Home História Naval Malvinas 37 anos – O afundamento do cruzador argentino ARA General Belgrano

Malvinas 37 anos – O afundamento do cruzador argentino ARA General Belgrano

14027
66
Belgrano (2)
Foto tirada por um sobrevivente em uma balsa salva-vidas, momentos antes do cruzador General Belgrano afundar nas águas geladas do Atlântico Sul

Por Alexandre Galante*

No dia 2 de maio de 1982, por volta das 18h30, o submarino nuclear britânico HMS Conqueror disparou três torpedos Mk.8 de tiro reto à proa do cruzador General Belgrano, à distância de apenas 1.380 jardas (1.255m). O primeiro torpedo na proa e o segundo explodiu na popa do cruzador, na praça de máquinas. Vinte minutos depois do ataque, o comandante do cruzador ordenou à tripulação o abandono do navio, em balsas salva-vidas infláveis, que aparecem na foto do alto na cor laranja. Navios argentinos e chilenos resgataram 793 tripulantes do General Belgrano do mar (23 acabaram morreram depois de resgatados), entre os dias 3 e 5 de maio. Um total de 323 homens pereceu no ataque, entre eles dois civis.

Belgrano1
O cruzador General Belgrano era motivo de orgulho para a Armada Argentina

O cruzador General Belgrano era o ex-USS Phoenix da classe “Brooklin”, de 13.500t de deslocamento. Estava armado com 15 canhões de 6 polegadas e oito de 5 polegadas, todos de calibre maior que o dos canhões da frota inglesa. O navio teve sua construção iniciada em 1935 e lançamento em 1938. Ele escapou do ataque japonês a Pearl Harbor em 1941 e foi descomissionado em 1946, sendo transferido à Argentina em 1951.
Além dos canhões, o General Belgrano também tinha recebido lançadores de mísseis Exocet MM38, assim como suas escoltas (embora haja informações de que os lançadores do cruzador fossem maquetes, destinadas a enganar o inimigo sobre suas reais capacidades — ver destaque na imagem abaixo).

ARA Belgrano MM38
O ARA Belgrano armado com mísseis Exocet MM38

Com o envio da frota britânica para o Atlântico Sul em abril de 1982 e o fracasso das negociações diplomáticas após a invasão das Ilhas Malvinas/Falklands por forças argentinas, as frotas do Reino Unido e da Argentina foram colocadas no teatro de operações para a disputa. De um lado, os ingleses planejavam o desembarque anfíbio para retomada das ilhas e do outro, os argentinos pretendiam forçar a desistência dos britânicos infligindo pesadas baixas.

Embora o programa de reaparelhamento da Armada Argentina não estivesse concluído, as corvetas A69 equipadas com mísseis antinavio Exocet MM-38 já haviam sido incorporadas em 1978. Na Aviação Naval, a entrega dos jatos franceses Super Étendard estava sendo finalizada. Os Super Étendard eram armados com o AM-39, versão do Exocet lançada de aeronaves.

A Armada havia incorporado recentemente dois destróieres antiaéreos Tipo 42 de projeto inglês (da mesma classe do HMS Sheffield, que seria atingido no conflito por um AM-39 argentino no dia 4 de maio), também armados com o Exocet MM-38. O míssil também tinha sido instalado em antigos destróieres recebidos usados da Marinha dos EUA (USN).

No dia 2 de maio de 1982, a Frota Britânica enviada pelo Reino Unido para recuperar as Falklands (invadidas por forças argentinas em 2 de abril), já havia entrado na Zona de Exclusão (imposta à Argentina pelo Reino Unido) de 200 milhas em torno das ilhas. A FT estava em algum ponto a nordeste das Malvinas (ver mapa abaixo).

Mapa Malvinas

Às 3h20 da manhã, o almirante Woodward, comandante da FT britânica a bordo do HMS Hermes, foi despertado por seu “staff” com o aviso de que um avião S-2 Tracker argentino tinha iluminado a frota inglesa com o radar de busca e que os argentinos agora sabiam sua posição.

Um jato Sea Harrier foi despachado para a marcação do contato, a fim de investigar. O piloto da aeronave mais tarde informou que, durante o voo, seu RWR (Receptor de Alerta Radar) registrou que seu caça foi iluminado por um radar de direção de tiro, Tipo 909, que equipava os destróieres Tipo 42 argentinos.

