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Um F7U-3 Cutlass após uma tentativa de pouso que
resultou num terrível acidente a bordo do USS Hancock.
Embora o Cutlass tenha sido problemático desde o período de
projeto, todos os aviões a jato pagaram um alto preço pelo
desenvolvimento de métodos e equipamentos mais adequados.
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O início da
era a jato sobre o mar
n Guilherme
Poggio
A evolução dos
navios-aeródromos no pós-guerra
Na
segunda metade da década de 40 havia um desequilíbrio entre as
plataformas aeronavais e as aeronaves empregadas. O desenvolvimento das
plataformas não se deu na mesma velocidade da evolução das aeronaves
embarcadas. Nessa época, embora houvessem projetos mais modernos (como o USS
United States), a frota de superfície era composta por
navios-aeródromos que haviam participado das batalhas na II Guerra
Mundial ou
navios mais recentes (como a classe Midway) mas que empregavam a
mesma filosofia.
O descompasso
da situação era evidenciado pelos alarmantes índices de acidentes que
ocorriam nos convôos. Alguns líderes navais daquela época eram sépticos
quanto ao futuro do jato embarcado. E eles estariam certos caso a
genialidade britânica não tivesse inventado três modificações
estruturais.
Desenvolvimentos e
mudanças
Coube aos britânicos
a honra do primeiro pouso de um avião a jato a bordo de um NAe. Tal fato
ocorreu no dia 3 dezembro de 1945, quando um Vampire pousou a
bordo de HMS Ocean, da classe Colossus. De imediato
ficou provado que estes aviões, por serem muito velozes e perigosos,
representavam um sério risco à segurança das operações aéreas
embarcadas.
Não eram só os NAes que
apresentavam deficiências. Os motores a reação daquela época
respondiam de forma muito lenta aos comandos do piloto principalmente em vôos
de baixa velocidade, quando estes se aproximavam para o pouso. Isso
resultou em acidentes terríveis com aviões que colidiam com a popa do
navio. Por outro lado, quando os aviões vinham muito alto e perdiam os
cabos de frenagem, a tendência de colidirem com outras aeronaves
estacionadas no convés era muito alta, pois as velocidades de pouso eram
muito elevadas para a época.
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Um Vampire
pousando no HMS Warrior. Com o convés emborrachado, o pouso
era realizado sem o trem de pouso. Anos depois, o Warrior
foi reformado e vendido para a Argentina como ARA Independencia.
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Tentando contornar o problema
do pouso, a Royal Navy desenvolveu uma série de projetos
singulares, alguns bastante interessantes,
como o convés flexível de borracha instalado no HMS Warrior em
1948, novamente a cargo dos Vampires. A proposta que melhor
funcionou foi o convés angulado ou convés em ângulo. Isso possibilitava
a uma aeronave que não se "enganchava" a capacidade de
simplesmente acelerar e tentar um novo pouso. Primeiramente foi
estabelecido uma inclinação de 10º para bombordo a partir da linha de
centro. Testes experimentais a bordo do HMS Triumph foram
conduzidos em fevereiro de 1952. Na USN o USS Antietan foi
escolhido para receber a modificação em junho de 1952. Os testes
norte-americanos foram completados com sucesso em julho de 1953.
Outra inovação inglesa que
auxiliava o pouso em NAes era o dispositivo de espelho. O conceito era
muito simples - num espelho localizado no NAe, junto a pista de pouso, o
piloto deveria focalizar uma série de luzes de modo a produzir um padrão
que só poderia ser visto por ele caso estivesse numa determinada rampa
de descida. Esse sistema dava ao piloto uma informação bastante
precisa sobre a sua localização espacial e eliminava a figura do
"batedor" no convôo. Como resultado das duas inovações britânicas,
o convôo em ângulo e o dispositivo de pouso por espelhos, a taxa de
acidentes na USN caiu sensivelmente.
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| Primeiro lançamento
por uma catapulta a vapor. Um S-2F decola do convôo do
USS Hancock em junho de 1954. |
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Em função de suas
características, as aeronaves a jato necessitam de um comprimento de
pista muito maior que suas similares a hélice. Em terra isto foi
simplesmente resolvido aumentando o comprimeto das pistas. No mar, a
ausência de longos comprimentos era compensada com as catapultas
hidráulicas e assim os jatos operaram embarcados durante a Guerra da
Coréia. Porém, uma nova geração de caças a jato estava por vir.
Projetos como o XF8U-1 (posteriormente F-8A Crusader) não seriam viáveis
se não ocorresse um maior desenvolvimento das catapultas.
