sexta-feira, setembro 17, 2021

Saab Naval

Destróier USS John Finn acerta alvo de superfície a mais de 250 milhas com míssil SM-6

Destaques

Redação Forças de Defesa
redacao@fordefesa.com.br

Usando uma mistura de informações de aeronaves e navios não tripulados e tripulados, o destróier de mísseis guiados USS John Finn (DDG 113) lançou um míssil SM-6 contra um alvo de superfície além do horizonte a mais de 250 milhas de distância sem usar os sensores ativos do navio. O exercício fez parte do Unmanned Integrated Battle Problem 21, segundo a Marinha dos EUA.

O alvo estava equipado com um pequeno refletor de radar e um repetidor que emitia um sinal eletromagnético. O sinal do repetidor foi detectado por sensores na aeronave não tirpulada e nas embarcações de superfície tripuladas e não tripuladas, disse o contra-almirante James Aiken, comandante do Carrier Strike Group 3, durante uma ligação com repórteres na segunda-feira.

A informação foi retransmitida ao USS John Finn (DDG-113), que usou os dados combinados do alvo para disparar um Standard Missile-6 para atingir o alvo a mais de 200 milhas de distância e além do alcance do poderoso radar do navio.

“Foi realmente complexo… Nós juntamos embarcações tripuladas e não tripuladas. Também usamos a capacidade de fusão em que estamos fazendo alguns experimentos. Foi totalmente passivo onde não tínhamos sensores ativos no alvo”, disse Aiken.
“Também procuramos espaço para realmente identificar o alvo e, assim que o encontramos, fomos capazes de rastreá-lo por causa do sinal eletromagnético que estava saindo do alvo, desenvolver linhas de orientação e, em seguida, lançar o míssil.”

O disparo do míssil SM-6 contra alvo de superfície é uma prova de conceito de como a Marinha dos EUA poderá ampliar a capacidade dos seus radares muito poderosos, mas muito detectáveis, com uma rede mista de sensores passivos que poderiam compartilhar dados de alvos sem alertar o alvo. O teste também mostra como o raio letal de um míssil lançado contra um alvo de superfície pode se expandir muito além do alcance do radar de um navio, que é limitado pela curvatura da Terra.

O alvo com antena de radar que foi usado como alvo do SM-6
O alvo com antena de radar que foi usado como alvo para o SM-6

“Este foi um passo importante para mover a bola para o campo e termos uma aeronave não tripulada conectada a essa solução de direção de tiro”, disse o diretor do U.S. Pacific Fleet Maritime Headquarters, Robert Gaucher, a repórteres.

Grande parte do pensamento da US Navy sobre como desenvolver sua futura frota de superfície, tripulada e não tripulada, é o desenvolvimento de mísseis antinavio chineses que são projetados para ameaçar os navios de superfície dos EUA em áreas próximas ao continente chinês, como o Mar da China Meridional.

“Eles estão despejando muito dinheiro na capacidade de basicamente delimitar sua costa no Mar da China Meridional com capacidade de mísseis antinavio”,  disse o vice-almirante Jeffrey Trussler, vice-chefe de operações navais para guerra de informação (OPNAV N2/N6), disse em janeiro.

“Eles provavelmente são voltados e desenvolvidos especificamente contra a Marinha dos Estados Unidos.”

O perigo de os mísseis balísticos antinavio DF-21 ou DF-26 chineses encontrarem navios a partir de sensores ativos deu à Marinha uma pausa em como desenvolver seus próprios futuros combatentes de superfície e levou a Força a considerar os chamados sistemas não tripulados atritáveis ​​com sensores passivos que não revelam sua localização ao inimigo.

SM-6

 

Um esquema de sensor multiestático passivo, como o demonstrado no tiro do SM-6, que fundiria várias fontes em uma única solução de tiro, protegeria melhor a frota de superfície de ameaças como mísseis balísticos antinavio do que usar um único navio com um sensor ativo poderoso.

