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‘Sagres’ no Rio de Janeiro

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O navio-escola “Sagres” chegou esta segunda-feira ao Rio de Janeiro através das águas da baía de Guanabara, reentrância costeira que deu nome à embarcação quando esta pertencia à Marinha do Brasil, tendo sido recebido pelo ministro da Defesa português.

Mais de um mês a navegar à vela, após ter saído de Portugal no dia 5 de janeiro para uma viagem de circum-navegação, o navio-escola “Sagres” atracou no Brasil, “num ciclo que se completa”, segundo o ministro da Defesa Nacional de Portugal, João Gomes Cravinho.

Há uma agenda muito rica entre Portugal e o Brasil, e digamos que a cereja no topo do bolo foi poder ser anfitrião do ministro da Defesa do Brasil [Fernando Azevedo e Silva], num almoço aqui, no navio ‘Sagres’, que é um navio que em tempos pertenceu à Marinha do Brasil. Nessa altura tinha o nome de Guanabara, que é esta magnífica baía em que estamos hoje e, portanto, há aqui todo um ciclo que se completa”, disse aos jornalistas João Gomes Cravinho.

O ministro português almoçou a bordo da embarcação portuguesa, na companhia do seu homólogo brasileiro, após ter dado uma palestra na Escola Superior de Guerra e de ter participado numa reunião bilateral. Desta reunião saíram propostas como uma reunião, em julho, das indústrias de defesa dos dois países, e um encontro entre os ministros da Defesa e dos Negócios Estrangeiros, devido, segundo ao governante, ao “ambiente estratégico internacional”.

Ao Brasil, a bordo do navio-escola, chegaram 142 elementos de guarnição, bem como 50 instruendos da Aporvela — Associação Portuguesa do Treino de Vela e dois investigadores do projeto SAIL (Space-Atmosphere-Ocean Interactions in the marine boundary Layer), que visa “estudar a interação entre o espaço e o planeta Terra”. A viagem integra as celebrações do quinto centenário da viagem de circum-navegação de Fernão de Magalhães.

Entre os tripulantes do navio encontra-se Joaquim Mendes, 43 anos, encarregado da copa de sargentos, seguindo as pisadas do pai que, entre 1978 e 1979, também fez uma volta a bordo da mesma embarcação.

Eu destaquei-me agora para a ‘Sagres’, mas a primeira pessoa a passar aqui neste navio foi o meu pai, que fez a primeira volta ao mundo desta embarcação em 1978 e 1979, e agora aqui estou eu. (…) Era um desejo que eu tinha, o de fazer uma volta ao mundo porque marinheiro que é marinheiro tem de viajar na ‘Sagres’. (…) É muito agradável fazer esta viagem”, garantiu à agência Lusa o português.

Mendes, como é tratado no navio, recorda as histórias que o seu pai contava, mas, sobretudo, o “espírito de camaradagem” e os “momentos únicos” passado a bordo daquele que é conhecido como “embaixador itinerante” de Portugal.

Nos próximos cinco dias em que a embarcação estará atracada no Rio de Janeiro, o comandante do navio-escola “Sagres”, Manuel Maurício Camilo espera a visita de “milhares” de pessoas, garantindo que a cidade brasileira é um ponto de paragem especial.

[É] uma sensação excelente, porque tem a ver com o início de uma longa viagem e digamos que terminamos aqui o prólogo dessa viagem, com os primeiros 37 dias de missão, e num dos portos, provavelmente, mais importantes de toda a dita missão. O próprio conjunto de eventos e de interações que vamos ter com as autoridades locais e com os portugueses aqui residentes assim o diz”, afirmou à Lusa o comandante.

A viagem de circum-navegação vai prolongar-se durante 371 dias, sendo que a próxima paragem é Montevidéu, capital do Uruguai. O navio-escola “Sagres” vai passar por mais de 20 portos de 19 países diferentes.

