Página 2 de 3123

Pré-sal: contratos ainda no 1º semestre

vinheta-clipping-navalOs primeiros navios que vão transportar o óleo do pré-sal brasileiro, na Bacia de Santos, devem começar a ser licitados até o final do primeiro semestre deste ano, informou na quinta-feira o presidente da Transpetro, Sérgio Machado. Ele acredita que até junho deva ser lançada a terceira etapa do Programa Nacional de Renovação da Frota (Promef), que deverá ser destinada a esta área.

“Ainda estamos estudando adaptações e o que precisa ser feito para transportar o óleo a uma distância maior da costa e ainda para nos voltarmos para a exportação”, comentou Machado, sem querer dar maiores detalhes sobre o assunto. Ele acredita que a maior parte das embarcações a serem encomendadas serão de VLCCs, hoje considerados os navios de maior porte para transporte de combustíveis.

A estratégia logística ainda está sendo traçada, mas a ideia é que a licitação envolva um pacote grande, com um número de embarcações superior a 20, como nas duas etapas anteriores. “Serão navios que vão fazer tanto a rota ligando a Bacia de Santos às novas refinarias do Nordeste, quanto levando estes produtos lá processados para o mercado exterior”, disse.

Machado destacou que 2010 será um ano de colher os frutos das duas etapas anteriores do Promef, já que seis navios serão lançados, dos quais quatro serão efetivamente entregues até o final do ano à companhia. Destes navios que passarão a compor a frota da estatal, três foram construídos pelo Estaleiro Atlântico Sul (EAS), em Pernambuco, e outro no Estaleiro Mauá, no Rio de Janeiro. “Hoje temos vários grupos interessados em instalar novos estaleiros no País. É uma atividade que foi fomentada e gerou resultados”, comentou.

FONTE: Jornal do Commercio

Tagged with:
 

vinheta-clipping-navalO próximo ano será de grande trabalho no pré-sal da Bacia de Santos. A Petrobras planeja perfurar 13 poços na área, o que vai implicar um investimento caro, considerando que cada poço custa entre US$ 60 milhões e US$ 120 milhões, dependendo do tipo.

Trata-se de um número considerável também levando-se em conta que até agora foram perfurados 16 poços em todo o pré-sal desde 2006. A companhia já está produzindo 35 mil barris de petróleo no pré-sal brasileiro, sendo 20 mil barris por dia em Tupi, o gigante encontrado na Bacia de Santos, e 15 mil barris no campo Jubarte, que fica no “Parque das Baleias”, na Bacia do Espírito Santo.

Mas Santos é de longe a estrela do momento, ou pelo menos da próximas décadas. É ali que estão os blocos onde foram encontrados maiores volumes recuperáveis de petróleo até agora: Tupi e Iara (no BM-S-11), Parati (BM-S-10), Carioca (BM-S-9), Bem-Te-Vi (BM-S-8), Caramba (BM-S-21), Júpiter (BM-S-24) e Azulão (BM-S-22, esse último da Exxon).

Somente em alguns dos campos operados pela Petrobras, as estimativas são de reservas entre 10,6 bilhões e 16 bilhões de barris de petróleo. É mais do que todas as reservas atuais da companhia e mais do que tudo o que produziu (12 bilhões de barris) desde sua criação, em 1953. Somente o chamado polo de Tupi vai responder por 40% da produção total da Petrobras em 2020, quando o atual plano estratégico prevê que a estatal estará produzindo 3,92 milhões de barris por dia, dos quais 1,8 milhão no pré-sal. Até lá a Bacia de Santos terá reduzido a importância relativa da Bacia de Campos, que hoje é responsável por 80% da produção nacional de petróleo. Os investimentos para isso serão bilionários: US$ 18,4 bilhões até 2013 e US$ 111 bilhões até 2020. Os números de 2010 estão sendo ajustados e virão no plano estratégico até 2014, que ainda não tem data para ser divulgado. Atualmente a Petrobras implementa a chamada “fase zero” da produção de petróleo e gás do pré-sal de Santos. A produção está sendo feita através de um teste de longa duração (TLD) em Tupi com a plataforma Cidade de São Vicente e de um TLD em Jubarte com a plataforma P-34.

O diretor de exploração e produção da Petrobras, Guilherme Estrella, disse que a companhia vai tentar antecipar de dezembro para outubro a instalação de um projeto-piloto de produção na área, com uma plataforma que terá capacidade de produzir 100 mil barris de petróleo por dia. Quando o piloto for instalado, a plataforma que hoje faz o TLD será deslocada para outra área, explica o gerente de planejamento do pré-sal, Mauro Yuji Hayashi. Antes do fim do ano serão iniciados mais três testes de longa duração em Guará, Parati e, provavelmente, em uma área apelidada de Tupi Nordeste. Hayashi destaca que a localização dessas áreas ainda estão em fase de avaliação e poderão ser alteradas. A plataforma que será instalada em Guará, a Dynamic Producer, está sendo construída em Cingapura e deve começar a operar no primeiro semestre. Com um programa exploratório tão intenso, a movimentação de navios no pré-sal não poderia ser pequena.

Até 2011, a companhia vai receber 23 sondas de perfuração, que já foram contratadas, segundo Estrella. No próximo ano a Petrobras vai receber entre seis e sete sondas de perfuração e pode alugar mais equipamentos se o preço for adequado, diz Hayashi. São elas que vão perfurar até onze poços de avaliação exploratória e dois de desenvolvimento da produção no pré-sal em 2010. Yuji diz que o número final de poços dependerá da quantidade de sondas disponíveis. Estrella informou no início do mês que a Petrobras precisa furar mais seis poços em Tupi para completar a avaliação da área antes de entregar um plano de desenvolvimento da produção para declaração de comercialidade em dezembro, quando vence o prazo estipulado no contrato com a Agência Nacional do Petróleo (ANP). Outro evento importante será o lançamento de um gasoduto de 225 km de extensão ligando o piloto de Tupi à plataforma de Mexilhão e de lá para o continente, em Caraguatatuba (SP). Inicialmente o piloto de Tupi vai “exportar” 3 milhões de metros cúbicos de gás, sendo que o gás carbônico, ou dióxido de carbono (CO), será separado na plataforma antes de ser enviado. Uma parte do CO será reinjetado no campo para aumentar a produção de petróleo. O projeto da Petrobras para o gás e o CO encontrado nos campos do pré-sal é desafiador em termos de tecnologia. A Petrobras quer evitar a emissão de gás carbônico na atmosfera e Estrella garante que “nada será ventilado”.

