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HMS Sheffield: as falhas que levaram ao afundamento nas Falklands

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Destróier Type 42 HMS Sheffield, logo depois do impacto do míssil Exocet AM39 lançado por um Super Étendard da Armada Argentina

Relatório secreto revelado sobre o desastre mostra que os oficiais ficaram “hipnotizados” pela visão do míssil chegando e não conseguiram acionar o alarme

Por Ian Cobain – The Guardian

O catálogo de erros e falhas que terminou no naufrágio de um destróier da Royal Navy durante a guerra das Malvinas foi revelado depois de ter estado encoberto por 35 anos.

Vinte pessoas morreram e 26 ficaram feridas quando HMS Sheffield foi atingido por um míssil Exocet argentino durante os primeiros dias do conflito de 1982. Foi o primeiro navio de guerra da Royal Navy a ser perdido em combate desde a Segunda Guerra Mundial.

O relatório da comissão de inquérito sobre a perda do Sheffield, que finalmente foi tornado público, revela os motivos completos por que o navio estava completamente despreparado para o ataque.

A comissão constatou que dois oficiais foram culpados de negligência, mas escaparam dos tribunais marciais e não enfrentaram ações disciplinares, aparentemente para evitar prejudicar a euforia que tomava grande parte do Reino Unido no final da guerra.

Um resumo altamente censurado das descobertas da comissão foi divulgado pelo Ministério da Defesa em 2006, mas a redação do texto escondeu todas as principais conclusões e críticas da comissão, incluindo as constatações de negligência.

Também foi ocultado o alerta da comissão de que havia “deficiências críticas” no equipamento de combate a incêndio, a bordo de destróieres Type 42, como o Sheffield.

Denominado “Secret – UK Eyes Bravo”, o relatório completo e não censurado mostra:

  • Alguns membros da tripulação estavam “entediados e um pouco frustrados pela inatividade” e o navio não estava “completamente preparado” para um ataque.
  • O oficial de guerra antiaérea deixou o centro de operações de combate (COC) do navio e estava tomando um café na praça d’Armas quando a Armada Argentina lançou o ataque, enquanto seu assistente também havia deixado o COC para aliviar-se no banheiro.
  • O radar a bordo do navio que poderia ter detectado o avião de combate Super Étendard se aproximando foi desligado para uma transmissão de satélite para outra embarcação.
  • Quando um navio próximo, o HMS Glasgow, detectou a aeronave que se aproximava, o principal oficial de guerra no centro de operações do Sheffield não conseguiu reagir, “em parte por inexperiência, mas principalmente por inadequação”.
  • O oficial de guerra antiaérea foi chamado para o centro de operações de combate, mas não acreditava que o Sheffield estava no alcance da aeronave Super Étendard da Argentina que levava os mísseis.
  • Quando os mísseis atacantes estavam à vista, os oficiais no passadiço foram “hipnotizados” pela visão e não transmitiram um alerta à tripulação do navio.
    A comissão de inquérito descobriu que o erro do oficial de guerra antiaérea foi baseado em sua leitura de uma avaliação de inteligência da ameaça argentina, que havia chegado a bordo em “um calhamaço considerável e assustador” de papel que era difícil de compreender.
  • Enquanto a tripulação do navio estava ciente da ameaça representada pelos mísseis Exocet, alguns parecem ter pensado que o Sheffield estava além do alcance da aeronave Super Étendard, porque eles desconheciam que os aviões poderiam ser reabastecidos no ar.

A comissão também concluiu que o “infeliz” comandante do Sheffield, o submarinista Sam Salt, e seu imediato, um aviador naval, tinham “pouca ou nenhuma experiência relevante de navio de superfície recente”.

No evento, ninguém chamou o comandante. Seu navio não foi para “postos de combate”, não disparou nenhuma nuvem de chaff na tentativa de desviar os Exocets e não se voltou para os mísseis atacantes, de modo a reduzir o perfil do Sheffield. Além disso, algumas das armas do navio estavam descarregadas e não tripuladas, e nenhuma tentativa foi feita para derrubar os mísseis recebidos.

