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Um Boeing F-18F
do VFA-102 abordo do USS John C. Stennis
. O F-18E/F é a mais moderna aeronave em operação da USN. A
introdução do F-18 nos Grupamentos Aéreos Embarcados permitiu a
redução do número de modelos diferentes a bordo dos
navios-aeródromo dos EUA |
A evolução dos
Grupamentos Aéreos Embarcados
n Guilherme
Poggio
O primeiros anos
da aviação embarcada
Quando Eugene Ely decolou de uma plataforma
improvisada na proa do cruzador USS
Birmingham em novembro de 1917, talvez não tivesse noção da evolução
que ocorreria nos anos vindouros. Ely não viveu o suficiente para
assistir as transformações que se sucederam.
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USN |
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| O USS
Lexington e seu GAE com até noventa aeronaves
de apenas dois tipos: caças e bombardeiros. |
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No
entanto, cabe aos britânicos a honra por terem operado o primeiro navio-aeródromo (NAe) verdadeiro. O HMS
Furious, convertido a partir de um cruzador e comissionado em julho de
1917, embarcava 12 caças Sopwith
Camel e oito hidroaviões Short. As aeronaves do Furious
chegaram a ser utilizadas em combate durante a I Guerra Mundial. Num
ataque a um campo de pouso alemão, em julho de 1918, elas destruíram
dois Zepelins. Como o pouso a bordo era precário, alguns pilotos
preferiram "pousar" na água. Outros desceram em países neutros
ou aliados.
Nos
anos vinte foram definidas as primeiras táticas de emprego de NAes e, conseqüentemente,
a formação dos Grupamentos Aéreos Embarcados (GAE). As diferentes
marinhas no mundo que dispunham de navios-aeródromo
possuíam GAEs que pouco diferiam um do outro. No início, existiam
basicamente três tipos de aeronaves: os caças, os bombardeiros e
torpedeiros. Ora os três conviviam num mesmo convôo, ora eram
selecionados apenas dois tipos. Em alguns casos, estas aeronaves conviviam
com aeronaves de observação ou mesmo hidroaviões. Quando o
primeiro navio-aeródromo dos
EUA, o USS
Langley
(CV-1), foi comissionado em 1922, seu grupamento aéreo era composto
por 12 caças, 12 aviões de reconhecimento e 10 torpedeiros.
A maturidade dos Grupamentos
Aéreos
Antes
da entrada dos EUA na II Guerra Mundial, US Navy possuía, além
dos irmãos USS
Lexington (CV-2) e USS
Saratoga (CV-3), um quarteto
formado pelos NAes USS
Ranger (CV-4), USS
Yorktown (CV-5), USS
Enterprise (CV-6) e USS
Hornet (CV-8), e uma versão
aperfeiçoada deste último, o USS
Wasp (CV-7). Eram navios com capacidade para cerca de 70-80 aeronaves em
condições normais de operação. Geralmente, um grupamento aéreo era
composto pelos seguintes esquadrões:
A
numeração utilizada após as siglas indicava o navio onde a unidade
estava embarcada. Desta forma, o esquadrão de bombardeiros VB-5 estava
embarcado no USS Yorktown (CV-5) e assim por diante. Com o passar da guerra, muitos navios-aeródromo
foram afundados e alguns esquadrões foram destruídos,
sendo reorganizados em outros NAes com as siglas anteriores.
Comumente,
cada um desses esquadrões era composto por 18 aeronaves. Com exceção do
VF-2, que operava o Brewster F2A-3, todos os demais esquadrões da US
Navy estavam equipados com o Grumman F-4F Wildcat. O Douglas SBD Dauntless
era o equipamento padrão dos esquadrões VB e VS, enquanto o Douglas TBD-1
Devastator compunha os esquadrões VT.
| FUNÇÃO |
AERONAVE |
QUANTIDADE |
| Caça |
F4F
Wildcat
|
Dois
esquadrões (18)
|
| Bombardeio |
SBD
Dauntless
|
Dois
esquadrões (36)
|
| Torpedeiro |
TBD
Devastators
|
Um
esquadrão (18)
|
| TOTAL |
3 |
72 |
TABELA
1: Composição típica de um GAE da USN nos anos quarenta
Durante
a guerra, os Wildcats foram substituídos pelos Hellcats e,
mais para o fim do conflito, pelos Corsair também. O Dauntless
deu lugar ao Helldiver e o Devastator foi substituído pelo Avenger.
