NOTÍCIAS


Lançado o USS Texas, segunda unidade da classe Virginia

Northrop Grumman

O USS Texas no interior do dique antes da realização da cerimônia de lançamento.

Após quase dez anos sem lançar um submarino ao mar, o estaleiro norte-americano Newport News (do grupo Northrop Grumman) lançou no último dia 9 de abril o USS Texas (SSN 775). O batimento de quilha ocorreu em julho de 2002 e o navio foi batizado em julho de 2004, numa cerimônia que contou com a participação da primeira dama Laura Bush. O primeiro submarino da classe foi entregue  em outubro do ano passado e o Texas está previsto para ser entregue a USN em 2006.  Além destes, existem mais oito unidades contratadas e um total de trinta projetadas. No ano fiscal de 1998, a estimativa era de que o programa completo custaria 56 bilhões de dólares. No entanto, somente o custo inicial da primeira unidade já superava 4 bilhões.  A classe Virginia é a primeira classe de submarinos totalmente desenvolvida segundo os parâmetros da nova ordem mundial e não mais segundo os paraâmetros de um oponente com as características das forças soviéticas. 


Primeira unidade Horizon lançada ao  mar

No último dia 10 de março, o estaleiro francês DCN lançou ao mar a fragata antiaérea Forbin, primeira unidade da classe Horizon. A classe Horizon foi desenvolvida para controlar o espaço aéreo sobre o grupo de batalha, comandar e coordenar a defesa aérea ou proteger deternimadas unidades navais como navios-aeródromos. Para isso, contam com o novo sistema de mísseis Aster. O projeto nasceu em 1991, quando os governos da Grã Bretanha, Itália e França decidiram desenvolver uma nova classe de escoltas antiaéreas. Em 1999, a  Grã Bretanha saiu da parceria e no ano seguinte foi assinado o contrato de desenvolvimento do projeto entre França e Itália. Segundo o cronograma do consórcio binacional, o Forbin deve ser entregue à Marinha da França no final de 2006. A primeira unidade italiana deve ser lançada ainda este ano. A conclusão do projeto está prevista para 2009, com a entrega da segunda unidade italiana.


Fragatas voltam ao setor operativo da MB

As fragatas da Marinha do Brasil Niterói (F-40) e Independência (F-44) voltaram ao setor operativo da esquadra após um período de modernização. O retorno foi marcado por uma cerimônia realizada no dia 11 de março, que contou com a presença do Comandante da Marinha. Os dois navios estavam passando pelo Programa de Modernização das Fragatas Classe Niterói - "ModFrag". O programa teve início com a Fragata Liberal, em novembro de 1997. Na seqüência, vieram as fragatas Defensora (2000), Independência (2001), Niterói (2002), União (2003) e Constituição (2004). Já estão operando com a esquadra a Liberal e a Defensora. O programa estará completo quando as duas últimas, União e Constituição, estiverem prontas.   


Última missão do HMS Cardiff

O contratorpedeiro HMS Cardiff da Royal Navy estará saindo para a sua última missão no dia 14 de março. O descomissionamento do mesmo está previsto para o meio do junho deste ano, após 26 anos de muitos serviços prestados para a marinha de sua Majestade. Durante os quatro meses que estará navegando, o navio deverá participar de exercícios navais com outros navios da  OTAN no Mediterrâneo, além de fazer parte de uma força multinacional anti terrorismo, impedindo que os mesmos usem rotas marítimas naquela área.

O Cardiff é o mais antigo dos contratorpedeiros da classe Tipo 42 (ou Sheffield) construídos para a RN ainda em atividade e o único sobrevivente do Lote 1. Dos 14 navios construídos (em três diferentes lotes), cinco já deram baixa (Birmingham, Newcasttle, Glasgow) ou foram perdidos em combate (Sheffield e Conventry). O Cardiff foi lançado em 1974 e comissionado em 1979. Em 1982, participou dos combates nas Ilhas Falklands/Malvinas contra as forças argentinas. Durante aquele conflito, o navio saiu praticamente ileso mas acabou derrubando por engano um Gazelle do exército britânico com um míssil Sea Dart GWS-30. Posteriormente, esteve envolvido em outras guerras espalhadas pelo mundo como a Guerra do Golfo em 1991 e no Mar Adriático apoiando as forças multinacionais nos Balcãs.


Lançado ao mar o submarino Tikuna

AP

Cerimônia de comemoração de lançamento do submarino Tikuna no AMRJ. 

O submarino da Marinha do Brasil Tikuna (S-34) foi lançado ao mar no último dia 9 de março. A cerimônia de batismo e lançamento ocorreu no Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro (AMRJ) e contou com a presença de diversas autoridades, incluindo o Comandante da Marinha, o Ministro da Defesa e o Presidente da República. A conclusão dos trabalhos deve ocorrer em dezembro.

O Brasil é um dos três países do Hemisfério Sul capaz de construir seus próprios submarinos e foi o primeiro a lançá-los. A Argentina, que iniciou seu projeto de construção muito antes, não chegou a completá-los (ver texto sobre o assunto em "Biblioteca"). Deste grupo também participa a Austrália, que lançou o seu primeiro Collins em 1990.

