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1º de setembro de 1939: o encouraçado Schleswig-Holstein abre fogo

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Schleswig-Holstein

Primeiros disparos navais da II Guerra Mundial saíram dos canhões do velho encouraçado alemão, um ‘pré-dreadnough’ veterano da Jutlândia

Neste 1º de setembro de 2009, estão sendo lembrados os 70 anos do início da Segunda Guerra Mundial. As tropas que realizaram os primeiros disparos, as primeiras aeronaves e esquadrões a soltarem bombas, tudo isso é assunto que rende controvérsias até hoje. Por muito tempo, foi dado como certo que o “início oficial” do conflito veio na forma de granadas de 11 e de 6,7 polegadas disparadas às 4h45 da manhã por um velho encouraçado alemão, o Schleswig-Holstein, em direção a posições polonesas em Westerplatte.

Embora essa “primazia geral” possa ser contestada atualmente por estudiosos do tema, uma coisa é praticamente certa: no que se refere a disparos a partir de uma unidade naval, o Schleswig-Holstein foi o pioneiro do conflito.

O encouraçado era representante da última classe de “pré-dreadnoughts” construída pela Alemanha no início do século XX, a classe Deutchland. Foram 5 unidades completadas entre 1906 e 1908: Deutchland, Hannover, Pommern, Schlesien e Schleswig-Holstein.

Deslocavam quase 14.000 toneladas, tinham comprimento de 127,6m, boca de 22,2 m e calavam 8,3m. Propulsionados por motores de tripla expansão que geravam 19.000hp, conectados a três eixos e alimentados por 24 caldeiras, podiam chegar a 18,5 nós de velocidade máxima, com alcance de 4.800 milhas náuticas a 10 nós.

O armamento principal era de 4 canhões de 11 polegadas (280mm) em torres duplas. O secundário era formado por 14 canhões de 6,7 polegadas (170mm) e 20 de 3,5 polegadas (88mm). O número de tripulantes, somados praças e oficiais, era 743.

O Schleswig-Holstein participou da batalha da Jutlândia (e a classe Deutchland foi a única de pré-dreadnoughts a participar do famoso combate). Absorveu poucos danos na batalha e escapou do destino de um de seus irmãos, o Pommern, que foi afundado. Após a primeira guerra, os quatro sobreviventes da classe estiveram entre as poucas belonaves permitidas para continuar em serviço na Alemanha.

Nos anos 30, o Schlesien e o Schleswig-Holstein sofreram uma modernização em que as duas primeiras chaminés (de um total de três originais) foram unidas numa só, mudando o perfil das belonaves. Por essa época, serviam como navios de treinamento, missão que mantiveram durante a maior parte da II GM.

Com armamento antiaéreo grandemente ampliado, no penúltimo ano do conflito o Schleswig-Holstein assumiu a missão antiaérea ao largo de Gdynia. Lá, foi danificado por bombardeiros britânicos e afundou em águas rasas em 18 de dezembro de 1944. Foi erguido e utilizado para treinamento, por um breve período, pela marinha da Alemanha Oriental. Seu irmão, o Schlesien, foi bombardeado e afundou no Báltico em 4 de maio de 1945.

Assim, pode-se dizer que as relativamente “pequenas” granadas de 11 e 6,7 polegadas do encouraçado Schleswig-Holstein representaram os primeiros disparos navais do conflito, inaugurando uma longa série de inúmeros projéteis que chegaram até o calibre de 18,1 polegadas, e que levaram toneladas de destruição e morte a seus alvos pelos quase 6 anos seguintes.

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Felipe Cps
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Felipe Cps

Setenta anos. E algumas feridas ainda não se curaram.

Interessante lembrar dessa data funesta. Que o expansionismo, o racismo e o ultranacionalismo jamais se repitam, na Europa e no mundo todo.

Abs.

Skywalk
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Skywalk

Felipe Cps
Você disse tudo tomara que algo como isso jamais se repita
no mundo
e todo respeito e honra aos que pereceram nessa que foi o maior crime
que a humanidade ja fez

abraço a todos

Marcelo Ostra
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Marcelo Ostra

Fernandinho, excelente !!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Se precisar de maiores detalhes e desnhos destas belezas, tenho aqui em casa

Inclusive uma 1/350 do Köning

no mundo da “Sapiencia Navalis” é sempre bom mostrar que nem tudo foi Bismark, Yamato, New Jersey, Hood e Missouri ” (so isso pq acabou a “sapicencia navalis”, hehehehehe) e o o Schleswig-Holtein e outros da 1GM e 2GM, principalmente os da 1GM “tambem são gente”

Parabens e abs
Mod MO

Nunão
Visitante
Nunão

Hehe, sabia que vc ia curtir, Marcelão.

Tenho um certo fascínio pelos pré-dreadnought e pelos primeiros dreadnought, especialmente os norte-americanos. O que não quer dizer que também não curta os exemplos alemães, japoneses, italianos, ingleses etc.

Abs!

Rodrigo Rauta
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Rodrigo Rauta

Belíssimo post Nunão!!
Esse tipo de reportagem sempre é muito bacana, principalmente que trata de navios e batalhas sem tanto “glamour” como a de algumas que toda a hora são lembradas.
Faço ate uma sugestão, um post sobre os cruzadores alemaes Gneisenau e Scharnost, que durante algum tempo tocaram o terror com sua guerra corsário!