O comandante do HMS Sheffield, Sam Salt, a bordo do HMS Hermes após a perda de seu navio. Foto: Martin Cleaver / Press Association

Um dos Exocets atingiu o costado de boreste do Sheffield a cerca de 8 pés (2,4 metros) acima da linha de água, fazendo um buraco de 4 pés de altura e 15 pés de comprimento. Ele penetrou até a cozinha do navio, onde se pensa que oito cozinheiros e ajudantes foram mortos instantaneamente. O fogo entrou em erupção em segundos e o navio se encheu de fumaça.

Doze pessoas pareceram ter sido engolidas pela fumaça, incluindo cinco que permaneceram de prontidão no Centro de Operações de combate do Sheffield até que fosse tarde demais para que eles tentassem escapar. Alguns feridos sofreram graves queimaduras.

O relatório diz que nos esforços de combate a incêndios “faltava coesão” e eram “descoordenados”, e que, embora a equipe tentasse enfrentar as chamas, “não estava claro onde o comando do navio estava localizado”.

O tamanho do rombo provocado pelo impacto do míssil Exocet AM39 no HMS Sheffield. Até agora havia dúvidas se a cabeça explosiva do míssil tinha explodido ou não. Mas o relatório da comissão revelado concluiu que o míssil realmente explodiu, provocando um incêndio que se alastrou rapidamente em todo o navio

O tubo principal através do qual a água foi bombeada para combate a incêndio rompeu-se, enquanto várias bombas falharam e descobriu-se que as escotilhas de escape eram pequenas demais para as pessoas que usavam aparelhos de respiração. A tripulação do navio não pôde controlar o incêndio e Salt deu a ordem de abandoná-lo.

O The Guardian entende que no momento em que as conclusões da comissão foram suprimidas, o governo britânico estava tentando vender os destróieres Type 42.

Em Londres, na noite do ataque, em 4 de maio de 1982, o secretário de Defesa, John Nott, disse aos Comuns que o caça argentino provavelmente havia voado sob o radar da Marinha. No dia seguinte, o fabricante francês do Exocets, Aérospatiale, emitiu uma declaração descrevendo seu míssil como infalível.

Super Étendard argentino armado com míssil Exocet AM39

Os jornais da Fleet Street informaram seus leitores sobre esta “maravilhosa arma da era espacial” e a descreveram como “um míssil que não podia errar”. Na verdade, parece que, mais tarde, na guerra das Malvinas, alguns foram desviados com chaff.

O incêndio a bordo do Sheffield queimou por dois dias. Seis dias após o ataque, de acordo com a história oficial, o navio afundou ao ser rebocado. O The Guardian soube que pode ter sido descartado. Apenas um corpo foi recuperado do navio.

Relatando em julho de 1982 para o comandante em chefe da Marinha, almirante John Fieldhouse, a comissão de inquérito disse que concluiu que o oficial de guerra principal do Sheffield no centro de operações de combate havia sido negligente por não reagir de acordo com a doutrina padrão e treinamento.

A comissão também descobriu que o oficial de guerra antiaérea tinha sido negligente porque sua “longa ausência” do centro de operações significava que uma importante estação (console) de defesa aérea não estava tripulada. O relatório observa que 12 minutos após o impacto, este oficial ainda insistia que o navio não tinha sido atingido por um míssil.

Centro de Operações de Combate (COC) do Type 42

No entanto, Fieldhouse decidiu que os dois oficiais não enfrentariam nenhuma sanção. Em setembro de 1982, ele informou o Ministério da Defesa – em uma carta que também foi tornada pública – que, embora ambos os homens tenham “demonstrado negligência”, eles não enfrentariam os tribunais marciais, ações disciplinares ou qualquer forma de procedimento administrativo formal.