O disparo do SM-6 foi um dos três casos do problema de batalha que foi o maior exercício da Marinha dos EUA até o momento, misturando plataformas tripuladas e não tripuladas. Outros cenários incluíram o uso de sistemas não tripulados para guerra antissubmarino e vigilância e reconhecimento de informações.

O objetivo do problema de batalha foi testar a capacidade com os marinheiros da frota e informar melhor como a Força poderia usar os sistemas no futuro.

“Precisamos colocar as coisas nas mãos dos marinheiros e depois deixá-los usar sua engenhosidade”, disse Aiken na semana passada. Marinheiros, “não ficam só observando. Eles são capazes de contribuir, são capazes de aplicar esses tipos de sistemas aos recursos.”

FONTE: USNI News

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Ivo

Ganharam a guerra fria pelo fato de que a segunda guerra mundial acabou com a infraestrutura das maiores nações européias, inclusive da Rússia. As nações européias pegaram muito cash emprestado pra financiar o esforço de guerra e depois tiveram que pagar, seja em dinheiro, ouro, Terras ou QQ outra forma de comum acordo.

Esteves

Isso.

Ninguém venceu guerra fria nenhuma. Como consequência dos engajamentos político econômicos e espionescos, a Rússia ruiu. Mas recuperou-se.

Houve uma corrida espacial e…se o reta final foi a Lua, ok. Os americanos chegaram.

A Europa arrasada e endividada não Estava em condições de fazer guerra com ninguém. Nem com tacape.

Esteves

“míssil lançado contra um alvo de superfície pode se expandir muito além do alcance do radar de um navio, que é limitado pela curvatura da Terra.”

Bosco, a guerra no mar Estará limitada aos mísseis?

Jagdverband#44

Impossível!
A terra é plana!!!
kkkk

Esteves

Pai do céu…se o míssil viaja mais de 250 milhas e acerta o alvo…não é que é plana mesmo.

Alex Barreto Cypriano

Há muito tempo guerra no mar se deslocou dos canhões pros mísseis. Lembrando, claro, de torpedos, minas, ubotes suicidas, etc. Mas a grande sacada é fazerem o targeting passivamente para misseis antinavio de longo alcance: o inimigo não sabe que foi designado e sofre um ataque de surpresa. De fato, a guerra naval depende do espectro eletromagnético, tanto no uso dos sensores ativos (radares, essencialmente) e comunicações (datalinks e satélites) quanto no dos sensores passivos (EO, IR, detectores de assinaturas eletromagnéticas em geral).
Mestre Bosco, certamente, tem muito a dizer sobre o assunto.

Last edited 4 meses atrás by Alex Barreto Cypriano
Blind Mans Bluff

Faz tempo.

Esteves

Mk48,

Prezado colega,

Vossa opinião sobre o avanço dos mísseis e do alcance dos mísseis disparados por meios navais guiados por outros meios (outros navios, submarinos, aviões, aviões não tripulados, satélites) é que estamos cá no caminho certo e/ou a distância dessa 1/2 dúzia de países que detém inovação e tecnologia vai acabar criando um poço com os outros países?

Alex Barreto Cypriano

A pergunta não me foi endereçada mas, com o teu perdão, respondo:
O caminho é esse mesmo, ampliar o horizonte do combatente usando de fusão de dados de um mix de plataformas sensoras passivas/ativas conectadas em rede. Inovacao modelar. Mas a tendência é que militares de nações caudatarias nunca consigam fechar o gap tecnológico, simplesmente porque o sistema impõe de cima pra baixo a proteção de patentes e segredos técnicos inviolaveis e inegociaveis.

carcara_br

“Um esquema de sensor multiestático passivo”
Já ouvi alguma empresa falar sobre isso pra detectar o F-35.
Fiquei em dúvida em relação ao seguinte: o míssil utilizou os próprios sensores (ainda que de forma passiva) pra atingir o alvo ou foi totalmente alimentado por informações via datalink, com o sensoriamento passivo realizado pelas aeronaves?


