Japão avalia submarinos com VLS e propulsão avançada — e acende debate sobre propulsão nuclear
TÓQUIO — Um painel de especialistas recomendou que o Japão desenvolva uma nova geração de submarinos com capacidade de lançamento vertical (VLS) para mísseis de longo alcance e sistemas de propulsão avançada, abrindo um dos debates estratégicos mais sensíveis desde a adoção da política pacifista pós-Segunda Guerra Mundial.
O relatório, apresentado ao Ministério da Defesa no mês passado, propõe que os futuros submarinos japoneses possam operar a maiores distâncias e por períodos mais longos submersos, apoiados por “fontes de energia de próxima geração” — linguagem que, segundo especialistas, sugere a possibilidade de propulsão nuclear ou outra solução inovadora.
A proposta reflete a crescente preocupação de Tóquio com o avanço militar acelerado de vizinhos estratégicos, como China e Coreia do Norte, e marca um possível ponto de inflexão na postura de defesa japonesa, tradicionalmente centrada na defesa territorial imediata.
Capacidade ofensiva ampliada
A instalação de um sistema VLS tornaria os futuros submarinos japoneses mais letais, permitindo o disparo de mísseis de maior alcance e calibre. Segundo o analista Jeffrey Hornung, da RAND Corporation, isso aumentaria drasticamente a capacidade de ataque submarino do Japão, indo além das limitações dos atuais lançamentos por tubos de torpedos.
Entre as opções em estudo estão uma versão de longo alcance do míssil Type 12, com capacidade de atingir alvos terrestres e navais, e mísseis de cruzeiro Tomahawk fornecidos pelos Estados Unidos, já previstos para destróieres japoneses.
A Kawasaki Heavy Industries apresentou em 2023 um projeto conceitual de submarino com VLS instalado entre a vela e a proa, proposto como sucessor da atual classe Taigei, cujo último exemplar está previsto para 2027.
O nó nuclear: política e tecnologia
A maior controvérsia, no entanto, está no tipo de propulsão. A menção a “fontes não convencionais” levou à especulação de que o governo poderá considerar submarinos de propulsão nuclear (SSN) — uma medida que confronta barreiras políticas e legais profundas.
O Yoshimasa Hayashi, secretário-chefe do gabinete, afirmou anteriormente que a legislação atual “dificulta a posse de submarinos nucleares”. O país é signatário dos “três princípios não nucleares” e sua legislação atômica restringe o uso da energia nuclear a fins pacíficos.
Ainda assim, a nova líder do partido governista e provável futura primeira-ministra, Sanae Takaichi, já expressou apoio à ideia, argumentando que a Constituição não impede explicitamente a adoção de submarinos nucleares, embora defenda uma revisão legal cuidadosa.
Tecnicamente, o Japão domina tecnologias nucleares civis avançadas desde a década de 1960 e poderia desenvolver SSNs, mas especialistas apontam custos altos, escassez de pessoal qualificado e longos prazos de construção — fatores que tornariam improvável a operação de tais embarcações antes de meados da década de 2030.
Alternativas tecnológicas e drones submarinos
Com os desafios políticos e operacionais, Tóquio também avalia alternativas não nucleares:
- Baterias de estado sólido e células de combustível, que poderiam aumentar a autonomia submersa sem recorrer a reatores.
- Um modelo híbrido diesel-elétrico com pequenos reatores modulares, desenvolvido pela Mitsubishi Heavy Industries.
- O uso complementar de veículos submarinos não tripulados (UUVs) de grande porte — semelhantes ao Orca XLUUV dos EUA ou ao Ghost Shark australiano — para ampliar alcance e capacidade de ataque sem aumentar a frota tripulada.
Reação à expansão naval chinesa
O relatório surge em um contexto de rápida modernização da Marinha do Exército de Libertação Popular (PLA Navy), que tem equipado seus navios e submarinos com grande número de mísseis de longo alcance, capazes de ameaçar forças japonesas e norte-americanas sem deixar águas sob controle chinês.