Em vez disso, Fieldhouse decidiu que ele ou um de seus oficiais falariam com cada oficial, para “garantir que cada um entendesse perfeitamente a situação”. O The Guardian entende que um deles foi posteriormente promovido, atingindo o posto de capitão de mar e guerra e servindo na Royal Navy por mais 20 anos.

Clive Ponting, então funcionário público sênior no MoD, disse que a perda do Sheffield foi uma grande catástrofe para que os fatos completos fossem divulgados. “Para a maioria das pessoas ficou claro que não haveria culpa pública por erros cometidos”, disse Ponting.

Ponting foi preso em 1984 depois que ele expôs outro dos segredos da guerra: que o cruzador argentino, o General Belgrano, estava navegando na direção oposta às Ilhas Falklands quando foi afundado por um submarino da Royal Navy, resultando na perda de 323 vidas e que os ministros tinham enganado o parlamento e o público sobre o episódio. Ele foi acusado sob o Ato dos Segredos Oficiais, mas foi absolvido por um júri do Old Bailey.

O almirante Sandy Woodward, que comandou a Força-Tarefa da Royal Navy que havia sido enviado para as Ilhas Falkland, observou em seu livro sobre a campanha que, quando o Sheffield foi atacado, houve “algum tipo de lacuna em seu centro de operações de combate e nenhuma ação foi tomada”.

Os danos provocados pelo incêndio no HMS Sheffield, depois de ter sido atingido por um míssil Exocet em maio de 1982. Foto: PA/PA Archive/Press Association Ima

Woodward acrescentou que Fieldhouse decidiu que não deveria haver tribunais marciais, “para evitar, ele me disse, que os casos mais duvidosos criassem a atmosfera errada na imprensa e aumentassem a euforia geral”.

Mesmo dois meses após o ataque, a comissão de inquérito estava incerta se a ogiva do Exocet tinha detonado. Embora os membros da tripulação estivessem convencidos de que tinha detonado, os cinco membros da comissão concluíram eventualmente que não tinha, e relataram que o incêndio foi causado pelo propulsor do míssil, sendo que apenas 40% foi utilizado durante o voo. Uma nova reavaliação do MoD, divulgada em 2015, concluiu que a ogiva explodiu.

No entanto, o Guardian já ouviu que o MoD já havia desenvolvido uma contramedida eletrônica que poderia desligar o mecanismo de espoleta do Exocet uma vez que o radar do míssil travasse em um navio de guerra. Isso explicaria a ausência de detonação, mas teria exigido a instalação de um mecanismo de recepção de sinal enquanto os mísseis estavam em construção na fábrica da Aérospatiale em Toulouse.

Mesmo armado com mísseis antiaéreos Sea Dart de longo alcance, o HMS Sheffield não conseguiu se defender do ataque dos mísseis Exocet AM39

Os oficiais e a tripulação do Sheffield estiveram sempre conscientes de que houve sérios erros e falhas antes do naufrágio do navio. Em 2001, diante de acusações de encobrimento, o Ministério da Defesa emitiu uma declaração confirmando que o oficial de guerra antiaérea não estava no centro de operações de combate antes do alerta de ataque, mas insistiu que isso ocorreu porque não era obrigatório e estava “atendendo a deveres em outro lugar”.

Cinco anos depois, após uma campanha do pessoal que serviu no navio, o Ministério da Defesa divulgou o resumo altamente censurado do relatório da comissão.

O relatório completo e não divulgado foi liberado para lançamento em 2012, mas o MoD atrasou sua liberação até agora.

FONTE: The Guardian

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Alex Barreto Cypriano
Alex Barreto Cypriano
1 mês atrás

Ler que a Sheffield deveria ter-se virado pro míssil pra reduzir sua área exposta só não é pior que ficar cego. Dica pros capitães de World of Warships: gire a proa do navio na mesma direção e sentido do torpedo (quem, na WWII, pôs a proa contra o torpedo perdeu o bote). Só rindo, mesmo…

Gil Roberto Alves de Carvalho
Reply to  Alex Barreto Cypriano
1 mês atrás

Qual seria a manobra que teria de ter sido feita? Considerando que nenhum despistamento foi feito.

