Home História Há 26 anos, a fragata USS ‘Stark’ era atingida por dois mísseis...

Há 26 anos, a fragata USS ‘Stark’ era atingida por dois mísseis Exocet durante patrulha no Golfo Pérsico

1874
30

USS Stark

No dia 17 de maio de 1987, a fragata USS Stark da Marinha dos EUA foi atingida por dois mísseis Exocet AM39 lançados por um jato Mirage F1 iraquiano, durante a guerra Irã-Iraque.

Os impactos dos mísseis provocaram a morte de 37 tripulantes, mas por sorte o navio não afundou, devido ao trabalho das equipes de controle de avarias e do mar calmo.

O incidente trouxe ao debate novamente a vulnerabilidade dos navios de superfície aos ataques com mísseis antinavio, a exemplo do que ocorreu com o destróier britânico HMS Sheffield durante a Guerra das Malvinas.

Uma série de erros possibilitaram que a USS Stark fosse atacada por um país amigo na ocasião, o Iraque.

Para o piloto iraquiano, a fragata americana parecia um petroleiro inimigo navegando dentro da zona de exclusão marítima imposta ao Irã. Baseado nas informações que obteve pelo radar e pelo sistema de navegação inercial da aeronave, o piloto iraquiano lançou seus mísseis a 22 milhas da USS Stark.

969712_10151391272803344_510297849_n

Do lado americano, o jato iraquiano foi acompanhado todo o tempo pelo radar de um E-3 AWACS que estava operando na área e que passava informações para os navios americanos no local.

O Mirage F1 foi interrogado por rádio pela USS Stark nas frequências internacionais padrão, mas não obteve resposta, enquanto o avião se aproximava.

Para o comandante e oficiais da fragata americana, seu navio estava fora da zona de exclusão marítima e, portanto, não seria atacado por um avião aliado.

bphoto08_001

Quando se percebeu que o avião iraquiano iluminou e travou seu radar na fragata, tentou-se em vão lançar chaff e colocar o sistema antimíssil Vulcan Phalanx no modo automático, mas já era tarde.

Às 18h10 a USS Stark foi atingida a bombordo no costado, na seção 100, à altura da segunda coberta, por um míssil que não detonou. Depois de 25 segundos um segundo míssil atingiu o navio no mesmo local, explodindo no alojamento da tripulação.

As avarias provocadas pelo ataque foram orçadas na época em 142 milhões de dólares.

O comandante Glenn Brindel e três oficiais da USS Stark foram afastados de suas funções após o incidente. O navio voltou a operar depois dos reparos e continou na ativa até 1999.

945741_10151391275858344_451845627_n

NOTA DO PODER NAVAL: O incidente com a USS Stark colocou em discussão as regras de engajamento em áreas de tensão, onde as ordens superiores muitas vezes atam as mãos dos comandantes que precisam decidir o que fazer em questão de minutos ou segundos.

A fragata americana tinha todas as condições de se defender do avião iraquiano, mas devido às regras de engajamento o comandante hesitou em iluminar o jato iraquiano com seu radar de direção de tiro ou lançar um míssil antiaéreo.

Para os brasileiros a reflexão é importante porque desde novembro de 2011 mantemos fragatas em rodízio liderando a Força-Tarefa Marítima da Força Interina das Nações Unidas no Líbano, uma área de alto risco.

Lista de tripulantes que pereceram a bordo da USS Stark:

943271_10151391271893344_190931931_n

Subscribe
Notify of
guest
30 Comentários
oldest
newest most voted
Inline Feedbacks
View all comments
Júlio Cezar
Júlio Cezar
7 anos atrás

Acredito que a experiência da “Stark” é bem conhecida da MB e os procedimentos seriam outros. Os cursos e treinamentos de GE sempre comentam os incidentes do HMS “Sheffield” e do USS “Starc”, hoje a estória seria outra.

Ace
Ace
7 anos atrás

E hoje são inimigos mortais, repetira tal façanha hoje o Irã ?

Blind Mans Bluff
Blind Mans Bluff
7 anos atrás

Não sei se a historia seria outra. Os sistemas de hoje, mesmo o AEGIS, apesar de avançados e modernos, tem a mesma vulnerabilidade de sempre: o fator humano.

Com tantos aviões civis, militares e trafego naval operando no golfo persico, e depois do tragico incidente do USS Vincennes na mesma região, ninguem opera em modo 100% automatico. Isso significa que, assim como em 1987, o fator humano ainda tem que decidir e apertar o botão vermelho na hora H. E mesmo em modo automatico, nem o AEGIS é garantia de sucesso quando operando em aguas litoraneas.