Mauro Hayashi ressalta que a Petrobras estuda alternativas para aumentar a produção e evitar a emissão de CO na atmosfera. A primeira delas é a injeção de água no reservatório, que aumenta o fator de recuperação do petróleo – relação entre o óleo existente no reservatório e o que é possível extrair comercialmente – em 25%. A segunda é a injeção alternada de água e gás de hidrocarboneto (uma mistura de CO e gás) nos poços. Essa técnica permite um aumento do fator de recuperação do petróleo para 35%. A outra alternativa prevê a injeção alternada de água e CO (já separado do gás), que aumenta para 45% o fator de recuperação. A Petrobras vai utilizar a injeção alternada na fase 1A do desenvolvimento dos campos de Tupi, Guará e Tupi Nordeste, prevista para o período de 2010 a 2016. O uso de água e CO puro só será possível a partir de 2017, quando a produção no pólo do pré-sal de Santos estiver mais madura. Quando isso acontecer, o gás que for exportado para Mexilhão chegará lá com apenas 2% de CO, uma vez que o restante será separado e reinjetado no poço quase imediatamente depois de extraído.

Até 2016 a empresa planeja instalar no pré-sal de Santos onze sistemas de produção de petróleo. O primeiro deles é o piloto de Tupi. As plataformas de produção, armazenagem e escoamento (FPSO, na sigla em inglês) que virão depois dele terão maior capacidade de produção. A de Guará, prevista para 2013, poderá produzir 120 mil barris de petróleo, mesmo volume da unidade de Tupi Nordeste, prevista para entrar em 2014. A partir daí serão instaladas oito plataformas que a Petrobras chama de “replicantes” por serem fabricadas em série, cada uma com capacidade de produzir 150 mil barris por dia. Estão previstas quatro para 2015 e outras quatro para 2016. Juntas elas produzirão quase 1,6 milhão de barris de petróleo por dia. Todo esse petróleo, que corresponde a quase toda a atual produção da Petrobras, será escoado através de dois navios (ou terminais oceânicos) estacionados no oceano que serão construídos um para a primeira fase e outro para a segunda. Cada terminal consiste em um navio com duas monoboias com capacidade de armazenar 400 mil barris de petróleo.

FONTE: Valor Econômico/ Cláudia Schüffner, do Rio

Tagged with:
 

vinheta-clipping-navalA aprovação do marco regulatório do pré-sal é a prioridade do governo nas duas Casas do Congresso em 2010. Como em todo ano eleitoral, a previsão é que ocorra votações no máximo até junho. A partir daí, os parlamentares ficam nos Estados, cuidando de suas campanhas. E, após a eleição, o esforço será pela aprovação do orçamento da União para 2011. A batalha mais importante do governo, nesses meses reservados a votações, ocorrerá no Senado, onde a oposição é mais forte. Em fevereiro, começa a tramitar na Casa o projeto de lei que trata do sistema de partilha de produção, modelo de exploração da nova reserva petrolífera. A primeira comissão do Senado encarregada da análise dos projetos do pré-sal é a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), presidida por Demóstenes Torres (DEM-GO), um dos senadores mais atuantes da oposição. Ele pretende designar para relatar os projetos do novo marco regulatório somente integrantes de partidos que não são da base aliada do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

“Os quatro relatores serão da oposição para contrabalançar o que foi feito na Câmara dos Deputados, onde todos era governistas”, afirma Demóstenes. Ele já indicou Tasso Jereissati (PSDB-CE) relator do projeto que cria a empresa pública responsável pela gestão dos contratos de partilha, o primeiro aprovado pelos deputados. No Senado, cada projeto do pré-sal terá de passar por, pelo menos, três comissões, além da CCJ: a de Assuntos Econômicos (CAE), a de Infraestrutura e a do meio ambiente. Na Câmara, por questões regimentais, eles passaram apenas pela comissão especial.

O governo enviou os projetos com urgência constitucional, mas teve de retirar o pedido, por pressão dos partidos. O governo tem pressa na aprovação do marco regulatório do pré-sal. Uma das razões deve-se à expectativa de que os poços já concedidos comecem a produzir em 2010 e o projeto da partilha trata, também, da distribuição das receitas governamentais oriundas dessa exploração. O outro foco de preocupação do governo refere-se às futuras licitações. Se os projetos forem aprovados e sancionados até março, a Agência Nacional do Petróleo (ANP) calcula que, por razões técnicas, os editais só podem ser lançados no final do ano. O que significa que os leilões das novas áreas só poderiam ser realizados no início de 2011.

São quatro os projetos do pré-sal: o que cria a estatal, o que define as regras do novo modelo de exploração, o que autoriza a União a capitalizar a Petrobras e o que trata da constituição do Fundo Social (FS), por meio do qual a riqueza do pré-sal será usada para financiar programas de desenvolvimento social e regional. Em fevereiro, quando o Congresso retoma as atividades, o Senado começa a analisar o projeto da nova empresa pública e o do modelo da partilha. A Câmara, por sua vez, tenta aprovar o projeto da capitalização e o do Fundo Social, para depois enviá-los ao Senado. Se mudados pelos senadores, retornam à Câmara. “Como em qualquer ano eleitoral, temos praticamente três meses para votar – de março a maio. O que vamos discutir no Senado, basicamente, será a legislação do petróleo. Deixamos a pauta limpa em 2009″, diz o líder do governo na Casa, Romero Jucá (PMDB-RR).