Luiz Galvão
Luiz Galvão
Reply to  Alex Barreto Cypriano
1 mês atrás

Vai rindo, mas responde ao colega : Qual seria a manobra ?

Alex Barreto Cypriano
Alex Barreto Cypriano
Reply to  Luiz Galvão
1 mês atrás

Que manobra DARIA TEMPO de fazer, caríssimos (a Sheffield tava parada, certo?)? Um exocet avança a 590 nós (cobrindo da linha do horizonte ao alvo, umas quinze milhas náuticas) enquanto um torpedo da WWII a 50 nós (cobrindo umas 3-4 milhas náuticas). O exocet te pega em 90 segundos, se o radar detectar lá no horizonte; depois que o vigia vê o missil, uns dez-vinte segundos. Na boa, viu?…

Leandro Costa
Leandro Costa
Reply to  Alex Barreto Cypriano
1 mês atrás

A Sheffield estava parada? Sempre achei que ela estava navegando no limite sul da FT Britânica. Navegando. Navegando ela poderia ter lançado chaff e aumentado a velocidade enquanto manobrava para diminuir sua seção radar para contrastar com a produzida pelo chaff. Mas, como indicado na matéria, nada foi feito.

Fernando XO
Fernando XO
Reply to  Alex Barreto Cypriano
1 mês atrás

Alex, existiam respostas pré-planejadas à época, um procedimento chamado ZIPPO… basicamente, o navio manobra para desmarcarar bateria, lança chaff… pelos relatos que li em livros sobre o conflito, a consciência situacional a bordo da Sheffield não permitiu a adequada compilação do quadro tático e, portanto, comprometeu a reação à ameaça… outros navios reagiram à detecção MAGE do ruído do radar AGAVE do SUE e cumpriram aquele procedimento que citei, escapando do ataque… abraço…

Alex Barreto Cypriano
Alex Barreto Cypriano
Reply to  Fernando XO
1 mês atrás

Todos vocês sabem que a Sheffield tava cega porque tava fazendo up link (que demandou desligar sensores) e não obteve esclarecimento da ameaça (presente na rede da frota) por causa da doutrina inglesa de uso de data link. O ataque argentino logrou ser de surpresa pra Sheffield, só isso. O resto é consequência e os quiprocos, conversa fiada. E o The Guardian não tem nenhum respeito pelos compatriotas mortos quando teima em difundir meias verdades e inferir completos erros a respeito de assuntos navais quando existem muitos estudiosos gabaritados que já se debruçaram sobre o assunto. A mídia não é… Read more »

Charles Dickens
Charles Dickens
Reply to  Alex Barreto Cypriano
1 mês atrás

Que se danem os ingleses.

Carlos Gallani
Carlos Gallani
Reply to  Charles Dickens
1 mês atrás

Falou um cara com o nome “Charles Dickens”!

Veiga 104
Veiga 104
Reply to  Carlos Gallani
1 mês atrás

Kkkkk boa

Saldanha da Gama
Saldanha da Gama
Reply to  Alex Barreto Cypriano
1 mês atrás

Aproveitando a dica para wows, qdo detectado o torpedeiro, aperte a tecla de giro total e rápido (normalmente q e E) pondo a proa do navio em direção ao inimigo, liga a hidro…antes. Mas se for torpedeiro europeu (sueco) reza, porque a velocidade é de 90knots…

Pedro
Pedro
1 mês atrás

Misto de incompetência da tripulaçao, falhas de projeto do navio e principalmente, subestimar o inimigo, algo que a Inglaterra é campeã.

Luiz Galvão
Luiz Galvão
Reply to  Pedro
1 mês atrás

Quais sao as falhas de projeto do navio ?

A RN construiu ao todo 14 unidades do Type 42, mais duas que foram exportadas justamente para a Argentina.

O que você viu de falha de projeto que os engenheiros navais dessas duas marinhas não viram ?