O Tikuna é uma versão modificada e ampliada da classe alemã ILK 209/1400. O projeto nasceu a partir dos novos requerimentos por parte da MB somado às experiências adquiridas pelo AMRJ na construção de três unidades IKL 209/1400. Além de ser 0,85 m mais longo (para acomodar uma motorização nova), o submarino incorporará novos sensores e equipamentos de comunicação. Planos iniciais para a construção de mais uma unidade ("Tapuia") foram abandonados e a Marinha se concentrará no projeto de um submarino inteiramente nacional denominado SMB-10.


USN planeja afundar o USS America

AP

O USS America atracado na Filadélfia aguardando um destino final.

A marinha dos Estados Unidos planeja afundar o navio-aeródromo USS America (CV-66). O objetivo é simular um ataque e observar o comportamento do casco de um NAe desse porte. Segundo o projeto, explosivos seriam colocados abaixo e acima da superfície, simulando ataques com torpedos, mísseis de cruzeiro e, possivelmente, pequenas embarcações utilizadas em ataques suicidas como aquele executado contra o USS Cole no ano de 2000, no Iêmen.

A tarefa de afundar um "super-carrier" levaria um tempo considerável. Algo entre quatro e seis semanas, incluindo a instalação de todos os explosivos. Um ponto distante no Atlântico Norte seria escolhido e, em função de certos aspectos classificados, somente algumas pessoas poderiam assistir ao evento. Avaliado em U$ 22 milhões, os estudos forneceriam informações fundamentais para a próxima geração de navios-aeródromo, atualmente em projeto. 

O USS America foi retirado do serviço ativo em 1995 e desde então permanece na Filadélfia. Terceiro navio da classe Kitty Hawk, o America participou, dentre outros conflitos, da Guerra do Vietnã, de ações contra a Líbia em 1986 e da Guerra do Golfo em 1991. Após 31 anos de serviços, foi "aposentado" por redução de despesas militares ocorridas após o término da Guerra Fria. 


Batida a quilha do primeiro NPa para a Namíbia

INACE

Foto do P-48 Guanabara durante sua construção no estaleiro INACE. O Brendan Simbwaye é bastante semelhante.

No último dia 28 de fevereiro foi batida a quilha do navio-patrulha NS Brendan Simbwaye, primeiro navio construído no Brasil para a Marinha da Namíbia. O navio, fruto do acordo comercial entre o Ministério da Defesa da República da Namíbia e a Empresa Gerencial de Projetos Navais (EMGEPRON), foi assinado em junho do ano passado e prevê a construção de cinco embarcações - um navio-patrulha de 200 t e quatro lanchas-patrulha de 45 t - num prazo de quatro anos. 

A EMGEPRON subcontratou o estaleiro INACE (Industria Naval do Ceará S/A) para a construção do Brendan Simbwaye (classificado como casco "561" pelo estaleiro). No acompanhamento da obra, a EMGEPRON conta com a ajuda da Diretoria de Engenharia Naval (DEN) da Marinha do Brasil. O estaleiro cearense já possui experiência neste tipo de construção naval, uma vez que duas das embarcações da classe Grajaú foram construídas ali. A exportação do Brendan para a Namíbia abre caminho para que outras nações africanas despertem o interesse neste tipo de embarcação.

O acordo comercial é mais uma etapa da cooperação naval entre as duas marinhas, iniciada em 1994 com a criação da Missão Naval Brasileira na Namíbia.  Enquanto os acordos eram discutidos pelas embaixadas dos dois países, a MB decidiu realizar, sem ônus para aquele país, o levantamento hidrográfico do porto de Walvis Bay (base principal da embrionária marinha da Namíbia). O levantamento foi concluído em julho de 1997 e a carta náutica entregue em dezembro do mesmo ano. No ano seguinte ocorreu uma nova etapa de negociações para um Acordo de Cooperação Naval. O acordo seria finalmente assinado em dezembro de 2001 e tinha como objetivo criar e fortalecer a Ala Naval da Namíbia por meio de: a) formação e instrução de militares namibianos em cursos estágios e intercâmbios na MB e b) aparelhamento mediante transferência e aquisição de meios navais. Desde então, a MB forneceu instrução à cerca de 200 homens da marinha daquele país (atualmente o efetivo é um pouco superior a 300 homens). Em relação aos oficiais, aproximadamente 95% deles receberam treinamento em alguma instituição naval brasileira

Em junho do ano passado a MB transferiu, sob a forma de doação, a corveta Purus (classe Imperial Marinheiro) à marinha da Namíbia. Renomeada "Lt Gen Dimo Hamaambo", a corveta realizou uma travessia de 20 dias e atracou no porto de Walvis Bay em 25 de agosto de 2004. A corveta atualmente realiza operações de patrulha, repressão a pesca ilegal e fiscalização aduaneira. O navio trabalha em estreita cooperação com cinco aeronaves Cessna O-2A transferidos pela USAF em 1994 e empregados na tarefa de vigilância marítima. 

Colaborou: Luiz Brazil Cotta - Belém/PA; Rutênio Sampaio - Fortaleza/CE