Por causa da pressa do governo e da expectativa de dificuldades impostas pela oposição, Jucá pretende restabelecer a tramitação das propostas do pré-sal em regime de urgência constitucional, pelo qual a Casa tem 45 dias para votar cada uma. Após esse prazo, começa a trancar a pauta. A oposição não concordará, diz Demóstenes. “A urgência constitucional é intenção dele (Jucá). Mas ele precisa da nossa colaboração. E não vai ter. Se insistir, vai colocar governo contra oposição. Nós queremos o rito normal, com as discussões e audiências públicas necessárias. Sem boicote, mas sem açodamento.” Além desse tema, os senadores deverão votar basicamente as medidas provisórias a ser editadas por Lula. Ao menos duas já estão previstas – uma sobre a política de reajuste do salário mínimo e outra sobre o aumento das aposentadorias e pensões do INSS. Na Câmara, o líder do governo, Henrique Fontana (PT-RS), também prevê que a atenção estará voltada para a conclusão dos projetos do pré-sal e das MPs.

Segundo ele, o governo quer votar o projeto de decreto legislativo que aprova o texto de modificações ao Convênio Constitutivo do Fundo Monetário Internacional, que trata da reforma da expansão da capacidade de investimento e renda do FMI e da distribuição de quotas e do poder de voto dos países membros. O líder também acredita que a Câmara pode votar o projeto a ser enviado por Lula que torna hediondo os crimes de corrupção e endurece as penas para crimes correlatos como peculato, corrupção ativa e passiva. Cita, ainda, como passíveis de votação, a PEC da revitalização do Rio São Francisco e a que inclui o cerrado (e a caatinga) na relação dos biomas considerados Patrimônios Nacionais. Fontana acredita que outros temas possam ser votados, desde que não sejam polêmicos. “Em ano eleitoral, temos que procurar projetos de grande interesse nacional, que possibilitem acordo com a oposição. Não é ano de votar projetos acirrados, como a reforma tributária”, diz.

Também está praticamente descartada a possibilidade de ser votada a proposta de emenda constitucional (PEC) que reduz a jornada de trabalho semanal de 44 para 40 horas, reivindicação das centrais sindicais. O setor empresarial é contra e se dispôs a iniciar negociações com as centrais. O líder do PT, Cândido Vaccarezza (SP), acha possível que a Câmara vote a proposta que Lula pretende mandar ao Congresso para regulamentar de forma definitiva as políticas sociais do governo federal, a Consolidação das Leis Sociais (CLS). Outro projeto que precisa ser aprovado, segundo Vaccarezza, é o da reestruturação das Forças Armadas – fortalece o Ministério da Defesa e dá poder de polícia para a Aeronáutica e a Marinha. Embora seja curto, o período de votações deverá contar com a mobilização dos parlamentares. Em ano eleitoral, é importante a exposição que conseguem por meio das TVs Câmara e Senado, que transmitem debates e reuniões das duas Casas.

FONTE: Valor Econômico/Raquel Ulhôa, de Brasília

Tagged with:
 

vinheta-clipping-navalPelo menos cinco estaleiros estão prestes a nascer por causa das bilionárias encomendas do setor de petróleo e gás, principalmente das áreas do pré-sal. Os novos empreendimentos e alguns estaleiros já existentes apresentaram onze projetos à Marinha Mercante, com o objetivo de obter financiamento que pode chegar a cerca de R$ 8 bilhões ao longo dos próximos anos.

O Sindicato Nacional da Indústria da Construção e Reparação Naval e Offshore (Sinaval) estima que o setor fechará este ano com 46 mil empregos, aumento da ordem de 10% em relação a 2008.

“O pré-sal vai dar um trabalho enorme para a indústria brasileira”, diz Sérgio Leal, secretário-executivo do Sinaval. Os investimentos de R$ 121 bilhões para explorar as reservas do país, entre as quais as localizadas nos blocos do pólo de Santos, preveem encomendas de sondas de perfuração, barcos de apoio e plataformas. O país possui hoje 28 estaleiros e serão necessários “30 e tantos para absorver tantas encomendas”, segundo Leal.

“O Brasil possui hoje a quinta maior carteira de petroleiros do mundo, sem contar o pré-sal”, acrescentou Leal, referindo-se a compra de 46 navios pela Transpetro, braço da Petrobras para a área de transportes.

Cerca de 60% de todo o investimento da indústria brasileira nos próximos três anos partirão do setor de petróleo e gás, de acordo com Alfredo Renault, superintendente da Organização Nacional da Indústria do Petróleo (Onip). O especialista alerta para a necessidade de investimentos maiores em pesquisa e desenvolvimento pelas empresas que fazem parte da cadeia produtiva. Renault também afirma que os fornecedores precisam de incentivos diferenciados como isenção de impostos para dar conta da demanda da Petrobras.

FONTE: Último Segundo – São Paulo,SP/Sabrina Lorenzi, iG Rio de Janeiro

vinheta-clipping-navalAs dificuldades que o governo está enfrentando para aprovação dos quatro projetos do marco regulatório do pré-sal na Câmara podem se multiplicar quando o tema for apreciado pelo Senado. Para senadores da base governista e da oposição, será preciso atenção redobrada e um ofensiva mais agressiva do Planalto. Só assim, dizem, será possível manter nos projetos o que a comissão interministerial que estudou as novas regras desejava e dentro do prazo: abril de 2010.

Com 81 parlamentares, três por Estado, o Senado será um campo fértil para polemizar. Ali, o governo não poderá fazer quatro comissões especiais, uma para cada projeto.

Todos terão de passar por quatro comissões (Constituição e Justiça, Meio Ambiente, Infraestrutura e Assuntos Econômicos), antes do plenário.