Pedro
Pedro
Reply to  Luiz Galvão
1 mês atrás

Certamente vc nao leu a materia….. “O tubo principal através do qual a água foi bombeada para combate a incêndio rompeu-se, enquanto várias bombas falharam e descobriu-se que as escotilhas de escape eram pequenas demais para as pessoas que usavam aparelhos de respiração. A tripulação do navio não pôde controlar o incêndio e Salt deu a ordem de abandoná-lo.” Ou vai dizer que isso nao foi falha? Navio nao tinha nem 10 anos de uso e ja estava com tubos se rompendo? Escotilhas apertadas demais? As bombas ate concordo que fossem por falta de manutençao mas os demais itens sao… Read more »

Luiz Galvão
Luiz Galvão
Reply to  Pedro
1 mês atrás

Pedro,

O que sei é que a RN operou essa classe até 2013.

Juarez
Juarez
Reply to  Luiz Galvão
1 mês atrás

Porque parte destes erros de construção foral resolvidos durante as paradas de manutenção, outros por questões de projeto continuaram com elas

Audax
Audax
Reply to  Luiz Galvão
1 mês atrás

Vários erros. A começa pelo material usado no interior que não eram totalmente anti chamas. O sistema de comunicação por satélite SCOT que bloqueavam a detecção dos radares do Etendard e estava sendo usado justamente na hora do ataque e outras mais. Vários erros de projeto que diga-se de passagem existem em qualquer projeto e só aparecem as vezes justamente nessas situações. Muitos desses erros de projeto foram sanados após o conflito nos navios restantes.

Ricardo Bigliazzi
Ricardo Bigliazzi
Reply to  Pedro
1 mês atrás

Sim, vimos o resultado do conflito nas Falklands.

Esteves
Esteves
1 mês atrás

Não entendo nada disso, Girar o navio apontando a proa para a direção ou para a rota dos mísseis parece coisa de filme antigo de navios piratas. Mas faz sentido. Não sei se daria tempo. Não sei se a Type 42 poderia tê-lo feito. O HMS Sheffield não lutou e sequer se defendeu. Covardia? Apesar dos ingleses serem um adversário profissional e experiente nas batalhas marítimas modernas desde 1916, também como os argentinos falharam na falta do aprestamento, os ingleses condenaram a morte muitos dos seus pela típica soberba inglesa, pelo excesso de recursos, pela falta de engajamento, pela ignorância… Read more »

Carvalho2008
Carvalho2008
Reply to  Esteves
1 mês atrás

Faz todo o sentido mestre Estevez. Trata-se de uma ação e manobra combinada. Ao mesmo tempo que o navio curva e volta-se para o míssil, ele reduz seu eco radar, fica menor e na sequencia, lança uma nuvem de Chaffs…uma nuvem de fitas metalicas….o chaffs, esta nuvem ira provocar um eco fantasma maior que o navio no radar do missil e assim, ele escolhe a nuvem e passa por ela deixando o navio ileso… Então, se o navio não tiver curvado, a nuvem pode ficar menor que seus eco radar e dai o chaff não teria efeito desejado…. O negócio… Read more »

Gus Talking
Gus Talking
1 mês atrás

Quase inacreditável de tantos erros e pasmaceira, parece a MB q não pune ninguém e fica tudo por isso mesmo, promovendo os incompetentes e negligentes, assim se caminha pra baixo, lamentável essa marinha outrora rainha dos mares.

Fabio Araujo
Fabio Araujo
1 mês atrás

A tempestade perfeita, os responsáveis pela defesa AAA estavam fora do posto, um radar desligado para não interferir numa comunicação via satélite, dois observadores que congelaram e não avisaram do avistamento do míssil e para completar ainda tinham uma informação de inteligência que desconhecia o fato dos aviões terem sonda de reabastecimento! Como dizem nunca é uma única causa para o acidente e/ou incidente sempre tem mais de um fator que se combinam para o evento.

Luiz Galvão
Luiz Galvão
Reply to  Fabio Araujo
1 mês atrás

Fabio,

Como disse no meu post explicativo mais abaixo, acho que dificilmente a Sheffield teria condições de neutralizar o ataque, mesmo se tivesse a postos.

