriedades da Petrobras, uma investigação lançada pela oposição.

Gabrielli, o presidente da Petrobras, argumenta que o governo tem bons motivos para querer limitar a participação estrangeira. Em 1997, os preços do petróleo eram muito menores e a economia do Brasil enfrentava dificuldades. Hoje, o Brasil conta com mais de US$ 220 bilhões em reservas de moeda estrangeira, os preços do petróleo estão mais altos e a Petrobras se tornou a quarta maior empresa das Américas.

“As condições financeiras são completamente diferentes”, disse Gabrielli. E o desenvolvimento dos novos campos, antes considerado arriscado, “agora é um bilhete de loteria premiado”.

Com as preocupações sobre se o Brasil tem condições de levantar os cerca de US$ 600 bilhões que precisará para desenvolver os novos campos ao longo dos próximos 20 anos, o governo está explorando a disposição das companhias de petróleo estrangeiras de apostar alto.

“Esta é a única grande descoberta de petróleo dos últimos anos; não há outra”, disse Rousseff neste mês, em uma entrevista para o jornal brasileiro “Valor Econômico”.

Mas a decisão de dar à Petrobras o controle operacional é míope, arriscada e poderá atrasar a capacidade do Brasil de usar o petróleo para ajudar a transformar o país, disse Christopher Garman, um analista do Eurasia Group, uma consultoria de risco político em Nova York.

“E se conseguirmos um grande avanço tecnológico em energia renovável e, daqui cinco a oito anos, o preço do petróleo não for o que é hoje?” disse German. “O Brasil vai maximizar os investimentos agora ou manter o petróleo no solo por mais tempo?”

Ausente no debate, disse Gabrielli, está a realidade da escassez do equipamento necessário para perfurar os novos campos. Os executivos da Petrobras estão tentando motivar fornecedores de várias partes do mundo a desenvolver o equipamento.

Até 2017, a Petrobras precisará de 40 plataformas de petróleo capazes de perfurar fundo o suficiente para atingir os novos campos – mais da metade do número total dessas plataformas existentes atualmente no mundo, disse Gabrielli. A empresa está exigindo que 28 delas sejam construídas no Brasil.

Gabrielli disse que a empresa está mantendo seus gastos em expansão internacional em US$ 16 bilhões, para que possa se concentrar no desenvolvimento dos campos em águas profundas domésticos.

“A questão não é acelerar ou não acelerar”, disse Gabrielli. “Nós estamos no limite da capacidade mundial do setor.”

FONTE: The New York Times /FOTO: Ricardo Stuckert/Presidência

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