O lóbi pretende aumentar a pressão na casa. O mais evidente deles é o do Instituto Brasileiro do Petróleo (IBP), das empresas do setor, e que quer alterar impedir a instituição da Petrobras como operadora única do pré-sal, e o poder de veto da Petro-Sal, nova estatal do setor.

A posição do setor encontra eco no discurso de Delcídio Amaral (PT-MS): “Nem a Petrobras quer ter tanta atuação, nem faz sentido um ente que não aporta nada no negócio ter tanto.”

Para ele, o Senado forçará o governo a lançar mão da parcela de que dispõe dos royalties (ficou em 19% na Câmara, excluídos os 3% para a área ambiental) como munição para acertar interesses locais.

O Palácio do Planalto trabalha com o possíveis mudanças no texto. A estratégia é recuperar o texto original quanto a matéria voltar à Câmara.

“O que for mudado no Senado, nós vamos recuperar na Câmara”, avisa o relator da partilha na Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN).

Diferentemente da Câmara, a oposição vai estar unida no Senado para dificultar a aprovação do marco regulatório.

“Na Câmara, estamos com algumas divergências. Mas, no Senado, o PSDB terá uma posição única, pela manutenção do modelo de concessão”, disse o presidente do PSDB, Sérgio Guerra (PE).

“Vamos discutir com tranquilidade, aqui a correlação de forças é diferente, oposição e partidos são mais fortes”, disse José Agripino Maia (DEM-RN).

Para Ideli Salvati (PT-SC) só com a institução do regime de urgência constitucional, que impõe a tramitação em até 45 dias, o projeto poderá ser aprovado até abril, como quer o governo.

Para o líder do governo, Romero Jucá (PMDB-RR), a ideia é estabelecer, como na Câmara, uma data para encerrar a votação, sem a “camisa de força” da urgência constitucional. “Pode ser 45 ou 60 dias. Não podemos é deixar para as calendas gregas.”

FONTE: Portos e Navios

Tagged with:
 

Relatório do pré-sal passa em comissão

plataforma-petrobras 

Após Planalto abrir mão de parcela de royalties, deputados preparam mudanças no texto que cria o novo modelo de exploração

Fernanda Odilla

vinheta-clipping-navalAcordo entre oposição e base adia para a próxima semana a votação no plenário da Câmara dos quatro projetos do pré-sal. Os deputados federais já se preparam para alterar o relatório do novo modelo de exploração do pré-sal. O texto foi aprovado ontem em comissão especial da Câmara dos Deputados, depois que o Planalto abriu mão de parcela dos recursos da União para aumentar o repasse de royalties aos Estados produtores de petróleo. Os royalties serão cobrados como compensação pelos impactos causados pela exploração do óleo.

Acordo entre a base de apoio ao governo e a oposição adiou para a próxima semana o início da votação dos quatro projetos do pré-sal: criação do Fundo Social; criação da Petro-Sal, que irá gerir os recursos da União no setor; capitalização da Petrobras; definição do modelo de partilha de produção, que também trata dos royalties.

Os deputados combinaram aprovar ontem no plenário apenas o regime de urgência urgentíssima, para evitar que sugestões de alteração voltem às comissões especiais. Dessa forma, qualquer mudança precisa ser analisada no plenário, acelerando as votações.

Bancadas regionais e partidos já se articulam para alterar a nova partilha dos royalties do pré-sal, definida em reunião anteontem entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e os governadores peemedebistas Sérgio Cabral, do Rio de Janeiro, e Paulo Hartung, do Espírito Santo.

Pelo acordo, a parcela da União foi reduzida de 30% para 22% ao final da reunião, Cabral e o ministro Alexandre Padilha (Relações Institucionais) haviam informado que a fatia da União cairia de 25% para 18%. Já os Estados produtores passarão de 18% para 25%.

Destino para os recursos

Além de alterar a divisão dos royalties, em especial para aumentar a parcela dos municípios produtores e garantir participação nas áreas já licitadas para os Estados nordestinos, os deputados querem carimbar os recursos do pré-sal.

Simão Sessim (PP-RJ) vai sugerir que o dinheiro dos royalties seja aplicado exclusivamente em saúde, educação, cultura, ciência e tecnologia e ambiente. Até o PT vai tentar mudar o texto aprovado com o aval do governo. A União ficou com 19% dos royalties para o Comando da Marinha e o Ministério de Ciência e Tecnologia, mas não especificou o montante de cada um. O deputado André Vargas (PT-PR) propõe que a Marinha fique com 6%, e o Ministério de Ciência e Tecnologia, com o restante.

O Instituto Brasileiro de Petróleo vai tentar apoio para alterar o item que prevê a Petrobras como operadora única do pré-sal e reduzir a alíquota máxima dos royalties, que aumentou de 10% para 15%. “Não poderia ter a presunção de que nosso relatório aprovado por 18 deputados não será debatido por todos os 513 no plenário. A essência foi aprovada, mas cada um tem direito a defender sua própria ideia”, afirmou o relator Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN). Ele admite até alterar o próprio texto até a próxima semana, melhorando a redação do que chamou de “área estratégica”.

Segundo o relatório dele, está submetido ao modelo de partilha toda área que o Executivo avaliar ter baixo risco exploratório e elevado potencial de produção de petróleo, gás e hidrocarbonetos. Deputados da base e da oposição tentarão suprimir esse conceito do texto. “Vai ser uma guerra”, diz o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), prevendo disputa em praticamente todos os itens do relatório da partilha e na essência dos outros três projetos.

FONTE: Folha de São Paulo

Tagged with:
 

P 47 próximo plataforma - foto Padilha - Alide

Relator destina para o Fundo Social 100% da verba de participação especial e ‘royalties’ pertencente à União dos campos já licitados Texto inicial de Palocci previa que parte dos recursos iria para pasta da Ciência e Tecnologia e para o Comando da Marinha

FERNANDA ODILLA
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

vinheta-clipping-navalPara garantir recursos imediatos de áreas do pré-sal para serem aplicados em ações sociais e de desenvolvimento regional, uma comissão especial da Câmara dos Deputados aprovou ontem relatório que destina 100% dos recursos de participação especial e royalties à União dos campos já licitados para o Fundo Social proposto pelo governo.

