NOTÍCIAS (março/abril - 1998)


Lançado ao mar o décimo NaPa da classe Grajaú

napa.JPG (26737 bytes)Em cerimônia realizada no dia 24 de abril no estaleiro INACE em Fortaleza-CE, foi realizado o batismo e lançamento do décimo navio da classe "Grajaú" (foto), o NaPa (Navio-Patrulha) Guarujá (P49).
A solenidade contou com a presença do Ex-Ministro da Marinha Ivan Serpa, autoridades navais e representantes do governo estadual e municipal.

O Guarujá tem 46,5 m de comprimeto, 7,5 m de boca, calado máximo de 2,72 m e deslocamento total de 213t. Desenvolve uma velocidade de cruzeiro de 24,5 nós (máxima de 28 nós), tem tripulação de 31 homens e autonomia de 3.000 milhas náuticas.

Após as etapas finais de construção e os testes de mar, o navio deve seguir para o Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro (AMRJ), onde serão instalados um canhão Bofors de 40mm/L70, duas metralhadoras Oerlikon de 20 mm, sistemas eletrônicos e de comunicações.

Mais detalhes sobre os navios da classe "Guajaú" estarão disponíveis em breve, na seção DOSSIÊ do Poder Naval OnLine. (Rutênio Sampaio)


MB incorpora mais navios da classe River

h37.jpg (30891 bytes)A Marinha do Brasil aquiriu à Grã-Bretanha mais quatro navios varredores da classe "River", que se somarão às três unidades que foram compradas na mesma ocasião que as fragatas Type 22. Dos três primeiros navios, dois foram convertidos em navios-balizadores, Amorim do Valle e Garnier Sampaio (foto) e um para navio-hidroceanográfico, o Taurus. Os quatro navios restantes serão incorporados e convertidos em navios-patrulha. Serão denominados: Bracuí (P60), Bocaína (P61), Benevente (P62) e Babitonga (P63).

Os navios-varredores da classe "River" deslocam 890t carregados, têm 47,5m de comprimento, 10,5m de boca, 2,9m de calado e uma tripulação de 36 homens. Alcançam velocidade de 14 nós e autonomia de 4.500 milhas. Os primeiros três navios tiveram todo o equipamento de varredura de minas e o canhão de 40mm removido.


Sinal verde para o F/A-18E/F Super Hornet

f18ef1.jpg (26147 bytes)O Pentágono liberou a verba de US$1,32 bilhões para a produção inicial de 20 caças multi-função F/A-18E/F Super Hornet para a US Navy, depois que o Secretário de Defesa Willian Cohen aprovou os planos de correção do problema de "wing drop" surgido nos novos aviões. O problema, que se manifestou em determinadas atitudes e velocidades, provocando a inclinação repentina do avião para um dos lados, foi solucionado com a introdução de metal "poroso" na confecção das asas. 

A US Navy já comprou 12 Super Hornets e planeja adquirir mais 780 deles nos próximos 15 anos, a um custo estimado de US$ 80 bilhões. O Super Hornet é uma versão avançada do F/A-18 Hornet, com comprimento e largura ligeiramente maiores, novos motores F414-GE-400, maior resistência e maior capacidade de carga bélica e de sobrevivência no campo de batalha. Ele leva 33% a mais de combustível, tem um raio de ação 40% maior e 90% dos seus aviônicos e do software são comuns aos do F/A-18 Hornet, facilitando e reduzindo custos de manutenção.


Vem aí o Hawkeye 2000

e2c1.jpg (17696 bytes)Foi concluído com sucesso o primeiro vôo do Hawkeye 2000, a 5ª geração do famoso avião embarcado de Alerta Aéreo Antecipado e Comando e Controle (AEWC&C) E-2C Hawkeye. O vôo, de 1 hora e 42 minutos, foi feito a partir das instalações da Northrop Grumman, em St. Augustine.

O Hawkeye 2000 incorpora uma série de melhorias, incluindo uma atualização no computador de missão (MCU), comunicações integradas por satélite, um avançado sistema de refrigeração e capacidade para engajamento cooperativo (CEC). O equipamento CEC possibilita ao Hawkeye servir como um hub de informações da frota, mesclando informações de diversas fontes, como satélites e radares embarcados ou de outras aeronaves, redistribuindo estas informações para as plataformas que necessitem delas. O equipamento CEC do Hawkeye é uma versão reduzida do mesmo sistema que está sendo instalado a bordo dos navios da US Navy.