Abraços!!!!

Joaca
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Joaca

Marcel~~ao
sem contar os velhos pré-drednoughts, temos tb os drednoughts que combateram na 2 GG, tanto do lado americano, britânico, japonês, frances, italiano, russo, alemão e brasileiro. Sem contar os pre gregos e turcos.
at
joaca

Marcelo Ostra
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Marcelo Ostra

Joaca , o Gregorio seria o Averof
E os turco locos seriam o Midili (ex Breslau, classe Magdenburg) e o Yavus Sultan Selim (ex Goeben, classe Moltke) ?

Se forem, o midili era cruzador leve e o Yavus era cruzador de batalha, não obstantes lindos e tocaram terro nas suas carreiras

Abs
Mod MO

Joaca
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Joaca

Os mesmos, obrigado pela correção, estou falandode memória…
Por falat nisto, o gregoriano não foi afundado pelo as dos stukas?
At
Joaca

Marcelo Ostra
Visitante
Marcelo Ostra

Que lembre naum, ele eh museu la

Abs
Mod MO

Nunão
Visitante
Nunão

O Rudel acertou uma bomba na chaminé do Marat (era esse nome mesmo?), soviético.

Esse grego aí que foi afundado (águas rasas, no porto creio eu), se não me engano era um encouraçado ex-US Navy, não era não? Agora não lembro se era de uma das últimas classes de pré-dreadnought ou da primeira de dreadnought dos EUA.

Joaca
Visitante
Joaca

O que me deixa triste é que praticamente nenhum couraçado da 2GG europeu sobrou como museu.
At
Joaca

Marcelo Ostra
Visitante
Marcelo Ostra

Não Fernandinho

Ele era Italiense (de construção), classe Pisa (Amalfi/Pisa). feito no estaleiro Orlando, Livorno (que se nao me engano foi os mesmos dos nossos SUBS, classe F, so que em La Spezia), e não foi afundado naum, realixou patrulhas no Indico na IIGM, como pcapitania da frota gregoriana no exilio, sendo baseado em Bombay durante este periodo

Abs
Mod MO

muscimol
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muscimol

“O que me deixa triste é que praticamente nenhum couraçado da 2GG europeu sobrou como museu.” porque o museu para uns seria o horror para outros ….aqui vivemos num bocado de terra todos muito proximos dos outros… um pouco diferente dos EUA e do Japao…..mas a onde e que havia o dinheiro nessa altura para manter um navio como museu …??!!! ….quando os verdadeiros museus tinham sido saquedos e destruidos. tens tambem de lembrar que havia escassez de metal. Ha uma grande licao a tirar destes tiros … durante anos a alemanha andou a fazer acordos bilaterais com varios paises… Read more »

Nunão
Visitante
Nunão

Agora entendi, Marcelão, vc tava falando de um (ex-marinha italiana) que eu não conhecia, e eu tava lembrando de outros (ex-marinha dos EUA), só que não lembrava os nomes e acabei confundindo.

Enfim, lembrei de onde tinha lido sobre esses últimos, que eram o Kilkis (ex- Mississippi BB-23) e Lemnos, (ex-Idaho BB-24). O primeiro aparece em primeiro plano na foto abaixo, e o segundo, mais distante:

http://www.navsource.org/archives/01/012304.jpg

Abs!

Nunão
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Nunão

Joaca, do mesmo (velho e conhecido) site, a foto do ataque dos Stuka nos dois aos quais me referi no comentário para o Marcelão:

http://www.navsource.org/archives/01/012317.jpg

Agora, se o Rudel estava nesse ataque, não sei, precisaria folhear a autobiografia dele que tenho em casa. Creio que à época do ataque à Grécia o Rudel estava bem no começo das suas operações de guerra, ainda muito longe de se tornar o ás dos Stuka.

URUTAU
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URUTAU

Boa Noite Senhores excelente e apaixonante post com as memórias da 2 GM eu sou um felizaedo possuidor de uma coleção de revistas Em Guarda que vinham diretamente e mensalmente do front de batalha e um tio as recebia via embaixada americana todos os meses este meu tio faleceu deixando este tesouro entreo outros para o meu pai que posteriormente esta rarissima coleção ficou para mim nela encontramos centenas de materias realizadas diretamente no front de batalha assim como outras sobre os esforços de guerra com o envio de recursos e suprimentos dos paises aliados e como um presente semelhante… Read more »

Vassili
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Vassili

Isso sim é que “navio de verdade”, e não esses CVN cheios de penduricalhos…………

Navio bom é navio eriçado de canhões, de preferência que tenha no minimo 8 bocas na artilharia primária (de preferência no calibre 280mm para cima)…………

Ou seja, COURAÇADO NELES!!!!!!!!!!!!

Pena que, nesta mesma época, nossos 2 super dreadnought estivessem muito deteriorados………………

Como seria orgulho para nós, se a MB tivesse conseguido manter os motores (caldeiras vapor) deles em ordem naquela época…….

Abraços.