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Os torpedos dos submarinos portugueses classe ‘Albacora’

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Os submarinos "Albacora" e Barracuda" atracam no pontão da esquadrilha, na Base Naval de Lisboa em Dezembro de 1991

Por João DaCruz Gonçalves

A versão portuguesa da classe de submarinos franceses “Daphné” utilizava sensores e armamento de origem gaulesa.

A classe “Albacora” estava equipada com torpedos tipo E14 e L3 que podia lançar por doze TLT’s de 550 mm, sendo oito interiores, situados na proa e quatro exteriores na popa.

A manobra de embarque dos torpedos era algo complexa e demorada, toda manual, recorria a aparelhos de força que eram montados propositadamente no exterior e no interior do casco. Para abrir as tampas dos TLTI’s era necessário desmontar uma pesada peça de bronze, o “soquete” ou aparelho de lançamento. No mar, o disparo ou lançamento dos torpedos era feito com recurso a essa peça, uma espécia de braço telescópico, accionado hidraulicamente, que expulsava o torpedo. Ao sair o tubo, um gatilho de arranque do motor eléctrico era accionado por uma “espera” ou saliência no interior do tubo.

O torpedo E-14 dispunha duma cabeça de busca e guiamento passiva. Baseado na tecnologia alemã (por ex: o torpedo T-5 de busca passiva) capturada pelos franceses no final da Segunda Guerra Mundial (1944-45), podia ser utilizado contra navios de superfície navegando a velocidades não superiores a 20 nós ou submarinos à cota periscópica (regulação de imersão 6-18m).

Sua bateria de níquel-cádmio permitia-lhe navegar uma distância máxima de 5.000m, a uma velocidade de 25 nós. O sensor de busca tinha um alcance de detecção eficaz de 350 metros e máximo de 800m, sendo composto por quatro transdutores trabalhando por diferença de fase, com uma largura de banda de 1 kHz, numa frequência de 25 kHz.

Sua carga explosiva de 200 kg de TNT era actuada por uma espoleta de contacto ou influencia magnética de proximidade com alcance de 4m. Introduzido em 1960, foram construídos perto de 1.000 unidades.

O L-3 era um torpedo anti-submarino com uma cabeça de busca de pesquisa activa, que utilizando um transdutor acústico activo numa frequência de 32 kHz, tinha um alcance máximo de detecção de 1.000m. A sua carreira de pesquisa era efectuada a 30m de profundidade, sendo as variações de cota com ângulos de subida descida limitados a +10 e -40 graus, respectivamente. A espoleta actuava por contacto ou proximidade acústica a 20m. Em termos de alcance, velocidade e carga explosiva era muito semelhante ao E14. Introduzido em 1960 foram construídos perto de 600 unidades.

Dimensões e peso:

  • E14 – 4300 x 550 mm, 925 Kg
  • L3   – 4300 x 550 mm, 910 Kg

 

Ao longo da sua vida operacional, os “Albacora” efectuaram inúmeros disparos de torpedos de exercício com alvos de superfície e submarinos, mas apenas dois torpedos de combate, um L3 em 1982 contra o navio-tanque “Bandim”, que se encontrava semi-afundado e constituía um perigo para a navegação, e em 1994 um E14, durante um “SINKEX” contra o casco do antigo navio hidrográfico “Afonso de Albuquerque”, uma antiga fragata inglesa da classe “Bay”.

Em 1993, quando da primeira participação num teatro real de operações; operação “SHARP-GUARD”, por ocasião do embargo efectuado pelas forças da NATO aos países da ex-Iugoslávia, o NRP “Delfim” embarcou pela primeira vez doze torpedos de combate.

O "Delfim" prepara-se para partir para a missão "SHARP GUARD" no Adriático. 1994.

SAIBA MAIS: Para ler outros artigos interessantes sobre torpedos,  já publicados pelo BlogNAVAL, acesse os links abaixo:

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Flavio Gabriel
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Flavio Gabriel

Alguem sabe me dizer se a marinha ainda tem algum projeto para fabricacao de torpedos? caso tenha, como anda este projeto?

GHz
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GHz

Não tem projeto, infelizmente.
Os Tupi/Tikuna vão empregar torpedos Mk.48 Mod.6AT estadunidenses, e os Scòrpene vão empregar F21 franceses.

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Mauricio R.
Visitante
Mauricio R.

Matéria mto interessante, gostei!!!

Alexandre Galante
Visitante

Joao, parabéns pelo post!

LM
Visitante
LM

Prezado João,

excelente post!

Galante,

Te mandei um e-mail.

Baschera
Visitante
Baschera

João,

Parabéns pelo seu post. Muitas coisas aí eu desconhecia.

Sds.

darknessdive
Visitante
darknessdive

alguem me pode ajudar a recolher informação sobre salvamento submarino ( fornecimento de ar, extracção da guarnição) em submarinos do tipo: daphné. agradeço

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