25-de-Mayo-S-2-Trackers 2
Os Grumman S-2 Tracker do Grupo Aéreo do ARA 25 de Mayo conseguiram localizar os porta-aviões ingleses nos dias 1º e 2 de maio de 1982
ARA Hercules D28, destróier Type 42 argentino, da mesma classe do HMS Sheffield que seria atingido por míssil AM39 Exocet lançado por um Super Étendard da Aviação Naval argentina no dia 4 de maio
ARA Guerrico
Corveta argentina ARA Guerrico, classe A69 francesa, armada com quatro mísseis Exocet MM38

Desta forma, confirmou-se que a cerca de 200 milhas de distância da FT britânica estavam presentes o porta-aviões argentino ARA 25 de Mayo e suas escoltas Tipo 42, o Santísima Trinidad e o Hércules.

O almirante Woodward sabia que o porta-aviões 25 de Mayo levava 10 jatos Skyhawk capazes de atacar com 3 bombas de 500kg cada, o que significava um possível ataque de 30 bombas à FT britânica, logo após o amanhecer. E ainda havia o temor de que os jatos Super Étendard também pudessem decolar do 25 de Mayo, armados com Exocets.

25 de Mayo
Capitânia da Armada Argentina, o ARA 25 de Mayo era equipado com jatos A-4Q Skyhawk e estava sendo preparado para operar jatos franceses Super Étendard. Com problemas na propulsão, o navio não conseguiu gerar vento relativo suficiente no convoo para lançar seus aviões no momento decisivo

Para piorar a situação, a 200 milhas ao sul das Malvinas estavam à espreita o cruzador ARA General Belgrano e duas escoltas, que poderiam chegar em poucas horas à distância de tiro de seus Exocet contra a FT britânica.

O Almirante Britânico concluiu que o 25 de Mayo e o General Belgrano estavam fazendo um movimento em pinça e que um dos dois precisava ser eliminado. O submarino nuclear HMS Conqueror, comandado por Christopher Wreford-Brown, estava acompanhando o cruzador argentino de perto há dois dias. Já outro submarino britânico, o HMS Spartan, ainda não tinha encontrado o porta-aviões ARA 25 de Mayo. Como a posição do navio-aeródromo argentino não era conhecida, o cruzador foi o alvo escolhido.

O Conqueror descobriu um navio-tanque argentino e o acompanhou até o ponto de encontro com o General Belgrano, chegando a assistir à operação de reabastecimento. As ROE (Regras de Engajamento) não permitiam ao submarino britânico disparar contra o cruzador argentino naquele momento, pois o mesmo se encontrava fora da Zona de Exclusão imposta pelos próprios ingleses.

O almirante Woodward precisava pedir ao Comandante-em-Chefe na Inglaterra para alterar as ROE e ordenar ao Conqueror que atacasse o General Belgrano imediatamente. Mas o pedido enviado à Inglaterra por satélite iria demorar muito, o que poderia fazer com que o submarino perdesse contato com seu alvo.

Assim, Woodward ordenou o ataque enviando a seguinte mensagem ao submarino: “From CTG (Commander Task Group) 317.8 to Conqueror, text prority flash – attack Belgrano group.” Ao mesmo tempo, solicitou permissão da revisão da ROE, esperando que ela fosse atendida, pela emergência da situação.

ARA Bouchard
O destróier ARA Hipólito Bourchard era um dos navios veteranos da Segunda Guerra Mundial, transferidos da US Navy, que escoltavam o cruzador ARA General Belgrano quando foi atacado. Na foto, pode-se ver à meia-nau os contêineres de mísseis antinavio MM-38 Exocet, que ofereciam perigo aos navios ingleses

O Grupo-Tarefa (GT) do General Belgrano estava navegando a 13 nós, acompanhado pelo Conqueror, que fazia perseguição padrão “sprint-and-drift”, que consiste em navegar em grande profundidade a 18 nós por 15 ou 20 minutos, subindo depois para a cota periscópica, navegando a 5 nós, a fim de atualizar a posição do alvo pelo oficial de controle de tiro. Depois, a perseguição recomeçava.

O temor de Woodward e do comandante do submarino era o cruzador rumar para o banco Burdwood, uma elevação no fundo do mar que obrigaria o submarino a navegar numa profundidade menor e perder o contato com seu alvo. Por isso a pressa em tomar logo a iniciativa de atacá-lo, enquanto havia contato.

Às 08h10 do dia 2 de maio, o GT do General Belgrano mudou de curso, agora rumando para o continente. Às 13h30, o Conqueror recebeu o sinal de mudança de ROE vindo da Inglaterra.