“Para dissuadir ou enfrentar a Marinha chinesa, o Japão precisará de mais do que táticas tradicionais — será necessário igualar o alcance e a capacidade ofensiva”, afirmou Masashi Murano, do Hudson Institute.
Próximos passos
O governo japonês deverá iniciar um debate público e político intenso sobre os rumos do programa de submarinos. Qualquer decisão sobre propulsão nuclear exigirá mudanças legais e amplos investimentos industriais, possivelmente com cooperação tecnológica dos EUA.
Enquanto isso, a solução mais provável de curto prazo é a adoção de VLS com propulsão convencional aprimorada, mantendo a vantagem de baixo ruído acústico e custos menores — sem romper tabus estratégicos históricos.
A discussão reflete não apenas uma questão tecnológica, mas um marco potencial na evolução da política de defesa do Japão — país que, após décadas de restrição militar, parece disposto a ampliar sua capacidade de dissuasão em um ambiente geopolítico cada vez mais volátil na Ásia-Pacífico.■

Japão faz uns 5 submarinos com propulsão nuclear em poucos anos. Além de ser um país riquíssimo, possuem muitas indústrias e os melhores cérebros disponíveis.
https://x.com/japanesepatrio6/status/1734562547473482012
Esse post é de um tempo atras mas potencial esboço da futura classe pos Taigei ja em desenvolvimento pela Kawasaki e Mitsubishi com VLS e uma evolução da propulsao hibrida diesel e baterias de litio ja usadas desde os ultimos Soryu.
E o Brasil encomendou parcos 4 Riachuelo e, como sempre, vai ficar nisso mesmo. Daqui a 30 anos, contratam outra transferência de tecnologia. Nenhum estudo de aperfeiçoamento dos atuais modelos, nenhuma encomenda adicional à vista. Eterno 3o mundo em que políticos só pensam em vantagens para si mesmos com o dinheiro público.
“Nenhum estudo de aperfeiçoamento dos atuais modelos, nenhuma encomenda adicional à vista.”
Nenhum escalonamento de produção, como alguns países fazem, por exemplo, de produzir 1 ou 2 submarinos por ano. Nenhum estudo de aperfeiçoamento ou inovação.
A desculpa é a falta de previsibilidade orçamentária, mas na verdade falta planejamento e prioridade, quiçá improdutividade planejada.
Já não tenho esperanças para a Defesa no Brasil, porque ao olhar para as décadas passadas vejo os mesmos erros e as mesmas desculpas sendo perpetuadas.
Sou obrigado à discordar de você. A Classe Riachuelo já é um aperfeiçoamento da classe Scorpene. São maiores, mais silenciosos ( muito mais silenciosos), e levam sistemas de comando e controle iguais aos submarinos nucleares franceses, pois operam o mesmo torpedo que eles, o F21 Ártemis. Então, não menospreze estes submarinos. Eles fazem toda a diferença na armada.
