Os cruzadores nucleares classe Kirov e a reativação dos couraçados classe Iowa na Guerra Fria

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Kirov vs Iowa 2

Contexto Histórico e Doutrina Naval Soviética

No final da Guerra Fria, a União Soviética buscava expandir o poder naval para desafiar a superioridade dos porta-aviões norte-americanos. Sob a liderança do almirante Serguei Gorshkov, a Marinha Soviética (VMF) investiu em submarinos nucleares e navios de superfície de grande porte, adotando uma doutrina de negação do uso do mar e ataque aos grupos-tarefa de porta-aviões da OTAN.

Neste contexto surgiu a classe Kirov – poderosos cruzadores de propulsão nuclear concebidos como “mata-porta-aviões”. Esses navios deveriam atuar como capitânia de grupos de tarefa cuja missão seria localizar e afundar porta-aviões inimigos a grandes distâncias. Para isso, foram equipados com uma variedade de armamentos ofensivos (especialmente mísseis antinavio de longo alcance) e defensivos, além de sistemas de comando e controle dos mais sofisticados disponíveis na época.

A introdução do primeiro Kirov em 1980 ocorreu num período em que os soviéticos observavam com preocupação o crescimento da frota de porta-aviões nucleares dos Estados Unidos (como a classe Nimitz lançada nos anos 1970). Cientes de que um porta-aviões e seus aviões de alerta antecipado podiam detectar ameaças num raio de cerca de 600 km, os estrategistas soviéticos decidiram desenvolver um navio capaz de atacar esses alvos de fora do alcance das aeronaves inimigas.

A solução foi “missilizar” a frota de superfície: dotar grandes cruzadores com múltiplos lançadores de mísseis de diversos tipos – antinavio, antiaéreos e antisubmarino – incluindo mísseis de cruzeiro pesados capazes de destruir navios capitais ou alvos em terra. Assim, em vez de igualar os porta-aviões em termos de aviação naval (algo em que os EUA eram dominantes), a Marinha Soviética investiu numa abordagem assimétrica, armando cruzadores e submarinos com mísseis de longo alcance para saturar as defesas inimigas. Essa doutrina previa ataques coordenados de múltiplas plataformas: os Kirov e outros cruzadores lançando salvas de mísseis antinavio de um eixo, enquanto submarinos SSGN (por exemplo, classe Oscar II) atacariam de outro, procurando sobrecarregar as defesas de um grupo de porta-aviões com mísseis supersônicos, possivelmente até com ogivas nucleares.

Uma vista aérea de boreste do cruzador soviético de mísseis guiados Kirov navegando na costa das Bermudas

Dentro dessa estratégia, o Projeto 1144 Orlan (designação soviética da classe Kirov) representou o ápice da concepção de “cruzador de batalha de mísseis”. Era um retorno à ideia de navios capital de superfície na Marinha Soviética, décadas após Khrushchov ter abolido planos de encouraçados convencionais nos anos 1950. O Kirov combinava tamanho e poder de fogo formidáveis com velocidade e autonomia praticamente ilimitada graças à propulsão nuclear, permitindo à União Soviética mostrar presença naval em todos os oceanos. Quando apareceu pela primeira vez, o Kirov impressionou analistas ocidentais: tratava-se do maior combatente de superfície (excluindo porta-aviões) comissionado desde a Segunda Guerra Mundial, similar em deslocamento a antigos couraçados. Não à toa, muitos observadores no Ocidente passaram a chamá-lo de “cruzador de batalha” (battlecruiser), embora os soviéticos o classificassem oficialmente como “cruzador pesado de mísseis guiados de propulsão nuclear”.

A ameaça representada pela classe Kirov teve impacto direto na estratégia naval dos Estados Unidos nos anos 1980. A mera aparição do primeiro Kirov (comissionado em 1980) foi um dos fatores-chave que motivaram a Marinha dos EUA a recomissionar seus antigos encouraçados da classe Iowa durante o governo Reagan. O almirante James Watkins (Chefe de Operações Navais) e outros estrategistas avaliavam que seria necessário contrabalancear os novos “battlecruisers” soviéticos para proteger os grupos aeronavais americanos. Assim, dentro do plano de expansão conhecido como 600-ship Navy, decidiu-se reativar e modernizar os quatro encouraçados classe “Iowa” da Segunda Guerra Mundial, oferecendo à frota de superfície dos EUA navios fortemente armados e blindados que pudessem enfrentar ou dissuadir os Kirov. A seguir, detalharemos as características desses navios e a resposta dos EUA em termos técnicos e doutrinários.

SIMULAÇÃO: O combate Kirov versus Iowa no jogo SEA POWER

Cruzadores Classe Kirov – Características e Armamentos

O cruzador de batalha soviético Frunze (Projeto 1144, classe Kirov) em navegação em 1986. Esses navios combinavam enorme poder de fogo de mísseis com avançados sistemas de propulsão nuclear e eletrônicos

Os navios da classe Kirov foram – e ainda são – os maiores combatentes de superfície desde os couraçados da Segunda Guerra, excedendo em tamanho qualquer cruzador ocidental contemporâneo. Suas dimensões impressionantes incluem 252 m de comprimento e 28,5 m de boca, com deslocamento de aproximadamente 24.000 toneladas normais e 28.000 t totalmente carregados. Cada navio é propulsado por um arranjo combinado nuclear e convencional: dois reatores nucleares do tipo KN-3 acoplados a duas turbinas a vapor, girando dois eixos. Essa planta fornece potência suficiente para atingir cerca de 32 nós (aprox. 59 km/h) de velocidade máxima – desempenho notável para um navio tão grande. Em termos práticos, a propulsão nuclear confere autonomia virtualmente ilimitada em cruzeiro (restrita apenas por provisões e manutenção), adequando os Kirov a operações de longa distância no Atlântico e Pacífico sem necessidade frequente de reabastecimento. A tripulação típica de um Kirov é de cerca de 710 oficiais e marinheiros, refletindo a complexidade de seus sistemas.

Do ponto de vista de projeto, os Kirov priorizam ofensiva e defesa ativas, sacrificando a blindagem. A blindagem estrutural é limitada: possui um cinturão blindado leve e proteção de até 76 mm de espessura apenas ao redor dos compartimentos dos reatores nucleares, além de anteparas de estilhaços em pontos vitais. Fora isso, o navio depende principalmente de seus sistemas de armas defensivos para se proteger – diferentemente de um couraçado clássico. Essa filosofia se evidencia no pesado armamento antimíssil e antiaéreo a bordo, que integra múltiplas camadas de defesa.

 

Armamento ofensivo principal: o coração do poder de ataque dos Kirov está em sua bateria de mísseis de cruzeiro antinavio de longo alcance. Cada navio carrega 20 mísseis P-700 Granit (código OTAN SS-N-19 “Shipwreck”) em silos lançadores inclinados sob o convés de vante. Esses mísseis supersônicos, com peso em torno de 7 toneladas cada, possuem alcance estimado superior a 500 km e levam ogivas de 750 kg, podendo ser convencionais de alto poder explosivo ou nucleares. Foram projetados para “matar porta-aviões”: voam a Mach 2,5–2,8, em trajetórias programadas e com capacidades de busca ativa de alvo, inclusive com lógica cooperativa de engajamento em salva (um míssil voa mais alto para guiar os demais pelo radar, os demais voam rasantes). Uma salva de Granits, lançada de diferentes vetores (navios e submarinos), poderia saturar as defesas de um grupo-tarefa inimigo. Contra alvos isolados, um único Granit acertando um navio de guerra de grande porte causaria danos devastadores. Vale notar que os Kirov também embarcam mísseis antissubmarino: o primeiro navio (Admiral Ushakov, ex-Kirov) dispunha de 14 mísseis SS-N-14 Silex (sistema ASW de médio alcance, lançando torpedos contra submarinos) – esses foram instalados apenas no navio líder e posteriormente removidos nos últimos exemplares em favor de sistemas mais modernos.

