Porta-aviões chinês Fujian começa era de expansão marítima e marca início da produção em série de navios da classe

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China comissiona porta-aviões Fujian em cerimônia com presença de Xi Jinping (11)

Pequim – O comissionamento do porta-aviões Fujian (indicativo visual 18), realizado em 5 de novembro com a presença do presidente Xi Jinping, representa um marco histórico na evolução da Marinha do Exército de Libertação Popular (PLA Navy) e inaugura uma nova fase de projeção marítima global da China.

O navio, primeiro porta-aviões chinês dotado de catapultas eletromagnéticas e de concepção totalmente nacional, foi descrito pela mídia estatal como o símbolo da transição da China de uma força naval de defesa regional para uma marinha de “águas azuis”, capaz de operar em qualquer parte do mundo.

De acordo com informações divulgadas pela conta oficial do analista militar Yu Zhitian, o Fujian já está preparado para operar em missões que incluirão o Estreito de Taiwan, o Mar do Sul da China e o Oceano Pacífico, além de possíveis deslocamentos futuros para o Oceano Índico e o Atlântico. A embarcação foi projetada para longas permanências no mar, com maior autonomia e eficiência energética que seus antecessores, Liaoning e Shandong.

Expansão para mares distantes

O relatório destaca que o Fujian desempenhará papel central na construção da capacidade chinesa de “defesa em águas distantes”. Isso incluirá operações de presença e treinamento em regiões estratégicas como as proximidades de Guam, Diego Garcia e as águas ao redor da Austrália.

Especialistas chineses afirmam que essas operações estão em conformidade com o direito internacional e refletem a busca de Pequim por uma presença naval permanente em rotas marítimas críticas do Indo-Pacífico.

Marco tecnológico e industrial

Com catapultas eletromagnéticas, o Fujian é o primeiro porta-aviões convencional do mundo a empregar essa tecnologia — até então exclusiva de navios norte-americanos de propulsão nuclear. O sistema permite lançar aeronaves mais pesadas e em menor intervalo de tempo, elevando a capacidade operacional e o ritmo de decolagens.

A entrada do Fujian em serviço marca também o início da fase de produção em série de porta-aviões chineses. Segundo Yu, o modelo “003” — designação industrial do Fujian — é considerado uma plataforma madura, e as próximas unidades deverão incorporar melhorias graduais e maior padronização nos sistemas de bordo e no treinamento de tripulações.

Presença permanente no mar

Com o crescimento da frota e o avanço tecnológico, a China planeja manter ao menos um porta-aviões em operação contínua em determinados pontos estratégicos do globo, consolidando uma presença naval sustentada.

Analistas de defesa apontam que o Fujian eleva o patamar da Marinha chinesa, não apenas em termos técnicos, mas como instrumento de dissuasão e projeção de poder, simbolizando o amadurecimento de uma marinha moderna capaz de operar de forma autônoma em qualquer oceano.

Com isso, o comissionamento do Fujian não apenas marca o início de uma nova era para a indústria naval militar chinesa, mas também sinaliza uma mudança no equilíbrio estratégico global — à medida que o gigante asiático expande suas ambições navais para além do Pacífico e se posiciona como competidor direto das potências marítimas ocidentais.■


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Igor

Espetacular!

Hamom

 “O J-35 foi adaptado com sucesso para as rampas de lançamento dos porta-aviões Liaoning e Shandong, marcando a entrada dos dois porta-aviões chineses em serviço na era da furtividade.” “Zhang Zhonghao, projetista-chefe do J-35, revelou que o caça possui uma capacidade única de decolagem tanto por catapulta quanto por rampa de lançamento. A implantação do J-35 nos porta-aviões chineses aumentará significativamente a capacidade do esquadrão de aeronaves do Liaoning e do Shandong. Os 24 caças J-15 originais foram substituídos por uma formação mista de 12 J-35, 12 J-15T e 4 J-15D, totalizando 28 aeronaves” … Três porta-aviões operando com caças… Read more »

ChinEs

A China ja comissionou o Type 003 Fujian , falta agora o Type 004 , que segundo muitos dizerm é com propulsão nuclear, a China em 2035 vai operar até 4 CVNs Type 004 , no campo dos submarinos , a China está construindo 6 SSBN Type 096…

RSmith

a China em 2035 vai operar até 4 CVNs Type 004… serio? vão construir e comissionar 4 CVN’? em apenas 10 anos? Serio? aonde você teve acesso a tal informação? o Tio Sam leva 10 anos para preparar unzin!

Rui

Com pladur e fácil

Piassarollo

Penso que estás sendo otimista demais. Em 2035 a China certamente não vai ter 4 type 004 operacionais, isso mesmo pra China, é muito improvável. Arrisco dizer que em 2035, no máximo 2 type 004 estarão ativos, com outros em construção. Quem viver, verá.

albert_008

2035? you will see the fourth and the fifth before 2030

naval762

Olha aí almirantado, corre lá! Fala com painho pra ele negociar com o ursinho pooh.