O Comandante do submarino, capitão Christopher Wreford-Brown, comentou mais tarde suas impressões sobre a navegação tática do cruzador:

“O comandante do navio, capitão Hector Bonzo, parecia não estar nem um pouco preocupado em ser alvo naquele momento”. O cruzador navegava a 13 nós, com sua escolta de destróieres mais à frente, num leve ziguezague. O comandante do navio argentino não era submarinista e parecia conhecer pouco de submarinos, principalmente os nucleares. Se conhecesse, estaria navegando em velocidade bem mais alta, com os navios-escolta lado a lado protegendo seu costado e fazendo um ziguezague mais agressivo, para evitar possíveis torpedos. Para completar, os escoltas do General Belgrano estavam navegando com os sonares ativos desligados.”

Às 18h30, o HMS Conqueror aproximou-se do General Belgrano em alta velocidade por boreste, passando por baixo de seu alvo e subindo para a cota periscópica por bombordo, a fim de conseguir uma boa solução de tiro.

O comandante Christopher já tinha se decidido em usar velhos torpedos de tiro reto Mk.8 da Segunda Guerra Mundial, pois levavam maior carga explosiva e eram mais confiáveis que os novos Tigerfish Mk.24, guiados a fio. Por precaução, os tubos estavam carregados com 3 torpedos Mk.8 e 3 Mk.24. Os torpedos foram disparados à proa do cruzador, para que encontrassem o navio numa posição futura.

HMS-Conqueror-Falklands-War
HMS Conqueror navegando na superfície acompanhado da HMS Penelope

Segundo o comandante do Conqueror, os disparos dos torpedos foram feitos à “queima-roupa”, numa distância de 1.380 jardas (1.255m), com os operadores de sonar do submarino ouvindo bem alto o característico som dos hélices do cruzador, algo parecido com “Chuff-chuff-chuff… chuff-chuff-chuff…”.

Após 55 segundos do disparo inicial, o primeiro torpedo explodiu na proa do cruzador, no ponto após a âncora e antes da primeira torreta. A proa foi arrancada pela explosão, sendo vista pelo periscópio pelo comandante Christopher, que ficou abismado. Logo veio a explosão do segundo torpedo, que atingiu o navio próximo à sua superestrutura.

O terceiro torpedo acabou errando o cruzador e explodiu, por acionamento da espoleta de proximidade, perto da popa do destróier argentino ARA Bouchard, sem maiores danos. Vinte minutos depois do ataque, o comandante do General Belgrano ordenou à tripulação o abandono do navio, o que foi feito sem pânico, em balsas salva-vidas infláveis.
Como estava escuro, os escoltas do cruzador não sabiam ainda o que havia acontecido, pois este ficou sem rádio após o ataque. Quando perceberam o ocorrido, tentaram inutilmente o lançamento de cargas de profundidade.

Conqueror_jolly_roger
O submarino nuclear HMS Conqueror ao retornar à Inglaterra hasteou a bandeira “Jolly Roger” comemorando o afundamento do cruzador Belgrano

*É jornalista especializado em assuntos militares e editor-chefe da revista e trilogia de sites Forças de Defesa. No final dos anos 80, foi tripulante da fragata Niterói (F40) da Marinha do Brasil, integrando a equipe de apoio ao helicóptero Lynx embarcado. Nos anos 90, colaborou como articulista com as revistas Segurança & Defesa e Tecnologia & Defesa. No jornal O Globo, trabalhou na redação, de 1996 a 2008.

66
Deixe um comentário

avatar
13 Comment threads
53 Thread replies
1 Followers
 
Most reacted comment
Hottest comment thread
27 Comment authors
CARLOS FREDERICO ENRIQUEZLeandro M.Léo BarreiroDouglas FalcãoRaimundo Recent comment authors
  Subscribe  
newest oldest most voted
Notify of
Dalton
Visitante
Dalton

O hasteamento da “Jolly Roger” após uma missão de sucesso é uma tradição britânica.
.
Os primeiros submarinistas eram considerados uma espécie de “piratas”, eram mal vistos
pela marinha de superfície que os consideravam desleais.
.
Depois de um almirante britânico chamar de “piratas” submarinos alemães que haviam afundado navios britânicos, a tripulação de um submarino britânico deu uma bela resposta a esse almirante, arvorando a “bandeira pirata” e ao mesmo tempo defendendo todos
os submarinistas, britânicos e alemães.

GFC_RJ
Visitante
GFC_RJ

Legal! Não sabia disso. Abs!