No caso ele se refere a melhorias criadas aqui. O Riachuelo é um avanço em relação ao Scorpene básico mas já veio projetado assim da França. Ele é um passo adiante pra MB mas não pra engenharia nacional, o que seria uma avanço pra nossa indústria seria um futuro Riachuelo MK2 onde fizéssemos alterações no projeto sem auxílio francês, talvez trocando as baterias atuais por baterias de lítio, ou incluindo lançadores verticais, qualquer coisa que justificasse a transferência de tecnologia. O Álvaro Alberto caso realmente seja construído se enquadraria neste nicho, um casco novo projetado aqui com base no conhecimento… Read more »
Sim. A Classe Riachuelo é de transição para classe Álvaro Alberto. Mas há nos Riachuelos, sistemas que são exclusivos da classe. E isto os torna únicos, e por isto, temidos. Houve trabalho aqui no Br, para torna- los mais silenciosos, e portanto mais letais. Mais ou menos como os F39 gripen E/F, que possuem avionicos exclusivos que o tornam muito mais letais. Quando os F39 E se defrontaram com os F15 em um exercício, seu real potencial de interferência eletrônica , radar e sensores foram propositalmente limitados, porque a ideia era treinar os pilotos, não mostrar seu real poder. Mesmo… Read more »
O que os foristas estão reclamando é da falta de continuidade nos projetos brasileiros. Um exemplo, nos anos 80 a marinha procurou auxílio alemão para aprender a construir submarinos, daí nasceu a classe Tupi baseada no IKL-209, não foram apenas compras de prateleira, o país pagou por Tot na época, esta tot foi usada anos depois para a criação da classe Tikuna que era um avanço em relação aos Tupi, uma continuação lógica possível seria a criação de uma terceira classe de submarinos projetados do zero aqui no Brasil utilizando o conhecimento adquirido nos dois projetos anteriores, mas o tempo… Read more »
Acho que ele pode estar se referindo, além do baixo numero de unidades, a uma futura atualização com baterias de lítio ou coisa do tipo
Acho que a real intenção da MB é partir para propulsão nuclear, e as razões já foram expostas, inclusive em entrevistas : os Subnucs são muito mais rápidos e podem se deslocar para TOs extremos da amazonia azul em uma fração de tempo que os Subs convencionais. O exemplo dado foi que o tempo de deslocamento de um Riachuelo da sua base da ilha da Madeira ( RJ) até a margem oriental do Amazonas é de 15 dias e para um Álvaro Alberto de apenas 3 dias. Por outro lado os Subnucs podem acompanhar FTs , os tornando sem certa… Read more »
Parece-me que você está equivocado e debateu um argumento que eu não utilizei em momento algum. Veja: O Augusto disse: “E o Brasil encomendou parcos 4 Riachuelo e, como sempre, vai ficar nisso mesmo. Daqui a 30 anos, contratam outra transferência de tecnologia. Nenhum estudo de aperfeiçoamento dos atuais modelos, nenhuma encomenda adicional à vista.” Respondi: “Nenhum estudo de aperfeiçoamento ou inovação, nenhum escalonamento de produção.” Você argumentou: “A Classe Riachuelo já é um aperfeiçoamento da classe Scorpene.” Acontece que o contexto já considera os Riachuelo, uma vez que o Augusto citou os 4 submarinos para projetar um futuro de… Read more »
Eu não vejo esperança para o Brasil como nação…a cada ano aumenta o sentimento de parte da população em uma divisão territorial. Hoje ae fazer um prepiscito tenho certeza que a população da região do sul, centro oeste e parte do sudeste votaria pela divisão do país…
Isto jamais vai ocorrer. Não há motivos reais para esta divisão. Diferenças ideológicas apenas, não tem força para isto. Estudos internacionais sobre fragmentação de países colocam como motivos principais línguas diferentes, ou religioes antagônicas. Exemplos : Na Espanha, há 3 linguas semi oficiais, além do espanhol: O basco, o catalão e o galego. Por isto, a Espanha vive sob o espectro da fragmentação, pricipalmente no país basco e na Catalunha. Mesma coisa na Inglaterra. Há 3 línguas celticas convivendo com o Inglês: o Gaélico irlandês, o Gaélico escocês e o Gaélico do país de gales. A Escócia e a Irlanda… Read more »
Fatos interessantes. O estado onde há mais praticantes de religiões de origem afro : RS.
O MST surgiu no interior de Santa Catarina. O Br é muito, muito misturado, quer em termos étnicos, quer em termos religiosos ou ideológicos.
Para o bem ou para o mal, os brasileiros viverão vitórias e derrotas juntos.
Esta homogeneidade do Br se deve em grande medida à fase imperial do país. O império sufocou uma à uma, todas as tentativas de fragmentação do país. Criou até um guardião para que isto não ocorresse: um exército nacional que zela por isto até hoje, e selou a unidade com uma guerra existencial ,a guerra do Paraguai.
Estão certíssimos! Terão os submarinos nucleares antes de Banânia. E aposto que lá não vão mudar o nome para agradar o bando de fresquinhos politicamente corretos.