Emerson
Emerson
7 anos atrás

Essa é uma das minhas preocupações, como foram instruídos os comandantes de nossas fragatas sobre possíveis atos hostis quando em missão naquele barril de pólvora. Caças israelenses voam livremente, podemos ser alvo até de ataques com barcos pequenos ou de mísseis vindo de terra. Afinal podemos ter boas relações com inúmeros países mas num conflito isso conta pouco e sobra pra todo mundo.

joseboscojr
joseboscojr
7 anos atrás

O piloto iraquiano também era uma besta. Usar um Exocet para atacar o que parecia um petroleiro?
No mínimo poderia ter checado visualmente apesar de já ser meio tarde ou então se não tivesse nenhuma outra arma usado os canhões.
O “povo” daquela época não tava nem aí pra um desastre ecológico.

Adriano
Adriano
Reply to  Alexandre Galante
6 meses atrás

exato, vários navios petroleiros os “tankers” foram “agraciados” com fogo de todo tipo de forças dos dois lados do conflito

MO
MO
Reply to  joseboscojr
7 anos atrás

bosco nestes combates o objetivo era este mesmo apareceu no radar disparava nao importa quem era, era minar o comercio de petroleo seu objetico principal, nos (a empresa) tivemos navios exocetados la (atendi o navio, mas a época nao haviamais marca nenhuma)

Joker
Joker
7 anos atrás

O pessoal do COC das Mk10 vivem com o fiofó na mão por lá, isso quando os Davi não resolvem testar propositalmente como está a resposta das Mk10. Não que eles apareçam de surpresa ou outra coisa, mas principalmente porque o tempo de reação é curtíssimo dentro das RoE vigentes…

José Roberto dos S. Soares
José Roberto dos S. Soares
7 anos atrás

Isto comprova a eficiência operacional dos mísseis Exocet comprovado em combate, tal qual ocorreu durante a Guerra das Malvinas em 82, quando o mesmo atingiu o navio da RN.

Daniel
Daniel
7 anos atrás

Será que as Greenhalg vão ter uma change de operar por lá?. Seria interessante vê las operando no Líbano.

MO
MO
Reply to  Daniel
7 anos atrás

E entao, será que neste caso o que os Altes incleses lam,entaram, a falta de canhão embarcdo poderia ser um demerito grande nelas, os quais acertaram na Batch III e os romenicos na Batch II ?

joseboscojr
joseboscojr
7 anos atrás

José Roberto,
Sem querer dizer o contrário, mas a rigor mesmo só a Stark é que foi uma prova real da eficiência do Exocet tendo em vista que ele atingiu um mote de navios mercantes desarmados e em 82 estava à frente do seu tempo e a RN não tinha nenhuma defesa capaz de interceptar o míssil e só contava mesmo com as cotra-medidas (chaffs).
Como disse não estou desmerecendo o míssil, mas só oferecendo uma outra leitura dos acontecimentos e principalmente o AM-39 considero ainda bem avançado haja vista que é o míssil anti-navio padrão do Rafale.

ARMANDO JULIO
ARMANDO JULIO
7 anos atrás

PERGUNTO AOS ENTENDIDOS !!! COM QUE ARMA, QUE DEFESA AS FRAGATAS BRASILEIRAS VÃO SE DEFENDER DOS MISSEIS ANTI NAVIO ??? RESPONDO A QUESTÃO : COM NADA !!!! POIS NÃO TEM CANHÕES ANTI MÍSSIL !!!!AMORIM SINISTRO DA ” DEFESA “ACHA QUE TER ARMAS É BOBAGEM, SOMOS UM PAIS PACIFICO !!!!KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK O BRASIL É RIDÍCULO !!!!!

NOTA DO EDITOR: SEJA EDUCADO, NÃO ESCREVA COMENTÁRIOS SOMENTE COM MAIÚSCULAS.

joseboscojr
joseboscojr
7 anos atrás

Armando,
Os canhões Trinity das corvetas e das fragatas e os mísseis Sea Wolf e Aspide das fragatas têm capacidade antimíssil sea-skimming subsônico.
Também tem a defesa passiva, soft-kill, que faz uso em geral de lançadores de chaffs e flares.

Flávio
Flávio
7 anos atrás

Interessante o fato do primeiro missli não ter explodido.

No ataque ao HMS Sheffield na guerra das Malvinas/ Falklands discute-se tambem se a cabeça de guerra do missil explodiu ou se o incêndio foi causado pelo combustivel remanescente.

A que será que se deve esse fato ? Falha de manutenção ? Na montagem ?

sds.