Deve-se aos britânicos
(novamente) o projeto da primeira catapulta a vapor. Os testes ocorreram de forma combinada entre ingleses e
americanos, sendo que o primeiro NAe equipado com esse dispositivo foi o USS
Hancock (CVA-19). As modificações no NAe ficaram prontas em 1954. O avião que teve a honra de executar a primeira
catapultagem foi um S-2 Tracker em 1º de junho de 1954. O projeto
da catapulta a vapor obteve tanto sucesso que as mesmas são utilizadas
até os dias de hoje com pequenas modificações em relação ao conceito
original.
A USN
no pós-guerra
Com o fim das hostilidades
tanto no Pacífico com na Europa, os EUA
eram, de longe, a mais poderosa força naval no globo. Isto graças a sua frota
de NAes, que desbancou o encouraçado do título de navio capital. O poder
aeronaval norte-americano era tão grande que apenas alguns números já
demonstram esse quadro. Dos cerca de 1.500 navios de guerra, 99 eram NAes
de várias categorias. Soma-se a isso um frota aérea (USN e USMC) de
aproximadamente 41.000 aeronaves.
Os 99 NAes estavam distribuídos
da seguinte forma; três eram anteriores à guerra (CV-3 Saratoga,
CV-4 Ranger e CV-6 Enterprise), 17 eram da classe Wessex,
além de 8 CVL e 71 NAes de escolta. A USN ainda tinha uma encomenda de
mais 39 NAes de classes variadas, em diferentes estágios de construção.
Nunca na história os oceanos
tinham visto tanta tonelagem concentrada em um país apenas. Só que não
havia mais guerra para uma frota de tamanha magnitude. Além disso, o
desenvolvimento de novas tecnologias tornou parte dessa frota
rapidamente obsoleta.
Reorganização e
Modernização
O primeiro passo foi,
obviamente, reduzir o número de unidades na ativa proporcionalmente à
redução dos gastos militares. Dois Essex (CV-37 Princeton
e CV-40 Tarawa) foram enviados para a reserva com pouco mais de quatro
anos de atividade. Dois dos nove em construção (CV-35 Reprisal e
CV-46 Iwo Jima) foram cancelados e o Oriskany (CV-34) foi
suspenso. Dos 24 CVE encomendados, 16 foram cancelados. No final de 1947
restavam 20 NAes ativos (11 de ataque, 2 CVL e 7 CVE). O número foi reduzido
para 15 NAes (7 de ataque, 4 CVL, e 4 CVE) em junho de 1950, pouco
antes do início do conflito na Coréia.
Os três novos NAes da classes Midway
(CVB-41 Midway, CVB-42 Frankin D. Roosevelt e CVB-43 Coral
Sea), encomendados durante a guerra, foram completados e
comissionados entre 1945 e 1947. Eram os maiores navios até aquela época,
deslocando 55.000 t e capazes de operarem 137 aviões! Tornaram-se os
principais navios da USN até a chegada da classe Forrestal
em 1955, dando início a era dos "super-carrier".
Após o término das
hostilidades na Coréia em 1953, o número de NAe aumentou para 39. Mas
era evidente a necessidade de modernizações nos navios, mesmo a classe Midway,
a maior e mais nova da USN, tinha deficiências e restrições na
operação de aeronaves mais modernas.
Os programas de
modernização da USN
O primeiro
projeto de modernização da frota norte-americana de NAes do pós-guerra
foi planejado ainda em 1946, sob o nome SBC-27. O escolhido para o
processo de modernização foi o incompleto Oriskany, cuja
construção havia sido suspensa no ano anterior.
Sob a
designação de projeto 27A foram incorporados ao NAe novos cabos para
pousos tipo Mk5 e uma catapulta hidráulica H5, mais potente. O convôo
foi reforçado para suportar aeronaves com até 24.000 kg e a capacidade dos elevadores
foi aumentada. A capacidade de armazenamento
de combustível foi modificada por causa dos jatos e outras modificações,
tais como "jet blast deflector", novos
radares, retirada das peças de artilharia do convés, etc, foram
acrescentadas. Todas
as mudanças executadas elevaram o
deslocamento do navio para 40.800 t. Ao todo, nove Essex
receberam as modernizações do programa 27A. O programa foi completado em
1953.
No período
compreendido entre o início do programa 27A e o término deste, muitas
inovações foram introduzidas no campo dos NAes. Após os sucessos
obtidos com os testes da catapulta a vapor C11 no USS Hancock,
outros dois NAes (Intrepid e Ticonderoga) receberam essa
modificação, sob a designação "programa
27C", tornando-se os únicos NAes de convés corrido com catapulta a
vapor.