A par da evolução tecnológica que ocorreu durante a guerra com relação
às aeronaves, a situação tática se manteve. Eram três
aeronaves diferentes (caça, bombardeiro e torpedeiro), exercendo três
atividades distintas. De certa forma, a doutrina Japonesa pouco diferia da
americana e os equivalentes orientais eram respectivamente o “Zero”,
o “Val”e o “Kate”. O mesmo vale para os ingleses.
Analisando
o período que vai desde os primórdios da aviação embarcada até o início
dos anos cinqüenta, o número de aeronaves distintas (três em média)
embarcadas nos NAes pouco se alterou.
O processo de
especialização das aeronaves
A grande mudança no
grupamento aéreo embarcado ocorreu após a Guerra da Coréia. A introdução
de jatos nos NAes, a ameaça submarina, o helicóptero e a evolução
tecnológica da guerra eletrônica foram os grandes responsáveis pela
alteração dos tipos e quantidades de aeronaves embarcadas.
Surgiram aeronaves especializadas para determinadas tarefas. Muitas vezes,
mais de um tipo de aeronave era embarcado para executar a mesma tarefa ou
uma tarefa semelhante.
Os maiores NAes britânicos
do pós guerra, o HMS Eagle e o HMS Ark Royal, capazes de operar mais de 50 aeronaves, possuíam
um grupamento aéreo composto por até seis tipos diferentes de
aeronaves. Por volta de 1956/1957, esses NAes embarcavam o seguinte
grupamento:
| FUNÇÃO |
AERONAVE |
QUANTIDADE |
| Caça |
Sea
Hawk FGA
|
Dois
esquadrões (16)
|
| Ataque |
Sea
Venom FAW21
|
Dois
esquadrões (14)
|
| Anti-submarino |
Gannet
AS4
|
Um
esquadrão (6)
|
| Alerta aéreo antecipado |
Skyraider
AEW1
|
Um
esquadrão (4)
|
| Utilitário |
Dragonfly
HR
|
Uma
aeronave
|
| TOTAL |
5 |
41 |
TABELA
2: Composição típica de um GAE da RN nos anos cinquenta
Os modernos NAes
franceses do início da década de sessenta (Foch
e o Clemenceau), mesmo sendo um
pouco menores que os seus semelhantes britânicos, embarcavam um grupamento
bastante variável, compostos por F-8 Crusader, Etendard/Super Etendard,
Alizé, Alouette/Super Frelon. Até o início dos anos 90, a Aeronavale
continuava dispondo dessas mesmas aeronaves para embarcar em seus NAes.
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USN |
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O USS
Constellation no final dos anos setenta.
Além do GAE tradicional, é possível observar a presença de RF-8
e EA-3 no convôo.
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Os americanos
continuaram seguindo como líderes na área de aviação embarcada. No
meio da década de 50, estavam introduzindo os primeiros “super carries”,
navios-aeródromo com mais de 75.000 toneladas de deslocamento máximo.
Além disso, sobreviventes da classe Midway, com mais de 60.000 toneladas,
foram totalmente modificados para operar os novos GAEs. Mesmo nos apertados
espaços dos CVS (NAes modificados para funções ASW), a variedade era
considerável.
Com
base nos avanços tecnológicos e na alteração das táticas de combates,
uma nova geração de
aeronaves foi totalmente projetada e modelos a reação passaram a dominar
sobre os convôos.