Juarez
Juarez
Reply to  Luiz Galvão
1 mês atrás

Eles fizeram isto em outro ataque usando chaves e helicópteros pairando próximos ao navio.

Carvalho2008
Carvalho2008
Reply to  Juarez
1 mês atrás

Sim

Esta é outra tatica

O navio vira de popa ou proa para o míssil reduzindo seu eco radar, um heli fica ao seu lado mas virado de lado quase colado para que a imagem de ambos apareça como um só lançam o chaff e no ultimo minuto o heli se descola do navio fazendo com que a imagem na cabeça de bisca do míssil se divida de repente e ele ja não saiba quem é quem

Fico imaginando a tensão que deve ser no piloto do heli brincando de toureiro com um exocet

Paulo Carrano
Paulo Carrano
1 mês atrás

Melhor parte da matéria: “O relatório observa que 12 minutos após o impacto, este oficial ainda insistia que o navio não tinha sido atingido por um míssil.”

Não importa o quão ruim a sua versão da história é! Repita-a incessantemente até se tornar verdade!

Luiz Galvão
Luiz Galvão
Reply to  Paulo Carrano
1 mês atrás

Paulo,

É sabido que uma pessoa em estado de choque entra em estado de negação.

Acho que foi esse o caso.

nonato
nonato
Reply to  Luiz Galvão
1 mês atrás

Especificamente se foi culpa dele…

Luiz Galvão
Luiz Galvão
1 mês atrás

Os Destroyeres Type 42 foram concebidos na década de 60, cuja função primária era prover defesa aérea a Frota. Como tal foram posicionados (Sheffield e Coventry) , juntamente com as mais modernas fragatas Type 22, como piquete radar para a defesa do núcleo principal da FT composto pelos PAs Hermes e Invicible. A primeira linha de defesa dos Type 42 era o míssil Sea Dart, que nao era páreo para o Exocet, muito mais moderno que o Sea Dart. Pelo relato do piloto argentino que efetuou o disparo, certamente a Sheffield estava posicionada no anel mais externo de defesa e… Read more »

Paulotd
Paulotd
Reply to  Luiz Galvão
1 mês atrás

Não tem nada a ver essa do Sea Dart ser menos moderno e menos páreo que o Exocet. São armas diferentes com propósitos diferentes. O Sea Dart foi projetado para enfrentar bombardeiros soviéticos a grande altitude, e nessa função ele é excelente, sendo o próprio Sea Dart o míssil que mais abateu aeronaves argentinas na guerra. Mas para aeronaves e mísseis voando rasante, ele é bem menos eficaz, e nesse caso a função seria para o Sea Wolf, com menor alcance, mas projetado para abater mísseis e aeronaves a baixa altitude. A doutrina Inglesa é que foi errada, cada navio… Read more »

Luiz Galvão
Luiz Galvão
Reply to  Paulotd
1 mês atrás

Seguindo a sua explicação então as Type 22 é que teriam que estar posicionadas no anel externo. Você não acha que o almirante Woodward é muito mais qualificado que eu e você? Certamente sim. Então por que razão ele posicionou as Type 42 mais externamente ?

Paulotd
Paulotd
Reply to  Luiz Galvão
1 mês atrás

Colega, leia em detalhes como foi o afundamento do hms Coventry. Foi com bombas burras de 250kg. No caso era um Pac isolada de um type 42 e uma type 22 na entrada do estreito de San Carlos, fazendo a primeira barreira anti aérea da frota de desembarque mais algumas milhas ao sul que tinha o Hms fearless, dentre outros. E o Woodward estava bem longe lá no hms Hermes. Aconteceu que o comandante da type 42 tentou fazer uma manobra para bombordo de modo a diminuir o perfil exposto as aeronaves que vinham do noroeste, só que nesse interim… Read more »

Luiz Galvão
Luiz Galvão
Reply to  Paulotd
1 mês atrás

Paulo,

Eu é que lhe peço para ler em detalhes o que escrevi.