Rafael_PP
Visitante
Rafael_PP

Caro Dalton, o almirante inglês passou recibo nesta oportunidade. Os submersíveis alemães tiveram certo sucesso na primeira metade de 1917 – há quem acredite que se tivessem mantido o ritmo poderiam ter prejudicado seriamente o Império britânico. Porém, havia um custo político altíssimo: afundar embarcações e matar tripulações norte-americanas.

No final, novas táticas defensivas adotadas – antepassadas dos comboios; a impossibilidade de construir mais unidades e treinar mais submarinistas e a própria paralisia estratégica da Marinha alemã, resolveram a questão para Londres.

Carlos Alberto Soares
Visitante
Carlos Alberto Soares

No tema, guerra é guerra.

Mas até hoje tenho a mesma opinião:

Foi um ato de covardia, os Ingleses tinham que mostrar dentes grandes e afiados, o fizeram.

Lembrando bem aquele dia foi um luto enorme, até hoje sinto isso.

Ezequiel
Visitante
Ezequiel

Literalmente David contra Golias, só o tempo vai desvendar a realidade dos fatos!

Leonardo Costa da Fonte
Visitante
Leonardo Costa da Fonte

Que realidade? Os fatos estão aí… não entendi sua colocação.

Ezequiel
Visitante
Ezequiel

Muito bom o artigo, porém superficial. Nem todos os fatos estão lá e a interpretação sobre o pedido de autorização do ROE é questionável. Tanto que os 2 submarinos que localizaram o 25 de maio tbm enviaram um pedido de autorização para desrespeitar a zona de exclusão, e não receberam. Só que os trackers argentinos tbm tinham identificado os submarinos, e não só a task force.

Veiga 104
Visitante
Veiga 104

Só para complementar. O navio Argentino estava retornando para o continente quando foi atacado. Li várias reportagens na época afirmando que eles retornavam pois descobriram que um submarino os estavam monitorando. Ficou a pergunta na época se realmente foi necessário afundar um navio que não oferecia perigo.

Helio Eduardo
Visitante
Helio Eduardo

Veiga 104, me parece que este tipo de consideração é descabida. A Inglaterra havia sido atacada – as Faklands eram e são território inglês – e o segundo maior alvo da frota inimiga estava no periscópio.

o Belgrano podia até estar se retirando do TO, mas poderia voltar. E mais, se sabiam que estavam senso monitorados, como ficaram navegando a baixa velocidade, com sonares desligados???

Carvalho2008
Visitante
Carvalho2008

Se souberam,pelo sonar passivo porque não ligaram o ativo?

Isto não faria o menor sentido

PACRF
Visitante
PACRF

A Argentina utilizou mal o Belgrano. Na verdade o Belgrano deveria estar no canal central que separa as duas grandes ilhas das Malvinas antes da chegada da frota inglesa. Com seus enormes canhões de longo alcance manteria a frota inglesa à distância e dificultaria mais ainda o desembarque. Essa análise foi feita pelo próprio almirante Woodward em um programa de TV sobre a referida guerra. Aliás, ele disse que o desembarque foi muito difícil. Foi onde os ingleses tiveram suas maiores baixas. De acordo com suas próprias palavras, a infantaria inglesa não aguentaria mais três dias de combate após o… Read more »

Ezequiel
Visitante
Ezequiel

A Argentina não contava com o envio da task force, esse foi o erro fatal. Por melhor que fosse a Armada Argentina jamais poderia enfrentar tamanho poderio inglês, a Argentina foi o pequeno David e a Inglaterra o gigante Golias. Tanto que representou o fim das forças armadas dos hermanos…

PACRF
Visitante
PACRF

Esse não é o entendimento do almirante Woodward.

Ezequiel
Visitante
Ezequiel

Verdade, sorte dele estar do lado com poderio nuclear, tropas com visão noturna, tecnologia OTAN, satélites de última tecnologia…. queria ver se estivesse do outro lado, foram heróis os hermanos que lutaram cientes da inferioridade. Admirável…

Recce
Visitante
Recce

Os argentinos também tinham equipamento de visão noturna.

Rafael Coimbra
Visitante
Rafael Coimbra

apenas 1… so o líder tinha tal equipamento!

Recce
Visitante
Recce

Para quem negativou o comentário…
comment image

Recce
Visitante
Recce

Nem todos os britânicos tinham OVN.

Recce
Visitante
Recce

Guia praticamente completo das armas usadas pelos argentinos nas Falklands:

https://www.taringa.net/+info/armas-utilizadas-por-argentina-en-las-malvinas_vp4np

Léo Barreiro
Visitante
Léo Barreiro

Recce

Obrigado, por postar o link com informações interessantes!