Em 30 de dezembro, a embarcação da Marinha chega a Portugal, mais precisamente, a Ponta Delgada, nos Açores, estando o regresso a Lisboa agendado para 10 de janeiro de 2021.

FONTE: Observador

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Marcos R.
Marcos R.
3 meses atrás

Até agora não entendo o motivo da MB ter vendido essa magnífica embarcação!

Oseias
Oseias
Reply to  Marcos R.
3 meses atrás

Não conhecia essa história. Fui pesquisar. O Sagres foi construído pela Alemanha em 1938 e tomado pelos americanos ao final da guerra. Serviu no Brasil entre 1948 e 1961 como Guanabara. E depois foi vendido a Portugal.

Marcelo Andrade
Marcelo Andrade
Reply to  Oseias
3 meses atrás

Antes pertenceu à US Coast Guard!

Marcus Demetrius
Marcus Demetrius
Reply to  Marcos R.
3 meses atrás

O motivo chama-se Cisne Branco…

Otto Lima
Reply to  Marcus Demetrius
3 meses atrás

Marcus Demetrius, o NVe Cisne Branco veio muito depois. O NE Guanabara foi substituído pelo NE Almirante Saldanha da Gama, que posteriormente foi convertido em NOc e teve suas velas removidas. Depois vieram o NTrT Custódio de Melo, da Classe Ary Parreiras, que foi usado como NE, e finalmente o NE Brasil, construído no AMRJ especificamente para essa finalidade, a partir de uma modificação do projeto das fragatas Classe Niterói (Vosper Mk 10).

Marcus Demetrius
Marcus Demetrius
Reply to  Otto Lima
3 meses atrás

Olá Otto. Creio que embora estejas comentando sobre navios escola, o foco são os meios que apresentavam configuração clássica a velas…não necessariamente os diversos navios, adaptados ou não, para função…valeu a atenção.

Elcimar
Elcimar
Reply to  Marcus Demetrius
3 meses atrás

negativo.

Marcelo Andrade
Marcelo Andrade
Reply to  Marcos R.
3 meses atrás

Marcos, ele já não atendia à formação dos Guardas-marinhas na época, sendo substituído pelo Almirante Saldanha. Hoje temos o NV Cisne Branco, que também é lindo! Visitei aqui no RJ uma vez! É uma espécie de embaixada intinerante do pais, além de manter as tradições marinheiras dos novinhos da EN.

Fernando "Nunão" De Martini
Fernando "Nunão" De Martini
Reply to  Marcelo Andrade
3 meses atrás

Marcelo,
A incorporação do navio-escola Almirante Saldanha (construído na Inglaterra sob encomenda do Brasil) foi em 1934, bem anterior ao Guanabara, incorporado como navio-escola (veleiro) no fim dos anos 40.

No início da década de 1960, quando o Guanabara foi vendido a Portugal, o Almirante Saldanha já havia deixado de ser navio-escola e passava por ampla remodelação para servir como navio oceanográfico.

Quem assumiu a função de navio-escola em 1961 foi o navio-transporte Custódio de Melo, substituído em meados da década de 1980 pelo atual NE Brasil.

Marcelo Andrade
Marcelo Andrade
Reply to  Fernando "Nunão" De Martini
3 meses atrás

Putz, Nunâo, confundi o Saldanha com o Custódio, valeu mesmo!! Quem mandou e não visitar o site NGB!!! rsrsrsr

JuggerBR
JuggerBR
3 meses atrás

Achei que era puramente a vela, mas tem uma hélice a motor também…

Fernando "Nunão" De Martini
Fernando "Nunão" De Martini
Reply to  JuggerBR
3 meses atrás

Isso é usual em veleiros há muito tempo, tanto para navegar nos canais de entrada de portos quanto para calmarias.