O posicionamento a que me referi foi no dia do acidente com a Sheffield.

A Coventry foi bombardeada em outra ocasião, como vc mesmo disse.

Juarez
Juarez
Reply to  Paulotd
1 mês atrás

Acho que pouco ou quase nada iria resolver dado ao perfil de voo do Exocet e pouco tempo entre o DT do Sea Wolf travar no alvo.
Quem talvez fizesse diferença seria o míssil Sea Ram, mas lá no longínquo 1982 ainda estava no papel…

Fabio Araujo
Fabio Araujo
Reply to  Luiz Galvão
1 mês atrás

O sistema não seria páreo para deter os exoctes, mas poderiam alvejar os caças e com isso dificultar a ação dos mesmos e o sistema de chaff teria dado uma chance ao navio de se proteger!

Luiz Galvão
Luiz Galvão
Reply to  Fabio Araujo
1 mês atrás

E por que você acha que após lançar os mísseis, os argentinos iriam entrar no alcance do canhão ou metralhadoras do Sheffield?

Fabio Araujo
Fabio Araujo
Reply to  Luiz Galvão
1 mês atrás

Não do canhão e nem da metralhadora, mas dos mísseis anti-aéreos do navio!

Juarez
Juarez
Reply to  Luiz Galvão
1 mês atrás

Na verdade as T 42 e as T 22 eram usadas como “boi de piranha” no anel externo da defesa AA da frota, pois sabiam que talvez perdessem alguns deles em detrimento de salvar os PAs

Luiz Galvão
Luiz Galvão
Reply to  Juarez
1 mês atrás

Juarez,

Exato !

Gil U
Gil U
1 mês atrás

“Guardian já ouviu que o MoD já havia desenvolvido uma contramedida eletrônica que poderia desligar o mecanismo de espoleta do Exocet uma vez que o radar do míssil travasse em um navio de guerra. Isso explicaria a ausência de detonação, mas teria exigido a instalação de um mecanismo de recepção de sinal enquanto os mísseis estavam em construção na fábrica da Aérospatiale em Toulouse” achei essa parte interessante. Mostra que devemos investir e construir nossos próprios meios militares, pelo menos os mais sensíveis como mísseis, já que comprando do exterior estaremos sujeitos a vulnerabilidade no sistema se um dia viermos… Read more »

Leonardo Costa da Fonte
Reply to  Gil U
1 mês atrás

Esta parte é realmente a mais preocupante. Será que isto significa que provavelmente os Exocets da MB também podem ser inativados?

Juarez
Juarez
Reply to  Leonardo Costa da Fonte
1 mês atrás

Que se saiba nao, o problema do nosdomlote e outro:
Perna curta

TeoB
TeoB
Reply to  Gil U
1 mês atrás

com certeza! exemplo disso é Israel que compra o casco e coloca o recheio eletrônico ao seu gosto.
até o F35 deles é personalizado.

Alex Barreto Cypriano
Alex Barreto Cypriano
Reply to  Gil U
1 mês atrás

Pura conversa mole essa de desativar o missil. Não sei como ainda engolem esse tipo de bobagem. Aliás que textinho mequetrefe…

paulo araujo
paulo araujo
1 mês atrás

Os ingleses tomaram várias medidas, durante este conflito, que se mostraram equivocadas e até desastrosas. Mas se tratava da administração de um dispositivo de guerra aeronaval complexo e enorme. E incluindo invasão terrestre a partir do mar, uma das coisas mais difíceis do manual de guerra. Isso tudo acontecendo a milhares de quilômetros da base mais próxima, com meios que foram projetados para outro tipo de guerra em outro ambiente. Muita coisa foi improvisada ou usada pela primeira vez. As falhas teriam que acontecer. O que importa é que a RN cumpriu a sua missão e pôs os argentinos para… Read more »

João Batista Cruz de Mattos
1 mês atrás

Sabendo o que sabemos hoje, e essa afirmação é importante, eu sou da opinião que os argentinos erraram. Eles deveriam atacar os navios de suporte da frota. Sem apoio logístico a vida dos ingleses seria bem mais difícil. Segundo o Almirante comandante da frota inglesa eles tinham 90 dias para “resolver o problema”. Ou seja, mais de 90 dias e iriam começar a ter sérios problemas de suprimentos.

horatio nelson
horatio nelson
1 mês atrás

PARABÉNS PELO TITULO QUE CITA O NOME VERDADEIRO DAS ILHAS !!!