Por favor, sabe me informar se o calibre 9mm era uma boa opção para o T.O?

Lembro não me recordo aonde de ter lido… Que a arma padrão dos ingleses era um fuzil bullpulp la82, por utilizarem um calibre inferior que os ingleses isso pode ter atrapalhado e prejudicado os argentinos no combate?

Recce
Visitante
Recce

Léo, submetralhadoras (9mm) geralmente eram portadas por pessoal que ficava a retaguarda ou cuja função primária não é se envolver em combate direto: tripulações de veículos, pilotos ou pessoal de apoio. Eram usadas para auto-defesa.

Oficiais também as portavam.

O equipamento padrão utilizado pela infantaria de ambas as partes era o fuzil de batalha em 7,62×51.

Ambos utilizavam versões do FN FAL. Os ingleses usavam o L1A1, versão com regime de fogo semi-automático. O

SA80/L85 só começou a ser introduzido a partir de 1985.

Lúcio Josué da Silva
Visitante

Não esqueçam que a poderosa Inglaterra recebeu apoio do Chile e dos Estados Unidos. E mais, implorou a França para que não fornecesse mais mísseis Exocet a Argentina. A verdade, na minha opinião, é que a sua Inglaterra não imaginava a capacidade dos pilotos da força aérea e da armada Argentina, que, apesar de estarem inferiorizados tecnologicamente, mostraram coragem e destreza fantásticas.

Recce
Visitante
Recce

Não foi assim PACRF.

Em 21 de maio os britânicos desembarcaram em San Carlos a 3 Commando Brigade (3 batalhões de Royal Marines) junto com o 2º e 3º Batalhões do Regimento de Paraquedistas (anexados).
comment image?crop=0.10486177311725457,0.13960974002283191,0.18017159199237337,0.21698333677996817&quality=98&rnd=131354499710000000&width=960&cropmode=percentage

Carvalho2008
Visitante
Carvalho2008

Seriam 15 canhões de 6 pol + 8 de 5 polegadas. Se isto estivesse operando nos canais entre as ilhas, o desembarque dicaria inviabilizado até que conseguissem afundar o cruzador. Ele estaria na sua zona de conforto e protegido de mísseis de longo alcance

Recce
Visitante
Recce

Seria interessante uma série “Malvinas 37 anos” no Forças Terrestres contando o histórico dos combates em terra.

karlos
Visitante
karlos

http://misvivenciasenlaguerrademalvinas.blogspot.com veja o SUFOCO dos argentinos em terra no continente dito por um argentino

karlos
Visitante
karlos
Recce
Visitante
Recce

Tenho certa noção. Ambos os lados passaram sufoco.

Ezequiel
Visitante
Ezequiel

O que atrasou e muito os ingleses foi o ataque etendard / exocet ao cargueiro que transportava os helicópteros… esse exocet tinha endereço certo, o porta aviões… esse objetivo foi alcançado depois, o Invincible foi atingido por um exocet já nos últimos dias … mas o que foi preponderante foi a visão noturna, os ingleses tinham e os hermanos não…estrategicamente os ingleses focaram os embates noturnos…

Marcelo-SP
Visitante
Marcelo-SP

Até onde sei, esse ataque ao Invincible nunca foi confirmado. Comenta-se sobre ele ter parado, na volta, por alguns meses para reparo fora da Inglaterra. Mas me parece que está mais para lenda. Tivesse sido realmente atingido por um Exocet, ao menos toda a tripulação ficaria sabendo. E 37 anos depois, alguém já teria dado com a língua nos dentes, apesar de qualquer esforço para manter em segredo. Meu palpite, obviamente.

carvalho2008
Membro
Noble Member
carvalho2008

mas tem muita coisa estranha nesta estoria ai….

de fato voltou novinho….e sabemos que isto é fora da curva…

tem teorias da conspiração mostrando diferença de pintura ( manchões) de tinta onde teria atingido…é estranho o sumiço e o retorno com cara de reformado….teve gente que ate alegava ser o Illustrious que teria feito o papel de dublê….pois havia acabado de ser construido….

de fato tem coisa estranha….e os segredos que estão guardados por sigilo por 100 anos, demonstra que tem coisa seria a altura do tamanho do tempo decretado para o sigilo….