O relator do projeto, deputado Antonio Palocci Filho (PT-SP), alterou o próprio texto, que inicialmente destinava apenas uma parte desses recursos ao Fundo Social.

Pelo texto, o Comando da Marinha e o Ministério da Ciência e Tecnologia não terão mais direito aos recursos de campos como Tupi, Iara, Carioca, Júpiter e Guará.

Das áreas já licitadas do pré-sal, só o teste de longa duração na área de Tupi resultou em pagamento de royalties, que começaram a ser distribuídos em junho. Contudo a ANP (Agência Nacional do Petróleo) informou não ser possível precisar o valor exato já repassado.

O próprio relator já espera reação das pastas que deixarão de ganhar esses recursos. “Vamos receber reclamações dos setores que recebem esses recursos. Mas não estamos ferindo em nada os ministérios [Marinha e Ciência e Tecnologia] e não mexi nenhum centavo dos Estados e municípios”, disse o ex-ministro da Fazenda. Palocci afirma que “há recursos de sobra para esses ministérios”.

Palocci também decidiu deixar para o Executivo definir, via projeto de lei, se usará apenas os rendimentos do fundo ou seu patrimônio nos investimentos sociais. A prioridade continua a sendo aplicar os recursos em saúde, educação, ciência e tecnologia, ambiente, cultura e combate à pobreza.

Petro-Sal

Ontem, também foi aprovado o projeto que cria a estatal para gerenciar os recursos do pré-sal, com o nome provisório de Petro-Sal. Foram feitas poucas alterações no projeto pelos deputados, que fixaram mandatos de quatro anos para os membros do Conselho de Administração da estatal e instituiu quarentena de quatro meses para pessoas que deixarem o conselho.

A pedido do líder do PR, Sandro Mabel (GO), foi adiado o início da discussão do projeto de capitalização da Petrobras. O pedido foi interpretado por governistas como um sinal de que parte da base aliada está disposta a colaborar com os prazos do governo apenas se emendas parlamentares ao Orçamento, hoje contingenciadas, forem liberadas.

Aprovados ou não pelas comissões, os projetos começam a ser debatidos e votados no plenário da Câmara na próxima terça, antes de seguirem para o Senado. Ontem, o presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), disse que deve dar prioridade aos projetos já apreciados pelas comissões especiais, para dar tempo de solucionar eventuais pendências nas matérias mais polêmicas.

Os líderes governistas querem esperar o presidente Lula, que está no exterior, para definirem os valores da partilha dos royalties do pré-sal. União e Estados e municípios produtores de petróleo disputam parcela maior dos recursos.

Prevista para a noite de hoje, a discussão do principal projeto do pré-sal pode ser adiada para a próxima semana. “Se a União achar que pode abrir mão de recursos, não faria oposição, mas, até lá, meu relatório é “imexível”", disse o relator do projeto que muda o modelo de exploração, Henrique Eduardo Alves (RN), líder do PMDB da Câmara. Ele se encontra no final de semana com o governador Sérgio Cabral (RJ), defensor do aumento dos repasses de royalties para Estados produtores.

FONTE: Folha de São Paulo / Via NOTIMP

FOTO: Luiz Padilha, da Alide (via NGB)

Tagged with:
 

Com a bênção do pré-sal

Projeto do governo cria 21.507 cargos para a Marinha

Daniela Lima

Os militares têm se movimentado para garantir a aprovação do aumento dos cargos ainda este ano. A pressão fez com que o deputado Arnaldo Madeira (PSDB-SP) solicitasse um parecer técnico à Consultoria de Orçamento e Finanças da Câmara sobre a viabilidade da proposta. A nota evidenciou falha que se tornou comum nos projetos que têm essa finalidade: a falta de previsão orçamentária. “Já estão gastando por conta do pré-sal, como se houvesse a garantia de que ele representará uma imensa fortuna para o país”, comentou Madeira, sobre o projeto.

A Constituição diz que o aumento de cargos ou salários só poderá ocorrer quando contar com destinação prévia de recursos. O Orçamento da União para 2010 não está fechado. O projeto de lei que vai estipular os gastos para o ano que vem ainda está em tramitação – nem sequer o relatório preliminar foi apreciado. “O PL 5916/2009 (número da proposta) não cumpre o determinado pelo texto constitucional”, diz o documento, explicando depois que a exigência que consta na norma só poderia ser cumprida se, no orçamento aprovado para o ano que vem, houvesse garantia de recursos para a ampliação dos quadros da marinha.

Solução Diante do impasse entre a necessidade do governo e a Constituição, os parlamentares buscam uma solução. “Vejo com boa vontade o projeto, porque sei que entre os militares ninguém vai nomear dirigente partidário. Mas temos que ver se é possível encontrar uma solução para isso. Infelizmente a lei é burlada, a começar pelo Executivo e pelo próprio Congresso”, criticou Madeira.

A marinha garante que os 21,5 mil cargos seriam preenchidos ao longo de 20 anos e que o reforço é necessário diante do aumento de atribuições. A Força também argumenta que não houve crescimento significativo do efetivo nas últimas quatro décadas – 8,6% em média, ao ano. “Com a aprovação será dado início à obtenção desse pessoal, possivelmente a partir do próximo ano, quando serão abertas, em média, 218 vagas para oficiais e 771 para praças, por ano”, informou a marinha ao Estado de Minas.

O projeto estipula a criação, ao todo, de 3.507 postos de oficial e 18 mil de praças. A expectativa do governo, com a implementação gradual dos quadros, é um impacto, nos três primeiros anos, de R$ 27,9 milhões em 2010, R$ 72,1 milhões em 2011 e R$ 118,5 milhões em 2012.

