NOTÍCIAS (janeiro/fevereiro 1998)


Mais dois disparos bem-sucedidos do Aster

aster15.jpg (21727 bytes)O novo míssil anti-míssil de lançamento vertical Aster 15/30, desenvolvido pelo consórcio EUROSAM — que congrega as empresas Thomson-CSF (França), Aerospatiale (França) e Alenia (Itália) — tem tido resultados satisfatórios nos testes conduzidos no centro de testes de Landes. Em 15 de novembro de 1997, um míssil Aster 15 interceptou um alvo sea-skimmer, num ambiente de forte ECM. Este teste foi seguido de outro em 11 de dezembro por um Aster 30 de alcance médio, onde obteve sua primeira validação contra um alvo real. O alvo era um drone C22 voando a mach 0.84 (900km/h) a 30km de distância e a 11.000m de altitude. O míssil subiu até 15km, interceptou o intruso a mach 2.68.

Estes testes serviram para confirmar os testes anteriores: em 8 de abril, um Aster interceptou um alvo sea-skimmer simulado a 7km de distância e executou um impacto tipo hit-to-kill num míssil anti-navio de primeira geração (MM38) a uma distância de 9km.

Com um alcance de 1.7 a 30km, o míssil Aster 15 será usado como sistema de defesa anti-míssil a bordo do novo navio-aeródromo francês Charles De Gaulle, no início do ano 2000. O míssil também vai equipar as fragatas La Fayette (classe "Sawari") para a Arábia Saudita e as fragatas franco-ítalo-britânicas classe "Horizon". Na foto, a seqüência de um míssil Aster 15 executando o turn-over logo após o lançamento.


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A sorte favorece aos bravos*

A fragata Type 22 da Royal Navy HMS Brave (foto) realizou recentemente visita oficial ao Brasil. O primeiro dos dois portos brasileiros visitados pelo Brave foi o Rio de Janeiro, onde participou de manobras com unidades da MB. No dia 1º de março o navio esteve atracado no Porto do Mucuripe (Fortaleza), aproveitando para reabastecer-se de óleo e propiciar um merecido descanso para a tripulação.

 

Após quatro meses de patrulhas nas Ilhas Malvinas (Falklands Islands), o Brave se dirige agora para o Caribe e Estados Unidos quando, ao completar sete meses de mar, deve retornar ao seu porto de origem, na Inglaterra.

Capaz de executar tarefas anti-submarino e anti-navio, o Brave ainda é equipado com o famoso sistema de defesa anti-míssil Seawolf. Descendente direto da Fragatas Type 22 Batch 1 recém-adquiridas pelo Brasil, as unidades tipo Batch 2 possuem a mesma deficiência dos seus predecessores: a ausência de um canhão pesado na proa. (Rutênio Sampaio - Fortaleza)

As principais características do navio:

Medidas
Deslocamento: 4.850 t
Comprimento: 148,3 m
Boca: 14,7 m
Calado: 6,5 m
Tripulação: 270 marinheiros (20 oficiais e 250 praças)
Armamentos
4 lançadores de mísseis Exocet MM38
Sistemas de mísseis anti-mísseis Seawolf GWS25
2 canhões de 20 mm
2 canhões duplos de 30 mm
2 reparos triplos de tubos lança-torpedos anti-submarino
1 Lançador de mísseis Seagnat
Radares
Radar de navegação tipo 1006
Radares de vigilância tipo 967M e 968
2 Radares de rastreio Seawolf tipo 911
Sonar
Sonar ativo 2050
Sonar rebocado (towed-array)  tipo 2031
CIC/Navegação/Comunicações
Sistema eletrônico de vigilância UAA2
Sistema de comando auxiliado por computador
Sistema de ligação de dados entre navios e aeronaves
Sistema integrado de comunicações
Sistema de comunicações por satélite SCOT
Propulsão
2 turbinas a gás Rolls Royce Spey ou
2 turbinas a gás Rolls Royce Tyne
Aeronave orgânica
Possibilidade de hangarar um helicóptero Lynx ou Sea King, transportando mísseis anti-navio Sea Skua, torpedos anti-submarino e cargas de profundidade

*Lema do HMS Brave


Taiwan recebe sexta fragata classe La Fayette

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A sexta e última fragata da classe La Fayette, construída na França, já chegou em Taiwan para a instalação final dos sistemas de armas e testes de mar. Com design stealth avançado, os navios desta classe podem parecer desabitados, pois em todas as fotos tiradas no mar e nos portos não se vê ninguém nos conveses abertos!


Charles de Gaulle entra na reta final e Clemenceau é desativado

gaulle.jpg (17363 bytes)O navio-aeródromo francês Charles de Gaulle à propulsão nuclear foi docado novamente dando continuidade às obras de prontificação.