Uma vista dos lançadores de mísseis verticais SA-N-6 e dos lançadores de mísseis de cruzeiro SS-N-19 na proa do cruzador soviético de mísseis guiados movido a energia nuclear KALININ, da classe Kirov.
P-700 Granit
Pyotr Velikiy lançando o P-700 Granit

Defesa aérea e antimíssil: para autoproteção e proteção de área, os Kirov são equipados com uma formidável gama de mísseis antiaéreos de múltiplos alcances. A espinha dorsal é o sistema S-300F Fort (versão naval do S-300, codinome OTAN SA-N-6 “Grumble”), equivalente aproximado ao sistema Aegis/Standard ocidental da época. Nos três primeiros navios, há 96 mísseis S-300F armazenados em lançadores verticais rotativos (módulos abaixo do convés), capazes de engajar alvos aéreos até cerca de 90 km de distância. No quarto navio (Pyotr Velikiy), foi instalada a versão aprimorada S-300FM Fort-M (SA-N-20) – 48 mísseis Fort e 48 Fort-M – com maior alcance e capacidade contra mísseis balísticos de teatro.

Para a defesa de ponto (curtas distâncias), os Kirov originais (Ushakov e Lazarev) possuíam 40 mísseis OSA-MA (SA-N-4 “Gecko”) em lançadores duplos, sistema de curto alcance (15 km) similar ao Sea Sparrow ocidental. Nos navios mais novos (Nakhimov e Pyotr Velikiy), o OSA foi substituído pelo mais capaz 9K95 Kinzhal (SA-N-9 “Gauntlet”), versão naval do míssil TOR – esses navios têm 6 a 8 módulos CADS-N-1 Kashtan cobrindo função dupla de CIWS (ver adiante), cada módulo contendo lançadores que totalizam até 128 mísseis 9M311 Kinzhal prontos para uso. Em suma, um Kirov pode engajar diversos alvos aéreos simultaneamente, desde aviões a mísseis antinavio, com camadas sobrepostas de SAM de longo, médio e curto alcance.

Complementando os mísseis, há sistemas de artilharia antiaérea de defesa aproximada (CIWS): os dois primeiros navios vinham com 8 canhões automáticos AK-630 de seis canos (30 mm) distribuídos pelos bordos, capazes de formar uma última barreira contra mísseis penetrantes a curta distância (até ~4 km). Já os dois últimos navios substituíram os AK-630 por 6 complexos CADS-N-1 Kashtan, um sistema híbrido que combina dois canhões rotativos de 30 mm e 8 mísseis 9M311 por módulo – cada Kashtan cobre um setor com radar/EO próprio, aumentando consideravelmente a letalidade da defesa de ponto.

Armamento original da classe Kirov

Armamento secundário de canhões: embora a ênfase esteja nos mísseis, os Kirov também contam com armamento de tubo. O Kirov original era equipado com 2 canhões duplos de 100 mm modelo AK-100 (um na proa e outro na popa), úteis para alvos menores ou costa. Nas unidades seguintes, optou-se por um canhão de maior calibre: 1 canhão duplo AK-130 de 130 mm na proa (equivalente a duas peças de 130 mm). O AK-130, totalmente automatizado, dispara projéteis de 130 mm a até 22 km, servindo tanto para uso antinavio contra embarcações leves quanto para bombardeio costeiro ou mesmo alvos aéreos de oportunidade (sua cadência ~20 tiros/min por cano permite emprego AA limitado). Na popa, com o espaço ocupado pelos lançadores de mísseis, não há canhão principal – diferentemente dos antigos cruzadores, o poder de fogo “convencional” desses navios é modesto comparado ao arsenal de mísseis.

Guerra antisubmarino (ASW): para detectar e engajar submarinos inimigos, os Kirov são dotados de sonar de casco (MG-355 Horse Jaw, de baixa frequência) e um sonar de profundidade variável rebocado (VDS) do tipo Horse Tail, ampliando o alcance de detecção subaquática. Quanto ao armamento ASW, além dos mísseis Silex (no Kirov original), todos os navios possuem lançadores de foguetes antisubmarino RBU: normalmente 2 x RBU-1000 de 305 mm na proa (12 tubos ao todo) e 1 x complexo RBU-12000 Udav-1 de 254 mm (com 10 tubos). Esses lançadores disparam salvas de foguetes de carga de profundidade contra contatos submarinos próximos (RBU-1000 com alcance ~5 km e RBU-12000 até 3 km), formando uma “cortina” defensiva contra torpedos ou submarinos que se aproximem demais. Adicionalmente, há 10 tubos de torpedo de 533 mm (5 em cada bordo) capazes de lançar torpedos pesados Tipo 53 contra navios ou submarinos, ou o míssil antisubmarino RPK-2 Vyuga (SS-N-15) que entrega uma ogiva nuclear de profundidade a distâncias maiores (até ~40 km).

Sensores, eletrônica e comando: os Kirov foram equipados com um amplo leque de sensores modernos para a época, garantindo consciência situacional e direção de tiro. No topo do mastro de proa destaca-se o radar tridimensional de longo alcance Voskhod MR-800 (Top Pair), usado para busca aérea de longo alcance e vigilância de superfície. No mastro principal há outro radar 3D, o Fregat MR-710 (Top Plate), de médio alcance, complementando a cobertura aérea e provendo redundância. Vários radares de iluminação e controle de tiro guiam os mísseis e armas: por exemplo, radares designadores do sistema Fort (SA-N-6) e do OSA/Kinzhal para alvos aéreos, além de diretores de tiro para o canhão de 130 mm. Há também radares de navegação (Palm Frond) e sofisticados sistemas ESM/ECM para guerra eletrônica, incluindo pelo menos dois lançadores de despistadores de mísseis (chaff/flares) PK-2 com 400 foguetes de iscas. O centro de informações de combate abriga o sistema de comando tático Lesorub-44, que integrava dados de sensores e possivelmente enlaces de dados com outras unidades. Importante destacar a presença de aeronaves orgânicas: os Kirov possuem um convés de voo e hangar de popa capaz de operar até 3 helicópteros Kamov Ka-27 (Helix). Esses helicópteros são vitais para estender o horizonte de sensores do navio (patrulha marítima e alvo de superfície) e para tarefas ASW (sonar imersível e lançador de torpedos). Os Ka-27PL podem detectar navios muito além do radar do Kirov devido à altitude, permitindo visada inicial para os mísseis Granit. Havia também a expectativa de cooperar com sistemas externos de vigilância marítima, como os satélites de reconhecimento radar Legenda, garantindo que os Kirov pudessem receber coordenadas de alvos de alto valor (porta-aviões inimigos) a distâncias de centenas de quilômetros.

Resumidamente, os cruzadores classe Kirov combinavam poder ofensivo maciço de mísseis, forte defesa antiaérea em camadas, sensoriamento avançado e mobilidade estratégica. Sua principal vulnerabilidade era a relativa falta de blindagem passiva – na prática, confiavam em abater ameaças antes do impacto. Ainda assim, a enorme estrutura e divisão interna proporcionavam considerável robustez contra danos, embora certamente inferior à resistência de um couraçado convencional. Em termos de impacto geopolítico, a aparição desses gigantes soviéticos serviu como demonstração do alcance global que Moscou almejava para sua marinha nos anos 1980. Eles foram descritos na época como “os navios de guerra mais poderosos e avançados de seu tempo”. No entanto, a resposta americana não tardaria – e viria na forma de unidades tão imponentes quanto, ressuscitadas do passado.

Reativação e modernização dos couraçados classe Iowa (EUA)

USS Iowa (BB-61) abrindo fogo com seus canhões de 16 polegadas

Diante do crescimento da frota soviética de superfície – exemplificada pelos Kirov – e buscando restaurar a superioridade naval, os Estados Unidos empreenderam nos anos 1980 uma resposta audaciosa: reativar e modernizar os quatro couraçados da classe Iowa, construídos na Segunda Guerra Mundial. Esta decisão, apoiada pela administração Reagan e pelo Congresso a partir de 1981, fazia parte do programa de ampliação conhecido como 600-ship Navy.