O nosso vai se chamar José Dirceu
Não vejo como algo bom, seria caro, e o Japão tem seus inimigos do Lado, Rússia, China e Coreia do Norte, então os subs Japoneses que são bem silenciosos, e conseguem passar muito tempo embaixo d’água, são ideais para o país, se vierem a ter baterias de estado sólido então, não fará sentido algum ter um nuclear, e já faz pouco agora, em uma guerra com a China e Coreia do Norte, asfixiar a economia deles é fácil pelo mar e os subs atuais estão bem.
Prezado Carlos Campos, Entendo sua colocação, faz muito sentido. Acredito que a questão seja mais dissuasória no sentido de: se a China tem, nós também vamos ter. Não ficaria nem um pouco surpreso se o Japão aderisse ao AUKUS para facilitar a produção de submarinos e patrulhar um espaço maior no Mar da China. Isso faria a China gastar mais em patrulhas para tentar localizar os submarinos japoneses, americanos, britânicos e australianos. Liberando assim, os atuais submarinos para patrulhas mais próximas. É somente minha opinião de leigo. Talvez Mestre Dalton e Xo possam melhorar a discussão. Um ótimo fim de… Read more »
Sub Nuclear no Japao ainda vai levar tempo, o principal sendo politico mais do que tecnico, como dito acima tem a questão da Constituição fora o pacifismo da geração que sobreviveu os horrores do ataque a Hiroshima e Nagasaki.
Tanto Japao como Coreia do Sul poderiam ser estados nucleares se assim quisessem pois nao só dominam tecnologia de reatores nucleares como tem expertise mais que suficiente para produzir ogivas e ICBMs visto seus programas espaciais.
O “problema” é que adquirir submarinos de propulsão nuclear poderá significar uma redução do número de convencionais, possivelmente voltando-se ao histórico de 16
unidades – mais duas para treinamento – ou até menos ao invés dos 22 hoje mais duas para treinamento e mesmo pondo um fim a uma tentativa de aumentar o número para 28.
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O Brasil abriu a caixa de Pandora ao começar o seu projeto de submarino nuclear, agora vários países que não possuem armas nucleares despertaram para a possibilidade ter submarinos nucleares.
Não foi o Brasil, praticamente foi a China, puxando a Índia também. Subs movidos a energia nuclear ainda estão entre as máquinas mais complexas construídas pela humanidade, mas agora eles são um pouco mais acessíveis. Não somente mais acessíveis, mas os países precisam delas agora. O mundo desenhado com as restrições pós WWII está acabando, o mapa está se redesenhando. Mísseis inteligentes, drones, subs nucleares, comunicações, guerra eletrônica, capacidade de processamento (informática), são coisas que estão começando a aparecer nos futuros campos de batalha tanto quanto na primeira guerra mundial, quando o mundo viu o que a metalurgia e a… Read more »
2 das guerras que antecederam a 1° GM, a guerra civil norte americana e a guerra do Paraguai foram terrivelmente sangrentas, apontando para a incompatibilidade entre as táticas militares da era napoleônica e a evolução dos armamentos. A 1° GM foi o ápice dessa contradição. Batalhas que chegaram a ceifar 300.000 soldados em poucos meses. Metros de avanço no TOs significavam um verdadeiro moedor de carne humana. Participando e assistindo esse horror , Chamberlain queria evitar à todo custo uma nova guerra, que depois se mostrou muito pior que a 1° ,porque pela primeira vez na História, surgiu a guerra… Read more »
Gaza e Hiroshima
Também teve duas guerras (que foram travadas pelas grandes potencias) que aconteceram entre as guerras napoleônicas e mundiais e que foram altamente intensas, a guerra da Crimeia e a guerra Franco Prussiana.
A China e a Índia são países que possuem armas nucleares, o Brasil foi o primeiro país sem armas nucleares a partir para esse tipo de submarino!
E nós aqui com a corveta Imperial Marinheiro de 1950…