Type 004

Type 004

Com base nas informações mais recentes disponíveis sobre os dois próximos porta-aviões chineses em construção, o Type 003A planejado em Jiangnan será o CV-19, e o porta-aviões de propulsão nuclear Type 004 em construção em Dalian será o CVN-20. Desta forma a China contará com cinco porta-aviões e uma sexta unidade também está planejada.

Type 003A (CV-19) – propulsão convencional, construção em Jiangnan Shipyard

Type 003A

Segundo informações divulgadas nos fóruns especializados, a China estaria destinando ao estaleiro de Jiangnan a construção da classe Type 003A, com o indicativo visual CV-19. Os principais elementos que se destacam:

  • A classe Type 003 (já representada pelo CNS Fujian) representou o primeiro passo chinês para o lançamento de aeronaves via catapulta (CATOBAR) em vez da rampa inclinada (STOBAR).
  • A nova variante “003A” sugerida para CV-19 provavelmente manterá propulsão convencional, diferindo do projeto nuclear considerado para o próximo salto tecnológico.
  • Localizar este navio em Jiangnan (Xangai) reforça o papel desse estaleiro como foco de construção de porta-aviões de nova geração para a People’s Liberation Army Navy (PLA Navy).
  • Embora os dados específicos para “003A” ainda não sejam amplamente detalhados nos meios abertos, a expectativa é de que ele incorpore melhorias incrementais em relação ao Fujian — como maior capacidade de aeronaves, sistemas de lançamento mais maduros e autonomia operacional ampliada.

Implicações estratégicas
A construção de um navio como o CV-19 indicaria que a China está escalonando sua força de porta-aviões com um navio “intermediário” antes do salto para propulsão nuclear. Isso permite à PLA Navy operar em alto mar com mais frequência, treinar embarques e operações aéreas e ganhar experiência com sistemas não-nucleares.


Type 004 (CVN-20) – propulsão nuclear, construção no Dalian Shipyard

Type 004

O segundo navio em destaque é o porta-aviões da classe Type 004, com indicativo visual CVN-20, que está em construção no estaleiro de Dalian. Os pontos mais marcantes:

  • O Type 004 é descrito como o primeiro porta-aviões chinês com propulsão nuclear, sendo um salto importante no programa naval da China.
  • Estimativas apontam para um deslocamento na faixa de 110 000-120 000 toneladas, o que a colocaria entre as maiores — se não “a maior” — embarcações de combate já construídas fora dos EUA.
  • A construção já teria se iniciado com módulos de convés e estrutura observados por imagens de satélite no local de Dalian a partir de 2024/2025.
  • Espera-se que o Type 004 incorpore sistemas de lançamento eletromagnético (EMALS) melhorados, aumento no grupo aéreo embarcado (incluindo drones e aeronaves AWACS) e maior alcance global.

Implicações estratégicas
A entrada em serviço da CVN-20 representará um divisor de águas para a China: com propulsão nuclear, o navio poderia operar por longos períodos sem reabastecimento, projetar poder muito além da zona costeira chinesa e competir diretamente com porta-aviões de alcance global como os da classe Ford dos EUA. Isso reforça a ambição chinesa de se posicionar como uma marinha de “águas-azuis” (blue-water navy) capaz de operar nas regiões do Indo-Pacífico e além.

Fujian CV-18
Grupo de Batalha do Porta-aviões Fujian (CV-18)

Panorama e Consequências para a Indústria e Segurança

Capacidade industrial e base de força
A construção simultânea de dois porta-aviões (um convencional e outro nuclear) mostra que a China está ampliando não só seus meios navais, mas também sua base industrial de defesa – estaleiros, sistemas de lançamento, logística naval e integração aérea. A escala e os prazos pressionam fornecedores, infraestrutura de manutenção e cadeia de suprimentos que antes eram menores para porta-aviões.

Repercussão para o equilíbrio regional

  • No âmbito do Indo-Pacífico, a PLA Navy passa de uma presença localizada para uma projeção de poder mais ampla. Um navio nuclear como o CVN-20 permitiria operações de longa duração, presença permanente em áreas distantes e potencial sustentado de dissuasão.
  • Outros países da região (Japão, Coreia do Sul, Austrália, Índia) e os EUA monitoram de perto, pois tal navio altera a dispersão de força naval chinesa e reduz parcialmente limitações que a China tinha históricamente em porta-aviões.
  • A interoperabilidade com sistemas de mísseis antinavio, forças de escolta, reabastecimento em mar e logística de frota torna-se cada vez mais relevante — o que também pressiona a China a desenvolver uma estrutura completa de força-tarefa aeronaval.

