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Primeiro Aegis a deixar o serviço ativo

No dia 30 de agosto, o USS Valley Forge (CG-50) deixou o serviço ativo da Marina dos EUA. O Valley Forge, quarta unidade da classe de cruzadores Ticonderoga, passa a ser o primeiro navio equipado com o sistema Aegis a dar baixa. A US Navy descomissionará nos próximos 18 meses as primeiras unidades da classe Ticonderoga (quatro navios). Uma das razões é a ausência do sistema de lançamento vertical de mísseis Mk 41, tornando o cruzador incapaz de lançar o míssil de cruzeiro Tomahawk (ver noticiário do bimestre março/abril).

Porém, é possível que o Valley Forge volte a operar em outra marinha. Autoridades de Taiwan demonstraram interesse em adquirir o navio. Em função da crescente frota de submarinos lançadores de mísseis balísticos da China, é possível que os EUA até incentivem tal aquisição. Uma decisão final sobre o assunto dificilmente virá antes no ano que vem. 


Mudanças na Royal Navy

Royal Navy

A fragata HMS Grafton atracada na Base Naval de Portsmouth. Os navios desta classe (Tipo 23) possuem ainda uma vida útil longa. 

O governo britânico finalmente estabeleceu as novas metas para a Marinha do Reino Unido nos próximos cinco anos. A conclusão do projeto e a construção de uma nova classe de navio-aeródromo (duas unidades) estão mantidas. No entanto, o cronograma de baixa do serviço ativo de algumas escoltas já está definido. Três contratorpedeiros da classe Sheffield (HMS Cardiff, Newcasttle e Glasglow) serão descomissionados no final do ano que vem. Como isso, a RN terá descomissionado todos os navios Tipo 42 lote 1, sobrando ainda oito unidades dos lotes 2 e 3.

Em 2006, será a vez das fragatas Tipo 23 HMS Norfolk, Marlborough and Grafton. Elas serão as primeiras unidades desta classe a serem desativadas. O que chama a atenção é que estes navios possuem menos de 15 anos de serviço na RN. No caso da Grafton (a mais nova das três), ela possui menos de dez anos. Caso o Governo decida vendê-las para outra marinha será uma excelente compra de ocasião. Algumas informações não oficiais dão conta de que elas foram oferecidas ao Chile.


Austrália concluirá projeto de novo contratorpedeiro em 2005

O projeto de três novos contratorpedeiros anti-aéreos para a Marinha da Austrália deverá estar concluído no ano que vem. A previsão é de que as unidades entrarão em serviço em 2013 e cada uma delas custará cerca de US$ 2 bilhões. Os navios serão beneficiados pelo acordo recentemente firmado entre os Governos da Austrália e dos EUA na área de desenvolvimento de sistemas de defesa de mísseis, incluindo tecnologia de detecção de lançamento de mísseis balísticos. A Austrália agora está estudando a possibilidade de adquirir mísseis de cruzeiro para equipar os navios desta nova classe. Os mísseis, com alcance entre 250 e 400 km, seriam uma versão simplificada e reduzida do TLAM. Além de armar unidades de superfície, a Marinha da Austrália pretende equipar os submarinos da classe Collins com mísseis de cruzeiro também. Mas neste caso a decisão parece mais complicada, pois o governo não está inclinado a aceitar tal idéia. O anúncio da possível aquisição dos mísseis no entanto gerou um protesto dos países vizinhos,  por exemplo a Indonésia. 


Brasil exportará navios de combate

O estaleiro INACE (Industria Naval do Ceará S/A), localizado na cidade de Fortaleza (CE), anunciou recentemente que construirá um navio patrulha e quatro embarcações menores para o governo da Namíbia. O contrato, avaliado em US$ 20 milhões e celebrado há cerca de dois anos, estava apenas aguardando a autorização por parte da MB. O navio patrulha encomendado, semelhante aos NaPa da classe Grajaú da MB, será a primeira unidade a ser construída. Assim que concluído, o mesmo será exportado para a Namíbia, via Emgeprom. O estaleiro Inace já possui experiência neste tipo de construção naval, uma vez que os NaPa Guanabara (P-48) e Guarujá (P-39) foram construídos ali.


A MB na Operação Timbó II

MB

NaPaFlu da MB durante a Operação Timbó II.