O programa de construção do navio sofreu diversos atrasos devido aos sucessivos cortes no orçamento de defesa francês. Sua entrada em serviço está prevista para o final de 1999, quando então terão se passado 10 anos desde o batimento de quilha do navio. Por comparação, o último navio-aeródromo americano da classe "Nimitz" foi construído em menos de cinco anos.

O navio-aeródromo francês Clemenceau foi desativado recentemente, mas ainda não se sabe qual será seu destino final. Existem rumores de que esse navio poderia ser transferido para o Brasil.


Navios de guerra alemães e italianos na Ásia Oriental

bremen.jpg (13050 bytes)Uma força-tarefa composta por duas fragatas, Bayern e Bremen, um navio de apoio e um navio-tanque, fez um tour de 4 meses na Ásia, começando em julho do ano passado, que incluiu visitas à India, Malásia, China, Coréia do Sul, Japão, Brunei, Filipinas e Indonésia.

Sem mencionar o navio-escola Deutschland, esta foi a primeira viagem de navios de guerra da Marinha Alemã ao mares da China, depois da Segunda Guerra Mundial. Embora tenham sido realizados vários exercícios com navios das marinhas dos países visitados, o principal objetivo da viagem foi demonstrar os equipamentos navais alemães no lucrativo mercado da Ásia Oriental.

Para não ficar atrás, em setembro do ano passado a Marinha Italiana também enviou duas fragatas, a Artiglieri e a Zeffiro, juntamente com um navio de apoio, num tour similar para 11 países, incluindo uma visita à feira naval de Langkawi na Malásia, em dezembro. Na foto, a fragata alemã Bremen, líder de sua classe.


Marinha do Brasil compra caças A-4M do Kuwait

Os Skyhawk da Marinha do Brasil, adquiridos da Força Aérea do Kuwait, serão provavelmente 23 células, sendo que deste total, apenas 2 biplaces (TA-4KU) e 16 monoplaces (A-4KU) serão operacionais. Estes aviões são os sobreviventes de um total de 30 A-4M e 6 TA-4M adquiridos entre 1977 e 1978. Estes estavam reduzidos a 19 aeronaves operacionais quando o Iraque invadiu o Kuwait em 1990, equipando os esquadrões número 9 e 25.

 

Todas as aeronaves conseguiram fugir para o país vizinho Bahrein em 2 de agosto de 1990 e, de lá, voaram para Dharam, na Arábia Saudita, onde se juntaram aos 16 AMD Mirage F1C/BK da Forca Aérea do Kuwait que conseguiram fugir da invasão iraquiana. Estes aviões receberam então a frase FREE KUWAIT (Kuwait Livre) em suas fuselagens e lutaram ao lado dos demais aviões da Coalisão anti-Iraque. Os Mirage F1 cumpriram 128 missões e não tiveram perdas em combate. Os A-4 realizaram 621 sortidas durante a Guerra do Golfo, sendo que um deles, o A-4KU s/n 820 foi perdido em ação. Após a liberação do Kuwait, os 18 A-4 sobreviventes retornaram ao seu país entre 6 e 7 de julho de 1991, sendo desativados e armazenados em Ali al Salem, como condição para a entrega dos 32 F/A-18C e 8 F/A-18D Hornet encomendados antes do conflito pelo Kuwait. Os aviões comprados pela Marinha do Brasil tiveram os seguintes números de série na Força Aérea do Kuwait:

A-4KU: 801, 802, 807, 809, 811-814, 816-819, 822, 824, 825, 827, 829
TA-4KU:  884 e 886

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Na foto de cima, um dos A-4KU adquiridos pelo Brasil ao Kuwait. Embaixo, uma concepção artística de um A-4 já nas cores da aviação naval brasileira

Todos os aviões são baseados na versão A-4M mas, a julgar por fotos publicadas na revista Air Forces Monthly (AFM), não são equipados com o sistema ARBS (um tipo de telemetro laser) usado pelos A-4M da US Navy/US Marine Corps (Marinha e Corpo de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos). No lugar deste equipamento, os A-4KU parecem levar algum tipo de radar de alcance, provavelmente o APG-53A que equipa alguns dos A-4M e outras versões do Skyhawk. Todos os A-4 Kuwaitianos possuem capacidade de reabastecimento em vôo e têm uma completa suíte de aviônicos, incluindo sistemas de comunicaçãao UHF/VHF, ADF, Tacan, RWR, INS e HUD. Na parte de armamento, são equipados com dois canhões Colt Mk12 de 20mm com 200 projéteis cada e podem transportar até 4.500 kg de cargas externas, em 5 “pontos duros”.