Os Iowas ofereciam uma plataforma grande e resistente, já disponível (havia quatro cascos na naftalina — “mothball fleet”), que poderia ser atualizada com tecnologia moderna de mísseis a um custo menor do que desenvolver novos cruzadores equivalentes. De fato, reativar e reequipar cada Iowa custou cerca de US$ 326 milhões (cerca de US$ 1,7 bilhão para os quatro entre 1981 e 1988), valor comparável ao de construir alguns navios escolta menores na época. A motivação principal era contrabalançar a ameaça soviética, especialmente os Kirov, e ao mesmo tempo incrementar a capacidade de apoio de fogo naval (Naval Surface Fire Support – NSFS) da U.S. Navy.

USS Iowa (BB-61)
New Jersey (BB-62)
Missouri (BB-63)
USS Wisconsin (BB-64)

Os quatro navios – USS Iowa (BB-61), New Jersey (BB-62), Missouri (BB-63) e Wisconsin (BB-64) – foram gradualmente recomissionados entre 1982 e 1988, após extensas reformas. A modernização focou em instalar armamentos de mísseis guiados, aprimorar eletrônica e reduzir a dotação de armamentos obsoletos, ao mesmo tempo mantendo os formidáveis canhões de 406 mm. A seguir, destacamos as principais modificações:

  • Integração de mísseis de ataque terrestre e antinavio: Cada encouraçado recebeu instalações para lançar mísseis de cruzeiro BGM-109 Tomahawk e mísseis antinavio RGM-84 Harpoon. Concretamente, foram montados em cada navio 8 lançadores blindados quádruplos (Armored Box Launchers, ABL) para o Tomahawk e 4 lançadores quádruplos Mk141 para o Harpoon. Isso equivale a um armamento de 32 mísseis Tomahawk por navio (em módulos ABL) e 16 Harpoons prontos para uso. Os Tomahawk, com alcance variando de ~460 km a 2.500 km dependendo da variante (antina­vio TASM ou ataque terrestre TLAM), passaram a ser as armas de maior alcance dos encouraçados – ultrapassando em muito o alcance dos canhões de 16” (~39 km com munição convencional). Já os Harpoon forneciam capacidade antinavio de médio alcance (cerca de 120–150 km), sendo mísseis subsônicos ideais contra navios escolta ou alvos de oportunidade. Com esse acréscimo, os Iowas ganharam relevância ofensiva na era dos mísseis: poderiam engajar alvos navais de alto valor (como um Kirov) antes de serem detectados visualmente, e atacar alvos terrestres costeiros com precisão cirúrgica via Tomahawk.
Harpoon e Phalanx a bordo do USS New Jersey
  • Defesa aproximada e antiaérea modernizada: Reconhecendo a vulnerabilidade de um grande navio contra mísseis, todos os Iowas foram equipados com o sistema CIWS Phalanx de autoproteção. Foram instalados 4 conjuntos Phalanx Mk15 por navio (dois nas alas próximas à torre de comando e dois próximos à chaminé de ré). O Phalanx é um canhão automatizado de 20 mm Gatling que rastreia e destrói mísseis ou aeronaves que penetrem a última linha de defesa, cuspindo até 3.000 tiros/min numa distância efetiva ~3–4 km. As três primeiras unidades ativadas receberam a versão Block 0 do Phalanx, enquanto o Wisconsin estreou a versão Block 1 em 1988. Além disso, para complementar a defesa antiaérea de curto alcance, foram adicionados lançadores de mísseis portáteis Stinger a bordo (postos para operadores com FIM-92 Stinger MANPADS, 5 posições por navio). Curiosamente, considerou-se instalar lançadores de mísseis Sea Sparrow guiados por radar, porém estudos mostraram que os gases/explosão das baterias de 406 mm poderiam incapacitar esses sistemas, e a ideia foi abandonada. Assim, a defesa aérea dos Iowas modernizados ficou basicamente restrita à zona terminal (CIWS e Stinger) – diferente de um cruzador moderno, eles não carregavam mísseis antiaéreos de médio/longo alcance. No entanto, a grande robustez estrutural e blindagem do casco Iowa foi vista como parte da defesa passiva contra ataques, permitindo teoricamente suportar danos que destruiriam navios menores.
  • Remoção de armas e sistemas obsoletos: Para abrir espaço e peso para os novos equipamentos, várias estruturas da época da Segunda Guerra foram retiradas. Todos os antigos canhões antiaéreos de curto alcance (as dezenas de canhões de 40 mm Bofors e 20 mm Oerlikon que já haviam sido removidos dos navios na década de 1950) permaneceram ausentes. Mais significativamente, foram eliminadas 4 das 10 torres duplas de canhões de 5”/38 (127 mm) dos encouraçados. Originalmente cada Iowa possuía cinco torres de 5” em cada bordo; após a modernização restaram apenas 6 canhões de 5” (três torres de cada lado), preservando alguma capacidade de fogo secundário para defesa antiaérea de médio alcance ou alvos de superfície próximos. A remoção dessas torres nos setores médio e ré permitiu instalar os lançadores de mísseis (os módulos ABL foram colocados em pares onde ficavam torres de 5” centrais, e os Harpoon montados no convés superior). Também foram substituídos os antigos sistemas de controle de tiro analógicos e radares antiquados.
  • Atualização de sensores e eletrônica: Os Iowas receberam novos radares de busca aérea e de superfície compatíveis com os anos 80. Instalaram um radar de longo alcance AN/SPS-49(V)5 no mastro de vante (em substituição a um antigo radar AN/SPS-6) para busca aérea 2D de longo alcance. Para busca de superfície, adicionou-se o radar AN/SPS-67 moderno, melhorando a detecção de contatos marítimos pequenos. As direções de tiro para os canhões de 16” e 5” foram integradas a sistemas digitais e computadores balísticos atualizados. No mastro de ré, instalaram-se antenas de satélite (SATCOM) para comunicações de longa distância, incluindo comunicações com centros de comando e possivelmente recepção de dados de alvos (por exemplo, para os Tomahawk). Os navios também receberam suites de guerra eletrônica como o AN/SLQ-32 ECM, capaz de detecção e contramedidas contra radares inimigos, e o sistema rebocável AN/SLQ-25 Nixie para despistar torpedos inimigos. Com a nova suíte de aviônicos, os navios foram capazes de operar até drones de reconhecimento RQ-2 Pioneer a partir do convés (lançados por catapulta e recuperados com rede) para ajudar no ajuste dos tiros dos canhões e reconhecimento além do horizonte – uma adaptação interessante que ampliou o “alcance dos olhos” do encouraçado.
  • Propulsão e desempenho: Os sistemas de propulsão permaneceram basicamente os mesmos – 8 caldeiras a óleo queimando óleo naval destilado (Navy Distillate) em vez do combustível pesado original, gerando vapor para 4 turbinas conectadas a 4 hélices. Houve conversões para adaptar o maquinário ao novo combustível e melhorias de automação, mas sem alterações fundamentais. Mantiveram-se assim os números clássicos: potência de 212.000 shp, suficiente para atingir 32-33 nós de velocidade máxima com deslocamento cheio de ~57.500 toneladas. A autonomia permanecia em torno de 15.000 milhas náuticas a 15 nós, com necessidade de reabastecimento logístico periódico, como qualquer navio convencional de superfície. A dotação de tripulação foi reduzida consideravelmente em relação à Segunda Guerra: de cerca de 2.800 tripulantes no projeto original para cerca de 1.500 (65 oficiais e 1.450 praças) após a modernização, graças à automação de sistemas de máquinas, controle de danos e redução de armamentos que exigiam serventes (como os AA automáticos antigos). Ainda assim, um Iowa necessitava praticamente o dobro da tripulação de um Kirov, refletindo a mão de obra intensiva de um couraçado mesmo atualizado.

