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NPo ‘Almirante Maximiano’, na Antártica, durante a OPERANTAR XXX

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Participando da Operação Antártica (OPERANTAR) XXX desde outubro do ano passado, o Navio Polar (NPo) “Almirante Maximiano” (H41) está de volta ao Continente Antártico, após o reabastecimento na cidade chilena de Punta Arenas, dando continuidade às ações em prol do Programa Antártico Brasileiro (PROANTAR), que completou 30 anos de criação no dia 12 de janeiro. Tanto o Navio Polar, quanto o Navio de Apoio Oceanográfico “Ary Rongel”, são fundamentais para o apoio logístico à Estação Antártica Comandante Ferraz (EACF), bem como nas coletas de dados oceanógrafos na Região Antártica e em apoio aos projetos científicos desenvolvidos pelo Brasil na região.

O NPo “Almirante Maximiano” instalou, durante seu último Período de Manutenção Geral, ocorrido em 2010, diversos equipamentos científicos e de apoio à pesquisa, de modo a prover à comunidade científica os mais modernos recursos nas áreas de Hidrografia, Geologia, Biologia e Geofísica. O meio naval tem, ainda, capacidade de ser empregado para levantamentos hidroceanográficos, visando a atualização de cartas e publicações náuticas, sem prejuízo às atividades do PROANTAR.

Entre os dias 9 e 11 de janeiro, o NPo “Almirante Maximiano” esteve envolvido nas atividades logísticas do 4o voo de apoio ao PROANTAR, realizado pela Força Aérea Brasileira. Esses voos são periódicos e envolvem o emprego de aeronaves “Hércules”, transportando material e pessoal do Brasil até a Base Aérea Antártca Presidente Eduardo Frei, do Chile, localizada na Ilha Rei George, a mesma onde se encontra a EACF. O navio, empregando seus botes e suas duas aeronaves orgânicas UH-13 “Esquilo”, fez o transporte de pesquisadores e materiais diversos a serem utilizados pela EACF, pelo próprio navio e pelos projetos científicos.

Na Ilha Rei George, há oito Estações científicas de nacionalidades diferentes que se apoiam mutuamente em diversas situações. No dia 12 de janeiro, foi efetuado o desembarque de três pesquisadores com destino à Base Antártica Henryk Arctowski, operada pela Polônia, uma das mais próximas da EACF, em um deslocamento que durou aproximadamente 15 minutos de bote.

Pesquisador se prepara para ser transferido, de bote, para a estação polonesa

 

Pesquisadores realizam atividades científicas na Operantar XXX

Professor Paulo Rocha Campos(ao centro), com seu grupo de pesquisa

O Navio Polar (NPo) “Almirante Maximiano” possui uma intensa rotina de apoio aos pesquisadores embarcados que participam da Operação Antártica (OPERANTAR) XXX. Em sua permanência na Região Antártica, o navio é responsável por prover o transporte, por bote ou aeronave, das equipes envolvidas nos diversos projetos, bem como dos materiais necessários aos trabalhos de campo, aos respectivos locais de pesquisa.

No dia 12, o pesquisador Caio Turbay, da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), ficou com seu grupo na Base Antártica Henryk Arctowski, operada pela Polônia. “Participo de um projeto multidisciplinar que envolve o estudo de solos, a geologia e a respiração provenientes da decomposição de organismos vegetais. Nosso objetivo é, basicamente, entender a dinâmica de perda de gelo pelos glaciares usando esses elementos. Vamos estudar a emissão de gases pelo solo, fazer perfis de solo e verificar o material que a geleira está deixando pela sua decomposição. Como a geleira é muito sensível à variação de temperatura, estamos tentando perceber os efeitos próximos desses glaciares”.

No dia 13, foi a vez do grupo do professor Paulo Rocha Campos, da Universidade de São Paulo (USP). “É importante estudar o que vai acontecer com o manto de gelo no futuro. A maneira como vai desaparecer ou se o que está acontecendo (derretimento do gelo) é simplesmente temporal. Olhamos e lemos isso nas rochas. Estudamos sob o aspecto climatológico, assim como fazemos com os animais e plantas. E o apoio do navio, com os botes e aeronaves, é de fundamental importância. Sem eles, talvez nem estivéssemos aqui”.

O professor começou a pesquisar a Antártica em dezembro de 1981. “O Programa Antártico estava sendo anunciado e eu estava com o projeto de estudar a Antártica. Na época, escrevi uma carta para a SECIRM (Secretaria da Comissão Interministerial para os Recursos do Mar) e, desde então, venho participando praticamente de todas as “OPERANTAR”.

No dia 14, o grupo de cientistas coordenado pelo professor Andrés Zarankin – do Departamento de Antropologia e Sociologia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) -, foi transportado de helicóptero UH-13 “Esquilo” até a Ilha de Livingston, onde realizarão seus trabalhos por 11 dias. Depois, retornarão ao navio com as amostras e os dados coletados, preparando-os para serem analisados no Brasil, quando do regresso.

“Sou arqueólogo e estou estudando as primeiras estratégias humanas de ocupação na Antártica. Ou seja, o primeiro grupo de pessoas que trabalharam e ocuparam a região. Pelo que estudamos até o momento, foram grupos de operários de diferentes companhias de caças de focas, do final do século XVIII, início do século XIX. É interessante que os livros de história fazem referência sempre sobre os grandes exploradores e herois. A arqueologia é o estudo das pessoas a partir da cultura material, que pode ser estudado pelo lixo. A partir daí é que nós verificamos a rotina dessas pessoas”.

De acordo com o professor, argentino de nascimento, a Antártica proporciona que o material a ser estudado seja melhor preservado do que em outras localidades, por funcionar como um grande freezer, que congela esses objetos, conservando-os.

 

Andrés por ocasião do embarque no helicóptero da Marinha

Os pesquisadores que vão em terra estão sempre acompanhados de um alpinista, que auxilia o grupo, fruto de um convênio entre a Marinha do Brasil e o Clube Alpino Paulista, de São Paulo (SP). As maiores dificuldades em campo são as variações climáticas, a perda de visibilidade e o chão, muitas vezes irregular. Nelson Barretta, um dos alpinistas embarcados, nos explicou um pouco sobre a sua função.

“O Programa Antártico demanda que cada acampamento e a Estação Antártica Comandante Ferraz tenha um alpinista. O que nós, alpinistas, fazemos, é cuidar da segurança do grupo e de sua logística. Em acampamentos com até seis pessoas, temos um alpinista. Quando tem mais de seis, são dois alpinistas. Nosso papel é acompanhar os pesquisadores em seus trabalhos e, claro, com nossa experiência, participamos da montagem do acampamento, monitoramento do tempo de montagem do mesmo e as atividades dentro do acampamento. Posso dizer que somos um elo de ligação entre o navio e os pesquisadores”.

  

Durante a permanência do acampamento em terra, o navio continua mantendo contato via rádio com o mesmo para, caso haja alguma emergência, estar pronto para prestar o apoio necessário.

FONTE: NOMAR

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Guilherme Poggio
Editor
8 anos atrás

Nossa! O professor Rocha Campos ainda participa dessas operações? Que ele traga bons fósseis mais uma vez.