 

Em serviço desde 1973, o E-2 Hawkeye pode monitorar 6 milhões de milhas cúbicas de espaço aéreo e mais de 150.000 milhas quadradas de superfície do oceano, detectando e rastreando aviões, mísseis e navios.

Até outubro de 1997, 141 Hawkeye da US Navy e 31 de outros países já tinham sido entregues, incluindo aviões para o Egito, Israel, Japão, Singapura e República da China. A França já encomendou dois E-2C Hawkeye que vão equipar o navio-aeródromo de propulsão nuclear Charles De Gaulle.


US Navy investe na melhoria de sonares em águas rasas

A empresa Torrey Science Corp. (TSC) foi contratada pelo Naval Air Warfare Centre da US Navy para melhorar a abilidade dos sonares na detecção de submarinos em águas rasas. O contrato de US$ 600 mil é dividido em duas fases, como continuação de um projeto já em andamento da Torrey Science para a US Navy.

 

O sistema, chamado de Multiple Access Active Sonar (MAAS), pretende reduzir a interferência nos sonares na detecção submarina. Os futuros cenários previstos pela marinha americana exigirão a busca de submarinos de países operando em águas rasas próximos da costa. Sonares de vários navios operando próximos interferem uns nos outros, degradando o desempenho na detecção. A interferência é mais pronunciada em águas rasas, onde os sinais se refletem no fundo do oceano.

Sonares convencionais tipicamente transmitem um sinal sonoro (o clássico "ping") numa frequência fixa e em determinados períodos. O sistema MAAS usará avançadas formas de onda e processamento de sinal para aumentar o nível dos sinais que podem ser transmitidos e recebidos simultâneamente.


Aumentam as vendas de torpedos Mk.46

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O torpedo Mk.46, usado por 24 marinhas no mundo, é lançado de navios a partir de reparos triplos ou lançadores de foguetes ASROC
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O MILAS é basicamente uma modificação do míssil anti-navio Otomat, para levar um torpedo anti-submarino à distância de 35km

O US Naval Sea Systems Command fechou um contrato de US$31 milhões com a Raytheon Systems Company para o fornecimento de torpedos Mk.46 à duas marinhas estrangeiras. O contrato, feito sob o acordo foreign military sales (FMS) é para 110 torpedos Mk.46 Mod.5 e o upgrade de 20 torpedos Mk.46 Mod.2 para a configuração Mod.5.

A Raytheon espera que a US Navy venha a fechar um segundo contrato para o fornecimento adicional de 72 torpedos Mk.46 Mod.5, aumentando o valor total do negócio para US$49 milhões
O torpedo Mk.46 tem sido produzido continuamente desde 1965 e é eficiente contra submarinos em águas profundas. Lançado de navios de superfície e aeronaves, é a arma padrão de guerra anti-submarino da maioria das marinhas ocidentais, incluindo a Marinha do Brasil.

Segundo a Raytheon, a decisão de transferir navios da reserva para marinhas aliadas tem sido muito positiva para a venda de torpedos anti-submarino.

Em outubro de 1997 a Raytheon assinou um contrato de desenvolvimento de engenharia de US$1,7 milhões com a GIE MILAS, uma joint-venture formada pela MATRA BAe Dynamics da França e a Alenia Difesa da Itália, para apoiar a integração do torpedo Mk.46 ao míssil anti-submarino MILAS, que foi inicialmente desenvolvido para lançar o torpedo franco-italiano MU90. O MILAS é basicamente uma modificação do míssil anti-navio Otomat, para levar um torpedo anti-submarino à distância.

 

O término do desenvolvimento do trabalho de integração e testes de lançamento é esperado para o fim do ano 2000. A partir de então a GIE MILAS poderá oferecer o MILAS como um sistema anti-submarino de longo-alcance para as 24 marinhas que já usam o torpedo Mk.46.

Atualmente, os únicos sistemas comparáveis ao MILAS e capazes de levar um torpedo Mk.46 à grande distância são o ASROC e o Vertical Launch ASROC (VLA) da US Navy, pois o similar britânico IKARA foi desativado pelas marinhas australiana e brasileira. Ambos os modelos do ASROC americanos só podem ser instalados num navio durante a construção ou numa grande reforma. Em contraste, o MILAS franco-italiano pode ser instalado em navios sem grandes modificações, pois os mísseis são armazenados em contêineres, como se fossem mísseis anti-navio.