Administração

A criação de cargos na estrutura da administração pública federal é alvo de constantes críticas da oposição. Segundo estudos do deputado Arnaldo Madeira, desde o início do governo Lula foram criados cerca de 214 mil cargos. Como o discurso de que a estrutura está inchada não cola no eleitorado, os oposicionistas decidiram colocar na ponta do lápis a qualidade da gestão desses cargos no governo. “Vou apresentar requerimento para saber quanto desses cargos foram preenchidos. O governo diz que criou quadros para universidades, mas sabemos que, apenas entre esses, 30 mil ainda estão vagos”, afirmou Madeira. O governo se defende. Diz que não está promovendo o aparelhamento da máquina, mas sim investindo na qualidade da administração pública federal.

214 mil – Número de cargos federais criados no governo Lula

FONTE: O Estado de Minas, via Notimp

Tagged with:
 

Presidente da Petrobras prevê a abertura dessas vagas em oito anos para suprir toda a cadeia produtiva da exploração de petróleo

vinheta-clipping-navalA exploração de petróleo da camada pré-sal vai gerar mais de 240 mil empregos até 2016. A previsão é do presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, que participou ontem, em Brasília, de um debate sobre a proposta do novo marco regulatório do petróleo e os desafios tecnológicos para a exploração do petróleo em águas ultraprofundas. “Essas pessoas serão treinadas não para a Petrobras, mas para a cadeia de suprimentos que irá nos atender”, explicou Gabrielli. Segundo o executivo, o treinamento desses profissionais envolve instituições de ensino brasileiras com 29 redes temáticas e mais de 500 pesquisadores. A iniciativa da Petrobras de capacitar mão de obra para o pré-sal está alinhada ao pacote de incentivos que governo está preparando para a indústria nacional.

“Isso cria, fora da Petrobras, laboratórios de alto nível, capacitação de análise e interpretação e capacitação das áreas de ciência básica e aplicada, tendo um impacto não somente sobre a Petrobras, mas também sobre a engenharia brasileira, sobre o desenvolvimento dos projetos e a pesquisa em geral do nosso país”, definiu Gabrielli.

A previsão do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), encarregado de elaborar a política industrial para a cadeia produtiva do pré-sal, é de que dois terços dos equipamentos para extrair o pré-sal sejam produzidos no Brasil no período de três anos. Para isso, será necessário oferecer condições de financiamento e tributação semelhantes aos principais concorrentes do Brasil nessa área, em especial, a Coreia do Sul, líder na indústria naval. A estimativa é de investimento de US$ 80 bilhões em 10 anos. Fora isso, a Petrobras tem um plano de investimentos de US$ 174 bilhões para os próximos cinco anos.

Para que o pacote de incentivos tenha os resultados esperados, Alberto Machado, diretor executivo da área de petróleo e gás da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), defende que as isenções tributárias e condições de financiamento especiais sejam estendidas para todos os elos da cadeia produtiva. “As empresas brasileiras têm uma grande produtividade, mas, em alguns casos, acabam perdendo. Primeiro porque, quando tem uma concorrência em que participam empresas brasileiras e estrangeiras, as estrangeiras são exportadoras, e todo país quando exporta incentiva suas empresas com redução de impostos e taxas de juros às vezes até subsidiadas”, justifica.

Vantagens

Segundo Machado, além dos subsídios, as companhias internacionais têm ainda outra série de vantagens sobre as concorrentes nacionais exatamente porque as brasileiras operam no mercado interno. Segundo ele, mesmo quando há mais incentivos às empresas locais, eles não abrangem todo o setor produtivo no qual atua uma organização. “Esse setor não tem, em muitos casos, o incentivo permeando toda a cadeia. Às vezes, esse incentivo fica só no primeiro ou no segundo nível”, explica. E exemplifica: “O fundo de marinha mercante empresta para o armador, o armador compra no estaleiro, mas nem sempre os benefícios do empréstimo do Fundo de Marinha Mercante, que têm condições especiais e até compatíveis com as condições existentes no mundo, migram para a cadeia produtiva. Então, o fornecedor dos equipamentos, o fornecedor das partes e peças que vão para os equipamentos acabam não tendo competitividade para participar desse crescimento”.

Questiona-se, obedecidas essas condições, a indústria nacional tem condições de atender à demanda do pré-sal, Machado é assertivo. “Sem dúvida alguma. Não é nenhum problema para a indústria atender à demanda. É claro que nenhum país do mundo é autossuficiente. Nenhum país do mundo quer vender 100%, mas ter uma participação representativa, significativa dos montantes que a Petrobras e as outras empresas de petróleo vão adquirir é muito importante”, ressaltou. Em 2008, as vendas dos associados da Abimaq para o setor de petróleo e gás somaram cerca de R$ 9 bilhões, entre 10% e 15% de faturamento de R$ 72 bilhões do segmento. Machado estima que esse percentual pode, no mínimo, dobrar.

Tecnologia

Alguns setores já têm participação expressiva da indústria nacional, a exemplo da área de materiais submarinos (75%) e da fabricação de navios (65%). O executivo pondera que alguns equipamentos têm uma complexidade tecnológica restrita a poucos fornecedores e continuarão sendo importados. “Mas aquilo que puder ser feito no Brasil e tiver condições, vai ser feito. E o que o empresário precisa, de alguma forma, é ter uma noção de que forma esses investimentos vão ser distribuídos no tempo. Se tem uma possibilidade e uma probabilidade clara de o investimento existir, aí é risco do negócio investir ou não. E eu não tenho dúvida que o empresário vai investir.”
“Essas pessoas serão treinadas não para a Petrobras, mas para a cadeia de suprimentos que irá nos atender”
José Sergio Gabrielli, presidente da Petrobras

R$ 80 bilhões…

… é o valor necessário, segundo o BNDES, para desenvolver a cadeia produtiva do pré-sal em 10 anos.

