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Segundo dados da Frost and Sullivan, empresa britânica de pesquisa e análise econômica, o mercado para submarinos convencionais diesel-elétricos deve aumentar em cerca de 1,8% até 2022. Os modelos com propulsão independente do ar (AIP) devem ter a maior demanda.

Para o analista de segurança, defesa e indústria aeroespacial da Frost and Sullivan, Dominik Kimla, “o ambiente das operações navais mudou significativamente. As operações passaram da ‘água azul’ do mar aberto para a ‘água rasa’ das regiões litorâneas”, explica. “A importância de submarinos convencionais menores e mais silenciosos, em vez de grandes modelos nucleares, aumentou bastante”.

A região da Ásia -Pacífico e a Europa parecem ser as principais áreas de aquisição de submarinos convencionais, segundoa empresa. A previsão é de que o mercado asiático para esse tipo de embarcação creça 2,1% e venha a totalizar 47,2% da demanda global. Já a Europa responde por 22,4% da fatia de mercado, e espera-se um aumento de 1,5%. Páises como Alemanha, Espanha, Itália e Turquia possuem projetos “relevantes” de desenvolvimento de submarinos convencionais. “As forças navais cada vez mais estão se voltando para os SSK por conta do caráter polivalente e do potencial semi-estratégico dessas embarcações”, aponta Kimla. “Sendo assim, os submarinos convencionais representam grandes oportunidades tanto para a venda de novos navios como para a inclusão do sistema AIP em modelos já existentes”.

FONTE: UPI.com (tradução e adaptação do Poder Naval a partir de original em inglês)

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‘Making Of’ do submarino ‘Tikuna’

No dia 16 de dezembro de 2005, às 10h, no Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro, foi realizada a Cerimônia de Mostra de Armamento do Submarino Tikuna, ocasião em que o submarino foi incorporado à Armada brasileira.

O Submarino Tikuna, que teve seu batismo em 9 de março de 2005, cumpriu com sucesso todas as atividades previstas para sua incorporação à Armada, como o comissionamento no cais de todos os sistemas e equipamentos e as provas de mar, estando pronto para passar para uma nova fase que engloba o levantamento da assinatura acústica do submarino, o alinhamento do sistema de armas e a continuação da avaliação do adestramento da tripulação.

O Tikuna é o quarto submarino da classe “Tupi”, a série de submarinos construídos no Brasil dentro da estratégia da Marinha para atingir o domínio completo da tríade PROJETO, CONSTRUÇÃO e REPARAÇÃO desses meios navais. O Tikuna é na verdade um IKL-209 Mod, um Improved Tupi, incorporando ao projeto original do IKL-209 diversas inovações tecnológicas, objetivando a redução dos níveis de ruído e do tempo de exposição do navio durante operações de recarga de baterias com o navio utilizando seu esnorquel pelo qual o submarino admite ar em seu interior quando submerso, próximo a superfície. A construção dos submarinos, além de ser um meio de difusão de novas tecnologias para a indústria privada, possibilita um aumento na geração de empregos diretos e indiretos no País.

Dentre os países do hemisfério sul que detêm a capacitação tecnológica para construir submarinos, somente o Brasil mantém, atualmente, um programa de construção em andamento. No mundo, apenas 15 nações possuem este know-how, o que ratifica a sólida capacidade da indústria nacional brasileira para a execução de outros projetos navais.

Com um comprimento de 62 m e diâmetro do casco de 6,20 m, o submarino Tikuna desloca 1.550 toneladas submerso e atinge velocidades superiores a 20 nós, além de operar em profundidades maiores que 200 m. Com uma tripulação de 7 oficiais e 29 praças, o submarino possui 8 tubos de torpedo e é movido por propulsão diesel-elétrica composta por um motor elétrico de propulsão, baterias e conjuntos motor Diesel-Gerador.

A construção de um segundo “Improved Tupi”, o Tapuia, foi cancelada por falta de recursos. O Tikuna seria armado com novos torpedos pesados suecos Saab Bofors Torpedo 2000, mas o contrato inicial do torpedo, assinado em 1999, foi cancelado em setembro de 2004.

O Governo do Brasil requereu aos EUA a possível venda de 30 torpedos Mk.48 Mod 6 Advanced Technology. Em 28 de setembro de 2005, a Defense Security Cooperation Agency (DSCA) notificou o Congresso de uma possível Foreign Military Sale ao Brasil, de 30 torpedos Mk.48 Mod 6, assim como os equipamentos associados e serviços. O valor total da venda, se todas as opções forem exercidas, alcançará a soma de U$ 60 milhões.