Dalton
Visitante
Dalton

Suavizar a derrota foi o que se tentou fazer com a divulgação de um
ataque aos NAes britânicos.
.
A mesma coisa ocorreu depois da batalha de Midway, quando diante do Imperador se contou a versão que os 4 NAes estavam prontos para lançar as aeronaves quando os bombardeiros de mergulho americanos caíram sobre 3 deles ao mesmo tempo.
.
Melhor que contar ao Imperador que as aeronaves estavam nos hangares e pelo menos 45 minutos antes de poderem ser lançadas…isso já era sabido no Japão, mas, pouco divulgado no ocidente.
.

carvalho2008
Membro
Noble Member
carvalho2008

pode ser…mas que esta pintado na foto ele está….e isto é estranho…pintou onde? em alto mar é que não deve ter sido….

Dalton
Visitante
Dalton

Caro Carvalho…não sei se irá ler ou acreditar, mas, não é algo do outro mundo pintar um navio enquanto o mesmo está ancorado…pode não ficar tão bom como ficaria com o navio atracado a um pier, mas, a tripulação pode fazer. . Mas, independente da pintura recente ou não, o que importa é que o HMS Invincible permaneceu de guarda até setembro enquanto melhorava-se a defesa das Falklands até que finalmente foi substituído pelo HMS Illustrious e pode retornar para uma merecida recepção. . Se tivesse sido danificado pesadamente não poderia ter permanecido de guarda e mesmo que tivesse sido… Read more »

Carvalho2008
Visitante
Carvalho2008

Pode ser
As vezes acho que ele pode ter sido pintado em Ascensão não teria sentido ancorar nas Malvinas mesmo após vitória ainda seria perigoso

A sombra do Ara SAN Luiz ainda existia e não seria prudente arriscar

Carvalho2008
Visitante
Carvalho2008

Na luta em terra, o preponderante foi a consciência situacional

Mesmo com as perdas do Conveyeor, os britânicos contaram com quase 100 helicópteros leves, contra apenas 20 dos argentinos.

Eles sabiam se locomover por conta das informações e reconhecimento destes gelos. Manobraram da forma correta enquanto argentinos estavam quase cegos no próprio território de defesa

Recce
Visitante
Recce

Os argentinos tinham óculos de visão noturna:
comment image

Nem todos os soldados os tinha, mas os britânicos também não. O que tinham mais do que os argentinos era aquelas miras intensificadoras de imagem.
comment image?itok=rt-olpPp

Ezequiel
Visitante
Ezequiel

BIM5 era a força melhor equipada e treinada, porém eram minoria … A maioria era do exército, realmente muito valorosos mas inferiores em todos os sentidos comparados às forças britânicas. E os britânicos ainda tinham os gurkas, e apoio aéreo e naval … superioridade total. Os argentinos tinham ótimos snipers, um deles vitimou o comandante Jones … para espanto britânico.

Recce
Visitante
Recce

É verdade que a maior parte das tropas argentinas eram recrutas com pouco tempo de treinamento, mas nem todas as unidades que combateram lá tinham baixos níveis de operacionalidade. Em Mount Longdon (um dos engajamentos mais duros), os britânicos enfrentaram membros do 7º Regimento de Infantaria (RI 7) da 10ª Brigada de Infantaria Mecanizada. Reservistas convocados pouco antes da invasão, tinham mais de 1 ano de treinamento e haviam participado de exercícios de larga escala e simulações de combate em treinamento para um possível conflito contra o Chile. Um grupo (aproximadamente 60 homens) recebeu treinamento dos comandos, para serem tipo… Read more »

Recce
Visitante
Recce

O tenente-coronel Herbert Jones deu sopa na crista. Foi pego na execução de um lanço contra uma posição argentina. No frigir dos ovos, ele é como qualquer outro infante e passível de ser morto.

E os Gurkhas quase não viram combate nessa guerra.

Carlos Alberto Soares
Visitante
Carlos Alberto Soares

Já existe, pesquise na lupa do Forte.