FONTE
: Correio Braziliense – 26/09/2009

A dimensão militar da pré-sal

pre-sal-dez2007

Carlos Tautz

Em breve, o governo apresenta o novo marco regulatório para explorar a camada pré-sal sem ter estimulado o debate público sobre as graves implicações de o Brasil se transformar em um dos maiores produtores mundiais de óleo. A história prova que integrar o grande jogo mundial do petróleo gera repercussões geopolíticas, militares e financeiras globais.

Porém, a informação de que petróleo e guerra necessariamente andam juntos está sendo escamoteada pelo discurso ufanista de que os recursos advindos da exploração do petróleo resolverão todos as injustiças sociais que marcam a trajetória do povo brasileiro. Falta a grandeza dos estadistas para tornar público o debate sobre os rumos que esta nação deseja para si. A mobilização em torno da institucionalidade do pré-sal seria um ótimo momento para fazê-lo.

Explorar estas reservas, que podem chegar à onírica marca dos 100 bilhões de baris de óleo de excelente qualidade, não vai apenas garantir o ingresso de centenas de bilhões de dólares para o Estado brasileiro. Petróleo não é uma mercadoria como outra qualquer. Fundamentalmente, ele é o principal energético utilizado no mundo e tudo que o envolve impacta as finanças internacionais, podendo gerar crises de resultados imprevisíveis.

A exploração desta riqueza nos dará a responsabilidade de integrar o reduzido grupo de nações que definem os rumos de toda a humanidade. Teremos bônus e ônus decorrentes da condição de grande jogador e precisamos ter ciência e consciência do que isto representa. Mas, quantas pessoas sabem disso?

Ter reservas extraordinárias de petróleo e exportá-las mundo afora exige vontade de Nação de usar capacidade militar para garantir os canais de comercialização do óleo em qualquer parte do mundo. Frequentemente estaremos em guerra e seremos convocados a intervir com força sempre que nosso petróleo estiver ameaçado.

Essa é a lógica desse setor, estimulada inclusive porque as indústrias militar e de petróleo são interconectadas. Fazer guerra para garantir o óleo dá um enorme ganho de escala ao seleto grupo de empresas como a estadunidense Halliburton, que lucram em ambos os lados do problema e chegam a influenciar eleições presidenciais.

A defesa e a exploração da pré-sal, além da exportação em larga de óleo, abre espaço para que alguém reivindique a adoção pelo Brasil de capacidade atômica para dissuadir outros atores internacionais interessados em projetar o seu próprio poder sobre nossas reservas, meios de transporte e armazenamento de petróleo (cerca de 2/3 do petróleo brasileiro já são armazenadas nos navios da Petrobras, o que coloca a suscita o desenvolvimento de submarinos atômicos).

Seguindo a lógica do petróleo&guerra, teríamos até de modificar a Constituição para permitir a adoção do poder atômico militar pelo País.Eventualmente, mesmo a ratificação do Tratado de Não Proliferação de Armas Atômicas seria questionada.

É isso o que realmente desejamos?

Só para se ter uma idéia do terreno que estamos adentrando. Nos anos 1980, os EUA pressionaram legal e também ilegalmente os grandes em níveis baixos os preços do produto. O objetivo era enfraquecer economicamente a então União Soviética, que tinha na exportação de gás natural e petróleo sua maior fonte de divisas internacionais, e que a duras penas conseguia até aquele momento rivalizar militarmente com os americanos.

Com os preços mantidos artificialmente em baixa durante anos, devido à grande disponibilidade no mercado internacional, o ingresso de moedas fortes para os soviéticos caiu e, com ele, a própria URSS se desmanchou em 1991.

Além do aumento das emissões de gases causadores do Efeito Estufa (uma contradição com a aposta no etanol) a discussão sobre a dimensão militar da pré-sal é tão difícil quanto urgente. O Brasil está às vésperas de tomar decisões que terão impacto sobre a atual e as futuras gerações de brasileiros, mas nenhuma instituição se dispõe à trabalhosa e inadiável tarefa de ouvir o povo brasileiro.

Carlos Tautz é jornalista

FONTE: Blog do Noblat

NOTA DO BLOG: Como diz o ditado, “quem está na chuva é pra se molhar”. Não sabemos o que quis dizer exatamente o colega jornalista com relação à dimensão militar do Pré-Sal, mas se o povo brasileiro for consultado, certamente não será a favor do sucateamento das Forças Armadas brasileiras.

Para ser um grande jogador no cenário internacional, o Brasil precisa aumentar o seu poder de dissuasão e não o contrário.

Tagged with:
 

pre-sal

Companhias estrangeiras elaboram documento para tentar influenciar a discussão da nova Lei do Petróleo no Congresso

Governo, que quer mudar lei para ficar com fatia maior das reservas, diz que estudo sigiloso da Petrobras reitera o potencial do pré-sal

vinheta-clipping-navalInsatisfeitas com o desenho da nova Lei do Petróleo, empresas estrangeiras produziram um documento em que lançam dúvidas sobre os riscos de explorar petróleo no pré-sal.

Intitulado “Risco zero no pré-sal: fato e ficção”, o texto foi elaborado por técnicos de duas petrolíferas internacionais para subsidiar seus diretores a influenciar a discussão da proposta do governo, que terá de ser aprovada no Congresso.

O texto diz que “é preciso e urgente confrontar a versão do “risco zero” propalada pelo governo Lula, com amparo da Petrobras”. Acrescenta que o pré-sal é “um velho conhecido da indústria petrolífera, que, até a descoberta [do campo] de Tupi, tem desempenhado papel secundário do ponto de vista de sua capacidade de produção comercial”. Em conversas reservadas, a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) costuma rebater esse discurso citando que o governo tem um estudo “confidencial e sigiloso” da Petrobras mostrando o potencial da área.

A quem pede acesso ao estudo, ela nega sob o argumento de que o vazamento dele influenciaria o mercado de ações.

Inicialmente, especialistas chegaram a apontar reservas de até 100 bilhões de barris no pré-sal. Um dos números com que o governo trabalha é de 50 bilhões de barris. Atualmente, as reservas brasileiras são de cerca de 14 bilhões de barris.

