HMS Prince of Wales arrives in Singapore

F-35B Lightning II a bordo do HMS Prince of Wales

Londres – Embora o caça F-35B Lightning II seja considerado pela Ministry of Defence (MoD) britânica o mais avançado em serviço no Reino Unido, um relatório recente do National Audit Office (NAO) revela que a frota ainda enfrenta sérias deficiências em termos de prontidão operacional, integração de armas e infraestrutura — fatores que podem atrasar o alcance da chamada “Capacidade Operacional Plena” (FOC, Full Operating Capability) para o fim de 2025. (UK Parliament)

O documento destaca que, embora o F-35B represente um salto tecnológico significativo — com capacidades de furtividade, fusão de sensores e adaptação a cenários de combate modernos —, a disponibilidade da aeronave para realizar todas as missões previstas permanece muito aquém das metas estabelecidas pelo Ministério da Defesa. Por exemplo, em 2024 a frota britânica atingiu cerca de um terço da meta para “mission capable” (capaz de cumprir todas as missões designadas). (National Audit Office (NAO))

Principais lacunas identificadas

O relatório do NAO e outros expedientes parlamentares assinalaram várias áreas críticas:

  • A falta de uma arma “standoff” — ou seja, de longo alcance para atacar a partir de fora de zonas fortemente defendidas — limita a capacidade do Reino Unido de usar o F-35 em cenários de alta contestação; a integração da arma britânica SPEAR 3 foi adiada para os anos 2030.
  • Problemas de manutenção, da cadeia de suprimentos e da gestão de manutenção impactam diretamente a disponibilidade das aeronaves para voo.
  • Escassez significativa de pessoal qualificado: engenheiros, pilotos e instrutores estão abaixo do necessário, o que reduz o ritmo de treinamento e afeta a prontidão da frota.
  • A infraestrutura de apoio — por exemplo, instalações de teste de assinatura de radar (“air-signature assessment facility”) e alojamentos em bases — apresenta atrasos, prejudicando a consolidação da capacidade plena.

Implicações estratégicas

HMS Queen Elizabeth operando F-35B

O Reino Unido comprou o F-35B (variante de decolagem curta/aterrissagem vertical) para operar a partir de seus porta-aviões e para fornecer ao Braço Aéreo da Marinha e à RAF uma plataforma de 5ª geração. No entanto, a limitação da frota em cumprir plenamente todas as missões designadas significa que o país ainda não dispõe da total “liberdade de ação” que esperava.

Além disso, visto que o programa britânico está ligado a compromissos industriais — com participação significativa da BAE Systems, Rolls-Royce e outros —, os atrasos também afetam a posição do Reino Unido dentro da cadeia global do F-35.

Futuro e próximos passos

O MoD mantém a meta de declarar a Capacidade Operacional Plena até o fim de 2025, embora o relatório alerte que mesmo atingindo esse marco, a frota não estará ainda apta para operações sustentadas em combate de alta intensidade.

Para mitigar as deficiências, o Ministério da Defesa e a RAF terão de acelerar:

  • a integração das armas de longo alcance,
  • o recrutamento e formação de pessoal técnico e de manutenção,
  • a modernização da infraestrutura de apoio,
  • a expansão ou aceleração das entregas e do uso operacional das aeronaves.

O F-35B é um ativo promissor e se traduz em um pilar estratégico para o Reino Unido, mas a plena operacionalização depende agora de resolver gargalos de capacidade, pessoal e equipamento — um desafio que exigirá tanto investimento quanto processos sustentados de implementação.■


Subscribe
Notify of
guest

26 Comentários
oldest
newest most voted
Inline Feedbacks
View all comments
Emmanuel

É melhor ter e não estar 100% do que não ter e precisar.

Renato

Discordo. O pior é pagar e após anos de atraso e mais de dez anos depois da entrada em serviço o avião ainda não entregar 2/3 das capacidades pelas quais você pagou. Ou seja, para 2/3 das missão que você previu “precisar”, você já pagou e continua sem “ter”.

Hamom

O Queen Elizabeth foi comissionado em 2017 e o Prince of Wales em 2019,
após quase 9 e 7 anos respectivamente, o F-35B atingiu cerca de um terço da meta para “mission capable”.

Para atingir os dois terços restantes da meta, serão mais 18 anos?

Last edited 3 meses atrás by Hamom
Dalton

O Reino Unido nem recebeu ainda todos os 42 F-35Bs da encomenda inicial incluídos os que são usados para testes, treinamento e reposição para perdidos em acidentes. . Em 2017 não havia F-35Bs disponíveis mesmo que o “Queen Elizabeth” estivesse certificado o que normalmente leva 2 ou mais anos após o comissionamento e com a entrega gradual apenas 8 estavam disponíveis para embarque para o “CSG 21” o que exigiu que um esquadrão do “USMC” com 10 unidades embarcasse também. . O F-35B é muito criticado, mas, da forma como está ainda é melhor que muitos e será ainda melhor… Read more »

Hamom

É, acho que fiquei mal acostumado ao comparar com o padrão do chinês Fujian, que foi comissionado já operando com os J-35…

Dalton

O “Fujian” ainda não foi “comissionado” e é comum que aeronaves de esquadrões de testes e treinamento operem a bordo não necessariamente fazendo parte da futura Ala Aérea. . Veja por exemplo quando o F-35C pousou e decolou do USS Nimitz, mesmo ele não tendo recebido todas as melhorias necessárias para sustenta-lo durante meses seguidos de missão, essa “honra” coube ao USS Carl Vinson enquanto o “Nimitz” cuja data para retirada de serviço estava próxima não recebeu as melhorias necessárias. . Pousar e decolar é uma coisa, operar de forma sustentável por em média 7 meses contínuos longe de casa… Read more »