Era comum encontrar nos
CVGs três tipos diferentes de aeronaves de caça (F8U Crusader, F3H
Demon
e FJ-4 Fury) e de ataque (A3D Skywarriors, A4D Skyhawks e A1D
Skyraiders)
além de helicópteros e outros. Tal situação se manteve durante a
Guerra do Vietnã, apenas introduzindo modelos mais modernos como o
Phantom II, o Corsair II, o Intruder e o E-1 Tracer.
Uma
CVW (Ala Aérea Embarcada) típica durante os anos 70/80 era composta por
até 90 aeronaves, distribuídas de acordo com a tabela abaixo. Cabe
destacar que, além das aeronaves listadas, eram embarcados
esporadicamente caças de reconhecimento RF-8G, EA-3 de guerra eletrônica
e F-4B dos Fuzileiros Navais.
| FUNÇÃO |
AERONAVE |
QUANTIDADE |
| Caça |
F-14
Tomcat
|
Dois
esquadrões (24)
|
| Ataque leve |
A-7
Corsair II
|
Dois
esquadrões (24)
|
| Bombardeio/ReVo |
A-6
Intruder
|
Um
esquadrão (10/4)
|
| Guerra Eletrônica |
EA-6
Prowler
|
Um
esquadrão (4)
|
| Anti-submarino |
S-3
Viking
|
Um
esquadrão (10)
|
| Alerta aéreo antecipado |
E-2
Hawkeye
|
Um
esquadrão (4)
|
| Utilitário |
C-2
Greyhound
|
a
aeronave
|
| Asas rotativas |
SH-3/SH-60
|
Um
esquadrão (6)
|
| TOTAL |
8 |
87 |
TABELA
3: Composição típica de um GAE da USN nos anos 70/80
Presente e futuro
- pouca variedade, muita versatilidade
A Grã-Bretanha foi o
primeiro país reduzir a grande variedade de aeronaves existentes a bordo
dos NAes. Na verdade, tratava-se de uma necessidade técnica, originada
por uma decisão política de extinguir os NAes CTOL na Royal Navy. No final dos
anos 70, a marinha britânica criava um grupamento embarcado único, composto
por dois tipos de aeronaves: o FRS Sea Harrier e o helicóptero Sea
King.
Atualmente, esse mesmo grupamento continua sendo embarcado, porém existe
uma variante do Sea King dedicada a missões AEW e, comumente, são
embarcados os Harriers da RAF especializados em ataques terrestres.
Com pequenas variantes, países com Espanha e Itália adotaram um GAE
semelhante ao britânico.
A possibilidade da
substituição da Classe Invencible
por dois CVF (Future Aircraft
Carrier) representaria uma grande mudança na RN. Porém, embora a
definição dos meios a serem embarcados ocorra num futuro próximo, o número
de aeronaves distintas a serem embarcadas dificilmente será superior a
quatro.
Na França, a meta é
capacitar seu novo NAe, o Charles de
Gaulle, com três tipos de aeronaves: Rafale M, E-2 Hawkeye e um helicóptero
para missões ASW/SAR/EG.
A tendência atual da
marinha americana é aumentar a dotação de F/A-18 Hornet nos
seus NAes. Desde a sua entrada em operação nos anos oitenta, o
F/A-18A logo assumiu as tarefas e missões dos A-7 Corsair II. Em
seguida, absorveu o papel desempenhado pelos A-6 Intruder com a
aposentadoria destes. Atualmente, os novos modelos E e F estão ocupando o
espaço deixado pelos F-14 Tomcat. Mas as mudanças não devem
parar aí. É possível que o F-18 assuma as tarefas dos EA-6 Prowler
e parte das missões dos S-3 Viking. As missões ASW deste último,
seriam absorvidas pelas aeronaves de asas rotativas embarcadas nos NAes
e/ou nas escoltas. Em relação à vigilância aérea e demais atividades
AEW, não há substitutos definidos para os E-2 Hawkeye a médio prazo.
Num
futuro não muito distante, um GAE da US Navy deverá ser composto
por quatro tipos de aeronaves: F-18, E-2, JSF e uma aeronave de asa
rotativa. Embora apresente uma variedade baixa, estas aeronaves serão
capazes de executar um número de tarefas bastante grande.
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