Blind Mans Bluff

Os três. Primeiro o alvo foi detectado pelos sensores passivos do navio, fornecendo assim um referencia geografica. Em seguida, com a arma em voo, a referencia é atualizada utilizando um datalink e por fim o míssil utiliza seus próprios sensores em trajetória final.

Antoniokings

Prezado Mk-48

Tenho mais confiança nas novas classes de mísseis anti-navio hipersônicos, ou balísticos, que são outro patamar.
Agora, com relação à instigante pergunta relacionada à competição tecnológica, devemos considerar que a China está fazendo enormes avanços e deve, em breve, dominar alguns ramos importantes, como comunicações 5G, computação exascale e inteligência artificial.
Devo lembrar que os chineses apresentaram esse ano na Finlândia os primeiros esboços da comunicação 6G, que devem lançar em 2030.
Sem contar, na área comercial civil e industrial, onde sua crescente influência empresarial parece ser imparável.

Antoniokings

SDS

Welington S.

Engraçado é que os americanos divulgam seus vídeos já os china, pelo menos eu, nunca vi. Quem tiver vídeo dos china demonstrando sua capacidade em misseis, manda aqui.

Wellington

Mas tem vídeo de lançamento tb, lançar míssil é fácil. Vídeo desse míssil acertando o alvo os eua tb n divulgaram.

Jagdverband#44

DDG 113 é bloco 3?

Dalton

Não…é “Flight IIA” e “Block” na verdade tem sido usado para submarinos, não que faça muita diferença, mas, é assim que é tratado com relação a classe Arleigh Burke.
.
O DDG 113 é um dos 3, juntamente com os DDGs 114 e 115, chamados de “reiniciados”
já que esperava-se que o DDG 112 seria o último a ser construído, quando então se passaria a fabricar a classe “Zumwalt”.
.
O primeiro “Flight III” encontra-se em construção e espera-se que os primeiros testes de mar ocorram no fim de 2022.

Jagdverband#44

Thanks Dalton.

Paulo Sollo

“O perigo de os mísseis balísticos antinavio DF-21 ou DF-26 chineses encontrarem navios a partir de sensores ativos deu à Marinha uma pausa em como desenvolver seus próprios futuros combatentes…”

Mas segundo os especialistas mickeyboys estes mísseis chinos são uma farsa.
Eles deveriam contactar a USNavy e dizer-lhes isto para não perderem tempo e dinheiro desenvolvendo suas novas capacidades se baseando em ” farsas”.
Digam mickeys….

Esteves

Não penso que consideram farsa. Desdenhar e minimizar os esforços dos inimigos íntimos faz parte da guerra econômica.

Quando eles (americanos) dizem que investem em contra medidas significa que levam a sério.

Paulo Sollo

Estou me referindo aos fanboys que comentam por aqui. Certamente que os americanos não veem as armas da China como farsas. Os chinos atingiram alto nível de domínio em eletrônica e softwares, e isto já foi levantado em estudos nos EUA e UK.

Esteves

Sim.

Emmanuel

Eita…isso é mentira. Kings disse em outra matéria que a US Navy não tinha um míssil antinavio que prestasse..
Só China e Rússia.
Só não entendi o motivo dos dois não terem se unido e acabado com essa marinha do mal e que não tem um misero míssil de respeito.
Responde aí Kings, senhor de todas as verdades.

carcara_br

Emmanuel são 64 kg de explosivos, vão precisar disparar um pra cada fonte emissora praticamente (um pra cada radar) é muito diferente de um míssil com 250-500 kg de explosivo que realmente possuem chance de inviabilizar a operação de um PA com um único acerto.
A questão é a seguinte estes são mísseis defensivos, percebeu? DEFENSIVOS.