Em resumo, a modernização transformou os couraçados Iowa em plataformas de ataque multimissão: mantiveram o poder de choque de seus grandes canhões navais de 406 mm, agora complementados por mísseis de longo alcance que lhes permitiam engajar inimigos muito além do horizonte visual. Sua blindagem e tamanho os tornavam sobreviventes natos, capazes de absorver danos que destruiriam outros navios, e o prestígio de recomissionar esses gigantes concedeu à Marinha dos EUA um impulso de moral e dissuasão.

Doutrinariamente, os novos Iowas foram integrados como capitânia de Grupos de Batalha de Encouraçado (BBBG) ou Grupos de Ação de Superfície, frequentemente navegando junto a cruzadores Ticonderoga (com sistema Aegis) e destróieres modernos, além de um navio reabastecedor. Sua presença servia tanto para fornecer cobertura de fogo naval (por exemplo, o USS New Jersey bombardeou posições no Líbano em 1983 e Missouri/Wisconsin bombardearam alvos iraquianos na Guerra do Golfo em 1991), quanto para concorrer simbolicamente com os Kirov no cenário de alto mar.

Um battleship classe Iowa liderando uma fomatura de navios da U.S. Navy

Notavelmente, um dos propósitos implícitos dos Iowa reativados era enfrentar diretamente os Kirov, caso necessário. A estratégia imaginada era utilizar a vantagem de armamentos de longo alcance: engajar um Kirov primeiramente com salvas de mísseis Tomahawk (possivelmente a variante antinavio TASM), depois com mísseis Harpoon enquanto as distâncias diminuíssem, e finalmente – se o confronto persistisse – empregar os canhões de 16″ quando dentro do alcance visual. Tudo isso sob a proteção das escoltas e confiando na capacidade dos Phalanx e da couraça para aguentar eventuais impactos. Essa projeção tática nos leva diretamente à comparação entre as duas classes e a análise de um possível embate direto.

Comparação Técnica e Tática: Kirov vs. Iowa

A comparação entre um cruzador de mísseis Kirov e um encouraçado Iowa (modernizado) ilustra o choque de filosofias navais distintas da Guerra Fria – de um lado, a ênfase em ataque à distância e defesa ativa; do outro, poder de fogo clássico e resistência passiva. A tabela a seguir resume dados técnicos chave de ambos:

Característica Kirov (Proj. 1144 Orlan) Iowa (Classe Iowa, modernizada)
Deslocamento (full) ~28.000 toneladas ~57.500 toneladas (58.400 t)
Comprimento 252 m 270,4 m (887 pés)
Boca (largura) 28,5 m 32,9 m
Calado ~10 m ~11 m
Propulsão 2 reatores nucleares + 2 turbinas a vapor (2 eixos) – 32 nós máx. (autonomia virtualmente ilimitada) 8 caldeiras a óleo + 4 turbinas a vapor (4 eixos) – 32+ nós máx. (autonomia ~15.000 mn a 15 nós)
Tripulação ~710 oficiais e praças ~1.500 (65 of. + 1.450) anos 1980
Sensores principais Radars 3D: MR-800 Voskhod (busca aérea de longo alcance), MR-710 Fregat (médio alcance); diversos radares de controle de tiro; sonares de casco e rebocado Horse Jaw/Horse Tail; suíte EW com lançadores de iscas; sistemas de comando Lesorub-44. Radar AN/SPS-49 (2D, alcance aéreo ~400 km); radar AN/SPS-67 (busca de superfície); radares de controle de tiro Mk37/Mk ? modernizados; enlace satélite e comunicação tática (SATCOM); ECM AN/SLQ-32; sonar de fundo (não instalado; couraçados não tinham sonar orgânico).
Helicópteros/orgânicos 3 helicópteros Kamov Ka-27 (hangar e convés de popa) – suporte ASW e designação de alvos além do horizonte. Nenhum orgânico (convés com heliponto improvisado podia operar helicópteros de outras unidades ou drones RQ-2 Pioneer para reconhecimento).
Blindagem 76 mm em volta dos reatores; proteção leve no restante (enfase na defesa ativa por mísseis/CIWS). Cinturão principal 307 mm inclinado (+ antepara espaçada 38 mm); convés principal 121 mm + segunda camada 38 mm; torres até 440 mm (frontal); torre de comando 439 mm; extensa subdivisão interna.
Armamento antinavio 20 mísseis P-700 Granit (SS-N-19) – alcance ~550 km, Mach 2.5; ogiva ~750 kg (convencional ou nuclear). Canhões: 1 torreta dupla 130 mm (Ushakov) ou 2×100 mm. 16 mísseis RGM-84 Harpoon – alcance ~130 km; 32 mísseis BGM-109 Tomahawk – alcance 460–1.500 km (variantes); Canhões: 9 canhões 406 mm (16″) em 3 torres triplas – alcance 38 km; 6 canhões 127 mm (5″) duplos – alcance 15 km.
Armamento antiaéreo 96 mísseis S-300F Fort (SA-N-6) – alcance ~90 km; 40 mísseis OSA-MA (SA-N-4) – alcance ~15 km; ou 64–128 mísseis 9K95 Kinzhal (SA-N-9) no Nakhimov/Pyotr; CIWS: 8× AK-630 30mm (Ushakov/Lazarev) ou 6× Kashtan (Nakhimov/Pyotr) combinando canhões 30mm e mísseis. 4× CIWS Phalanx 20mm – alcance 3.5 km; 5× postos de mísseis FIM-92 Stinger (MANPADS) – alcance ~5 km; Obs: Sem SAM de longo alcance (escoltas fornecem defesa aérea de área).
Armamento antissubmarino Sonar de casco e VDS; 2×6 lançadores RBU-1000 (projéteis 305 mm); 1×10 lançador RBU-12000 (projéteis 254 mm Udav-1); 10 tubos de torpedo 533 mm (torpedos convencionais ou mísseis SS-N-15 com ogiva nuclear). Sonar: não equipado (dependente de escoltas ASW); 4× helicópteros LAMPS nos escoltas típicos. Armamento próprio ASW: nenhum (couraçados não carregavam armas ASW.
Um míssil de cruzeiro de longo alcance BGM-109 Tomahawk é lançado do encouraçado USS Missouri (BB-63)

Capacidades ofensivas: Comparando o poder de ataque, o Kirov leva vantagem em alcance antinavio puro graças aos mísseis Granit – com ~500 km de alcance, pode disparar primeiro muito antes de estar ao alcance dos Harpoon do Iowa. Os Granit também são significativamente mais rápidos (supersônicos) e carregam ogivas enormes, projetadas para incapacitar os porta-aviões. Por outro lado, o Iowa modernizado introduz a variável dos Tomahawk antinavio (TASM): embora subsônicos, eles poderiam ser lançados de longe (até ~450 km) e aproximar-se rasantes do mar. Em um cenário um contra um, o Iowa poderia tentar saturar o Kirov com uma salva mista de Tomahawks e Harpoons, enquanto o Kirov responderia com seus Granit – possivelmente resultando em uma troca mortal de mísseis em pleno oceano.

Quanto ao “soco” de seus canhões principais, o Iowa naturalmente supera o Kirov: seus nove canhões de 406 mm disparam projéteis de 1 tonelada capazes de perfurar blindagem pesada a 30 km. Se um Iowa conseguisse se aproximar o suficiente para usar suas baterias principais, bastariam poucos acertos diretos para devastar o Kirov, que não foi construído para resistir a tiros desse calibre. Já o armamento de tubo do Kirov (canhões de 130 mm ou 100 mm) é trivial frente à blindagem de um Iowa – esses projéteis dificilmente penetrariam a couraça principal, sendo eficazes apenas contra as partes desprotegidas ou supriestrutura. Portanto, ofensivamente o Kirov domina a longa distância com seus mísseis, enquanto o Iowa domina a curta distância com seus canhões. Em termos de ataque terrestre, o Iowa também tinha vantagem com os Tomahawk TLAM de precisão, mas esse é um cenário fora do combate direto navio contra navio.