Audax
Audax
1 mês atrás

Como disse uns anos atrás aqui no site. O imediato da Scheffield morou por um tempo no Rio de Janeiro trabalhando para a Westland do Brasil. Chegou a ser entrevistado por uma revista especializada na época. Seu relato era muito interessante. Sds.

Guilherme Poggio
Editor
1 mês atrás

Relatos interessantes de um oficial argentino que morava no Reino Unido durante as provas de mar do Hércules e Santísima Trinidad
.
Yo les hacía hacer informes técnicos a mis subordinados cuando se producían cosas “raras” en los sistemas. Por entonces embarqué en ese buque [a Sheffield] con mi par británico (Lieutenant Commander Higinbotton) para intercambiar experiencias (nunca pensé que seis años después ese buque sería hundido por aviones de nuestra Aviación Naval en Malvinas y que, sin quererlo, le estaba brindando soluciones para los problemas que tenían con sus capacidades antiaéreas de área).

Heli
Heli
1 mês atrás

Vale a pena ressaltar que a ogiva do míssil Exocet que atingiu o Sheffield nao detonou. Da mesma forma que aconteceu com os dois Exocets que atingiram a fragata da classe OHP USS Stark no Golfo Persico em 11 de maio de 1987 não explodiram. O Stark, apesar de dois impactos escapou, já o Sheffield foi pro fundo do mar.

Jagderband#44
Jagderband#44
1 mês atrás

Off topic total: USN e RN exercitando os músculos no Mar de Barents.
https://www.navy.mil/submit/display.asp?story_id=112841

Saldanha da Gama
Saldanha da Gama
1 mês atrás

São tantas falhas ao mesmo tempo, que começo a achar que os ingleses ou não estavam levando fé na capacidade dos argis, ou imaginavam que os franceses iam desativar…..

Marcelo Andrade
Marcelo Andrade
1 mês atrás

Esse ataque foi importante para reformulações em vários procedimentos navais, desde a construção até o combate a avarias! Passando pelo uso de materiais não inflamáveis, etc. O que não entendo, e que muitos aqui poderiam me explicar, já que sou mais entusiasta aeronáutico, sem deixar de gostar de belonaves, é: Como um navio de guerra, em uma zona de guerra, não fica , automaticamente em estado de combate caso um de seus radares e sensores não detectem uma ameaça aérea? Vimos que o impacto do míssil foi consequência de vários erros, como elos de uma corrente, mas, este estado de… Read more »

Rafael M. F.
Rafael M. F.
1 mês atrás

Quem sou eu para questionar o MoD, mas se a ogiva tivesse explodido, o estrago não teria sido bem maior?

Clibanário
Clibanário
1 mês atrás

Passados 38 anos (tinha 17 anos na época), ocorreu-me um triste pensamento: TODAS as fragatas da MB (principalmente as Type 22, que chegaram a participar dos combates) são CONTEMPORÂNEAS dos eventos. Outro pensamento: as Inhaumas, que foram incorporadas bem depois, praticamente foram desativadas (sei que sobrou uma). Será que somos péssimos construtores? Mais uma: todas as escoltas argentinas são novinhas, apesar das dificuldades em mantê -las. Dos dois ARA “Hércules” , contemporâneos do conflito, sobrou um que foi convertido no Chile em navio de assalto (tou com preguiça para ver se ainda está ativo). Conclusão: se razoavelmente mantidas, em termos… Read more »