Prazos e incertezas

  • Apesar dos anúncios e imagens, há incertezas sobre cronogramas exatos, capacidades de sistemas e integração final. A China ainda não divulgou publicamente todos os dados para a Type 003A ou Type 004.
  • A propulsão nuclear é uma tecnologia complexa e seu emprego no nível de porta-aviões exige alto grau de maturação. Observadores consideram que a CVN-20 pode entrar em serviço somente ao final dos anos 2020 ou no início da década de 2030.

Conclusão

O avanço da China em seu programa de porta-aviões, com os projetos CV-19 (Type 003A) e CVN-20 (Type 004), marca uma nova fase de sua marinha: de poder regional a força de projeção global. Para analistas de defesa, isso reforça a necessidade de monitoramento contínuo da evolução tecnológica, da integração de capacidades e das implicações estratégicas — especialmente para países que operam ou dependem da estabilidade do Indo-Pacífico.■




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29 Comentários
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Burgos

É o Fujian modernizado ou evoluído quem preferir 😏👍⚓️

Rogério Loureiro Dhierio

Ao que parece a palavra Especialista foi substituida pela Observadores pois em se tratando de China, nada é conclusivo.
Ninguém consegue concluir nada com assertividade.

jnsns

Você só pode dizer isso se você tem 100% de certeza do que acontece na China, assim você se coloca acima de todas as pessoas que dedicam anos estudando a China

Rogério Loureiro Dhierio

Além de obviamente você não ter entendido absolutamente nada do meu comentário, o que ficou bem visível no seu, ainda perdeu a chance de não ter dito nada, para não dizer se outra forma.

max

Aos olhos dos chineses, esses especialistas ocidentais na China não são verdadeiramente versados na China, mas apenas caixas de ressonância que atendem às necessidades políticas dos governos ocidentais.

Paulo

Se depender do aloprado secretário da ” guerra” de Trump, o palhaço medonho Hegseth, a China pode ficar tranquila. Vai receber o controle do mundo, jogando parada. Ele está celeremente desorganizando o comando militar dos EUA, a tal ponto, que todos, reitero todos os comandantes de campo dos EUA, os mais capazes, os mais experientes, estão sendo retirados do serviço ativo, e além disso, humilhados. A tropa vai ter que engolir ( ou não) comandantes inexperientes, e pior, á imagem e semelhança do próprio Hegseth.
Vida longa e próspera ao celeste império do meio !

Alexandre Costa

“Jogando parada” eu discordo. A China está trabalhando duro, isso não se pode negar.

Que as ações dos EUA esão ajudando, isso eu concordo.

max

O que mais me impressionou foi durante o governo Biden, há alguns anos, quando aqueles generais seniores — biologicamente homens, acima do peso, usando batom e saias — exigiam constantemente igualdade de gênero, diversidade, equidade e inclusão, além de direitos LGBT. Você está se referindo a eles?

Wilson França

Quando força a fake news demais as pessoas tendem a perceber. Lembre-se disso.

Yuri

Wishful thinking puro.

Renato B.

Me lembra o Stalin em seus expurgos trocando gente competente por obediente.

lerobiro666@gmail.com

“é lindo morrer no mar”!

gordo

Uns anos atrás eu, na minha ingenuidade, achava que no futuro os porta aviões não teriam a ilha. Imaginava que ela seria substituta por sensores que forneceriam os dados necessários para a operação. Bom, até o momento ninguém abriu mão das ilhas e pelo jeito não vão abrir.

Dalton

Em um livro de 25 anos atrás a US Navy estava cogitando ao menos reduzir o tamanho da “ilha” no que seria o último da classe Nimitz que eventualmente seria chamado George H W Bush substituindo-a por duas bem menores e mais baixas para aumentar a discrição “stealth” diante dos prováveis adversários de então – daí a ênfase em “Zumwalt” e “LCS”- e seria um único NAe e uma transição para os futuros que conforme o livro trariam catapultas eletromagnéticas que eventualmente tornou-se a classe Gerald Ford. . O fato de serem “nucleares” não exigiria chaminé que os japoneses em… Read more »

Uriel PR

Construir 2 porta aviões dessa magnitude ao mesmo tempo, isso é muito impressionante.