Lançador de Tomahawk a bordo de um Iowa

Defesa e sobrevivência: Aqui vemos abordagens distintas. O Kirov confia em defesa ativa: derrubar quaisquer ameaças antes que atinjam o casco. Para isso, dispõe de um escudo de mísseis antiaéreos de longo e curto alcance, além de canhões CIWS, formando camadas de defesa comparáveis a de um grupo inteiro de escolta ocidental concentradas num só navio. Por exemplo, um Iowa disparando Harpoons contra um Kirov poderia ver seus mísseis abatidos pelos S-300F a dezenas de quilômetros de distância. Da mesma forma, mísseis antinavio lançados por aeronaves (como Sea Skua, Exocet) teriam que enfrentar as múltiplas camadas de SAM e Kashtan/AK-630 do Kirov.

Entretanto, nenhuma defesa é infalível – saturação ou táticas furtivas poderiam permitir que alguns mísseis inimigos penetrassem. E caso o Kirov sofra impactos, sua blindagem leve oferece proteção limitada: 76 mm de aço sobre o reator impediria danos catastróficos imediatos ao núcleo nuclear, mas não evitaria que mísseis pesados causassem sérios estragos em outras áreas. De fato, um único acerto de míssil pesado (como um Harpoon ou Tomahawk com ogiva de 200–450 kg) poderia inutilizar sensores ou armas do Kirov, e impactos múltiplos poderiam afundá-lo, dado que sua construção prioriza tamanho e armamento em vez de couraça.

Perfil de ataque do Tomahawk antinavio

O Iowa, por sua vez, abraça a defesa passiva e robustez estrutural característica de couraçados. Sua cintura blindada de 307 mm de aço especial (Classe A) inclinada a 19° foi desenhada para resistir a projéteis pesados da II GM. Essa couraça, aliada ao convés blindado principal de 121 mm e às camadas inferiores de fragmentação, fornece ao Iowa uma resiliência incrível contra explosões e impactos. Por exemplo, um míssil antinavio típico dos anos 80 (Exocet, Harpoon) tem ogiva de ~200 kg – sua explosão pode danificar gravemente a superestrutura ou perfurar conveses superiores, mas é improvável que rompa o cinturão principal ou destrua a cidadela do navio, onde estão as partes vitais.

Mesmo o P-700 Granit, com 750 kg de ogiva, embora muito mais destrutivo, poderia não afundar um couraçado com um único impacto não planejado: analistas ocidentais especulavam que o Iowa poderia “aguentar quase qualquer impacto de Granit sem perder a capacidade de combate crítico”, embora certamente vários acertos maciços poderiam degradá-lo severamente. Em suma, o Iowa foi concebido para suportar punição e continuar lutando. Além disso, os Iowas contavam com extensos sistemas de controle de danos, subdivisão e geração de energia redundante – lemes duplos, 4 eixos, múltiplas caldeiras, etc.

Ainda assim, diferentemente do Kirov, o Iowa carece de defesa antiaérea de área: sem mísseis antiaéreos de longo alcance orgânicos, ele dependeria fortemente dos escoltas ou de seus Phalanx para interceptar mísseis atacantes. Os Phalanx são a última linha de defesa e podem falhar contra salvas saturadas ou mísseis muito rápidos. Ou seja, paradoxalmente, enquanto o Kirov tenta impedir  ser atingido, o Iowa se prepara para suportar ser atingido. Idealmente, numa força-tarefa, a combinação de um Iowa blindado com navios Aegis providenciando cobertura antiaérea seria uma forte resposta integrada.

Tomahawk acertando o ex-USS Agerholm, em 1982

Mobilidade e alcance: Ambos os navios são rápidos – cerca de 31–32 nós máximos – podendo acompanhar grupos de porta-aviões ou reposicionar-se rapidamente. O Kirov usufrui da propulsão nuclear, o que lhe permite patrulhas de longa duração sem apoio logístico imediato, uma vantagem estratégica significativa em operações oceânicas. Os Iowa, movidos a óleo, requerem reabastecimento, mas ainda assim tinham grande autonomia e uma ampla rede logística americana os apoiando globalmente. Em termos de manobrabilidade, o Iowa, embora maior e mais pesado, foi elogiado por sua agilidade para um navio de 270 m (graças a lemes gêmeos e alta potência), enquanto o Kirov, ligeiramente menor e mais leve, também possui boa manobrabilidade. Em mar aberto, ambos poderiam tentar ditar engajamentos: o Kirov poderia escolher manter distância devido à sua vantagem de alcance; já o Iowa, se buscando confronto direto, teria de tentar fechar a distância rapidamente, aproveitando que sua velocidade não fica atrás.

Comando e controle: Os Kirov atuavam como navios de comando da frota soviética – dotados de comunicações avançadas e centros de comando espaçosos para estados-maiores. Eles podiam coordenar outras forças, como grupos de cruzadores menores, destróieres, submarinos e aviação de longo alcance, em operações complexas. Já os encouraçados Iowa, embora tivessem instalações de comando decentes (como capitânia de um grupo de ação de superfícia), não possuíam os sistemas de processamento de engajamento multi-alvo sofisticados como um cruzador Aegis, por exemplo.

Nos anos 80, incorporaram sistemas de controle de tiro SWG-1A/Harpoon e SWG-2/Tomahawk para empregar seus mísseis, mas dependiam de terceiros (como aeronaves de patrulha ou navios Aegis) para designação de alvos a longa distância. Em essência, o Kirov podia detectar ameaças aéreas e de superfície a distâncias consideráveis e reagir de forma autônoma, ao passo que o Iowa atuaria melhor integrado a um grupo naval com apoio de sensores alheios (E-2C Hawkeye de um porta-aviões ou escoltas com radar avançado).

Resumindo, tecnicamente o Kirov supera o Iowa em poder de fogo de longo alcance e defesa aérea ativa, enquanto o Iowa excede em resistência ao dano e poder de fogo bruto de curto alcance. As respectivas vantagens refletiam as filosofias estratégicas de seus países: o Kirov é um predador de “primeira salva” – atacar primeiro e com intensidade – já o Iowa representa o “último a ficar de pé” – absorver golpes e continuar lutando.

Simulação de Combate Hipotético: Kirov vs Iowa

Tu-142 e Kirov

Como seria, então, um confronto direto entre essas duas poderosas classes, supondo um cenário plausível na fase final da Guerra Fria? Considere um encontro no Atlântico Norte, longe de apoio aéreo terrestre. Ambos navios navegam com intenção de negar o uso do mar um ao outro. Para simplificar, imaginemos um duelo 1 contra 1 (na realidade, cada qual quase sempre operaria com escoltas, mas isolaremos as capacidades intrínsecas de ambos).

Detecção e aproximação: O engajamento provavelmente começaria com uma corrida de detecção. O Kirov, com seus radares de longo alcance Voskhod e possivelmente dados de satélite ou de um helicóptero Ka-27 ou avião de patrulha, poderia detectar o grande eco de radar de um Iowa a centenas de quilômetros de distância (um couraçado de 270 m é um alvo refletivo considerável). Já o Iowa, sem um AEW próprio, dependeria de radares de superfície (SPS-67) e sensores de escoltas. Se ambos estivessem sozinhos, é provável que o Kirov detectasse o Iowa primeiro. Sabendo da presença inimiga, o comandante soviético usaria sua vantagem de alcance: manteria uma distância de 300–400 km e prepararia um ataque de mísseis maciço. O Iowa também, ao perceber emissões de radar do Kirov (via ESM), prepararia seus mísseis Tomahawk antinavio.

Salva de mísseis de longo alcance: O Kirov poderia lançar primeiro uma salva coordenada de P-700 Granit – por exemplo, 8 ou 10 mísseis em ataque simultâneo. Esses mísseis emergiriam dos silos inclinados em sequência e acelerariam a Mach 2+ em perfil semibalístico, descendendo a rasante nos últimos 50-60 km. Cada Granit poderia programar busca ativa nos estágios finais e comunicam-se entre si para selecionar alvos (no caso, apenas um alvo grande: o Iowa). Alguns poderiam voar mais alto como “missil líder” para atualizar posições, enquanto os outros vêm abaixo do horizonte de radar. Em resposta, assim que tiver indicação aproximada do inimigo, o Iowa dispararia seus Tomahawk TASM. Supondo que tivesse essa variante carregada, ele poderia lançar uma salva de, digamos, 6–8 Tomahawks antinavio em intervalos. Esses mísseis, subsônicos e voando rente ao mar, demorariam mais tempo para cobrir a mesma distância (cerca de 25-30 minutos para 450 km), enquanto os Granit poderiam chegar em alguns minutos após serem detectados.

