Home Aviação Naval Malvinas 37 anos – O ataque ao destróier HMS ‘Sheffield’

Malvinas 37 anos – O ataque ao destróier HMS ‘Sheffield’

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HMS Sheffield (D80)
HMS Sheffield (D80)

Há 37 anos, na manhã de 4 de maio de 1982, o sofisticado destróier Tipo 42 HMS Sheffield (D80) da Royal Navy, foi atingido mortalmente pouco acima da linha d’água por um míssil AM39 Exocet, lançado por um jato Super Étendard (foto abaixo) da Armada Argentina.

O navio de escolta britânico atuava como “piquete-radar” e era responsável pela defesa antiaérea de área de unidades maiores da FT britânica, cujo principal objetivo era a retomada das Falklands com um desembarque anfíbio.

Mesmo sendo equipado com um radar de busca aérea de longo alcance e mísseis antiaéreos Sea Dart capazes de atingir um alvo a pelo menos 20 milhas de distância (37km), o Sheffield não conseguiu detectar a aproximação de dois jatos Super Étendard, nem se proteger do míssil Exocet.

O fantasma da vulnerabilidade de navios de escolta ainda está presente hoje, quase 40 anos depois daquele ataque, apesar dos avanços tecnológicos. A causa disso é uma limitação natural: a curvatura da Terra.

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Na ilustração, jato Super Étendard argentino lança míssil Exocet
Míssil Exocet AM39

Devido a essa curvatura, a partir da linha do horizonte forma-se uma zona cega à baixa altura, não atingida pelo radar. Assim, o alcance do radar de um navio é limitado pela linha do horizonte, contra alvos voando rente ao mar.

Essa vulnerabilidade também está presente nos radares terrestres e é usada por pilotos de aviões do tráfico de drogas, por exemplo, para escapar à detecção.

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Um ataque que contou com a ajuda da aviação de patrulha

A tática argentina para atingir vasos importantes da RN empregava aeronaves de patrulha marítima, como o P-2 Neptune, que repassavam por rádio os contatos às aeronaves de ataque.

No ataque ao Sheffield, um Neptune realizou a função de esclarecimento marítimo, mudando de altitude constantemente e aproveitando a zona cega dos radares britânicos para efetuar apenas algumas varreduras com seu radar, a fim de não alertar os sistemas de MAGE/ECM dos navios britânicos.

Dois Super Étendard decolaram da Base Aérea de Rio Grande armados com um Exocet cada, realizando reabastecimento em voo com um KC-130 Hercules. A operação foi apoiada por jatos Dagger, realizando PAC a 7.000m, armados com mísseis ar-ar, e um Lear Jet, atuando em missão de diversão.

Após o reabastecimento, os Super Étendard continuaram nas coordenadas dadas pelo Neptune, voando a 4.500 metros. Depois, desceram para entrar na zona morta dos radares britânicos, evitando a detecção.

Quando os jatos estavam voando rente ao mar, perto das coordenadas especificadas pelo Neptune, receberam uma mensagem da aeronave de patrulha, confirmando um grande alvo no meio e dois menores nas coordenadas 52º33′ sul e 57º40′ oeste. Além desses, o patrulheiro informou sobre outro alvo mediano, a 52º48′ sul e 57 º31′ oeste. Ou seja, o último navio estava distante dos outros a cerca de 30 milhas.

Os jatos prosseguiram para as coordenadas, sempre “colados” na água, elevando-se a poucos metros a mais para realizar algumas varreduras com seu próprio radar de busca, a fim de localizar os alvos, sem alertar os equipamentos MAGE/ESM britânicos. Ambos os pilotos detectaram um alvo grande e três medianos, travaram seus Exocet no alvo maior e, quando estavam a cerca de 50km de distância, lançaram os mísseis.

Os britânicos declararam mais tarde que os argentinos tinham acertado o Sheffield com o Exocet e um outro míssil tinha passado pela proa da fragata Yarmouth. O Exocet, entre suas muitas habilidades, pode mudar seu curso, caso não encontre o alvo e também possui uma espoleta de proximidade para fazê-lo detonar, se passar muito perto de um navio. Estas e outras características do míssil fizeram com que os argentinos pensassem ter acertado também um outro navio maior, como o porta-aviões HMS Hermes.