Alexandre Galante

Boa, Naval! 🙂

Heli

em 2080 esse NAE estará na MB

Cara Qualquer

Tailândia opera armamento Chinês e Americano. Não sei o motivo do Brasil não poder fazer o mesmo.

Falta navios? Oferece para eles minérios, carne e soja. Os chineses são bem pragmáticos né? Os africanos compram bastante coisas deles assim.

adriano Madureira

Exatamente ! Paga de tudo que for opção:
Paga-se em cash,boleto das casas Bahia,em commotities,café,borracha e minérios…

Uma NAe chinesa com caças J-35 embarcados já seria um grande salto para nossa defesa aérea naval…

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Deadeye

É por que aqui usam a desculpa da “doutrina”

Dagor Dagorath

Você acha mesmo que os militares brasileiros tem alguma simpatia com a China?

Lembre-se que são mais de 60 anos de militares brasileiros indo para a School of the Americas (atual Western Hemisphere Institute for Securiry Cooperation) e aprendendo que “comunistas são maus”.

Machado

Esses cursos no exterior moldam a mentalidade dos nossos militares que acham que devemos ser automaticamente alinhados com EUA/Europa e não termos relacionamentos militares com outras nacoes. É tipo uma lavagem cerebral mesmo. Esses outros países são rivais estratégicos dessas nacoes e não nossos rivais. Pelo contrário podem ser a ponte da nossa soberania

Machado

Existem coisas que acontecem nos bastidores do poder que nós meros mortais desconhecemos. Mas arrisco deduzir. O Brasil não adquire equipamentos russos/chineses por pura pressão do EUA que não permitem que tenhamos uma relação mais próxima além da comercial com os adversários estratégicos do EUA. Pois eles consideram o Brasil como um satélite deles. Uma reserva de mercado/estratégica. Claro que eles contam com políticos cooptados para isso. Para defender os interesses deles e não os nossos. Basta uma observação mais apurada no congresso nacional e vI conseguir identificar quem são esses políticos falsos patriotas. Resumir, não somos uma nação verdadeiramente… Read more »

EduardoSP

Pensamento antiquado e rançoso. O mesmo argumento há mais de 80 anos. O mundo gira, a Lusitana roda, e o vitimismo permanece.

Dalton

Os 2 NAes britânicos são impressionantes e atendem os requisitos britânicos, mas, não dá para chama-los de “Super Carriers” um termo bolado para diferenciar a classe Forrestal – a primeira genuína de “Super” da classe Midway, porque apesar do grande tamanho não estão equipados com catapultas e maquinário e cabos de retenção de aviões o que adiciona complexidade, maior capacidade e maiores custos operacionais além da impossibilidade econômica de operar mais e variados tipos de aeronaves. . O “Fujian” – que terá que passar ainda por um período de certificações – torna-se assim o único “Super Carrier” além dos pertencentes… Read more »

Neto

A China coloca pressão sobre os EUA no pacifico porque terá ao menos 1 sempre disponível por lá. Os EUA terão que equilibrar seus compromissos para que o NAe que esteja no japão tenha sempre um outro por perto para o substituir.
.
Eventualmente a china terá 2 frotas no mar por ali. já é um desequilíbrio grande em favor dos chineses. Em que pese o hipotético melhor treinamento dos americanos, material teoricamente superior e objetivamente maior número de aeronaves.

Dalton

O NAe baseado no Japão tem uma rotina completamente diferente dos demais, são duas patrulhas anuais de até 3 meses, com um mês de intervalo entre elas e durante os 4 primeiros meses do ano ele passa por manutenção de rotina atracado e essa rotina dura anos até que ele precise de uma manutenção mais consistente que só pode ser feita nos EUA quando então outro Nae ocupará seu lugar no Japão. . Então é costumeiro se ter um NAe para cobrir esse período de manutenção e mesmo haverá períodos em que o baseado no Japão e o “outro” estarão… Read more »

Neto

Excelente contribuição Mestre Dalton!

Obrigado!

Fernando

Com todo respeito, mas… Perde visualizações e credibilidade esse tanto de propagandas neste fórum. Fica chato tentar ler algo

Cristiano Salles (Taubaté-SP)

Concordo com você…, está bem poluído o site…, com propagandas…

Sim…, o site depende das propagandas…, todos concordam…, más deveria ter bem menos e rotatividade entre elas para ter a renda do site…

Com todo respeito também a todos que são donos e trabalham no site

GRANDE ABRAÇO!!!!!