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| Duas
fotos mostrando momentos distintos na vida do USS Intrepid.
A foto da esquerda mostra o navio em 1944, como originalmente
construído. À direita o mesmo navio com sua configuraçção final
em 1968. |
O programa de modernização
ainda sofreria mais uma mudança em 1953, após a aprovação dos testes
com o convés em ângulo. Esse programa,
designado 125, foi executado em oito dos nove Essex que receberam
as modernizações do 27A, deixando de fora apenas o USS Lake Champlain,
descomissionado em 1966. Além do convés, o programa 125 incluía a remoção
do elevador central na proa, substituído por um novo elevador de
bombordo, à vante da ilha. Nesse programa não foi incluída a substituição
das catapultas antigas pelas C11.
Ao todo, 15 Essex
receberam pelo menos uma das modernizações do tipo 27A, C, ou 125, sendo
que alguns receberam as modificações de diferentes programas ao mesmo
tempo e outros foram modernizados apenas por um dos programas. Todos
os NAes com convés em ângulo receberam o sistema de pouso por espelhos a
partir do final de 1955.
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NAes da classe
Essex submetidos a programas de modernização
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Submetidos
ao programa SCB-27A
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Submetidos
ao programa SCB-27C (posteriormente ao P125)
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Submetidos
ao programa SCB-27C e P125 de foram conjunta
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Entre
1951 e 1956
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Entre
1954 e 1957
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Entre
1955 e 1957
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CVA-9 USS Essex
CVA-10 USS Yorktown
CVA-12 USS Hornet
CVA-13 USS Randolph
CVA-18 USS Wasp
CVA-20 USS Benningtom
CVA-33 USS Kearsarge
CVA-39 USS Lake Champlain
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CVA-19 USS Hancock
CVA-11 USS Intrepid
CVA-14 USS Ticonderoga
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CVA-16 USS Lexington
CVA-38 USS Shangri-La
CVA-31 USS Bon H. Richard
CVA-34 USS Oriskany*
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* O USS Oriskany sofreu um processo
de modernização P125 especial em 1958-59, que basicamente possuía as
características do programa 27C.
** Embora o USS Antietan (CVA-36)
também tenha recebido um convés em ângulo experimental, ele nunca foi
modernizado.
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Os NAes da classe Midway sofreram
modificações semelhantes às incluídas no programa 27C, com o adicional
de uma catapulta no convés em ângulo. O Coral Sea recebeu uma
modernização bem mais extensa, denominada SCB-110, que virtualmente reconstruiu
o navio. Após o programa, esses três navios tornaram-se muito
mais capazes, permitindo que eles operassem por, pelo menos, mais vinte
anos.
O NAeL Minas Gerais e
os avanços tecnológicos
Todos os
aprendizados anglo-americanos do final dos anos 40 e início dos anos 50
foram aplicados na modernização do NAeL Minas Gerais. Tal como os NAes
da II Guerra, o Vengeance possuía um
convés corrido, ausência de catapultas a vapor e elevadores centrais. O
início do programa de modernização começou em 1957, portanto na mesma
época em que eram feitas as últimas reconstruções dos NAes norte-americanos
da classe Wessex. É importante lembrar novamente que os
primeiros testes com convôo em ângulo deram-se em julho de 1953, a
primeira catapulta a vapor a equipar um NAe ocorreu em 1954,
respectivamente quatro e três anos antes do início dos trabalhos de
modernização do Minas.
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A reforma
realizada no Minas Gerais permitiu que o mesmo operasse aeronaves a
jato. Na foto acima, dois Sea Hawk com asas dobradas
estacionados na proa aguardam o pouso de um Fairey Gannet.
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Quando a
reforma ficou pronta em 1960 o Minas possuía as mais recentes inovações
até então, sendo considerado um dos NAes mais avançados da época. A
reforma permitiu ao Minas receber e operar determinados tipos de aeronaves
a jato da época. Como prova disso, foram conduzidos testes com jatos
britânicos Sea
Hawk. O Brasil acabou não operando jatos embarcados naquele momento,
mas a Índia, que adquiriu um NAe semelhante, acabou comprando e operando
os Sea Hawk embarcados.
A única
modificação de grande porte que o Minas não sofreu foi a remoção de,
pelo menos, um dos elevadores da linha central e eventual mudança do
mesmo para um dos bordos. No caso
de um dos elevadores centrais sofrer alguma pane num nível inferior ao do convôo,
as atividades de pouso e/ou decolagem ficariam comprometidas.
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