André Garcia
Visitante

Inacreditável que, em pleno conflito, verifica-se quase nenhuma preocupação do comandante do navio e suas escoltas com eventual presença de submarinos. Muito improviso, precipitações (a principal deflagrar o conflito sem estar realmente preparado e ainda terminando projetos de reequipamento, etc.) e despreparo (submarinos sem condições de disparar um único torpedo, por exemplo).
Receita pronta para o fracasso.
E olha que, mesmo assim, deram trabalho…

ednardo curisco
Visitante

os argentinos cometeram tantos erros que beira o impossível elencar todos,

mas o maior de todos foi achar que não teria guerra.

ednardo curisco
Visitante

os argentinos até hoje acham um ultraje o afundamento do Belgrano. teria sido fora da área aceita como batalha. Se não fosse o belgrano, seria algum outro navio hermano que seria afundado. e na hora que ele fosse a piqui, a armada argentina daria no pé, assim como foi no caso do Belgrano. O mais importante desse afundamento foi a armanda hermana correr para os portos com medo dos SSN ingleses. O Belgrano no máximo seria útil como bateria de canhões. A armada inglesa não teria se aproximado tanto sem a certeza de que tinham relativo conforto quanto às principais… Read more »

Ezequiel
Visitante
Ezequiel

Não foi um ultraje, foi um crime de guerra mesmo, dito pelos próprios britânicos.

Carvalho2008
Visitante
Carvalho2008

Besteira

Arma estratégica rondando o TO e. Mais que legitimo

Carlos Alberto Soares
Visitante
Carlos Alberto Soares

Concordo.

Alfa BR
Visitante
Alfa BR

O comandante do Belgrano pensa diferente, considerava um ato típico de um conflito armado.

Ezequiel
Visitante
Ezequiel

Grande homem, ele foi o último a abandonar a embarcação, aliás existe uma foto que registrou esse momento . Os britânicos queriam o 25 de mayo. A resposta veio no dia 4, hms Sheffield o mais moderno de todos foi detectado por um Neptune remanescente da segunda guerra, acionou o combo etendard + exocet + hercules reabastecimento aéreo….

Parabellum
Visitante
Parabellum

Pela minha análise, uma vez localizada a task force inglesa à NE das ilhas, pensaram os argentinos que suas forças poderiam deixar o porto em segurança, pois não haveria “nada à vista”, pois dois grupos já haviam se lançado ao mar, um deles com o 25 de Mayo – o que muito me admira. Talvez a varredura anti-submarina estivesse bem feita naqueles portos. Saiu o Belgrano em “passeio”. Acho que subestimou o inimigo. Não sei ao certo se sua missão seria para completar um movimento de pinça ou um também clássico martelo e bigorna utilizado em exércitos.

carvalho2008
Membro
Noble Member
carvalho2008

depois da lambança toda feita, não parece que a missão das 3 tasks estariam errada. Havia coerencia do que se espera de uma marinha. inferior ou não, derrotada ou não, o numero de navios que poderiam danificar ou tirar fora de combate dos ingleses seria capital e essencial para a soma das perdas finais que poderiam forçar os ingleses a desistir. Tudo o que os britanicos perderam foi credito da Força Aerea, tivesse a Marinha Argentina colaborado com 4 ou 6 cascos britanicos atingidos a mais, a coisa poderia ter tomado outro rumo. Independente da maior modernidade britanica, os exocets… Read more »

Ezequiel
Visitante
Ezequiel

Os franceses entregaram apenas uma parte dos exocets à Armada Argentina, e sem os códigos… A task force foi surpreendida com os exocets, os hermanos receberam apenas sete … conseguiram abrir os códigos no laço… o primeiro lote consistia em 35 exocets… o desfecho seria outro? Não acredito…os ingleses usaram a dissuasão atômica desde o princípio… pensa que na geopolítica malvinas é um símbolo como Gibraltar, Hong Kong, Suez, Taiwan…

ednardo curisco
Visitante

Lembremos que os hermanos eram bravateiros.

Puxaram o rabo do velho leão mas nunca acharam que o velho iria reagir.

Todas as força estavam despreparadas para uma guerra.

Depois que começou, só a Força Aérea levou a guerra a sério. E ela só soube da invasão na última hora. Só os almirantes e generais fizeram o planejamento. Sacrificaram suas aeronaves.

A almirantada brincou de guerra com submarinos que eram verdadeiros caixões no mar (estado de manutenção lamentável) e mandou sua gloriosa esquadra caçar os britânicos até que teve um navio, pasmem, afundado.

O alto comando do exército foi absolutamente medíocre nas ilhas.