HMS Sheffield 2
HMS Sheffield fotografado depois do impacto do míssil Exocet

Exocet ganhou fama entre o grande público, que assistiu pela primeira vez pela TV a uma guerra aeronaval baseada no uso de mísseis. As lições aprendidas pelas Marinhas foram muitas, dentre as quais destacam-se a vulnerabilidade de navios construídos com partes em alumínio, a necessidade de aeronaves de alerta aéreo antecipado e o desenvolvimento de sistemas de defesa aproximada antimíssil (CIWS).

O HMS Sheffield sofreu um incêndio após o impacto do míssil que matou 20 tripulantes. O navio acabou afundando no dia 10 de maio de 1982 quando era rebocado.

O tamanho do rombo provocado pelo impacto do míssil Exocet AM39 no HMS Sheffield. Até hoje há dúvidas se o a cabeça explosiva do míssil explodiu ou não, mesmo entre os tripulantes. O fato é o combustível residual acabou provocando um incêndio que se alastrou rapidamente em todo o navio. 20 tripulantes perderam a vida.
O tamanho do rombo provocado pelo impacto do míssil Exocet AM39 no HMS Sheffield. Até hoje há dúvidas se a ogiva do míssil explodiu ou não, mesmo entre os tripulantes. O fato é o combustível residual do míssil acabou provocando um incêndio que se alastrou rapidamente em todo o navio. 20 tripulantes perderam a vida

The-Sheffield-Demise DPA

Os danos ao HMS Sheffield depois de ter sido atingido por um míssil Exocet em maio de 1982. Foto: PA/PA Archive/Press Association Ima

Mesmo armado com mísseis antiaéreos Sea Dart de longo alcance, o HMS Sheffield não conseguiu se defender do ataque dos mísseis Exocet AM39

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Régis Athayde
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Régis Athayde

Interessante… Essa vitória conseguida pelo Exocet lançado pelo Étendard foi uma das poucas táticas inteligentes aplicadas pelos hermanos, senão a única. Outra coisa é que este fato é um tapa na cara dos chamados terraplanistas, pois se a Terra não fosse curva seria impossível aplicar tal tática de combate, que consiste basicamente em voar abaixo da linha do radar do navio-alvo. Mas os mais fanáticos continuarão insistindo na Terra-Plana, alegando que o acontecido só prova a “estupidez britânica” e da OTAN em geral, kkkk.

Ricardo Bigliazzi
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Ricardo Bigliazzi

Acho que é a doutrina padrão de emprego do equipamento, que por sinal é muito competente.

ednardo curisco
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As aeronaves da marinha e força aérea só contavam com bombas e uns 5 exocet. era o que tinham. e mesmo os exocet ainda tiveram de ser ajustados pelos hermanos, pois os franceses não concluíram 100% da entrega dos mísseis. Acho que o pessoal da aviação foi tremendamente engenhoso e, fiéis à luta, fizeram o que puderam nas condições em que estavam: – só com bombas feitas para alvos terrestres; – operando sempre no limite de combustível; – operavam com pouca informação; – tiveram que se preparar para a guerra com ela já iniciada. Obs.: Aqui no Poder naval tem… Read more »

elton
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elton

um detalhe e que em 1967 os israelenses perderam um destroier para misseis antinavio egipcios e em 1973 ja tinham desenvolvido contra-medidas para derrotar as lanças lança-misseis dos arabes,parece que os britanicos não se atentaram para esse tipo de ameaça, focavam a defesa aeronaval contra ameaças de grande e media altitude e so no inicio da decada de 1980 começaram a empregar sistemas contra misseis antinavio com os Sea Wolf das fragatas Type 22 quando começaram a surgir com maior eficiencia os SSGN sovieticos .

Ricardo Bigliazzi
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Ricardo Bigliazzi

Se não me engano era um Missil Styx.

Carlos Alberto Soares
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Carlos Alberto Soares

Não foi Destróier.

Roberto Luiz
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Roberto Luiz

A Armada argentina foi muito corajosa nessa Guerra, é a minha favorita por ser recente e por ter muito material sobre ela.