O Comando da Marinha, através das suas unidades subordinadas ao CNAO (Comando Naval da Amazônia Ocidental), participa de mais uma operação na Região Amazônica. A Operação Timbó II, organizada e coordenada pelo Comando Militar da Amazônia (CNA), é a terceira grande ação conjunta da Forças Armadas em menos de três anos. A operação ocorre ao longo de uma área fronteiriça com a Colômbia, o Peru e a Bolívia. Ao todo são  4.300 km de fronteira entre a serra do Tapirapecó, no estado do Amazonas, até o município de Triunfo, no Acre.

A Marinha participa com diversas unidades fluviais, além de helicópteros. Os meios, assim como os integrantes do CFN que participam da operação, estão divididos em duas Forças Combinadas: a Força Combinada Solimões (FCS) e a Força Combinada Japurá (FCJ).

O objetivo da operação é intensificar as ações de vigilância das fronteiras, incluindo o patrulhamento das calhas dos rios e a fiscalização das embarcações. Além disso, ações cívico sociais (ACISO), com distribuição de medicamentos, consultas médicas e odontológicas serão prestadas às populações locais. No ano passado o CMA mobilizou um contingente de aproximadamente 4.700 homens das três Forças. a primeira operação foi realizada no final do mês de junho, ao custo de R$ 7 milhões. Para maiores informações visite o sítio da Operação Timbó II.


Grupo-Tarefa japonês visita portos brasileiros

M. Lopes

Chegada do Kashima ao porto de Santos na manhã do dia 15 de julho.

Um Grupo-Tarefa da Marinha do Japão chegou ao Brasil no último dia 15 de julho. O grupo é composto pelo navio de instrução Kashima, escoltado pelos contratorpedeiros Hamagiri e Umigiri.  A última visita de um grupo como este ocorreu em 1998. Como de costume, uma das embarcações (o Kashima) seguiu para o porto paulista de Santos, onde a presença da colônia japonesa no estado é marcante. As duas escoltas atracaram no porto do Rio de Janeiro. O grupo realiza uma viagem de instrução, com duração estimada em 108 dias e 27.980 milhas marítimas. Os três navios partiram do Japão no dia 20 de abril e já passaram por 12 portos em 8 países. O retorno está previsto para 17 de setembro próximo. 

O Kashima é um navio projetado especialmente para a instrução dos futuros oficiais da Marinha do Japão. De construção moderna, o navio foi lançado ao mar em 1994 e entrou em serviço no ano seguinte. O seu armamento está restrito a um canhão OTO-Breda na proa. Na popa, existe um convés que pode receber uma helicóptero.

Os dois contratorpedeiros pertencem à classe Asagiri, uma evolução da famosa classe Hatsuyuki. A classe é composta por oito navios que entraram em serviço no final dos anos oitenta e início dos anos noventa. Uma característica interessante destes navios é a diversidade dos seus equipamentos, incluindo armamento italiano e norte-americano, propulsão britânica e sensores japoneses. O armamento é bastante variado mas basicamente voltado para missões A/S. Foi um navio desta classe (o Yuugiri) que em 1996 derrubou acidentalmente um bombardeiro A-6 Intruder na US Navy com seu canhão Vulcan Phalanx. Os Asagiri eram as escoltas mais modernas da Marinha do Japão até a entrada em serviço classe Kongo, com seus sistemas AEGIS.


Regulamentação da Patrulha Naval

No último dia 6 de julho, o Presidente da República assinou o decreto nº 5.129 que regulamenta as atividades da Patrulha Naval, de responsabilidade do Comando da Marinha. A Patrulha Naval, antes denominada Patrulha Costeira, está incumbida de fiscalizar e fazer valer o cumprimento das leis e regulamentos em todas as áreas sob sua competência. Para isso, todo e qualquer meio disponível, seja embarcação ou aeronave da MB, poderá ser utilizado na tarefa.

O procedimento adotado será inicialmente o estabelecimento de comunicação com a embarcação, solicitando que a mesma pare para ser inspecionada. Caso o aviso seja ignorado, um tiro de advertência poderá ser disparado. Outros disparados ocorrrerão caso a insistência em não parar persista, ao mesmo tempo em que a tentativa do estabelecimento de comunicações prosegue. Por último, e como medida extrema, tiros diretos serão disparados contra a embarcação infratora, até que a ordem seja atendida. Na eventualidade da embarcação suspeita contratacar, a Patrulha Naval poderá utilizar munição explosiva. O novo decreto,  vem sendo considerado a versão naval da "lei do abate".