Alex Barreto Cypriano

Não revelaram todas as plataformas e seus diferentes papeis na kill chain. Coisa simpática dizer que confiam na engenhosidade dos marinheiros pra dar o feedback dos sistemas disponibilizados: tem semelhança com a política de valorização da contribuição individual na IIGM.
Se alguém me perguntasse algo, diria pra colocarem os sensores passivos e os relays de comunicação line-of-sight em plataformas stealth não tripuladas.

Allan Lemos

Por isso ganharam a Guerra Fria e também por isso se mantem qualitativamente superiores (ainda) a China e Russia.

Não foi por isso que eles ganharam a Guerra Fria, ganharam-na porque o modelo econômico que o oponente tinha não se sustentava.

Allan Lemos

O SM-6 também tem capacidade anti-satélite assim como o SM-3?

Alex Barreto Cypriano

Bom…

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Bardini

SM-6 é um míssil que pode bater alvos aéreos, terrestres e marítimos: navios. . É um míssil que pode ser guiado por E-2D ou F-35, em uma rede de engajamento cooperativo. . Só os americanos tem essa capacidade de engajamento. Consequentemente, os japoneses poderiam ter o mesmo, já que possuem todos os elementos necessários (Destroyer AEGIS, F-35, E-2D, SM-6). . Mas falar de DF-21, com uma cadeia de engajamento tenebrosa de complicada de por em prática, é mais interessante pra gurizadinha. . . Olhem para a imagem acima. O F-35B pode ser usado como nódulo na rede de engajamento. O… Read more »

Esteves

Críticos dão peso no custo do desenvolvimento, operação e no preço do F35. Esquecem que o avião não é uma ala aérea tradicional de um porta-aviões. Pode até ser isso mas o avião é muito mais.

Entao…uma Marinha sem o ciclo completo (eletrônica/vigilância/antecipação, sistemas de combate AEGIS, mísseis, redes de comunicações) não estaria apta a operar o F35?

Satyricon

Interessante.
Isso explica o porquê tantas marinhas tem interesse no F-35

Carlos Campos

NA china ainda não vi esses mísseis multiuso, mas a Rússia tá indo nessa direção também, o F35 seria ótimo para orientar esses mísseis sem nem ligar o radar.

Juarez

Exatamente e ainda nem Deus sabe o que tem nos sistemas ativos de EW dentro dos DDGs Burke.
Os Juros lançaram meia dúzia de SSMs contra um AB e rste sem disparar sequer um míssil de defesa AA, somente usando contra medidas anulou todos.
Aquilo é a US Navy, uma força de combate profissional, com o melhor treinamento de combate do mundo, a maior experiência em combate naval.

Alex Barreto Cypriano

Muito bem lembrado, Bardini.

Juarez

Ok. Concordo com quase tudo, só um “detalhe” :
Para a rede funcionar o espectro eletromagnético deverá ter estar limpo, o que nos bem sabemos não irá acontecer, vide o que os Chineses fizeram com os Indianos no ano passado.
Bardinii, sabe o que mais a USAF temfeito ultimamente em seus treinamentos????
Voando com bússola magnética proa tempo.
Sabem porque não mesmo???

Wagner Figueiredo

Nosso ” novo” navio?! Rsrs

Carlos Campos

Pode ser lançado de F18, pode ser lançado contra navios e aeronaves, cada dia o SM6 mostra que apesar de caro, ele entrega em diversidade de uso no campo de batalha.

Alex Barreto Cypriano

Ficou subentendido que esse SM-6 já é daqueles com alcance majorado (das relatadas 150 mn pra 200-250 mn). Lembremos do primeiro targeting além do horizonte usando Firescout e Seahawk prum Harpoon do LCS USS Coronado em 2017: https://www.defensenews.com/training-sim/2017/08/25/in-an-lcs-first-drone-support-targeting-mission-for-missile/

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