Fabio Araujo
Fabio Araujo
Reply to  Fernando "Nunão" De Martini
3 meses atrás

As calmarias deviam ser um terror, ficar dias parado no mar sem vento para mover o navio e os suprimentos dia a dia diminuindo, desde que os navios passaram a ter motores esse tormento já não incomoda tanto.

rommelqe
rommelqe
Reply to  Fernando "Nunão" De Martini
3 meses atrás

Prezado Nunão: também em tempestades a propulsão do helice auxilia muito para posicionar o navio ortogonalmente às ondas!
O Guanabara/Sagres é um belo navio mesmo! Esta em boas mãos…nossos tugas sabem muito bem como navegar. E navegar, sempre, como ja dizia o Camões, é preciso! Que maravilha ver as velas enfunadas!!!!

João Adaime
João Adaime
Reply to  JuggerBR
3 meses atrás

O interessante é que a motor ele faz 20 km/h e a vela 32 km/h.

cwb
cwb
3 meses atrás

marinha que se preza tem que ter um desses…a velha escola!
abraço a todos

Marcus Demetrius
Marcus Demetrius
3 meses atrás

Pq meus comentários não são publicados?

Fabio Araujo
Fabio Araujo
3 meses atrás

O Sagres refazendo uma viagem histórica, no tempo de Fernão de Magalhães essa viagem era uma coisa de outro mundo enfrentando o desconhecido e as lendas de povos e criaturas misticas, sem saber se conseguiriam completar a empreitada, era sem dúvidas homens de muita fé e coragem.

Salim
Salim
Reply to  Fabio Araujo
3 meses atrás

E tem gente afirmando que a terra e plana.

Luiz Floriano Alves
Reply to  Salim
3 meses atrás

Ex veleiro ex Guanabara. chegou a ser utilizado na formação de marinha mercante. Inexplicável a venda. Acho que dava muito trabalho com as velas. Fabricado na Alemanha foi parte das compensações de guerra que o Brasil recebeu. Seria melhor que nos dessem o Prinz Eugen.

ANGELO CHAVES
ANGELO CHAVES
Reply to  Salim
3 meses atrás

Será que há algum terraplanista na tripulação? kkkkkkkkkkkkk

Paulo
Paulo
Reply to  ANGELO CHAVES
3 meses atrás

Terraplanistas e negadores da Teoria da Evolução tem a mesma origem: ignorância científica.

Wilson
Wilson
Reply to  Paulo
3 meses atrás

Então o físico brasileiro Cesar Lattes(descobridor da partícula méson pi) que mesmo sendo agnóstico declarou abertamente crer no gênesis bíblico, é um ignorante?
Como esse espaço não é para esse tipo de discussão, não a alongarei mais apenas direi, como não existe evidência de como a vida surgiu na Terra e não existe evidência comprobatória de animais de uma família (como os répteis) mudarem para outra.

Parabéns aos portugueses e boa sorte na circunavegação.

MestreD'Avis
MestreD'Avis
3 meses atrás

Originalmente o “Albert Leo Schlageter”, foi lançado à água na Alemanha em 1937. Capturado pelos americanos no final da 2ª GM, foi vendido à Marinha do Brasil em 1948 servindo com o nome de “Guanabara” entre 1948 e 1961. Foi vendido a Portugal e incorporado à Marinha Portuguesa em 1962 servindo como navio escola desde essa data. é o único navio da MGP a usar condecorações estrangeiras no seu estandarte, incluindo uma Medalha Mérito Tamandaré, dada pelo Brasil em 2016 Com todo o respeito pelos comentadores e entendendo o carinho por um navio que passou parte da sua historia na… Read more »

Rene Reis
Rene Reis
3 meses atrás

Não foi um negocio tipo a refinaria de passadena não né.

Wellington Rossi Kramer
3 meses atrás

Espetacular este veleiro com a Cruz de Cristo nas velas. Visão clássica da Marinha Portuguesa.

Daniel
Daniel
3 meses atrás

Tive o prazer de visitar esse belo navio na Ilha da Madeira – Funchal!!

Marcelo Danton
Marcelo Danton
3 meses atrás

Qual é o mais “Blaster” do mundo nessa classe de “navios veleiros”?