Além dos torpedos, o Tikuna também poderá usar minas navais acústico-magnéticas MCF-01/100 fabricadas pelo IPqM – Instituto de Pesquisas da Marinha. O “Improved Tupi” é equipado com baterias de alta capacidade desenvolvidas pela Varta e quatro motores diesel MTU 12V 396 provendo 2.76MW. As baterias dão ao Tikuna 30% a mais de alcance sobre os “Tupi”. O Tikuna é capaz de navegar 11.000 milhas na velocidade econômica de 8 nós. Submerso, o navio pode cobrir 400 milhas a 4 nós, sem precisar usar o esnorquel.

Submarinos classe Tupi – IKL 209-1400

 

Nome Indicativo Estaleiro Batimento
de quilha
Lançamento Comissionamento
Tupi S30 HDW,
Kiel
8 mar
1985
28 abril
1987
6 maio
1989
Tamoio S31 AMRJ 15 jul
1986
18 nov
1993
12 dez
1994
Timbira S32 AMRJ 15 set
1987
5 jan
1996
16 dez
1996
Tapajó S33 AMRJ 6 mar 1996 dez 1999 21 dez 1999
Tikuna S34 AMRJ nov de 1996 9 mar 2005 16 dez 2005


Fase final de construção

Comprimento total 62m
Diâmetro do casco resistente 6,2m
Deslocamento 1.400t na superfície, 1.550t
submerso
Propulsão Diesel-elétrica, 480 elementos de baterias, motor elétrico e um propulsor
Velocidade Acima de 20 nós
Profundidade máxima de operação Superior a 200m
Armamento 8 tubos lança-torpedos de 533mm (21
pol.)
Tripulação 7 oficiais e 29 praças


Mostra de Armamento

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Tipo 209, o “best seller”

Com o fim da produção dos submarinos Tipo 205, 206 e 207, os estaleiros alemães enfrentaram uma diminuição de trabalho, mas a elevação do limite de tonelagem permitida para seus submarinos para 1.000t abriu a possibilidade de um mercado maior de exportações.

Tal situação encaixou-se como uma luva, pois muitas marinhas de diversos países estavam à procura de submarinos de propulsão convencional, com equipamentos eletrônicos modernos e que exigissem um mínimo de tripulantes altamente qualificados.

Nasceu então o Tipo 209, que possuía exatamente essas qualidades. A Grécia foi o primeiro país a fazer uma encomenda em 1971-72, de quatro unidades, baseados no projeto IK-36, que ficaram conhecidos como classe “Glavkos”. Uma nova encomenda de mais quatro unidades foi feita no meio da década de 70. Todas as unidades foram construídas pela HDW, na cidade de Kiel.

Os primeiros Tipo 209 eram similares em forma aos Tipo 205/206, mas com dimensões maiores, baterias de maior capacidade e uma propulsão mais potente. O casco é totalmente liso, com hidroplanos retráteis montados na parte baixa da proa, controles de profundidade em cruz na popa e hélice de 5 pás.

O cuidadoso desenho do casco e o poderoso motor elétrico permitem uma arrancada de 23 nós sob a água (43km/h), bem maior que os submarinos convencionais em serviço na época. Projetados para patrulhas de até 50 dias, armados com 8 tubos de torpedos de 533mm, e equipados com sistemas eletrônicos modernos, os 209 foram um sucesso absoluto de vendas nas décadas seguintes.

O Professor Ulrich Gabler (1913-1994), fundador da IKL – Ingenieurkontor Lübeck, adivinhou com maestria as necessidades das marinhas do mundo.

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Desenvolvimentos

O projeto do 209 cresceu à medida que foram surgindo novos clientes e novas missões. O sistema de propulsão, inicialmente equipado com motores diesel de sucção, mudou para motores com supercharger, dotados de maior desempenho.

Algumas encomendas recebidas com perfis de missão no Caribe ou no sudeste asiático, tornaram necessário o desenvolvimento de sistemas de ar condicionado adequados para a tripulação e equipamentos eletrônicos. Dependendo dos requisitos específicos de clientes diferentes, o tamanho dos submarinos aumentou a partir do deslocamento original de 1.000t, e em alguns casos, em mais de 50%.

O tamanho e espaço adicional foram necessários para acomodar aumento de alcance, alojamentos da tripulação, mais equipamentos eletrônicos e aumento na profundidade de operação. A capacidade das baterias foi melhorada em baixo e alto consumo, resultando em velocidade máxima e alcance mantidos, apesar dos aumentos no comprimento e deslocamento, o que demonstra a eficiência hidrodinâmica do casco.