É engraçado quando eu escuto dos Almirantes brasileiros falarem em Marinha invicta, você não é invicto se nunca entrou em uma guerra ou se guerreou há 500 anos atrás. É muito fácil falar em invencibilidade se preocupando com limpeza ao invés de equipagem da Força e tomando uísque.

elton
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elton

o comando de aviação naval lutou com bravura durante a guerra especialmente os A-4Q SKYHAWK que sofreram pesadas perdas durante o ataque ao HMS Ardent e os P-2 que voaram no limite estrutural para fornecer dados para os esquadrilhas de ataque

Mauro
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Mauro

Amigo, na boa, estás enganado. A Armada argentina não sai do porto nessa guerra, todos os seus navios ficaram no porto, a Armada argentina de superfície simplesmente não lutou esta guerra, havia alguns SSN britânicos no mar ao redor das ilhas, então não saíram para lutar. Fizeram um movimento de pinça no início dos combates, um cruzador foi afundado, uma de suas escoltas foi atingida por um torpedo que não explodiu, eram duas escoltas que o ARA Belgrano tinha com ele, as duas abandonaram o campo de batalha, deixaram o Belgrano atingido e afundando a sua própria sorte. O outro… Read more »

Alessandro Vargas
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Alessandro Vargas

E como se poderia manter uma guerra sem navios? como suprir as ilhas? como suprir o esforço de guerra (numa ilha) com a frota aquartelada? Tudo por via aérea?? Impossível, com as PAC de Sea Harriers dominando o espaço aéreo sobre as ilhas. Isso demonstra todo o despreparo dos argentinos quando resolveram praticar a agressão (invasão das ilhas) que, certamente, levaria a guerra lá na frente! Foram várias ações heroicas e dignas de bravura, mas foi muita demonstração de despreparo para a guerra por parte da ARA, torpedos que não explodiam, navios “preciosos” que não podiam ser perdidos (leia-se o… Read more »

Francisco Santos de Oliveira
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Pelo jeito o caríssimo está meio defasado em História e desconhece as datas da Guerra do Paraguai, ou da Segunda Guerra Mundial.

Marcelo Andrade
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Marcelo Andrade

Roberto não concordo ! A MB foi ativa na expulsão dos portugueses de nossa Costa, inclusive os perseguindo até a foz do Rio Tejo, foi ativa na Guerra do Paraguai, vide a Batalha do Riachuelo e a passagem de Tonelero, alem das escoltas na SGM!

Cte Caetano
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Cte Caetano

Reveja os factos… a MB não perseguiu a MP até a foz do Rio Tejo…

ednardo curisco
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Discordo.

A armada argentina foi tremendamente incompetente e covarde.

Sua aviação foi brava sim, e muito.

Mas a almirantada hermana mandou submarinos em estado precaríssimo para o combate; se retirou do mar assim que perdeu um navio; expôs alguns mercantes à aviação inglesa.

Ricardo Bigliazzi
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Ricardo Bigliazzi

Os terraplanistas não concordam com esse artigo, para eles a tripulação do Sheffield foi incompetente. Onde já se viu um missil ficar escondido pela curvatura da Terra…

Legenda do comentária: é apenas uma piadinha…

Camargoer
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Camargoer

O erro da RN foi a ausência de um oficial terraplanista para interpretar dos dados do radar… mais uma vez a conspiração bolchevique doutrinando militares para enfraquecer o ocidente. Essa infiltração doutrinária começa com Copérnico refutado as Escrituras. Coisa de ateu esquerdista.

Foragido da KGB
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Foragido da KGB

Hahahahahahaha , os ” terra prana ” necromancer vão fazer voodoo pra voce Comargoer, se cuide rapaz ou bumbuns ferozes deles vão te trucidar … Hahahahaaa

wilson
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wilson

Sei que é off-topic mas as Escrituras não são um livro científico(tem muita informação histórica, mas não científica), e o criacionismo é totalmente contra essa ideia de terra plana.

Rene Dos Reis
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Rene Dos Reis

“Fuego rasante que el pueblo nos contempla!”

MARCELO MORAES DO NASCIMENTO
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O que é uma “missão de diversão”?