Canadá adquire os submarinos Upholder ex-Royal Navy

uphold1.jpg (23808 bytes)Foi noticiado que o Governo Canadense está finalizando acordo com a Grã-Bretanha para a transferência dos quatro submarinos classe "Upholder" Type 2400, por cerca de US$800 milhões. Desativados prematuramente em 1993 pela Royal Navy, visando a redução de gastos operacionais, a classe "Upholder" foi projetada para substituir os submarinos da classe "Oberon" e possui características especiais para a redução de ruído.

Desde a sua desativação, estes submarinos foram oferecidos para diversas Marinhas, entre elas a da Austrália, África do Sul, Brasil, Chile e o Canadá. Os "Upholder" têm um casco baseado no dos SSN da classe "Trafalgar", deslocam 2.362t e podem navegar à 20 nós de velocidade submersos. Antes de entrar em serviço na Marinha Canadense, os "Upholder" deverão sofrer algumas modificações e a médio prazo, poderão ser equipados com um sistema de propulsão independente da atmosfera (AIP), possibilitando a esses submarinos a realização de patrulhas sob o gelo.


Austrália lança ao mar o quarto submarino da classe Collins

dechaineux.jpg (26466 bytes)Foi lançado ao mar o submarino Dechaineux, o quarto da classe "Collins" em construção para a Marinha Australiana. O navio foi batizado pela senhora Mary Purbrick, viúva do Capitão Emile Dechaineux, morto a bordo do HMAS Australia quando este foi atingido por um "kamikaze" no Golfo de Leyte em 1944.

Durante a cerimônia de lançamento, o Ministro da Defesa da Austrália Ian McLachlan, chamou de "exageradas" e "irresponsáveis" as críticas feitas ao projeto.

O contrato para a construção de seis submarinos de projeto sueco Kockums Type 471 foi assinado em 3 de junho de 1987, com os trabalhos sendo iniciados em junho de 1989. A última unidade da série tem entrega prevista para setembro do ano 2000. Os "Collins" são grandes submarinos convencionais, têm 77.8m de comprimento, deslocam 3.051t na superfície e 3.353t submersos. Seu armamento consiste de seis tubos lança-torpedos de 533mm para até 22 torpedos Mk.48 e/ou mísseis anti-navio Sub Harpoon.


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Marinha russa continua a ser desmantelada

De acordo com o trabalho World Navies Review publicado na edição de março da revista Proceedings do Instituto Naval da Marinha dos EUA (USNI), a Marinha Russa continua a perder sua operacionalidade por falta de recursos financeiros.

Segundo o artigo, o único navio-aeródromo russo Admiral Flota Sovetskogo Soyuza Kuztenov não vai ao mar desde que retornou de um cruzeiro de treinamento no Mediterrâneo no início de 1996. O navio se encontra atualmente imobilizado na base da Frota do Mar do Norte, aguardando fundos para continuar os reparos iniciados, dos quais só 20% foram completados.

 

Mesmo que torne a navegar, o navio-aeródromo ainda vai demorar muito para voltar operar os esquadrões de caças Su-33, pois há dois anos os pilotos não treinam com estes aviões a bordo.
O programa dos novos submarinos nucleares estratégicos classe "Borey" (Projeto 955), cuja primeira unidade, o Yury Dolgorukiy, teve a construção iniciada em novembro de 1996, só tem 1% do trabalho completado após 15 meses. Tudo indica que, se for mantido o ritmo de desativação das velhas unidades, se não forem providenciados fundos para completar as unidades em construção e para modernizar as unidades atuais, a frota russa de SSBN poderá estar virtualmente extinta em uma década.

Com relação aos navios de superfície, somente um cruzador da classe "Kirov" permanece operacional, o Admiral Nakhimov. Dos outros três navios da classe, Admiral Ushakov não opera desde 1989; o Admiral Lazarev está parado desde novembro de 1997 por falta de recursos para repará-lo; o Peter Velikiy (foto), comissionado no ano passado em honra ao tricentésimo aniversário de fundação da Marinha Russa, permanece parado na Frota do Pacífico, sem recursos para pagar sua tripulação.
Os únicos grandes navios de superfície na ativa são alguns dos 12 destróieres lança-mísseis classe "Sovremennyy" e uns poucos dos seis remanescentes da classe "Udaloy". O único "Modified Udaloy", o Admiral Chabanenko, lançado ao mar em 1992, não está totalmente operacional. Os dois cascos em construção da classe "Sovremennyy" nos estaleiros de St. Petesburgo, Vazhniy e Aleksandr Nevskiy (ex-Vdumchivyy), permanecem em 65% e 35% de sua construção completada, respectivamente, embora somente o primeiro já esteja na água. Cogita-se a possibilidade da transferência destes dois navios para a China no ano 2000.