Palpiteiro

Isso tem sido a causa de eu parar de entrar no site

adriano Madureira

Poderíamos e talvez deveríamos aproveitar essa “era de expansão marítima” chinesa e talvez trabalharmos juntos pensando na possibilidade de uma possível aquisição de uma NAe mde in China para nossa Marinha…

Mas certamente o almirantado caviar viria com aquela desculpinha de doutrinas incompatíveis com a de nossos militares,que nossa força é ocidentalizada e blá,blá,blá…

Sabemos bem que nossos militares não tem coragem de sair de dentro da caixinha e preferem continuar no comodismo,ao invés de tirarem os antolhos e tomar um novo rumo.

Afinal nossos militares preferem evitar a fadiga e não se indispor com nossos parceiros europeus…

J L

Com todo o respeito, gostaria que tivéssemos um bicho desse na nossa marinha, mas acho que no momento eu entendo que deveríamos continuar a produzir pelo menos mais um SBR, e tentar com o aprendizado na construção dos 4 já produzidos, fazer um modelo (pelo menos o projeto) totalmente nacional e adquirindo de fora os equipamentos que não produzimos aqui. E precisamos também de um 2º lote de fragatas no mínimo + um classe Wave para manter o abastecimento dos barcos em patrulha. Navios de patrulha oceânico só temos 3 onde deveríamos ter ao menos 10 espalhados pelo litoral. fora… Read more »

rui mendes

Vocês quando é para dizer bem da doutrina ocidental, lembram que são proximos e com os hábitos USA, e por aí fora, quando é para falar mal da doutrina ocidental, lembram-se dos Europeus.
Lindo essas lembranças, chega a ser comovente.

Dalton

Não duvido da qualidade do NAe chinês e dos próximos que virão, mas, um Nae assim nem a Índia possui e não trata-se apenas de construir e sim manter o NAe, uma Ala Aérea condizente, aeronaves extras para treinamento e reposição, navios de escolta e auxiliares e uma infraestrutura adequada para tudo isso. . O Brasil ainda não está em situação para aumentar significativamente o poder de suas forças armadas – a FAB por exemplo, também teria que ser beneficiada, trata-se de crescer de forma equilibrada e não há como investir bilhões de dólares – não reais – nem agora… Read more »

Renato

Só gostaria de entender para que o Brasil precisaria de uma capacidade de projeção de força tão poderosa e cara quanto a de um porta aviões? Projetar poder onde? Para deixar quem em cheque? Com qual objetivo geopolítico? Precisamos antes de tudo ter uma capacidade decente de patrulhar nossa costa e ter a capacidade de “negar o mar” na nossa ZEE. Precisamos de mais patrulhas oceânicas, mais fragatas e mais Subs.

Daniel

Impressionante. Quem sabe um dia, quando 80% do orçamento militar não for gasto com salários e pensões, a MB possa ter os seus também? 🤔

Luís Henrique

É só dobrar o orçamento que o gasto com pessoal cai de 80% com salários e pensões para 40%

adriano Madureira

Ao menos teríamos substitutos decentes para os SleepyHawk, cujo alguns ainda acreditam que tem poder defensivo

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Claudio Moreno

Salve senhores camaradas do Naval e Trilogia, a matéria é um reflexo do que significa uma nação preocupada com sua soberana e integridade total dela. Pois já sentiu na pele o que é ser invadida, humilhada e ver seus cidadãos e riquezas vilipendiados. Abaixo, segue um artigo de interesse geral nós que amamos nosso País, e que lamentavelmente contrasta o que a China está realizando para defender-se. Nosso país está diametralmente oposto ou para não ser rígido demais, lento, muito lento, no que diz respeito a manutenção de sua soberania. Só espero que não aconteça o que se deu na… Read more »

Gabriel BR

Na verdade o Brasil é que renunciou ser uma potência desde 1889. nossa elite econômica e politica ganha dinheiro e se mantém no poder vendendo o Brasil as custas do prejuízo dos demais brasileiros. O Brasil é gerido por uma espécie de gerentes apátridas a serviço do Big Money internacional e da aristocracia politica global anglo-saxã.

Gabriel BR

São belíssimos navios ! com isso a China terá em breve a segunda marinha de guerra mais poderosa do mundo. Quanto ao Brasil…deveríamos nos empenhar em recompor nossa força de superfície com ao menos 12 navios e terminar o Álvaro Alberto.

Carlos Campos

lembro que em 2008 eles não era uma marinha de águas azuis, parabéns aos Chineses

Kit Carson

Rapaz, movido a nuclear ou não… o que importa é que o “bicho” ta bonito! Achei interesante na parte dianteira a câmera ou “flir” sei lá, ali na frente.

max

Para onde foram todas aquelas almas ignorantes que costumavam zombar dos navios da marinha chinesa, chamando-os de navios StarCraft destinados a afundar em poucos dias?
Sinto falta delas.

Alex Barreto Cypriano

Que diabo de produção em série de navios da classe é essa quando se ventila que o próximo, CV-19, seria um último correlato bastante modificado, antecedendo uma próxima classe bem distinta com o CVN-20?
A China parece bem a vontade com a propagação de desinformação e fake news, mormente pros aficcionados…