Nos últimos três anos, o sucesso na exploração do pré-sal -30 poços perfurados pela Petrobras e suas sócias, 87% com indícios de hidrocarboneto- reforçou o “risco zero”. Para o governo, mudar as regras é uma forma de assegurar à União uma fatia maior nas reservas.

O documento das petrolíferas lembra que, no pré-sal brasileiro, foram perfurados 150 poços entre os anos 70 e 90, com taxa de sucesso de 25%. E que os reservatórios que produziram em quantidade satisfatória não chegavam a 10%.

As empresas ressaltam, ainda, que o petróleo do pré-sal em voga nos dias de hoje está em rochas ainda pouco conhecidas -as carbonáticas-, mais especificamente na bacia de Santos. Além disso, elas alegam que ainda é cedo para afirmar que a produção de petróleo terá padrão semelhante em toda a região, porque faltam testes.

Os estudos geológicos indicam que as rochas carbonáticas se encontram em uma faixa distante 300 quilômetros da costa, sob uma camada de sal de dois quilômetros de espessura, cerca de seis quilômetros sob o fundo do mar, entre o Espírito Santo e Santa Catarina.

Por enquanto, apenas um poço de Tupi, do pré-sal de Santos, entrou em teste de produção. Nele, as estimativas são de reservas de 5 bilhões a 8 bilhões de barris. O teste, iniciado em maio, foi interrompido em julho por problemas técnicos.

Ex-funcionários da Petrobras, onde trabalharam por mais de 30 anos, os geólogos Wagner Freire e Giuseppe Bacoccoli discordam da tese “risco zero”. Para Freire, não há como garantir sucesso apenas por analogia geológica.

“As rochas carbonáticas são muito imprevisíveis. Dois reservatórios próximos nessas rochas podem ter características de porosidade e permeabilidade muito distintas. São esses aspectos que determinam a facilidade de o petróleo sair ou não”, explica Freire.

Bacoccoli acompanhou as perfurações nos anos 70 e 80 mencionadas no documento das petrolíferas. Segundo ele, é impossível concluir que não há risco nas áreas do pré-sal não perfuradas. “O sucesso nas perfurações feitas até agora foi usado politicamente para mudar as regras do jogo.”

FONTE
: Folha de S.Paulo

Tagged with:
 

Lula quer que Marinha leve recursos do pré-sal para vigiar plataformas; fundo social pode ter recurso de royalties da mineração

vinheta-clipping-navalA última versão da nova Lei do Petróleo entregue ao presidente Lula reduz a alíquota dos royalties nos campos do pré-sal de 10% para 5% e fixa em “até 30%” a participação mínima da Petrobras para que ela seja a operadora dos blocos.

Esses pontos, porém, ainda estão em debate no governo e serão definidos amanhã, em reunião da comissão interministerial que estuda as novas regras de exploração da região.

Lula decidiu que divulgará a proposta da nova Lei do Petróleo em reunião ministerial agendada para o dia 19. Em seguida, encaminhará os projetos em regime de urgência ao Congresso. A exploração comercial em larga escala do pré-sal só deve começar em 2015. A redução da alíquota dos royalties para 5% valeria só para os campos do pré-sal que ainda não foram leiloados. Nos demais, continuaria de 10%, seguindo as mesmas regras de repartição que beneficiam os Estados do Rio de Janeiro, São Paulo e Espírito Santo.

Lula quer não só reduzir a alíquota como também modificar a distribuição dos royalties do pré-sal, adotando um sistema que beneficie todo o território nacional. Como esse ponto é polêmico e vem sendo criticado pelo governador Sérgio Cabral (RJ), a decisão será política.

A mudança nas alíquotas dos royalties, que no ano passado arrecadaram R$ 10,94 bilhões, significa mais dinheiro em caixa para a União. Como as empresas terão um custo menor com o pagamento de royalties, poderão oferecer uma parcela maior do petróleo extraído ao governo federal.

No caso da participação mínima, diante das pressões da Petrobras para que fosse fixada em 30%, a comissão decidiu buscar um meio-termo. O projeto entregue a Lula diz que esse percentual será decidido caso a caso pelo CNPE (Conselho Nacional de Política Energética, comandado pelo governo) “em até 30%”.

Para defender sua proposta, a Petrobras alegou que hoje a ANP (Agência Nacional do Petróleo) exige que as operadoras tenham ao menos 30% do consórcio formado para explorar um campo. O governo resiste a fixar esse percentual mínimo, alegando que ele precisa ser analisado de acordo com a conjuntura do momento do leilão -como preço do barril.

Fundo

O governo decidiu ainda que, para ajudar na capitalização do futuro Fundo de Desenvolvimento Social, destinará a ele não só a renda do pré-sal mas também a receita dos royalties do setor de mineração. Hoje, essa arrecadação é pequena, mas o governo está propondo que as alíquotas cobradas das mineradoras sejam elevadas.

Lula deu ainda a determinação de que sejam garantidos recursos para a Marinha, a fim de que ela possa se aparelhar para vigiar as plataformas de exploração do petróleo do pré-sal -a 300 km da costa brasileira.

Hoje, a Marinha já tem uma participação da receita do petróleo, mas quase sempre fica bloqueada no Tesouro. O presidente, porém, disse que sua equipe econômica terá não só de acabar com esses bloqueios mas também garantir mais receita para a Marinha.

A nova Lei do Petróleo será formada por três projetos de lei. Um criará o sistema de partilha de produção nos campos do pré-sal -ganhará o leilão o consórcio que oferecer a maior parte da produção de óleo à União; outro tratará da criação da NEP (Nova Estatal do Petróleo), que irá gerir toda a riqueza dessas reservas e o terceiro definirá as regras do Fundo de Desenvolvimento Social.

FONTE: Folha de S.Paulo / Via Portos e Navios

Tagged with:
 
Página 2 de 3123