Os Skyhawk podem receber na linha central da fuselagem um pod de reabastecimento em vôo do tipo buddy-buddy Douglas D-704, que além de contar com funil e mangueira para reabastecimento segundo a técnica probe and drogue, pode transportar até 1.135 litros de combustivel. Também a julgar pela análise de fotos da AFM, os modelos biplace usados pelo Kuwait possuem uma carenagem no alto da deriva vertical que deve abrigar algum tipo de equipamento de ECM ou interferência eletrônica. Os modelos monoplace do Kuwait não possuem a mesma carenagem, o que parece indicar que os biplace, além da missão de treinamento e conversão operacional, deviam ter como missão secundária a supressão de defesas ou o apoio eletrônico fundamental neste tipo de missão.

O ideal seria que a Marinha pudesse equipar pelo menos alguns (8 a 10 unidades) dos A-4M com um radar multimode, como o APG-66 (o mesmo que equipa os “novos” Skyhawks argentinos), para que estes tivessem uma melhor capacidade ar-ar para defesa da esquadra. Os demais permaneceriam otimizados para missões de ataque. Os 16 A-4M e 2 TA-4M Skyhawks, são excelentes aeronaves e ainda equipam várias unidades da reserva e da ativa nas forcas navais americanas e outras forças aéreas e navais do mundo. Serão, sem dúvida alguma, uma importante adição ao poder naval brasileiro. Equipados com mísseis ar-ar Sidewinder de versões modernas, como o AIM-9P4 ou equivalentes, darão à nossa Esquadra uma capacidade de proteção antiaérea e de projeção de poder naval nunca antes possuida por nossa Marinha. (Alexandre Fontoura)


Marinha do Chile terá submarinos classe "Scorpène"

Dois novos submarinos classe "Scorpène" substituirão os submarinos da classe "Oberon" na Marinha do Chile (Armada de Chile, http://www.armada.cl), por volta de 2004 e 2006. O processo de seleção dos submarinos teve início em 1990 e em 1991 foram recebidas as primeiras propostas: da Alemanha, com o HDW/IKL-209-1400 MOD; da França, com o Agosta 90; do consórcio DCN-Bazan, com o Scorpène; do Reino Unido, com a classe SS-1400; da Holanda, com o Moray 1400; da Itália, com o Sauro 1300; e da Suécia, com o T-96.

A primeira seleção foi feita pelo Comando da Força de Submarinos, ficando o Scorpène, o 209-1400 MOD e o T-96. Em 1994 o Reino Unido ofereceu quatro submarinos de segunda-mão da classe "Upholder", que também foram considerados. Durante 1994/95 oficiais chilenos inspecionaram os submarinos britânicos, mas concluíram que tanto os "Upholder" quanto os T-96 não preenchiam os requisitos operacionais da Marinha do Chile. Em outubro de 1996 numa análise final restaram o "Scorpène" e o 209-1400 MOD.

 

Em 6 de dezembro de 1996 uma proposta final foi solicitada aos finalistas. A Marinha do Chile concluiu finalmente que o modelo "Scorpène" era melhor que o 209-1400 MOD nas seguintes áreas: nível de ruído, quantidade de torpedos, velocidade de recarregamento dos tubos lança-torpedo, profundidade de operação (superior a 350m), além de um custo de aquisição ligeiramente menor.

Em 13 de dezembro de 1997, ambos os consórcios foram notificados que as negociações seriam iniciadas com o DCN-Bazan, como primeira opção, e que a HDW-IKL ficaria como segunda opção caso algum problema ocorresse. O contrato para a construção de dois submarinos "Scorpène" foi assinado com a DCN-Bazan em 17 de dezembro de 1997, com um custo em torno de US$420 milhões.

A classe "Scorpène" é um desenvolvimento da classe de submarinos nucleares "Améthyste" da Marinha Francesa, visando o mercado de exportação. Possui as seguintes características:

Comprimento total 63.5 m
Boca 6.2 m
Deslocamento
Superfície
Submerso

1,450 t
1,590 t
Velocidade máxima 20 nós
Alcance ( a 8 nós) 6.400 milhas
Autonomia 50 dias
Tripulação 32

Marinha da Austrália compra helicópteros Super Seasprite

spri.jpg (47573 bytes)A Kaman Aerospace International Corp, fechou contrato com o Ministério da Defesa da Austrália para fornecimento de 11 helicópteros Super Seasprite.

O Contrato, no valor de US$600 milhões, inclui suporte técnico, peças de reposição e treinamento.
Os Super Seasprite vão operar a partir das oito fragatas da classe Anzac e terão como função primária aumentar a capacidade de vigilância dos navios, provendo capacidade de detecção e ataque além-do-horizonte. Os helicópteros serão armados com mísseis antinavio Penguin Mk2 Mod 7 (ilustração).