MO
MO
Reply to  Flávio
7 anos atrás

ao Aluminio, ele foi o vilão

Flávio
Flávio
7 anos atrás

ARMANDO JULIO disse:
19 de maio de 2013 às 18:48

Como bem relatou o amigo Bosco , quanto aos sistemas de armas não estamos não estamos tão vulneraveis.

A questão é se as regras de engajamento de hoje não deixam os comandantes de mãos atadas.

sds.

Bravoone
Bravoone
7 anos atrás

Caro Flávio, o problema da nossa defesa antiaérea, é o seu alcance, que é muito limitado, o conjunto aspide 2000, trinity, chaffs e flares, pode até ser eficiente para defender a camada mais interna, mas está longe de ser o ideal, precisamos urgente de um míssil antiaéreo de maior capacidade, como o Aster 30 por exemplo.

MO
MO
Reply to  Bravoone
7 anos atrás

e claro … = tbm considerar nossa dotalção real destes equipamentos = considerar tbm ´possibilidade de termos “meio que de enfeite’ quantitativamente falando = misseis and munições …

Bravoone
Bravoone
7 anos atrás

Exato MO

joseboscojr
joseboscojr
7 anos atrás

É MO! Uma coisa é termos os canhões certos e os mísseis certos, outra coisa é eles terem a munição certa (no caso do Trinity a 3P é mais adequada para a função antimíssil) ou haver mísseis nos paióis ou nos lançadores dentro de prazo de validade e uma tripulação capaz de operá-los. Como o Bravoone disse carecemos de uma defesa de área, mas que em última análise só serve mesmo para evitar que o GT seja alvo de uma grande variedade de armas, complicando as opções de um atacante. Por exemplo, um GT defendido por um navio de defesa… Read more »

MO
MO
Reply to  joseboscojr
7 anos atrás

verdade Bosco, concordo com tudo, mas eh o tal negocio isso se deve levar muito a serio, pois um dia isso pode matar muita gente sem nem ‘saber de onde veio’ e aqui parece que a politica é ver pra crer o primeiro e depois chorar pelos outros pois nao havera solução eventual para o momento, pois nao terá do mesmo jeito …. ver relação sea wolf x dotação tipo 22 por exemplo, e tomara, tomara que eu esteja falando uma tremenda bobagem …

Bravoone
Bravoone
7 anos atrás

Sim Bosco, correto!

Afonso Sousa
Afonso Sousa
7 anos atrás

Uma pergunta aos amigos, aquela manobra, que se não me engano esta num livro do Tom Clancy, da embarcação fazer uma curva de raio pequeno instantes antes do impacto do míssil, para oferecer uma seção mais elevada do costado, fazendo o míssil atingir um ponto mais distante da linha de flutuação, é uma manobra exequível, válida, ou só existe na ficção?
Abraço

joseboscojr
joseboscojr
7 anos atrás

Afonso,
Pelo que eu sei num ataque de mísseis antinavios o navio tenta manobrar de modo a ficar de frente para o mesmo na tentativa de oferecer uma menor área e na esperança de que os despistadores (chaffs) funcionem.
Claro que essa manobra não se aplica em todos os casos, como por exemplo no caso da Stark, já que a proa da fragata não era servida pelo Phalanx que ficava na popa e não seria correto dificultar a operação do canhão.
Um abraço.

Flávio
Flávio
7 anos atrás

OK ! Bravoone, Bosco e MO. Entendido e concordo.
sds.

X.O.
X.O.
7 anos atrás

Está em estudo o envio de uma FCG para UNIFIL…

victormth
7 anos atrás

Poxa, será que não daria nem um tempinho pro sistema CIWIS engajar e acertar os alvos. Pelo visto o caça iraquiano deve ter disparado bem em cima do navio.
Alguém aí poderia me dizer quanto tempo demorou do lançamento até a colisão dos mísseis Exocet.
Pra mim o Phalanx teria capacidade para agir rapidamente nestes casos, ou será que foi realmente demora de resposta humana. Bem, pra mim pelo menos poderia pegar o segundo míssil.

joseboscojr
joseboscojr
7 anos atrás

Victormth, Levando em conta que os mísseis foram lançados a 11 mn (20 km) de distância eles levaram cerca de 70 segundos para atingir o navio. Tempo mais que suficiente para colocar em ação os sistemas defensivos, a menos é claro que o radar do navio não tenha detectado o lançamento, embora antes tenha detectado a mudança de atitude do radar do caça indicado um ataque iminente. O que não se sabe é qual o tempo de ativação do Phalanx. Duvido muito que seja instantâneo e pode ser até que leve vários minutos, se basearmos no tempo que um computador… Read more »