O Tipo 209 evoluiu em cinco variantes (o último número na designação indica a tonelagem): Tipo 209/1100, 209/1200, 209/1300, 209/1400 e Tipo 209/1500.

Sessenta e dois submarinos foram adquiridos pelos seguintes países: Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, Grécia, Índia, Indonésia, Peru, África do Sul, a Coreia do Sul, Turquia e Venezuela.
O maior operador do tipo 209 é a Marinha da Turquia, que opera 14 submarinos Tipo 209, sendo 6 de 1.200t (encomendados entre 1976 e 1990) e oito submarinos de 1.400t (encomendados entre 1994 e 2007).

Os Tipo 209 são geralmente armados com 14 torpedos, mas na Grécia, Turquia e Coréia do Sul eles também são armados com mísseis antinavio Sub-Harpoon. Também é possível atualizar esses submarinos com propulsão AIP, através de inserção de um módulo no casco.
O mais recente cliente foi a África do Sul, que adquiriu três novos submarinos 209/1400 em 2006, ao custo de US$ 285 milhões cada (clicar na foto e no arranjo do submarino abaixo).

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Especificações técnicas

1100 1200 1300 1400 1500
Deslocamento (submerso) 1.207 t 1.285 t 1.390 t 1.586 t 1.810 t
Dimensões 54,1×6,2×5,9 m 55,9×6,3×5,5 m 59,5×6,2×5,5 m 61,2×6,25×5,5 m 64,4×6,5×6,2 m
Propulsão Diesel-elétrica, 4 diesels, 1 eixo
5.000 shp 6.100 shp
Velocidade
(superfície)
11 nós (20 km/h) 11,5 nós
Velocidade
(submerso)
21,5 nós 22 nós 22,5 nós
Alcance (superfície) 11.000 milhas (20.000 km) a 10 nós (20 km/h)
Alcance
(snorkel)
8.000 milhas (15.000 km) a 10 nós (20 km/h)
Alcance (submerso) 400 milhas (700 km) a 4 nós (7 km/h)
Endurance 50 dias
Profundidade máxima 300m
Armamento 8x 553 mm tubos de torpedo

  • 14 torpedos
  • Integração UGM-84 SubHarpoon ou SubExocet SM-39
Tripulação 31 33 30 36

Batismo de fogo e destaque em exercícios navais

Durante a Guerra das Malvinas entre a Argentina e a Grã-Bretanha em 1982, o submarino IKL-209 San Luis da Armada Argentina, permaneceu 36 dias na área do conflito. A ameaça do submarino argentino obrigou os britânicos a montarem um enorme esforço anti-submarino para tentar neutralizá-lo, incluindo uma ponte-aérea com aviões anti-submarino Nimrod partindo da Ilha de Ascensão.

Numerosos ataques foram feitos contra contatos falsos, com o lançamento por parte dos britânicos de um grande número de armas, o que levou ao esgotamento de seus estoques de torpedos anti-submarino. Mesmo assim, o San Luis sobreviveu e ainda conseguiu lançar ataques contra navios britânicos, sem contudo obter êxito, devido a falhas nos torpedos.

Em todos esses anos, os Tipo 209 têm demonstrado excelente desempenho em diversas operações navais, levando até potências militares como os EUA a mudarem táticas anti-submarino e a cogitarem a volta da operação pelas grandes potências de submarinos convencionais.

Durante a operação Linked Seas’ 97, com Marinhas da OTAN, o submarino Tamoio IKL-209/1400, construído no Brasil com transferência de tecnologia,  “roubou a festa” quando conseguiu penetrar a cobertura anti-submarino de navios, helicópteros e outros submarinos e “afundar” o navio-aeródromo espanhol Príncipe de Astúrias.

Em setembro de 2007, durante o Exercício AMAZOLO, também com navios da OTAN, (ver notícia no BlogNAVAL antigo), o submarino Tipo 209/1400 SAS Manthatisi, conseguiu penetrar uma cobertura anti-submarino de 7 navios (incluindo as fragatas classe “Valour” SAS Amatola e SAS Isandlwana).

O Manthatisi permaneceu o tempo todo indetectado e “afundou” primeiro a unidade de alto valor que a força-tarefa tentava proteger. Depois, “afundou” cada uma das escoltas, uma após a outra. Feitos semelhantes foram repetidos por outros submarinos Tipo 209 de várias marinhas, enviados aos EUA para participarem do programa DESI (Diesel Electric Submarine Initiative), que visa preparar a US Navy para esse tipo de ameaça.

Para conhecer por dentro o último IKL-209 incorporado à Marinha do Brasil, clique aqui.

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