Agora, a defesa ativa do Kirov entra em jogo contra os Tomahawk: ao se aproximarem a ~50 km, os mísseis de cruzeiro seriam detectados pelo radar Fregat ou pelos sistemas de alerta. O Kirov poderia então lançar seus mísseis S-300F em interceptação. Cada S-300F viajando a Mach 4 poderia abater Tomahawks que voam a ~800 km/h, embora mísseis de cruzeiro voem baixo e furtivos, dificultando um pouco o engajamento. Ainda assim, com até 96 mísseis à disposição, o Kirov teria boas chances de derrubar a maioria dos Tomahawks entrantes bem antes de ameaçarem o navio. Se algum penetrasse mais, entrariam em ação os mísseis de ponto (OSA ou Kinzhal) e finalmente os canhões AK-630/Kashtan. É plausível que poucos ou nenhum Tomahawk atinjam efetivamente o Kirov – e mesmo se um ou dois o fizessem, suas ogivas de 450 kg poderiam danificar seções do navio (destruir radares, lançar chamas), mas dificilmente afundá-lo de imediato.

O USS New Jersey (BB-62), à direita, acompanhado do destróier USS Fletcher (DD-992)

Por outro lado, vejamos a situação do Iowa sob ataque: ele enfrenta talvez 8–10 mísseis Granit vindos em salva coordenada. O radar SPS-49 do Iowa detectaria algo quando os Granit começassem a descer do alto – mas no mar aberto sem escoltas aéreas, a detecção pode ocorrer apenas a ~40-50 km (devido à curvatura da Terra, se os Granit vierem rasantes). Isso dá pouquíssimo tempo de reação, possivelmente 20–30 segundos. O Iowa acionaria imediatamente seus Phalanx CIWS e lançaria despistadores (chaff) para confundir os seekers dos Granit. Cada Phalanx autonomamente rastrearia o alvo mais ameaçador e abriria fogo com rajadas de 20 mm. No melhor dos cenários, os quatro Phalanx poderiam destruir 4 mísseis (um para cada) e talvez danificar outro – restariam ainda vários. Chaffs poderiam desviar a atenção de um ou dois mísseis (levando-os a explodir no mar por perda de lock).

Mas é provável que alguns Granit impactem o encouraçado. Com ogivas de 750 kg, um acerto na popa, por exemplo, poderia incapacitar hélices ou lemes; um acerto na superestrutura poderia devastar o centro de comando e radares; um acerto no costado talvez seja absorvido pelo cinturão blindado em parte, mas ainda causaria grandes danos estruturais, abrindo rombos e iniciando incêndios. A blindagem do Iowa provê significativa resistência – por exemplo, se um Granit atingir o costado dentro da área protegida, os 307 mm de aço inclinados podem impedir perfuração profunda, resultando “apenas” em uma grande ablação externa e choque interno.

O navio provavelmente sobreviveria a um ou dois impactos sem perder flutuabilidade, mas com sistemas degradados. No entanto, se forem múltiplos acertos, o Iowa corre sério risco: explosões podem incapacitar torretas, provocar inundações em compartimentos não isolados e matar muitos tripulantes. Vale lembrar que os Granit poderiam ser equipados com ogivas nucleares táticas – nesse caso, o confronto convencional se tornaria irrelevante, pois um único ataque nuclear destruiria o Iowa. Porém, assumindo armamento convencional, após essa troca inicial, ambas as embarcações poderiam estar danificadas: o Kirov possivelmente atingido levemente por algum Tomahawk (mas provavelmente ainda em combate), e o Iowa provavelmente muito castigado pelos Granit (talvez combalido, mas não necessariamente afundado, graças à sua robustez).

Cruzador classe Kirov visto pela alheta de boreste

Fase de aproximação e confronto final: Se o Iowa não fosse incapacitado na primeira salva, ele tentaria reduzir a distância a todo vapor, aproveitando sua velocidade semelhante. O Kirov, por sua vez, poderia optar por romper o contato após lançar seus mísseis – taticamente, os soviéticos não precisariam se expor a tiro dos canhões do Iowa; poderiam disparar e recuar, aguardando as explosões e avaliando danos via helicóptero ou aeronaves de reconhecimento. Caso o Kirov mantenha o engajamento, ele poderia lançar ondas adicionais de mísseis (até esgotar seus 20 Granit).

O Iowa, sem mais mísseis de longo alcance (os Tomahawk teriam sido todos lançados na primeira salva), ficaria limitado agora aos Harpoons se o Kirov estivesse a menos de ~120 km. Os Harpoon, porém, voam a apenas 0,8 Mach e dariam tempo ao Kirov de sobra para derrubá-los com S-300F ou Kashtan – é pouco provável que um Harpoon penetre as defesas de um Kirov alerta. Assim, o Iowa poderia estar sem opções efetivas de ataque à distância após esgotar seus Tomahawk. Seu trunfo restante seriam os canhões, mas para usá-los ele precisa chegar a menos de 40 km – o que requer furar a “bolha” de mísseis do Kirov.

Imaginemos que, apesar dos danos, o Iowa avança e consegue encurtar a distância para, digamos, 25 milhas. Nesse ponto, ambos já se avistam no radar de superfície um do outro claramente; o Kirov talvez lance seus mísseis antiaéreos de médio alcance (OSA/Kinzhal) contra o Iowa diretamente como armas antinavio de último recurso (elas não têm ogivas grandes, mas podem incomodar sensores). O Iowa pode usar suas baterias secundárias de 5” para tentar interceptar mísseis ou atirar no Kirov se já estiver no horizonte visível.

Quando (e se) a distância cai para ~30 km, enfim, os canhões de 16″ entram em ação. O Iowa poderia disparar salvas completas de 9 projéteis de alto explosivo ou perfurantes. Uma única salva acertando o Kirov teria efeitos terríveis: mesmo sem blindagem espessa, a explosão de um projétil de 1.200 kg poderia rachar o casco ou detonar munições secundárias. Duas ou três salvas certeiras provavelmente destruiriam o Kirov – suas revistas de mísseis, sistemas de radar e propulsão ficariam à mercê de tamanho poder destrutivo. Os soviéticos sabiam disso; é improvável que permitissem tal aproximação. A tripulação do Kirov faria de tudo para manter o Iowa afastado: poderia usar sua vantagem de manobra enquanto os motores do Iowa talvez estivessem prejudicados por danos, ou até retirar-se sob uma cortina de fumaça (navios soviéticos possuíam sistemas de fumaça) se vissem o couraçado chegando perto demais.

Possíveis desfechos: No cenário descrito, a vantagem tenderia ao Kirov em um ambiente aberto, devido à capacidade de atacar primeiro e de longe. O Iowa estaria em grande perigo antes de poder usar seus atributos. Fontes ocidentais na época reconheciam que, isoladamente, “um couraçado Iowa dificilmente conseguiria alcançar um Kirov para travar um duelo de canhões – algo teria dado muito errado para o comandante soviético se ele permitisse tal aproximação”. Mais provável seria o Kirov lançar sua salva e se afastar, evitando o confronto aproximado. Nesse caso, o Iowa – se não afundado – teria dificuldade em perseguir um inimigo talvez mais veloz do que ele imagina (ambos têm velocidade similar, então o Kirov poderia manter distância se começasse já longe). Assim, num combate 1 x 1, o Kirov teria alta probabilidade de vitória, ao menos neutralizando o Iowa com mísseis antes de ser ameaçado pelos canhões inimigos.