Leandro Costa

Verdade. Que eu saiba, só os EUA e agora China fazem isso.

Hamom

Tem o aspecto econômico, assim como os EUA descobriu a muito tempo… A indústria de defesa quando altamente nacionalizada é um motor econômico para o país, gerando emprego, renda e tecnologia. A China já fez isto com a construção civil, quando canalizou parte de seu orçamento para a construção de até cidades fantasmas, porque desabitadas…Mas isto não importou muito porque a intenção era geram emprego e renda, aquecendo a economia. Agora diminuíram o investimento no setor de construção civil (mas não o de infra estrutura…) e aumentaram o aporte no setor militar. Da mesma forma que os prédios vazios, não… Read more »

Last edited 10 meses atrás by Hamom
Macgarem

Provavelmente o orçamento militar chines deve aumentar nos próximos anos considerando a quantidade de meios que precisará para manter tudo isso.

RODRIGO

Imaginar que alguns anos atrás, o Brasil treinou os primeiros milirares chineses para operarem porta avião no Minas Gerais. Veja onde eles estão e onde estamos….infelizmente o Populismo aqui tomou conta do país independente do lado ideológico da política….

Dalton

Na época que o “Minas Gerais” deu baixa a China não estava nem próxima de adquirir um NAe – ainda mais com catapultas – então provavelmente você deva estar referindo-se ao “São Paulo” e de fato houve notícias/boatos que poderia haver um intercâmbio, mas, o “São Paulo” depois de 2005 de pouca utilidade foi.
.
Se de fato militares chineses tivessem treinado no Brasil o “Poder Naval” teria publicado
com certeza.

cerberosph

O bom é que daqui a algumas décadas a china vai ter porta aviões usados à venda de todos os tipos e para todos os gostos, vai atender a todos no brics.

Alex Barreto Cypriano

Não encontrei nenhuma referência a este Type 003A, apenas ao Type 004, do qual supostamente existem seções fotografadas mostrando duas trilhas de catapulta de cintura. Se este Fujian improved vier a existir nos termos da matéria, será um acontecimento: é muito difícil, sem aumento de dimensões gerais e extenso rearranjo interno e de convoo (apenas compactar a ilha não resolve), operar mais aeronaves – ainda mais que os caças chineses, acho, têm footprint maior que os Hornets, Super-Hornets, Groulers e JSF Charlie. Navios aerodromos semelhantes aos supercarriers ianques do 1950/1960 dependem muito de bases que possam os reabastecer a cada… Read more »

JuggerBR

Aparentemente eles não tem dois PA iguais, cada um é feito com alguma diferença em relação ao anterior, por um lado mostra a força deles e o tamanho do investimento, a escala cada vez maior e as tecnologias novas sendo incorporadas, mas do outro, falta padronização.

Carlos Eduardo k.h

Quando sairia um brinquedo desse para um amigo do BRICs, Srs?!

Dalton

A França tem no inventário 44 Rafales M para operar a bordo do único NAe o Charles de Gaulle, metade embarca, a outra metade em treinamento, testes e eventuais reposições porém um NAe como o Fujian é bem maior com espaço para mais aeronaves, então fazendo uma conta muito por cima, seriam necessários pelo menos 60 F-35C com um preço de cerca de 90 milhões de dólares americanos cada um então só aí se teria cerca de 5 bilhões e meio de dólares americanos. . Supondo que um caça chinês equivalente custasse metade – aparentemente custa mais da metade pelo… Read more »

Tomcat

Alguém sabe qual é esse navio logístico da imagem da força tarefa do Fujian?

Dalton

Está na legenda, “Tipo 901” baseado na mesma experiência que a US Navy teve com a classe Sacramento de 4 unidades seguida pela classe Supply também de 4 unidades das quais apenas duas continuam em serviço. . Trata-se de grandes navios de apoio logísticos, que transportam grande quantidade de combustível mas também carga seca com um grande diferencial que é uma maior velocidade permitindo que eles possam acompanhar melhor um NAe que precise deslocar-se quase a velocidade máxima. . A US Navy achou extremamente caro manter tais navios razão pela qual dois foram retirados de serviço muitos anos atrás e… Read more »

Last edited 10 meses atrás by daltonl
Luciano

People’s Liberation Army Navy (PLA Navy), foi de doer !!! Rssss

Alexandre Galante

Os EUA tinham na Segunda Guerra a USAAF — U.S. Army Air Forces.