Helio Eduardo
Visitante
Helio Eduardo

Prezados, Essa eterna discussão sobre determinados fatos da Guerra das Falklands/Malvinas não deveria existir, já temos informações de sobra, dadas e confirmadas pelos atores daquele conflito, então não consigo entender porque certas dúvidas. Exemplo? O Comandante inglês disse, mais de uma vez, em entrevistas e programas especiais, o quanto esteve perto da derrota frente às forças argentinas. Outro exemplo? O território continental argentino jamais esteve entre os alvos escolhidos pelos ingleses, face à repercussão negativa que um ataque como esse teria na América Latina. Naturalmente, até pelo profissionalismo e pragmatismo de suas FFAAs, estudaram e planejaram ataques, mas o poder… Read more »

Ezequiel
Visitante
Ezequiel

Foi um erro que os argentinos pagam até hoje, o verdadeiro inimigo não eram os ingleses. Basta ver que a Argentina caminha a passos largos para se tornar uma Venezuela, como bem salientou nosso presidente Bolsonaro na live de ontem.

Carvalho2008
Visitante
Carvalho2008

Não tenho tanta certeza que o território estaria incólume Alguém realmente acha que alguém admite ser atacado, ter levas e levas subsequentes de forças de ataques advindas de bases fixas, e você não considerar danifica-lãs para evitar o ataque inimigo????? Eles não atacaram porque não tinham forças e arrumar arriscaria seus meios acima do planejado. Óbvio que nukes estavam à disposição, mas não era uma opção pois seria um uso de força acima da ética, mesmo naqueles dias. Civis iriam pagar e as consequências mundiais seriam enormes. Mas mesmo que comandos atacassem as bases, ou algum ataque cirúrgico, seria mais… Read more »

Agnelo
Visitante
Agnelo

Por favor, uma duvida.
Os sonares ativos argentinos estavam desligados.
Caso contrario, quanto da liberdade de ação do Sub britanico teria sido reduzida?
Os torpedos antigos seriam os utilizados?
Obrigado

Lúcio Josué da Silva
Visitante

Garanto que se a Argentina tivesse um estoque maior de Exocet o resultado da guerra teria sido diferente. O próprio comandante da força tarefa chegou a afirmar após a guerra que estava próximo de comunicar a Londres que a guerra estava perdida

Ezequiel
Visitante
Ezequiel

Quiçá teriam perdido a primeira batalha, o destino da guerra foi traçado antes ….

Raimundo
Visitante
Raimundo

Tb não entendi isso. O Conqueror passar por baixo do Belgrano e não ser detectado? Sonares desligados? Pode isso?

Cristiano de Aquino Campos
Visitante
Cristiano de Aquino Campos

Interssante o numero de escoltas. 2 para cada navio capital. Recentemente já vi composição similar. Me faz pensar que talvez para o nosso cenário atual e futuro e 3 navios capitais, 8 tamandares sejam o suficiente. E se de prioridade aos submarinos.

Luiz Floriano Alves
Visitante

A Inglaterra recebeu apoio decisivo dos EU. Aviões Electra/Orion de reconhecimento operavam a partir de Porto Alegre, Salgado Filho. Para despistar, as tripulações eram femininas e declaravam estar a serviço do Ano Geofísico Internacional. Hospedavam-se no Plaza São Rafael e comentavam suas missões, na hora do cafe, como se ninguém entendesse o inglês. A conversa versava sobre localizar submarinos Argentinos. Vestiam uniformes civis, mas, se tratavam como Capitan, ou Seargent.

carvalho2008
Membro
Noble Member
carvalho2008

devem existir historias do arco da velha….

Douglas Falcão
Visitante
Douglas Falcão

o RAIO DE 200 milhas entorno das ilhas, chamada de “área de exclusão”, criado pela própria Inglaterra apenas denota que os ingleses iam fustigar com toda força qualquer movimentação dentro do perímetro, não significa dizer por outro lado que iam deixar passar todo e qualquer vetor argentino fora dele. São conceitos diferentes. O Belgrano era ameaça iminente para a esquadra inglesa, navegando, automaticamente era um alvo.

Leandro M.
Visitante
Leandro M.

Acho interessante discutir se um Cruzador e suas escoltas são um alvo legítimo. Fico imaginando se os Argentinos também pensaram nisso.

CARLOS FREDERICO ENRIQUEZ
Visitante
CARLOS FREDERICO ENRIQUEZ

Estive lendo os comentários. É bom deixar claro que os ingleses passaram um belo sufoco, não fizeram nenhum passeio por lá. É claro que a superioridade em armamento e a inocencia e inexperiencia argentina, que nao esperava o ataque ao Belgrano, pois contavam com uma “‘etica” ou “camaradagem” militar. Do povo com a maior tradição em pirataria…? Sim, isso foi um grave erro de avaliação.
Cabe lembrar que no séc. XIX os ingleses foram repelidos em solo argentino mais de uma vez. Talvez isso e mais uns goles de whisky tenham animado o Gen. Galtieri…