Por outro lado, não se deve subestimar a resiliência do Iowa. Mesmo sem apoio, ele poderia talvez resistir a um primeiro ataque e continuar operando. Se conseguisse aproximar-se ou se o Kirov sofresse algum revés (por exemplo, falha de algum míssil ou exaurir suas munições), o Iowa poderia virar a mesa. Alguns analistas sugeriram que o Iowa “poderia sobreviver ao ataque inicial, mas sua capacidade de retaliar seria limitada, possibilitando ao Kirov se retirar” – ou seja, não haveria um vencedor claro; o Kirov gastaria seus mísseis e, vendo o couraçado ainda navegando (talvez danificado porém não afundado), poderia preferir romper o combate (afinal, a missão soviética seria cumprida se o Iowa fosse posto fora de ação ou impedido de avançar). Nesse sentido, o resultado mais provável seria o Kirov danificar seriamente ou imobilizar o Iowa, evitando a necessidade de chegar às vias de fato de curto alcance. O Iowa, mesmo que não afunde, falharia em alcançar o Kirov, cumprindo assim o objetivo soviético de negar o mar ao adversário.

Em cenários menos isolados, ambos os navios operariam com escoltas e suporte aéreo, o que alteraria muito as dinâmicas. Um Iowa acompanhado por um cruzador Aegis e aviação embarcada teria muito mais chance de sobreviver a mísseis inimigos (os Aegis poderiam derrubar os Granit em camadas). Inversamente, um Kirov com cobertura de bombardeiros ou submarinos seria ainda mais letal. Mas dentro do escopo navio contra navio, o embate ressalta as vantagens e limitações de cada projeto.

Vantagens e desvantagens resumidas: O Kirov brilha pelo alcance ofensivo e versatilidade de mísseis, podendo engajar múltiplas ameaças aéreas e de superfície, e coordenar ataques de saturação. É um navio líder tecnológico, mas complexo e caro de operar; sua dependência de sistemas ativos significa que danos a seus sensores podem reduzir sua capacidade drasticamente em combate. Já o Iowa sobressai pela resistência e pelo poder de fogo bruto – um sobrevivente capaz de entregar golpes devastadores quando próximo. É, entretanto, um design de outra era adaptado. Em última análise, se o Kirov representa o ápice do pensamento naval soviético de atacar à distância, o Iowa modernizado representa a adaptação de um gigante do passado para deter adversários pelo simples fato de existir e suportar danos.

A Guerra Fria terminou sem que esses titãs se enfrentassem de verdade – talvez para o melhor. Tanto a classe Kirov quanto os couraçados Iowa serviram a seus propósitos de dissuasão. A introdução dos Kirov forçou os EUA a pensarem criativamente (ou talvez nostalgicamente) em soluções de contra-ataque, enquanto a reativação dos Iowa enviou uma mensagem clara de determinação ocidental. Hoje, analisando em retrospecto, ganha-se uma apreciação de como alta tecnologia e lições da história coexistiram naquele período: de um lado, mísseis e energia nuclear; do outro, aço e pólvora. Cada um, à sua maneira, influenciou profundamente as doutrinas e o equilíbrio naval dos anos finais da Guerra Fria.

SIMULAÇÃO: O combate Kirov versus Iowa no jogo SEA POWER

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FONTES:

  • GlobalSecurity.org – Kirov Class – Project 1144.2
  • Wikipedia (pt/en) – Classe Kirov, Kirov-class battlecruiser
  • Center for Security Policy / National Interest – Why the Navy ‘unretired’ the Iowa-class battleships
  • U.S. Naval Institute Proceedings – The Iowa Class: Needed Once Again (1982)
  • Naval Encyclopedia – Kirov class Battlecruisers (1977)
  • War Thunder Dev Blog – USS Iowa: The Battleship of Presidents
  • Naval History and Heritage Command – USS Missouri & USS Iowa fact files
  • Friedman, Norman. U.S. Battleships: An Illustrated Design History – detalhes de projeto da classe Iowa.

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Burgos

Aí “Laranjão” !!!
fica a dica !!!
Cruzador só se for propulsão nuclear, se for colocar os Iowa na ativa de novo vai perder. Esquece e abandona essa idéia.
Vai salgar carne podre se investir nesses velhos navios.
Deixe o passado quieto, as vezes reaviva-los vc vai colocar uma quantidade muito grande de almas em perigo em uma eventual real escalada de violência com a Rússia. Fica a dica 👍

Marcos

A Ideia era reativar os Iowa ou utilizar o conceito de alta resistência a impactos desses numa nova classe?

Burgos

Acredito que a ideia era ressuscitar o conceito criado na classe Iowa com atualizações, mas isso vai ficar uma fortuna aos cofres públicos, mesmo construindo 4 ou 5 com esse dinheiro gasto neste projeto acredito que construiria umas 12 a 15 Arleigh Burke 🤔
Que também é um número significativo e pelo poderio que esse Destróier carrega👍

Paulo B.

Eu acredito que ele não terá nem tempo para construir tudo isso. E dificilmente ele consegue fazer o sucessor. Aprovação baixa e contestada.
Para mim, pura jogada de marketing e encheção de linguiça

Augusto Cesar

Mas a capacidade de sobrevivência contra misseis poderosos como o Granit me surpreendeu bastante. Pensava que a alta blindagem de um Iowa não ira dar conta do recado.

Hoje com ataques de saturação e com misseis ainda mais sofisticados, com certeza muitos passariam em confronto naval. Talvez a ideia de investir em navios pesados com alta blindagem (não necessariamente encouraçados) não seja assim uma tão ruim ideia.

André Macedo

Excelente artigo, no jogo Sea Power que a trilogia já mostrou é possível ter uma noção mesmo que superficial da capacidade de um navio apenas de lidar com múltiplos mísseis, a saturação seria muito importante.

Zézinho

Um encouraçado Iowa seria ideal para martelar Maquetia, La Guaíra? Seus tiros poderiam atingir Caracas? E o complexo Penha/ Alemão?

Guizmo

Muito bom!! O Kirov em curta distância poderia usar seus torpedos 533mm no modo antinavio?

Alexandre Galante

Poderia sim, alcance de 22 km.

Paulo

Parece que houve um liberou geral para meios nucleares de superficie. Putin parace querer também uma frota de navios quebra gelos nucleares. É tudo uma loucura. Stanley Kubrick em seus filmes, criticou esta vibe nuclear . O primeiro foi uma comédia de humor negro, Dr. Stangelove. O outro 2001, é mais contundente. Kubrick inventou os ” semeadores”, uma raça alienígena que havia, em priscas eras ” estimulado ” os hominídeos à evoluir. Só que algo deu errado. Os primatas não fizeram um bom trabalho, e por intermédio de Hallman( um simbionte entre a IA Hall e o comandante da Discovery… Read more »

Alex Barreto Cypriano

Semeadores frustrados lançando mão de monólitos negros exterminadores da humanidade experimento falhado? Não lembro disso, não, no filme do Kubrick – acho que você assistiu um outro ‘2.001: Uma Odisseia no Espaço’…
Aliás, Kubrick achava que não havia ninguém mais lá fora no espaço sideral…

JHF

O problema é misturar o filme de Kubrick com a trilogia do livro original. A ideia de “aniquilar” os primatas está muito forçada, sendo a aparição de um novo sol a real influência fundamental a pacificar a terra da sua pretendida guerra nuclear. Isso no livro do Arthur Clark, não no filme de Kubrick, que cubre exclusivamente primeiro livro com uma interpretação livre no seu final.