Seahawks da Royal Thai Navy estão operacionais

sh60thai.jpg (24142 bytes)Os seis helicópteros Sikorsky S-70B7 Seahawk encomendados pela Marinha Real da Tailândia em 1993, já foram todos entregues e começaram o serviço operacional a bordo do novo navio-aeródromo Chakri Naruebet. As duas fragatas classe "Naruesuan" também podem embarcar uma aeronave deste tipo. Usado pela Marinha Tailandesa como uma aeronave multi-missão, o único sensor que equipa este helicóptero é o radar APS-143(V)3, o que causa surpresa, pois nenhum sensor anti-submarino foi ainda instalado. Isto significa que estes helicópteros só poderão realizar ataques a submarinos vetorados pelos navios.

De qualquer forma, existem provisões para instalação futura de sonar de mergulho de profundidade variável e sonobóias, além da capacidade de portar três torpedos anti-submarino Mk.46. Mísseis ar-superfície também podem ser transportados.


Navios classe "Spruance" e "Kidd" começam a ser desativados

dd963-1.jpg (35460 bytes)Por incrível que possa parecer, a US Navy já começou a desativar os primeiros destróieres classe "Spruance" e "Kidd". O USS Kidd (DDG-993) foi o primeiro, em 12 de março, na base de Norfolk. No final de março espera-se a desativação do USS Callaghan (DDG-994) e mais dois "Spruances". Até o final de 98, mais cinco navios desta classe passarão para a reserva e em 1999, os dois últimos da classe "Kidd".
O USS Spruance (foto) foi o primeiro da classe de destróieres que mais controvérsias causou nos EUA, por seu deslocamento de cruzador e o aparente subarmamento. Provou, porém, ser uma das classes mais formidáveis de navios de guerra.

Os navios que estão sendo desativados não receberam as últimas modernizações previstas para a classe, visando compatibilizá-los com os mais modernos "Arleigh Burke" e "Ticonderoga". Sendo assim, a US Navy decidiu não gastar mais nada com eles e só vai manter em operação os navios já modernizados.

Várias marinhas do mundo já demonstraram interesse em sua aquisição, entre elas a da Austrália, Canadá e Taiwan. Quem quiser saber tudo sobre os "Spruances", vale a pena visitar o site The Greyhound Navy Spruance-Class Destroyers.


Submarinos sul-coreanos em operações com a US Navy

IKL KoreaFoi incorporado o sexto submarino do tipo IKL-209-1200 (foto) da Marinha sul-coreana, o Jeongun, e a construção do nono da classe já foi iniciada nos estaleiros Daewoo.

O quarto navio, o Pakui, foi fotografado recentemente em uma visita a Subic Bay nas Filipinas. Ele estava em trânsito, para realizar exercícios anti-submarino com a US Navy ao largo do Hawai.
Os sul-coreanos reconheceram a necessidade de buscar auxílio no melhoramento dos padrões e táticas operacionais, principalmente em guerra anti-submarino. A melhor maneira de se fazer isso é realizar comissões fora das águas nacionais e se juntar a outras Marinhas em exercícios conjuntos.

As Marinhas de Guerra que operam isoladas, ficam em grande desvantagem no desenvolvimento de novas táticas.


Marinha do Brasil poderá comprar Tender de Submarinos

tender.jpg (44255 bytes)Segundo o Jane's Information Group, a Marinha do Brasil poderá adquirir o Tender de Submarinos USS Holland (AS-32) à US Navy.

O Holland é um navio de grande porte, desloca carregado 19.034 toneladas, tem 182,6m de comprimento, mais de 52 oficinas e possui dois grandes guindastes para movimentar pesos de mais de 30 toneladas. Ele foi desativado em 1996 pela US Navy e está atualmente sofrendo modificações para atender aos requisitos da MB.

Os navios dessa classe foram os primeiros do tipo especialmente construídos com o propósito de apoiar a frota de SSBN dos EUA. No Brasil, o navio será usado como navio-oficina, para apoiar os navios da Esquadra.