Hamom

De fato o Fujian não foi comissionado. Então, quando comparado ao histórico do F-35B nos porta-aviões britânicos, o Fujian é ainda mais antecipado por seu caça 5G já estar disponível e decolando e pousando (operando neste sentido.) Em relação aos porta-aviões dos EUA, como o Fujian opera com EMALS e J-35, a comparação deve ser com o USS GF que (deveria) opera(r) com um sistema equivalente. Bem, até hoje o F-35, nunca decolou do Gerald Ford. E mesmo no caso do F-18 SH e outras aeronaves: Em 2019; 6 anos depois do lançamento e dois anos do comissionamento do US… Read more »

Last edited 3 meses atrás by Hamom
Hamom

Trecho publicado na mídia chinesa:

“Recentemente, uma captura de tela com dados técnicos da Xiangtan Electric Machinery Co., Ltd., fornecedora do porta-aviões Fujian e de seu sistema de catapulta eletromagnética, gerou intenso debate.

De acordo com os dados, o sistema de energia CC integrado de média tensão, desenvolvido pela própria Xiangtan Electric Machinery, apresenta desempenho superior, alcançando 30% mais eficiência do que o sistema CA dos porta-aviões da classe Ford dos EUA, e sua taxa de falhas na catapulta eletromagnética é de apenas 1/3200.”

Dalton

Já havia lido sobre isso, parabéns aos chineses, mas, acreditar que tudo que a China faz é sempre melhor, infalível e as informações são 100% fidedignas, aí vai de cada um.

Dalton

O F-35C exige uma série de mudanças a bordo de um NAe para operar de forma sustentável até conforme um link que passei para outro comentarista aqui dias atrás. . Não houve oportunidade – como no caso do USS Nimitz – do “GF” proporcionar pousos e decolagens para o F-35C até porque ainda não há esquadrão destinado à Frota do Atlântico e a necessidade de entregar o “GF” mesmo “incompleto” para servir como base para treinamento e formação de aviadores como publicado. . O “GF” deverá passar por um período de manutenção a partir do próximo ano quando então se… Read more »

Hamom

Já li em algum lugar que houve uma diferença na concepção dos projetos EMALS de ambos países.

Os EUA apostaram na inovação e avanço tecnológico, já os chineses priorizaram a estabilidade e funcionalidade.

Uma ambição maior tem mais riscos e tende a encontra mais obstáculos, mas se estes forem superados o retorno (ou avanço) final, mais do que compensa.

BraZil

Né mesmo! (risos)

Jagder

Não é isso. É que você fez uma projeção linear.
Só um adendo: as falhas/dificuldades enfrentadas na questão do Fujian não saem na Globo, se é que você me entende.

Hamom

Se for falar em linhas, então seriam mais como paralelas

Last edited 3 meses atrás by Hamom
Mercenário

48 F-35B, Dalton, só uma pequena correção do lapso material.

O problema é a integração dos novos armamentos britânicos (Meteor e Spear). O Storm Shadow não será integrado, salvo engano. Por ora ASRAAM, AMRAAM e Paveway IV integrados.

José Joaquim da Silva Santos

Atingiu a FUCK – Full Unnoperational Capability Kingdon.

André Macedo

Considerando que os europeus não vão ter tão cedo uma opção local pro F-35, o jeito é engolir o chuchu como se fosse filé!

José Joaquim da Silva Santos

Isso é um verdadeiro perna-curta, num teatro como o Pacífico não sei o que poderia fazer.

angelo

Não sabiam disso antes da compra???????

Rinaldo Nery

E tem gente que acha que o Brasil seria capaz de operar e manter o F-35…

Heli

Pior, tem gente que acredita que se a RN vender o Prince of Wales, a MB poderia comprá-lo, e depois adquirir uns F35B.

Anderson cortes

Ai já é uma incompetência dos Britânicos asim como os 2 porta Aviões deles que não servem para absolutamente nada.
O F35 consegue estar operacional em Israel e nos EUA mas no Reino Unido não.

Henrique A

Eles querem ter capacidades que não são capazes de pagar e acabam canibalizando a frota… foi por isso que a MB conseguiu pegar o Atlântico e o Oiapoque, agora a RN não tem meio nenhum para fazer op anfíbias.

Dalton

Os 2 NAes britânicos podem sim ser utilizados em operações anfíbias funcionando como grandes “LHAs”, isso, foi deixado claro desde o início como uma capacidade secundária se e quando houver necessidade e ainda há 3 “LSDs” classe “Bay” dos quais espera-se que ao menos um possa estar disponível, não é o “ideal” mas não significa que não haja nenhum meio para “op anfíbias”. . Não havia como manter o “Ocean/Atlântico” com a chegada dos NAes e ele foi “descartado” e para o “Bulwark/Oiapoque” e eventualmente os “Bay” haverá um substituto na forma do “MRSS” que encontra-se em desenvolvimento, irá demorar… Read more »

Abymael2

O reino unido é mais ou menos como a mucama dos EUA.
Aquela cena do Tony Blair quase chorando pedindo desculpas por ter apoiado a invasão do Iraque (e dizendo que “assumia total responsabilidade”…como se isso devolvesse a vida dos civis explodidos por Hellfire) é bem ilustrativa disso.
Tinham livre arbítrio e condições para serem o que quisessem e resolveram ser “a rêmora dos EUA” (rêmora: aquele peixinho que fica grudado numa parte sensível do tubarão, alimentando-se daquilo mesmo que vc está pensando).
Dito isso, o F35 realmente é um problema sério.

Giovani

Enquanto isso os Eurofighter apesar de caros de voar, estão plenos.