Iran

Kubrick era gnóstico, e ele achava que tinha algo lá fora sim, inclusive a explicação final pra 2001 (q ele msm deu) caso não esteja acostumado com a cosmologia gnóstica, é que o comandante da Missão que pretendia chegar até Júpiter foi “preso” por uma raça alienígena além da compreesão humana que nem tinham corpos físicos num “zoológico humano” e o observaram envelhecer, esses “aliens” eram aqueles raios de luz que o protagonista vê quando chega em Júpiter, isso entra novamente na descrição gnóstica onde os deuses e arcontes são raios de energia feitos de plasma. É um conceito semelhante… Read more »

Alex Barreto Cypriano

Mas vou me corrigir: Kubrick acreditava na existência de vida fora da Terra, sim, mas ele concluiu que não haveria nenhum contato com estas dadas as enormes distâncias. Eu acrescentaria que as distâncias interestelares e intergalaticas são, pela constância da velocidade da luz que porta a informação, também medida de tempo: o distante universo retratado pelas imagens do JWST são imagens do passado longínquo. Dizem que podem existir entre 35 e 175 civilizações na Via Láctea. Sejamos generosos e imaginemos 200 contemporaneas. Distribuídas homogeneamente no volume do disco da galáxia, elas estariam distantes entre si de 400 anos-luz. Mas se… Read more »

Alex Barreto Cypriano

Erro tipográfico: onde se lê ‘400 anos-luz’ leia-se ‘4.000 anos-luz’.

Burgos

Vendo o título da matéria, fiz uma rápida pesquisa e verifiquei que ambas denominações estão certas (Couraçado/Encouraçado) aí fica a gosto do freguês quanto ao emprego 👍

Luís Henrique

Para mim a reativação dos Iowa foi muito mais para propaganda e para dizer: “o meu é maior que o seu” Afinal os Iowa são maiores e deslocam o dobro da classe Kirov. Apenas para terem o título de escoltas mais pesados ou maiores do mundo. Mas sem defesa antiaérea de médio e longo alcance, sem Sonar e torpedos, sem helicópteros, era uma solução bem menos eficaz que os Kirov. Atuando em uma força tarefa teriam uma boa capacidade de sobrevivência, mas adicionaram pouco em termos de poder de fogo. O que são 32 Tomahawk e 16 Harpoon em comparação… Read more »

Dalton

Os primeiros 5 Ticonderogas não podiam embarcar o Tomahawk e os subsequentes jamais embarcariam 122 pois a principal missão era A\A daí o principal e mais numeroso míssil ser o “SM-2” então quando muito poderiam embarcar os mesmos 32 dos Iowa que também embarcavam o dobro de “Harpoons” e os canhões de 16 polegadas eram ainda vistos com bons olhos em caso de desembarque anfíbio ou simplesmente bombardeio. , Os Iowas eram praticamente novos e a reativação foi relativamente barata dessa forma acelerando o projeto de se alcançar a meta de 600 unidades – chegou perto – então apesar de… Read more »

Luís Henrique

Se não me engano os custos foram de cerca de U$ 2 bi para modernizar e colocar os 4 Iowas em serviço. Na época o Cruzador Ticonderoga custava pouco mais de U$ 500 mi. Sei que dificilmente um Ticonderoga seria equipado com 122 Tomahawk rsrs mas possuem esta capacidade. No mais, mesmo com 32, sobra espaço para muitos mísseis antiaereos de Médio e longo alcance, além da capacidade contra submarinos e dos 2 helicópteros. Por quase o mesmo custo de aquisição e muito mais versáteis e poderosos. O Wisconsin entrou em serviço em 88 e aposentou em 91. Todos os… Read more »

Dalton

Não se deveria comparar “Iowa” com “Ticonderoga”, ou mesmo “Kirov” navios com funções diferentes e quando escrevi que a “reativação” foi relativamente barata foi porque um similar novo teria custado muitas vezes mais, obviamente modificado, mas ainda fortemente blindado, maior número de mísseis, grande alcance e velocidade e natural maior capacidade para tornar-se um capitânia. . Na época do planejamento da reativação não se sabia que a Guerra Fria estava no fim e foi esse o motivo que levou os 4 a serem colocados na reserva tão cedo. . Se mais “Ticonderogas” poderiam ter sido construídos pelo valor gasto com… Read more »

Alex Barreto Cypriano

Os classe Kirov (com seus terríveis P-700 Granite, que também estavam presentes no porta aviões classe Kuznetsov) eram matadores de CVNs mas tinham primeiro que lidar com escoltas, no caso o vetusto classe Iowa modernizado. Mas essa abordagem parece duelo de faroeste tipo high noon. Nunca iria acontecer porque ambos os lados faziam uso de sistemas de vigilância oceânicos que garantiam que não haveriam surpresas – um modo eficaz de manter a corrida armamentista (que estava pra acabar de qualquer maneira pela exaustão soviética), pra gáudio dos aficcionados, mas com adequada deterrencia contra strike out of the blue (porque militar… Read more »

Last edited 1 mês atrás by Alex Barreto Cypriano
Cristiano ciclope

Gostei muito da matéria, gostaria de ver uma simulação dessas em três situações: um confronto de um PA kusnetzov, uma simulação do quê aconteceu teoricamente com o Moskva na guerra da Ucrânia e uma simulação do nosso futuro grupo de batalha do Atlântico com as escoltas Tamandaré!

Last edited 1 mês atrás by Cristiano ciclope
Guilherme Lins

Armados com Harpoon’s, Tomahawk’s, e uma bateria de 406mm? Fora a blindagem, fora a modernização de radares? Se for pra escolher o combatente de superfície definitivo, excluindo os porta-avioes… Sou muito mais os Iowa’s!

Luís Henrique

Para dar peso teria que ser os 4 Iowas contra um único Kirov. Gostaria de ver essa simulação. 5 Granit pra cada um, sem mísseis antiaereos acho que pelo menos uns 3 Granits atingem o alvo. Já os 128 Tomahawk (32 de cada) seriam uma ameaça gigante, mas com 96 S-300 de longo alcance + 128 Kinzhal de médio alcance + os CIWS o Kirov teria uma chance. Os Iowa são belíssimos e imponentes mas com zero mísseis antiaéreos de médio e longo alcance, zero capacidade contra submarinos e zero helicópteros embarcados. Os 32 Tomahawk e 16 Harpoon formam uma… Read more »

Dalton

Os “Iowas” seriam escoltados, diferentemente de um “Kirov” que poderia operar de forma mais independente, então, simular um combate entre os dois tipos de navios é infrutífero na falta de palavra melhor. . Os “Iowas” não tinham a mesma função de um “Kirov” e em meados da década de 1980 poucos navios da US Navy estavam armados com o “Tomahawk” mesmo o imenso cruzador “Long Beach” foi armado com apenas 8 deles. . O “VLS” era uma novidade, o primeiro “Ticonderoga” com ele o “Bunker Hill” foi incorporado apenas em 1986 para então passar por um ano de ajustes e… Read more »

Luís Henrique

Sim, entendo. Entendo que tiveram motivos pela reativação e modernização. Mas logo em seguida com os novos Ticonderoga muito melhor armados, muito mais versáteis, muito mais poderosos e bem mais baratos para operar e com quase o mesmo custo de “aquisição”. Os custos de operação de um Iowa era um absurdo de caro. Sobre a comparação com o Kirov , isso foi feito na própria matéria e até na simulação de jogo… então imaginei 2 Iowa vs 1 Kirov e até os 4 Iowa vs 1 Kirov. Mas sim, na vida real não faz muito sentido pois nenhum deles estaria… Read more »

Dalton

É sempre bom poder “conversar” com pessoas educadas, eu que agradeço. . Mas é como escrevi antes, o “VLS” surgiu apenas no fim da década de 1980 com a incorporação do USS Bunker Hill e supunha-se na época que dos 122 silos – se todos devidamente preenchidos, pelo menos 80 seriam ocupados com o SM-2, mais alguns para o ASRoc. . Com tão poucos navios capazes de embarcar o “Tomahawk” o prospecto de reativar os 4 encouraçados com 32 deles cada um de forma rápida pareceu uma atitude correta além de outras benesses que trariam, mas, o fim da Guerra… Read more »

Luís Henrique

Que legal.
Vou gostar de ver.
Não sei se irão publicar aqui nesta página mesmo?

Augusto Cesar

Artigo fantástico sobre duas belonaves fantásticas. Sou apaixonado pela classe Kirov e pelos encouraçados (a maioria me fascina, mas minha classe favorita e o Yamato). Meus navios de guerra favoritos.