Mauro
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Mauro

Talvez o termo mais adequado seja “missão de diversionismo”, ou seja, atrair a atenção para algo secundário, desviando o foco do principal. Distrair, desviar a atenção. O Japão quando atacou Midway, lançou vários ataques (de grande porte também) a outros objetivos ao mesmo, em diversos pontos diferentes, era uma ação de diversionismo para seu objetivo principal. Os americanos já tinham a informação que seu objetivo principal era Midway, mas mesmo assim davam combate a esses ataques dos japoneses em pontos diferentes, pois se eles não dessem resposta ou importância devida, os japoneses desconfiariam que estes já sabiam que seu ataque… Read more »

GUPPY
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GUPPY

Prezado Mauro, apenas uma correção: os americanos levaram 3 PAs para Midway. Os japoneses, num primeiro momento, chegaram com 4 PAs sob o comando do Vice-Alte Nagumo.

Dalton
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Dalton

Mauro… . todos nós crescemos com a ideia de que o ataque às Aleutas foi uma manobra diversionista e este é mais um mito que o livro “Shattered Sword” desmistifica. . O ataque às Aleutas que resultou na invasão de duas pequenas ilhas nunca foi referido pelos japoneses como um ataque diversionista e sim uma operação simultânea de identidade própria cujo valor estratégico foi exagerado pelos japoneses coisa que eles descobririam ao longo de mais de um ano que eles permaneceriam lá e um ataque diversionista não deve ser executado simultaneamente com outro ataque e sim com dias de antecedência… Read more »

Flanker
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Flanker

É o mesmo que Ação Diversionária….tem por finalidade, desviar a atenção do seu inimigo sobre as suas verdadeiras intenções. No caso citado, o Learjet foi usado como chamariz, para desviar a atenção dos ingleses do pacote de ataque/reabastecimento argentino.

Ricardo Bigliazzi
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Ricardo Bigliazzi

apenas tradução feita errada

Mahan
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Mahan

O SuE e o exocet também eram sofisticados.

Delfim
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Delfim

“As lições aprendidas pelas Marinhas foram muitas”, menos aqui, onde nunca houve uma preocupação de se ter caças com capacidade de interdição naval com mísseis antinavio.
Houve estudos de se dotar o A-1 de mísseis antinavio, mas tal não foi adiante, e o A-1 vai encerrar sua carreira sem ter alcançado todo o seu potencial.
Tomara que o F-39, após 4 décadas do conflito, possua tal capacidade de dissuasão naval.

Cristiano de Aquino Campos
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Cristiano de Aquino Campos

O AMX Brasieiro pois o Italiano tem essa capacidade.
E hoje a FAB emprega misseis nos P-3br

Celso
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Celso

Com todo respeito, a MB ainda nao emprega missil Harpoon no P 3. Comprar ate comprou, mas ainda nao estao operacionais. Materia recente aqui mesmo no PA. Sds

Delfim
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Delfim

P3 não é caça. É um grande e facilmente detectável quadrimotor turboélice, sem nenhuma condição de autodefesa ou evasão.

Elton
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Elton

E verdade até os iraquianos ao observarem os eventos nas Falklands enquanto travavam sua guerra contra o Iran resolveram equipar seus MirageF1E com mísseis Exocet e infligiram grandes danos aos petroleiros iranianos.

Carlos Alberto Soares
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Carlos Alberto Soares

Nossos A4M deveriam ser dotados do AM 39 B3

ou Harpoon.

Com a palavra o Bosco.

Fernando "Eagle" De Sousa
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Tiger 777
Visitante
Tiger 777

E se tivessem afundado um porta aviões?? O que vcs acham que teria acontecido???
Os EUA forneceriam suas Naes aos Britânicos???
A Inglaterra ameaçaria a Argentina com o uso de armas nucleares???
Eu acredito que os ingleses nunca aceitariam uma derrota, qual a opinião de vocês???

Alfredo RCS
Visitante
Alfredo RCS

Gosto da Dama de Ferro, principalmente por ter tirado o Estado ingles das cistas do contribuintes, porem, se um porta avios tivesse sido afundado a esquerda escocesa, digo, britanica, a teria derrubado e devolvido as Malvinas aos argentinos. E Galtieri teria sido heroi, entrando para o Hall dos grandes lideres militares.

Bardini
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Bardini

Seria mais fácil a Rainha vir pilotando um Vulcan e largar um Nuke bem no meio de Buenos Aires, do que eles abrirem mão daquelas ilhas por conta da perca de um Porta Aviões…

Cleber
Visitante
Cleber

Mesmo depois de 37 anos . Nossa Marinha nao possue em nenhum caca algum missil anti navio .

neto
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bom , parece que agora ficou claro que a terra não é plana.